[Música] Olá sejam todos muito bem-vindos ao pode e ser eu sou Carla buquerque e tenho a honra de ter aqui hoje comigo este grande homem que veio do rio R de Janeiro me sinto muito lisongeada o Éder Belo e é de verdade ele não é só Belo no sobrenome ele é belo mesmo um homem lindo e eu não vou contar muitos detalhes para vocês eu vou deixar ele contar a história da vida dele porque a História da vida dele é fascinante não foi fácil eu imagino que ele passou por momentos muito difíceis principalmente em questão
da sexualidade dele da orientação sexual aqui do Éder mas é um grande Alerta e Que bom que você tá aberto para poder contar explicar sabe para que a gente tire até a questão do Tabu desses assuntos para que outros homens se sintam confortáveis em falar também seja muito bem-vindo Éder Muito Obrigado muito obrigado pelo espaço muito obrigado pelo convite um prazer estar aqui com vocês e enfim vamos conversar sobre essas questões com complexas e que talvez a gente possa trazer um pouquinho mais de simplicidade para elas sim o Éder hoje é um psicólogo né tá
aí na formação de doutoramento dele faz um trabalho bastante grande em relação à psicologia e a Sexualidade também correto Éder sim sim sim mas eu vou te pedir vamos voltar lá para trás Um tempo que o Éder vem do interior de um lugar muito legal no Rio de Janeiro que é Nova Friburgo Uhum E o Éder vem de uma família bastante religiosa como muitos brasileiros né nesse nosso país tão gigante e o Éder se depara com a sua questão da sua orientação sexual e por questões aí da sua religião e você fique muito à vontade
se não quiser falar né de qual religião é não a gente pode falar não tem problema então tá ótimo a Gente respeita aqui sempre os convidados Sim e ele passou por o pelo aquilo que a gente conhece como a cura gay né e ele vai poder contar pra gente como foi isso e eu imagino que não deva ter sido nada fácil porque foram muitos anos em busca de algo que a gente até tava conversando antes cura é para alguma doença né sim quando a gente trata a questão da orientação sexual como uma doença eu acho
acho que a gente tá errando assim Eh Pro universo e além né Éder uhum sim sim eh voltando um pouquinho para contar um pouquinho da minha história né Eh eu nasci em Nova Friburgo eh eu nasci Numa família muito simples né meu pai é jardineiro a minha mãe auxiliar de serviços gerais e eles né enfim me levaram paraa igreja porque desde pequenininho eu conheci a igreja evangélica meu tio é pastor a minha mãe é vice-presidente de uma igreja então tenho primos tios que são líderes Religiosos denta Igreja Evangélica até hoje e eu depois me tornei
líder religioso também da Igreja Evangélica me tornei líder de música Quando eu era adolescente e eh quando né eu eu eu era pequenininho eu cresci muito nesse contexto religioso e eu percebi né em um determinado momento eh que eu sentia uma coisa diferente daquilo que eu percebia que outros eh meninos sentiam eh eu percebia que eu olhava pros Meninos e sentia um desejo por eles uma vontade uma atração uma admiração por eles que eu percebia que outros rapazes não sentiam eh outros meninos não sentiam tinha mais ou menos em torno de 10 a 11 anos
de idade quando eu comecei a me dar conta desses sentimentos quando eu comecei a me dar conta desses sentimentos né vindo desse contexto e e é muito importante dizer que eu eh vinha de um contexto muito reservado né os meus familiares todos eles vinham de Casamentos heterossexuais eh a minha mãe tinha né uma restrição muito grande em relação a a mim Eh com televisão a gente não podia assistir televisão aberta por muito tempo então h a gente era educado numa escola até um determinado momento da minha vida eu fui educado numa escola Angélica Então acho
que isso é super importante pontuar porque eu vivi assim numa redoma eu vivi super protegido né no sentido de ter muito pco contato com o mundo de forma geral então a minha Vida era ir para escola ir pra casa da da escola pra casa da casa pra igreja da igreja pra casa da casa pra escola era assim Ou eh saía para casa de parentes eh e todos os parentes muito evangélicos Então tinha todo esse contexto então era todas as vezes que a gente ia comer alguma coisa orava Antes das refeições Então tinha uma vivência religiosa
muito intensa e quando eu eh eu comecei a perceber que eu tinha sentimentos que eram diferentes Eh eu comecei a achar que aqueles sentimentos eram um problema que eu precisava resolver no primeiro movimento né que eu comecei a perceber aqueles sentimentos no primeiro momento eu eu comecei a evitar né tentar evitar pensar em outra coisa achar que aquilo não estava acontecendo comigo então eu entrei num modo que a gente chama de modo evitativo né Eh E durante alguns 2 3 anos até que eu percebi que eu não tinha como fugir daqueles sentimentos Porque eles se
impunham a mim eu não escolhia sentir aquilo quando eu percebia que eu tava sentindo eu tentava ignorar aquilo que eu tava sentindo e nesse texto né eu vivia de uma forma muito protegida mesmo e de uma forma muito religiosa Então acho que é super importante eh pontuar isso porque eh a gente já desconstrói uma ideia de que a homossexualidade ela efeito de alguma influência né e a gente pode entender por exemplo que ser LGBT é uma Confluência de processos que são de fato naturais e que nós não entendemos porque diversidade sexual ela é natural e
ela é algo que nós não escolhemos a gente só se dá conta de assim como por exemplo a gente não se dá conta de que a gente sente fome Sim a gente de repente sente fome então a gente não tem como eh deixar de sentir fome criar algum mecanismo para deixar de sentir fome fome eh a gente só se dá conta disso Isso se impõe a gente então Eh inclusive Cientificamente a gente vai entendendo que eh o desejo sexual a diversidade sexual a identidade de gênero é algo que nós nos damos conta não algo que
nós eh que é produzido por conta de algum evento eh ou fator externo isolado né é uma complexidade eh de questões que nos acontecem que nós não conseguimos determinar exatamente a ciência não consegue determinar e também a gente pensa hoje em dia para que determinar né Eh isso é simplesmente natural e a gente Precisa aceitar esse movimento agora naquele momento eu eh comecei a me dar conta desses sentimentos e eu achei que aquilo era completamente errado justamente porque todo o contexto que eu vivia era um contexto de casais heterossexuais de pessoas heterossexuais de pessoas né
Sis né esse gênero são pessoas né que eh eh se identificam né com os papéis sociais que L são atribuídos com o sexo eh que lhe é atribuído no Nascimento né acho Que é importante também dizer esse processo então Eh esse movimento né Eh eu me entendia como homem não tinha nenhuma questão com a minha identidade de gênero mas eu comecei a perceber que eu olhava para outros meninos e sentia alguma coisa diferente nesse momento eu falei eu preciso cuidar disso porque isso tá errado né na sua cabeça exatamente E aí hoje eu tenho o
entendimento de que eu só achava que aquilo era errado porque o contexto em Que eu vivia me trazia essa informação de forma constante entendi constantemente a gente Ouvindo uma determinada coisa a gente internaliza aquilo e acredita que aquilo é uma verdade né em psicologia a gente chama isso de crença ou regra né quando a gente vai ouvindo um determinado discurso e esse discurso ele Ele toma né um aspecto de verdade mas na verdade é uma crença ou uma regra né E aí crença não é no sentido religioso né crença Naquilo que eu acredito que é
verdadeito eh e não no sentido da crença religiosa da Fé eh tem uma diferença nesse sentido e aí eu comecei a acreditar que eu tinha um problema e que a homossexualidade era um problema nesse sentido eu comecei a perceber E como que eu conseguia começar a perceber lugares né ao meu entorno em que eu podia tentar me livrar daquela sensação daquele sentimento daquele desejo e aí é muito importante também dizer sobre essa questão do desejo Porque eu não tinha nenhum tipo de eh comportamento nenhum tipo de relação nenhum tipo de contato sexual com outros rapazes
né com 11 12 13 14 anos de idade eh e com 14 anos de idade eu Participei de um Retiro eh e um retiro espiritual ligado a uma outra igreja que não era a igreja eh que eu frequentava com os meus pais e lá se falou que a homossexualidade era pecado e que tinha uma maneira de resolver então eu fui conversar com o pastor que Tinha dito isso lá e foi a primeira vez que eu falei que eu era gay que é exatamente seus pais não sabiam não os meus pais não sabiam uma das coisas
que eu falo é que os meus pais também foram da cura gay e eu vou chegar nesse nesse aspecto também E aí ah quando eu contei isso para esse pastor no momento que teve lá né de oração e tal e eles esse pastor virou para mim e falou assim isso é uma mentira você não é gay eh e e aí eu até Depois né que eu escrevi um um um poema que abre um livro que organizei com o Conselho Federal de Psicologia que conta a história de 33 LGBT que passaram por esse processo da cura
gay eh eu digo que depois que eu ouvi que esse pastor falou sobre esse processo eu comecei a dizer para mim mesmo que eu era uma mentira e ele disse eh olha isso é uma mentira do Diabo na sua vida ele usou essa expressão e comigo então eu lembro que eu escrevi esse poema e dizia que eu Repetia todos os dias que eu era uma mentira do diabo Porque até então eu entendia homossexualidade como alguma coisa fora de mim que tava ali né me rondando como se fosse um espírito que tivesse me rondando e que
eu precisava me livrar disso hoje alguma coisa oculta é hoje eu entendo que homossexualidade a parte da minha identidade que não é algo que eu consiga né deixar largar e que nem é algo que eu preciso me curar dela porque o problema é o discurso que Patologia um desvio uma doença um problema a ser resolvido e depois a gente também pode falar porque que esse discurso existe mas nesse momento né Eh eu passei por esse Retiro e após esse Retiro tinha um curso que eles ministravam e aí tinha uma outra pastora que ela fez um
módulo mostrando mais ou menos como eh se livrar da homosexualidade E aí eu naquele momento Fui conversar com ela e falei com ela olha eu sou gay e preciso deixar de ser Gay então eu que anunciei isso diante desse contexto quando eu anunciei isso para ela né ela falou vamos lá vamos fazer um processo aqui comigo e aí o processo se resumia inicialmente a fazer orações e ai a ler alguns livros que ela me indicava né E os livros eram sobre vícios sexuais e era muito curioso porque eh a a a Sexualidade era entendida a
homossexualidade no caso eh ou qualquer sexualidade fora né do casamento com objetivo de reprodução era Entendida como um vício que precisava ser superado e que você precisava ficar em algum tipo de abstinência um vício como se fosse um vício em bebidas em drogas Exatamente exatamente então a a concepção né Eh uma determinada concepção do fundamentalismo religioso sobre a Sexualidade é de que a homossexualidade é um vício sexual Aí eu pergunto né Como assim um vício sexual se eu não tinha nenhum tipo de prática ou de relação sexual ou contato sexual Com ninguém eu queria eh
resolver um sentimento uhum um desejo que eu tava tendo mas era um desejo que eu não realizava com ninguém né era só tipo uma atração eu nem conseguia entender que era um desejo ainda porque ele nem se apresentava dessa forma para mim ele se apresentava com uma atração e que eu sabia que era diferente né eh e aí eu passei por esse processo fiquei lendo várias vezes e fiquei Ah absorvendo esse discurso de que a Homossexualidade era um vício de que a homossexualidade era um pecado de que era um problema e esse foi o primeiro
movimento de cura gay e aí eu ia semanalmente lá ela orava por mim e tal e até que um determinado momento ela falou assim olha tem uma pastora aqui que vai vir de São Paulo que tem um ministério em São Paulo e que você pode passar por um processo com ela e o processo processo se chama processo de libertação e cura interior porque ela Vai identificar as raízes que fizeram com que você então se tornasse homossexual e aí eu fui passei por esse processo com essa pastora de São Paulo eh e aí foi um um
processo de exorcismo E aí a a primeira coisa que eu ouvi é que se eu não tinha feito nada né Eh era que a homossexualidade era efeito ou de um abuso sexual que tinha sofrido que era uma coisa que também não tinha acontecido na minha história ou então era eh por Conta de um processo eh relacionado a o a um pecado dos meus antepassados entendi e aí Olha que curioso que eu queria trazer pra gente conversar é que a a minha avó por parte de mãe ela tinha sido eh mãe de santo Hum ela tinha
sido eh enfim ela era uma Líder religiosa do candombl E aí quando a gente foi levantando isso eu nem sabia disso eu fui perguntando assim PR os meus pais coisas né para poder tentar investigar E aí eles não me Entenderam muito bem mas foram me respondendo e era a a mãe a mãe biológica da minha mãe né A minha avó biológica porque eh essa mãe biológica da minha mãe morreu Quando a minha mãe tinha 10 anos de idade e ela foi adotada por pela minha enfim pela pessoa que eu tomei como avó adotiva e como
avó exatamente con avó e aí eu falei ah tá aqui e aí foi onde ela também disse isso então eu precisava confessar os pecados da minha avó Biológica porque foi aí que houve então uma brecha para que os espíritos malignos entrassem na minha vida e me transformassem em homossexual então só para a gente deixar claro para as pessoas aqui como se a sua avó por ser né uma Líder religiosa do candomblé fosse uma pecadora sim exato Ou seja a gente já vê ali um outro preconceito também a gente tem uma intolerância religiosa exat e uma
sequência de preconceitos contra né as religiões de Matriz africana perfeito exato e assim já é uma sucessão de preconceitos sim e aí a Olha que curioso a ideia que eu era gay porque havia nesse lugar a minha avó tinha feito uma coisa e isso tinha dado uma brecha para que as pombas giras foi a expressão e acho que é importante a gente dizer né porque é uma maneira eh de demonizar as entidades eh das religiões de matriz africana então ah a gente vê aí tanto a intolerância religiosa quanto o racismo Religioso que a gente vai
percebendo nesse sentido e a gente vê por exemplo hoje eh principalmente no Rio de Janeiro né um movimento muito forte agora eh de traficantes evangélicos que estão né num certo sentido eh ateando fogo perseguindo eh a as a os espaços né de culto das religiões de matriz africana e não só né Mas dependendo das Comunidades ali no Rio de Janeiro até as igrejas católicas estão sendo perseguidas Olha então tem Que sério isso he um ideário sobre as religiões de matriz africana que é uma aproximação né E esse ideário não é um ideário de agora é
um ideário histórico né de um processo de intolerância de racismo religioso que vem com o processo da escravidão aqui no Brasil que é uma ferida histórica que a gente tem né e eh e aí Além disso Isso é articulado com a questão por exemplo da sexualidade Então nesse ponto eu comecei a passar por exorcismos porque a Explicação seria então de que eu estava possuído por demônios eh e esses demônios eram as pombas giras Olha que curioso pensar nos processos de demonização das entidades de religiões de matriz africana que loucura isso Éder e quando você fala
em Exorcismo como o que que é essa prática dentro desse olhar né dessa igreja que você estava né dessa religião na verdade que você estava era o que eram eram rezas orações eram orações era Era eu passava exatamente por isso eu tinha que ficar confessando eu confessando como se fosse a minha avó né dizendo eu me arrependo da minha avó ter feito Tal Coisa e Tal Coisa e Tal Coisa e depois disso né eles botavam a mão e e eu expulso o demônio x y zá E aí eles na verdade vão citando várias entidades eh
das religiões de matriz africana porque é uma demonização né Eh das entidades das religiões de matriz Africana né e eu ali naquele processo e é um turbilhão porque e você é uma pessoa muito jovem também né sim eu tinha 14 anos quando eu tava passando por esse processo E aí não foi só o o processo né de 14 anos eu passei por 14 anos e aí eu saí dali porque assim foi um um turbilhão de coisas porque eles botam a mão eh tem uma uma coisa para forçar um vômito então eles apertam a barriga para
ver se força um vômito para ver se sai alguma coisa então tem uma Coisa de de uma catar mesmo uma Catarse né então e aí é um e essa coisa de botar a mão na cabeça de passar óleo no meu corpo de eh gritar contra os demônios em nome de Jesus eu dis pulso daqui e tal não sei o qu Então mas que é uma violência psicológica também mas você chegou a sofrer violência física não nesse momento não mas tem tem alguns momentos que sim mas mais pra frente em outros processos porque eu falo que
eu passei Por todas as as sen o Éder o Éder realmente de C ele ele é a prova viva Se alguém for né ti tá aqui ele a existe corag gente eu t não existe não não existe a gente fala isso muito não existe e e os meus pais não estavam sabendo de nada uma coisa que é muito importante porque eu seus pais estavam alios ées aam você eu tava na igreja tava na igreja eu tava passando por um processo e ninguém Também da igreja Conversou com seus pais sobre nada do que eles estavam fazendo
com você não não porque isso também era um é eu era menor de idade Exatamente porque aí temos aí uma questão não só religiosa mas legal né porque você com 14 anos Qualquer coisa que eles viessem a fazer com você Eles necessitariam da autorização dos seus pais sim e isso não aconteceu e aí eu lembro que depois dos 14 anos eu eu continuei fazendo Eh esses processos e comecei a perceber que isso Não tava funcionando até que com 16 anos eu vim a São Paulo para fazer um processo desses maior porque eu passei por esse
essa pastora saiu de São Paulo foi para para Nova Friburgo eles faziam esses movimentos n de andar aí pelas cidades fazendo os seminários de cura interior e libertação e aí tinha uma um tópico específico de restauração sexual e era onde eu entrava n e deixa te fazer uma pergunta Eder tinha um outros adolescentes nessa mesma condição que Você ali de tentar buscar essa cura inexistente olha ali comigo naquele momento eu nem prestava atenção nisso mas eles não não te falavam não mas tinham por exemplo eh eh outros adolescentes que estavam ali passando por alguma coisa
você não sabia é não sabia bem o que que era mas podia ser não porque também era uma coisa muito velada né então Eh eu lembro que a gente ficava assim numa era quase como se fosse num Espaço Aberto sentados Esperando tipo num salão da igreja a gente era chamado para uma salinha para poder fazer esse processo né Deixa eu só te fazer uma outra pergunta né Aí você prossegue Em algum momento lhe foi sugestionado que você deveria tentar investir a em uma relação né de namoro com uma menina isso era sugerido isso aconteceu em
outros momentos nesse moment é era só assim era era uma coisa muito espiritualista né É porque as raízes da homosexualidade eram Explicadas simplesmente por questões espirituais ou então por conta de um abuso sexual né então é assim a relação sexual ela produziria dentro dessa concepção né o abuso sexual eh eh criaria ali uma deturpação do desenvolvimento psicossocial mas isso já é uma leitura eh psicanalítica que eu posso trazer para vocês daqui a pouquinho que eles também vão incorporando mas ela ficou um pouquinho mais à Não não tão Evidente assim naquele momento porque a questão eh
espiritual as raízes espirituais da homossexualidade ficaram mais fortes e então tem esse movimento que que aconteceu eu fiz isso até aos 16 anos 16 anos eu vim a São Paulo e aí o pastor da igreja dos meus pais né que era o pastor da minha igreja também me trouxe com 16 anos ele só Ele só perguntou pros meus pais se podia me me trazer a São Paulo para eu passar por um um processo aqui Junto com ele não deu muitos detalhes pros meus pais né e eu vim né eles claro que eles confiavam tava com
o pastor e a pastor é de super confiança né exatamente E aí eu vim porque eu contei pro pastor que eu tava passando por esse processo e a primeira coisa que eu contei para aí eu a primeira coisa que ele me disse depois que eu contei para ele foi não mas tem cura sim o pastor ele falou isso pastor local lá da igreja dos meus pais Nova Friburgo nesse Processo né em que eu passo com com esse processo de 16 anos pastor né fala com os meus pais e sobre Ah o Éder vai passar por
uma coisa junto comigo é bom que ele também conhece São Paulo e tal não sei o qu e é isso E aí eu vim passei por esse processo com ser pastora enfim lá no Belenzinho enfim e aí fui fiquei lá uma tarde toda chorando e gritando e gritando comigo e passa óleo é uma série de é um ritual passa um ritual para poder enfim deixar uma sexualidade e aí Depois que eu saí daquele ritual que foi muito intenso eu pensei Pronto agora eu não sou mais gay agora eu deixei de ser gay e aí é
muito é muito curioso porque é um processo tão violento que eu não pensava que eu queria ser heterossexual Eu só pensava eu não quero ser gay entendi o que que eu vou ser depois eu eu não não conseguia pensar era tão forte esse movimento de eu preciso deixar de ser gay né que e eh a ideia de ser heterossexual nem Chegava também porque essa questão por exemplo ah você tem que se relacionar com com e tal aquela coisa toda também não acontecia Porque também tem um outro lugar da Igreja Evangélica eh e não toda a
igreja evangélica Mas tem uma concepção muito rigorosa sobre o controle da sexualidade então eh sexo só depois do casamento a pessoa tem que ser uma escolhida de Deus para você você tem que orar por aquela pessoa então tem alguns movimentos né e os evangélicos Que estão me assistindo talvez eles vão lembrar desse movimento que é o movimento eu escolhi esperar que é uma coisa muito forte que aconteceu na igreja no final da década de 90 no começo da década de 2000 eh em que as pessoas elas resolviam esperar em Deus a Prometida ou o prometido
né era Deus que fazia essa essa relação acontecer esse encontro acontecer esse encontro quase que espiritual né Exatamente exatamente então tem uma questão nesse sentido Também então não tinha esse movimento muito forte de dizer que eu tenho me tinha que me relacionar com uma outra menina porque antes era só um combate a uma sexualidade como um problema a ser resolvido e como algo de uma raiz eh espiritual e aí eh junto com esse processo né Eh como percebi que também não tava eh não tinha resolvido porque eu acabei de sair desse processo fui pra rodoviária
para pegar o ônibus para Nova Friburgo Aí passa um rapaz que eu acho bonitinho E aí eu olho e falo ahi que bonitinho não não posso e não tô curado foi uma tristeza uma decepção muito grande e isso acaba criando eh e produzindo um eh um um episódio depressivo eu fico muito dentro de casa eu fico muito isolado eu não faço relações de amizade na escola eu vou pra escola vou lá e faço o que eu preciso fazer mas eu acabo não desenvolvendo uma relação de amizade na escola eu também sou muito hã eh eh
Sofro muito bullying na escola as pessoas falam que eu sou boiolinha eh na escola de uma maneira muito intensificada então eu também fico muito retraído mas mais do que isso era não ter conseguido perceber que eu que eu tinha conseguido a cura naquele momento né que eu tinha conseguido resolver o problema porque a a ideia de cura ela nem me passava na cabeça eh porque a essa expressão cura G é uma expressão midiática que começou a circular Principalmente depois de 2013 né que tem a ver com um processo que eu vou contar para vocês sobre
uma resolução do Conselho Federal de Psicologia né ah agora me passava a ideia de que eu não consegui resolver esse problema e aí ã a gente continuo na igreja né tento eh teus pais ainda não sabiam não tinham ideia tento rearticular alguma coisa e com 17 18 anos eu começo então a a frequentar eh um psicólogo que é pastor e aí eu falo para ele sobre esse Processo e ele simplesmente ouve e esse processo Porque aí começa a ver um outro movimento porque já não é mais um movimento espiritualista começa a ver então uma raiz
psicológica para aquilo que aconteceu porque eu falo para ele olha eu já fiz isso tudo e não resolveu aí ele falou não é porque não é espiritual é porque é psíquico e aí ele traz uma explicação que é uma explicação eh que acabou acontecendo na história da psicanálise né um psicanalista chamado Irvin bber eh na década de 60 disse que a homossexualidade era efeito de uma perturbação no desenvolvimento psicossocial eh de uma criança e isso era efeito eh de uma mãe super protetora e de um pai ausente e isso eh criaria ali uma uma perturbação
da identificação dessa criança no caso só menino porque a menina nem existe nessa história né não se é teorizado sobre isso para mostrar o quanto a Sexualidade das mulheres é Completamente invisibilizada então houve uma perturbação de processos de identificação porque o pai ausente não possibilitou essa Identificação do menino com o pai e a mãe super protetora fez com que isso acontecesse mas aí a gente tem um um dado muito importante né a gente tem eh umado de que as mulheres né Eh acabam sofrendo uma atribuição sobre o cuidado eh com os filhos muito maior do
que os homens isso é histórico né por conta de de uma questão Patriarcal por uma questão machista e eh os pais geralmente são muito mais ausentes e as mães muito presentes e aí a gente no Cuidado doméstico sim né no Cuidado familiar al exatamente então é muito mais fácil uma criança né ter uma proximidade muito maior com a mãe do que com o pai pensando na configuração eh de um uma família eh heterossexual né Eh e bem não é nem todo mundo é LGBT por conta disso então Eh Isso é uma teoria que não se
sustenta do ponto de vista da Evidência científica né essa teoria ela foi eh suplantada ela não tem validade é uma teoria que não tem uma sustentação fora isso né dentro da história da Psicologia muitas pessoas né muitos teóricos sejam da psicanálise seja da análise do comportamento sejam das várias abordagens em psicologia teorizaram os motivos e criaram mecanismos para que as pessoas pudessem deixar a homossexualidade então Eh abstinência Eh tentativa de modelação do comportamento e aí a gente tem um um um uma enxurrada de colocações eu organizei junto com o Conselho Federal de Psicologia um livro
chamado tentativas de aniquilamento de subjetividades lgbtis E aí nesse livro A gente ouviu a história de uma moça que ela recebeu como instrução de cura né eh no caso dela cura lésbica que ela fizesse eh que ela se masturbasse vendo fotos de homens Meu Deus coitada então isso era uma Indicação né dentro dessas 33 histórias que nós ouvimos uma delas foi dessa moça lésbica que recebeu essa instrução de um e instrutor de yoga o instrutor de yoga falou Olha você consegue reverter a sua sexualidade se você começa a se masturbar vendo fotos de homens a
gente tem isso registrado nesse livro então tem uma né que é uma história que ela trouxe pra gente né nesse momento que violência fazer isso com essa mulher Pois é então tem uma uma questão que é Um pouco diferente Nesse sentido porque a gente tem uma série de práticas de cagu então é uma tentativa de remodelar o comportamento que é uma leitura né de que a homossexualidade é puro comportamento eh é uma leitura de que a homossexualidade é uma perturbação do desenvolvimento psicossocial por conta das identificações que a criança tem com o pai ou com
a mãe como eu coloquei aqui dessa teoria psicanalítica que não se Sustenta e foi uma teoria produzida na década de 60 e que vai contra inclusive eh os movimentos que Freud fez inicialmente porque o Freud foi o primeiro a declarar que não existe cura para aquilo que não é doença Ele usou essa expressão numa carta que ele escreveu a uma mãe de um jovem homossexual Quando ela pergunta pro Freud eh como eh ela conseguiria proceder então para curar o filho da sua homossexualidade E aí ele diz olha a Homossexualidade é uma variação eh né natural
da sexualidade não tem como a gente curar porque não é doença porque não é uma doença perfeita e aí isso é uma colocação tem lá a gente tem as críticas que a gente pode fazer oo Freud justamente porque eh ele também Manteve algumas questões mais conservadoras na sua obra eh principalmente em relação às questões de identidade de gênero mas a gente tem uma abertura do Freud nesse momento para Pensar que a homossexualidade não é um problema que precisa ser resolvido mas eh a partir da década de 40 principalmente eh psiquiatras que eram psicanalistas eh estadunidenses
retomaram esse processo de patologizar ou repat oliz a homossexualidade dizendo que ela era um problema eh psicopatológico a ser resolvido E aí quando né Eu falo isso como o psicólogo né que tá falando aqui também para vocês mas nesse momento eu Comecei até a a esse momento com 17 18 anos eu comecei a ter esse contato eh com essas teorias aí eu fui ler Freud eu fui ler outras teorias e outros livros e comecei a perceber o quanto por exemplo a história da Psicologia ela também é encharcada de preconceitos E aí tem eh um a
história em si é encharcada de preconceitos sim verdade concordo tem um teórico que é um psiquiatra francês chamado jorges lanter Laura ele escreve um livro chamado a leitura das Perversões ele vai dizer que boa parte da psicopatologia foi eh absorvendo preconceitos religiosos sobre a Sexualidade então eh parte de uma manutenção eh da história da Psicologia sobre algumas ideias em relação a Sexualidade vem dessa absorção de determinados valores religiosos né eh e aí a gente tem esse ponto e aí nesse movimento eu comecei a ser instruída a fazer tipo eu tenho que estar mais perto do
meu pai do que tá perto da minha mãe E aí eh naquele momento eu né completamente eh envolvido e absorvido por aquele lugar não conseguia perceber que na verdade meu pai não era uma pessoa ausente porque o meu pai como era um jardineiro ele sempre me chamava para poder eh cuidar do jardim junto com ele então eu trabalhava com meu pai desde que eu era muito pequeno tava muito próximo dele eu saía da escola e ficava com meu pai ali com 8 9 10 11 anos de idade eh trabalhando com ele trabalhando Com outros homens
e foi nesse momento que eu comecei a perceber a atração Ou seja é na presença de outros homens que eu comecei a perceber essa atração ou seja essa teoria também ela não se sustenta nem na minha vida nem em pesquisas eh científicas de fato que são robustas e que pensam a questão da sexualidade eh e eu entrei Nessa onda de que meu pai era ausente de que minha mãe era super protetora e que eu tinha que ficar mais Próximo do meu pai tinha tem que aprender a gostar de coisas de menino para então desenvolver uma
sexualidade normal essas teorias que vão falar sobre identidade e que vão misturar gênero com sexualidade né Elas também são muito próximas e muito próprias inclusive da cultura Então se o menino gosta de jogar futebol se o menino tem a voz grossa se o menino enfim encanta as meninas é é porque isso é um sinal positivo de que ele então tá tá no caminho certo então Isso também é uma coisa que a gente precisa colocar em questão como a gente estava falando antes porque existe aí eh um movimento muito forte de que os meninos são ensinados
a serem machistas sim e você sabe que você trouxe uma informação aqui só uma parte edder que é muito boa né Se isso fosse uma verdade nós não teríamos tantas mulheres Encantadas por homens gays não é verdade e quando você fala assim não você tem que encantar as mulheres cara os homens Gays Encantam as mulheres a questão tem nada a ver com a outra né sim e aí talvez seja porque né Tem uma uma história que diz né que as mulheres geralmente T um amigo ou um melhor amigo que é gay e que às vezes
fica encantada e que acontece esse processo é justamente porque elas são melhor tratadas pelos homens gays justamente porque os homens eh eh olham as mulheres os homens gays né não cer sentido eh olham elas de uma forma mais igualitária Com mais cuidado o escutam Mas independente disso é a mulher pode olhar para um para um homem gay sabendo que ele é gay fala olha ele é ele me atrai não que vai existir nada entende mas assim é ele ele me atrai porque ele é muito bonito porque ou porque ele é muito gentil ou porque ele
é muito educado porque ele é um bom amigo entende como Essas coisas essas teorias a gente não sabe por quê exatamente porque a atração é uma coisa É a atração é uma coisa que a gente não explica ela acontece exatamente né Eh e a gente né pode até encontrar uma explicação para isso a gente pode a gente tem uma explicação de porque chove então a precipitação das nuvens e tal toda aquela explicação física agora não é porque a gente sabe porque uma coisa acontece que a gente vai modificar aquele fenômeno sim não é possível a
gente modificar porque a gente sabe como ela funciona né a gente sabe que Aconteceu a gente tá entendendo que tá chovendo eu quero domar a natureza né Agora eu vou então Eh domar isso então é a mesma coisa em relação à questão da da homossexualidade eh até entender porque que uma pessoa é LGBT é um é uma questão que a gente precisa H inclusive pensar porque existe esse motivo tem uma frase do front que eu gosto bastante em que ele diz Vocês estão muito interessados tô T Parafraseando aqui do meu jeito vocês estão muito interessados
em entender porque que a homossexualidade é desenvolvida mas a gente também tem que perguntar porque que a heterosexualidade é desenvolvida Por que alguém se torna hétero que que faz você gostar do o que que faz com que alguém se torne heterossexual então eu eu gosto bastante dessa provocação do Freud Nesse sentido porque ele também pensa né Tipo olha sexualidade aqui porque vocês estão Questionando isso é porque vocês querem eh ou sustentam a ideia de que isso é um problema a ser resolvido é porque tudo tá muito baseado na questão da procriação né É E aí
tem uma eh e aí é isso né dentro da você precisa para procriar né A não ser que a ciência mude isso de gêneros opostos aqui né sim de enfim o gênero biológico feminino e um gênero biológico masculino senão você não consegue procriar você precisa de um esperma e de Uhum mas aí a gente vai se a gente for perguntar para todo mundo né a as pessoas elas não transam Porque elas estão objetivamente ou todas as vezes né Elas não transam porque elas querem procriar exatamente não mas porque isso vem né de toda uma teoria
histórica inclusive da Preservação humana as pessoas quando a gente a gente tem que voltar lá milhões de anos para trás né aonde você proc criava para aumentar né a sua prol enfim enfim a sua comunidade Você precisava né de enfim mais homens para caçar mais mulheres para cuidar mas assim isso tudo mudou então assim não existe mais essa questão de que você né vai manter uma relação sexual para procriar né hoje você consegue inclusive usar Eu acho que isso de maneira muito mais e menos eh em relação a precisamos eh preservar a espécie e mais
uma questão o seguinte tá na hora de eu procriar ou não né e não necessariamente eu preciso procriar para constituir uma Família também sim porque hoje a gente tem eh muitas possibilidades de família e aí eh existem também existe também a possibilidade eh dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres eh e existe eh o pleno direito das mulheres ou da mulher decidir não ter filhos ou então decidir adotar ar uma criança ou decidir adotar né um pet ou não decidir viver dessa forma né é a maternidade ela precisa ser uma escolha e não uma não
algo compulsório e e a Gente tá tentando criar esse movimento porque o que a gente vai percebendo também em termos de Saúde Mental é que muitas mulheres sofrem porque elas se sentem obrigadas a serem mães então então Eh eu vou recebendo como psicólogo Clínico no meu consultório vou partilhando isso com outros colegas e também ouvindo isso lendo isso através né de estudos eh de que existe uma pressão muito grande das mulheres eh sobre as mulheres na verdade sobre e a Resposta que elas vão dar sobre a questão da Maternidade ou não então tem uma idade
biológica até mais ou menos uns 40 e tantos anos assim estourando então tem uma questão eu vou ter filho eu não vou ter filho eu tenho que ter filho e às vezes as mulheres elas não conseguem ter acesso ao seu próprio desejo eu quero ter filho porque existe algo muito compulsório algo quase de uma obrigatoriedade que ainda é muito presente e isso tem uma relação né a Gente vai vendo que existem questões históricas por exemplo eh o alguns existem alguns registros históricos que mostram que os soldad Romanos né que eh o exército Espartano eles eram
formados por pessoas que tinham relações sexuais entre si que eram parceiros ali sexuais eh justamente porque isso fortalecia a maneira pela qual eles lutavam um pela vida do outro Entendi então H existe ao longo da história né Eh toda uma presença Eh de relações sexuais afetivas entre pessoas do mesmo sexo por motivos variados né a gente tem também na mitologia a gente tem outros registros sobre esse esse processo a ideia de procriação ela tá muito ligada a uma tradição judaico-cristã mas não só uma tradição judaico-cristã há uma leitura fundamentalista dessa Tradição judaico-cristã essa leitura fundamentalista
ela é uma leitura que eh imperou Principalmente nos Estados Unidos a partir da década de 1920 eh justamente porque haviam teólogos liberais principalmente na Alemanha tentando tentando dizer que eh deveria haver um espaço reservado para a igreja eh separada do estado que o estado deveria legislar a favor de todos que é a questão da laicidade né Eh e que a igreja deveria então pensar eh os seus valores para quem quisesse então Eh admitir os seus valores as suas crenças enfim e alguns teólogos e alguns algumas Pessoas se levantaram diz e disseram que não deveria haver
essa separação entre estado e igreja então esse isso é um Marco por exemplo um dos Marcos né do movimento fundamentalista da década de 1920 nos Estados Unidos então a gente tem um uma um embate muito grande sobre eh a laicidade do estado e aí eh esse valor religioso ele é um valor que vai se desenvolvendo né E que vai sendo inclusive muito presentificado nesse momento que a gente Tá vivendo eh porque a gente vive um o que uma pesquisadora uma socióloga norte-americana chama o nome dela é Melinda Cooper ela chama de no novo conservadorismo e
ela vai dizer que esse novo conservadorismo tem uma relação muito grande com o neoliberalismo que é essa nova maneira que o capitalismo se apresenta Então a gente vai pensar por exemplo num questão muito importante em que ela vai dizer que o neoliberalismo Ele quer um estado mínimo não eh para que de alguma maneira as pessoas possam ter mais liberdade Mas para que o estado esteja mais voltado às necessidades do mercado e a gente vai vendo esses embates políticos né quando o mercado né de alguma maneira eh ah cria alguma situação ou há uma declaração política
e aí tem o revés do dólar e do câmbio do mercado a gente vem né o problema da inflação a gente tem todo um processo relacionado a isso a Melinda Cooper ela vai dizer que o novo conservadorismo ele se articula com essa ideia de de neoliberalismo que é o do hiperindividualismo E que é essa ideia do estado mínimo porque e a ideia né do novo conservadorismo traz eh em si esse hiper valor da família esse hiper valor da família faz com que a responsabilidade pelo cuidado eh ou pelo nosso cuidado seja relacionado a à nossa
família a nossa Família é responsável por cuidar da gente não o estado o estado não precisa então Eh se preocupar com questões de Educação de saúde eh questões né do do da vida em comum eh ou do bem-estar Social justamente porque a família que deve cuidar das pessoas Então os idosos as pessoas mais velhas as pessoas mais necessitadas as pessoas que têm algum tipo de deficiência Então quem tem que cuidar delas não é o estado né é a família Então esse movimento né da da Dessa retórica em relação à família ele se articula com uma
certa política que quer criar um estado a favor do mercado e que não H olha pro estado como um estado de bem-estar social um estado que para cuidar das pessoas das pessoas e aí isso é um ponto por exemplo essa socióloga Melinda Cooper ela vai ver e analisar como a retórica sobre a família vai criando esse processo E aí quais são as questões que de alguma maneira eh fazem com que a gente tenha uma Adesão ao discurso a gente consegue fazer do ponto de vista psicológico uma adesão ao discurso quando quando a gente monta um
inimigo em comum se a gente eh diz que alguma coisa é um problema se a gente monta Olha o inimigo é x o inimigo é y as pessoas criam um processo de articulação Então a gente tem por exemplo alguns inimigos que são colocados dentro dessa retórica um desses inimigos é a diversidade sexual de gênero porque a diversidade sexual de Gênero inclusive os os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres eh faria com que as mulheres pudessem escolher sobre os seus corpos sobre se elas querem ou não maternidade a questão por exemplo da sexualidade que não tem
a ver com a reprodução mas com o prazer né Eh eh desconstrói num certo sentido uma certa ideia de família então eh eh esses processos eles não corroboram uma certa retórica sobre a família então isso eh esse discurso religioso que é um Discurso né que acaba eh permeando as igrejas e que vai né Eh sendo um discurso fundamentalista e que não é de todos os evangélicos nem de todos os católicos nem de todos os cristãos isso é muito importante a gente dizer eh mas essa perseguição a uma determinada população como a população lgbtq at mais
e a gente tem um dado muito importante aqui né que é um dado que o Brasil é o país que mais mata a população lgbtq mais no mundo a gente tem um problema Aqui que é o problema do discurso de ódio e esse discurso de ódio é ele cria uma perpetuação através de um espaço que é um espaço chamado de liberdade de expressão não é a minha crença é aquilo que eu acredito só que eh isso tá sendo eh colocado como um discurso de ódio e Isso está matando literalmente pessoas a gente teve É verdade
o caso da Carol well no ano passado eh se vocês pesquisam né vocês vão ver que ela tava tentando lutar ali contra a sua própria Sexualidade e ela né acabou e enfim tirando a própria vida a gente tem o caso de uma pessoa eh que também tava passando por esses processos de né cura trans nesse nesse ano a Letícia Maron que também acabou tirando a sua própria vida então a gente tem eh eh uma questão eh importante no país isso acontecendo pessoas que estão passando por esse processo estão eh não só tendo ideações Suicidas mas
estão né levando a cabo eh os processos De suicídio a gente tem um caso aqui Éder até que envolve um massacre em escola não sei se você chegou a acompanhar que aconteceu em Sapopemba em São Paulo aquele adolescente ele era uma menina trans uhum né que tinha uma ideia né de se tornar famosa nas redes sociais ela queria ser muito famosa no tiktok Uhum mas não conseguia engajamento não conseguia a fama que ela procurava e e ela fez um pouco de tudo né inclusive Eh fazia vídeos Ah enfim desde ou arrumando brigas ou apanhando aqui
na praça da Liberdade e ela capturava Aquelas imagens e colocava dentro do próprio tiktok dela chegou até o momento que ela queria tanto ir à festas que ela vai começar a vender a própria pornografia infantil dela porque menor né de 18 anos e o que que ela vai fazer ela vai performar né sexo explícito na Avenida Liberdade e esses vídeos estavam assim aos montes no no antigo Twitter Que que acontece quando ela não consegue né que é esse desejo né dessa fama né de ser essa celebridade que ela tanto desejava e vendo outras pessoas ali
até que ela conhecia né conseguindo Talvez um engajamento um crescimento ela vai parar dentro da rede mais tóxica que existe né No momento que é o discord Né dentro dessas panelas Sim e ela vai para dentro de um de uma panela bastante bastante misógina homofóbica transfóbica e e para ela ser aceita a Primeira coisa ela não pode ser uma menina trans Ah então tá bom então eu me entendo como um menino gay não também gay não pode Uhum E ela é obrigada a voltar pro gênero biológico dela e se assumir como um menino menino que
aparentemente ou fingia né ali que gostava de meninas e eles vão ensinar para ela uma maneira delas né dele agora já nesse momento ele né Eh se tornar famoso como fazendo um massacre numa escola Hum e ele aceita fazer isso uhum E é muito triste quando você vê todo esse processo né Uhum de você enfim é nitidamente uma pessoa pedindo socorro né em vários momentos ali da vida dela eh com muitas dificuldades inclusive em relação à sexualidade dela depois eh com dificuldade de entender o que que é certo ou errado né Eh a questão sabe
da das redes sociais é dessa fama do perfeito da né Parece que tudo é fácil e não é Uhum E é onde tudo acaba né porque ela é e esse rapaz é Radicalizado em TRS meses e ele vai cometer um massacre ele realmente vai tirar a vida de uma pessoa nessa escola vai atirar contra várias outras ali ele chega a ferir outras pessoas tá internado na Fundação Casa uhum Pois é e aí esse movimento se dá todo a a parte de um processo de busca por aceitação exatamente busca por aceitação E aí eu eu eu
quando vou vivendo esse processo de ceguei eu vou também tentando encontrar um processo de aceitação Porque eu tenho medo de ir pro inferno eu tenho medo da minha família descobrir e eles me expulsarem de casa isso nunca aconteceu mas eu tenho esse medo n porque vive dentro de você né porque a gente tá absorvido com esses discursos né de que isso aqui é errado isso aqui é um pecado isso aqui é um problema e E aí eu vou tentando encontrar todos esses esses movimentos né mas aí você tava contando você chegou a vir para São
Paulo aí você volta vol não deu deu Certo que nunca vai dar né gente isso até uma coisa óbvia não vai dar Uhum E mas você chegou a me dizer no começo que até naquele naquelas naqueles primeiros encontros você porque isso é uma violência psicológica né E hoje você como profissional entende bastante sobre isso mas você chegou a passar alguma violência física para poder Ah vou te curar agora sim então eu e aí eu acho que é a última parte da cura gay também né que eu tô tentando aqui super resumir Porque foram 13 anos
então tô entrando esses pontos depois disso tudo eu passo por dois psicólogos evangélicos eh um um desses psicólogos que é uma psicóloga ora por mim dentro do consultório ou seja uma mistura da religião com a psicologia então é uma questão super antiética e enfim e é um revela um problema de de Formação que a gente tem no país é um problema Educacional mesmo e aí depois nesse sentido eu vou Procurando no Google maneiras aí deixar homossexualidade cura da homossexualidade E aí eu acho um ministério Eh que que tem Niterói Rio de Janeiro São Paulo Brasília
Minas enfim eh e eu H começo a frequentar esse ministério um ministério específico não é uma igreja é um grupo de pessoas de várias igreja de várias igrejas que se reúnem para poder criar eh Então essa possibilidade caguei eles têm sete casas na época né era mais ou menos ali 2006 2007 que eu entro em contato Ah e eles têm Sete Casas espalhadas no Brasil que são casas como se fossem comunidades terapêuticas né então assim eh casas que eu falo que é um regime semiaberto E aí eu passo por esse processo sou convidado a morar
numa casa dessas e aí eu sou obrigado a contar PR os meus pais porque eles falam assim olha se você é gay é porque os seus pais contribuíram para isso de alguma forma então Eles também precisam passar por tratamento por isso Que eu falei ali atrás que os meus pais também foram vítimas da cagia E aí eu conto PR os meus pais foi um momento terrível porque eu eu não falo assim pai mãe eu sou gay ponto ó eu sou gay não quero deixar de ser encontrei um jeito de não deixar de ser e quero
a ajuda de vocês é um um nisto de coisas que eu jogo ali porque eu fui orientada a fazer isso e eles me disseram Olha se você não contar PR pros seus pais não vai ter tratamento para você e aí você teve que Contar e aí eu tive que contar e aí os meus pais também começaram a passar por um processo junto comigo então eles tinham um grupo que era o grupo de pais em que eles faziam reuniões e eles eh na época né eu saí de Nova Friburgo fui para Niterói morei 6 anos numa
dessas casas em Niterói e os meus pais saíam seis anos sim os meus pais saíam de Nova Friburgo iam para Niteroi meu pai toda todas as vezes ele nunca se deu muito bem com viagem ele passava mal nas Viagens né tipo pai acostumado com frio mais velho né Ia PR PR Niteroi que é quente né diante de Friburgo tem uma uma diferença de temperatura que é uma Região Serrana gente uma região serrana do Rio de Janeiro exatamente linda por sinal e ele sempre passava mal mas estava ali porque tenho que ajudar o meu filho e
aí eu fico que pai ausente é esse né nesse sentido incrível e aí e a minha mãe também ali junto com esse processo todo e aí a gente passou por Esse processo junto por se meses eh durante dois anos eu fui proibido de ir paraa casa dos meus pais você não viu seus pais não eu via eles nesses espaços de C gay mas eu não podia ir lá dormir na casa dos meus pais nem nada diso tipo passar dia dos pais tipo Dia das Mães Natal eu até eu podia ir lá ficar tipo um pouquinho
e sair porque tinha uma outra casa que foi inaugurada em Friburgo Então tinha que dormir nessa casa então era eu eu falo que é um Regime semiaberto né Você vai no dia dos pais no Dia das Mães você passa ali durante o dia e volta para dormir na casa da da que eu falo eu hoje eu eu falo que é a casa da cagi né então eu morei por 6 anos lá durante esse processo eh E durante do anos eu não podia dormir e nem frequentar a casa dos meus pais A não ser que a
não ser em três ocasiões Dia das Mães Dia dos Pais e Natal então eu eu eu comparo esse processo como um regime semiaberto Porque eu tinha um horário para chegar um horário para sair eu tinha que prestar conta de tudo que eu fazia eh fora daquele lugar então assim eh eu tinha que provar que eu tava trabalhando mesmo que eu tava estudando tinha que por exemplo dar o meu boletim da universidade para mostrar para eles Liberdade zero é não tinha liberdade e morando numa casa com outros LGBT tentando deixar né a homossexualidade ali e aí
as pessoas perguntavam Ah mas Vocês não se pegavam porque era um bando de lgbts dentro da mesma casa tentando deixar de ser gay e aí é uma coisa que eh poucas pessoas acreditam mas a culpa era tão grande e as pessoas estavam tão ã absorvidas com aquela ideia que não acontecia qualquer movimento sexual entre as pessoas que estavam na casa eu entendo isso mas vocês não chegavam nem a conversar para assim isso aqui não tá bom a gente Inclusive nem podia falar homossexualidade a gente falava questão h a questão H É porque não pode falar
nem a palavra homossexualidade ou gay ou qualquer coisa do gênero é é quase como é é é tudo para poder eh evitar então assim você teve algum pensamento você tem que confessar então era assim o que que acontecia na C gay nesse momento que aí primeiro é um processo espiritualista depois é um processo psicológico e depois se torna Um processo eh né de H E é um um um processo prisional Porque qualquer coisa que acontece tem que falar e assim eh eu lembro que eu que eu fiquei anos sem dar a mão em outro homem
assim meu Deus né cumprimentar Quantas pessoas tinham ali nessa naquele momento juntando todos os os espaços tinham quase 150 pessoas passando por esse processo tem um documentário chamado Pray Away h e que é um documentário na Netflix e eu tive a oportunidade de conversar com a Cristine STX que é uma que é a diretora desse documentário a gente teve uma oportunidade né convite do Consulado dos Estados Unidos e de um grupo chamado grupo arco-íris lá no Rio de Janeiro então a gente participou de um evento E aí esse documentário foi exibido e a gente conversou
um pouco sobre a realidade da cagi nos Estados Unidos e aqui no Brasil e aí estima-se que quase 700.000 pessoas passaram por esse processo só nos Estados Unidos meu Deus E aí a Cristina stol me ouvindo falar sobre a alguns processos de pesquisa que eu fui fazendo né durante esse tempo com o livro que a gente lançou pelo Conselho Federal de Psicologia a a ela falou assim eu imagino que a cura gay no Brasil deve ser muito pior e devem ter muito mais pessoas passando por esse processo do que nos Estados Unidos é um processo
de tortura eh mas deixa ele fazer uma pergunta aqui edder que deve est na cabeça dessas pessoas todas que Estão assistindo você chegou a ter contato com todas essas 150 pessoas num Retiro nos retiros de carnaval que juntava todo mundo pra gente fazer assim né e e e depois eu sei que a gente vai dar só um pulo lá pra frente depois a gente volta quando você é Você conseguiu acompanhar o que aconteceu com essas pessoas essas pessoas estão bem porque eu já tô super preocupada com essas pessoas entendeu pessoas eu mantenho contato até hoje
né Enfim e aí eu eu lembro que eu recebi uma uma proposta de uma revista para dar uma uma entrevista e aí se Vocês jogam o meu nome no Google vocês vão perceber que eu já dei entrevista né para várias mídias aqui no Brasil eh para o Lemond na França é o país mídias internacionais participei eh de uma reunião a convite da organização dos Estados americanos né na missão dos Estados Unidos para pensar o enfrentamento das terapias de reversão nos Estados Unidos porque além de ter Passado por esse processo me tornei tanto um militante quanto
um pesquisador E virei uma certa referência nesse sentido aqui no Brasil né sim e aí Hã eh uma vez uma revista me chamou e falou assim eu queria que você eh comprovasse isso tudo Eu falei assim olha eu tenho muitas pessoas que passaram que são inclusive amigos meus que que convivem comigo até hoje mas eh como que eu posso comprovar isso para vocês eu vou pedir para essas pessoas falarem e elas não Querem falar de isso porque eu assumi uma um propósito para dizer isso e eu sei que é muito difícil sim para essas pessoas
tem algumas pessoas que ainda estão né Eh com muitas dificuldades para lidar com isso tem um dos líderes da da época que de vez em quando a gente se fala e ele fala cara às vezes eu fico com muito medo de achar que isso tudo é um grande engano do diabo mas eu não consigo me livrar desse desejo Então existe eh um dano muito grande à saúde Mental das pessoas que passaram por esse processo Porque é um processo de hipervigilância eh é um processo né Eh de deação suicida é um processo eh de Muita confusão
sobre si mesmo eh é um é um processo sobre eh uma baixa autoestima muito forte eh uma dificuldade muito grande de montar e ter relacionamentos sejam eles quais forem Então a gente vai percebendo isso eu tive eh a possibilidade né de de ter feito Psicologia de ter mergulhado em terapias e e mais terapias e falo disso aí sim encontrar um processo de cura da Tortura que você viveu ex ex exatamente e e conseguir encontrar um propósito de falar sobre isso de mostrar olha no Brasil está acontecendo eh esse processo até hoje a gente precisa verificar
e cuidar desse movimento existe agora né Eh eu faço parte né de um grupo de estudos ligado à câmara dos deputados federal a câmara dos deputados federais Sobre pensar o que que a gente pode fazer em termos legais sobre esse processo né a gente tem eh algumas resoluções do Conselho Federal de Psicologia que proíbem que psicólogos tratem homossexualidade como doença só que a gente não tem algo que seja para todos né então a gente tem a resolução 001 de 99 do Conselho Federal de Psicologia eh outras resoluções do Conselho Federal de Psicologia hoje que proíbem
que psicólogos tratem a Homossexualidade as transid entidades a bissexualidade né e outras Olha você pode contar conosco viu o que você precisar e e a gente tá pensando agora através de alguns articulação de alguns mandatos eh e e conversando com alguns deputados sobre como a gente pensa uma criminalização dessas práticas Sim Isso é violência sim porque essas práticas são práticas de tortura né E aí assim eu acho que o ponto alto da da minha história no sentido daquilo que Me foi oferecido como uma prática de caguei foi uma das últimas eh ofertas depois de quase
13 anos passando por isso foi ah uma psicóloga que enfim fazia parte desse processo ela falou comigo que a gente poderia colocar alguns eletrodos na minha cabeça para dar eletrochoques você passou por eletrochoque não eu não passei por eletrochoque porque isso foi o o limite entendi né nesse sentido mas pessoas passaram então provavelmente né Provavelmente isso a gente tem na história né Eu não conheço ninguém pessoalmente que passou por esse movimento Mas eh sim no passado as mulheres que eram tidas como enfim eh ela podia est num uma questão de uma vai de uma crise
de uma tensão pré-menstrual ela era tida como uma mulher estérica ela e eles faz um sessões de eletroc sim é sim eletroconvulsoterapia a gente tem até hoje como um um recurso terapêutico que Talvez a gente precise pensar né Tem uma lógica ainda manicomial uma lóg uma lógica de prender pessoas e principalmente eh com esquizofrenia né Eh e a gente tem um movimento muito eh forte que a gente precisa fazer de de fato em prol da Saúde Mental porque saúde mental não é só aquela psicoterapia bonitinha que alguém faz mas políticas públicas SUS eh dignidade eh
uma luta contra desigualdade social porque quem tá bem em Saúde Mental Passando fome n ex não você tem toda a razão e E é isso que deveria ser o foco né gastar tempo energia e não fazendo que essas pessoas estão fazendo com essa né com essa população que é assim B é é é é um terror Éder tudo que você tá contando sabe você fica apartado da sua família essa restrição de liberdade você passou por um um processo de tortura Extrema e sabe o que é incrível eu vejo Uma pessoa na minha frente hoje doce
é engraçado que as pessoas geralmente falam isso né E aí quer dizer o que eu tô te conhecendo aqui né a gente não não conhece 100% mas uma pessoa hoje bastante equilibrada tranquila né e assim é lógico que eu acho que até o teu caminho né Tua escolha profissional também te ajuda você se aprofundou na pesquisa você tipo falar assim vou tirar as vendas dos meus olhos e chega vamos tratar essa questão né Eh com Seriedade primeiro entendendo que você não tá doente não tem doença nenhuma com você você é um homem perfeito uhum Pois
é eu acho que essa questão né Eu já Participei de outros CS e outros espaços as pessoas nossa você é muito amoroso né Eu ainda tento falar que coloco muito isso olha queria muito dizer que não são todos os evangélicos que isso é um discurso que não é sobre uma religião eh e é super importante que a gente entenda isso que a gente precisa desconstruir Esse discurso Porque existe eh uma leitura fundamentalista da Bíblia que acaba mantendo uma condenação em relação à homossexualidade mas existem teologia dias que reinterpretam a Bíblia para pensar outras possibilidades que
desconstroem esse processo né o pastor Ed hen kivitz H aqui de São Paulo pastor Henrique Vieira eh outros pastores fazem esse movimento a reverenda an ster então a gente tem né uma série de eh pessoas que estão eh mostrando através de Estudos teológicos o quanto é inconsistente essa leitura da homossexualidade como um um pecado né que bom eh e aí eh inclusive algumas palavras né algumas interpretações algumas palavras que foram traduzidas como homossexualidade não tem nenhuma referência de fato homossexualidade na Bíblia e sabe que é muito importante Eder a gente tem que trazer essas pessoas
porque é o que você falou essas pessoas são religiosas e elas entendem Que não existe problema nenhum ali sim então elas são potentes elas estão precisando ter espaço uhum inclusive para que essa voz se torne ainda mais potente para que a gente consiga desconstruir porque o que é feito uhum com com com essas pessoas gente quando a gente tá falando aqui todo mundo se compadece Nossa o crime a o crime B gente é extremamente criminoso Sim Isso é um criminos é sabe qualquer tipo quando a gente lê numa frase Violência você tem violência É porque
tem um crime né seja ela violência psicológica violência física a própria violência financeira Qualquer que seja o que você contou a sua história até agora é de extrema violência de violência com a sua família entende eh e e e assim sabe o que que eu vou te fazer uma pergunta não sei se você tem a resposta mas quando você olha para trás né todas essas pessoas que ministraram essa cura como é que você entende essas Pessoas elas acreditam naquilo de fato Ou elas fazem porque também estão sendo obrigadas a fazer aquilo eh porque eu também
já conversei com outros psicólogos sobre a questão né de crença aceita enfim fal assim Carla a gente precisa entender duas coisas né até para a gente conseguir diferenciar da pessoa que ela tá sendo uma pessoa oportunista uma vigarista é quando ela não AC it naquilo mas aquilo tá trazendo algum Benefício para ela tem outras que de fato infelizmente vão acreditar naquilo e elas também estão envolvidas por aquela crença e elas também têm muita dificuldade de se desvencilhar dessa crença Uhum Então eh algumas pesquisas vão demonstrar que existe esse misto eh algumas pessoas acreditam mesmo e
elas vão defender a aquela crença eh Porque de fato acreditam outras pessoas elas não estariam enganando elas acreditam elas acreditam outras pessoas elas eh Criam um processo de engano mesmo porque tá tendo algum benefício ã hum boa tem dentro da psicologia da religião né porque a gente tem a psicologia da religião que é eh o espaço da Psicologia que vai pensar como alguns processos religiosos vão afetando os sujeitos a a gente tem por exemplo a a concepção de religião intrínseca e extrínseca a religião intrínseca é a esse processo em que a pessoa acredita mesmo eh
e ela faz o que ela faz por uma Pura crença porque ela tá tentando cuidar e é ela tá tentando cuidar de um sofrimento cuidar de alguma coisa que pode est produzindo algum sofrimento mas a gente por exemplo tem alguma a gente tem uma questão muito importante né que a gente precisa entender e aí para fechar aqui eh que muitas pessoas elas fazem a Adesão a um processo religioso eh e elas tentam criar alguma possibilidade de Cuidar eh do sofrimento das pessoas né as pessoas geralmente fazem alguma adesão à religião Porque elas estão tentando dar
sentido à Vida tentando né cuidar de um processo de Sofrimento isso é super legítimo e muitas pessoas fazem esse movimento e isso é muito eh eh legítimo e importante para as pessoas outras pessoas usam a religião para poder eh criar processos de manipulação como eh esse movimento que a psicologia da religião chama de religião extrínseca Que é a utilização da psic da desculpa a utilização da religião para criar um certo processo de manipulação um certo processo de autopromoção né um certo processo né de influência ali então a ideia de que olha tem algumas igrejas eh
orientadas Por esse valor da religiosidade extrínseca que olha dá o seu melhor dá e o dinheiro que vai doer no seu bolso dá o seu carro enfim e aí eu acho que o que a gente tá tentando promover o que eu tento promover aqui Também com com essa especificidade da questão da cag dizer olha eh a Bíblia eh não diz necessariamente que homossexualidade é um pecado tem interpretações tem um texto bíblico aqui que foi mal colocado que foi mal traduzido existe uma ideia existe uma história que sustenta essa esse processo isso tem muitos motivos então
não tem nada de errado com você porque a diversidade sexual de gênero é algo natural assim como sentir fome e aí eu Acho que você inclusive como psicólogo pode também explicar para as pessoas por que que isso incomoda tanto alguém porque a gente a sua vida que né a sua orientação sexual não deveria incomodar ninguém porque é sua é uma questão privada particular sua o que deve incomodar alguém são as suas atitudes né se você vai fazer alguma coisa que pode ferir alguém e se você pode vai fazer alguma coisa que vai prejudicar alguém a
sua orientação Sexual não prejudica absolutamente ninguém Uhum Ela é sua E assim a gente até sabe algumas respostas mas assim é bom ouvir de um profissional primeiro porque o Eder é um profissional né é um homem gay Por que que isso incomoda tanto ainda em quase gente 2025 sim uhum então tem uma questão muito curiosa eh e tem algumas eh pesquisas E essas pesquisas elas não se Sustentaram em dizer por exemplo que elas têm alguns vieses de que as pessoas que atacam muito eh lgbts São lgbts enrustidos né Isso é uma questão eh tem algumas
pesquisas que tentaram comprovar essa hipótese só que essas pesquisas elas elas têm vieses né então ou seja ela tem elas têm problemas metodológicos de pesquisa E aí o que a gente vai percebendo por exemplo é que a gente vive num contexto social e somos seres sociais como seres sociais se nós Ouvimos repetidamente uma informação a gente vai absorver aquela informação como verdadeira E se a gente replica socialmente né Tipo olha vamos fazer uma coisa não pode eh se tá frio tem que se agasalhar porque senão você vai pegar um resfriado E aí a gente sabe
por exemplo que existe uma outra explicação para que as pessoas de alguma maneira fiquem gripadas e não porque elas não se agasalhar uhum né mas isso é algo que tá no senso comum então Todo mundo mesmo que você nem pense muito sobre isso começa a esfriar Vamos botar um agasalho aqui porque eu vou me prevenir de ficar doente agora e não porque eu tô sentindo frio né é agora é exatamente qual é a evidência científica que corrobora eh esse processo né na verdade o que acontece é que quando tá muito frio as pessoas se juntam
em espaços mais fechados em que a circulação de ar ela é menor e isso faz com que se alguém está doente há uma Propagação ali de vírus com muito mais facilidade então por isso que a ideia de que frio com gripe foi associada né é um uma correlação eh de associação E aí tem uma questão muito curiosa né quando a gente ouve homossexualidade é um problema é um pecado é uma doença é um desvio vão homossexual as crianças vão gerar esse processo aí ideologia de gênero e e se homossexual as crianças vai perverter e aí
tem essa ideia né de que a Homossexualidade é lida como eh o homossexual é um devasso que vai transar com todo mundo que vai por exemplo pegar HIV que vai pegar alguma doença Então se cria todo um Imaginário e uma monstruosidade em torno da questão da homossexualidade Então existe uma uma um um movimento né de perseguir eh homossexuais ou curar homossexuais como uma tentativa de garantir uma certa proteção Porque existe discursos de ódio e discursos preconceituosos que são eh Repetidamente colocados socialmente assim como a gente a gente diz uma coisa mais inocente de agasalha então
Eh o que que é qual é a evidência a evidência é quanto mais a gente repete uma coisa Seja ela mentira ou verdade isso influencia na maneira como as pessoas se comportam Então a gente tem que eh inclusive né trazer à luz essa questão tá do que que nós como é que nós estamos nos comunicando Isso é uma é uma informação muito boa que você traz Éder Eu concordo plenamente a gente sabe disso eh porque você cria uma narrativa sai espalhando essa narrativa que não tem nenhuma comprovação se é verdadeira ou falsa até porque quando
a gente vai falar né da promiscuidade como se homens e mulheres hétero não fossem promíscuos né E como se quando a gente vai encontrar inclusive dentro da questão dos agressores né dos predadores sexuais eles são na sua maioria hétero uhum sim E aí é um dado que é chocante mas que a gente né o povo Tenta botar para debaixo do tapete para ver se ninguém presta muita atenção e a gente joga na conta do outro para ver se fica tudo bem mas quando você entende que o maior número de pessoas que sofre violência sexual no
nosso país são crianças de 0 a 12 anos dentro das suas casas é 84% uma estatística mais específica avô tio primo meninos e meninas uhum olha o que A gente tá vendo né e eu espero meu Deus que né aquele aquele juiz maravilhoso que tem tudo né para para dar esse grande veredito em relação aos irmãos Menendes que foram dois homens que sofreram abusos Absurdos abusos sexuais horrorosos na mão do pai uhum cometeram um crime horrendo também Uhum mas nunca foram vistos como vítimas somente como agressores sim e olha a que ponto tudo Isso chegou
então eles precisavam ser calados e silenciados uhum por quê Porque só quem sofre violência é gay né entende o que eu tô te falando olha que loucura que loucura Opa desculpa caiu meu negócio aqui com raiva desse ass tem vontade de bater n pess mas é é muito mais fácil a gente por exemplo eh para esconder uma determinada realidade a gente aponta para alguma coisa que eh não tem nada a ver com aquilo a gente Vai falar por exemplo da população trans que a população trans vai abusar das crianças por conta da questão da democratização
do uso dos banheiros e aí a gente cria o que a gente chama de pânico moral e isso circula para que dados como esse para que esse esse processo não acabe sendo observado e acabe sendo entre aspas até naturalizado sim mas é de novo a gente tá lidando aqui com uma questão Éder do silenciamento masculino Uhum que entende Como a gente vive numa sociedade completamente doente é o que você falou mas nós estamos a gente lida com pessoas com é um nível de adoecimento mental muito grande uhum Porque um pai que comete uma atrocidade dessas
com um filho ou uma filha e o próprio estado de alguma forma não faz muita coisa né porque o que que uma criança né como é que uma criança vai conseguir falar se o porto seguro dela é a própria casa dela Uhum E Que não tem nada a ver com a orientação sexual que ele vai ter ali na frente veja mesmo de novo trazendo até o caso dos irmãos Menendes Eles foram abusados pelo pai e a orientação sexual deles é diferente uhum eles acabaram até dentro do próprio sistema penitenciário eles casaram com mulheres eles entendem
que eles gostam de mulheres e não de homens apesar de todo o horror que viveram na mão daquele pai porque uma coisa não tem nada a ver com a outra sim não tem uma Causalidade né é e é importante a gente passar isso pras pessoas uhum porque até quando né a gente vai viver porque é é é um é muito triste quando você conta toda a história do horror que você passou na sua vida e é um horror e assim e bonitinho você tentando né achar que o problema era você tinha um problema então você
foi sozinho ali com as suas perninhas ali falou tentar resolver uhum o quanto você precisava ser cuidado Uhum E você e outras Crianças todos os espaços de cuidado que eu tentei encontrar foram espaços que produziram danos exatamente mas é sobre isso essas crianças precisam ser cuidadas porque elas não têm nada elas sofrem do preconceito e é assim de novo o a gente precisa parar para pensar porque sabe se isso te incomoda tanto você precisa realmente de terapia não é porque a terapia a gente a cura pela palavra né Principalmente Aquele que tá disposto a enfrentar
uma terapia você as pessoas precisam muito fazer terapia entendeu Pois é a gente tem um problema muito grande né de acesso as pessoas a esse processo da psicoterapia porque o que acontece Esse é um trabalho longo não é necessariamente um trabalho curto eh né é um trabalho que varia dem E aí a gente tá por exemplo a gente tem uma questão muito importante porque a gente tem uma desvalorização dos Profissionais de psicologia e de psiquiatria no SUS então principalmente psicólogos né a gente tá lutando agora a categoria por 30 horas eh e por um um
um piso salarial a gente não tem um piso salarial não então eh a gente vê por exemplo eh algumas prefeituras oferecendo eh um salário para psicólogos abaixo do salário mínimo Oi sim E aí eh os psicólogos eles acabam não indo né porque não vão ganhar nem o o salário mínimo e aí tem uma falta muito grande De profissionais de psicologia no SUS Ah e a gente tem né um movimento dos psicólogos né formando seus próprios consultórios particulares Ou seja a gente acaba elitizado o acesso aos processos de psicoterapia eh e muitas vezes o discurso é
que que os psicólogos precisam abrir mão dos seus privilégios como se ganhar eh eh de uma forma justa pelo seu trabalho fosse um privilégio Então a gente tem um Problema aqui que é um problema não só de Formação né que a gente tá dizendo mas é um problema também de acesso a a a esse espaço e a gente precisa né de da presença de psicólogos bem treinados eh que trabalham com psicologia base de fato em evidências não em crenças em achismos eh no sistema público de saúde para eh cuidar de determinadas coisas eu tenho para
fechar Tenho um colega que trabalha eh no sistema público de saúde da Inglaterra ele terminou o doutorado dele na universidade de Oxford e ele enfim Eles são muito bem treinados lá é claro que a realidade é super diferente não dá para comparar por uma série de questões inclusive porque né boa parte da história da Inglaterra foi a partir de processos de exploração mas eh ele por exemplo recebeu um jovem um tempo atrás e em que o jovem ele tava ele fez uma tentativa de suicídio porque sofria buling justamente por ser LGBT Dentro da escola e
aí o psicólogo teve né poder por conta de todo o o o processo em que a a saúde mental é valorizada de dizer olha Eh de convocar a polícia e pedir pra polícia e uma posição da escola e e a escola expulsou os bolinadas desse menino por conta dessa tentativa de suicídio que esse garoto sofreu Entendi então a gente por exemplo precisa avançar muito no Brasil em termos eh de valorização do profissional de Psicologia de psiquiatria eh para que a gente possa de fato ter uma valorização profissional eh no sistema público de saúde pra gente
poder cuidar de de questões que a gente não tem como cuidar né Eu não trabalho né Eu trabalho no consultório particular eh trabalho como pesquisador eh porque eu não consigo trabalhar no SUS justamente porque eu não consigo receber do SUS eh o dinheiro Digno para sobreviver e não isso está errado né É E aí não é que eu não queira Né Eu adoraria poder trabalhar no SUS fazer pesquisa pelo SUS criar uma rede de articulação aqui eh eu tô até pensando montar um grupo convocar chamar as redes sociais falar olha gente queria ouvir as pessoas
que passaram pelo processo da cura gay fazer um movimento altruísta só que a gente precisa lembrar que psicologia é Ciência e profissão que muitas vezes é lida e tomada como um movimento altruísta como uma conversa em que alguém vai dar um conselho para Outra pessoa não criar um trabalho de promoção de saúde mental Então eu acho que a eh a minha história de danos também me alerta para pensar a questão da formação em psicologia e de como a formação em psicologia muitas vezes ela sofre um processo de de prejuízo porque a gente tem né uma
série de eh questões equivocadas dentro da própria história da Psicologia como eu coloquei e que muitas vezes a gente Ainda não passou por um processo de revisão justamente porque os professores ganham mal né os psicólogos ganham mal então a gente tem um problema de Formação então só quem tem muito eh muitos acessos ou recursos é que conseguem ter uma boa formação só que essas pessoas né para poder inclusive compensar o dinheiro que elas gastam com esse processo elas vão trabalhar eh né de forma particular e não no SUS porque o SUS não abre essa possibilidade
Então A gente tem um problema estrutural sim e isso é muito ruim porque é uma a sociedade precisa né Principalmente quando a gente tá falando da sociedade Nossa de pessoas carentes vulneráveis que precisam eles precisam do trabalho de vocês eu acho que a questão de saúde mental eh ela é muito importante e é gravíssimo quando a gente entende que pouco está sendo feito não pelos profissionais mas em termos de políticas de estado sabe não é política de governo Políticas de estado uhum até porque a gente quando tá aqui nesse universo né do da área de
investigação criminal né do do jornalismo que trabalha de forma séria nós entendemos que muitas questões vão se tornar questões de Segurança Pública Mas elas nasceram aqui na questão de saúde mental sim e que por que que isso aqui chegou aqui porque nada foi feito aqui uhum entende o problema o nascedouro tá aqui tá aqui como nada é feito isso aqui Veio parar desse outro lado e e quando a gente olha mesmo para essa quantidade de crimes né Uhum é em relação a sabe crimes de ódio tudo tá aqui ó sim e a E essas pessoas
se não forem paradas vão se tornar criminosas uhum sim e a gente precisa de um processo de psicoeducação mesmo exatamente poder gente vai enfiar todo mundo na penitenciária é é e é isso a gente precisa de um processo de psicoeducação porque o que motiva muitos dos crimes de Ódio são os discursos de ódio e os discursos de ódio muitas vezes né Eh disfarçados de liberdade de expressão Então a gente tem um problema que a gente precisa enfrentar e esse problema a gente não consegue enfrentar eh se não houver eh uma luta por políticas públicas Sim
Isso é importantíssimo luta por política pública valorização da questão da Saúde Mental eu olha a gente né que tem lidado muito com questão de jovens né Agressores Uhum eu nunca vi tanto jovem com problemas sérios de saúde mental são os mais diversos e nitidamente esses jovens estão pedindo socorro Uhum E o socorro não chega e eles vão vão acabar se envolvendo em coisas gravíssimas uhum e é muito triste você ver pessoas tão novas começando a sua vida né jovem dentro do sistema prisional porque ah ah fundação casa né Fundação Casa gente é é o sistema
prisional pro jovem infrator assim como o Manicômio exatamente ele tá Lá ele não pode sair ele não tem acesso à rede social ele não tem acesso a pai e mãe ele tá né enfim é o sistema sócio educativo é o sistema prisional e não é bom uhum né não é bom então assim mas por quê Porque a gente tá cheio de preconceito discursos de ódio e ess esses jovens infelizmente vivem né dentro fora outras questões né porque quando você vai esses grupos de ódio edder gostam muito de pessoas com outras vulnerabilidades né sim é mentais
E aí é Você pega aquela pessoa que já tem uma vulnerabilidade joga né enfia alhe um discurso de ódio ele vira cara uhum uma arma de destruição sim e aí né para finalizar nesse esse ponto como a gente não tem políticas públicas de saúde mental baseadas de fato em evidências e de um cuidado integral com sujeitos O que resta para as pessoas é procurar espaços religiosos né como as igrejas eh que muitas vezes são fundamentalistas e que continuam reproduzindo esses Discursos de ódio e que faz com que isso se torne uma grande Bola de Neve
né então porque as igrejas fazem um trabalho eh de tentar cuidar e dar um sentido para determinados Sofrimentos meu querido você volta outras vezes quando você tiver em São Paulo e a gente chama também para fazer algumas participações mesmo no rio porque tem muitos casos que envolvem né a gente tá lidando com questões graves de Saúde Mental é o que eu te falei Infelizmente algumas pessoas vão acabar né se tornando criminosas porque nada foi feito lá atrás eu acho que quanto mais a gente mostrar isso também a gente mostra a necessidade de termos a valorização
da Saúde Mental e assim não tô dizendo que a as outras áreas da da vamos dizer né da saúde não sejam importantes a gente tem que combater problemas enfim né cardiológicos né que são gravíssimos no nosso país enfim aí tem diabetes colesterol alto a obesidade Mas a gente também precisa combater essas questões né né ou não é combater ajudar na verdade né tratar cuidar é é as pessoas estão precisando de cuidados né e assim e não é só o que você falou né É é é o tratamento é longo uhum não é uma coisa eu
vou te dar um remedinho você toma aqui né Essa Novalgina você toma três dias e daqui a pouco acabou você tá livre né você vai ter que fazer aquilo em se tratando de um transtorno é aí é é período é longo também porque né A gente nasce com eles a gente consegue equilibrá-los mas você não se cura de um transtorno né não né tem a gente tem processos de cuidado que a gente vai desenvolvendo e estratégias de cuidado que a gente vai desenvolvendo ao longo do processo Inclusive a gente precisa eh desmistificar a ideia de
transtornos mentais também e isso é é um outro papo você volta volto adorei te conhecer tá bom também sou encantadora encantadora assim é a tua história e você pretende Fazer um livro da tua história também então tem uma parte escrita nesse livro né o tentativas mas eu tenho eu escrevi um pouco na minha monografia de graduação e eu preciso retomar isso é um projeto né mas não mas olha merece um livro merece a gente chegou num momento filosófico aqui temos cinco perguntas para você escolher uma e responder pra gente você escolhe e e responde por
favor então eu vou escolher Aqui do meio para ser democrático é possível conceber uma sociedade completamente não violenta Ah deixa eu pensar aqui com vocês uma diferença entre violência e agressividade para poder pensar a questão da não violência eu acho que eh agressividade é algo que nos constitui a gente precisa criar movimento de estabelecer limite com um pro outro com o outro a gente precisa num certo sentido e reformular a ideia Do que a gente concebe como raiva né porque a gente precisa entender o que que as pessoas estão entendendo como violência né e e
muitas vezes a violência ela não é entendida como violência violência é quando existe uma maneira de lidar com uma determinada questão e em que você aniquila o outro seja subjetivamente seja fisicamente seja em outros sentidos e muitas vezes existe ali uma tentativa né de lidar com algo que está criando um incômodo e que As pessoas acabam não conseguindo fazer isso por uma via eh pacífica porque ou não tem esses recursos ou eh enfim não teve essas possibilidades eu não sei se a gente consegue eh pensar numa sociedade completamente não violenta Porque tem uma parte dessa
violência que ela é interessante para determinados grupos que se mantém em projetos de poder Então eu acho que a a violência ela nos constitui num certo sentido Quando eh ela envolve determinados projetos de poder eh agora né Eu queria com essa pergunta fazer essa diferenciação entre agressividade que é uma gana de poder mostrar incômodos dificuldades né eu me sinto agressivo aqui no sentido de Olha eu tô aqui lutando contra cura gay isso é o posicionamento firme né e eu posso fazer isso de uma maneira firme sem ser violenta sem dizer Tipo olha Igreja Evangélica não
presta os pastores Não prestam O cristianismo não presta não eles são muito importantes e eles produzem muito sentido de vida para muita gente mas existem discursos de ódio que permeiam esses lugares assim como em outros lugares a gente precisa cuidar disso muito bom então essa esse processo que talvez a gente precise pensar eu não sei se a gente consegue chegar numa sociedade não violenta A não ser que a gente repense determinados espaços de poder e de Privilégio que Talvez is só só sejam repensados assim num certo limite mesmo muito bom Éder eu amei te conhecer
você é uma pessoa incrível parabéns pelo trabalho que você tá fazendo Parabéns por esse Cuidado com essas pessoas Eu quero ler esse livro que você escreveu em conjunto ali agora tô super preocupada quero saber dessas outras pessoas que conviveram com El algumas Estão bem estão felizes estão viajando fiz a que bom que bom que bom tentando que não que não existe gente Não existe cagi ponto tá porque né existe tortura né existe violência e assim seja feliz com a sua orientação sexual isso é coisa mais importante é E aí uma última coisa né que eu
cheguei a falar assim não olha não existe nada de errado com você não existe nada de errado com seus desejos com a forma como a sua sexualidade a sua identidade sexual sua identidade de gênero ela é Concebida ela é algo natural não é escolhido é algo que a gente se dá conta E a gente pode olhar para isso como algo natural e Celebrar esse processo para poder criar um processo de auto porque isso de fato promove saúde mental e qualquer outro processo além desse só vai criar danos à saúde mental muito bom conversamos com essa
pessoa incrível hoje aqui o Éder Belo e a gente espera vocês na próxima semana com mais um pode ser