Olá, amigos da história. Já estamos nos anos 20 deste século mas você sabe o que aconteceu na década de 20 do século passado? Como é que era o mundo 100 anos atrás?
O que mudou de lá para cá? Bom, para começar, aquele foi um período entreguerras, quer dizer, a humanidade acabava de sair da Primeira Grande Guerra mundial, que terminou em 1918, e estava ali no intervalo para enfrentar o que viria a seguir: a Segunda Grande Guerra. Era uma época, então, de trégua, de paz, de otimismo, de crescimento econômico.
Isso, principalmente para os Estados Unidos, com as pessoas comprando muito, consumindo, parcelando essas compras. Um período de progresso, de avanço tecnológico, com a produção de automóveis em escala industrial. Como foi o caso do ford T, o famoso ford de bigode.
E também o início da aviação comercial. Um marco histórico desse período foi o primeiro voo solitário e sem escalas sobre o Oceano Atlântico em um avião. Feito pelo Charles Lindbergh.
A eletricidade também já iluminava as grandes cidades com enormes arranha-céus que despontavam na paisagem. Uma beleza, né? Muita novidade ainda nas artes e nos costumes.
Foi um momento em que as mulheres conquistaram vários direitos. Começaram a trabalhar fora de casa, cortaram os cabelos, e encurtaram os vestidos em busca de independência. Surgia o estilo das melindrosas.
Olha aí o policial conferindo o comprimento da roupa da moça. Um escândalo! Os "loucos anos 20" têm motivo para serem chamados assim, tá?
O crime organizado também imperava nas ruas devido à lei seca, que proíbia a venda de álcool. Aí começou a produção clandestina de bebidas, os bares ilegais, as gangues de criminosos, e os gangsters que ganharam fama. Caso do Al capone, que fazia contrabando dessas bebidas.
E do casal Bonnie e Clyde, que assaltava bancos, lojas e postos de gasolina. Os filmes mudos eram sucesso nas telas de cinema, com nomes mundialmente reconhecidos como Charlie Chaplin e o seu personagem Carlitos, querido. Stan Laurel e Oliver Hardy, que deram vida aos divertidos "O gordo e o magro".
E o genial Buster Keaton, que fazia comédia sem nunca rir. Um dos galãs dessa época é esse aí: o Rodolfo Valentino. E em 1927, o cinema também imaginou como seria o mundo no futuro.
O diretor alemão Fritz Lang lançou o filme Metrópolis, uma ficção científica que se passa no ano de 2026, olha que incrível! Nessa cidade futurista em que as classes sociais são profundamente divididas, os pobres moram no subterrâneo e trabalham como operários das máquinas para fornecer energia elétrica e muito conforto para os ricos, que vivem em grandes e modernos edifícios. O filme tem robô, tem carro que voa e tudo mais.
Agora vamos falar de música. A década de 20 foi considerada a "Era do jazz", com estrelas como Louis Armstrong, cantor e instrumentista. E também a talentosa Josephine Baker, cantora, atriz, dançarina e modelo.
Nos palcos e nas pistas dos salões, a moda era dançar o "charlestone", ritmo frenético com movimentos rápidos de pernas e braços que conquistaram o gosto do público. Ainda na arte, movimentos como o expressionismo, surrealismo, dadaísmo, cubismo e outros "ismos" ganharam destaque nas obras de Picasso, Salvador Dalí, do Miró. Já na literatura, a chamada "geração perdida" era formada por autores do pós- guerra.
Entre eles, Ernest Hemingway, que escreveu livros como "O adeus às armas" e "O velho e o mar". Na psicanálise, Sigmund Freud explica. Explica sobre a psique humana, sexualidade, repressão, inconsciente e muito mais.
Na política, movimentos nacionalistas começavam a ganhar força em locais como a Alemanha, a grande derrotada da Primeira Guerra Mundial, que arcou com os prejuízos do conflito, perdeu territórios conquistados e sofreu com a humilhação e a recessão. O Hitler e o partido nazista abriam um espaço aí nesse cenário. Enquanto o fascismo de Mussolini já ocupava o poder na Itália.
E na Rússia, o comunismo já estava instalado. No final da década de 20, a crise também chegou para os Estados Unidos, que produzia muito, era muito rico, mas já não tinha mais para quem vender. Pois os seus clientes, aqueles países europeus arrasados na Primeira Guerra, haviam se recuperado e retomado a própria indústria nacional.
Resultado: desvalorização na bolsa de Nova York, em 1929. Wall Street, o centro comercial, sofreria com a queda no mercado de ações e resultaria na mais devastadora recessão do país; com a falência de empresas, o desemprego, a fome, e casos de suicídio. Mas, agora vamos falar da gente, aqui no Brasil.
Como é que foram os anos 20? Nós tivemos três presidentes nesse período: Epitácio Pessoa, Artur Bernardes e Washington Luís. O povo já andava meio cansado da conhecida "política do café com leite", que era assim: num mandato, o presidente era de São Paulo.
No outro, era de Minas Gerais, tudo combinado. E o voto não era secreto, não. Todo mundo sabia!
Imperava o voto de cabresto a mando dos coronéis das oligarquias agrárias, né? Os grandes fazendeiros, a elite da época. As classes mais baixas também queriam participar da política, e aí começaram as revoltas, as rebeliões como o Movimento Tenentista, ali dos jovens oficiais, e a Coluna Prestes que cruzou o país.
E todos esses movimentos em São Paulo, com os estados do Sul também envolvidos. Mas a década terminaria num golpe, com a Revolução de 1930 que levaria Getúlio Vargas ao poder. Enquanto isso, no sertão nordestino surgia o cangaço, movimento fora da lei, liderado por homens como Virgulino Ferreira, o Lampião, que com seu bando armado matavam e saqueavam principalmente fazendeiros.
E praticavam uma espécie de justiça com as próprias cidade de Lajes, no Rio Grande do Norte, isso em 1928. Ela era Alzira Soriano, que então tinha 32 anos e também foi a primeira mulher a ocupar esse cargo, no Executivo, na América Latina. Não é pouca coisa, não.
Parece que ela fez uma boa gestão e ainda levou 60 por cento dos votos numa época em que as mulheres ainda nem eram autorizados a votar. Veja bem! E enquanto isso, na música, compositores como Pixinguinha e Noel Rosa já começavam a despontar.
O modernismo europeu que influenciava os pintores daqui, os escritores e outros artistas brasileiros, participantes, por exemplo, da Semana de Arte Moderna de 1922, no teatro municipal de São Paulo, que trouxe aí naquela época as maiores novidades, a vanguarda, e reuniu gente como Oswald e Mário de Andrade, Manuel Bandeira, o maestro Villa-Lobos, e a Tarsila do Amaral. Defensores do Movimento Antropofágico, que valorizava a cultura verdadeiramente nacional, brasileira. E que trouxe obras como o Abaporu.
O país, no entanto, já se misturava cada vez mais. Uma nação com muitos povos. Em 1925, por exemplo, foi o auge da imigração japonesa para o Brasil aqui, incentivada pelo governo japonês.
E como eles, também portugueses, espanhóis e italianos viriam para formar aqui a classe operária. E com eles, ideias como o anarquismo, o socialismo, a fundação de sindicatos, e as greves. As primeiras reformas no ensino brasileiro começaram nessa época também.
Uma boa notícia para um período em que as crianças ainda iam para a cadeia por qualquer pequeno delito e os menores de 12 anos trabalhavam em fábricas por muitas horas como se fossem adultos. Aliás, a vida urbana no Brasil já ganhava corpo. O homem do campo fazia as malas e começava a se mudar para a cidade e essas transformações não teriam mais fim.
E é isso pessoal, assim foi há 100 anos.