[Música] então gente querida chegamos ao nosso último vídeo desse curso curso e desde o primeiro vídeo a gente vem conversando sobre a importância de levar para sala de aula para as nossas unidades de ensino uma educação profundamente comprometida com a mudança da nossa cultura que é machista que é patriarcal e que é sexista no vídeo passado depois que a gente conversou um pouco sobre o quanto essa educação comprometida com a promoção da Equidade de gênero pode colaborar na prevenção ao abuso sexual de crianças e adolescentes a gente mencionou também o quanto é importante compreender que
não dá para falar de promoção de igualdade entre homens e mulheres sem falar também sobre como mulheres negras sofrem direitos em relação a mulheres brancas a gente precisa lembrar que o Brasil é um país que existe a 520 anos e que por mais de 300 anos traficou torturou explorou matou pessoas negras negando a essas pessoas qualquer reconhecimento da sua humanidade e o resultado disso é que ao longo das últimas 16 gerações a gente vive em um país em que a população negra é brutalmente ferida nos seus direitos mais básicos o Brasil foi um país que
não só explorou pessoas negras negando a elas o mínimo reconhecimento da sua humanidade Mas ele também foi um país que ao decretar o fim da escravização de pessoas negras por força da pressão externa de outros países e sobretudo por força da mobilização do povo negro que lutou muito para conquistar sua liberdade quando o Brasil decretou o fim da escravização de pessoas negras decretou a abolição da escravatura ele foi criando ele já vinham criando mas ele consolidou aquilo que Silvio Almeida vai chamar de racismo estrutural ou seja uma forma de organizar a sociedade a partir da
qual eu garanto uma série de privilégios para pessoas brancas e Retiro direitos de pessoas negras trazendo essa discussão aproximando essa discussão para a questão de gênero nessa perspectiva interseccional de pensar como é que essas duas opressões se entra e cruzam gênero e Raça a gente precisa lembrar o seguinte como a gente discutiu ao longo deste curso nós temos uma cultura que diz para as meninas que ela só podem sonhar com casamento com a maternidade que elas são subalternas em relação aos homens quando a gente pensa nas mulheres negras isso é muito mais grave porque nem
isso é concedido as mulheres negras o direito à maternidade ou direito ao casamento ao longo da história do Brasil para as mulheres negras foi reservado o lugar da mãe preta boa serviçal subserviente a quem tava reservado o trabalho braçal O trabalho doméstico o cuidado com o filho da mulher branca e A negação de toda a sua humanidade de todos os seus direitos parte dessa cultura racista perversa é aquilo que a grande intelectual Patrícia Rio colins no livro pensamento feminista negro chama de margens de controle todas as meninas negras nascem dentro de uma cultura banhada de
imagens de representações que alimentam a ideia de que a beleza é branca a inteligência é branca a intelectualidade é branca Imagine você nascer dentro de uma cultura que associa tudo que você é a coisas ruins então o cabelo crespo é feio a pele negra é feia a pessoa negra é menos provido intelectualmente do que a pessoa branca é isso que tá dito na cultura a partir dessas imagens de controle sobre a qual a Patrícia e o Collins fala basta a gente observar as nossas novelas filmes desenhos como ainda prevalece a hegemonia a presença muito maior
de pessoas brancas isso colabora para que meninas e meninos negros sejam educados para o alto ódio para se sentirem inferiores então quando a gente fala de promover uma educação que ensine para as meninas desde cedo acreditar em na sua força na sua potência e compreenderem que elas têm o direito a sonhar com que elas quiserem em ser jogadoras de futebol skatistas cientista jornalistas professoras se elas quiserem sonhar em casar e ter filhos tá tudo ok desde que essa seja uma escolha lúcida Consciente e não um constrangimento da cultura quando a gente fala isso para as
meninas de um modo geral a gente precisa compreender que isso precisa trazer especificidade para o diálogo com as meninas negras porque assim como a gente disse no primeiro vídeo que a escola é sexista a gente precisa dizer a escola é racista nós temos um currículo livros didáticos que segundo Tomás Tadeu da Silva no livro alienígenas na escola ele discute como os nossos currículos os nossos livros didáticos eles apresentam determinados grupo de maneira subalterizada e estigmatizada ou até mesmo apagando esse Sujeito da história é o caso das mulheres se a gente abre um livro didático se
a gente observa o currículo a gente tem a sensação de que as mulheres não participaram da construção da história da humanidade da construção da história do nosso país segundo informa os livros didáticos a nossa história foi toda feita por mãos brancas e masculinas a um apagamento ou uma estigmatização dos indígenas das mulheres das pessoas negras e é importante que no nosso trabalho comprometido com uma agenda que se dê em para os direitos humanos com foco em garantia de direito de meninas a gente traga para esse debate a importância de repertório de trazer conhecimentos para que
as meninas negras compreendam a sua identidade fora esses estereótipos e dessas imagens de controle que as desumanizam é importante desde cedo dizer para as meninas negras que elas descendem de pessoas elas nasceram de pessoas que vieram nesse processo violento né de tráfico do continente que não é só o berço da humanidade mas é o berço da civilização é do continente africano que vem todo o conhecimento que circula hoje no mundo foi lá no continente africano que surgiram as primeiras três universidades do mundo é de lá que veio o que a gente entende hoje como arquitetura
literatura ciência e nós temos uma escola que ensina as meninas negras a se perceberem a partir do lugar da dor do sofrimento a partir do lugar da escravização então todas as vezes que a gente for fazer um trabalho voltado para promoção dos direitos das meninas a gente precisa fazer esse recorte racial porque como eu disse se as meninas estão dentro de uma cultura que diz para elas que elas são inferiores e só podem sonhar com um casamento com a maternidade e com lugares subalternos isso chega de forma muito mais violenta muito mais perversa quando a
gente está falando de meninas negras então com essas reflexões que eu trouxe aqui para vocês a gente encerra o nosso quinto vídeo do curso educação para Equidade de gênero eu espero que essa caminhada tenha sido proveitosa para vocês que vocês tenham aprendido com esses conteúdos que eu trouxe que são conteúdos que eu vivenciei na minha prática pedagógica ao longo dos meus 30 anos como professora básica em especial nos últimos oito anos em que eu criei e desenvolvi o projeto mulheres inspiradoras quem quiser continuar nesse diálogo comigo aí eu vou deixar aqui o meu instagram@professoragina Vieira
e o meu e-mail Gina Vieira
[email protected] essa é uma iniciativa do projeto fique bem um projeto construído e pensado com toda seriedade todo compromisso pensando a professora e o professor é um projeto pensado compara e sobre professoras e professores visando o fortalecimento da carreira do magistério visando a valorização do docente e visando aqui esse professor e essa professora sintam-se muito apoiados e muito abraçados para realizar o seu trabalho que é tão importante para todos nós muito obrigado foi uma alegria imensa tá nessa caminhada com vocês [Música]