[Música] [Música] Oi! Sou a professora Ana Cláudia. Sou Doutora em Imunologia e hoje vamos conversar sobre a resposta imunológica que ocorre após administração de uma vacina, que tem como objetivo a indução de uma resposta imune de memória, específica e duradoura.
Para isso, essa resposta imunológica, ela deve ser completa, ou seja, a vacina deve ativar tantos componentes da imunidade inata, quanto os da imunidade adquirida. Relembrando que esses componentes foram abordados numa aula anterior. E, como mesmo, são ativadas essas células do sistema imunológico?
Como essa resposta protetora se desenvolve? Antes de tudo, para que as células do sistema imunológico sejam ativadas, elas precisam detectar e reconhecer o patógeno. Como que isso acontece?
Através de diversos receptores que estão presentes na superfície de todas as células do sistema imune, que permitem a sua interação com o patógeno, ou com partes dele, que funcionam como um antígeno. Essa comunicação, ela acontece a partir da ligação desses receptores a seus respectivos ligantes, que estão presentes no patógeno e essa ligação, ela aciona sinais intracelulares que modificam a expressão gênica da célula, levando a codificação de proteínas. Uma vez secretadas essas proteínas, elas interagem com receptores específicos que estão presentes na própria célula, que a produziu, ou em outras células do sistema imunológico.
E dessa maneira, as células do sistema imune comunicam entre si e exercem a sua função biológica. E o início do desenvolvimento da resposta imune protetora começa com ativação de células da imunidade inata. Essas células, elas detectam agente infeccioso através de receptores em sua superfície, que se ligam a moléculas que estão presentes no patógeno.
Então, podemos dizer que o patógeno, ele emite sinais de perigo ao sistema imune, sinalizando a sua presença. E o que seriam, então, esses sinais de perigo? Eles são provenientes de estruturas que são altamente conservadas, presentes nos microrganismos.
Porém, elas estão ausentes nas células da espécie humana. São moléculas como os lipopolissacarideos, peptídeoglicanos, glicolipídios e lipoproteínas, que são encontradas nas superfícies de microrganismos e constituem o que nós chamamos de padrões moleculares associados ao patógeno ou os pamps. Esses pamps são estruturas altamente conservadas e que estão presentes nos patógenos e ativam a resposta imune, por sua interação com receptores, que estão presentes nas células do sistema imuninato, chamados receptores de reconhecimento de padrão ou os PRRs.
Os PRRs são proteínas presentes em diversos tipos celulares, especialmente, nas células apresentadoras de antígenos, as APCs, como por exemplo, as células neendríticas, os macrófagos e neutrófilos. Então, como falado anteriormente, quando o receptor presente na célula imune reconhece seu ligante específico, presente no patógeno, ocorrem, então, a ativação celular com a codificação de determinada proteína que, então, irá exercer a sua função biológica, seja ativando outras célula ou seja recrutando células para o local infectado, direcionando, assim, o tipo de resposta imune ideal, de acordo com o patógeno em questão. E como que as vacinas agem?
Na sua formulação, existem antígenos e componentes que são desenvolvidos especificamente para imitar esses sinais de perigo, ligando-se, então, aos PRRs que estão presentes nas células apresentadores de antígenos. Desencadeando, da mesma forma, a resposta imunológica adequada para aquele respectivo patógeno. Importante lembrar que o sistema imunológico, ele é um sistema aberto, e as células imunes, elas estão distribuídas por todo o corpo, como um sistema de vigilância.
Por exemplo, temos leucócitos presentes em diversos sistemas do nosso organismo. E esse mecanismo, ele aumenta muito a chance do encontro com o agente patogênico. Bem como, também, garante que o mesmo seja reconhecido por mais de um receptor, possibilitando, assim, o reconhecimento de cerca de 98% dos agentes patogênicos pelo sistema imune.
E o que que ocorre após a ativação da imunidade inata? Ocorre uma série de eventos na tentativa de conter o patógeno no local da infecção, impedindo, então, sua disseminação pelo organismo. A ativação da resposta imune inata resulta, então, principalmente, no recrutamento de leucócitos para o local infectado, tornando mais eficaz a fagocitose deste microrganismo.
Além disso, os macrófagos também tornam-se ativados e passam a secretar substâncias bactericidas na tentativa de matar o patógeno. Caso essa resposta imune inata, ela não seja suficiente para eliminar esse patógeno, e a infecção persista, os linfócitos T e B serão, então, ativados, desencadeando uma série de eventos que levarão ao desenvolvimento de uma resposta imune adquirida protetora e de longa duração, chamada de resposta imune de memória. Então, resumidamente, explicaremos como que isso ocorre, como, de fato, ocorre essa ativação dos linfócitos T e B, levando ao desenvolvimento de uma imunidade adaptativa, seja ela desencadeada por uma infecção natural ou através da administração de uma vacina.
Uma vez que seja reconhecido pelas células da imunidade inata, o antígeno, ele é fagocitado pelas células dendríticas, que estão presentes em mucosas, em tecidos periféricos, por exemplo, na pele, e essas células dendríticas, elas se tornam ativadas e migram, então, para os órgãos linfóides secundários, como o baço e linfonodos. E nesses locais, a resposta imune adquirida, ela é desencadeada. E como de fato ela acontece?
Então, o antígeno fagocitado por essas células dendríticas, ele é processado e os seus fragmentos são, então, apresentados na superfície da célula dendrítica, ligados a moléculas que pertençam a um complexo proteico chamado MHC, que é o complexo histocompatibilidade principal. E esse complexo, ele é apresentado aos linfócitos T para vir um receptor que está presente na superfície dos linfócitos T, que é o receptor TCR. E esse receptor, ele é específico para esse fragmento antigênio.
Então, esse contato celular, juntamente com outros sinais que são liberados durante essa interação, ele resulta na ativação desses linfócitos que se diferenciam em linfócitos que a gente chama de T efetores ou linfócitos T helper, que passam a produzir e secretar proteínas e moléculas chamadas citocinas, que tem diversas funções, incluindo ativação de linfócitos B. Essas células diferenciam-se, então, em plasmócitos, que são células especializadas em produzir anticorpos específicos capazes de combater o invasor específico. Vale destacar que as células dendríticas, elas podem reter um antígeno nos órgãos linfóides secundários, por períodos extensos, e esse fato, ele contribui para o desenvolvimento de uma memória imunológica.
E como se dá essa ativação dos linfócitos, nos órgãos linfóides secundários? É, como já citado, a ativação do linfócito T naive, que é o linfócito T virgem, ela requer sinais específicos, que ocorrem a partir da ativação das células dendríticas. Após o contato físico entre a célula dendritica e o linfócito T, outras interações são necessárias para que ocorra essa ativação, por exemplo, são necessárias interações entre outros receptores presentes em ambas as células, tanto na célula dendrítica, quanto no linfócito T, como as moléculas co-estimulatórias, como CD 28 e seus ligantes, como a família B7.
É necessário, ainda, um terceiro sinal para que essa ativação ocorre. Esse sinal, ele é proveniente das citocinas, que são liberadas pelas células dendríticas ativadas. É importante destacar que esse sistema de ativação dos linfócitos T, que é dependente de diversos sinais, é uma forma de controle do sistema imunológico para impedir o desenvolvimento de resposta imune adquirida contra antígenos que são próprios do organismo, como o que acontece nas doenças autoimunes.
Então, esse momento do contato entre a célula dendrítica que o linfócito T naive, ele é crucial para definir qual o tipo de resposta protetora que será desencadeada a partir de interações e dos sinais que são liberados durante esse encontro. Assim, nós podemos ter uma resposta imune adquirida, que ela seja mediada por células que a chamada resposta imune celular ou mediada por anticorpos, a chamada resposta imune humoral. A resposta imune celular, ela pode, ainda, ser mediada por dois tipos principais de linfócitos T, mas que apresentam funções distintas.
Então, uma vez ativados os linfócitos T, eles podem expressar receptores CD4 ou CD8, em sua superfície, sendo, então, chamados linfócitos em CD4+ ou CD8+. Então, mais uma vez, é importante lembrar que a expressão desses receptores, ela está condicionada à forma como esse antígeno foi apresentado aos linfócitos T naive. Se o antígeno então, ele é apresentado via moléculas MHC de classe 1, os linfócitos T naive irão se diferenciar em linfócitos T CD8, também, chamado citotóxicos.
Já quando os antígenos são apresentados via MHC de Classe 2, esses linfócitos T naive vão se diferenciar em linfócitos T CD4. Esses, ainda, os linfócitos T CD4, eles ainda podem se diferenciar em linfócitos T helper 1, que é o TH1 ou T helper 2, que é o TH2, que induzem à produção de anticorpos específicos por linfócitos B, que a chamada resposta imune moral. Importante, então, a gente dizer que durante o processo infeccioso, diferentes mecanismos efetores de ambos os tipos de respostas imunes, celular e humoral, eles vão ser desencadeados e atuam juntos com objetivo final de combater o patógeno.
Então, a gente volta lá no início da nossa aula, quando a gente falou que o principal objetivo de uma vacina é o desenvolvimento de uma resposta imune eficaz e duradoura. Ea memória imunológica, ela é a base dessa proteção, que é resultado de uma resposta imune mais rápida e intensa, contra um antígeno que desencadeou. Essa resposta, ela é diferente daquela que ocorre a partir do primeiro contato com o antígeno.
Dessa exposição inicial, o indivíduo ainda não tem memória imunológica. E há, então, um período inicial de latência, caracterizado pela ausência de anticorpos específicos circulantes. Essa resposta, ela dura em torno de 1 a 14 dias e esse é o tempo em que ocorre o desenvolvimento de uma resposta imune adaptativa, quando os linfócitos encontram antígeno, passam por um período de divisão e diferenciação e passam, então, a produzir e secretar anticorpos.
O primeiro, são os anticorpos da classe GM né, que pode ser detectado no soro, logo nos primeiros dias, após o início dos sintomas. Esses anticorpos, eles alcançam seu pico de concentração em torno de 7 a 10 dias e, em aproximadamente 28 dias, os títulos de anticorpos, eles se elevam rapidamente, alcançando, então, o platô. E, logo a seguir, eles se declinam para níveis que não são detectáveis, durante os próximos meses.
Isso, também, acontece com os níveis de linfócitos T efetores. Então, uma vez controlada a infecção, esses parâmetros, eles gradualmente declinam e seus níveis permanecem reduzidos até que ocorra uma segunda exposição ao antígeno, seja através de uma reinfecção, ou de uma vacinação. Então, esse segundo contato, ele induz o desenvolvimento de uma resposta imune secundária e ela é caracterizada pela ausência do período de latência, sendo mais rápida e eficiente que a primeira, que a resposta primária, caso, então, posteriormente, ocorra uma reinfecção, o reencontro com antígeno leva à ativação de uma superpopulação de linfócitos T e B, de memória, que são os que foram induzidos previamente durante a resposta imune primária.
E essa resposta imunológica, ela permite a produção e secreção rápida e mais elevada de anticorpos específicos, representado, principalmente, pelo isotipo IgG, resultando, então, numa infecção sutil, ou mesmo, assintomática. Essas células de memória, elas persistem por um longo tempo, ou mesmo, por toda vida, com ou sem o contato com antígeno residual, e a maioria das vacinas atuais, ela é desenvolvida exatamente para ativar uma memória imunológica, através da indução de uma resposta imune humoral, com a produção de anticorpos neutralizantes. E uma vez desenvolvida, essa resposta imune, como efetivamente o sistema imunológico age para combater esse agente infeccioso?
Então, a gente vai explicar bem resumidamente, como que as células e os anticorpos agem nos protegendo contra os microrganismos patogênicos. Então, os anticorpos, eles são o produto final da ativação da resposta imune humoral. A função efetora dessas moléculas, então, envolve, principalmente, cinco mecanismos básicos, com o objetivo de combater, tanto microrganismos extracelulares, né?
E, também, e/ou as suas toxinas, né? Quanto, também, conter a disseminação de patógenos intracelulares. E aí, pessoal, como é que é?
Como que os anticorpos fazem isso? Principalmente, através da sua capacidade de neutralização, que é por meio da sua ligação a estruturas microbianas, né? Bloqueando a interação do patógeno a receptores que estão presentes nas células do hospedeiro, impedindo, assim, que esse patógeno entre nessas células.
E a neutralização, ela também pode impedir a ação de toxinas bacterianas, através da ligação dos anticorpos a regiões da toxina, que se ligam aos receptores das células. Como exemplo, então, nós temos a neutralização da toxina botulínica e da toxina tectônica, né? Conferida pela administração dos respectivos soros, né?
Que contêm anticorpos específicos e impedem, assim, a ligação dessas toxinas a receptores que podem, que vão causar as lesões decorrentes da ação dessas toxinas. Outra função efetora importante dos anticorpos é facilitar o reconhecimento de patógenos por outras células do sistema imune. É através de um mecanismo que é conhecido como opsonização.
O que que é isso? É o revestimento do patógeno ou, ainda, de células infectadas por ele, por anticorpos específicos. E esse processo, ele funciona como uma sinalização ao sistema imunológico, favorecendo, então, a fagocitose e a morte do patógeno por células fagocíticas.
Os anticorpos, eles agem, também, ativando o sistema complemento, né? Ele potencializa as ações do sistema complemento. E, além de promover a lise da célula infectada, a ativação desses componentes do sistema complemento favorecem, também, a fagocitose e o aumento da resposta inflamatória ao patógeno, né?
Principalmente, com recrutamento de leucócitos para um local infectado. Então, como a gente falou, anteriormente, uma vez ativado, os linfócitos T naive se diferenciam, então, em linfócitos T, com funções efetoras distintas, que são a base da proteção conferida pela resposta imune celular. Essa resposta, ela é direcionada, principalmente, para combater microrganismos intracelulares.
Basicamente, os linfócitos TCD4, de perfil T helper 1, eles induzem a produção e secreção de citocinas inflamatórias por diversos tipos celulares, além de ativarem, também, macrófagos e outros linfócitos T. Então, estimulam essas células a produzirem importantes substâncias inflamatórias e bactericidas e, paralelamente, esses linfócitos, eles também participam da indução da resposta imune humoral, contribuindo na ativação de linfócitos B, mas os linfócitos T helper 2 é que são as principais células ativadoras dos linfócitos B, que se proliferam e diferenciam emplasmócitos, que são células produtoras de anticorpos específicos para combater esse agente infeccioso. A resposta imune celular, ela também pode ser mediada por aqueles linfócitos TCD8+, que eu comentei anteriormente.
Esses linfócitos CD8+, eles se diferenciam dos linfócitos T, que a gente chama de citotóxicos, que eles são capazes de identificar e matar células infectadas. Esses linfócitos, eles podem causar a lise direta da célula infectada, através da liberação de algumas substâncias, como por exemplo, perfurinas e granzimas, podendo, também, combater o patógeno intracelular, através de um mecanismo, de um fenômeno, que a gente chama de apoptose que é uma morte celular programada. Nós vimos aqui, nessa aula, um pouco do que acontece no organismo, no sistema imune, após a administração de uma vacina.
E como vocês podem ter percebido, né? Como a gente percebe, o sistema imune, ele é muito complexo, envolve muitas células, muitas moléculas, e diversas vias de ativação. E é importante que a gente conheça o básico do que acontece numa resposta imune, sobretudo, após a administração da vacina.
Assim, como a gente não consegue aprofundar muito, em cada assunto, eu sugiro que você busque mais conhecimentos sobre esse assunto, a partir da leitura do material complementar, né? Sugerido nessa aula. Então, pessoal, até uma próxima aula!
Bons estudos para vocês!