Somos muito rápidos a formar opiniões e a tirar conclusões acerca de uma pessoa. A mente egóica gosta de rotular os outros, de lhes atribuir identidades conceituais, de os julgar com severidade. Quando se emite um juízo sobre alguém, confundem-se as atitudes mentais condicionadas dessa pessoa com a identidade dela, o que, em si, é um comportamento inconsciente e profundamente condicionado.
Atribuímos uma identidade conceitual ao outro e ficamos presos, assim como a pessoa fica presa a essa falsa identidade. O preconceito de qualquer tipo implica que você está identificado com a mente pensante. Significa que você não vê mais o outro ser humano, mas apenas o seu próprio conceito deste ser humano.
Reduzir a vivacidade de outro ser humano a um conceito já é uma forma de violência. Então, Como ter Relacionamentos Saudáveis? Eckhart Tolle.
Aceite o outro como ele é, sem resistência, sem julgamento. Prescindir de fazer juízos não significa que não se veja aquilo que os outros fazem. Significa que se percebe e se aceita o comportamento deles como resultado do condicionamento.
Significa que deixamos de construir a identidade de alguém tendo por base esse condicionamento. E isto nos liberta, a nós e à outra pessoa, da identificação com o condicionamento, com a forma, com a mente. Então, o ego deixa de governar os nossos relacionamentos.
Quando você se envolver em alguma discussão ou em alguma situação de conflito, talvez com o seu parceiro ou com alguém que lhe seja próximo, comece por observar como você fica na defensiva quando a sua posição é atacada, ou sinta a força da sua própria agressividade quando você ataca a posição de outra pessoa Observe como você se apega aos seus pontos de vista e à suas opiniões. Observe a energia mental e emocional por trás da sua necessidade de ter razão. Não há nada que fortaleça mais o ego do que ter razão.
Ter razão é identificar-se com uma posição mental – uma perspectiva, uma opinião, um julgamento, uma história. Para você ter razão, é claro, você precisa que a outra pessoa esteja errada, e o ego adora fazer com que o outro esteja errado para que ele possa estar certo. Sinta essa energia mental e emocional por trás da sua necessidade de ter razão e de fazer com que a outra pessoa perca a dela.
É essa a energia da mente egóica. Torne-a consciente ao reconhecê-la, ao senti-la tão plenamente quanto possível. Depois, um dia, no meio de uma discussão, você compreende de repente que tem uma escolha, e talvez, decida abandonar a sua própria reação – só para ver o que acontece.
Você se rende. Você não reage. Você abandona todo o campo da energia mental e emocional que dentro de você lutava pelo poder.
E então, há espaço para o silêncio e a calma. A maioria dos relacionamentos humanos se restringe à troca de palavras – o reino do pensamento. E é fundamental trazer um pouco de silêncio e calma aqui.
O silêncio e a calma não precisam ser criados. Eles já estão presentes, embora perturbados e obscurecidos pelo barulho da mente. Basta abrir-se para eles.
Nenhum relacionamento pode existir sem a sensação de espaço que vem com o silêncio e a calma. Se falta esse espaço, o relacionamento será dominado pela mente, e correrá o risco de ser invadido por problemas e conflitos. Aprenda a abrir-se para este espaço de silêncio e calma.
Aprenda a dar expressão ao que você sente sem culpar. Aprenda a ouvir seu parceiro de maneira aberta e não defensiva. Dê ao seu parceiro espaço para se expressar.
Estar presente. Acusar, defender, atacar – todos os padrões que são projetados para fortalecer ou proteger o ego, ou para satisfazer suas necessidades, se tornarão inúteis. Ouvir com verdadeira atenção é outra forma de trazer calma ao relacionamento.
Quando você realmente ouve o que o outro tem a dizer, a calma surge e se torna parte essencial do relacionamento. Mas ouvir com atenção é uma habilidade rara. Em geral, as pessoas concentram a maior parte de sua atenção no que estão pensando.
Na melhor das hipóteses ficam avaliando as palavras do outro ou apenas usam o que o outro diz para falar de suas próprias experiências. Ou então não ouvem nada, pois estão perdidas nos próprios pensamentos. Ouvir com atenção é muito mais do que escutar.
Ouvir com atenção é estar alerta, é abrir um espaço em que as palavras são acolhidas. As palavras se tornam então secundárias, podendo ou não fazer sentido. Bem mais importante do que aquilo que você está ouvindo é o ato em si de ouvir, o espaço de presença consciente que surge à medida que você ouve.
Esse espaço é um campo unificador feito de atenção em que você encontra a outra pessoa sem as barreiras separadoras criadas pelos conceitos do pensamento. A outra pessoa deixa de ser o “outro”. Nesse espaço, você e ela se tornam uma só consciência.
Dar espaço aos outros – e a si mesmo – é vital. O amor não pode florescer sem ele. Quando você removeu os dois fatores que são destrutivos para os relacionamentos – quando o corpo de dor foi transmutado e você não está mais identificado com a mente e as posições mentais – e se seu parceiro fez o mesmo, você experimentará a bem-aventurança do florescimento do relacionamento.
Em vez de espelhar um ao outro sua dor e sua inconsciência, em vez de satisfazer as mútuas necessidades do ego, vocês refletirão um ao outro o amor que sentem profundamente, o amor que vem com a realização de sua unidade com tudo o que existe. Este é o amor que não tem opostos.