Olá, nessa aula vamos abordar dois sistemas fundamentais para a compreensão da asma: o trato respiratório e o sistema imunológico. O trato respiratório pode ser dividido anatomicamente em via aérea superior e inferior. A via aérea superior compreende a cavidade nasal, faringe e laringe.
Já a via aérea inferior compreende traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéulos. O ar chega aos pulmões através das fossas nasais ou da boca, atravessa a faringe, a laringe, a traqueia e os brônquios. Os brônquios se ramificam a partir do hilo e cada ramo penetra num pulmão.
No interior de cada pulmão, os brônquios voltam a se ramificar. Estabelecendo ligações com os diversos segmentos pulmonares. Os ramos brônquicos se ramificam até estruturas menores chamadas de bronquíolos, que continuam a se ramificar até formarem os bronquíolos respiratórios, dos quais provém condutos alveolares.
Estes se abrem em dilatações chamadas sáculos alveolares, formados pelos alvéulos pulmonares, local onde finalmente se processa a troca gasosa. Os pulmões estão localizados na caixa torácica, à direita e à esquerda do mediastino, e eles não são perfeitamente iguais. O pulmão direito é maior e é dividido por duas incisuras em três partes chamadas lobos.
o lobo superior, o médio e o inferior. Já o esquerdo apresenta apenas uma incisura, formando dois lobos, um superior e outro inferior. Internamente, o tecido pulmonar contém uma extensa rede de capilares que envolve os alvéolos, permitindo o contato íntimo entre o ar inspirado e o sangue.
Já externamente, cada pulmão é revestido por uma membrana transparente que chamamos de pleura. Ela é formada por dois folhetos separados por um espaço virtualmente nulo. No sistema respiratório, especialmente nos pulmões, os receptores adrensticos e colinérsticos exercem papéis fundamentais na regulação do tônus brônquico, na secreção glandular e na resposta inflamatória.
Eles, inclusive, são alvos farmacológicos importantes no tratamento de doenças respiratórias, como na asma e na doença pulmonar obstrutiva crônica, a DPOC. Dos receptores adrenérgicos, destacamos os receptores beta2. Eles estão localizados no músculo liso das vias aéreas, no epitélio brônquico e em mastócitos.
Eles promovem broncodilatação pela ativação da via da adenilatociclase e aumento de AMP cíclico intracelular. também inibem a liberação de mediadores inflamatórios por mastócitos e reduzem a permeabilidade vascular e a secreção de muco. Por essas características, você já imagina que eles são os principais alvos dos medicamentos da classe dos beta2 agonistas no tratamento da asma e da POC.
Temos também os receptores alfa 1 adrenico, que apesar de terem menor relevância terapêutica em doenças respiratórias, eles são importantes, pois estão localizados nos vasos sanguíneos pulmonares e induzem a vasoconstrição. Dos receptores colinérgicos ou muscarínicos, destacamos os receptores M3. Eles estão localizados no músculo liso brônquico e glândulas submucosas e quando ativados induzem a broncoconstrição e a hipersecreção de muco por meio do aumento do cálcio intracelular.
São os principais alvos dos medicamentos anticolinérgicos utilizados no tratamento da DPOC e em alguns casos da asma. Os receptores M2 localizados nas terminações nervosas colinérgicas pré-sinápticas exercem autoinibição, ou seja, eles reduzem a liberação adicional de acetilcolina. Dessa forma, eles regulam negativamente o estímulo colinérgico, porém eles podem estar disfuncionais em alguns processos inflamatórios.
Já os receptores M1 se localizam nos glândulos parassimpáticos das vias aéreas e facilitam essa neurotransmissão colinérstica. Sua ativação amplifica a resposta vagal, contribuindo indiretamente para a broncoconstrição. O sistema respiratório pode ser representado simplificadamente por uma grande membrana em que de um lado existe o ar atmosférico e do outro sangue.
Através dessa membrana ocorrem as trocas gasosas, a principal função do sistema respiratório, que se dão por meio de três processos integrados: ventilação, perfusão e difusão. A ventilação pulmonar é o mecanismo responsável pela condução do ar atmosférico até os alvéolos pulmonares. Já a perfusão alveolar é o processo no qual o sangue proveniente do coração é direcionado aos capilares que envolvem esses alvéolos.
E a difusão é o processo de troca gasosa em si. É fundamental que haja um equilíbrio entre ventilação e perfusão para que as trocas gasosas sejam eficientes. Vamos olhar com mais detalhe cada um desses processos.
Começando pela ventilação pulmonar, que tem duas etapas. A primeira é a inspiração, processo ativo da ventilação, em que o ar é conduzido para o interior dos pulmões. Ocorre principalmente pela contração do diafragma e dos músculos intercostais externos.
Isso aumenta o volume da cavidade torácica, reduz a pressão intrapulmonar e permite a entrada de ar nos alvéos. A segunda é a expiração, processo geralmente passivo no qual o armões para o meio externo. Resulta do relaxamento do diafragma e dos músculos respiratórios, que reduz o volume torácico e aumenta a pressão intrapulmonar, culminando na saída do ar dos pulmões.
Em situações de esforço, a expiração torna-se ativa, envolvendo outros músculos, como os intercostais externos e abdominais. A perfusão alveolar refere-se ao fluxo sanguíneo que chega aos pulmões para ser oxigenado. O sangue venoso, pobre em oxigênio chega no pulmão por meio da artéria pulmonar proveniente lá do ventrículo direito do coração.
A artéria pulmonar se ramifica em arteríulas que, por sua vez, se ramifica em capilares, que envolvem os alvéolos pulmonares onde ocorre a troca gasosa. Por fim, temos a difusão. Ocorre a difusão das moléculas de oxigênio dos alvéulos para o sangue e das moléculas de dióxido de carbono do sangue para os alvéolos através da membrana alvéulocapilar.
O sangue oxigenado é recolhido pelas vênulas que convergem nas veias pulmonares, chegam até o átrio esquerdo, passam para o ventrículo esquerdo, na horta é distribuída para o corpo. Relembramos aqui os principais aspectos da anatomia e fisiologia do trato respiratório. Vamos agora relembrar o sistema imune.
O sistema imune é essencial para a defesa contra patógenos, mas também está envolvido nos mecanismos de inflamação crônica que são observados na asma. Temos dois tipos de imunidade, a inata e a adaptativa. A imunidade inata é a primeira linha de defesa do organismo contra agentes estranhos.
Apresenta uma resposta super rápida, porém inespecífica. Vamos relembrar as principais células da imunidade nata. As células dendríticas, elas capturam o antígeno e os apresentam para os linfócitos T, ativando assim a resposta adaptativa.
Temos também macrófagos e monócitos que fagocitam microrganismos e liberam citocinas inflamatórias. Temos os neutrófilos que também realizam fagocitose e são os primeiros a migrar pro local de infecção. Temos ainda as células natural killer ou células NK que destróem células infectadas e tumorais.
Há ainda mastócitos e basófilos que liberam mediadores inflamatórios como a estamina. Temos ainda o sistema complemento, que é um conjunto de proteínas plasmáticas que atuam em cascata, compondo uma parte essencial do sistema imuneinato. Seu principal papel é reconhecer, opçonizar e destruir microorganismos, modulando a resposta inflamatória.
Ele também participa da ponte entre a imunidade inata e a adaptativa, favorecendo esse processo de apresentação de antígenos e ativação de linfócitos. Já a imunidade adaptativa é uma resposta extremamente específica e com memória imunológica. Ela é ativada após o reconhecimento de antígenos.
Ela é coordenada majoritariamente pelos linfócitos. Vamos relembrá-los. Temos os linfócitos B, que produzem anticorpos como IGM, IGG, IGA, IGD e IGE.
E os plasmócitos, que são células B diferenciad que secretam esses anticorpos. Temos ainda as células de memória que permitem a resposta rápida em exposições futuras. Os linfócitos TCD4 coordenam a resposta imune e podem ser do subtipo TH1 ou TH2.
O TH1 coordena a resposta celular contra vírus e bactérias intracelulares. Já o TH2 coordena a resposta alérgica, contraparasitos e a ativação de usinófilos. Já o TCD8 induz a morte das células alvo por mecanismos citotóxicos, ou seja, eles destróem células infectadas e alteradas.
Os linfócitos T exercem um papel central na fisiopatologia da asma, atuando como verdadeiros orquestradores da resposta imuneadaptativa, que leva à inflamação crônica das vias aéreas. Há uma ativação predominante dos linfócitos TCD4 do tipo 2, os TH2, que secretam citocinas que estimulam diferentes mecanismos de imunidade e inflamação. Como exemplo, podemos citar a interleucina tipo 4, que induz a troca de classe de Igfócitos B.
Os linfócitos B, ao serem ativados por antígenos sobre a influência da interleucina 4, passam a produzir IGE. A IGS liga receptores na superfície de mastócitos e basófilos, sensibilizando essas células. Numa exposição futura a esses antígenos, a ligação cruzada da IGE com o antígeno leva à degranulação dos mastóstos, com liberação de mediadores inflamatórios, como a estamina, prostaglandina e leucotrieno, que juntos promovem broncoconstrição, edema da mucosa e aumento da secreção de muco.
Temos também a interleucina 13, que contribui para hiperresponsividade brônquica e pela produção de muco. A interleucina 5 promove diferenciação, recrutamento e ativação de usinófilos. Esse desequilíbrio da resposta imune adaptativa com esse predomínio da ação dos linfócitos TH2 é um dos mecanismos principais fisiopatológicos da asma, especialmente nas formas atópicas.
Ele culmina em uma resposta exagerada das vias aéreas a estímulos causando broncoconstrição, produção de muco e remodelamento das vias aéreas. Bom, compreender a fisiologia do sistema respiratório e os fundamentos da imunidade é essencial para entender porque na asma o organismo reage de forma desregulada a estímulos geralmente inofensivos, desencadeando um processo inflamatório que culmina na obstrução das vias aéreas. Até mais e bons estudos.