Uma das coisas que vem borbulhando a minha mente nos últimos tempos e é uma coisa que para mim é é muito interessante, por exemplo, você quando eu quando eu vejo você falar, quando vejo você comunicar sobre neurociência, eh eu nunca assisti uma aula tua numa sala de aula para saber como é que é sua a sua aula, mas assim, quando eu vejo a tua comunicação, as coisas que você escreve, as coisas que você fala, para mim você é uma uma mestra nisso que você faz. Quando eu ouço um guitarrista que eu gosto muito, quando eu ouço um saxofonista que eu gosto muito, ou eu vejo um esportista que eu falo para caramba, esse cara parece tá em outro nível, eles são mestres no que eles fazem. E aí isso tá abbando na minha cabeça porque tem várias habilidades que eu quero desenvolver em mim.
E eu queria entender um pouco da parte eh neurocientífica desse aprendizado, desse desenvolvimento. O que que leva uma pessoa a se tornar boa numa coisa? Quando a gente vê o Ronaldinho jogando bola, ele ter chego naquele nível, o que que levou ele a a chegar lá?
Como é que o dia a dia, a prática entra nisso? E o que que tá rolando no cérebro para desenvolver essas coisas? Porque chega um ponto que é é automático para essas pessoas, né?
>> Sim. Não. E é muito interessante a pergunta porque a vontade da gente que a gente tem é que tem uma resposta única, que a gente diga assim, não, por causa disso acontece tal coisa e aí a gente investe todas as nossas fichas no aquilo, né?
Mas o fato, cada uma dessas coisas que você mencionou podem ter sido provocadas por uma tempestade perfeita num determinado jeito, tá? Então, por exemplo, você falou da minha capacidade oratória. Outro dia a gente estava fazendo um vídeo no dia dos professores lá, que ficou muito bonitinho.
E e eu contei uma história, quando eu tinha 4 anos de idade, eu aprendi a ler, né? Meus avós, que eu fui criado pelos meus bisavós, né? Eles tinham mais de 70 anos quando eu tinha dois, entendeu?
Então, o que que eles iam fazer com uma criança? Eles perceberam que eu tinha interesse e me ensinaram a ler. Então, com 4 anos de idade, eu lia.
Quando eu tinha seis, eu já lia muito bem, certo? E aí eu tava na sala com os meus coleguinhas aprendendo a ler. Então, a professora me fazia levantar e ler em voz alta pros meus coleguinhas se inspirarem e todo mundo achava aquilo incrível.
E aí, naquele momento eu ganhava o quê? Notoriedade, certo? Que é uma que é uma criança socialmente busca.
Então, ler para mim se transformou num elemento fundamental da minha vida. Só que aí entra o outro ponto, eu começo a ler e como eu tenho fluência, eu entendo muito bem. Então, a leitura passa a ser uma fonte de prazer, porque eu leio rápido, porque eu não sofro, porque eu entendo rápido.
Então, cada vez eu leio mais e a gente começa a entrar no chamado ciclos exponenciais que vão levar a alta performance, né? O que que se diz? Ah, precisa de 10.
000 horas de prática e tal. Inclusive, essa semana eh saíram dados que questionam essa afirmação, né? E eu nunca gostei muito dela, porque para mim não é só uma coisa, óbvio, 10.
000 horas de prática você vai desenvolver. A questão é quem desenvolve com menos. Aconteceu o quê, né?
Porque nem todo mundo tem a paciência das 10. 000 horas de prática. Eu posso estar falando uma bobagem, mas se a gente compara Cristiano Ronaldo com o Neymar, falando em termos de tenacidade, do treino, do isso, aquilo tal, você pode dizer, Cristiano Ronaldo ficou 10.
000 horas fazendo e o Neymar ficou, mas ainda assim ele com 14 anos de idade fazia o que ele fazia com a bola, né? E então agora se o Neymar, tendo todo o talento que ele tem tivesse sido absolutamente disciplinado como Cristiano Ronaldo, que todo mundo sabe que não é verdade, né? Não, porque não é porque o Neymar é ruim, mas é porque o Cristiano Ronaldo é muito disciplinado.
>> E o talento faz isso com as pessoas, elas ficam mais soltas assim, não precisa treinar cor esse risco, corre esse risco ainda. Esse é um grande problema, né? Então a a somatória de todas essas coisas é que vai produzir esse movimento.
Mas você me fez uma pergunta muito específica que tem uma resposta relativamente direta, que é o seguinte: como que o que que tá acontecendo no cérebro para isso acontecer? tá acontecendo duas coisas. A primeira delas que todo o teu sistema emocional, teu sistema de desejos, a tua capacidade de tenacidade, a tua luta pelas adversidades, o desejo em alcançar aquilo tá num ponto muito bom.
Pode ser até o ponto ótimo, entendeu? Pode estar num ponto máximo. E aí você vai gastar muito tempo fazendo aquilo.
Você vai dedicar muito tempo da tua atenção, do teu pensamento, porque não é só você tá fazendo, é o que você pensa quando você não tá fazendo, que também é um tempo que você tá desligando aquilo, né? Então tem, pô, eu tô muito aim. Então esse é um elemento e depois eu preciso ter bons modelos e bons coachs.
Por quê? Ah, mas eu preciso pagar por esse coach. Não, eu pode ser meu pai, pode ser minha mãe, pode ser uma tia, pode ser alguém que tá muito perto, mas que é muito excelente naquilo.
Porque isso vai me inspirar a ver o processo, a perguntar coisas que poderiam travar minha performance. E essa pessoa poderá também ser um bombalizador de erro, porque aqui tem um truque muito interessante. A excelência de uma performance é alcançada porque eu consegui eliminar a maior quantidade de possibilidades de erro.
Não é porque eu sei fazer, é porque à medida que eu vou praticando, eu vou conseguindo fazer cada vez melhor e os circuitos que ao serem ativados produziriam erro, vão ficando enfraquecidos. Então a performance tende a melhorar. E aí a gente pode entrar numa curva exponencial, porque esse é o truque que ninguém compreende, não é uma curva eh não é uma uma progressão aritmética de que a cada hora treinada acrescenta a mesma quantidade de performance.
Você pode tendo, à medida que você mergulha naquilo, maiores ganhos com menos tempo. Isso deixa o sistemas daí, o sistema do desejo, o sistema da intencionalidade bastante ativado. A dopamina sobe rápido, entendeu?
Você consegue entrar em flow porque você vai reconhecendo sua potência naquilo. Então entra num ciclo virtuoso que exponencializa aquela habilidade, entendeu? Soma-se a isso, vamos dizer que até por uma condição que provavelmente tá totalmente interligada uma na outra.
Você gosta de música porque você tem um bom ouvido. Se você não tivesse um bom ouvido, você não saberia diferenciar uma música ruim de uma música boa. Tô falando do ponto de vista melódico, não tô falando ai, porque o funk longe de mim isso, certo?
Eu, eu inclusive gosto de música eletrônica para uma determinado momento. Uma coisa eu curto, eu sei entrar naquela loucurinha da música eletrônica, tá ótimo, entendeu? Mas eu também gosto da qualidade de uma de um violino no verão de Vivalde.
Ai vou querir não, cara. Se você ouvir, você vai gostar também porque não tem como não gostar. Eu não tô falando da sinfonia em lá menor de não, porque eu nem conheço.
Mas essas coisas que são mesmo assim gritantes, né? Todo mundo se encanta. Não tem como não se encantar, né?
Mas se você tem um bom ouvido, você vai se encantar com mais coisas. >> Você vai ter a capacidade de discriminar melhor as coisas. Você vai perceber sutilezas.
Isso aumenta a tua vontade de de mergulhar, entendeu? Agora não, eu sou um desafinado, nunca peguei num instrumento musical, você tá me mostrando uma música que eu não conheço, não entendo, sai, tira isso da minha frente e tudo bem, mas não vai desenvolver, né? O que que a gente tem falado muito hoje de dois dois esportes que estão em voga, né?
O tal do Pickle Ball e o e o Bit Tênis, né? É, porque eles são democráticos. >> Total, [risadas] total.
Você não precisa ser um ótimo na raquete. Se você for lá e fizer uma figuração ali e tal, já tá bom. Tá, posso jogar um campeonato?
Pode, mas não precisa. Você vai se divertir. Entendeu?
Que é completamente diferente você pegar uma raquete de tênis e parar numa raquete de tênis, você não consegue jogar a bola para outro lado. Se você não souber, você não passa a bola, você não não devolve um saque. Então, entendeu?
Não se mete, né? Agora tem outras coisas. Vou jogar queimada com as crianças.
Pode, todo mundo pode, entendeu? Funciona, né? Então essa democracia das coisas que são mais fáceis também acabam levando parte das pessoas para uma performance mediana e as pessoas se contentam com isso também, porque também faz parte, funciona também.
Agora, o desejo de ser um um virtuoso em qualquer coisa, eu acho que tá intrínseco no ser humano. Ele vai se decepcionando com isso à medida que ele acha que não é para ele. E aí pode estar inclusive, né, casado até mesmo com eh elementos que podem ajudar a a botar uma depressão ali nesse nessa história, porque vem um tédio, porque eu também tô na medicridade, né?
Eu fico numa mesmice, que eu acho legal o tempo que a gente vive hoje nesse sentido, Ludes, porque no passado, e isso eu vivi muito quando eu tinha lá 15, 16 anos, tal, se eu ficasse deprimida e eu fiquei algumas vezes na adolescência, eu ia pra frente da TV, cara, e era assim, tipo, tinha três canais e é isso que você tem para assistir. Então você não aguentava ficar muito ali, entendeu? [risadas] E você não ia muito longe ali.
Ali realmente era o fundo do poço. Agora hoje você com o seu controle remoto no final de semana sozinho em casa, não é tão ruim assim. Nível de coisas que você pode fazer.
Então a gente até se permite uma certa mediocridade hoje em dia, até com mais espaço, porque não é só eh porque eu não quero me aprofundar, porque realmente tem um mar de coisas muito interessantes que eu posso fazer, ver, >> coisas bem prazerosas, né? e e e coisas que inclusive podem me levar a outros universos. Eu posso assistir uma série de de ficção científica que me provoca pensar nos campos magnéticos da Terra.
Tudo pode. Mas de verdade e essas opções de coisas que já estão prontas para que eu vou lá consumir tem o impacto de eu também não lutar muito para para edificar isso dentro de mim de uma forma mais profunda, né? Porque tem uma coisa que começou a acontecer na escola e que eu dou muita risada quando eu penso onde isso tá nos levando, mas eu criticava, se pegar palestra minha antiga que tem na internet, aí você vai ver eu falando disso, eu criticava o professor que dizia o que que ia cair na prova, que sublinhava o livro pro aluno.
Isso aqui que é importante, porque eu tô apontando para ele que sempre vai ter alguém dizendo para ele o que que ele tem que fazer, quando no fundo eu queria que ele se interessasse, que ele mergulhasse, que ele entendesse aquilo, não que ele, ah, isso aqui vai cair na prova, então vou aprender isso aqui. Ele não tá tentando entender o conceito geral de como é que uma coisa correcta com a outra. Ele não vai tentar entender isso.
>> Você concorda comigo que de uma certa forma a gente foi levando isso à exaustão? Porque na internet hoje se se você chamar um cara, um produtor de vídeo para trabalhar com você em conteúdo, cara, eu eu aposto que a primeira coisa vai ser assim: "O que que você pode falar assim de simples e rápido? [risadas] Que a pessoa entenda fácil?
" Então, tipo, entendeu? de uma certa forma é um ciclo vicioso, porque eu quero consumir um conteúdo fácil e superficial, que é o que me prende ali os 2 minutos que o cidadão precisa para dar visibilidade pro pro perfil dele, para ele poder vender daí o TikTok do book, do não sei o que lá, entendeu? E aí a gente vai ficar nesse lugar porque é aí que tá a economia do conteúdo.
>> Sim.