Olá, moçada, tudo bem? Bom dia! Sejam bem-vindos de volta, um baita prazer reencontrá-los aqui para mais uma meditação estóica, para mais um café com o pai de não, o devocional mais racional do Cosmos.
Raz, tô com uma crise de soluço, mas como a gente não pode controlar o soluço, então eu não vou sofrer com isso. Então, se eu der uma soluçada aqui no meio da meditação, significa dizer que eu simplesmente não estou me ocupando com aquilo que eu não posso. Historicamente, se no meio, assim, de uma frase eu der um soluço, hoje com a meditação de Epicteto, extraída dos seus discursos, uma meditação mais curtinha, mas não menos impactante, não menos forte, que diz o seguinte: ah, o título da nossa meditação de 25 de março é "Riqueza e Liberdade São Gratuitas".
Riqueza e liberdade são gratuitas! 25 de março. Não se conquista a liberdade realizando o que o teu coração deseja, mas eliminando o teu desejo.
É interessante que nós vivemos uma época que diz para fazermos o exato oposto disso. É importante: você só é um homem de verdade, um construtor da família, um construtor da sociedade; você só é uma mulher de sucesso, você só é uma mulher à altura do seu tempo se você deseja, se você constrói, se você quer. É preciso acordar todos os dias às 2 horas da manhã, levantar pesos às 3 horas da manhã, e você já tá na sua empresa, de preferência dentro de uma banheira cheia de gelo, esperando o sol aparecer para você dizer: "Bom dia, sol!
Eu vou vencer, eu sou demais! " Por isso que os ETs não fazem contato com a gente. Eles olham isso e falam: "Esse povo come cocô, eu não vou descer com a minha nave ali para correr o risco de ser assassinado por gente doida.
" Nós queremos distância! Eliminar o teu desejo. Nós temos que entender essas meditações na natureza delas.
Ah, então é bom eu não querer nada. Quanto menos você quer, mais livre e rico você é. Não, Denísio, mas algum grau de querer há de se ter na vida.
Tudo bem, não vou discordar, desde que você entenda que cada querer é uma barra na grade que te prende. É isso. É basicamente isso.
O querer, ele impulsiona seu agir em um certo sentido, e, dependendo do que você quer, você coloca mais uma barzinha na grade que te cerca. É só isso. Você tem um bom carro, já falei sobre isso aqui, mas você quer um carro melhor, considerado melhor.
Saiba que isso vai te custar um trade-off, uma troca: tempo, dinheiro, esforço, empenho, e você passa a ser um servo desse desejo. Nos comentários dos nossos autores, há maneiras de ser rico, tendo tudo que você quer, ou querendo tudo que você tem. Tendo tudo o que você quer.
E, eventualmente, ninguém tem tudo o que quer, porque, por mais que você tenha, você tá sempre desejando alguma coisa. Você já viu alguma pessoa que um dia falou assim: "Eu tenho dinheiro suficiente, não quero mais dinheiro, não vou mais mexer com investimentos? " Não, é esse vazio que grita o tempo inteiro.
Ou você quer aquilo que você tem. Qual é a mais fácil aqui e agora, levando em consideração a sua natureza, a transitoriedade do tempo, a condição na qual nos encontramos. O mesmo se aplica à liberdade.
Tem pessoas que acham que só serão no momento em que elas estiverem em um lugar diferente do lugar onde elas estão. Não, não. Eu só vou ser feliz, ou só vou ser rica, só vou ser livre quando eu morar naquela praia, quando eu morar naquele prédio.
Quando, na verdade, já fizemos uma meditação aqui sobre isso: seja a sua melhor versão onde você está. Se você se irrita, luta, se esforça por mais, não é livre. Não é livre, Denísio!
Mas isso é muito louco. Eu sei que é muito louco, mas ele tá dizendo alguma mentira. O problema é esse.
Eu quero saber se ele tá mentindo para nós. Epicteto tá mentindo para nós quando eu acordo cedo e falo assim: "Hoje à noite eu preciso jantar um risoto de camarão. " Eu imediatamente me coloquei de servo disso.
O desejo vai te encalacrar, o desejo vai te submeter. O desejo submete no momento em que eu me abstenho do desejo. Quando a coisa se me apresenta, ainda que eu vá jantar um risoto de camarão, mas eu não passei o meu tempo, o meu dia, sendo guiado por isso.
Ter dinheiro não é o problema. Ter riqueza não é o problema. O problema é tornar-se servo, escravo disso.
E se você pudesse encontrar as zonas de liberdade que já possui e se concentrar nessas zonas de liberdade, bem, então seria livre aqui mesmo, agora mesmo. Eu, outro dia, estava na Sociedade da Lanterna falando sobre o cinismo, né, a corrente cínica de filosofia, que é a corrente do Diógenes, o cínico que anda com a lanterna acesa procurando o homem de verdade. E eu brincava com os lanterneiros, né?
Falando com eles, inclusive chama-se Sociedade da Lanterna por causa dessa inspiração de Diógenes. Eu até tenho uma lanterna aqui, alguns já viram, né? Então, o Diógenes era o cara, era o filósofo cínico, Diógenes, o cão que andava de dia com a lanterna, procurando o verdadeiro homem.
E aí eu brincava com os meus amigos lanterneiros, os frequentadores da Sociedade da Lanterna: quem é mais livre e mais feliz? Quem precisa de menos e que se satisfaz com o suficiente, ou quem nunca se satisfaz com o suficiente e está sempre em busca de alguma coisa que jamais vai alcançar, que nunca vai alcançar? Porque, no momento em que alcança, imediatamente se instaura o vazio, porque você sempre vai querer o próximo iPhone, você sempre vai querer o próximo lançamento, a ação, você sempre vai querer o carro do ano.
É mais livre quem é mais feliz. Fica aí para vocês refletirem a respeito. Beijo grande, a gente se encontra aqui amanhã.
Já quase acabando o mês de março!