Olá, sejam bem-vindos ao segundo episódio sobre inteligência artificial da iniciativa da Porto Editora Educar Transforma. Em cada episódio, começamos por analisar os dados recolhidos num grande inquérito nacional sobre as perceções, preocupações e expectativas dos professores relativamente à inteligência artificial na educação no nosso barómetro educativo, onde procuramos Compreender o que está verdadeiramente em causa nas nossas escolas. Depois temos um espaço de conversa com especialistas convidados, investigadores ou profissionais que vivem diariamente a realidade da sala de aula, onde vamos discutir quais os caminhos possíveis, as práticas ajustadas e as decisões pedagógicas mais conscientes. E encerramos com a
nossa mala de ferramentas, um espaço para partilha de dicas e exemplos muito práticos para Usarem no vosso dia a dia. No final do episódio anterior, deixamos uma pergunta no ar, uma pergunta simples, mas profundamente desafiante para qualquer professor. Se o aluno entregar um texto escrito totalmente por inteligência artificial, o que faz? Ignora, anula o trabalho ou conversa com o aluno? Ou tenta perceber realmente o que aconteceu naquele processo de aprendizagem. Até agora temos falado da inteligência artificial, Sobretudo a partir da perspectiva da investigação, da ciência e do pensamento. Mas falta olhar para outro lugar essencial,
as escolas, os professores e sobretudo os alunos. Porque para compreender verdadeiramente o que está a acontecer na sala de aula, é fundamental ouvir também quem está do outro lado do processo de aprendizagem. Para muitos estudantes, a inteligência artificial não surge como um dilema pedagógico ou um problema ético. Surge Simplesmente como uma ferramenta disponível, uma ferramenta que explica conteúdos, ajuda a organizar ideias, sugere formas de iniciar um texto ou de compreender um conceito mais difícil. E isso levanta uma questão muito interessante. Estarão os alunos a usar inteligência artificial apenas para facilitar o trabalho ou também para
aprender de uma outra forma? Para explorar esta questão, convidamos duas pessoas que representam Precisamente estes dois olhares sobre a sala de aula. Uma professora que vive diariamente o desafio de ensinar num contexto em rápida transformação e um aluno que pertence a uma geração para quem estas tecnologias já fazem parte do cotidiano. Mais do que uma questão tecnológica, estamos perante uma questão profundamente pedagógica e humana. Porque a inteligência artificial já não está apenas nos computadores ou nas plataformas digitais, ela já está na Sala de aula, nos trabalhos de casa e nos processos de estudo dos alunos.
E isso obriga-nos a olhar para a escola a partir de uma nova pergunta. Se os alunos já vivem num mundo onde a inteligência artificial está presente, como deve a escola responder? Ignorar, proibir ou aprender a integrar pedagogicamente esta realidade? É isso que vamos explorar neste episódio. Neste parómetro educativo, analisamos as Respostas dadas às questões lançadas no nosso questionário sobre as perceções dos docentes sobre inteligência artificial em Portugal [música] e que nos ajudam a perceber não apenas o que pensam os professores sobre a IA, mas também como estão a lidar com ela na prática. A recolha
de dados decorre de um estudo nacional liderado pela Escola Superior de Educação de Coimbra, com o apoio da Porto Editora [música] no âmbito desta Iniciativa Educar Transforme. Comecemos por um cenário muito concreto. Um aluno entrega um texto escrito integralmente por inteligência artificial. O que faz? As respostas mostram uma diversidade muito interessante de [música] posições. Apenas 4,6% dos professores afirmam que penalizariam diretamente o aluno. Ou seja, a abordagem punitiva aparece claramente como minoritária. Cerca de 25,1% preferem pedir uma nova Versão do trabalho sem recurso à inteligência artificial, o que revela uma tentativa de recentrar o processo
de aprendizagem. Mas valerá a pena retirar o pedido correndo o risco da prática ser repetida. Já 20,8% optariam por conversar com o aluno sobre o uso da ferramenta, procurando compreender o contexto e a intenção. Há ainda [música] 6% que afirmam que avaliariam apenas o Processo e [música] não o produto final. uma abordagem que começa a refletir mudanças mais profundas nas práticas [música] de avaliação. Mas talvez o dado mais revelador seja este. 34,7% dos professores dizem [música] que utilizariam a situação como uma oportunidade pedagógica. Ou seja, para muitos docentes, este tipo de situação já não é
visto apenas como um problema disciplinar, [música] mas como um momento de aprendizagem sobre o próprio Uso da tecnologia e desta IA como forma de aprender. [música] Ainda assim, 8,8% admitem não saber exatamente como agir ou optariam por uma outra solução. Este último dado merece atenção porque revela algo muito importante sobre inteligência artificial e que está a chegar às salas de aula mais pressa do que as orientações pedagógicas e institucionais conseguem acompanhar. [música] Aqui colocamos em causa o processo formativo da iniciação e contínuo de professores. Passemos agora a outro indicador relevante. Qual o nível de confiança
dos professores na utilização da inteligência artificial? Os resultados mostram um quadro relativamente equilibrado. Cerca de 43,5% colocam-se no nível intermédio de confiança, enquanto [música] 31,6% dizem ter já um nível elevado de utilização e compreensão. Por outro lado, 20% dos professores situam-se ainda nos níveis mais baixos de confiança, [música] o que indica uma parte significativa do corpo docente continua a sentir necessidade de formação e apoio [música] neste domínio, dado reforçado ao longo deste estudo. Aliás, reitera-se a ideia de formação contínua de professores, não ser do Ponto de vista meramente técnico, mas sobretudo pedagógico, [música] como ensinar
nos dias de hoje. Estes dados sugerem que estamos no momento de transição. Há já muitos professores a experimentar e a explorar a IA, mas ainda existe um caminho importante a percorrer em termos [música] de literacia digital pedagógica. A pouca confiança, além de ter que ver com o que sabemos ou conhecemos da inteligência artificial, [música] coloca Sempre em causa processos pedagógicos que até aos dias de hoje permanecem por alterar, deixando tudo muito mais anu e desconcertante para professores, [música] alunos e pais. Perguntamos também qual seria, na opinião dos professores, a posição da escola relativamente ao uso
da IA pelos alunos. Aqui surge um dado muito claro. 57% defendem que o uso deve ser regulamentado, ou seja, [música] a maioria dos docentes não defende nem a Proibição, nem a utilização sem regras, mas sim [música] um enquadramento claro, pedagógico e institucional. Temos a enorme felicidade de encontrar no último reduto da nossa sociedade que vive [música] em extremos uma noção de equilíbrio e bom senso. Cerca de 29,7% [música] considera que a resposta depende do contexto, o que reforça a ideia de que o uso da inteligência artificial não pode ser analisado de uma forma uniforme para
Todas as disciplinas, tarefas ou níveis de ensino. Naturalmente, as posições [música] mais extremas aparecem com muito menos expressão. Ainda assim, 3,3% defendem que a inteligência artificial deve ser incentivada, [música] ou seja, utilizar o espaço e tempo letivo para ensinar a fazer mais e melhor, [música] enquanto que 2,8% consideram que deveria ser proibida, o que pode ilustrar alguma ausência de Conhecimento sobre esta tecnologia. Por fim, no barómetro educativo de hoje, deixamos talvez a pergunta mais tutoral de todas. Está a escola preparada para lidar com a inteligência artificial? Os resultados aqui parecem bastante claros. 31,7% [música] dos
professores consideram que a escola não está preparada de todo e 35,9% dizem que está pouco preparada. Ou seja, mais de 2/3 dos docentes sentem que as instituições educativas ainda não têm Estruturas, [música] ecossistemas, orientações ou formação suficientes para lidar com este novo contexto. [música] Desse ponto de vista, este reconhecimento nacional deveria tornar este assunto numa das prioridades educativas, sob pena de termos gerações de alunos e professores completamente desorientados. Apenas 3,7% consideram que a escola está preparada e menos de 0,5% acreditam que está muito bem preparada. [música] Estes números não devem ser lidos como um sinal
de pessimismo, mas sim como um retrato honesto de um sistema educativo [música] em processo de adaptação e a forma como a escola, os professores, os alunos estão a pedir ajuda e guias de utilização pedagógica. Porque talvez a questão não seja se a escola está preparada hoje, talvez a questão seja outra. Como podemos preparar melhor a escola para uma Realidade que já começou? Vamos à conversa. No primeiro webinar deste ciclo, procuramos perceber o que é final a inteligência artificial e que desafios coloca a educação. Os dados que acabamos de ver mostram algo muito interessante. Os professores
estão atentos, estão a refletir e em muitos casos já estão a experimentar novas formas de lidar com a inteligência artificial. Mas os números por si só nunca contam história Completa. Por isso, hoje trazemos a conversa para o lugar onde tudo realmente acontece, a sala de aula. Porque a IA não é apenas um tema de conferências ou de investigação académica. Ela já faz parte do estudo dos alunos, das tarefas dos professores e das dúvidas das famílias. E é na sala de aula que as decisões pedagógicas ganham forma e que surgem as dúvidas, os dilemas e também
as oportunidades. E é na sala de aula que diariamente Encontramos duas perspectivas essenciais. A perspectiva do professor ou professora que acompanha os alunos no seu processo de aprendizagem e que enfrenta desafios pedagógicos que estas tecnologias colocam. e a perspectiva dos alunos que pertencem a uma geração para quem a inteligência artificial faz parte do cotidiano de estudo, de pesquisa e de produção de conhecimento. Para percebermos melhor esta realidade, tenho comigo a professora Liliana Fernandes, Que já integra ferramentas de inteligência artificial no seu trabalho pedagógico, e o Daniel Ferreira, aluno do ensino secundário, que vive diariamente esta
transformação do lado de quem aprende. Mais do que de discutir teorias, queremos compreender como estas ferramentas estão a entrar na experiência real de aprendizagem. Queremos ouvir dúvidas reais e também oportunidades reais. Vamos lá, Liliana, quando é que começaste a utilizar inteligência artificial nas tuas aulas? E porquê? >> Não há dúvida que a inteligência artificial já anda aí há algumas décadas. comecei a prestar-lhe mais atenção quando da minha formação contínua e e depois o grande boom e aquele momento em que a inteligência artificial realmente entra pela escola dentro é quando se dá o boom da inteligência
artificial generativa, Vulgarmente conhecida pelo pela ferramenta em si, que depois veio dar o nome. Eh, mas nessa altura ela apareceu ali no final de novembro de 2022 e em janeiro de 2023 eu já tinha pequenitos a pegar nessa ferramenta para ir buscar os códigos para os jogos da moda. E e aquele momento fez-me refletir, porque se eles já estão a ir buscar estas ferramentas para os seus jogos, para as suas coisas do dia- a dia, significa que está no momento de nós começarmos a Entrar em campo e ensiná-los a utilizar estas ferramentas. Portanto, foi mais
ou menos nesse nesse momento em que a inteligência artificial generativa explodiu, entrou em força. >> Quando quando falas pequenitos, estamos a falar de que de que alunos >> alunos de primeiro ciclo >> que já estavam a usar inteligência oficial >> regenerativa dois meses depois dela ser lançada. >> Já vou saber um bocadinho melhor o que é que eles estavam a fazer, mas já agora pergunto ao Daniel o que é que os alunos fazem com esta inteligência artificial. O que é que, qual é, quais são as grandes experiências que tens e que os teus colegas também
têm com esta intelidade artificial? Se faz parte do teu cotidiano? >> Faz faz parte do meu cotidiano, tanto do meu como dos meus colegas, eh, tanto na sala de aula como também fora da sala de Aula. Ah, já invadiu completamente as nossas vidas. >> Que que exemplos de de tarefas, atividades é que é que vocês desenvolvem? É que é que desenvolves com esta IA? Bem, como estudante, claro, vai ser o ensino, né, o ensino académico, eh, os estudos, mas eu uso bastante, não só para estudar, mas também seja para o desenvolvimento da programação, seja também
e para aprender fora da escola. >> Acima de tudo é é uma espécie de Explicador. >> Exatamente. É um ajudar mais. >> Liana, e com os pequenitos, então, o que é que o que é que os pequenitos conseguem fazer com esta IA? Quando ela começou, realmente era o truque mágico para resolver as dificuldades dos jogos. E então começamos a trazer a ferramenta para a sala de aula. Foi aquele primeiro deslumbro, era o milagre, era aquilo que lhes ia dar resposta aos grandes problemas que eles tinham. foi Apresentada a ferramenta, fizemos um debate, o que é
que poderia ou não poderia ser feito, a ética, a consciência e depois entramos no modo de testar a ferramenta. E foi muito interessante porque a formatação que eles trazem enquanto alunos e enquanto e eh cidadãos atuais é h colocar a questão como ela se lhes coloca. E então a primeira questão que colocaram ao à ferramenta de inteligência artificial foi como fazer os trabalhos de casa. E eu achei piada por dois motivos, porque claro, como professores, trazemos sempre qualquer coisa na manga e os os miúdos estavam muito entusiasmados. Ei, boa pergunta, é mesmo essa que nós
precisamos? E eu questioneios, têm a certeza que querem fazer esta pergunta? Claro, então isso é o que nós precisamos. Começamos, escrevemos a pergunta e a ferramenta começa a devolver a resposta. E aquele ar de milagre quando começa a ferramenta A escrever foi-se desvanecendo porque a ferramenta faz aquilo que qualquer professor faz. Ou seja, para fazeres os trabalhos de casa, deves encontrar um local calmo, deves ter o material todo disponível, toda essa série de conselhos que nós já damos. E foi a desilusão. E então de repente há um que diz: "Estamos tramados, agora temos que aprender
a fazer perguntas". Ou seja, eu ganhei porque o meu objetivo Pedagógico estava atingido. Eles chegaram à conclusão que não têm só que procurar respostas, mas têm que saber formular as perguntas. >> Bem, >> e esse foi o grande fator de mudança na minha sala de aula. Esta, Daniel, é este tipo de de práticas que tens quando utilizas e manipulas a a inteligência artificial, ou seja, esta este conceito de que tens que fazer boas perguntas para teres boas respostas ou usas as Perguntas que na verdade os professores já te entregam e enfim, como tarefas ou trabalhos
que tenhas eventualmente para fazer? Depende, depende do que eu quero alcançar com o trabalho, mas é interessante a forma como eu faço a pergunta, pois vai ter causa efeito na, por exemplo, no na inteligência social, não é? E dependendo como eu faço a pergunta e ele dá-me de uma forma diferente e eu querendo fazer algo, eu Meço muito bem as palavras em que em que eu lhe dou, porque às vezes ou eu dou a menos e ele dá-me menos. A vez eu dou a mais e ele não percebe. >> Tens ser tu a explicar a
inteligente exlicar o que eu quero, o meu objetivo e e ele consegue lá chegar, mas ainda não não e não penso que que se eu fizer a a a pergunta que o meu professor faz, ele ele consegue lá chegar muito bem aí. >> OK. mudaste muito da tua prática com este Surgimento da ou seja, tu o teu dia- a dia enquanto professora mudou radicalmente ou mudou alguma coisa? O que é que mudou com com o >> Eu penso que muda bastante. Primeiro a forma como nós colocamos as questões, a forma como nós atribuímos tarefas tem
que mudar, porque como dizia o Daniel, é importante eh que os alunos peguem na tarefa e não achem que podem colocá-lo diretamente na inteligência artificial. Portanto, isso obriga-nos a Nós professores mudar o nosso ponto de vista e alterar a forma e o tipo de tarefas que colocamos aos alunos. E depois, claro que sim, a IA vai ajudar bastante, principalmente aquelas tarefas burocráticas que levam mais tempo a fazer e dennos aqui uma grande ajuda. >> Qual foi a reação que que eles tiveram quando viram aquela primeira utilização? A primeira utilização, como eu disse, foi aquele milagre,
aquele brilho nos Olhos, que de repente estava ali algo que ia fazer o trabalho por eles. Quando consciencializaram que tinham que saber colocar as perguntas, que tinham que alterar toda uma forma de trabalhar, veio aquele aquele sabor agridoce, OK, está ali para me ajudar, mas eu tenho que trabalhar também. Foi muito interessante nessa altura porque surgiu uma série de ferramentas, uma delas criava apresentações bastando dar-lhes o título. >> Uhum. E nós estávamos a trabalhar um projeto que se chamava Animais do Mundo e eles já tinham feito uma série de pesquisas e e depois eu disse:
"Pronto, então para fazermos a apresentação vamos usar esta ferramenta, vamos testá-la para ver se é eficiente." E foi interessante observar as reações dos alunos quando eles comparavam a investigação que tinham feito de fontes seguras e que sabiam o que realmente era aquilo que eles tinham obtido, era Informação correta. E quando a ferramenta lhes deu uma apresentação em que falava do habitado de um determinado animal e que não correspondia de toda a realidade, também lhes serviu aqui como uma espécie de alerta para não esperar que o resultado da máquina fosse para ser aceite tal e qual
como ela nos devolve. >> Bem, perguntar ao Daniel e e se ele se lembra quando é que foi a primeira vez que que utilizaste a IA de forma Consciente, não é? forma consciente, assim, forma consciente, eu diria há pouco tempo, diria lá 2024, talvez, eu eu comecei mesmo a usar de forma consciente e forma mesmo assim, eu não, já que eu tenho isto, vou usar >> vou usar para meu benefício próprio, seria mais ou menos no início do secundário. >> Mas já tinhas experimentado, ou seja, quando apareceu a a boom, >> podes dizer-nos assim algumas
Experiências que tenhas feito? O que é que, qual foi qual foi a primeira reação quando fizeste alguma experiência mesmo para o contexto de escola, qual foi a primeira reação? >> Isso é pá, isto isto tem muito potencial. Isto [roncando] é mesmo algo que eu pensei mesmo é algo que pode, se isto continuar, isto pode ter assim um bom pode mudar nossa forma de ver as coisas e mesmo o sistema de ensino. >> H, quais são os grandes desafios que Enquanto professores temos atualmente? >> Eu penso que os professores neste momento têm dois grandes desafios. O
primeiro é integrar inteligência artificial com intencionalidade pedagógica. não é cair na tentação de usar por usar ou porque é uma nova moda ou porque é uma coisa diferente ou que vai facilitar, não é? Integrá-la com intencionalidade pedagógica. E o segundo maior desafio é precisamente aquilo que Eu falava, é mostrar aos alunos, consciencializá-los, que não é infalível, que aquilo que está ali deve ser visto com eh com pensamento crítico, deve ser posto em causa e e devemos confirmar as fontes e não apenas aceitar o produto que a máquina nos devolve. E isso só se só se
ensina ou prende se for feito com convosco, ou seja, com professores e alunos em contexto, não é? >> Exato. >> Quer dizer, concordam com isso? >> Concordo. >> Se ter alguém que nos guia é é fundamental. >> Sentes a falta da da desse desse apoio? Ou seja, quando começares a utilizar pela primeira vez e e e quando estás a utilizar com em contexto de sala de aula, eh se notas diferença na utilização, ou seja, se tiveres professores que estão a guiar-te e a ajudar-te e até a ser honestos na forma como estão colocar tudo em
pratos Limpos, ou seja, está em cima da mesa, não está por baixo da mesa, não é? >> Certo? Eu acho que ainda há aquele um bocadinho aquele receio dos alunos em usar inteligência artificial, mas eu acho que essa ideia tem sido tem sido, como é que eu posso dizer, muito bem aceito pelos professores e dizem: "Não, vai ir ao chat GPT e e pesquisa, mas com como a professora disse com este pensamento crítico que nem tudo o que tá ali pode ser verdadeiro, pode ser Factício. tens essa tens essa noção clara >> de que o
que encontras precisa de uma validação com outras fontes >> eh ou até fazendo as perguntas de outra forma. >> Exatamente. >> Se um aluno, foi uma questão que nós colocamos há há pouco, eh se um aluno integrar entregar um texto eh integralmente eh feito na IA, o que é que fazias? Isso coloca-nos primeiro perante uma dificuldade, como é que eu provo que foi integralmente feito a inteligência artificial? >> Sim, mas eu já t >> agora imaginemos, [risadas] vou confiar, o texto foi feito e foi entrega um simples copy paste. Aquilo que eu falei da da
intencionalidade pedagógica conta muito nisso, porque nenhum professor pede uma tarefa de escrita ou uma tarefa apenas Para ter uma coleção de textos. Quando é feito esse pedido, já tem essa intencionalidade pedagógica. Isso está subjacente àquilo que o aluno vai ter que apresentar. Portanto, temos que o aluno tem que estar consciente, vai ter que apresentar, que vai ter debater. Ou seja, não vou colocar uma tarefa de eh o que é isto. Vou colocar a tarefa. O aluno tende que enquadrar a resposta, tendo que enquadrar o conhecimento, dar a sua opinião e compará-la com outros Factos, com
outros com >> sem que a intenção seja apenas classificar aquele objeto escrito. >> Exatamente. Agora, se um aluno entrega, primeiro eu tenho que conversar com ele, perceber o que é que esteve subjacente, porque é que apenas fez esse copy paste e depois também fazer um bocadinho de trabalho de retaguarda, porque quando um aluno coloca na tarefa ou no faz o prompto para obter o resultado, também já está subjacente uma primeira Aprendizagem, porque ele tem que saber colocar a questão. E a maioria das vezes, mesmo que seja uma uma tarefa em que a pergunta é bastante
direta e uma resposta, a resposta que vai dar, seja pesquisável, não é? seja pesquisável, eh o aluno tem que saber construir o pronto para lhe dar eh o resultado de forma a ele poder entregar ao professor. Portanto, essa conversa pedagógica tem que ser tida com o aluno, explicar-lhe porque é que não é válido chegar ali Apenas e entregar um copy paste, porque depois ele vai precisar desse conhecimento e depois reconhecer o trabalho inicial que foi feito. Portanto, aqui este equilíbrio entre e não entrar naquela lógica punitiva de dizer: "Ah, fizeste mal, está errado, isto vale
zero". Não, há aqui qualquer coisa. Então vamos partir daqui e vamos melhorar o teu trabalho. >> Daniel, a achas que os trabalhos que as pessoas agora enviam são mais fáceis? >> Mais fáceis? >> São mais fáceis de serem resolvidos? >> Sim. Sim. >> O que é que é que é que se calhar precisávamos de de alterar? O que é que é que gostas que um professor te dê? Ou seja, não em termos de trabalho, mas o que é que gostas mais de ver num professor eh quando há um trabalho a ser feito? O que é
que aprecias mais? >> Interação com os alunos. a o questão da criatividade, >> que que te valorize o o teu trabalho e que e que faça intenção, ou seja, que te vá dando feedback, não é? Ou seja, que tu vais percebendo e o caminho que estás a tomar. É isso. >> Ex. Sim. Eh, >> e na questão da da professora que de fazer a resposta, por exemplo, às vezes eu até até sei a resposta de algum trabalho, por exemplo, alguma alguma pergunta do trabalho, mas não sei construir muito bem a a resposta. Então, Em vez
de pensar assim tanto puxar pela cabeça, o que é que eu faço? ou chatpt ou ou equivalente a pedir para me construir essa resposta eh para aí, não é, sem pensar, sem qualquer sem qualquer esforço mental. E mesmo que eu saiba, eu já é uma coisa que é automatizada. E h foi como a professora falou do do copypte e Lila, sim, podes responder, por favor? pegando um bocadinho naquilo que ele diz, e é muito importante nós ouvirmos, nós professores, ouvirmos a Opinião dos alunos, porque isto é que nos vai ajudar também a adaptar a nossa
as nossas tarefas, a nossa prática pedagógica para ir ao encontro das necessidades deles. Portanto, se há um aluno que até tem os conhecimentos, mas a dificuldade está depois na apresentação final, nós podemos ajudá-lo com a a forma de apresentação, não ser uma simples entrega, mas haver um debate, haver uma construção de ideias e ajudar o aluno a colmatar essas Dificuldades. Portanto, aqui a questão que estava a colocar o Daniel era para na verdade reforçá-la agora eh perante perante a professora >> que é eh se provavelmente o tipo de tarefas que estamos entre aos alunos, se
provavelmente eh é aí que está o nosso calcanhar daqueles atualmente. >> É precisamente esse o grande desafio que se coloca aos professores, é reformular toda uma prática pedagógica. Até há bem pouco tempo considerava-se que ensinar Eh estava centrado na figura do professor. O professor detinha o conhecimento e transmitia aos alunos. Com a evolução da sociedade todos estes contextos e com o surgimento da inteligência artificial, o papel do professor é, acima de tudo, orientar o aluno, desafiá-lo a pensar, desafiá-lo a debater, a colaborar. E todas essas competências trazem um conhecimento de base subjacente. Esse conhecimento os
alunos podem e devem construí-lo. Quanto Mais autonomia tiverem, melhor. E nós estamos aqui para os ajudar. Aliás, se há coisa que a inteligência artificial veio demonstrar, é que todos aprendemos com todos. Portanto, este processo de ajudar os alunos a a usar a inteligência artificial de forma positiva também vai ajudar o professor a reformular e a estar um bocadinho mais eh a par com as necessidades dos alunos. Gostas quando quando são enviados trabalhos para casa ou prefer os Trabalhos e em aula? >> Em aula. >> Porquê? >> Por causa da dinamica da da aula, tanto com
o professor, tanto também com os alunos. >> Portanto, isso tem muito que ver com aquilo que a professora estava estava aqui a dizer, professora Liliana. Ou seja, o facto de eh indexarmos uma tarefa que é feita em casa e provavelmente eh vocês sentem a falta da Tal supervisão e desse tal apoio, não é? Eh, e isso depois recorremos à inteligência social >> e acho que os professores todos sabem que vocês usam tanto intelig >> sabem ou desconfiam? >> Sabem, [risadas] sabem. >> Consegues dar um exemplo de uma tarefa que faças na inteligência artificial de forma
completamente autónoma? Olha, um que que fiz há pouco tempo foi a minha professora de física e química deram-me Um guião para fazer um trabalho na apresentação e eu não tive mais nada. Eh, control C, conttrol V no no chatt. Ora bem, estrutura-me isto para colocar uma apresentação. Ele deu-me, deu-me e facilitou-me o trabalho e agora tenho tópicos para seguir, tenho tenho diz mesmo lá, apresentação um, a slide um, eh, para, para seguir e isso é algo que eu costumo sempre fazer. Portanto, resolveste a tarefa que que >> já ia fazer, mas já que já que
tenho, Não é, neste neste momento, optei por colocar e facilita o trabalho. >> Ou seja, e facilitou-te a a forma de dares resposta à tarefa que te foi e avançada. Agora, a pergunta é, o que é que um professor faz neste neste caso? De acordo com a descrição do Daniel, ele não fez, ele não pediu o produto final, ele pediu um guião. >> E quando pediu o guião, ele teve que dar uma ordem muito específica à ferramenta para lhe devolver o produto que ele Queria. Não bastava fazer o control C, control V. Ele teve que
lhe dizer: "Eu preciso disto, disto e disto". Ou seja, ele já tinha estruturado na cabeça aquilo que ele precisava. ele tinha uma dificuldade que era chegar e apresentar esse produto final, mas para apresentar esse produto final, ele teve aquela aquela ajuda na dificuldade que ele sentiu e depois conseguiu apresentá-lo. Se ele não tivesse o conhecimento da da tarefa que necessitava de apresentar, Não iria conseguir apresentá-la. >> Portanto, a inteligência artificial aqui funcionou como uma ajuda. Sempre houve ajudas. Podemos lhe dar diversos nomes. Pode ser o explicador, que pode ser o tio que ajuda nos trabalhos
de casa, a enciclopédia que temos lá em casa. Agora temos uma ferramenta que dá mais autonomia ao aluno para ele identificar a dificuldade que tem e pedir ajuda nessa dificuldade. E temos a vantagem de ter este explicador 24 horas por dia Disponível, não é? >> Gratuito. Eh, >> e gratuito, exatamente. [risadas] >> Hã, Liliana, consegues dar-nos um exemplo muito objetivo de uma atividade em que utiliza a inteligência artificial para que os alunos aprendam mais e melhor? Eh, eu sou da área de línguas e uma das das grandes dificuldades que que os alunos têm hoje em
dia é o saber comunicar. A imediaticidade está muito Presente e e há há uma grande dificuldade em saber comunicar. Eh, e como é que se obriga, entre aspas, um aluno a tomar consciência desta desta dificuldade? É quando a tarefa exige saber, saber aquilo que se pretende. E o que é que eu faço? Peço-lhes para construir um cartaz de um determinado tema, mas não podem usar imagens já feitas, têm que criar a imagem com recurso à inteligência artificial. Como sou da área das línguas, aproveito para Pedir que construam os seus própos em inglês. O que é
que vai acontecer? Para eles obterem a imagem que idealizaram na cabeça, têm que construir um prompte à medida do produto que pretendem trabalhar a descrição. >> Exatamente. Estamos a trabalhar competências de compreensão oral, compreensão e comunicação escrita. E depois vamos comparar e ele vai ter que aperfeiçoar o pronto, porque a primeira não vai obter a imagem, vamos Trabalhando essas competências e aqui está um exemplo daquilo que aí há pode ajudar o aluno a melhorar naquilo em que ainda precisa de melhorar. O >> que é que gostarias que h os pessoas mudassem eh na naquilo que
é a sua dinâmica diária e até na utilização que fazem da da própria inteligência artificial? Imagina que que podias dar umas recomendações a um professor. Aliás, temos aqui uma professora que diz que é bom ouvir os alunos. Portanto, Estamos a ouvir um aluno. E que propostas é que davas aos professores para na na sua dinâmica, ou seja, de utilização de de inteligência na >> sala de aula. Hã, >> o que é que gostavas que acontecesse? >> Hum. >> Ou ou que pode já acontecer e que só queres validar, não? Naturalmente, >> pensando por aí, por
exemplo, fazer um texto de opinião. O meu professor não vai tirar um texto de opinião assim do Nada. podia pedir a a a inteligência artificial para para fazer um exemplo e depois podia ele próprio podia analisar aquele texto e dizer ou se tivesse erros podia dizer olha ele falhou aqui aqui aqui e vocês não devem fazer assim já que temos mais vale usar não é >> usar inticial como cobaia olha exatamente seria isso, seria umas palavras da boca agora seria seria usar como cobaia ou mesmo como um próprio apoiante do próprio professor mesmo na Sala
de aula E em que momento é que não deve ser usada esta IA? >> Quando substitui a aprendizagem, a IA deve ser usada para ajudar a aprender mais. A partir do momento em que substitui o processo de raciocínio, de construção, de conhecimento, não deve ser usada. Portanto, usar a IA para aprender mais, evitar quando impede o processo de aprendizagem. Como é que nós temos essa eh capacidade ou competência Quando eh estamos a falar de um aluno com maturidade eh e com noção eh já muito clara do que é que tem nas mãos? >> Uhum. >>
Eh e quando estamos a falar de alunos que não têm essa essa essa competência e essa mesma maturidade, como é que nós vamos ajudar esses alunos? Já não estou a falar em ajudar adultos [risadas] porque passam pelo mesmo problema. Claro, todos passamos. Aliás, eu acho que estamos estamos todos um bocadinho Neste neste barco porque a EA está a avançar a uma velocidade em que é difícil acompanhar o ritmo de aprendizagem. Portanto, estamos todos a aprender e estamos todos a partilhar este conhecimento uns com os outros. E eu penso que muito deste desta consciencialização do aluno
parte da nossa reinvenção enquanto professores. Readaptar as tarefas, readaptar desafios e a forma como transmitimos o conhecimento. Portanto, servirmos aqui Como um facilitador, um orientador para o aluno se guiar na construção do seu processo de aprendizagem. Eh, ficarmos presos à imagem de que somos nós que detemos o conhecimento e colocamos tarefas que o aluno pode resolver com simples copy paste. não vai resolver. Portanto, vamos dar a volta. >> Mas ainda assim, eh, esta questão de pensar criticamente sobre aquilo que eles estão a obter, não é? Eh, é neste momento um, eh, um, >> um maior
desafio, >> um grande desafio. >> É o maior deles. >> E, e a, e a, e a enorme questão passará naturalmente pela formação de professores, não é? Eh, mas também pela formação dos próprios alunos nesta circunstância. Eh, como é que como é que fez esse essa questão do pensamento crítico? Eu penso que é um processo que tem que mudar e e não ao invés daquilo que tem sido feito, em que começamos as Reformas do secundário para baixo, eu acho que a I nos vai mostrar que temos que começar precisamente no primeiro ciclo. O primeiro ciclo
é a base e é onde nós começamos a trabalhar as competências nos alunos. Se nós não ensinamos um aluno do primeiro ciclo a trabalhar com ferramentas de a consciencializá-lo para que é uma máquina que nos vai responder perante aquilo que nós lhe colocamos, eh, ensinar esse aluno a questionar-se, a a Pensar com ética, não vai ser quando chegar ao secundário que lhe vamos transmitir essas ferramentas. Portanto, isto é todo um processo de construção e que tem que começar nas idades mais baixas. >> Concord para ti, é claro, eh, e concordas com uma utilização da IA
e o quanto antes? Sim, >> essa consciencialização faz falta. Aliás, eh, há há há dois anos, eh, a ministra da educação finlandesa referia Num encontro europeu de educação que aceder à IA e compreender a IA é um direito de todos. E por isso é que na Finlândia já faz parte dos currículos desde o primeiro c Sim, >> temos temos um conjunto de países que já >> temos um conjunto de países que já está já está integrada no currículo ou se não não estando integrada no currículo tem já referenciais muito claros para para se trabalhar a
literacia de eh em toda a escolaridade obrigatória. E eu penso que A chave está aí começar a trabalhar com os pequenitos. E isto não implica mais horas de ecrã, não implica passarmos para um ensino totalmente digital, porque as ferramentas de pensamento crítico, de ética, de cidadania trabalham-se transversalmente. Portanto, é importante trabalharmos esses conceitos e introduzir os conceitos de A nas primeiras idades, aprender os conceitos de machine learning, perceber como é que a máquina funciona para que Os pequenitos depois vão crescendo e vão construindo todo esse referencial e essa consciência de que ali está uma máquina
e de que eles, se a máquina falhar, eles precisam sempre deles. >> Sentes essa esta diferença de de perceber, h, ter a noção de como é que se na verdade trabalha com com esta máquina? Ou seja, gostavas de aprender a perceber melhor a máquina que tens à tua frente. >> Sim, sim. E mas isso é uma coisa que que Ninguém ensina na escola, não é? Infelizmente ainda não. Ninguém ensina na escola e isso é uma coisa que a professora estava a dizer que eu acho que faz falta, não é? A, por exemplo, a minha sensibilização,
isso de de usar a inteligência artificial já em prol, não do resultado final, mas como uma ajuda para chegar ao resultado final, devia ser uma coisa que devia ser ensinada já desde pequenos, não é? É de bocadinho que se torce para pinz. [risadas] Ah, mas sim. E >> gostavas de gostavas que tivesse ensinado? >> Sim, sim. Ava que que alguém me tivesse não usa assim eh faz assim que que não é só vais tomar proveito para ti e também eh da intelência artificial para ela mesma. E >> e e gostavas que essas ferramentas fossem eh
ainda mais integradas na nas mais variadas disciplinas que tens ou ou sentes que há disciplinas onde há Uma utilização de muitíssimo maior do que noutras? >> Sim, completamente. Por exemplo, matemática preciso de muito raciocínio e não vamos querer que a matemática seja abolida. das pessoas por causa daquele daquele uso da da mente, não é? Ou aquele uso mesmo do do pensamento lógico, porque ela já pensa por nós, não é? Mas, por exemplo, em disciplinas que >> Mas tu é que validas? Sim, sim, sou eu Que valido. Mas em disciplinas que que é preciso menos pensamento
crítico ou menos menos uso da da do pensamento lógico. Ah, sim, acho que devia ser algo lá presente. >> E o o que o que deixa aqui deixa-nos aqui numa circunstância curiosa, não é? É, nós consideramos que há disciplinas que não não nos obrigam a pensar, não é? [risadas] >> Pois, >> lá está. Eh, começando desde cedo, >> os currículos não estão, até porque os currículos deixaram-se estar deixaram estar ajustados àquilo que é são estes novos. Eh, >> os currículos não conseguem acompanhar a velocidade de transformação social que nós temos, social e tecnológica. Portanto, é
necessário uma atenção redobrada na adequação dos currículos àquilo que, de novo vai surgindo. Eh, uma revolução industrial há 100 anos representou ali, como o próprio nome Indica, uma revolução. Os currículos tiveram tempo para se adaptar. Neste momento não temos. porque a velocidade a que estamos a avançar não se compadece da necessidade de repensar pedagogicamente tudo aquilo que estamos a ensinar aos nossos alunos. E por isso é que é importante atualizar e incluir. E aí há veio precisamente mostrar o onde estamos a falhar em termos de pensamento crítico, onde estamos a falhar em termos de tarefas
que colocamos aos alunos. Portanto, veio mostrar-nos aquilo que nós precisamos urgentemente de resolver. Daniel, sentes que aprendes muito com a utilização que fazes da intelig ou seja, aprendes coisas que se calhar nunca aprenderias na escola? >> Sim, porque eu tenho a liberdade de perguntar o que eu quiser a a Ya. >> E tens a sorte dela te responder quando tu queres. >> Sim, também. >> Que é uma coisa que faz falta na escola. >> Quando nós temos dúvidas, às vezes não são não são as respostas que >> e sobre todas as coisas, não é? Sobre
qualquer tema. Isso coloca-nos aqui em causa um um um outro tema que gostava de abordar convosco que tem a ver com a questão da avaliação, porque eh se por um lado estamos a falar de um outro tipo de currículo e um outro tipo de trabalho que é preciso ser feito, tendo em conta que temos estas ferramentas, aqui a questão é se nós não estamos h Com ferramentas diferentes a fazer coisas iguais e e depois avaliar também da mesma forma. A avaliação tem que mudar, aliás, já está a mudar, pelo menos a avaliação interna. A avaliação
externa é uma discussão à parte, mas a avaliação interna, eu penso que na maioria da das disciplinas e dos professores eem transversalmente em cada ciclo, está já a mudar precisamente pelo aparecimento destas destas ferramentas. Já não basta Solicitar eh um uma refle uma uma uma tarefa ao Luna em que ele diz define o que foi a batalha de São Mamed, por exemplo. Eh, porque o Ludo vai para casa, pergunta à ferramenta e ela devolve-lhe a descrição da batalha de São Mamed. Mas o tipo de tarefa vai ser: Qual é a tua opinião e porque é
que aconteceu dessa forma e não deoutra? Portanto, todo toda esta forma de avaliar terá que passar por avaliar mais o processo, portanto, o nosso foco Voltar a estar na forma na avaliação formativa contínua e não apenas avaliar aquele produto final, avaliar a forma como o aluno eh abordou a questão, a forma como resolveu e a forma como apresentou e depois a forma como analisou o seu erro, porque é extremamente importante que o aluno analise onde está o erro. Se um aluno não chegar e não perceber, olha, eu errei aqui, ele não vai conseguir ultrapassar o
erro e vai continuar Ciclicamente a repetir o mesmo erro. Portanto, essa fase de partilhar com os colegas, de debater, analisar onde errou e corrigir o erro, é também uma fase extremamente importante da avaliação. Que que tipo de instrumentos é que podiam ser utilizados atualmente, tendo em conta estas ferramentas? >> Instrumentos, >> instrumentos de avaliação, naturalmente. >> Eu eu penso que eh lá está, eu sou um pouco diferente na minha prática Pedagógica. E eu penso que o teste em si há muito que deixou de estar ajustado às necessidades de avaliação ver com IA, não é? >>
E não tem a ver com IA. Portanto, mais do que dizer que é o instrumento A ou B, é o professor perceber que a avaliação tem que partir desde o princípio da aula número um até à última aula e não se cingir àquele teste ou àquela questão da aula, até porque é extremamente injusta Para um aluno. Um aluno vai fazer o teste, correu bem, não participa o ano inteiro na aula, não participa num debate, não dá um contributo, mas depois nas vésperas daqueles dias anteriores ao teste, estudou todos os conteúdos, chegou ao teste, respondeu às
questões daquilo da forma como tinha memorizado os conteúdos que lhe foram eh transmitidos e depois acabou. Enquanto que se nós passarmos a fazer uma avaliação formativa contínua, em que eh Avaliamos eh as respostas, a participação, os debates, o portfólio que o aluno constrói, as contribuições que ele dá para a discussão, a própria e hetoavaliação quando diz aos seus pares: "Olha, se calhar poderias melhorar aqui. Eh, eu teria abordado desta forma." E isto também é avaliar, porque as competências para o século XX prevém que quando estes alunos que estão agora na escola chegarem ao mercado de
trabalho, mais do que serem especialistas naquela Área, eles vão ter que que ser que dominar uma série de competências: pensar fora da caixa, resolver problemas, colaborar, comunicar. E se nós centrarmos a nossa avaliação neste processo, conseguimos chegar ao fim com alunos preparados para enfrentar eh o mercado de trabalho, para enfrentar a realidade. Se nós continuarmos a cingir-nos à aquele instrumento naquela data, eu penso que estamos a falhar em tudo aquilo que o aluno precisa. Do Ponto de vista da avaliação, sentes alguma injustiça quando há trabalhos que são feitos através da IA e outros, por exemplo,
não são feitos através da IA, que tu tenhas tenhas noção e comparação até com os teus colegas e que a única forma de avaliar muitas vezes é só o facto de terem entregue aquele trabalho. >> Sim, sim. E a professora tira umas palavras da boca porque às vezes é uma frutação que eu também sinto, só os testes, só a balização dos testes e não O o participar na aula também o o debater. Hum. >> E podes manifestar aquilo que aquilo que pensas. >> Sim. Exatamente. Mas em outra forma em questão aos trabalhos >> é assim,
isso quase já não existe porque toda a gente usa, não é? Mas já houve a altura em que em que eu perguntei, mas vale não me estar aqui a martirizar, a pensar, a pensar, sendo que alguém pode Chegar lá e e fazerem duas tretas, não é? Hum, mas sim, já senti isso, mas queria que já é uma coisa que, >> portanto, traz todo o interesse e o gosto que de ser avaliado de outras formas, não é, para poderes para poderes manifestar aquilo que sabes, para além daquilo que a IA também te deu. E e e
tens essa essa noção de quando fazes um trabalho usando a IA, de dizer que o fizeste usando a IA, portanto, as pessoas sabem que que Foi usado dessa forma, tens essa necessidade intelectual de referir, fazer referência à auteste. >> Sim, eu eu costumo até dizer quando não costumam perguntar porque acho que já também já sabem, não é? Mas eu eu eh eu h faço questão de dizer que o que usei, mas claro que eles sabem que eu também não usei e em só para o produto final. Eu costumo usar mais em apresentações ou para os
trabalhos e e tenho que apresentar o trabalho, não é? E claro, Se eu não sou o trabalho dá dá aquele >> podes ter estudado tudo com a IA, mas no final tens que saber defender aquilo que está apresentar uma avaliação pode ser feita, não é? E isso é um, acho que isso trabalha muito bem, tanto a resposta como como a professora referiu há bocado, mas eu tenho o fim ao cabo tenho que saber o que estou ali a fazer, não é? E perguntar e aquilo que eu estou a ler, aquilo que eu estou a pesquisar.
>> E que que erro é que estamos a cometer Atualmente quando estamos a falar de inteligência artificial na educação? Eu eu penso que há aqui dois grandes erros que ainda estamos a cometer. O primeiro deles é estar aqui um bocadinho divididos entre o proibir ou o aceitar livremente. Ainda estamos numa fase em que estamos a navegar entre a euforia e o pânico. Portanto, temos que perceber que temos que integrar a a IA de forma construtiva. A I já está cá, a IA não vai desaparecer e tentar simplesmente eh Pará-la é como parar um comboio com
as mãos. Passa-nos por cima. Portanto, a questão aqui não é eh se vamos ou não proibir, é como é que a vamos integrar. >> E o outro erro é a humanização da IA. Nós temos e começam já a ser notícia muitos casos em idades mais avançadas, mas principalmente na primeira infância temos os nossos meninos a pensar que há alguém por trás da máquina. E o facto de pensarem que está ali alguém, esta humanização excessiva leva-os a confiar Na máquina e muitas vezes a transmitir informações ou a fazer desabafos pessoais que depois podem derivar em situações
e muitas vezes perigosas ou ou com desfechos desagradáveis, como já vimos. Portanto, esta desumanização da EA é emergente. Mostrar aos nossos alunos o que é que está ali, que é uma máquina, que não é um ser humano, que não é para nós chegarmos ali ao final do dia e dizer: "Eu estou chateado porque a minha professora me chateou". ou eu Estou zanghada com o meu pai porque o meu pai me ralhou. Portanto, esta desumanização é emergente, ensinar os meninos a trabalhar com a Portanto, penso que são estes os dois grandes erros que ainda estamos a
cometer. >> Se um professor te proibisse de usar a inteligência artificial, o que é que fazias? É >> assim, se proibe, eu tinha não podia usar, não é? >> Claro, >> mas acho que é inevitável. >> Se te proibia proibir em ela, não é? >> Exatamente. Exatamente. >> OK. É só para ter termos isso claro, não é? Porque eh, como dizia a a Liliana, eh há essa intenção de de proibir. >> Proibir nunca foi nem nunca vai ser educar. >> Então, que conselhos é que davas a professores que tenha têm essa essa ideia de que
consegue que vão conseguir Estancar esta esta utilização? >> Não vão conseguir estancar. É o professor perceber que vamos integrá-lo. Ela já cá está. Nós já usamos há algum tempo, não estamos tão habituados a usa percepção de que já usamos IA há mais tempo, porque isto agora eh foi esta chegada em força da IA generativa e isto é que causou o pânico, porque se calhar muitos dos professores que estão a dizer que se deve proibir usam-la em casa para outras coisas. Portanto, aqui é os Professores perceberem, não estamos sozinhos, a está cá, vamos aprender. Se eu
tenho dificuldades, pois muito bem, vamos valernos. Nós hoje em dia temos uma coisa fantástica que são as comunidades de aprendizagem, que é o espírito de entrejuda entre os professores e acima de tudo, não ter medo de errar perante o aluno. Eh, eu há um caso que eu costumo partilhar que os meus pequenitos há há cerca de 2 anos letivos estavam muito entusiasmados com A com a inteligência artificial, com os ambientes web imersivos e eu confesso que nessa altura ambientes web imersivos para mim calma. E eu disse-lhes muito bem, então eu vou aprender, que eu não
sei usar, eu vou aprender e a seguir vamos trabalhar todos juntos. E há um aluno que me diz: "Pronto, então o nosso objetivo é aprender mais e mais depressa que a professora. Ora, se eu já estou aqui a criar este bichinho, esta vontade de aprender, o meu objetivo pedagógico Está atingido. Eu confesso que aprendi o básico da ferramenta. Aprendi o suficiente para saber os comandos básicos, criar ambientes seguros para os alunos. Criei o ambiente seguro e a partir daí abriu-se uma caixa de Pandora e todo o conhecimento que os alunos criaram com aquele projeto teve
um impacto transversal em todas as disciplinas. Portanto, se um professor perder o medo de dizer: "Eu não sei, eu vou aprender e perceber que na na IA Estamos todos no mesmo mar, os barcos podem ser diferentes. Um pode estar já no iat, o outro pode ainda estar no botarremos". Mas se nós nos entrejudarmos e se aprendermos uns com os outros, todos ganhamos. Enquanto professores, peçam ajuda ao colega que sabe. Há comunidades de aprendizagem, há plataformas, temos o Science on stage que nos ajuda com materiais testados feitos por professores para professores. Portanto, usem esses materiais, esses
Cenários de aprendizagem e vamos implementar, vamos pôr pés ao caminho. >> Muito bem. Hã, para concluirmos, tinha aqui algumas questões que gostaria de que vocês respondessem de forma sucinta. Hum. Eh, enfim, eu sei que esta não é muito sucinta, mas h achas que a escola tá preparada para usar esta inteligente artificial? Não. >> Porquê? Primeiro é algo que veio muito de Repente, não é? e vem a crescer muito exponencialmente. Ha, lá está, eu acho que esse um problema, um dos maiores problemas e esse preconceito, não é, de de usar a própria ferramenta, não é, de
não, não, vocês não podem fazer, têm que pensar por si próprios, mas como a professor já referiu, e já que temos, vamos usá-la, não é? Portanto, eu não acho que que a escola esteja esteja preparado. O método de ensino não está preparado para usar Esse tipo de ferramentas ainda. Mas tem muito que ver. Eu acho que é bom sublinhar esta esta componente porque o pensar por nós próprios tem muito que a ver com a forma como nós lhes entregamos. Eh, isto tem a ver com a nossa intencionalidade pedagógica, como já foi aqui, >> colocamos os
desafios. eh o facto de eles não terem ainda a noção de que qual é o propósito, isso é uma competência eh dos professores, não é? >> Exato. >> Eh, portanto, eh repite a pergunta, está preparada? A escola é subejamente conhecida por ser resistente às mudanças. E quando aparece uma tecnologia nova, já vimos isto com as calculadoras, com os computadores, com a internet. Primeiro era o desastre que agora tem calculadora, toda a gente vai perder o raciocínio lógico, a capacidade de cálculo. Mas neste momento e neste campo eu penso que a escola já Está a aprender,
ainda não está preparada, mas já pôs pés ao caminho. Se calhar não há aquela velocidade que seria desejável, aquilo que todos nós gostávamos, não é? Velidade exponencial da própria IAD. Exatamente. Não está a acompanhar a velocidade da ferramenta, >> nem vai, não é? >> Pronto, é como estamos no comboio, portanto não vamos conseguir nós próprios correr ao lado do comboio, portanto estamos no comboio, seguimos e Aprendemos. >> H, e se pudessem estabelecer uma regra simples para o uso da IA na escola, qual era essa regra? >> Usar a IA para pensar mais e não para
pensar menos. OK. >> Seria usar para para o benefício de alcançar a tarefa, não para ir direto à tarefa, não é? Um seria um atalho, não é? Não ser usado como o atalho para eh apenas fazer a entrega de mais uma. >> Exato. Mas uma ajuda, >> mas mas como ajuda, >> uso controlado, não é? Que >> na verdade é aquilo que nós hoje ouvimos falar muito nos tutores, não é? A, e, e temos ambientes que possam ajudar a explicar o caminho para aprender um determinado conteúdo, em vez de de apenas irmos lá procurar a
solução. É isso que te referes. Sim, sim. >> Muito bem. >> A escola fica melhor ou pior e com IA >> pode ser uma das duas. Se não soubermos Integrá-la pedagogicamente, vai ficar pior. Se conseguirmos acompanhar este ritmo e se conseguirmos criar forma e intencionalidade pedagógica na sua integração, eu penso que vai ficar muito melhor. >> Como é que como é que descreves a relação entre um aluno e um professor hoje? Qual é a prova a palavra chave? Se tivesse que traduzindo uma palavra relação entre o Daniel e um professor de matemática, [risadas] qual era
a palavra? É difícil em uma só palavra. Difícil us, posso usar mais algumas? >> Hum, eu diria amigo. Eu diria amigo, >> não vês amizade na Iá. >> Bem, is acho que isso é um grande problema. Quando a professora falou da da humanização da inteligência da da, não é? E eu já vi, por exemplo, já vi notícias de dependência emocional da própria ferramenta e eu acho que isso é Um bocadinho >> Então, acha achas que a pode substituir >> um professor? >> De maneira nenhuma. Lilian para já não >> achas que há alguns colegas que
podem ser substituídos? >> Assim, [risadas] depende da depende do contexto, não é? depende da da, por exemplo, da matéria neste caso. Mas para certas outra que se calhar sim, há há uma outra que se calhar, mas eu acho que Aquela presença aquela da pessoa, acho que tu >> valorizas valorizas muita coção. >> Exatamente. Exatamente. >> Eu agora vou socorrer-me aqui das palavras de um senhor que foi muito famoso nos Estados Unidos até há pouco tempo foi presidente dos Estados Unidos da América. O senhor Barack Obama quando veio a febre das salas de aula do futuro
dizia uma coisa muito simples. De que vale uma sala cheia de tecnologia se não Tiver um bom professor? E aí ainda não consegue substituir esta relação de empatia professor aluno, >> mas consegue simulá-la. >> Consegue simulá-la. E o Holmes ainda não há muito tempo referia que, ao contrário do que se pensa, eh, ter um professor de A e versus professor humano não vai ser algo destinado às classes altas. Dada a falta de professores quejamente conhecemos, temos um problema e pode podemos cair em tentação de substituir Disciplinas ou professores por IA. O que é que vai
acontecer? Os alunos de classe média alta que tenham dinheiro vão manter a sua relação e ter um professor humano. Quem não tiver ou comunidades mais remotas vão ter que se socorrer da Portanto, acho que temos que colocar a questão em perspectiva e perceber um professor jamais poderá ser substituído pela IA. A transmissão de conteúdos por Eidura pode ser. Quero agradecer-vos aos dois, ao Daniel E à Liliana, eh, por e, acima de tudo, trazerem e para o palco esta humanização da relação, não é, e valorizar e a IA que existe entre nós, mas valorizar acima de
tudo a relação que existe entre e professor e aluno, aluno, professor. Muito obrigado por ter estado aqui connosco hoje. Hoje percebemos algo muito claro. A inteligência artificial já não é uma hipótese futura, é uma realidade presente na vida dos alunos e dos professores. Ignorá-la não fará com Que desapareça, mas compreendê-la, integrá-la com sentido pedagógico, pode transformar a forma como aprendemos. A tecnologia muda rapidamente, mas a missão da escola continua a mesma: Formar pessoas capazes de pensar, questionar e compreender o mundo. A IA pode ser uma ferramenta poderosa desde que a educação continue a ter no
centro aquilo que nenhuma máquina ainda pode substituir: o pensamento humano, a adaptação ao mundo, a curiosidade e a Relação entre professor e aluno. Obrigado aos dois por esta conversa e vamos continuar já a seguir com a nossa mala de ferramentas, onde vamos partilhar algumas sugestões práticas que pode aplicar na sua sala de aula. Na mala ferramentas de hoje, vamos explorar como trabalhar com a inteligência artificial em contexto de [música] aprendizagem, ou seja, como transformar uma ferramenta que gere respostas rápidas numa oportunidade para Desenvolver o pensamento crítico, a capacidade de análise e a autonomia nos alunos.
Começamos por aplicar o método das três perguntas à inteligência artificial. Sugiro fazer em aula com os alunos ao invés de enviar para casa. [música] É primordial confiarmos e mostrarmos essa naturalidade. Primeira questão, o que diz a IA? O aluno pede uma explicação à inteligente artificial, por exemplo, Explica as causas da revolução francesa para alunos do oitavo ano. A inteligência artificial gera a resposta. [música] A segunda questão será está correto? Aqui entra o pensamento crítico. O aluno deve verificar [música] se há erros. Falta alguma informação importante, há simplificações excessivas e o professor pode e deve pedir
para identificar dois aspectos que a inteligência artificial explicou bem e Um que poderia estar mais desenvolvido. Por fim, devemos perguntar: [música] "O que acrescento eu?" Este é o passo mais importante. O aluno deve acrescentar um exemplo, uma comparação e uma reflexão pessoal. Ou seja, o aluno deixa de ser consumidor de respostas. e passa a ser autor de pensamento. [música] Vejamos este exemplo real de sala de aula, por exemplo, na disciplina de história. Uma nova abordagem com a inteligência artificial. O aluno pede uma explicação a, analisa criticamente a resposta, reescreve o texto acrescentando reflexão própria, resultado
menos cópia, mais análise, mais autoria. Ou seja, [música] o problema não é o aluno usar a IA, o problema é usar a IA sem pensar. Por exemplo, [música] os resultados obtidos podem ser trocados Numa tarefa de pares, dos quais os alunos comparam respostas e tentam perceber o que mudou em cada uma das respostas individuais dos primeiros parómetros. Quando o professor integra a inteligência artificial no processo, transforma uma possível fraude numa oportunidade de aprendizagem. Então, deixo-vos cinco formas de usar a inteligência artificial com alunos sem perder rigor pedagógico. Primeiro, analisar as respostas da inteligência Artificial. O
objetivo é ensinar aos alunos como avaliar a informação, como fazer em aula. O professor pede aos alunos que coloquem uma pergunta A e a sobre um determinado conteúdo da disciplina. [música] Vejamos este exemplo na disciplina de história. Explica as principais causas da Revolução Francesa. Depois da resposta, os alunos devem analisar e explicar oralmente ou em Esquemas ou em produção de quizes [música] que ideias principais aparecem. A explicação é clara? Falta alguma informação relevante? Desenvolvem assim as competências de pensamento crítico, [música] interpretação de informação e capacidade de síntese. Segunda [música] forma, identificar erros da inteligência artificial.
Objetivo: desenvolver espírito crítico e verificação de informação. Embora os modelos da inteligente artificial sejam poderosos, Podem cometer erros ou simplificações excessivas. [música] Em aula, realize um prompt que sabe que contém um pequeno erro ou uma imprecisão e partilhe com os alunos, pedindo-lhes para identificar o erro ou os erros na resposta dessa inteligência artificial. Vence o jogo e ganho uma boa classificação quem conseguir encontrar mais rapidamente e de forma discreta, [música] como neste exemplo de ciências. explica O funcionamento do sistema respiratório. Os alunos devem confirmar e validar a informação da inteligência artificial usando outras fontes de
informação, o manual escolar, apontamentos, outros artigos, competências envolvidas, literacia científica, verificação de fontes e pensamento crítico. A terceira forma é comparar a inteligência artificial com outras fontes de informação, com o objetivo de perceber diferenças [música] entre fontes de Informação. Em aula, os alunos recebem dois textos sobre o mesmo tema, um texto do manual escolar e outro texto gerado pela inteligência artificial. Depois respondem às perguntas como: [música] "Qual é o mais claro? Qual apresenta mais detalhes? Há diferenças importantes entre os dois? Quais são as competências desenvolvidas? Análise comparativa, interpretação textual e pensamento analítico. [música] Quarta forma,
pedir melhoria de textos. O objetivo é usar a inteligência artificial como apoio ao processo de descrita, não como um substituto. Como fazer em aula? O aluno escreve primeiro um pequeno texto, depois pede à inteligente artificial sugere melhorias para este texto, mantendo as ideias principais. A seguir, o aluno decide [música] quais as sugestões a aceitar, quais as sugestões a rejeitar e porquê. Desenvolve assim competências como Melhoria [música] descrita, tutoria personalizada, revisão textual, autonomia intelectual. Finalmente, [música] a quinta forma é criar perguntas críticas com a inteligência artificial. Aqui o objetivo é ensinar os alunos a formular boas
perguntas. A maior parte das vezes, o valor da IA não está na resposta, mas na qualidade das perguntas feitas pelos alunos. Em aula, depois de ler a resposta da inteligência artificial, os Alunos devem criar perguntas que aprofundem um tema [música] no mínimo de 10 interações. Por exemplo, a partir de uma resposta da inteligência artificial sobre o império romano, os alunos podem formular perguntas como: "Que fatores levaram à queda do Império Romano? Como era a vida quotidiana dos cidadãos romanos? Que heranças romanas [música] ainda existem hoje, entre outras? Quais as competências desenvolvidas? Curiosidade intelectual, investigação e
pensamento [música] crítico. E como não podia deixar de ser, deixo-vos algumas dicas extra. Dica extra número um. Peça sempre aos alunos para partilharem todo o histórico de conversação com os modelos de linguagem e crie rubricas para as perguntas ao invés das respostas. Dica [música] extra número dois. Sempre que os alunos utilizarem a inteligência Artificial para apoiar um trabalho, um texto ou uma atividade, escrevem uma nota de rodapé que informa claramente o professor de que essa ferramenta foi utilizada. A transparência ajuda a promover uma utilização ética da tecnologia e permite distinguir entre a produção humana e
o apoio tecnológico. Dica extra número três. Quando a inteligência artificial contribui para a produção de um conteúdo, pode ser bem referenciada como qualquer outra fonte, Utilizando as normas APA ou outras recomendações, indicando [música] a ferramenta utilizada, a data e o contexto desse pedido. Isto vai reforçar a integridade académica e ajuda os alunos a desenvolver boas práticas de investigação e descrita. Quando integrada de forma intencional, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta tecnológica e passa a ser um instrumento de Aprendizagem. O papel do professor mantém-se essencial, não como simples transmissor de informação, mas [música]
como orientador do pensamento e da compreensão crítica com a utilização desta IA em sala de [música] aula, ao invés de deixar apenas que seja usada em casa sem supervisão. Porque a inteligência artificial pode escrever textos, mas pensar sobre esses textos continua a ser uma tarefa profundamente humana. E o dilema para o Próximo episódio é o seguinte: colega docente utiliza [música] inteligência artificial para preparar aulas e avaliações. Qual a sua posição? Até o próximo episódio.