Queridos irmãos e irmãs, o Senhor no [Música] Evangelho responde à pergunta dos discípulos de João Batista, que viviam, como ele, uma vida austera e penitente: por que eles não jejuam? E a resposta de Jesus nos ajuda a compreender os motivos que, no Novo Testamento, nós temos para jejuar, que são diferentes daqueles do Velho Testamento. Os judeus jejuavam esperando o Messias; nós já somos do tempo da graça.
A salvação já aconteceu. Nós experimentamos dia a dia a força da graça divina que nos impele a buscar o Senhor e repele tudo aquilo que é contrário à sua vontade. E Jesus diz: "Por acaso os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles?
Eles são os amigos do noivo. Os apóstolos são os amigos, os queridos do noivo. " No Evangelho de São João, Jesus diz: "Eu não vos chamo servos, eu vos chamo amigos.
" Mas, curiosamente, durante a Santa Ceia, Jesus realiza com os apóstolos todo um rito que tem suas dimensões matrimoniais. Ou seja, eles são os queridos do noivo, os amados do noivo, os amigos do noivo e, ao mesmo tempo, representam essa igreja que é a noiva. Nos dias da encarnação, não havia sentido em jejuar, porque eram dias de festa, dias de júbilo, dias de [Música] alegria.
Eram dias de noiva e de Yeshua Ramashia. Eram os dias do Messias. Porém, continua Jesus: "Dias virão em que o noivo será tirado do meio dos amigos do noivo, do meio deles.
" Então, sim, eles jejuarão. Ou seja, nós jejuamos porque descobrimos o verdadeiro pão do céu. Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.
Nem só do pão material vive o homem, mas o homem vive daquele que disse: "Eu sou o pão da vida. Quem comer de mim jamais terá fome. " Nós jejuamos porque ele é o pão da vida.
Ele é o nosso amor. Ele é o noivo das nossas almas. Nós jejuamos porque queremos vê-lo glorificado.
Nós jejuamos porque temos fome e sede de justiça. Nós jejuamos porque Jesus disse: "Quem tiver sede, venha a mim e beba; e do seu interior fluirão rios de água viva. " Nós jejuamos porque olhamos para esse mundo e vemos Jesus ausente dele.
Nós jejuamos porque olhamos para a sociedade. O que vemos é o cenário que nos dá o profeta Isaías: injustiça, opressão, uma diferença absoluta entre as classes. Nós jejuamos porque o nosso coração está com fome: com fome de Deus, com fome da graça, com fome daquele dia em que o Messias voltará.
E a Escritura nos diz que já não haverá lágrima, já não haverá dor, não haverá fome, não haverá sede. Nós jejuamos porque temos fome do dia do Senhor. Diz-nos a Escritura que Deus enviará um quarto cavalo de cor parda, e o seu ginete chama-se Fome-Morte.
Nós jejuamos, queridos irmãos, porque temos necessidade de Cristo, e nada pode dissuadir essa fome espiritual que nós temos, porque nós somos amigos do noivo. Nós somos a noiva do Cordeiro que anseia pelo dia em que o Senhor virá. E, enquanto não o vemos, temos fome: fome de avivamento, fome de conversões, fome de um derramar do Espírito Santo, fome de que haja um renascer da fé na face da terra, fome de que Deus se levante sobre a nossa geração para executar a sua vontade.
E é feliz quem tem essa fome! Quem tem fome e sede de justiça, Jesus diz que é feliz. Porque o reino de Deus, de São Paulo, não consiste em comida e bebida, mas em justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Quem tem essa fome é feliz, porque não se engana com nenhum aperitivo desta terra. Que o Senhor nos leve a essa posição maravilhosa de sermos amigos do noivo, amados do noivo, queridos do noivo, e, ao mesmo tempo, a noiva que, juntamente com o Espírito, olha para os céus, cheia de fome, e diz: [Música] "Maranata, ora vem, Senhor Jesus! " Que esta fome presida o nosso espírito de jejum nesta quaresma, e que nós desfrutemos dessa bendita fome: fome de Deus, sede do Altíssimo.
Então, queridos irmãos, o jejum não será apenas um avalista da nossa oração, algo que aquilata, que valoriza a nossa oração, mas o jejum será para nós um verdadeiro início daquelas bodas. Porque o Senhor não suporta ver a sua noiva com fome. Ele a sacia.
Ele lhe dá um antegosto do céu, da oração e da vida eterna. Que nós possamos [Música] saborear o quão amorosa é essa fome e que ela nos una de modo cada dia mais intenso ao amor das nossas almas, que não pode ser outro senão Jesus Cristo.