[Música] Qual o significado do seu nome você sabe quantas memórias existem por trás do nome pelo qual você atende seja pela etimologia ou pela origem da palavra Qual que é o significado do seu nome nome que significa coragem Eu soube disso por volta dos 18 anos um amigo meu me contou e desde então eu venho tentando fazer juz ao adjetivo que eu carrego no meu nome eu cresci em São Gonçalo região metropolitana do Rio de Janeiro com mais de 1 milhão de habitantes um município marcado por desacontecimentos e quando eu falo desacontecimentos eu quero dizer
fatos que não interessam a mídia um município que é marcado pelo o descaso público um município de pessoas que sofrem choram e precisam de Justiça então desde o nascimento desde onde eu me construo ali nasce uma Andreia ancorada em coragem e injustiça eu fazia muitos trajetos com os meus pais para vários lugares vários bairros vários cantinhos um não lugar ou seja o lugar que necessita de Justiça Então acho que ser uma mulher negra no Brasil já é sinônimo de coragem de justiça ser uma mulher negra ou seja uma semente de uma rosa que nasceu no
asfalto Como dizia Maria Franco sempre presente é sinônimo de coragem Justiça então pensando nos valores que guiam a minha jornada que guiam as nossas jornadas aqui profissionais pessoais eu queria falar hoje sobre justiça climática pois justiça é um valor que guia a minha vida que guia a minha jornada nada se você nunca ouviu falar nesse conceito não tem problema eu sou uma pessoa assumidamente monotemática eu quero falar sobre isso hoje Justiça climática na agenda do clima é muito mais do que um conceito e aqui eu quero eh pedir licença para explicar a origem desse conceito
e como é que ele se transforma e como é que ele traz a gente aqui nesse lugar hoje quando eu entrei na agenda climática muito mais do que uma agenda de ciência em números ficou uma inquietude muito forte de que existia uma necessidade de me ancorar em justiça para falar de clima ou seja porque mais do que um assunto eh de ciência e números é uma agenda que interessa a população então pensar no retrato populacional do Brasil 203 milhões de habitantes no Brasil como que a gente fala de clima sobre uma perspectiva da geopolítica estrutural
e um tema de Economia Então esse olhar pro clima para além nem de ciência em números e dados mas sim em pessoas e pessoas que sofrem e precisam de Justiça foi a missão que me foi dada e para além do profissional foi uma missão de vida então pensar em justiça climática primeiro a gente precisa dar um passo atrás para entender de onde nasce esse conceito ele é um desdobramento do conceito de Justiça ambiental que nasce nos Estados Unidos na Carolina do Norte no cado de oren onde pessoas estavam sofrendo racismo ambiental e aí eu peço
licença para citar o Robert buller um teórico norte-americano negro que diz que é toda prática política ou diretiva que influencia intencionalmente ou não comunidades negras ou seja existe um projeto de poder que afeta comunidades e permite que alocações de resíduos tóxicos sejam aliadas onde elas moram e pensar que existe um projeto de poder e esse conceito nasce na década de 80 Como pode pessoas sofrendo injustiça ambiental a partir de uma autorização do estado e quem eram essas pessoas pessoas negras pessoas pobres pessoas Imigrantes sofrendo com a locação de resíduos tóxicos então anos depois como desdobramento
desse conceito de Justiça ambiental nasce a justiça climática que vai dizer pra gente que os impactos da crise do clima ou seja da mudança do clima da emergência climática que a gente vive hoje não são Democráticos não são proporcionais existe um desbalance muito forte entre quem emite e quem sofre e essas pessoas tem nome pessoas negras pessoas pobres pessoas faveladas pessoas indígenas pessoas marginalizadas pessoas que precisam de Justiça climática E aí a pergunta que eu quero deixar aqui para vocês é quem precisa de Justiça climática no Brasil hoje quem precisa de Justiça climática No Brasil
quando a gente olha pros dados globais e aqui a gente tá falando de uma crise Global com impactos locais é preciso sempre lembrar uma estatística que acho um tanto quanto absurda mas 10% eh de os mais ricos nos Estados Unidos são responsáveis por 40% da poluição Global mais uma vez a balança e a conta da Matemática não fecha e quando a gente olha pro Brasil o nosso contexto nacional é preciso a gente olhar também pro conceito de racismo E aí eu quero trazer aqui eh uma pesquisa muito muito recente que saiu pela Action aid Brasil
em o Instituto peregum que diz que gênero raça e etnia são um principal fator gerador de desigualdades no Brasil e isso me faz ousar dizer aqui que a crise climática é uma crise de desigualdade não dá pra gente dissociar uma da outra então pensando nisso eh nessa dissociação nessa nessa nessa nesse equilíbrio também nessa Associação queria eh pensar com vocês hoje aqui o quanto quão longe a gente foi nas zonas de sacrifício e quando eu falo zonas de sacrifício eu falo zonas de risco de pessoas ameaçadas de pessoas que ao saírem das suas casas precisam
se cuidar porque existe um risco iminente de morte então pensar num Brasil fundado na colonização pensar num Brasil desigual pensar num Brasil que até hoje vive as marcas da escravização as marcas de um tempo histórico que perdu e perduram na agenda climática então a agenda climática mais uma vez não é sobre temperatura não é sobre a pena de meio ambiente é de desenvolvimento é de futuro e é sobretudo de igualdade Então eu queria eh fazer mais algumas associações e reflexões pensando quando a gente olha no cenário Global o Brasil é a oitava nação mais desigual
do mundo o oitavo país segundo a ONU mais desigual do mundo corroborando mais uma vez que é é uma crise de desigualdade mas quando a gente olha para contextos locais e aí vamos olhar quantos brasis existem dentro do nosso Brasil quantos fins de mundo a gente vive num fim de mundo e no caos chamado Brasil a gente tem uma favela no Rio de Janeiro chamada Rio das Pedras que é uma favela que alarga sem chover Como assim ou seja as marés e a própria arquitetura e infraestrutura da cidade da da daquela região daquela favela permite
que ela seja alargada e a população favelar sofre a gente tem aqui muito perto o quilombo calunga o primeiro e grande quilombo do Brasil há mais de três séculos lutando pra manutenção da cultura e também pra manutenção da terra e como as injustiças ambientais e climáticas ameaçam aquele que lombo aquela população não precisa ir para muito longe também vamos olhar pro Nordeste Recife 16ª cidade mais ameaçada pela crise climática segunda ipcc no mundo e notícias cada vez mais recorrentes mostrando o quanto aquele estado aquele lugar aquela capital precisa de Justiça climática Então para onde a
gente tá indo para onde a gente tá caminhando pensando numa agenda de Justiça de Equidade e contra as zonas de sacrifício tem algumas recomendações e alguns caminhos e pensando o quanto essa agenda Global não se resolve sozinha mas sim com esforces das subnacionais e locais é bom olhar para políticas públicas né porque sem política pública a crise climática não se resolve mas para pensar em política pública a gente precisa entender os contextos geográficos e a geografia racial de cada lugar pensar em política pública não é generalizar uma Norma que deu certo no norte global para
aplicar aqui porque isso não vai dar certo a gente não tem recurso e não é questão só de recurso existe uma questão de manutenção do recurso então olhar as geografias de cada região do Brasil de cada oma entender Quais são as especificidades que tornam essa população mais vulnerabilizar à crise climática Quais são as especificidades que a gente precisa colocar na mesa antes de formular uma política pública entender também que se sem política pública a crise climática não se resolve como é que a gente estrutura baseada em justiça Equidade e igualdade segundo qual o papel do
setor privado na resolução das injustiças climáticas pensar que o setor aliado ao poder público e aliado ao terceiro setor a gente precisa tomar esforços porque também sem recurso não há Justiça climática o quanto essa ess esse alinhamento com os direitos humanos e também com os tetos ecológicos pensar o setor privado como parte também da solução mas com recursos a favor da Igualdade Por fim eu sou jornalista acho que não tem como falar de Justiça climática sem pensar em comunicação e aqui eu queria trazer Bell hooks que vai dizer que a educação como prática de liberdade
ela torna a gente eh mais mais claro né pra gente tornar as palavras além da oralidade além da da tecnicidade então pensar em justiça climática e crise climática como uma linguagem e um formato que as pessoas entendam que as pessoas se sintam parte daquele diálogo e não apenas do problema mas também da solução como que a gente comunica Quais são as palavras que a gente escolhe Quais são os verbos Quais são os os que a gente vai transformar em novas narrativas então eu sou uma jornalista comprometida com narrativas eu sou uma jornalista que compromete toda
a sua reflexão a partir de dados baseados na oralidade então a comunicação tem um poder muito grande em toda esse cenário em todo esse tabuleiro que mostra pra gente que falar de Justiça climática é falar de reparação falar de Justiça climática é falar de segundas chances e novas oportunidades novos caminhos para quem precisa de justiça hoje E aí pensando o Brasil novamente um país de muitas desigualdades de muitas crises que acontecem simultaneamente não dá pra gente caminhar sem referenciar as pessoas Então eu queria dizer que quando me faltarem os recursos quando me faltarem as palavras
quando me faltar política pública que não me falte a coragem que não me falte a coragem para comunicar a justiça que não me falte a coragem para lutar por Justiça enquanto tiver aqui quem precisa de Justiça climática na comunidade vai contar comigo vai contar com o movimento ambiental porque a crise é uma crise que tá acontecendo hoje a gente não tem tempo nosso tempo já acabou então eu queria caminhar para final citando Professor intelectual Silvio Almeida atual ministro dos direitos humanos no discurso de posse dele ele repetiu o Óbvio ele reforçou a necessidade de repetir
o Óbvio acho que no Brasil falar de clima e falar de igualdade a gente precisa reforçar o Óbvio Qual que é o Óbvio pessoas negras homens e mulheres negros vocês existem você valiosos para nós pessoas indígenas vocês existem vocês são valiosos para nós pessoas que sofrem sem acesso à saúde vocês existem vocês são valiosos para nós pessoas que sofrem sem acesso ao transporte vocês existem vocês são valiosos para nós todos que tiveram seus direitos violados vocês existem vocês são valiosos para nós Esse é meu compromisso com justiça climática vocês existem vocês são valiosos para nós
[Aplausos] Obrigada permita que eu fale não as minhas cicatrizes elas são coadjuvantes no melhor figurante que nem devia tá aqui permita que eu fale não as minas cicatrizes estão tentando roubar nossa voz sabe O que resta de nós vamos passeando por aí permita que eu fale não as minhas cicatrizes elas são colad Ju vantes no melhor figurante que nem devia est aqui permita que eu fale não as minhas cicatrizes Tão tentando roubar nossa voz sabe O que resta de nós alvos passeando por aí obrigada obrigada