Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Inspirai, Senhor, as nossas ações e ajudai-nos a realizá-las, para que em vós comece e para vós termine tudo aquilo que fizermos.
Por Cristo, Senhor nosso. Amém. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Muito bem.
Uma boa noite. É uma alegria estarmos aqui juntos nesta segunda-feira para a gente falar um pouco sobre liderança e por que este tema, não é? Bom, primeiro, porque este tema está intimamente ligado com aquilo que é a nossa vocação cristã, ou seja, a nossa vocação para a santidade.
Você logo vai perceber porquê. Segundo, porque a nossa sociedade está um pouco obcecada por essa história de liderança. Você vai nas livrarias por aí e encontra o pessoal, livros e livros lá, como ser líder, etc.
e tal, as técnicas de liderança e então, se vê a liderança como técnica. Na realidade, o que eles ensinam para você é um pouco como enganar os outros, não é? Ou seja, como vender gato por lebre.
Como é que você vende uma coisa que custa dez reais por dez mil reais, pronto, aí você é um grande líder. Não, isso é uma enganação. Isso não é liderança.
E nós temos uma grande dificuldade, aqui no Brasil especificamente, para entender o que é um líder. Começamos pelo fato de que a língua portuguesa não possui uma palavra para dizer líder. Ou seja, a gente tem chefe, a gente tem o patrão, a gente tem o cara que comanda.
Mas não o cara que lidera. Líder é uma palavra inglesa, na verdade. Quando você é guiado, o verbo “lead”, em inglês, dá origem a “leader”, “leader” que, aportuguesado, vira líder.
Na realidade, a gente tem dificuldade de entender realmente o que é um líder. O líder não é o patrão, o líder não é o chefe. Por quê?
Porque existe uma diferença básica que os antigos romanos conheciam, inclusive os gregos também, que existe uma diferença entre poder e autoridade. Um líder pode não ter poder, mas ele tem autoridade, ou seja, quando você tem aquela pessoa que não tem cargo nenhum, ele não é importante, digamos assim, no organograma da empresa, mas todo mundo ouve o que ele diz, ele tem autoridade. A autoridade é muito mais importante do que o poder.
Você pode ter poder, você pode ser o chefe, você pode ser o patrão, você pode ser o poderoso chefão, mas você não é necessariamente um líder. O líder é capaz de entusiasmar as pessoas e levá-las a ser aquilo que elas são chamadas a ser. Essa é a beleza do líder.
Então, vamos um pouco tentar compreender o que é verdadeiramente um líder, porque se nós tentarmos, penetrarmos nessa realidade do que é um líder, nós vamos entender um conceito muito importante dentro do cristianismo, que é a paternidade espiritual, que é aquilo que é gerar a outra pessoa para aquilo que Deus sonhou que ela fosse. Deixa eu dar um exemplo inicial de liderança para você entender. Na Polônia, no início do século XX, os seminários estavam fechados, os nazistas tomaram conta de tudo, não era possível ter sonhos, ter esperança.
No entanto, um alfaiate, sim, um alfaiate, um cara chamado Jan Tyranowski, ele reuniu um grupo de jovens, um grupo de jovens para juntos sonharem com a santidade. Ele formou esses grupos que ele chamava de “Rosários Vivos”. As pessoas rezavam juntos o rosário, mas ele também ensinava para aqueles jovens, São João da Cruz, ensinava Santa Teresinha do Menino Jesus, ensinava o caminho da santidade.
Jan Tyranowski ensinou isso, um alfaiate, esse sujeito passava quatro horas por dia em oração e conseguiu, costurando, embora ele fosse profissionalmente, ele tinha diploma de contador, mas o único jeito que ele tinha naquela situação de nazismo de sustentar a sua mãe era ser alfaiate, ele era alfaiate, liderou aquele grupo de jovens, do qual mais tarde saíram dez padres. Um desses padres chama-se Karol Wojtyla. Mudou o mundo.
A liderança de Jan Tyranowski, de um alfaiate, mudou não somente a história da Polônia, mudou a história do mundo, mudou a sua história e a minha história. Um alfaiate, lá atrás, no início do século XX. Por quê?
Porque ele foi líder, ele teve as duas virtudes básicas do líder. Quais são as duas virtudes básicas de um líder? É a magnanimidade e a humildade.
Se você quiser aprofundar isso que eu estou dizendo, nós temos uma bibliografia básica, é esse livro extraordinário do Alex Havard, Alexandre Havard, “Virtudes e Liderança”. Você vai encontrar tudo isso que eu estou dizendo nesse livrinho da Editora Quadrante, “A Sabedoria das Virtudes Aplicada ao Trabalho”. Então, veja só, quais são essas duas virtudes do líder?
Magnanimidade e humildade. Um líder é um sujeito que pensa grande, ele sonha grande, mas ele sonha grande não como um megalomaníaco, como um Hitler. Hitler não era um líder, ele era um megalomaníaco, é diferente.
A magnanimidade, segundo Santo Tomás de Aquino, é a alma que tende à grandeza, mas essa grandeza que significa o desabrochar dos dons que Deus colocou em você. Nós vamos ver como é que a gente chega a isso. Mas veja como diz Santo Tomás de Aquino na Questão 129, da segunda seção da segunda parte, segunda parte da segunda seção, Artigo 3º, ele diz assim,: “A magnanimidade permite ao homem perceber sua dignidade levando em consideração os dons que recebeu de Deus”, você recebeu dons de Deus.
Então, esses dons precisam desabrochar. Deus tem um sonho para você, você é uma tarefa. Quando o Jan Tyranowski, lá atrás, na Polônia, como alfaiate, ele podia dizer, desanimado, como todos os medíocres, ou seja, todos os pusilânimes, pusilânime quer dizer alma pequena, magnânimo quer dizer alma grande, toda gente de alma pequena, tacanha, o Jan Tyranowski disse assim: “Ah, não adianta”, se ele fosse pusilânime, não adianta, “Os nazistas tomaram conta de tudo, eu vou ficar aqui, morrer de fome.
Ninguém mais faz contabilidade, no tempo de guerra não adianta fazer contabilidade”. Não, o que ele fez? Ele pegou o diploma de contabilidade dele, colocou dentro de uma caixa de sapato, esqueceu que ele existe, aprendeu a costurar, com isso sustentava a sua mãe, dedicou-se quatro horas de oração e quis espalhar para os jovens que estavam ali ao redor o sonho de ser santo.
Um alfaiate, um alfaiate em Cracóvia sonhando em ser santo e em mudar o mundo. Por quê? Porque esta é a nossa vocação universal, nós todos somos chamados a isso.
Mas se ele fizesse somente isso, ele ainda não seria líder. Líder é quando você tem a humildade de fazer o outro encontrar o sonho de Deus para ele. O líder faz um serviço humilde, um humilde serviço de fazer o outro encontrar o seu sonho.
É isso. Deus tem um sonho grande para você. O líder faz com que você encontre aquilo que você realmente é.
E Jan Tyranowski fez com que Karol Wojtyla encontrasse o que ele era, o santo que estava ali naquele jovem. Um jovem que fazia teatro, trabalhava nas minas de cal, começou a sonhar em ser santo, se fez padre, depois foi bispo, cardeal, tornou-se papa, hoje é santo canonizado, mudou a nossa vida, mudou a história. Aquele sonho de liberdade do Jan Tyranowski mudou como alfaiate o mundo.
Então, essa é a realidade da liderança, essas duas qualidades próprias da liderança, ou seja, o cara é magnânimo porque ele vê que Deus o chamou para coisas grandes. E, ao mesmo tempo, ele sabe humildemente servir. Ou seja, o magnânimo é alguém que vê os dons de Deus em si mesmo, mas ele também é capaz de servir, se ele é líder, é capaz de servir e fazer com que o outro encontre a magnanimidade nele, ou seja, vê a grandeza de Deus no outro.
Por isso essas duas realidades fazem um líder. Deixa eu dar um exemplo bem prático, que é dado pelo Alex Havard nos vários seminários que ele faz pelo mundo afora, o famoso exemplo do Édouard Michelin, todo mundo conhece os Pneus Michelin, muito bem. O Édouard Michelin, o fundador do império Michelin, nós podemos dizer hoje.
Um dia ouviu falar de um cara que foi contratado, um tal de Marius Mignol. O Marius Mignol foi contratado: “Quem é esse sujeito aqui que vocês colocaram na área de gráfica? ”, tinha lá uma graficazinha que imprimia as coisas para Michelin.
“Esse cara trabalhando aqui na gráfica, quem que ele é? ”, “Ah, esse Marius Mignol é um cara que apareceu aí, ele não tem informação nenhuma, nem em segundo grau. Ele trabalhou um pouco na área de edição, nós colocamos ele aí na gráfica”, “Você é louco?
Nós nunca vamos conhecer quem esse cara é? Não. Tira ele da gráfica, coloca lá no setor de exportação”.
Então lá estava o sujeito que não tinha formação no setor de importação e exportação da Michelin, claro que a Michelin naquela época estava iniciando, mas já era uma empresa grande. Um belo dia o Édouard Michelin chegou lá no setor de importação e exportação, viu lá o Marius Mignol que bolou uma forma de calcular a moeda, o câmbio das várias moedas, etc. , lá com uma régua, o Eduardo Michelin disse: “Esse cara é um gênio?
Tirem ele daí, ele é um gênio! ” e colocou no setor de desenvolvimento para desenvolver novas concepções de coisas, etc. e tal.
E este sujeito se deparou com um problema, o problema era o seguinte: lá na época os carros estavam cada vez mais rápidos, os carros começavam a correr cada vez mais rápido. E como é que você faz? Bom, o seguinte, os pneus derretem, não aguentam.
Não dá, aquece, o pneu aquece e não aguenta. O Marius Mignol olhando aquilo pensou e inventou o pneu radial. Ele pensou que colocando cabos dentro, de forma radial, sempre voltados para o centro do pneu, ali aquilo daria uma certa consistência ao pneu e inventou o pneu radial, que tem uma especial aderência do pneu ao asfalto, ele tem mais maleabilidade, adere, não derrete, etc.
e tal. Se o sujeito tivesse ficado lá na gráfica nunca teria descoberto isso. Vejam a liderança do Édouard Michelin, por quê?
Porque ele viu que para você descobrir o diamante você tem que quebrar a pedra. Para você descobrir uma pessoa e fazer dele quem ele deve ser, você deve colocá-lo no teste. Você tem que quebrar a pedra para descobrir lá dentro o diamante.
Você tem que testar o sujeito para saber quem ele é, para descobrir o seu valor. Aí está a genialidade do líder. Então como é que a gente faz um líder?
Bom, a primeira coisa é isto. Nós poderíamos dizer que a liderança é construída como se fosse uma pirâmide e ela tem uma base. Vejam só, esta base que está aqui ainda não é número 1, número 2 e número 3, é somente quando a gente chega no número 3 que você tem um líder.
Mas se você não tiver a base do número 1 e 2 você não vai ter um líder. Em que consiste realmente um líder? Primeira coisa, primeiro ponto aqui, o número 1, humildade.
Você tem que ter humildade. Vejam, lá o Marius Mignol, se ele não tivesse tido a humildade de ir lá na Michelin e aceitar ser provado, ser posto à prova, ele não teria desenvolvido as qualidades dele. Então vejam só, eu tenho que me dar conta de quem eu sou e o que é que eu tenho.
Aqui, por exemplo, nessa humildade eu tenho que descobrir, por exemplo, meu temperamento. O que é temperamento? Temperamento é biologia, não é isso?
Temperamento é pura biologia. Quer dizer o seguinte, é a sua tendência inata. Você nasceu desse jeito.
Você nasceu realmente com essa tendência. Você é mais irascível, você é tímido, você é melancólico. Como é que você é?
Tem aquelas pessoas mais extrovertidas, pessoas mais introvertidas, aquelas pessoas mais tristonhas, aquelas pessoas mais coléricas, isso daí que são coisas com as quais você nasceu. Você tomar consciência de qual é o seu temperamento. Como que você é?
Por exemplo, os americanos tendem a ser mais irascíveis, os russos tendem a ser melancólicos, o brasileiro tende a ser mais extrovertido. Mas não quer dizer que se você é tímido, se você é tímido não quer dizer que tem nada errado com você, você simplesmente aceita aquilo que você tem. Então essa é a humildade psicológica.
Ver qual é o seu temperamento, como é que você é. Então esse conhecimento, você vai ter que conhecer quem você é diante de Deus, “Eu dependo de Deus”. Você tem que conhecer você diante da sua psicologia, você tem que conhecer você diante dos seus limites físicos, você tem que conhecer você diante das suas capacidades intelectuais.
A base é a humildade. Você não vai construir nada se não for em cima da verdade. Santa Teresa d'Ávila nos diz que “a humildade é a verdade”.
Não se trata de falsa humildade, de você fazer de conta que você é aquilo que você não é. Você tem que ser quem você é. Muito bem.
Mas se você simplesmente for quem você é, você é um escravo da biologia daquilo com o qual você nasceu. Não é só temperamento, a humildade de saber qual é o seu temperamento não. Mas é também outra coisa.
Tem um número dois. Você tem que desenvolver as virtudes. Virtudes.
Número um, humildade, de reconhecer quem eu sou. Número dois, virtude. Eu tenho que desenvolver as minhas virtudes.
O que são as virtudes? As virtudes é a capacidade que eu tenho de pegar o meu temperamento natural e transformá-lo em algo de bom. A virtude vai lá, transforma o temperamento em algo bom.
É aquilo que se chama caráter. O sujeito é um mau caráter porque ele não tem virtudes. Ou ele tem um bom caráter porque as virtudes dele moldaram o seu temperamento.
Então, por exemplo, você é irascível, colérico. Temperamento colérico significa o seguinte: você tem o ímpeto de agir. Mas a prudência, que é uma virtude, vai frear esse seu ímpeto de agir.
Você é melancólico? A sua tendência é não fazer nada, mas aí a prudência vai te levar à ação, a coragem vai te levar à perseverança. Não desiste, não larga o osso, vai para frente.
Então essas são as virtudes que vão formando o caráter. Então veja só, esta aqui é a base para você ter um líder. Ainda não é a liderança.
Mas você começa a ser líder quando você começa a desenvolver as suas virtudes. Então, por quê? Porque liderança é questão de virtude.
Por que liderança é questão de virtude? Porque liderança é confiança. Você não confia numa pessoa que não tem virtudes.
Isso que se ensina nos livros hoje em dia, de autoajuda, aprenda a ser líder, as técnicas de liderança, eles te ensinam a enganar as pessoas. Aí você engana uma vez, a pessoa cai. Você engana duas vezes, o besta cai a segunda vez, na terceira ele diz: “Você não me pega”.
Ele nunca mais vai seguir você, você não é líder coisa nenhuma, você é um trapaceiro. Mas se você tem virtudes, as pessoas seguem você. Quando as pessoas no convívio veem quem você é, as pessoas seguem você.
É aqui que, veja, se nós queremos formar líderes, nós primeiro precisamos ter uma comunidade virtuosa. Essa comunidade virtuosa que seja capaz de provar as pessoas na humildade, quebrar a pedra para tirar o diamante que está lá dentro. Gente, a base de tudo, a gente tem que entender, a base de tudo é a humildade.
Se não tiver humildade, não vai adiantar. Se você não tem humildade, você não vai para lugar nenhum. Porque a humildade, a base, é o contato com a verdade.
Está entendendo? Você tem que encontrar a sua verdade, por dolorosa que ela seja. Mas não é agradável, às vezes, encontrar a sua verdade.
Às vezes, numa comunidade virtuosa, as pessoas pedem para você fazer uma coisa, você faz errado, as pessoas te corrigem. Quando a gente tem uma comunidade virtuosa, a gente corrige uns aos outros e a gente vai se conhecendo e vai vendo as características um do outro, as virtudes, os defeitos, as capacidades. Vai se quebrando para sair o diamante que está dentro, mas esse diamante precisa ser, agora, lapidado.
São as virtudes. As virtudes que vão formando o caráter da pessoa. E aí, quando você começa a buscar as virtudes, quando você começa a buscar verdadeiramente as virtudes, você começou a ser líder.
Por quê? Porque você está construindo a sua liderança. É a base de tudo.
Você ainda não é líder, mas você começou a construir a sua liderança. Quais são essas virtudes? São as virtudes básicas.
As quatro virtudes cardeais. Primeiro é a prudência. A palavra prudência não é entendida por nós.
Talvez a gente tenha que adaptar para a nossa linguagem de dizer uma “sabedoria prática”. O homem prudente é aquele que sabe dispor os meios para chegar ao fim. O homem prudente é aquele que é capaz de ver, conhecer as qualidades das pessoas.
Então, nós precisamos desenvolver isso nas pessoas. O homem prudente é capaz de notar as atitudes, o que é que denota aquela atitude, o que é que significa aquele tipo de comportamento. O homem prudente vai vendo, conhece a pessoa.
Não somente conhece a pessoa, ele conhece as situações, ele conhece o ambiente. O homem prudente conhece qual é a situação política, qual é a situação econômica. Então ele vai vendo.
E aí ele consegue, na sabedoria prática, ou seja, esse conhecimento, essa inteligência prática, na sabedoria prática, o homem prudente é capaz de dispor os meios para dizer: “Olha, a solução é essa”. A solução de problemas. A virtude da prudência é essa capacidade de resolver problemas.
Veja, isso ainda não faz um líder. Mas é uma virtude necessária num líder que ele seja capaz de resolver problemas. Se você não é capaz de resolver problemas, quem é que você é?
Então o prudente, a virtude da prudência está intimamente ligada à inteligência, mas é uma inteligência que torna-se uma sabedoria prática. Ele sabe avaliar as coisas, e dispor os meios para chegar ao fim. É a solução de problemas, “problem solving”.
Então para resolver o problema, você sabe. Segunda virtude, que precisa ser cultivada. Gente, nós estamos ainda na base, ainda não estou lá no número três.
Isso ainda não é um líder, mas é necessário para ter um líder. Segunda virtude, depois da prudência ou sabedoria prática, se você quiser, é a coragem ou fortaleza. O que é coragem?
O que é fortaleza? A coragem não é somente ser ousado. Por quê?
Porque significa o seguinte, você precisa perseverar. Coragem significa o seguinte, você resolve fazer uma empreitada, homem prudente diz: “Eu quero chegar lá”, ele dispõe os meios. No meio do caminho aparecem as dificuldades.
Bom, ele precisa ter essa capacidade de se reerguer quando ele é abatido pelas dificuldades. A coragem, a fortaleza, ela é a capacidade de você que é vulnerável, você que pode receber feridas, você que pode receber tombos, baques, de se reerguer. Essa capacidade da gente de ser um pouco uma fênix.
É isso que quer dizer essa coragem, essa fortaleza enquanto virtude. Você não desanima. O verdadeiro líder, ele tem essa realidade de morder a coisa e não largar.
Essa perseverança, que é uma das expressões mais bonitas da fortaleza e da coragem. Terceira virtude. A terceira virtude é a chamada temperança.
O que é temperança? É essa capacidade de moderar, de balancear as paixões. Ou seja, a gente costuma chamar as paixões de emoções hoje em dia.
O que é isso? Vamos entender. Nós sabemos, toda pessoa que tem um pouco de inteligência, ela enxerga que ela não pode ser simplesmente carregada pelas suas paixões.
Se você é carregado pelas suas paixões, então você é escravo, “Ah, eu quero beber”, vai e bebe, “Ah, eu quero sexo”, vai e faz sexo, você é carregado. Ah, você fica irritado, aí o sujeito perde completamente o prumo. Não, você precisa ser temperante, você precisa temperar as coisas.
Por quê? Porque acontece o seguinte, nós somos seres humanos, os seres humanos têm paixões. Nós precisamos moderar essas paixões, mas não podemos destruí-las.
Atenção, cuidado, não se trata de destruir as paixões, porque se você destrói as paixões, você não tem força, você não tem paixão para fazer nada. Se você vai ser um líder, você precisa ser apaixonado para fazer as coisas. Mas essas paixões, elas têm que ser moderadas, você tem que ter acelerador e freio, senão não funciona.
Todo carro tem que ter freio, e a temperança é essa questão do freio. Você tem que moderar, você tem que desenvolver essa virtude da moderação. E, finalmente, a última virtude das quatro virtudes cardeais é a justiça, ou seja, de dar a cada pessoa aquilo que é seu.
O líder precisa ser justo, porque se ele for uma pessoa injusta, ninguém vai segui-lo. Se você só faz uma injustiça atrás da outra, quem vai seguir você? Se você só comete injustiças.
Então essas são as quatro virtudes básicas. Eu depois vou voltar aqui, nesse segundo andar, para a gente falar também das virtudes teologais, da fé, esperança e caridade, e de como essas quatro virtudes básicas podem ser também infusas. Mas isso aí é próprio da espiritualidade cristã, e eu não vou falar tanto disso agora.
Quero passar logo para o terceiro andar para você entender, então, finalmente, o que é o líder. E eu já falei, o líder tem esta base, a humildade básica, as quatro virtudes, mas ele tem o terceiro andar, que são aquelas duas virtudes que eu coloquei no início, a magnanimidade e a humildade. Veja, nós fomos feitos por Deus para a grandeza.
Você precisa entender isso. O Papa Bento XVI, quando ele foi eleito Papa, lá nos primeiros dias da eleição, ele fez uma audiência para os peregrinos alemães que tinham ido a Roma para o conclave, para a eleição papal. E ele, nesse discurso que ele fez, assim, sem ler nada, falou em alemão para os seus patrícios, ele disse assim, que “os caminhos do Senhor não são os caminhos da comodidade, porque Deus nos fez para a grandeza”.
Vejam que frase extraordinária. Deus nos incomoda, Deus nos perturba, Deus nos inquieta. Por quê?
Porque você não foi feito para a comodidade. Você não foi feito para ficar na poltrona, como um palermão, bonachão, lá, largado. Você gostaria que fosse assim, mas não é isso.
Deus te fez para a grandeza. Magnanimidade, você tem a alma grande. “Makrothumia” em grego.
“Makrothumia” quer dizer um coração grande, um “thýmos” grande, coração grande. Agora, essa coisa de você ter um coração grande, eu disse, é você descobrir o que Deus realmente sonhou para você. Deus tem um sonho para você.
Deus sonhou para você que você fosse santo, que você O amasse generosamente. Deus tem um sonho de santidade para você. O Alex Havard, ele pertence, é ligado ao Opus Dei.
Se você for ler o livro, ele tem citações a todo momento de São Josemaria Escrivá. E logo no prólogo, ele coloca uma citação de São Josemaria, do “Caminho”, número 7, e diz assim: “Não voes como ave de capoeira quando podes subir como as águias”. Então, você não foi feito para rastejar como uma serpente, meu irmão, voe como as águias.
Deus quer isso de você. Deus quer que a gente vá para essa grande aventura de amar, grande aventura de dar a vida. Este é o sonho de Deus para você.
Magnanimidade. Magnanimidade. Mas, até aí, ótimo.
Se nós tivéssemos colocado as coisas até aqui, nós ainda não temos um líder. Faltou mais uma coisa. A outra segunda virtude daqui, do topo.
A humildade de servir. O líder, ele humildemente serve o outro para fazer com que o outro descubra a sua grandeza. Então, o líder faz assim: eu vejo que você é bom em, sei lá, ciência política.
Então, você vai nos ensinar ciência política. Agora, este outro aqui é bom em espiritualidade e teologia. Você vai nos ensinar espiritualidade e teologia.
Já aquele outro lá, ele entende de som. É ele que vai montar o som. Este aqui entende mecânica.
Ele que vai preparar os carros. Aquele outro lá entende economia. Então, o líder, verdadeiramente, ele tem este humilde serviço de descobrir os talentos, os dons, de quebrar a pedra e descobrir o brilhante que está lá dentro, o diamante que está lá dentro, que depois precisa ser lapidado pelas virtudes, aos poucos.
Mas o líder é capaz de ver. O líder é capaz de pegar um sujeito que ninguém dava valor, ver uma coisa grande nele e o chama. Quem assistiu o filme “O Hobbit”, ou melhor ainda, leu o livro, vê isso.
O que é que o Gandalf foi para o Hobbit, o Bilbo Bolseiro? Foi o líder. No início do filme, quem é o Bilbo?
É um hobbit medroso, acomodado, covarde, que não quer encrencas. O Gandalf chega lá e diz: “Eu vim aqui para convidar você para uma aventura” e ele lá, fumando o cachimbinho dele na porta de casa, diz: “Aventuras são coisas ruins, fazem você se atrasar para o jantar”, ou seja, “Mas eu gosto da minha casinha, de ficar tomando chá”, etc. Uma das primeiras cenas do Bilbo, quando ele partiu para a aventura, ele fala: “Esqueci o meu lenço, cadê o meu lenço?
E agora, como que eu vou sem lenço para uma aventura, sem lenço? ”, coitado. Mas o Gandalf viu a pedra preciosa no coração do Bilbo.
Ele sabia que aquela aventura, aquele sofrimento todo, ia fazer ele se transformar naquilo que ele era chamado a ser. Quando os anões chegam na casa do Bilbo, e eles começam a ver o Bilbo, nenhum dos anões foi capaz de ver a grandeza do Bilbo. E Gandalf então diz: “Ele é a pessoa que nós precisamos, mesmo que ele não saiba disso”.
Mesmo que ele não saiba disso, ele não sabe quem ele é. Eis aí o líder. O líder, ele entra na sua toca de Bilbo Bolseiro para dar um chute no seu traseiro e dizer: “Vai para a aventura, vai, tem um sonho grande, pare de rastejar como uma serpente, voe como uma águia”.
Isso é um líder. E aqui que está a grandeza. Aí você vai dizer: “Mas, padre, me diga uma coisa, mas a magnanimidade e a humildade, elas não entram em contradição em uma pessoa só?
”, o genial Santo Tomás responde, naquele mesmo artigo que eu já citei no início, ele fala também da humildade. Ele diz: “A humildade obriga o homem a se julgar pouca coisa em consideração de sua própria insuficiência. De maneira semelhante, a magnanimidade menospreza os outros na medida em que lhes faltam os dons de Deus, porque não os preza tanto que faça por eles algo inconveniente”.
Veja só, o magnânimo diz: “Não, esse cara não tem talento para isso, não adianta. Você não tem esse talento, rapaz, você vai fazer outra coisa, sai daí”, você está na gráfica, sai da gráfica, você não serve para isso. Vai para o setor de importação e exportação, pronto.
“Não, mas não é isso que eu queria”, “Vai, seja humilde, passe pelo sofrimento, desenvolva virtudes e você vai descobrir a grandeza que você tem”. Você vai descobrir a sua magnanimidade. Então, a humildade é essa coisa de eu vejo o meu limite e eu vejo o dom de Deus em mim, é tudo verdade, não é delírio.
A humildade é a verdade de ver o meu limite. A magnanimidade é a verdade de ver os dons que Deus me deu. Ao mesmo tempo, o serviço humilde do líder é capaz de se inclinar diante da grandeza de Deus no outro, do dom de Deus no outro.
E é isso que faz o verdadeiro líder. Então, vejam só, isso aqui, segundo o Alex Havard, é a pirâmide que constrói uma liderança. Eu fiquei de falar, e vou falar, das outras virtudes.
Aqui nesse segundo andar, existem virtudes que são propriamente cristãs: fé, esperança e caridade. Não só aquelas quatro virtudes cardeais, mas as três virtudes teologais. Pois bem, a fé, esperança e caridade, elas são virtudes que colam a nossa alma com a humanidade de Cristo.
Você crê no amor de Deus no Cristo. Porque você crê no amor de Deus no Cristo, a virtude da fé, você então, quando você vê aquele amor, você tem uma pressa demais de volta. Isso aí é esperança.
E aí você vai e ama de volta, isso aí é caridade. Então você ali está unido a Cristo e quer corresponder a Ele. Pois bem, quando você se exercita na fé, esperança e caridade, você vai crescendo na fé, esperança e caridade, acontece uma coisa maravilhosa.
Quando você está em estado de graça, quando você comunga, ou seja, você não pode ficar nessa vida de pecado aí, amarrado no pecado. Não, você tem que ir para o confessionário para ter a fé, esperança e caridade. Porque se você não está em estado de graça, pelo menos a caridade você não tem.
Pode ser que a sua esperança esteja na UTI, que a sua fé esteja com os dias contados. Mas, veja só, vai para o confessionário, recebe a fé, esperança e caridade. Se você se exercita, se você reza, se você se exercita, recebe a Comunhão, está com Deus, está unido a Cristo, essas três virtudes que unem você a Cristo, o que vai acontecendo?
Vai acontecendo que você começa a receber aquelas outras quatro virtudes cardeais, humanas, normais, que todo mundo tem, você começa a receber essas virtudes infusas. Infusas, o que quer dizer o seguinte, quer dizer o seguinte: um belo dia você tem, eu falei da prudência, não é? Você tem a prudência, ou seja, aquela sabedoria prática que você tem naturalmente.
Mas pode acontecer, porque você leva uma vida virtuosa, que um dia dá aquele clique de uma solução e você não sabe de onde veio aquilo, aquilo veio do Espírito Santo, é a virtude infusa, você foi iluminado. Então você tem a virtude humana da prudência, ou seja, daquela sabedoria prática, mas de vez em quando aparece aquela iluminação, aquele clique, que realmente é a virtude infusa. Isso acontece, isso acontece com a coragem, isso acontece com, por exemplo, a coragem dos mártires.
Como é que um cara consegue ser mártir? Não é com coragem humana, para o cara ser mártir, ele recebeu a virtude infusa da coragem, não é? E a temperança, a castidade, aquela castidade heróica que a gente vê nos santos, é infusa.
E assim por diante, então essa realidade aqui, ela vai crescendo, ela vai crescendo. Pronto, terminei, expliquei, agora tem uma última coisa que eu quero dizer. Isso daqui mais ou menos é o resumo do livro do Alex Havard, mas eu quero acrescentar coisas, que é o seguinte: isto que eu acabo de descrever é próprio de uma família.
Se você tirar a palavra líder e colocar a palavra pai, isso aqui vale perfeitamente. Quando o pessoal do site perguntou: “Padre, nós vamos fazer a aula de hoje, qual é a imagem, qual é a foto que o senhor acha que expressaria essa liderança? ”, eu disse: Olha, pegue a imagem de um pai apontando o horizonte para o seu filho, ou seja, o pai está gerando o filho espiritualmente, está fazendo com que ele descubra suas dificuldades – humildade – que ele reaja virtuosamente porque vai quebrando a pedra para sair de lá de dentro o diamante e vai mostrando a magnanimidade, a grandeza do próprio filho: “Você, meu filho, você é chamado lá, para longe, lá para aquela grandeza”.
Esse é o pai, é um líder. Então isso é família. Agora, por que é que isso está faltando na nossa sociedade atual?
Pelo seguinte, vamos pegar aqui, agora falamos de Santo Tomás, falamos de São Josemaria Escrivá, falamos do Alex Havard, agora vamos falar de um ateu, um sujeito chamado Kingsley Davis. Ele escreveu um livro que está em dois volumes, publicado aqui no Brasil, pela Editora Fundo de Cultura. É um manual clássico da década de 50, publicado aqui no Brasil na década de 60, desse importante sociólogo americano, Kingsley Davis.
Para quem não conhece o Kingsley Davis, ele está por trás de todas essas maldades que estão aí de controle populacional, ideologia de gênero, se você for estudar, a raiz de tudo está com esse cara. Mas no segundo volume, ele faz uma diferenciação, é o capítulo 11 da obra, a diferenciação entre grupos primários e grupos secundários. O que é que quer dizer isso?
Veja, a nossa sociedade, o Kingsley Davis nesse livro aqui, “A Sociedade Humana”, ele disseca a sociedade como se fosse uma espécie de aula de anatomia. Ele vai mostrando como é que é feita a sociedade humana, então ele vai mostrando, isso aqui é o fígado, isso aqui é o pulmão, ele vai dissecando. Então ele distingue na sociedade humana dois tipos de grupos, grupos primários e grupos secundários.
O que é o grupo primário? Um grupo primário é um grupo onde as funções que as pessoas exercem, elas são permanentes. Por exemplo, um pai, um pai, ele é pai mesmo que ele já tenha morrido.
O pai é pai quando ele está trocando as fraldas do filho, o pai é pai quando o filho está crescendo e tem que sair de casa, o pai é pai quando o filho já não precisa mais dele, mas o pai é pai até depois que morreu. Porque o filho, depois que o pai morreu, fica pensando: “Puxa, eu aprendi isso com ele” e ele continua sendo pai. As sociedades primárias, elas têm funções, têm papéis que não são descartáveis, são permanentes.
E as sociedades secundárias, o que é que são? São as empresas. Secundário é o seguinte, você tem a sua função lá dentro da empresa, só que você é descartável, se você não fizer direito ao seu trabalho, a gente põe você para fora e contrata outro.
Você é descartável, você não é permanente. Isso significa o quê? Que nas sociedades secundárias existe briga, luta.
Ou seja, os funcionários entre si competem para ver quem vai ser o melhor, para ver quem vai ser promovido, para ver quem produz mais e a coisa vai pela luta. Enquanto na sociedade primária as coisas vão pela virtude. Então você já compreende aqui o seguinte, que verdadeira liderança só vai acontecer se houver ambiente de família, ou seja, de sociedade primária.
Santo Tomás de Aquino, na Prima Secundae, na primeira seção da segunda parte, na Questão número 95, Artigo 1º, ele diz assim, que é a respeito das leis, ele diz: “Se convém que haja leis”. Ele diz o seguinte, existem duas formas de você ensinar a pessoa. Uma é, se a pessoa é virtuosa, você educa essa pessoa por paternos conselhos.
O que é que ele está dizendo? Isso daqui, o que é? Isto é família, paternos conselhos, isso é liderança, paternos conselhos.
Para que haja isso, é necessário que haja pessoas de virtude, tanto entre aquele que lidera, como aquele que é liderado. Tem que haver pessoas virtudes. Mas ele diz o seguinte, já que não existe somente pessoas de virtude, tem também as pessoas más, então as pessoas más só tem um jeito, chama-se lei.
Aí é o mundo cão, é a sociedade secundária, é conflito. É o seguinte, se você não fizer, eu te despeço. Ou seja, nas sociedades secundárias reina o poder, na sociedade primária reina a autoridade, a liderança verdadeira.
Isso daí que o Kingsley Davis, ateu, está dizendo, sociedade primária e secundária, isso daí que Santo Tomás de Aquino está dizendo, ou seja, como se educam pessoas virtuosas e como que se põe nos trilhos pessoas que não são virtuosas, Santo Agostinho notou lá atrás naquele livro, “Cidade de Deus”, ele diz assim, existem duas cidades, a Cidade de Deus e a Cidade Terrena. A Cidade de Deus foi construída pelo amor de Deus até o desprezo de si, é a virtude e a Cidade Terrena foi construída pelo amor de si até o desprezo de Deus, é o vício, é a desgraça, é a sociedade secundária. Qual é o problema de nossa sociedade hoje?
Nossa sociedade está vivendo somente como sociedade secundária, só tem conflito, só tem conflito. De onde nasceu isso? Bom, isso nasceu da obsessão criada lá atrás, durante o tempo da Revolução Industrial, a obsessão com o materialismo, o dinheiro, o dinheiro é o que importa.
Aí o dinheiro gera conflito, os capitalistas porque querem ter mais, e querem ter mais, e querem ter mais, e os marxistas porque querem dividir aquilo que os capitalistas produziram, é isso. São duas demências. Uma sociedade baseada só no ganho pela obsessão capitalista, e no ganho distribuído pela obsessão marxista, é uma sociedade que nunca vai ser família, não vai gerar virtude, você vai ter que gerar, vai ter que governar essa desgraça através da lei, e o que é o pior, aí vai ter que fazer lei para tudo, aí você tem que regulamentar tudo, até a respiração das pessoas.
Vocês não notam que quanto mais a nossa sociedade fica maluca, mais leis e normas das pessoas são inventadas? Tem norma para tudo. Ou seja, quando nós éramos uma sociedade não obcecada, que éramos mais família, mais grupo primário, que é o que o cristianismo faz, o cristianismo não gera essa obsessão, o cristianismo gera família, porque a Igreja é família.
Quando nós éramos uma sociedade que era mais família, uma senhora entrava num ônibus, todo mundo levantava para dar o lugar para a senhora, agora não, você precisa de lei para dizer que aquele banco lá é para o idoso, tem que ter lei, e se não der o banco para o idoso vai ser multado. Uma coisa que era óbvia, por quê? Porque a gente ensina para as crianças virtuosamente a se levantar para o ancião.
Sumiu, desapareceu, agora tudo tem que ser lei. Ou seja, antigamente quando nós éramos família, as famílias resolviam seus problemas em casa, agora nós não somos mais família, as famílias resolvem problemas em B. O.
na delegacia, a mulher briga com o marido e faz um B. O. Isso é loucura, isso é absurdo.
Nós deixamos de ser família. E aí você entende perfeitamente porque é que nós estamos nesse vazio de liderança. O povo vai às ruas, quer pôr abaixo o poder, mas ninguém tem uma autoridade para dizer sigam por aqui, vamos lá.
Não tem líder porque não tem virtude. Nós estamos numa crise de virtudes, as virtudes sumiram. Isso quer dizer o seguinte: está faltando Igreja.
Qual é o drama da Teologia da Libertação? O drama da Teologia da Libertação é o seguinte, a Teologia da Libertação transformou a Igreja Católica em grupo secundário quando a Igreja Católica é grupo primário. A Teologia da Libertação com a desconfiança marxista, onde tudo tem uma ideologia por trás, tudo tem um interesse por trás, tudo é conflito, tudo é opressão, tudo é não sei o que, etc.
e tal, transformou a igreja num ambiente de desconfiança. Então tudo vive no conflito, é conflito, tudo é briga, tudo é conflito. Eu fui notando isso em mim mesmo, que embora eu fosse radicalmente antimarxista, radicalmente anticomunista, radicalmente antitudo, eu estava tendo atitudes de comportamentos marxistas.
Por quê? Porque eu só queria saber de conflito. Não, precisa falar, está errado.
Acordei para a vida. Eu acho que vocês estão notando que o site mudou um pouco de estilo. Os meus vídeos antigos eram muito mais denúncia, era muito mais conflito, era muito mais não sei o quê.
Vamos, temos que resistir. Agora eu comecei a notar o seguinte: ou a gente faz uma família ou não vai dar certo, ou a gente busca a santidade de verdade e não vai funcionar. Ou eu paro de ser um sujeito que instiga as pessoas para confrontos somente, embora às vezes seja necessário confronto, mas começo a ser verdadeiro pai que instiga as pessoas para a virtude.
Isso eu sempre fui, mas era questão de ênfase. A ênfase do site mudou. A gente precisa enfatizar mais essa coisa do grupo primário, ou seja, dessa realidade de que nós somos família, de que nós precisamos criar a virtude, precisamos ser santos, precisamos amar mais.
Claro, se entra um assaltante na minha casa, se entra uma pessoa, eu vou ter que resistir, claro. Não estou dizendo, não somos pacifistas. Como disse o Beato Paulo VI: “Nós somos pela paz, mas não somos pacifistas”, ele disse isso na ONU, “Nós, cristãos, somos a favor da paz, mas não somos pacifistas”.
O pacifista é aquele que de jeito nenhum aceita nenhum conflito, mesmo que seja para a autodefesa. Bom, isto é um pouco, então, aquilo que eu queria colocar para vocês. Vamos ser famílias.
Vamos ser famílias. A verdadeira liderança, a gente pode colocar assim, é paternidade, é maternidade espiritual, é gerar o outro, fazer com que o outro encontre o grande sonho de Deus para ele e aí haverá a verdadeira liderança. Vamos fazer um brevíssimo intervalo e a gente volta para algumas breves perguntas, porque o nosso tempo já está basicamente esgotado.
Está bom? A gente volta já, já. Muito bem, voltamos então para responder brevemente, porque o nosso tempo hoje já está estourado.
Elton Kazmierczak, desculpa se eu não pronunciei o sobrenome corretamente: “Padre, sua benção. Como podemos combater o bom combate e defender a fé sem nos deixar levar pelo comportamento marxista e continuar com o clima de família? ”.
Olha, Elton, o que acontece é o seguinte, é claro que em uma sociedade onde nós estamos aí beirando a ditadura, é necessário fazer um combate. O problema é quando a gente faz o combate e a gente perde de vista a nossa vocação primeira, que é exatamente ser família, ou seja, a gente precisa entender isto, que a gente combate, mas o combate é simplesmente algo que é um serviço. O problema do marxista é que ele combate por combater.
O marxista, ele crê que se ele puser tudo abaixo, a nova sociedade justa e maravilhosa, ela vai surgir das cinzas assim do nada, por exemplo, “O Capital”, do Marx, é uma descrição da sociedade que está caindo. Ou seja, ele descreve a sociedade que precisa ser destruída, mas em momento nenhum Marx descreveu a sociedade que precisa ser construída. Entendeu?
Por quê? Porque eles não sabem, ou seja, a dificuldade do marxismo está exatamente que ele crê que do negativo surge o positivo automaticamente. Que é próprio do hegelianismo isso.
Então, como está no “Fausto”, de Goethe, quando Mefistófeles se apresenta ao Doutor Fausto, Mefistófeles é o demônio, ele se apresenta: “Eu sou uma parte daquele poder que sempre realiza o mal e sempre surge o bem”, sempre surge uma coisa boa, positiva. Eu faço as coisas más, mas dali do mal surge o positivo. Essa é a crença hegeliana.
Então, na realidade, combater é necessário sempre, evidente, nós não estamos no mundo de Adão e Eva lá no Paraíso, nós estamos num mundo onde a natureza é decaída. Mas se a gente esquece exatamente que existe, não existe somente esse mundo cão, existe família. E aqui a gente precisa gerar família.
Uma proposta positiva. Tiago Mello: “Padre, como posso ajudar a despertar em meus amigos a vocação à santidade? Como dar o exemplo sem se pôr como exemplo?
É possível? ”. Olha, Tiago, é a grandeza de apontar para a vida dos santos, ou seja, a gente vai descobrindo um parentesco espiritual com os santos.
E aí, quando você vai vendo a vida dos santos, você vê o Cristo encarnado na vida daqueles santos. E você começa a ver aquilo e aquilo vai te levando para a santidade, aquilo apaixona. Então, fazer as pessoas ficarem apaixonadas pelos santos.
Por quê? Porque a paternidade espiritual não é somente de pessoas vivas. A paternidade espiritual acontece também dos santos que estão no Céu.
Ou seja, eu olho para a minha vida, eu vejo o quanto Santa Teresinha foi mãe para mim. Eu vejo o quanto Santa Teresa d'Ávila é mãe, o quanto Santo Tomás de Aquino é pai, o quanto São João da Cruz é pai e assim por diante, o quanto São Felipe Neri é pai. E a gente vai sendo gerado por esses grandes santos.
Rafael: “Padre, todos os cristãos podem ser líderes? ”. Sim, Rafael.
Todos os cristãos podem e não somente podem, devem ser líderes. Não somente os cristãos, todo homem, porque isso daqui, eu acrescentei no final a realidade das virtudes cristãs. Acontece, porém, que este livro aqui, “Virtude e Liderança”, ele vale para todos, inclusive para quem não é cristão.
Porque isso daqui está baseado na filosofia clássica de Platão e Aristóteles. Então isso daqui vale. Ele foi traduzido, esse livro aqui foi traduzido em mais de quinze idiomas.
Isso quer dizer o seguinte, inclusive no chinês, onde tem muito poucos cristãos lá lendo. Isso quer dizer o seguinte, que esse livro aqui é fácil de ser entendido por todo mundo. Se foi traduzido para quinze línguas, é porque todo mundo entende.
E a gente pode, então, eu estou falando de livro, também é importante o seguinte, existe um outro livro deste Alexandre Havard, que é “Created for Greatness”, sobre a magnanimidade. Não tem em português, mas tem lá na Amazon, em inglês. Então, inclusive, esse livro aqui, que em inglês é “Virtuous Leadership”, tem também no formato Kindle, em inglês, e esse é “Created for Greatness”, ele está lá na Amazon.
com. , você pode comprar na Amazon. com.
br também, a Amazon é uma só. Então, o subtítulo é “The Power of Magnanimity”. Muito bom, os livros que ele escreve são muito positivos.
Wellington Guimarães: “Padre, um líder cristão tem que ser carismático? ”. Wellington, depende de como você define esse negócio de carismático.
Um líder pode ser tímido, o líder não precisa ser uma pessoa que fala em público. Não. Você veja, por exemplo, o Jan Tyranowski, o alfaiate lá de Cracóvia.
Provavelmente, se ele visse um microfone, ele desmaiava de medo do microfone, de timidez, mas ele conseguiu ser líder. Existem pessoas que não são midiáticas, mas são líderes. Existem pessoas que não conseguem falar direito, mas são líderes.
Porque a capacidade maior do líder não está na oratória, não está na boa performance em público, mas está nessa capacidade do humilde serviço. O líder pode ser essa pessoa tímida, mas que faz o humilde serviço de fazer com que o outro se descubra. Então, por exemplo, um diretor espiritual é um grande líder.
Mesmo que ele faça isso corpo a corpo, não precisa ser em um grande público. Então, ficamos por aqui com as nossas perguntas. Eu agradeço muito a participação de vocês.
Uma grande alegria estarmos juntos a cada semana. E que Deus abençoe você, que verdadeiramente nesse mês de maio, Nossa Senhora seja para você uma grande presença. Eu quero indicar para vocês um post que nós fizemos no nosso Facebook, que nós vamos colocar depois no site, eu não dei ainda indicação para o pessoal do site, um post a respeito da indicação de um novo ministro para a Corte Suprema do nosso país.
É uma situação preocupante, nós recebemos esse texto do José Felipe e estamos aí veiculando na internet, porque é importante que você faça alguma coisa. Dá uma lidinha lá e colabore também para o bem do nosso país. Deus abençoe você e até mais.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.