[Música] sempre fui a pessoa que observa mais do que participa como se fosse uma espectadora da minha própria vida havia algo de cauteloso e distante em meu jeito de ser uma tendência a ficar nas sombras longe da Luz intensa que brilhava sobre os outros às vezes me perguntava se eu era feita para viver de maneira tão suavemente apagada mas ao mesmo tempo me sentia confortável nesse espaço quieto onde as emoções e as cores não eram tão intensas era como se minha vida inteira tivesse sido escrita com lápis em tons suaves sem grandes pinceladas de cor
uma paleta Mansa sem grandes contrastes ou rupturas tudo parecia lento arrastado sem uma necessidade real de se apressar desde pequena eu era a menina tímida da sala aquela que preferia um canto silencioso enquanto as outras crianças corriam e gritavam eu me via em um tipo de bolha imersa em um mundo silencioso em que meu olhar passava mais tempo apurando o que acontecia ao meu redor do que participando dele ativamente lembro de me encantar com o movimento das Folhas nas árvores ou com os detalhes de um livro ao passo que o caos e a animação da
vida social pareciam como algo distante e incompreensível para mim isso se Manteve na adolescência onde as ruas barulhentas e as festas cheias de Risadas me pareciam cenários inatingíveis eu não era daquelas que se jogavam nas Aventuras coletivas mas sim daquelas que que buscavam tranquilidade em seus próprios pensamentos nunca gostei de baladas de Multidões ou de barulhos que me forçassem a gritar para ser ouvida preferia estar em casa lendo um livro ou assistindo a um filme antigo aqueles em preto e branco onde os dramas se desdobravam lentamente em um ritmo calmo e seguro Enquanto o mundo
do lado de fora seguia seu curso Frenético eu me encontrava mais à vontade na minha bolha introspectiva minhas amigas sempre me descreveram como alguém certinha eu nunca tinha certeza de como me sentia em relação a isso não que eu achasse isso um problema mas às vezes me sentia como se estivesse presa a uma imagem que os outros haviam criado para mim como se minha vida fosse um conjunto de expectativas e eu estivesse apenas cumprindo o papel que me foi designado mas mesmo que esse comportamento fosse parte de mim havia algo dentro de mim que desejava
mais algo que eu não sabia definir algo que ainda não havia se manifestado por completo namorei apenas uma vez com João e se é que se pode chamar isso de namoro já que nunca fomos ao último passo e nossa relação foi tão previsível quanto o resto da minha vida a cada passo a cada troca de palavras era como se estivéssemos seguindo um roteiro já escrito não havia paixão nem urgência apenas a sensação de que estávamos simplesmente ali sem maiores emoções ou complicações era como se estivéssemos cumprindo um script quando terminamos foi quase um alívio não
porque houvesse ressentimento mas porque algo dentro de mim finalmente reconheceu que aquilo não era suficiente eu não sabia o que estava buscando Mas a sensação de que algo faltava como uma peça que nunca se encaixava era persistente Talvez o que faltasse fosse a cor a intensidade algo que trouxesse mais vida a essa rotina monótona mas ainda não sabia o que fazer com essa inquietação silenciosa que morava dentro de mim aquela sensação de que havia algo mais mas que ainda não tinha sido encontrado então veio aquela noite Carla e Mariana Minhas amigas mais próximas apareceram com
um convite uma festa de funk no centro da cidade eu ri na cara delas era o último lugar onde alguém como eu deveria estar Mas elas insistiram tanto com aquele brilho de excitação nos olhos que comecei a ceder talvez pensei sair da minha zona de conforto pudesse ser bom quando chegamos à festa senti como se tivesse entrado em outro universo a música Era ensurdecedora o chão vibrava sob os meus pés e as luzes piscavam em um ritmo que parecia sincronizado com as batidas do meu coração o lugar estava lotado corpos suados se moviam como ondas
em um fluxo constante de energia o cheiro de álcool suor e algo doce e indefinido pairava no ar criando uma mistura que era de algum modo intoxicante no início Fiquei em um canto observando esse era meu lugar natural a margem Carla e Mariana por outro lado já estavam completamente Integradas a multidão dançando e rindo como se fossem parte de algo maior fiquei ali segurando um copo de bebida que elas haviam me entregado tentando não parecer deslocada depois de algumas doses comecei a me sentir diferente era como se o barulho ao meu redor tivesse parado de
ser uma ameaça e se tornado Parte de Mim a música antes agressiva agora parecia pulsar dentro de mim guiando meus movimentos E então Aconteceu algo que nunca imaginei Comecei a dançar no começo de forma tímida mexendo os ombros e Balançando os quadris mas com o passar do tempo a timidez foi se dissolvendo meu corpo ganhou vida própria e pela primeira vez eu estava verdadeiramente presente no momento foi quando o vi ele era alto de pele morena com olhos que pareciam carregar uma chama algo intenso e hipnotizante Lucas não sei como mas ele me encontrou na
multidão quando nossos olhares se cruzaram senti como se o tempo tivesse parado por um segundo ele se aproximou confiante com aquele tipo de charme que parece natural sem esforço Oi Qual o seu nome ele perguntou e eu demorei um instante para responder minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia mas ele sorriu como se tivesse gostado da minha timidez Conversamos por um tempo e mesmo sem perceber fui me aproximando dele atraída por sua energia ele me fazia rir mas mais do que isso ele me fazia sentir quando ele segurou minha cintura e me puxou
para mais perto meu coração disparou eu não sabia como reagir mas naquele momento minha mente ficou em silêncio ele me beijou e foi como se o chão tivesse sumido sob meus pés era intenso urgente algo que eu nunca tinha experimentado antes ao menos não dessa forma eu estava completamente perdida nele no toque de suas mãos no sabor dos seus lábios Carla e Mariana ficaram chocadas elas me olhavam de longe com os olhos arregalados como se não it assem no que estavam vendo nem eu acreditava depois de algum tempo minhas amigas decidiram que era hora de
ir embora elas estavam cansadas e tínhamos combinado de voltar juntas quando elas vieram me chamar eu estava dividida entre o dever e o desejo Lucas no entanto não me deu muito tempo para pensar ele me convidou para ir até sua casa minha primeira reação foi dizer não Afinal isso não era algo que eu fazia Não Era Eu mas Lucas insistiu e havia algo no olhar dele que me fazia querer arriscar Carla e Mariana ficaram boca e abertas quando eu disse que ficaria elas tentaram me convencer a mudar de ideia mas pela primeira vez ignorei seus
conselhos o apartamento de Lucas era simples mas aconchegante fiquei de pé por um momento observando o espaço ao nosso redor ele parecia à vontade como se aquele momento fosse natural para ele quando ele se aproximou e me puxou para perto qualquer dúvida que ainda pudesse existir estávamos nos beijando novamente naquela noite entreguei-me a ele completamente de uma forma que nunca havia feito antes foi diferente de tudo que já havia experimentado antes com João meu ex-namorado sempre havia uma barreira algo que me impedia de ir além mas com Lucas tudo parecia tão natural senti uma liberdade
que nunca tinha sentido ele me guiava mas ao mesmo tempo parecia entender o que eu queria antes mesmo de eu saber cada momento era intenso e eu me deixei levar sem medo sem hesitação eu me senti livre para ser quem quisesse para explorar partes de mim mesma que nunca havia conhecido ele tinha um jeito de me fazer sentir segura mesmo Enquanto eu ultrapassava todos os limites que eu achava que tinha acordei com a luz do sol entrando pela janela Lucas ainda dormia ao meu lado com o rosto relaxado e tranquilo passei alguns minutos Apenas observando-o
tentando processar tudo que havia acontecido senti uma mistura de Emoções por um lado estava feliz tinha vivido algo que me tirou completamente da minha zona de conforto algo que me fez sentir Viva por outro lado uma pequena voz dentro de mim questionava minhas escolhas eu havia conhecido alguém em uma festa e na mesma noite fiz isso isso me tornava Que tipo de pessoa mas enquanto saí do apart uma outra voz começou a falar mais alto eu não era menos valiosa por ter vivido aquela experiência eu havia escolhido havia me permitido sentir explorar ser de volta
ao meu quarto o ambiente parecia o mesmo mas havia algo diferente algo novo no ar o cheiro do meu próprio espaço a familiaridade das paredes e a suavidade das cobertas estavam lá mas não parecia que eu ainda era a mesma pessoa que havia saído algumas horas antes olhei para o espelho e ao me observar percebi uma Sutil transformação não sei se era o cansaço que tomava conta de mim ou algo mais profundo que estava brotando silenciosamente de dentro Mas eu sabia que aquela noite tinha mexido com algo em mim algo estava mudado como se o
simples ato de viver o momento sem amarras tivesse me libertado de uma parte de mim que eu nem sabia que estava aprisionada naquele reflexo eu vi mais do que minha imagem vi uma mulher que não precisava mais se definir que não precisava se prender a rótulos ou a expectativas dos outros por anos fui a menina tímida a quieta a certinha como se essas palavras essem me sido atribuídas e eu tivesse que viver nelas mas naquele instante percebi que não sou apenas isso não sou apenas a menina reservada que prefere os cantos silenciosos nem apenas a
mulher que se entregou a uma noite inesperada eu sou ambas e muito mais do que isso sou um universo em constante mudança uma mistura de fragilidade e força de dúvidas e certezas de silêncio e gritos eu sou a soma de todas as minhas partes E é isso que me torna única e mais importante percebi que posso ser ainda mais do que sou Agora posso ser a versão de mim mesma que escolher ser sem me restringir ao que os outros pensam ou dizem Lucas foi uma descoberta É verdade mas ao mesmo tempo a maior descoberta foi
sobre mim mesma o que aconteceu entre nós não foi só uma experiência com ele foi um encontro comigo como se ao me entregar a algo tão novo e inesperado eu tivesse me permitido sentir algo que até então estava bloqueado foi como se ao me arriscar ao permitir que as emoções fluísse sem controle eu tivesse acessado uma parte minha que estava Adormecida uma parte que ansiava por ser vivida o que aconteceu não foi apenas sobre o prazer ou o impulso do momento foi sobre a minha capacidade de me conectar de ser autêntica sem julgamentos ou limitações
e enquanto o mundo lá fora continuava com seus próprios ritmos e ruídos eu senti uma paz Estranha como se estivesse finalmente Começando a escrever minha própria história não mais como uma espectadora mas como a autora da minha própria narrativa eu estava no controle agora escolhendo as palavras as ações os caminhos eu estava pegando as canetas e os lápis da minha vida e pela primeira vez sentia que podia colorir as páginas com as cores que eu mesma escolhesse sem medo de errar sem medo de desagradar eu tinha finalmente o poder de criar e essa sensação de
liberdade e autodescoberta era algo que eu nunca imaginei que experimentaria mas que agora parecia a única coisa que realmente fazia sentido