Módulo 9 Aula 5 Vamos falar sobre dois tipos de avaliação. Nós já discutimos alguns tipos de avaliação que são usadas em terapias baseadas em ABA. Então a gente já falou de avaliação de preferências, avaliação de comportamento desafiador, e agora nós vamos falar sobre avaliação ambiental ou ecológica e avaliação baseada em auto-monitoramento.
Na avaliação ambiental ou ecológica, se reconhece os interrelacionamentos complexos que existem entre ambiente e comportamento. A gente deve coletar, numa avaliação ambiental ou ecológica, informações sobre a criança e os vários ambientes em que ela vive. Então, aqui nós vamos levantar um conjunto de variáveis maiores.
A gente providencia muitos dados que são dados descritivos, não são dados quantitativos, sobre condições fisiológicas da criança, aspectos físicos do ambiente que podem de alguma maneira interagir ou se interrelacionar com o comportamento. Por exemplo, a luz do ambiente, a iluminação, ruídos, o mobiliário que tem nesse ambiente, o conforto térmico desse ambiente — se esse ambiente é muito quente, é muito frio, é ventilado, não é ventilado. A gente também pode coletar informações sobre as interações desse cliente com outras pessoas em locais diferentes, por exemplo, como o ambiente doméstico, a casa, né?
E também alguns aspectos sobre a história prévia de reforçamento de alguns comportamentos do cliente. Então, eu vou coletar dados, às vezes um pouco dispersos, bastante diferentes, pra me ajudar a levantar hipóteses que ajudem a explicar o comportamento de alguém ou ajudem a explicar a modificação no comportamento de alguém. A maior utilidade desse tipo de avaliação ambiental ou ecológica está em identificar comportamentos desafiadores que precisam de intervenção mais urgente e também nos ajuda a encontrar formas de reduzir esses comportamentos desafiadores.
Geralmente, nesse tipo de avaliação, a quantidade de dados descritivos pode distrair a gente do propósito principal, que é observar o comportamento e tentar encontrar relação entre esses comportamentos e variáveis ambientais. Esse tipo de avaliação é especialmente útil quando a gente tem poucos dados ou a gente não conseguiu ainda, a partir dos dados que nós coletamos, identificar variáveis importantes que estão relacionadas ao comportamento desafiador em alguns contextos. A gente sabe que algumas crianças e indivíduos com TEA têm hipo ou hipersensibilidade a estímulos ambientais.
Podem ter dificuldades com barulhos muito altos ou mesmo barulhos baixos, várias pessoas falando ao mesmo tempo, algumas texturas, alguns tipos de sensações táteis — por exemplo, também etiqueta de roupa, um elástico da bermuda. Então, são esses tipos de estimulações ambientais que algumas vezes vão entrar e vão requerer uma avaliação ambiental ou ecológica. No entanto, ao fazer esse tipo de avaliação, é importante determinar a quantidade de informação necessária para chegar a alguma conclusão.
Eu posso simplesmente ir coletando dado, coletando dado, coletando dado, e depois não conseguir analisar esses dados e chegar a alguma conclusão. Então, esse tipo de avaliação é muito útil para discriminar situações em que a intervenção planejada tem o potencial de afetar outros comportamentos, além do comportamento desafiador. Às vezes eu vou planejar uma intervenção para comportamento desafiador, mas eu devo avaliar se essa intervenção também vai ter efeito sobre outros comportamentos, por exemplo, impedindo esse cliente de interagir socialmente com outras pessoas naquele ambiente, de participar de atividades planejadas para o grupo.
Então, eu devo utilizar esse tipo de avaliação ambiental para avaliar o impacto de uma intervenção sobre outros comportamentos ou sobre o acesso a ambientes de interação social, e também ajuda a discriminar uma intervenção que é potencialmente eficaz. A gente sabe, por exemplo, pela literatura, pelos dados de pesquisa, que algumas intervenções são mais eficazes para alguns comportamentos com algumas funções específicas. Mas essa avaliação ajuda a gente a identificar se essa intervenção, for aplicada ao comportamento em contexto — em algum contexto específico — pode ser que ela não funcione por causa de variáveis ecológicas.
Quando a intervenção é aplicada em contextos isolados ou a um comportamento isolado, ela pode funcionar bem. Mas, por meio de uma avaliação ecológica, eu posso identificar que essa intervenção não vai funcionar bem na escola, por exemplo, porque outras pessoas vão estar ali presentes, eu posso ter dificuldade em orientar como essas pessoas vão reagir diante do comportamento do cliente. Então, a avaliação ecológica ajuda a gente a definir se essa é uma boa intervenção ou não para aquele contexto social, ambiental, onde a intervenção vai ocorrer.
Às vezes, a gente começa a intervenção num contexto e planeja a generalização para outro contexto. E a avaliação ecológica ou ambiental vai ajudar a gente a definir se isso deve ser feito e como deve ser feito. Às vezes, a gente modifica esse novo ambiente para garantir que a intervenção vai, sim, surtir efeito, ser eficaz nesse novo ambiente.