Então, então, cá estamos nós novamente com a Ângela contando as histórias de vida dela enquanto educadora e enquanto artista, né? Atriz, que as coisas se misturam, não tem como. Então, agora ela vai contar para nós a experiência que ela teve lá com as crianças, os adolescentes de rua em São Paulo, e que, além de, eh, eles fazerem teatro com ela, acabaram produzindo um livro.
Então, agora vamos ver o que ela tem a dizer sobre a produção desse livro. Eh, bom, então, tinham duas professoras que faziam o trabalho, eh, com língua portuguesa, que, no caso, não era eu; era Jandira e a Maria Aparecida Tolosa. As duas tinham um trabalho com um dos alunos, que era o Paulo Colen, e lá dentro da escola-oficina, esse menino mostrava desejo de contar a história dele enquanto menino de rua.
Elas foram ajudando ele a construir esse desejo, e finalmente, eh, isso aconteceu dentro da matéria delas, né, que era língua portuguesa, e ele realmente escreveu um livro chamado "Mais que a Realidade". Esse livro existe e como chamava o livro? "Mais que a Realidade".
"Mais que a Realidade". E aí, ah, com esse livro, tinha que ser lançado, né? A gente achava que era uma questão importante o lançamento do livro para chamar atenção sobre o projeto, sobre como, ah, aquelas crianças viviam, enfim, chamar a atenção para a questão da criança no Brasil, né?
Como é que é o cuidado? Como é que é? Né?
Se não tem pai e mãe, tem que ter estado, não é possível, né? Sim, uma criança não pode estar nada. Então, eh, resolvemos fazer essa.
. . resolvemos, eu quero dizer, o grupo, né, de professores decidiu fazer o lançamento do livro do Paulo Collen.
Eh, foi a livraria CZ, o grande CZ, quem fez o livro, né, na faixa, obviamente, eh, e lançou. Aí, a gente lançou o livro na Praça da Sé. Ah, é, na Praça da Sé, hein?
Eh, bons tempos, que loucura. Mas era, era o governo Jânio Quadros em São Paulo; ele era o prefeito e ele não queria liberar a Praça da Sé para a gente fazer o lançamento do livro porque, claro, né, a gente estava chamando atenção para uma questão do Brasil, séria, de São Paulo, né? E, e, mas assim mesmo a gente fez, falou: "Não, nós vamos fazer e pronto, porque a praça é do povo, né?
" E então, a gente vai dar essa resposta. Então, enquanto praça do povo, nós vamos fazer o lançamento, e fizemos. Botamos uma mesa, uma cadeira, chamamos jornalistas, que foram vários, de vários lugares, ã, e os professores e mais os alunos, né?
Todos receberam um livro, esses meninos, que era uma coisa incrível. Eles teriam um livro na mão, eh, simbolicamente, né? Isso foi muito significativo, foi super importante.
Eh, eh, eles também sabiam que a vida útil deles era muito, muito curta, né? Todos sabiam, e eles contavam com isso. Então, "Matar ou Morrer, tanto faz", né?
A vida era muito desvalorizada. Enfim, eh, a luta foi essa nesse período. E eu, ao mesmo tempo, fazia teatro; era atriz, eu estava fazendo "Despertar da Primavera" nesse período lá no Teatro Sérgio Cardoso, e eu decidi que eu ia levar os meninos para assistir à peça.
E daí, levei. Que legal! Foi uma coisa assim.
. . aí, como, né?
Entrar no teatro, bom, falei, banho era importante. Então, a escola tinha banheiro, tinha chuveiro, tinha tudo, então, banho era uma coisa importante, né? Eh, se tivesse uma roupa que tivessem afim de pôr e tal.
Então tudo era. . .
era uma concepção, né? Tudo por trás disso, eh, tudo era educativo, na verdade, é a tentativa, né, da gente. Então, claro, no dia seguinte eles apareceram com roupa bonita que eles achavam no projeto, o lugar onde eles dormiam, que era da FEBEM e tal, só dormiam e depois voltavam de manhã para a rua, né?
Tomava o café da manhã e iam para a escola-oficina e depois, de noite, para o projeto e tal. Eh, a chamada do projeto era esse lugar ali perto do Brás. Então, eles foram com roupa bonita e não me perguntem onde eles arrumaram; a gente nunca sabe e não podia saber também.
Enfim, eh, a escola era muito interessante porque eles não podiam entrar. Isso era uma questão. Claro, não podia portar drogas e nem produtos de furto, e nenhum de nós tinha uma visão moralista com essa questão, né?
A nossa visão como educadores era sobrevivência. Não, aqui a gente está discutindo outra coisa, né? E a gente não é questão de apoiar ou de aceitar; é uma questão de aceitar, na verdade, né?
Mas não de apoiar. Mas trabalhar com isso a partir disto, né? Sim, a realidade de cada um deles.
E foi possível, né? E aí, eles foram pro teatro. Foi uma coisa maluca, assim, uma experiência inacreditável de ver esses meninos.
Eles não acreditavam naquele espaço, o Sérgio Cardoso, que é um teatro enorme, né, e lindo. Enormes, eles ficaram enlouquecidos, entraram dentro do palco, entraram nos camarins, sabe? E eu falava: "Ó, tudo tem que ser na moral.
" Que a palavra era o código moral. É o seguinte: "Não mexe em nada, né? " Sim, senão não vai rolar.
E se rolar qualquer coisa, acabou. Acabou, não tem escola, não tem mais nada. Acabou nosso vínculo.
Acabou. Uhum. Então, era isso, e assim foi.
Aí não aconteceu nada, absolutamente, e depois eles voltaram para a Praça da Sé. Eu fui para minha casa, e essa era a vida. A contradição, né?
A enorme contradição dessa educação que a gente. . .
não houve uma continuidade. Então, eh, não houve porque o projeto não foi pra frente, né? Depois mudou o próprio governo, Montoro.
Daí foi pro Quercia. Quercia despistou isso desse projeto. Criou um negócio que era monumental.
Tinha que ser monumental, né? Que era o Quercia, naquela época, que era os elefantes brancos e tal. Mas enfim, nesse caso, ele criou a Secretaria da Criança, que era do menor no começo, né?
Aí esse nome não precisava, né? Menor não precisa. E aí passou depois para a Secretaria da Criança e ficou.
Uhum. E agora não existe nem Secretaria da Criança, não existe mais nada, coisa alguma. E, com a continuidade sua, daí eu.
. . É, depois que acabou a escola oficina, infelizmente, né, sobre protestos, etc.
, porque a gente tinha uma pesquisa incrível para ser feita ali, estava sendo feita, né? Eh, eu acho que do ponto de vista educacional, tinha muita coisa para pensar e refletir. Eh, eu lembro que eu alfabetizei um menino na máquina de escrever.
Sei que legal, porque ele não conseguia sentar, parar; ele era muito doido! E eu falei: "Ah, olha, tem um negócio ali que eu vou te mostrar. " Entrei na sala, peguei a máquina de escrever e ele ficou doido com aquilo!
"Olha, isso aqui é A, isso aqui é B. " E ele mesmo foi descobrindo, né? Como vai?
Sim. É, e com a máquina de escrever. .
. É, e olha, aconteceram coisas ali, meu filho, que, não, olha assim, dá para fazer um livro, um filme, sei lá o que quiser! É um legado aquele troço, né, na imaginação de todos nós que trabalhamos, sim, né?
Entendi. É, professores passando por roleta russa, para você ter ideia do que foi. Menino armado, doido, varrido, muita droga, muita loucura na cabeça.
Eles não entravam com a droga, mas eles vinham drogados. Então, você tinha que fazer um trabalho anterior ali até eles entrarem dentro da escola, alimentar, sabe, dar um banho, para passar aquele transtorno que era da droga. Enfim, imagina!
Foi uma loucura! Mas muitas coisas… Mas fizemos o livro, teve a inauguração, a. .
. como que fala? Inauguração?
Não, o lançamento! O lançamento do livro e foi uma felicidade na Praça da Sé. E foi isso.
E depois eu continuei também no teatro, mas aí, paralelo, trabalhando com educação. Aí eu fui trabalhar na Secretaria da Criança, que do menor passou para infancia, que você já leu esse monte de coisas que foram feitas lá. E aí, eh, eu comecei, acho que com enturmando que era o circo-escola, que foi uma ideia genial também, né, da Alda, Marco Antônio, enfim, de quem criou esse projeto H, que era um circo-escola.
Então, as crianças chegavam e era uma complementariedade à escola, né? Ao período escolar. Então, pressupunha-se que ia para a escola de manhã e passava a tarde no circo, e vice-versa.
Sim, né? E o circo tinha aula de artes plásticas, na época chamava artes plásticas, né? Eh, teatro, dança, tinha vários ateliês de um monte de coisas juntas, e as aulas de circo, propriamente dito.
Eh, ah, a gente teve alunos no circo que foram para a Suécia, ganharam prêmios! Foi uma coisa inacreditável! E, para você ter ideia, esse cantor aí, ele era um dos circos que eu trabalhei.
Sei, ele era de lá, sei, do Grajaú, Man, Grajaú. Exato! Então é isso.
Entendi, que legal! Bom, então você, depois, eh, esse final, essa sequência para você chegar de volta para Sorocaba. .
. Ah, tem muita coisa ainda, né? Sim, mas eu digo assim: uma apanhada, assim, porque você acabou vindo de volta para cá.
Bom, porque. . .
eh, a passagem, conta um pouquinho só dessa sua passagem também pelo cinema, assim, rapidamente. Ah, pelo cinema? Ah, bom, o cinema é uma coisa que é meio natural da arte, de quem faz arte dramática, né?
Porque, claro, você. . .
Então, a gente tinha uma história de dentro do teatro que aí um cineasta vê, não sei o que, te chama, você faz testes. Aí é assim, mais ou menos, que a coisa vai se dando, né? Eh, então aí fui fazer cinema.
O cinema é uma coisa deliciosa, maravilhosa, apaixonante! Eu adoro fazer cinema até hoje! Acho maravilhoso, eu sou uma cinéfila, então eu vejo muito filme, fico horas a fio assistindo!
Eu posso assistir um atrás do outro e tal, que eu não canso! Não aparece problema nenhum! E já era!
E, bom, eu era daquelas que sabia o nome do filme, do roteirista, do diretor, sabe, de todos os atores! Hoje já não sei mais nada, mas antes eu adorava saber e era muito importante, era um valor saber tudo isso, né? Enfim, então o cinema aconteceu assim.
Eu acho que eu fiz menos do que eu gostaria porque, bom, o cinema também é muito difícil de existir na sua própria existência, né? Ele precisa de muito recurso, o cinema é muito caro, então ele tem muito menos e a concorrência é enorme, enfim, tem tudo isso. E aí vai pra novela também, consequência natural das coisas, né?
Eu estava fazendo uma peça que eu não me lembro, aí eu fiz uma participação, me chamaram para fazer na Torre de Babel e depois eu fui fazer Viver a Vida. E aí, bom, aí eu tive que ficar mais tempo, tive que ficar um pouco no Rio e daí eu ia e voltava para São Paulo. É difícil porque você fica amarrada, você não tem como, sabe, você não pode viajar, você não pode sair, você não pode nada.
Você fica naquele negócio, né? É a televisão. Mas eu tô em casa e daí você pega um avião, vai pro Rio, volta e assim por diante.
Entendeu? Eh, mas você tem aquele compromisso! Você não vai para lugar nenhum, você não faz nada.
Quase um ano a novela durou; nove meses por aí. E aí você não pode, né? Fazer nada, não é fácil.
A vida de ator de novela, você tem que decorar tudo na hora. Às vezes, sabe, de madrugada é da hora que chega. Porque não chega o tal do.
. . como que chama?
Do texto, do texto exatamente. Às vezes, ué, dependendo da condição, o cara escreve de madrugada, aí chega 4 horas da manhã e chega seu texto lá para você decorar. Para as 10 horas da manhã, 11 horas você está fazendo conforme o público, né?
Vai reconhecer a novela, você vai desenvolvendo as ações, modificando, modificando o personagem, matando personagens. . .
E porque você atrasa, né? Você não. .
. Mas assim, se atrasa, a própria. .
. o mecanismo é assim, né? E aí, acho que televisão é uma coisa de.
. . de.
. . como é que se diz?
É uma indústria, né? Televisão é uma indústria, então é. .
. entende? É para quem quer lidar com a indústria, quem gosta da indústria, quem gosta desse ritmo, dessa loucura que é, entendeu?
E você, nesse contexto todo da sua vida, entra Educadora, né? Professora, Educadora, atriz. .
. E como que você vê, então, a importância do teatro, primeiramente, na escola? Porque dentro da escola mesmo, e depois dentro da educação, como você vê, primeiramente, a importância do teatro dentro de uma escola?
Bom, o teatro, para mim, ele é totalizante do ponto de vista das descobertas, do conhecimento, das transformações, das experiências afetivo-emocionais e intelectuais. Ele exige isso ao mesmo tempo. Então, acho que ele tem.
. . ele é aglutinador.
Um segundo momento, né? Se eu tivesse uma escola com problema, eu criaria imediatamente o curso de teatro, entendeu? No sentido de saber lidar com problemas internos e tal.
E ele é aglutinador, ele é disciplinador, porque você não consegue fazer teatro se você não tiver disciplina, com todas as coisas, a tua disciplina pessoal e a disciplina em relação ao que você faz no todo, né? Da sua vida em relação ao outro. Então, é o absoluto respeito também que o teatro exige.
Não tem como você não ser respeitador, porque você não pode dar um tapa na cara de ninguém de verdade. No teatro, tudo é mentirinha, tudo é faz de conta. E se você não sabe lidar com este mecanismo, estar no faz de conta e sair do faz de conta, você não consegue entender como é que é viver, né?
A vida é assim também, né? Então, eu acho que os jogos teatrais são coisas que. .
. é o jogo da vida, é a construção plena desse exercício de você construir como é que eu jogo com as coisas no meu cotidiano, no meu dia a dia, no meu entendimento de mundo, né? E acho que também o teatro trabalha muito conceito de tudo, né?
Então, ele é pleno no sentido do trabalho com a escola. Ele é coletivo. O teatro é uma das artes mais coletivas, porque além dele trabalhar com uma coletividade, né?
O grupo todo, ele trabalha também para a coletividade que o assiste. Não tem uma coletividade lá atrás, tem na frente, então, que o assiste. E também, eu acho que tem um elemento importante que eu estava falando dessa disciplina que o teatro traz, porque você sem dividir, você não consegue fazer teatro.
Sem a sociabilidade, no sentido das regras também, né? Sem você saber os conceitos que regra você coloca nas coisas e por que as regras existem. Pra gente se sociabilizar, pra gente ser civilizado, né?
Sim. Então, essa coisa civilizatória o teatro tem, tem muito, e é profundo. E as pessoas não sabem, não entendem, não compreendem, acham que teatro é bandalheira.
Ah, não é! Não é, né? Na educação, não é.
Ele pode até ser. Asdrúbal trouxe o trombone pro resto da vida, que é aquela coisa, né? Mas, isso é um teatro profissional, isso é um produto, é outra coisa.
Se você pega, sei lá, um outro grupo que foi, aí, importante, famoso, né? Conhecido. .
. Enfim, outro exemplo que não me lembro agora, mas. .
. Então, isso é um produto, é uma coisa que está sendo vendida como arte. Tá certo?
E é arte, obviamente. Mas o fazer dentro da escola, para mim, é fundamental, porque ali é onde você vai discutir, né? O todo do hoje, todas as significações do teu aqui e agora, né?
E isso, pro adolescente, nossa, é transformador! Transformador! Mas é transformador, é muito forte o que acontece.
E pra criança também, né? Claro que eu não acho que tem que ter teatro pra quem ainda não sabe ler e escrever. Eu acho que é brincar, aí é outra coisa, né?
Brincar. . .
Jogos. É por isso que eu, quando eu dei um curso, mas sempre para os professores usarem teatro, porque a questão era como usar teatro na escola. Eu já era isso.
Meu tema era brincar de teatro, brincar, brincar como jogos teatrais. Isso com o que vier do jogo teatral, isso é uma possibilidade, sim, em sala de aula. Sim.
Não vai fazer pecinha de Dom Pedro. É um saco isso! A criança não aguenta, não sabe porque está falando do Dom Pedro, sei lá, de quem, entendeu?
E pode ser uma brincadeira que eu estou fazendo, mas é uma realidade. A criança não vai aguentar ensaiar 200. 000 vezes a peça.
Não vai! Ela não tem suporte pra isso: emocional, físico, etc. Sim!
Então, não é esta a realidade da qual eu estou falando, né? Eu estou puxando muito pra coisa da pedagogia teatral, porque eu acho que é importante esclarecer. As pessoas fazem uma confusão, sabe?
Nome. . .
E acham assim que é esse oba-oba. Não é! Não é!
Tem nada a ver, tem que falar com gente que trabalha com isso. Séria que tem, né? É uma série de estudos sobre essa questão.
Então, mas é certíssimo, né? Essa parte do infantil é brincar, é brincar dramático, porque ali é o jogo, né? Através do jogo que a criança está fazendo, o quê?
Ela está formulando saberes, sim, né? E se socializando, socializando-se, harmonizando, tentando compreender o mundo. É através desse jogo.
Depois, tudo bem, né? Devagarzinho, conforme vai entrando nos anos seguintes. Aí, claro, ela vai se desenvolvendo de outro jeito, de outra maneira, de outra forma.
Aí, sim, vai podendo entrar alguns textos. É que nem essa coisa de ator. Tem vontade de bater, às vezes, nas pessoas.
Fala: "A gente não tem aor mirin! " Como aor mirin não existe? Ah, mas representa!
Bom, representa porque a mãe acha lindo e faz o filho ir lá, entendeu? E quer ser alguma coisa. Mãe de míssia, não!
Também não aguento. Se ajudar, pode atrapalhar. Nossa, dá um problema!
Então, é bom. A gente tem visto, não é? A gente sabe.
É esse filho que vai ser obrigado a fazer determinadas coisas. É uma tragédia. Todo mundo na minha família vinha com essa coisa de: "Ah, será que eu posso?
" Não, não! Põe a criança não para fazer, não para trabalhar. Põe a criança para estudar, para brincar.
Esse é o papel que eu acho que os pais têm a obrigação de fazer com os filhos. Mas nada de: "Vai se encaminhar para comercial", "para não sei o quê. " Não é para criança.
Não é, não é! Consequentemente, né? Da escola já você entra no contexto educacional, né?
Quer dizer, as coisas não se desvinculam. Claro, entendo o teatro perfeitamente. Então, sou chata com isso, mas eu acho que certíssima.
Sabe quem também insiste muito nisso? É Ingrid, dela, professora maravilhosa. Ela é muito baixa, muito assim.
Ela não… Essa questão das festinhas, né, da escola. Quer dizer, tem que tomar muito cuidado com as questões das festinhas, né? O que você vai colocar com a criança?
Fazer, né? É, pois é! E outra, a criança tem que querer fazer também.
Então, por isso precisa brincar. E as brincadeiras que vai fazer da festa de Natal, tem um teatrinho do Papai Noel. O teatrinho é tudo estereótipo, do estereótipo, do estereótipo.
Bom, se a gente vai lidar com a arte, deixa a criança lidar com a arte dela. Descobrir o que que é a expressão dela, e não eu levar uma florzinha lá, um copo, "desenha aqui, esse copo tem que ser esse, hein? " Pô, com licença!
Tudo é forçado! Aí, é, então, e tem. .
. E tem escolinhas. Que outro dia eu peguei uma.
. . Esse meu neto, da minha prima, de um ano e pouco, e ele na escola pintando.
Mas ele é. . .
Ele tem um ano, ele não tá pintando nada! Ele tá misturando tinta, sim! E, então, você podia pôr o barro na mão dele.
Isso deixa brincar, descobrir. Porque ele tá precisando ter questão motora, resolver as questões motoras. Mas não!
Aí vai dar tinta e papel, que a criança não sabe nem lidar com aquilo ainda. Ele tem um aninho. É, mas a mãe acha bonito, o pai acha bonito.
Não, não é o caso! Mas assim, sabe, de olhar para aquilo e falar: "Gente, por favor, basta pensar um pouquinho! " Não!
É muito bom, muito bom! Que que é isso! "Você não virou?
" Não é consciência, né? Roberto! É, mas é isso que você transcender arte, né?
Você transcende o teatro. Então, é isso, né? Porque tem que ter um pensamento, né?
Eu acho isso, que é coisa importante, né? Tem uma coisa que você não falou ainda, gostaria de falar? Não, acho que já falei bastante.
Não sei nem se vai ter gente para assim, assim. Eu acho legal falar isto em relação a essa sua vida, né, que você entregou pra arte, basicamente, é essa sua vida, a sua educação. Eu acho que tinha uma coisa que o Piaget, né, falava que eu achava assim.
. . E eu sempre botava isso como uma epígrafe, né, dos meus trabalhos, meus projetos.
Porque eu achava que era uma frase que é bem forte, assim. Eu acho do Piaget que ele diz assim: "A beleza é a verdade. " Né?
Que depois a gente pode até discutir o que que é isso, a verdade. Mas a verdade do que é para cada um, né? A beleza é verdade.
Só as recriações, quem as conquista. Uhum! E acho que esse é o papel da educação para mim, entende?
Sim, eh… Então, o que que é verdade? Eu acho que são conceitos, são verdades, né? É.
E acho que é nesse aspecto que ele tá falando, porque não tem uma verdade, obviamente, mas existem muitas. E acho que você só recria também a beleza se você entende o que é beleza, se você está pleno da beleza, se ela veio conversar com você e você foi conversar com ela, sim? Não é?
Sim, querida! Viu, por você dar essa oportunidade de nós ouvirmos toda essa sua vida, essa sua dedicação, todo esse amor, a sua paixão pela educação, pela humanidade. É muito obrigado, viu?
Arte, Deus abençoe você, viu, querido! Obrigada! Eu sou muito honrada com isso.
Muito obrigada, mesmo! Obrigada! Uma honra!
E para vocês que estão nos acompanhando, né? A nossa gratidão e até o próximo encontro. Até breve!
Obrigado, obrigado! Angela, obrigado!