Aprendemos equivocadamente a chamar a pessoa que pertence a um povo originário através da palavra índio. Nunca nos ensinaram que tratar alguém por este apelido é estar aceitando, e repetindo, uma imagem estereotipada que desqualifica essa pessoa. É isso mesmo: essa palavra não diz quem nós somos de verdade.
Quase sempre pessoas costumam ter um olhar romântico sobre nós. Normalmente pensam que vivemos num eterno domingo onde tudo funciona bem ou que estamos o tempo inteiro sem ter problemas, dificuldades ou dúvidas sobre a vida. Outras pessoas pensam que, por causa disso mesmo, somos preguiçosos, vagabundos, malandros; que temos muita terra sem produzir ou que atrapalhamos o progresso e o desenvolvimento do Brasil.
Tudo isso é repetido pelas pessoas que não conhecem nossa história nem nossa trajetória de vida ou por pessoas e grupos que querem expropriar nossa terra para torna-la um grande negócio econômico. Pessoas que pensam assim são desprovidas de informações sobre nosso estilo de vida, nossa organização ou nossas crenças ancestrais. O uso dessa palavra também generaliza nossa existência dizendo que nossas diferenças não são importantes.
É uma palavra que empobrece nossa experiência de humanidade, arranca nossa identidade e, portanto, encobre nossas diferenças. Ela tira nossa importância e empobrece nosso pertencimento à terra Brasil. Indígenas sim, índios não.
Os que primeiro habitaram essa terra chamada brasil são originários, ou se preferirem, indígenas. Mas quando se é originário significa que temos um povo de origem por isso é muito bom quando alguém diz que somos um indígena Munduruku, Xavante, Guarani ou Kayapó. Quando alguém nos chama pelo nome do nosso povo está nos reconhecendo como participantes de um determinado povo cuja origem é passada de pai para filho num grande e rico processo de nos tornar gente de verdade.
Nosso país tem que ter orgulho de nossa presença porque somos os fundadores de sua identidade nacional. Nossa gente brasileira tem que se reconciliar com seu passado para poder viver com alegria e esperança seu presente. Somos seus contemporâneos, meus amigos, minhas amigas.
Não somos escravos do passado, mas gente do presente. Dispostos a ajudar o Brasil a construir e viver sua vocação para a diversidade. Indígenas sim, com muito orgulho, com muito amor.
Brasileiros, sim, nascidos munduruku, xavante, Wapichana, kalapalo, baré, tuyuka. Assim como você, nascido brasileiro, mas trazendo consigo a marca de outros ancestrais. Pense em si como parte do todo que somos nós.
Pense nisso. Pense bem.