A gente vai entrevistar agora com muita satisfação o deputado federal Quim Cataguini, que está ao vivo conosco. Deputado, bom dia. Primeiramente, desculpa aqui o atraso.
Parabéns pelo trabalho. Obrigado pela disponibilidade. E eu queria perguntar, já começando a entrevista sobre o Mendonça, à frente da relatoria do caso Banco Master.
Que que você acha disso, deputado? Mais uma vez, obrigado. Bom dia.
>> Bom dia. Obrigado pelo convite. Eh, primeiro falar do ponto positivo, né?
O ponto positivo é que acho que é a primeira vez que eu vejo o Supremo pelo menos fingindo que tem vergonha na cara, né? Porque eh antes era tudo descarado, né? Olha, sabemos que tem suspeita, sabemos que tem ministro envolvido, mas a gente vai deixar o mesmo ministro até o final e não interessa, né?
Então, pelo menos o constrangimento do Tof tá tão diretamente envolvido, fez com que houvesse pressão para que a Suprema Corte tirasse a relatoria dele, né? Acho que eh o ponto positivo é mostrar, olha, os ministros, né, são eh eh o constrangimento da opinião popular tem peso, né, apesar de, e eu tenho dito isso há há algum tempo, da pressão popular ser muito pequena frente a ao tamanho do escândalo, né, em qualquer país sério, qualquer país civilizado, né, um país estaria absolutamente parado, né, enquanto os envolvidos, no caso do Banco Master, não fossem presos, né, infelizmente O Brasil tá parado por outra razão, pelo carnaval, e não para trazer decência, né, paraa nossa política e paraa nossa justiça. Eh, esse é o ponto positivo.
O ponto negativo é que como se tratou de um acordão ali entre todos os ministros do Supremo e há ministros do Supremo envolvidos, a gente tem notícia de dois pelo menos, né, do Tofol e do caso do Alexandre de Moraes com a sua mulher, mas eu não tenho dúvida de que isso pode chegar em outros ministros. Isso deixa a gente cético sobre eh mudança nos rumos da investigação. A Polícia Federal claramente sabe que o Supremo não quer julgar, o Supremo não quer prender, que a Procuradoriagal da República não quer denunciar.
Então ela tá vazando elementos da operação, né, como o próprio caso do resort do Tofle, contando com a pressão popular por fazer a mesma coisa da época da Lava-Jato. Na época da Lava-Jato também Supremo não queria julgar ninguém, PGR não queria denunciar ninguém. foi por pressão popular que eles se viram pressionados, né?
Manifestações gigantescas na Praça dos Se poderes, na Avenida Paulista, em todo o Brasil, que eles se viram obrigados, mesmo o Congresso Nacional se viu obrigado a agir ali a época eh do impeachment quando ninguém queria mover uma palha. Então, eh não vai ter mudança de rumos, não vai ter mudança na investigação se não tiver grande pressão popular. E infelizmente eu não tô vendo isso acontecer por enquanto.
>> É, e essa manifestação que eu acabei de comentar, essa última também, essa caminhada, essas manifestações aí encabeçadas pelo deputado Nicolas Ferreira, eu comentei há pouco, eu acho muito genérica essas pautas, a gente não tem especificamente uma agenda formada de reivindicação. Que que você acha disso, deputado Cataguiri? >> Eu concordo com você, né?
E lembro até que na época do impeachment, eh, boa parte da imprensa tentava retratar, principalmente, a primeira manifestação ali dia 15 de março de 2015 como manifestações contra a corrupção. Quando era manifestação pelo impeachman, não era genericamente contra corrupção mesmo, porque uma manifestação contra corrupção é a mesma coisa que uma manifestação pela paz mundial, né? Quem que é a favor da corrupção?
Nem o Renan Calheiros vai falar que ele é a favor da corrupção. Então, eh, manifestação genérica não adianta de nada, né? Eh, a gente vê que tanto o Nicolas, né, o Nicolas ele ainda disfarça bem melhor, né, eh, em pelo menos falar agora sobre Tofoli, né, eh, durante todo esse período em que ele ficou calado, pelo menos ele começou a falar agora.
Agora, quando a gente vai falar de Flávio Bolsonaro, quando a gente vai falar de Tarcísio de Freitas, é um silêncio assim sepulcral, né? E mesmo que o Nicolas fale do Tofre Alexandre de Moraes, ele não fala do Zé, ele não fala de doações milionárias pro Bolsonaro, ele não fala de doações milionárias pro Tarcísio, ele não fala de Lagoinha. Então, se você não tem o compromisso, ele não fala de Ciro Nogueira, né, que é um dos principais aliados ali na chapa do Flávio Bolsonaro e é o melhor amigo político do Vorcaro.
Então, se você não tem, é, claramente não existe uma verdadeira disposição de fazer com que todo mundo envolvido no caso seja preso mesmo, porque se todo mundo no caso for preso, bolsonaristas serão presos e isso não é do interesse do clã. Então, infelizmente, eu também vejo como uma convocação da boca para fora, vazia, inócua, da mesma maneira como ele fez uma caminhada, que fez, gerou grande mobilização em rede social pro público bolsonarista e na prática aconteceu exatamente o que a gente disse que ia acontecer. Nada, né?
>> Ô deputado, o ministro da eh cidadania, né? ministro da cidadania, Ronaldo Bento. Ronaldo Vieira Bento.
Ele foi o ministro que sucedeu o João Roma, que então saiu candidato pelo PL ao governo aqui do nosso estado. Esse mesmo ministro Ronaldo Bento Vieira é um dos diretores do Banco Voer, o banco pleno que é de propriedade do Augusto Lima também está investigado, está sendo investigado pela Polícia Federal. E lembrando que o Lima foi preso pela Polícia Federal na primeira fase da operação do master, a compliance zero.
O que que você acha do silêncio de grande parte até da eh da mídia? Que ninguém fala isso, com exceção da de nós aqui da Rádio Brado. Você acha que isso que que você acha do do silêncio?
E a segunda pergunta, você acha que isso deve ser investigado? Porque você tem um um sujeito que hoje dirige um banco sem nenhuma experiência no mercado financeiro, eh nunca esteve ligado a esse negócio e e foi ministro da cidadania. Tem outras denúncias também de alguns sites menores sobre o Credita no no Ministério da Cidadania nessa época da gestão Bolsonaro.
Você acha que isso deveria ser investigado a fundo, deputado? >> Com certeza. Bom, eh, houve uso, né, público ali do Credesta em programas sociais, eh, a época do governo Bolsonaro.
Ninguém tá falando sobre isso. Ninguém tá falando, eh, eh, na grande imprensa sobre Augusto Lima, sobre o negócio que houve a época eh eh de Jaques Wagner eh na Secretaria de Governo de Rui Costa. E a gente não pode se esquecer das quatro reuniões do Palácio e do Planalto eh do Vorcaro, né?
eh eh que uma só o Lula admite que foi com ele e outras três dizem que foi com Marcola. Marcola, para quem não sabe, é um assessor eh do Lula, mas é um assessor que não trata de assuntos políticos. Ele é um cara que fala de agenda, né?
Ah, o Lula vai ter tal coisa, tal horário. E eh ele ele exerce uma função meramente burocrática ali, né? Não existe reunião eh eh com Marcola, né?
Para falar sobre sobre assuntos políticos. No Palácio do Planalto você tem três possibilidades, né? O que que tem dentro do palácio?
Tem a Secretaria de Relações Institucionais, a Grazy Hoffman, tem o Lula, né, e tem o Rui Costa, tem a Casa Civil, né? Eh, então essas outras três reuniões não foram com Marcola ou foi com Rui, que eu suspeito que ele tenha participado, se não de todas maioria dessas reuniões, eh eh ou com o Lula ou com inglês e Roff, né? Não existe outra possibilidade, não tem mais ninguém para eles falarem dentro do Palácio e do Planalto, né?
E esse, essa na minha avaliação é o link, porque lá atrás, né, compram o que vem a se tornar o crédito sexta por, salvo engano, R$ 15 milhõesais e convertem, né, isso numa participação do Banco Master de 20 30%, né, transformam magicamente R 15 milhõesais em bilhões de reais e depois o no que depois curiosamente se torna um negócio muito lucrativo de crédito consignado. primeiro com um decreto do Rui Costa lá atrás e que possibilitou, né, o sequestro da folha de pagamento de vários servidores com praticamente um monopólio eh eh que depois foi dado ao Banco Master, como outros governos estaduais também que possuem esse decreto e e daí vários fundos de pensão também que tem investimento, seja no Banco Master, seja em bancos envolvidos. Então essa questão do Augusto Lima liga ministros, liga o governo Bolsonaro da mesma maneira como liga o governo Lula, né?
Eh, eh, o Augusto Lima, ele é um nome que, que é a participação na sociedade do Banco Master, tanto de representantes do PT, do governo Lula, com a ciência do Lula, com a participação de Jaques Wagner, com a participação de Rui Costa e também eh eh com participação de, como você colocou, ex-ministro do governo Bolsonaro e até onde eu tenho notícia, já antes na gestão do próprio João Roma, você já tinha o uso do crédito de Cesta para programas sociais do governo Bolsonaro, né? Esse é o principal elo político do Palácio do Planalto e mais uma vez eh é é mais um assunto, é mais um braço que ninguém fala sobre. >> Pouquíssimas pessoas falam sobre.
Inclusive eu até questiono a imprensa local. O ex-ministro deu entrevista para um radialista famosíssimo por de todo mundo conhece o Zé Eduardo, né? E eu não tô falando nenhuma mentira, todo mundo sabe que ele é alinhado ao governo, ao PT e tudo mais.
João Roma deu entrevista lá e não foi perguntado, deputado, uma vírgula sobre o Banco Master. Não tô nem dizendo de especificar a relação dele com o master, mas de comentar o caso do banco master como um todo, até para falar do Jackwagner, porque a oposição, a oposição usa isso aí para falar do PT, tem que falar também, mas nem isso. Silêncio total, são 8:51, estamos ao vivo com o deputado federal Kim Catagui deputado, você trabalha para sua reeleição pelo partido missão.
Vai ser difícil? Vai ser fácil? Vai repetir a mesma?
Você está na terceira legislatura, deputado? Na segunda, >> segunda, segunda, >> segunda. Que como é que você vê aí agora entrando no missão sendo candidato a deputado federal pelo novo partido?
>> É, eu ainda não defini e eu tenho dito isso, que a gente vai definir se eu disputo a reeleição ou se eu disputo o governo do estado de São Paulo em junho desse ano, né? E quando a gente vai ter todas as definições pré-convenção, mas eu eu tô bastante otimista com essa eleição pro partido missão de maneira geral, né? Acho que e o Renan vai ter um desempenho surpreendente.
Acho que a escolha do Flávio Bolsonaro no campo bolsonarista foi o pior possível pro campo bolsonarista e o melhor possível pro PT, né? O que vai levar também, e eu acho que esse é o nosso principal argumento na eleição, entregar a direita pro Flávio Bolsonaro é entregar a reeleição do Lula. A gente só tem alguma esperança de derrotar o Lula se no segundo turno o candidato da direita não for o Flávio Bolsonaro.
Se for o Flávio Bolsonaro, esquece, ele vai ser moído, ele vai ser retrocidado, né? Não tem ninguém que esteja mais interessado na candidatura do Flávio e assim isso eu convivo todos os dias com petistas bolsonaristas e o centrão e a esquerda comemora a candidatura do Flávio Bolsonaro e os bolsonaristas lamentam nos bastidores. É que ninguém tem coragem de falar porque >> deputado, descul, desculpa te interrompir, eu falei há pouco, não sei se você ouviu, o Lula não diz nada sobre o Flávio.
Impressionante. >> Claro, claro. Ele vai deixar para dizer depois que não puder mais voltar atrás da candidatura, né?
Depois que não der tempo de substituir o Flávio por ninguém. Porque se ele destruir o Flávio agora, vai ficar muito claro, né, que ele não tem a menor condição de disputar a eleição, né? Ele precisa deixar para depois.
Eh, então nos bastidores, os próprios bolsonaristas falam: "Puta, escolheram o pior, né? " E os esquerdistas falam: "Não, isso é festa, né? Entregaram pra gente a reeleição".
Então, isso tá muito claro, né? Eh, eh, nem a esquerda fala isso publicamente porque não interessa, só vai interessar depois que acontecerem as convenções. E os bolsonaristas nunca vão admitir o que eles admitiram nos bastidores, porque, né, eles são, eles têm esse, esse servilismo, né, eh, ao Bolsonaro, que qualquer pequena crítica que eles fazem, eles já têm medo de serem cancelados dentro do bolsonarismo e darem espaço na fila para outro bolsonarista do seu estado ganhar a vaga de deputado federal.
Eh, então esse esse cenário, na minha avaliação, tá claro. O desempenho surpreendente do Renan vai ajudar a ter votos de legenda. Historicamente, né, quem tem candidato à presidência da República reverte parte dos votos do candidato a presidente para as chapas eh eh deputado federal em 30 35%.
O que só de voto de legenda acho que garante que a gente faça a bancada sem contar o voto, os próprios votos dos nomes, né, que vão disputar as eleições pelo partido. Então eu pessoalmente tô tô bastante otimista. Acho que a gente vai vir com bastante força e o fato de ter chapas em todos os estados com voto de legenda vindo do presidente da República vai fortalecer bastante o partido.
A Késia Reis, vai lá, Késia, >> deputado Fonão, que já foi chamado até de deputado estrangeiro. Sabiam disso? >> Por que que fun?
>> Porque ele só dá entrevista com fone testemunha. Sacanagem [risadas] também >> é uma resenha. Respeito a ao deputado federal aqui em Cagre, [risadas] rapaz.
Já que ela é do MBL, então ela fala, né? Diga aí. Ai, eu queria falar um pouquinho sobre alguns projetos seus, né, que para você explicar pra nossa audiência aqui da Bahia, que acredito eu que infelizmente não conhece muito bem o seu trabalho.
Eu vi que você apresentou para aumentar o teto do MEI para 150. 000, não é isso? E também vi que você apresentou para que eh suspender o auxílio reclusão de pessoas que são condenadas por tráfico ilícitos de drogas.
E além disso, como eu tinha puxado aqui sobre essa questão dos ministros do STF, falei que a gente precisa de uma nova constituinte. Acredito que uma das principais pessoas do MBL que fala a respeito disso é o senhor, né? Vou chamar de senhor agora.
Então, seria bom se você pudesse explicar um pouquinho. >> Perfeito. Bom, eh, a questão do MEI é muito simples, né?
Nunca houve correção sequer pela inflação, o que corroeu, né? limitou muito a possibilidade de pessoas ingressarem no meio e também a possibilidade de eh hoje e muitos me pedem, né, eh programadores que também não se enquadram ali independentemente do seu faturamento no ME. A gente sabe que o MEI na realidade hoje eh ele ele em sua grande maioria é uma substituição, né, da CLT.
que a CLT fracassou, né? Eh, eh, não, não, não tá compatível com o mercado de trabalho. Isso faz com que a maior parte dos prestadores de serviço sejam contratados via PJ, até porque eles próprios querem pagar menos sobre a sua própria folha e, por isso escolhem eh eh Ciss, né?
Eh, então é é uma correção pela inflação, porque você teve uma corrosão do poder de compra e essa corrosão não foi correspondida ali pelo pelo teto de faturamento do ME. Outro ponto sobre assusão, na realidade, assim, eu apresentei ainda na primeira legislatura o fim do auxílio reclusão, né? Mas como a maior parte dos meus colegas são frouxos e e não tem coragem de votar, né, eh, um projeto que acaba com auxílio reclusclusão, eu apresentei um modulado agora, né, eh eh que são para casos específicos, que precisa de determinados requisitos para ver se a gente consegue alguma chance de fazer esse projeto eh andar nesse ponto, principalmente em relação a a tráfico de drogas, né?
E sobre o Supremo, que é uma das questões mais importantes, né? Eh, isso é uma coisa que eu porque eu defendo há muito tempo que a gente tire o Supremo Tribunal Federal do Poder Judiciário, que o Supremo Tribunal Federal não tenha poder de julgar casos concretos, que ele não seja instância recursal, que o Supremo julgue apenas leis, porque isso já restringiria assim 80% do poder de abuso do Supremo, porque se ele não julga ninguém, ele já não tem poder de perseguir ninguém. se ele é uma corte constitucional autônoma, ele vai cumprir o seu papel de proteger a Constituição.
E aí eh eh a última instância a gente pode, seja ter uma corte de cassação, como a gente tem na França, seja deixar pro próprio STJ, eh o fato é que a gente precisa ter essa separação, porque o Brasil é o único país e isso dá muitos poderes pro Supremo, que concentra dois tipos de controle de constitucionalidade no Supremo. Supremo pode, como, né, do direito anglossaxão, como eh nos Estados Unidos, no Common, como eh também acontece no Japão, como também acontece na Inglaterra, pegar a partir de um caso concreto, né, ele julga uma lei, né? Então, um caso recente absurdo e que tenho visto pouca repercussão, o Supremo tá tá tá discutindo a descriminalização do porte de cocaína, né?
Eh, esse é um caso concreto. Esse é um recurso da Defensoria em que o Supremo vai estabelecer que é inconstitucional você criminalizar a porte de cocaína para uso pessoal, né, que é uma decisão bizarra, né? Não tem nenhuma inconstitucionalidade em você criminalizar isso.
Pelo contrário, você vai ver as as discussões na constituinte de 88, todo constituinte, não existia nenhum que tivesse dito que estava colocando um texto na Constituição para permitir porte de droga. o contrário, todos unanimemente da esquerda à direita defendiam que tivesse esse endurecimento, né? Eh, então eles podem, né, declarar uma lei inconstitucional ali e e também com caso com efeito contra todos ergaises, né, ali todos o o poder judiciário fica vinculado, toda a administração pública fica vinculada, obrigada a cumprir aquela decisão a partir de um caso concreto, que é esse é o modelo eh eh principalmente norte-americano, né?
Eh, o outro modelo que é o modelo eh do direito alemão, que é o controle por meio de uma provocação direta pro Supremo, né, que é o que mais acontece, principalmente por parte do pessool e da rede, né, eles perdem no Congresso Nacional, eles acionam diretamente o Supremo sem precisar de um caso concreto, julga, o Supremo, julga a lei em abstrato. [risadas] Eh, não existe nenhum outro país que o Supremo concentre os dois poderes de julgar constitucionalidade, tanto com o caso concreto, tanto eh eh com num caso abstrato. Então, quando eu falo de tirar o o Supremo do judiciário, eh, alguns ministros podem me acusar de ser um golpista autoritário, né, que quer que quer fechar o Supremo, mas eu eu eles teriam dificuldades de argumentar, porque esse é o modelo que funciona em praticamente toda a Europa, né?
E eu não imagino que todos os países europeus sejam autoritários e que o Brasil seja uma democracia superior a todos os países da Europa. Então, eh essa é uma discussão que com certeza eh eh eu traria numa Assembleia eh Nacional Constituinte e que colocaria um freio em boa parte do poder de abuso que o Supremo tem hoje. >> Deputados, são 9 horas em ponto.
Estamos conversando com o deputado federal Kim Cataguiri. Deputado, vocês voltaram do recio, se não me engano, semana passada, né, o recesso parlamentar. Como é que estão nos bastidores?
Eu não sei que que você ouve a respeito do candidato partido à missão, Renan Santos. Eu tenho ouvido aqui nos bastidores da Bahia, na classe política, muitas pessoas já me disseram que ele vai passar todos os outros candidatos aí, como Caiado, Ratinho Júnior e a gente que não é da torcida, gente da política que eh claramente afirma que o Renan tem um um discurso disruptivo, ele é desprendido e é o único candidato que está fazendo discurso de direita. Até o Flávio Bolsonaro tá tá querendo aparecer como um moderado e e o Renan crescerá muito por causa disso.
O que que você acha? Que que você tem ouvido da performance do Renan Santos como pré-candidato a presidente? >> É sobre sobre superar ex-governadores.
É a mesma coisa que eu escuto aqui, tanto de bolsonarista como de petista, como do centrão, né? Eh, como os governadores eh sujeitaram o seu capital político ao Bolsonaro, né? e tem um candidato com sobrenome Bolsonaro, o Flávio toma praticamente todos os votos dos governadores.
Não é o caso do Renan, né? Nós temos e sempre tivemos um discurso independente. Nós não dependemos de Bolsonaro para nada, o que significa que ele tem liberdade, né, para falar e ter um discurso abertamente de direita.
Eh, eu acho que sempre existe essa ilusão do centrão que por vezes seduz, como tá seduzindo o Flávio Bolsonaro, de que olha, a população quer equilíbrio, a população quer moderação, a população quer diálogo, pelo contrário, a população quer ir pro pau, porque tá vendo que a classe política é profundamente corrupta, que a gente vive num país doente, que a gente vive o império da barbárie e que por isso nós precisamos de uma pessoa que tenha um discurso radical, porque o nosso país precisa mudar radicalmente, né? Ninguém sai na rua batendo no peito, fazendo, olha, manifestação por mais equilíbrio. Eu quero que o meu meu político seja mais equilíbrio, não existe isso.
Pessoas querem que que corrupto vá paraa cadeia, as pessoas querem que o bandido morra, né? Eh, eh, não existe essa essa grande militância de centro, né? Como eles fazem parecer.
E e o próprio Flávio, como você colocou, tentando parecer moderado, mas na minha avaliação, quando o Flávio tenta parecer moderado, ele só mostra que é frouxo e burro. Eh, ele [risadas] diz que voltou atrás, né? Eh, eh, já defendeu pena de morte, não defende mais.
já defendeu prisão perpétua, não defende mais porque ele acha que independentemente do crime toda pessoa tem chance de ressocialização. Você me desculpa, a gente viu um caso grotesco que até eh eh eu tenho nojo físico de falar ou de lembrar ou de imaginar do estupro coletivo de uma criança, né? Ele realmente acha que quem participa de um estupro coletivo de uma criança tem chance de ressocialização.
E digo mais, pode até ter chance, vamos dar o benefício, né? Vamos ser muito generoso e partir da premissa de que uma pessoa dessas tem recuperação e pode voltar pra sociedade como uma pessoa civilizada. Essa pessoa merece ter essa chance.
Quem participa de um estúprio coletivo merece ter a chance de ressocializar, merece ter a chance de buscar uma de buscar uma profissão e se tornar um cidadão decente. Não merece sequer ter essa chance. Eu não acho que seja capaz de se ressocializar, mas ainda que fosse capaz, não mereceria, né?
não teria esse direito. E aí o Flávio, nessa tentativa de parecer moderado, falou: "Olha, então realmente o estuprador tem outra chance". Segundo o discurso do Flávio, né?
Uma pessoa que tortura uma outra pessoa que coloca um traficante, um membro do PCC, que coloca uma pessoa dentro de um monte de pneu, joga gasolina, coloca fogo e joga morro abaixo. Esse sujeito tem e chance de ressocializar. Com certeza um chefe de uma facção criminosa, ele é preso e ele repensa os crimes que ele cometeu.
Ele fica [risadas] na cadeia como como uma criança, fica no cantinho da obediência. É óbvio que isso é ridículo, né, quando você eh eh e se a gente tivesse, né, também é porque ele também só dá entrevista para paraa imprensa amiga dele, né? Eh eh ele ele não tem coragem de de conceder eh uma entrevista para qualquer veículo que tem alguma chance de dar alguma alfinetada ali nele, né?
Então se alguém explorasse um mínimo, né? o mínimo, não tô nem falando com profundidade, mas assim, raspasse um pouquinho dessa superfície do Flávio, já mostraria o ridículo do discurso, como eu acabei de colocar para vocês. Eh, então, voltando pro pro início, acho que o que eu escuto sim é de que o Renan vai ter um desempenho maior do que qualquer governador que dispute, porque todos os governadores fizeram seu capital político de refém do bolsonarismo, com exceção do Eduardo Leite, mas o Eduardo Leite não fez o seu capital político de refém do bolsonarismo, mas também não tem capital político nenhum, porque ele tem o voto da direita, el não tem o voto da esquerda.
Ele conseguiu desagradar todo mundo, né? Agora ele tá criticando o desfile ali da Acadêmicos de Niterói em relação ao Lula, mas ele queria mandar R$ 2 milhões deais para uma escola de samba que ia homenagear o Rio Grande do Sul e só não mandou porque foi pressionado pela oposição petista do seu estado. E essa mesma oposição petista que criticou o desfile do Eduardo Leite tá aplaudindo o desfile do Lula.
Então assim, a nossa política é uma grande desgraça. Eh, eh, eh, mas, mas voltando pra sua pergunta inicial, eu escuto a mesma coisa de que ele tem um discurso que reverbera, que é disruptivo, que tem grande chances de crescimento e de que o desempenho dele com certeza vai ser maior do que qualquer ex-governador. >> Carol Barbalho.
Vamos lá. Bom dia, deputado. Um prazer recebê-lo aqui.
Eh, minha pergunta, minhas perguntas, na verdade, são no sentido assim, o MBL, a maioria das críticas, né, em relação ao MBL, eh, faz parte aí da questão do liberal, né, e, e a partir do da criação do missão, eu tenho visto um posicionamento mais bem menos liberal dos senhores, né, assim, em relação a até os projetos de lei do senhor. Eu venho falando aqui há há muito tempo sobre a questão da suspensão aí da da pensão socioafetiva, né, que eh foi aí um projeto de lei. Eh, então e até o próprio posicionamento do RINAN.
Eh, o senhor acha que há esse amadurecimento assim em relação do do movimento ali partindo da desde o iniciozinho ali daquelas manifestações e agora com o partido Missão o negócio tem sido mais firme, menos liberal, mais conservador até, né? mais bem mais bem menos liberal mesmo. E no sentido assim, eu estava falando há pouco tempo sobre a BNES, né, das manifestações, não só das convocadas pelo MBL, mas também das convocadas pelo Nicolas Ferreira.
O senhor acha que há a possibilidade da participação do MBL na do Nicolas e ambas aí se se ajudarem, né? Porque eu acho que é benéfico seria benéfico para o Brasil no sentido geral que essas manifestações sejam eh bem volumosas. Então o MBL apoiando o Nicolas e o Nicolas também fazendo esse movimento.
Senhor acha que existe essa possibilidade? >> Bom, primeiro ponto, eh, a maior parte das nossas visões econômicas continuam sendo liberais. Eh, primeiro, eu acho que tem uma confusão, eh, de boa parte das pessoas que não conhecem a doutrina liberal de confundir liberalismo com libertarianismo, né?
Eh, o liberalismo ele acredita, né, principalmente, é óbvio que existem dentro do do próprio liberalismo existem liberalismos diferentes, né, escolas diferentes. Eh, mas ainda assim tem diferenças fundamentais, né? O liberalismo ele não é antiestado, pelo contrário, o liberalismo acredita que só existe capitalismo eh com o estado, né, garantindo os contratos e garantindo a propriedade privada e que eh políticas de de eh em que o Estado induz o desenvolvimento eh em determinados setores não são antiliberais, como o próprio eh Milton Friedman eh eh defendia subsídios setoriais desde que, né, eles fossem temporários, desde que eles tivessem critérios de desempenho, desde que eles fossem para desenvolver, né, uma um setor estratégico eh eh que esse setor com o objetivo de tornar esse setor competitivo independente, muito diferente da política que nós temos hoje.
Agora, é o que eu disse, é a maior parte, né? Não, não são todas as visões. Há outras visões mais conservadoras e e a visão ideológica do MBL acho que amadureceu muito com a formação do partido, porque foi a primeira vez que a gente chamou especialistas do país inteiro, alinhados com aquilo que a gente acredita para discutir o que tem de melhor no mundo e compilar isso no nosso livro amarelo e nas políticas públicas divididas ali no livro amarelo de saúde, educação, defesa, infraestrutura e por aí vai, que essa é outra diferença fundamental que a gente tem pro bolsonarismo.
O bolsonarismo acredita no Bolsonaro. Nós temos propostas e a partir um dos a partir do momento que um dos nossos membros se desvia dessas propostas, não tem mais porque ele ser o nosso membro, independentemente de quem seja. Eh, sobre manifestação, eh, eu não vejo possibilidade nem de Nicolas apoiando a nossa manifestação, nem da gente apoiar a manifestação do Nicolas.
Primeiro, porque nossa manifestação efetivamente é contra o escândalo do Banco Master e pedindo a prisão de todos os envolvidos, seja eh eh participação do PT, né, dentro desse escândalo, seja do Supremo, seja de bolsonaristas, né, e a manifestação do Nicolas não vai ter eh eh essa mesma independência de pedir a prisão de todos. E além disso, né, na minha visão, não será uma manifestação contra o Banco Master, será um palanque eh eh pro Nicolas dar o seu discurso eh eleitoral e, portanto, não terá efeitos, né, eh sobre escândalo ou sobre decisão nenhuma. Então essa possibilidade não existe.
Eu discordo da sua visão de que, digamos assim, se tivesse um um acordo de apoio mútuo das manifestações, isso seria benéfico. Primeiro que eu não vejo eu não vejo compatibilidade com as reivindicações de um lado e de outro. >> Perfeito.
São 9:10. Deputado, eu não sei como é que você tá de horário. Só queria fazer mais uma pergunta, se possível.
Como é que você avalia o bolsonarismo? Porque a gente elegeu o Bolsonaro, eu votei no Bolsonaro em 2018, votei nele em 2022 já assim porque já tava meio revoltado. Mas vendo as eleições de 2024, essa última, a gente tá vendo, pelo menos do meu ponto de vista, o derretimento do movimento bolsonarista.
Os principais, digamos assim, cérebros do movimento já saíram há muito tempo e os que permanecem, entre aspas, estão em silêncio. Você acha que depois dessa eleição o bolsonarismo terá a tampa do caixão? Que que você acha?
>> Eu acho que sim, porque o Flávio em qualquer cenário perde, né? seja por não ir pro segundo turno, seja por perder no segundo turno. E com o Flávio perdendo, eh, eu não vejo nem ninguém com sobrenome Bolsonaro sequer conseguindo legenda com algum partido eh eh para disputar eleições presidenciais.
Tanto que por que que o Bolsonaro escolheu Flávio Bolsonaro, ainda que seja para perder, ainda que seja o pior nome dentro do bolsonarismo, menos viável? Porque ele sabe que se ele desse uma bênção pro Tarcísio, se ele desse a bção pro Caiado, se ele desse a bênção pro Ratinho, no outro dia, na eleição, Bolsonaro seria um não assunto. A, ele perderia completamente a sua influência.
E pior ainda, se um desses nomes vencesse a presidência da República, eles esquecem, eles iam ignorar completamente o Bolsonaro na cadeia. eh no outro dia, no primeiro dia de mandato, passou a faixa presidencial e esqueceu completamente. Então, ele sabe que a única maneira dele manter alguma influência política no cenário é lançando o Flávio, ainda que seja um candidato para ser derrotado.
E desconfio que até na cabeça do próprio Jair, o Flávio seja um candidato eh para ser derrotado, né? Inclusive, eu vou trazer uma coisa de de bastidor para você. Eh, eu conheço há alguns anos, né, eh, um amigo que trabalhou na campanha do Flávio Bolsonaro paraa prefeitura do Rio de Janeiro, né?
E antes daquele episódio em que o Flávio passou mal, né, eh, tava tendo uma discussão entre o Flávio e o Jair sobre pedido de doação de campanha pro Flávio, né? E aí o Jair, segundo esse meu, esse meu amigo testemunhou, teria dito o seguinte: "Ó, você cala a boca, eu não vou pedir doação, você só tem mandato por minha causa, o seu mandato é meu e você não pode vencer a prefeitura que se você fizer um governo de merda, você vai atrapalhar minha eleição para presidente. " Então, [risadas] assim, é dessa maneira que ele trata os filhos e que ele trata o seu capital político, né?
Eh, então, eh, eh, eh, eu acho sinceramente que existe sim um enfraquecimento. Nós mesmos do MBL podemos falar por sentir a nossa própria pele, né? Em 2022, 2022 foi a nossa pior eleição desde que a gente começou em 2016, eh porque nós eh eh batemos tanto no Bolsonaro como no Lula.
Eh, 2024 foi a nossa melhor eleição, batendo no Bolsonaro e batendo no Lula. Ou seja, muito mais pessoas na direita enxergam as contradições, a traição e a frostidão do Bolsonaro do que em 2022. Em 2026, eu não tenho a menor dúvida de que esse número só cresceu, de que esse número só aumentou.
Eu não encontro mais ninguém na rua ou mesmo nos nossos eventos eh eh que diga: "Olha, não apoiava o Bolsonaro, passei a apoiar agora". A gente só vê o movimento inverso. E eh não existe uma pessoa que se um novo bolsonarista, existem novos ex-bolsonaristas.
Então, eh eh justamente por isso que eu concordo com a sua avaliação. Não, não acho também que seja o caixão, seja o fim, mas um enfraquecimento que leva a a irrelevância em eleições presidenciais, não necessariamente ao Senado, a governos e futuramente a prefeituras, mas uma uma admissão uma diminuição grande na sua influência. >> Deputado, queria agradecer a sua participação.
Deus te abençoe. Parabéns pelo trabalho. Muito obrigado.
>> Amém. Obrigado. Sempre contem comigo aí.
Muito bom trabalho para vocês.