Temos muitas bactérias no nosso corpo. Uma quantidade extremamente grande. O número é um pouco discutido hoje em dia, mas a estimativa é de que elas somam uma quantidade muito mais alta do que o número de células humanas no corpo humano.
Provavelmente, um número entre duas a dez células bacterianas para cada célula humana. Na placa que a gente vai no dentista e remove, ali a gente tem bastante micro-organismo vivendo. Então, foi a primeira observação de micro-organismos vivendo dentro da cavidade oral, que eram bactérias.
Depois disso, começou-se a observar que eles estavam diversos pontos. Praticamente em qualquer parte do corpo humano que está exposta, a gente está exposto a bactérias. Então, toda a parte de fora tem bactérias.
Nas partes internas do nosso corpo, a gente tem (bactérias) no trato digestivo todo, desde a boca até o finalzinho do trato digestivo. Qualquer parte que é pele, mucosa, tem micro-organismos vivendo ali junto, na superfície daquela mucosa. Os órgãos internos são mais privilegiados.
Não é normal a gente ter uma quantidade muito alta (de bactérias), apesar de já ter dados de alguns grupos dizendo que tem em alguns pontos, pelo menos transiente. Tem alguma bactéria que está passando por ali, pelo menos. A sua microbiota de hoje, daqui a um mês, a um ano, assumindo que está tudo bem, que você não ficou doente, não teve nenhuma doença, ela tende a ser estável.
Muito disso é por causa do nosso padrão alimentar, que tende a se manter. A gente tem hábito alimentar. Enquanto que, de uma pessoa para outra, essa diferença é muito maior.
Essas bactérias que vivem com a gente tem uma associação super fina, bastante forte com todo o nosso metabolismo. Elas auxiliam no desenvolvimento do nosso sistema imune, por exemplo. Elas auxiliam na digestão, por exemplo.
Tem um estímulo de produção de vasos sanguíneos ao redor do intestino; essa é outra função. E tem várias outras, essas são só algumas delas. Nosso sistema imune não é pronto quando a gente nasce.
Essa parte é uma coisa que a gente já sabe há bastante tempo. Existe uma interação forte desse sistema imune que ainda está amadurecendo com todos os micro-organismos que estão no mundo exterior, a partir do momento que a gente nasce. E como a gente é colonizado naquele momento pelo microbioma também, pelas bactérias que vivem com a gente, elas estão influenciando o desenvolvimento do sistema imune naquele momento.
E a todo momento que você é exposto a algum tipo de bactéria, você está aprendendo a lidar com ela, seja um patógeno ou seja uma bactéria inócua que está simplesmente passando, não está fazendo mal para a gente, do ponto de vista de doença. Mesmo as que estão dentro do intestino têm efeitos que são longe do intestino. Por exemplo, o estímulo à produção de hormônios que são produzidos ali no intestino e que tem uma ação longe, longe do intestino.
No fígado, ou no músculo, ou no tecido adiposo. Esses são efeitos que não são localizados onde as bactérias estão, que é no intestino. Mais recentemente, a gente até viu que tem um estímulo, devido à fermentação bacteriana no intestino, em hormônios que inclusive modulam a saciedade.
E esse é um estímulo que está acontecendo no cérebro. Nosso controle de saciedade, de se sentir satisfeito após comer, ele acontece por mudanças fisiológicas no organismo, mudança de hormônios, e mentalmente também. A gente tem um estímulo que acontece no cérebro também.
Então, esses efeitos todos são no corpo como um todo e a gente tem eles começando ali na microbiota intestinal.