[Música] bem-vindos a mais um vídeo do canal saber cotidiano queria entrar num tema hoje que não é tão explorado dentro dos estudos antropológicos e sociológicos que a questão das emoções a questão da emoção enquanto uma perspectiva mais sociológica e antropológica das emoções enquanto não apenas uma prática que se exterioriza né na verdade exteriorizações através das práticas mas todo o caráter cultural e social também contido nas emoções por um lado é um pouco Claro um pouco consenso que as análises antropológicas Elas têm entendido a mostrar necessidade de encarar as emoções como um idioma cultural um idioma
ligada ligada a uma forma como nós encontramos maneiras de lidar um problemas relacionados a nossa convivência social Então culturalmente se constrói emoções específicas relacionadas a forma como a gente encontra para lidar com esses com essas questões né a gente poderia até pensar em estilos culturais de administração das emoções o papel da cultura na imposição de determinadas maneiras de funcionamento do nosso emocional [Música] mas existe uma lacuna digamos assim quando a gente pensa no espaço entre o que é culturalmente determinado ou construído melhor dizendo E a reação individual de cada um né a linguagem emocional ela
ainda carrega muitos elementos particulares individuais e isso não é tão explícito isso não é tão claro como que isso se dá E aí a gente tem alguns teóricos que vão se debruçar mais nessa questão né das antropologias das emoções no que de fato além do que é explícito na prática tem para antropologia para nós investigarmos existem aqueles que vão dizer que não o que a gente tem que investigar enquanto antropólogo enquanto cientista social é o que tá dado na interação né as emoções entre aspas reais que tá o alcance do antropólogo perceber né não adianta
a gente ter um querer ter um papel de psicólogo de tentar esse cara funchar as emoções por de trás das questões que não são verbalizadas que não são colocadas na interação Mas por outro lado há também perspectivas que mostram que existem questões ali que precisam ser sim trabalhadas a gente tem que encontrar um meio de analisar para além das estruturas discursivas para além das práticas ou seja tentar entender de que forma existe uma dinâmica emocional em jogo que coloca que traz para análise também não só esquemas culturais mas símbolos questões simbólicas questões de linguagem né
e [Música] aí a gente percebe que existem críticas feitas a noção de Discurso ou a noção de práxis ou prática né tanto feitos por dia quanto por foco gides todos os históricos mais clássicos eles se debruçam sobre discursos práticas mas os antropólogos mais cognitivos eles respondem muitas vezes outros contextos né dependendo da sua personalidade eles têm uma certa diversidade para tendências emocionais que meio que escapam a esses esquemas mais prontos né Por exemplo esquemas culturais de amor romântico como pensar aqui que a gente já até falou desse tema aqui no canal o amor romântico como
um esquema culturalmente validado no ocidente né Essa forma de sentir que embora agora esteja em decadência e tal por alguns setores da população ainda continua se firmando como o principal esquema Cultural de codificar de fazer com que a gente mesmo aprenda a codificar as nossas emoções com base em parâmetros do amor romântico né só que esse padrão esse esquema cultural ele não consegue abranger todos que estão dentro desse contexto cultural cada um de acordo com a sua personalidade individualidade com texto vai responder isso com outras tendências emocionais né e ainda é muito difícil para nós
pesquisadores encontrarmos A Âncora disso né considerar para além do discurso e da prática e considerar para além dessa ideia de esquemas culturalmente erigidos de emoção E aí vão vir os antropólogos cognitivos e vou mostrar que não pode se considerar os signos as linguagens como fora né do mundo né as emoções elas de fato são âncoras que permitem a gente entender melhor os signos os enunciados esses enunciados emotivos referem-se algo né Então essas emoções constituem de fato uma espécie de elemento não verbal que precisa ser estudado um domínio que não pode ser um domínio digamos assim
de equivalência ou da representação do signo na prática né não é equivalência e não é representação é a própria prática acontecendo a partir da emoção e a própria reelaboração do que é o sentir do que é aquela sensação do que é aquela emoção do que que é aquele sentimento [Música] por exemplo né a ideia do casamento a ideia de uma cerimônia de casamento e todas as emoções envolvidas ali numa cerimônia de casamento aqui no nosso contexto todo esse contexto a emoção ela não Brota por si só né a emoção ela está diretamente relacionada ao que
essa cerimônia e aqui As convenções dessa cerimônia permitem formular dentro de cada um de nós seja na noiva seja nos convidados sejam os pais da Noiva sejam no noivo nos pais do noivo enfim toda a convenção emocional ela interage diretamente com as nossas emoções ao invés de criar as nossas emoções a gente então tem aí uma visão muito mais intrínseca e emaranhada de um bivalente entre o esquema e as nossas emoções os nossos padrões né não se tratam assim de padrões de Emoções criadas pela sociedade mas talvez de emoções que são gerenciadas uma certa ideia
de controle das emoções ou gerenciamento das emoções dentro de determinados espectros sociais e a comunidade coletivo com estipulando esses estilos de controle emocional que a gente vai ter ou não a nossa capacidade para moldar emoções né E aí a gente chega num ponto interessante que a questão de como isso se como isso evolui como isso tem consequências interessantes né a gente precisa cada vez mais entender esses processos cognitivos que acompanham as emoções e Victor Turner já falava né que ele tava muito preocupado em entender como nós experimentamos a cultura como os indivíduos experimentam a cultura
como os eventos são recebidos pela consciência né a gente pode pensar que essa experiência Tá ligada né não apenas ações e sentimentos mas a reflexão que a gente tem sobre eles Ou seja é isso a gente sobre o que a gente está sentindo e formula a partir daí os limites a gente molda até onde a gente vai com as nossas emoções e por isso entra aí a necessidade de articular cada vez mais emoção e razão que a gente chama de emoção e razão entre consciente inconsciente entre fenômenos psíquicos e fenômenos físicos de práticas e entra
aí a questão do Poder né que que é o poder o poder também é a forma como a gente consegue ou não dialogar com essa ideia de controle emocional né o controle emocional é o verdadeiro exercício do Poder principalmente na sociedade moderna contemporânea em que a gente é exigir existe né o tempo todo essa ideia de Inteligência Emocional né mas na verdade para um nível para além da auto ajuda para um nível mais sociológico e até cognitivo de análise esse exercício do Poder ele se dá justamente com o conhecimento e a reflexão sobre aquilo que
nos acontece né E aí a gente volta também para foco né para os gregos que ele se debruçou muito sobre essa questão né do alto estudo e a gente ter essa consciência da nossa existência de uma no mundo da nossa forma de se colocar no mundo e como isso é isso acaba delimitando até onde a gente consegue ir então pensar nas emoções antropologia das emoções é também voltar a questões das práticas cotidianas é voltar em questões que envolvem o nosso relacionamento consigo com o outro né as nossas práticas de cuidado de si e pensar de
fato esse exercício de poder [Música]