Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, no evangelho de hoje, Jesus pede aos seus apóstolos que vão em missão de forma despojada, vivendo a verdadeira pobreza, um desprendimento de quem não leva para si nem mesmo as provisões necessárias para o amanhã, viver completamente da Providência Divina.
Aqui nós encontramos uma realidade que a Igreja Católica vê, conserva e valoriza, mas que até mesmo nas outras confissões cristãs parece ter sido abandonada: o valor da pobreza evangélica, veja, a maior parte das pessoas entende o cristianismo como aquilo que viveu São Vicente de Paulo, o santo que nós celebramos hoje, ou seja, o cristão que dá assistência ao pobre, isso é um valor, isso é uma coisa importante, isso é uma virtude cristã, é a caridade porque é o amor a Deus que se manifesta no amor concreto para com o próximo, então, claro, se Deus é misericordioso conosco, a única maneira que existe de nós sermos misericordiosos com Deus é, evidente, ser misericordioso com o irmão porque Jesus não necessita de nossa misericórdia, então, sendo misericordiosos com o próximo nós ouviremos no último dia: "Foi a Mim que o fizestes" de Jesus. Mas isto que é uma coisa óbvia e que a sociedade atual sabe valorizar, tem um outro lado, o outro lado da moeda é a pobreza daquele que se dedica a Cristo e isto nós encontramos somente na Igreja Católica e encontramos principalmente nos religiosos que se despojam, que imitam o Cristo como está no segundo capítulo da Carta de São Paulo aos Filipenses, em que se ele se esvazia e se faz pobre, se faz servo. O cristão, por amor a esta pobreza do Cristo, se faz pobre, imitando Nazaré, imitando a pobreza de Jesus, de Maria, de José, o cristão quer se desapegar, "não leveis duas túnicas", diz Jesus.
Então, aqui nós vemos dois lados de uma moeda que se nós valorizarmos somente um lado, estaremos perdendo enormemente uma das riquezas do Cristo: o Cristo amou os pobres, mas Ele se fez pobre, o fazer-se pobre e o amar os pobres, essa é uma realidade que a Igreja Católica guarda como um grande tesouro. Ao celebramos hoje a memória de São Vicente de Paulo, nós, claro, vemos quantas e quantas pessoas irão lembrar o exemplo, irão admirar São Vicente de Paulo por seu amor aos pobres, ele que chamava os pobres de "nossos senhores", mas pouca gente irá se lembrar do despojamento e da pobreza vivida pelo próprio São Vicente e pouca gente vai imitá-lo, mas talvez aqui, mais do que nunca, esse seja o valor que nós precisaríamos recuperar, sim, porque cristão solidários com os pobres os há muitos, mas cristãos que queiram viver a pobreza não, parece que são poucos e a única maneira que nós temos de eliminar o poder desta mão invisível que destrói as famílias, que destrói a nossa sociedade, esse sistema do dinheiro que faz com que nós sejamos escravos. Ser pobre, não levar duas túnicas é, na verdade, ser um homem livre, ser uma mulher livre, recuperando este valor nós estaremos nos libertando interiormente e estaremos vivendo aquela que é a primeira, primeiríssima das Bem-aventuranças: "Bem aventurados os pobres em espírito, deles é o Reino dos Céus", o pobre em espírito é aquele que sabe que é pobre, mas de uma pobreza maior, a pobreza de Deus, "a minha alma tem sede de Deus", não dos bens materiais, eu anseio pelo Deus vivo.
Deus abençoe você. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.