Olá! Seja bem-vindo, seja bem-vinda a mais um vídeo da nossa disciplina. O objetivo deste vídeo é complementar alguns aspectos da implantação de padrões, em especial o HL7 e as suas versões.
Quais são os principais desafios na implantação de padrões como o HL7? Uma questão importante é que para implantar um padrão é necessário realizar grandes mudanças. A interoperabilidade não é apenas sobre tecnologia, envolve mudanças em processos e nas práticas dos profissionais de saúde.
Portanto, o gerenciamento de mudanças é uma parte fundamental de qualquer projeto de interoperabilidade na área da saúde. E você já deve ter escutado que “ninguém gosta de mudança”, mas por quê? Porque nem sempre há uma boa gestão da mudança e, em uma das principais lições retiradas dos estudos sobre inovação em saúde, é que a mudança leva tempo e não são todas as pessoas que estão abertas às mudanças, especialmente estas com tempo prolongado.
O progresso resulta muitas vezes de mudanças incrementais modestas, que se acumulam ao longo do tempo em grandes ganhos, a longo, e não a curto prazo. A mudança é impulsionada por uma combinação de fatores técnicos, políticos, econômicos, clínicos ou gerenciais, muitas vezes trabalhando em conjunto com diferentes atores e em diferentes níveis dentro das organizações. Outro ponto é que nem sempre os usuários e fornecedores de sistemas têm incentivos para interoperar.
Às vezes, os usuários e fornecedores podem não ver vantagens imediatas em interoperar. Pode haver razões comerciais ou técnicas para isso. Por exemplo, até coisas aparentemente simples, como endereços, podem ser mais complexas do que parecem.
Além disso, a informação clínica nos Registros Eletrônicos de Saúde (EHRs) é naturalmente complexa, e essa complexidade, juntamente com ambiguidades nas especificações, pode levar a erros. Você já se perguntou por que a interoperabilidade é difícil e por que tantos padrões são necessários? Bem, vamos iniciar pelos padrões.
Um dos desafios é que, sem padrões, haveria uma explosão de combinações possíveis para fazer a ligação entre sistemas diferentes. Portanto, padrões são necessários para simplificar essa complexidade, mas muitas vezes exigem tradução para uma linguagem de intercâmbio. Isso ajuda a garantir que diferentes sistemas possam se comunicar.
E algumas das razões pelas quais a interoperabilidade em saúde é tão difícil de acertar é que um processo complexo e os benefícios dos cuidados de saúde integrados dependem da interoperabilidade segura e confiável para fornecer informações corretas quando e onde são necessárias. Podemos entender a interoperabilidade como composta por quatro camadas: Tecnológica, de Dados, Humana e Institucional. A visão abrangente dos cuidados de saúde integrados baseia-se na ideia de que os registros dos pacientes podem ser compartilhados eletronicamente entre médicos de todas as especialidades.
Historicamente, isso tem sido desafiador, em parte devido às diferentes abordagens e práticas de cada especialidade clínica. Mesmo dentro da mesma especialidade, é difícil compartilhar informações entre diferentes aplicativos de computador, uma vez que cada aplicativo armazena dados de maneira distinta. Além disso, mesmo em um contexto especializado, a informação é mais diversificada do que se poderia esperar.
Por exemplo, os dados coletados em uma consulta ambulatorial de rotina diferem consideravelmente daqueles em uma cirurgia eletiva ou em uma internação de emergência. Na interoperabilidade dos cuidados de saúde, cada uma das quatro camadas (Tecnológica, de Dados, Humana e Institucional) é fundamental. Governos, prestadores de serviços e fornecedores precisam colaborar para alcançar resultados eficazes, principalmente em nível institucional.
Nesse nível, as barreiras à interoperabilidade são ampliadas por preocupações com a privacidade, dependência tecnológica e falta de incentivos adequados. O desafio está em permitir a diversidade, enquanto garantimos que os sistemas funcionem harmoniosamente. Devemos aspirar a atingir uma interoperabilidade ideal.
Um dos segredos para criar sistemas interoperáveis é determinar o nível ideal de interoperabilidade. Isso significa definir como os sistemas devem funcionar em conjunto e, igualmente importante, como não devem. Por que aprender a norma do padrão HL7 sempre foi longo e difícil?
De fato, o HL7 pode ser desafiador devido à sua complexidade e à extensa documentação. Na versão 2. 8, a documentação completa tem quase 2.
500 páginas e quase um milhão de palavras. Ele contém uma enorme quantidade de conhecimento e experiência em informática em saúde, no entanto, é extenso. Outro fato é que embora o HL7 seja crucial para alcançar o registro eletrônico em saúde, a sua aprendizagem foi alcançada ad hoc, ou seja, criado, organizado ou projetado com um propósito específico, muitas vezes improvisado ou temporário, em vez de seguir um plano ou sistema estabelecido, após longa exposição a problemas de interoperabilidade.
Neste vídeo, o objetivo foi levantar questionamentos sobre como superar os desafios da interoperabilidade na área da saúde e a importância de um planejamento eficaz para implementar padrões, além de criar incentivos para usuários e fornecedores. Também levantamos a questão do porquê a interoperabilidade é tão complexa, especialmente no contexto da saúde, onde as informações clínicas são intrinsecamente complexas. O padrão HL7 é um dos mais utilizados no mundo, e alguns autores entendem que sem as versões do HL7 não existiria interoperabilidade.
Por fim, é importante destacar a necessidade de aspirar a um nível ideal de interoperabilidade, onde sistemas possam funcionar harmoniosamente. Lembrando também do desafio da visão convencional de que a mudança rápida é sempre eficaz, enfatizando que o progresso muitas vezes resulta de mudanças incrementais ao longo do tempo e é importante realizar uma boa gestão de mudanças nesse processo de implementação da interoperabilidade.