Nossa, Dona Rita, você tá a cara da Sansa Stark Brigada, Rochelle No dia que ela morreu Bom, pervertidinho, você já deve ter visto aqui em algum local da tela que o tema do vídeo de hoje é: O ódio como política Não, eu não estou falando desse livro maravilhoso que a Boitempo editou Olha só que lindo, se a Boitempo, inclusive, quiser mandar, estarei muito agradecida Já li a versão digital, quero ler em papel sim, porque sou das antigas Mas, não, não é o livro que vamos falar Final de semana estava aqui apegada com o Paulo, assistindo
Black Mirror, e, na temporada três, existe o episódio men against fire (homens contra o fogo), então é por aí que eu começo, depois, se quiser, assista para entender O ódio como política ele se refere basicamente ao mecanismo, mais antigo que o tempo, que é NÓS versus ELES Esse mecanismo identitário é, por exemplo, responsável por a criação do mito das nações Se a gente para pensar numa Europa Imemorial, na qual as fronteiras ainda não era bem definidas, então, pós-queda de Roma e a fundação de feudos, a gente vai começar a entender que a ideia de nação
O que é França? O que é Espanha? O que é Inglaterra? O que é Castilha? O que é Mônaco? É muito permeável e não tá muito evidente Quantos reinos compõem a Inglaterra? Quantos senhores feudais existem em Portugal? E a ideia de nação não será edificada até muito mais tarde, quando todos esses povos regionais se unirão, sempre contra inimigos em comum, inclusive, essa é um pouco da discussão do mito das nações, a invenção do nacionalismo, que é um livro do Petrick Jerry, vai aparecer aqui, que é sobre como, então, um conjunto de pessoas, em um determinado
espaço geográfico, vai em algum lugar da história delimitar uma fronteira e falar Daqui pra cá nós chamamos Mouros, dali pra lá vocês chamam portugueses e agora a gente se mata Assim, explicada nua e cruamente, a ideia de nacionalismo ou o outro nome dele que é só xenofobia é bastante chocante Como, por uma invenção cultural, uma invenção territorial e uma invenção de fronteira, a gente entende que nós somos nós, vocês são vocês, e a partir de agora nós podemos matar vocês e vocês podem nos matar Eu vou além Eu queria que vocês entendessem que quase todos
os momentos históricos de genocídio, aculturação ou uma guerra muito longa, uma guerra muito sangrenta Esses momentos são instaurados através do ódio como política Aqui eu vou elencar três momentos específicos para que a gente possa contemplar essa ideia A escravidão era justificada, entre outras coisas, pelo fato de que o negro não era um ser humano A igreja católica defendeu isso, muitas outras instituições defenderam isso, que o negro não é uma pessoa, ele é uma ferramenta que fala e por isso tava tudo bem matá-lo, o ódio, instaurado e instituído contra o negro, vai possibilitar e sistematizar o
genocídio da população negra Ele começa aqui, com o ódio como política Daqui, a gente pode dar um salto para a ascensão dos regimes nazifascistas na Europa, quando o nazismo do Hitler ou o fascismo do Mussolini começam respectivamente na Alemanha e na Itália destruídas no pós-primeira guerra mundial, a gente tem um sentimento especialmente nazista de que o judeu, o cigano, o homossexual, eles não são pessoas, eles são uma sub-raça e haveria uma supremacia genética ariana, então pessoas que nascem superiores e outros, que devem ser extirpados, porque são inferiores E a gente tem, de novo, instaurado o
ódio como política, o que vai possibilitar o genocídio dos judeus O que vai possibilitar o holocausto é uma ferramenta política de olhar para o outro não como um ser humano, mas como uma coisa, que pode ser extirpada e extinguida a gente precisa entender que, historicamente, quando uma população é destituída da sua humanidade e substituída por uma reificação, um valor de coisa, a gente entrou num território no qual a morte será livre Para fazer um recorte mais próximo, tanto temporal como geográfico, a gente pode olhar para a nossa contemporaneidade, a ascensão de Bolsonaro e o ataque,
a desconstrução, da população LGBT, por exemplo, o que a gente tem, com a ascensão de regimes fundamentalistas religiosos a sexualidade dita deviante, que desvia é o outro E a partir do momento, desse momento, o homossexual, a lésbica, o bissexual, a pessoa trans, a pessoa não-binária, a pessoa gênero fluido, a pessoa com uma sexualidade que não está descrita num livro sagrado por exemplo, é o outro E ele deixa de se constituir como ser humano, e ele passa a ser uma coisa que pode ser atacada e morta Um dos caracteres mais fundamentais da humanidade é reconhecer a
humanidade no outro e quando a gente consegue olhar para o outro com olho de empatia e saber que ele também sente, pensa e age a gente impossibilita a política do ódio de se perpetuar É importante entender que um ser humano dificilmente mata outro ser humano a não ser que ele consiga olhar para esse outro ser humano não como eu mas como outro e é importante que em períodos de polarização em períodos de extremidade a gente consiga se manter um ser político pensante, olhando para o outro e ainda assim vendo o eu Bom, eu acho que
a reflexão de hoje é essa, ainda estou um pouco chocada e um pouco abalada e ainda tentando me retreinar para conseguir sempre olhar o outro e ver o eu É isso até semana que vem um beijinho tchaaaau