[música] [música] Se a gente fosse colocar essas fases que o homem e a mulher passa, são diferentes pro homem e para mulher. >> Vamos falar de mulher, que que fases que são? >> Você fala em que em que aspecto?
Em que >> em amadurecimento mesmo? >> Para começar, que o cérebro da mulher amadurece muito mais rápido, né? O homem tem um delay aí de de 2 a 4 anos para começar.
Então você pega uma menina de 16 e um cara de 20, a mente tá ali >> mais ou menos igual. [risadas] >> O homem tem esse delay que inclusive vem de neurotransmissores, vem de testosterona. Testosterona é muito mais o hormônio da força do que o hormônio do raciocínio.
A progesterona já é muito mais o hormônio do raciocínio, da prostração, da visão, do cuidado. Homem e mulher nunca caminham juntos. um livro aí de 1990 que deveria ser reeditado.
Homens são de Marte, mulheres são de Ventos. >> Sim, sim, sim. >> São dois planetas totalmente diferentes e os dois têm as suas funcionalidades, a sua beleza e a sua riqueza.
Por isso são muito complementares. >> E é por isso que homens se relacionam com mulheres mais novas normalmente para estarem mais ou menos batendo na >> faz muito sentido >> para poder equalizar aí essa essa mente aí para e pro homem entrar nessa função que ele se dá tão bem, que é de proteger, de cuidar. Então o homem nesse nesse lugar aí de se relacionar com uma mulher muito mais nova, ele consegue exercer esse papel que para ele é tão fundamental.
O homem para se sentir amado, ele precisa se sentir admirado. A mulher para se sentir amada, ela precisa se sentir cuidada. >> Faz sentido.
>> É. Então essa mulher que olha para esse homem diz: "Nossa, você é o cara. Nossa, você é muito bom no que você faz.
Nossa, você é um grande empresário. Nossa, isso o homem derrete. Essa é a sensação dele de que ele tá sendo amada.
A mulher gosta de ser cuidada. Então, até aí as perspectivas são absolutamente diferentes. >> Mas isso não mudou ou mudou?
Porque hoje em dia a gente vê até o papel do homem sendo questionado, né? Muito homem eh fragilizado, não consegue fazer esse papel de cuidador, de cuidado, de de eu eu vejo principalmente eh nesses movimentos aí de redill e tal, um monte de homem quebrado e coloca culpa na mulher. Já viu isso daí, né?
Que que você acha que tá acontecendo? >> É, o papel não mudou. O papel continua o mesmo.
>> Qual é o problema? Então, >> o nosso cérebro em termos de estrutura, ele não evoluiu. A gente ganhou em cultura, mas o nosso cérebro estruturalmente >> é o mesmo.
>> É o mesmo. Então, as questões lá da caverna, elas continuam muito evidentes. No dia de hoje.
O homem da caverna, ele defendia, protegia e provia. Esse era o papel dele, continua sendo o mesmo. >> Ele saía para caçar, trazia o >> a caça e protegia para que o bicho não entrasse lá e comesse todo mundo.
>> Continua sendo o mesmo papel. A questão é o quanto cada um de nós assume esse papel, né? E isso não tem a ver com condição sexual e nem isso tem a ver com a nossa biologia e com aquilo que nós somos convidados a ser.
O homem tem testosterona, o hormônio da força. Isso o faz diferente da mulher. Ah, o lugar de mulher é onde que ela onde ela quiser.
Não, não é, não é mesmo. E essa tá longe de ser uma fala que contraria. Muito pelo contrário.
E até porque eu não me colocaria nesse lugar. >> Um homem, uma mulher não carrega um saco de cimento que o homem carrega. Ou se carrega, carrega com muito mais esforço.
As fibras musculares são muito maiores, a força é outra. Por outro lado, o homem não cuida de um bebê como a mulher cuida. Ah, eu sou um grande pai.
Eu não, você não tem progesterona, você não tem, você não tem a percepção, você não tem a sensação. Ositocina ali após o parto, a vaca recebe ositocina para para o leite descer. >> É, >> nós estamos falando aí de química.
Biopsicosocialmente nós somos diferentes. Aí vem esses discursinhos da modinha, redpill, feminismo, machismo, não sei o que lá. Isso são discursos culturais.
Então, quando a mulher ela ela ela quer ocupar o lugar que o homem deveria ocupar, a gente tem um problema. >> Nós estamos em disfunção. Eh, se eu pegar a, sei lá, uma pessoa perdeu o braço, e a gente vê muitos vídeos sobre isso, sobre superação.
A pessoa não tem braços e ela come com os pés, ela pega a colher, >> ela faz, mas a perna está em disfunção. >> Sim. >> E aquela perna está sofrendo para fazer aquele papel.
faz. Eu não tô dizendo que não faça, pinta com pé, mas está em disfunção. Vai gerar mais sofrimento, inclusive.
>> Então, biopsicosocialmente nós somos formatados. Tem um livro muito bom que vai falar sobre isso. Nós somos formatados para algumas funções.
Isso não muda, independente de cultura e de moda do que as outras pessoas estejam falando. O homem pode ser muito bom em funções domésticas. Eles são excelentes pais.
Eu acho linda a função do homem. tá mudando, o homem troca fralda, ajuda, cuida do bebê, mas ele não vai ser uma uma pãe, um pai mãe, não vai ser. E aí o Freud dá um banho nisso até hoje, centos anos depois, >> que o Freud vai falar do papel do homem, do papel da mulher, do papel do pai, do papel da mãe e o quanto eles são imprescindíveis.
O pai introduz a autoridade na relação. Ah, o pai, se não tem pai, quando o Freud fala de pai, ele fala de figura paterna. Pode ser o pai, pode ser o tio, pode ser o avô, pode ser o professor de educação física.
>> Alguém vai ocupar esses esse? >> A mãe ocupa o lugar do afeto. A mãe protege da vida, o pai empurra pra vida.
A mãe traz o amor. O pai traz a autoridade, o pai traz a cisão, o pai traz o não vai fazer. Não funciona assim.
Tem hora para chegar, tem limite, não responde assim, aprende a respeitar. Mulher se trata assim. Esse é o papel do pai.
Freud vai falar disso, Lacan vai falar disso, Winquot vai falar disso. E o quanto isso é psiquicamente imprescindível. Por isso é que eu falo, é, não é sobre cultura, é sobre hardware e software que vem lá de trás.
esse hardware, esse software, a cultura, ela agrega algumas perspectivas, mas ela não muda o hardware e o software, por mais que a gente queira. São dois papéis imprescindíveis para a saúde psíquica do indivíduo. Então, são essas leituras aí que precisam ser feitas e revistas para que a gente eh tenha uma qualidade existencial e social melhor do que a que a gente tá tendo atualmente.
>> E também os casais hoje em dias não tão não têm muita paciência para resolver os problemas, né? É muito fácil separar, é muito fácil desistir, né? >> É.
E aí é o Balma que vai falar disso, né? de relações fluidas, de amor líquido. >> Se eu fosse reescrever o conceito do Balman, eu escreveria agora amor gasoso.
>> Ele já saiu do líquido. >> Tá pior do que o líquido. Tá gaso.
>> É isso. Se perdeu, né? O amor de novo, né?
De novo. Eu meu doutorado em neurociências, o amor também é sobre neurotransmissor. Eh, existem relações serotoninérgicas e relações dopaminérgicas.
pra gente. >> Serotonina é o neurotransmissor da demora. Nós dois somos casados, vamos criar uma situação psíquica e você me passa raiva hoje.
[risadas] E eu vou pensar sobre isso e amanhã eu vou pensar, cara, mas o Rogério é gente boa. Ontem ele tava alterado e acima de tudo eu amo e ele é o homem que eu escolhi para passar o resto dos meus dias. Isso é serotonina, >> tá?
É o hormônio que o neurotransmissor que te faz pensar e que te faz demorar e que te faz ir além do outro, >> não tomar uma decisão. >> A dopamina é o neurotransmissor do prazer caiu. >> Tá imediato.
>> Eu te amo. >> Eu adoro adolescente. Eu tenho uma filha adolescente.
Eles começa a conversar hoje, amanhã já tô chamando um moço de amor. >> E também é a pior pessoa da vida. É no dia seguinte, >> depois de amanhã.
Em três dias, ama, desama, odeia. >> [risadas] >> Isso é dopamina. Isso é dopamina pura.
Isso é relação dopaminérgica. Isso é relação gasosa. >> As pessoas não têm tempo e nem paciência mais para se demorar na presença do outro.
>> E por quem? Por causa da do número de opções. O que que é?
por causa do número de opções, por causa do número de estímulo e porque o nosso cérebro tá muito viciado nisso. Nosso cérebro tá muito viciado em pico. Então eu tenho um pico extremo de coisa que você passar o videozinho aqui, passar as relações assim, >> vai passando.
>> Isso. É isso. Ó, o Tinder era o menu.
Exatamente, né? daqui eu não gosto. >> Então a gente ficou muito viciado nessa perspectiva gasosa de relacionamento.
Ah, eu fico com você enquanto não me enquanto me interessa me d prazer. Se amanhã você não me dá prazer, eu te descarto. Aí eu vou atrás de outro prazer.
E aí é prazer financeiro, é prazer sexual, é prazer existencial. Um casamento para durar 25 anos, que é isso? Você tem que ter muito saco, é muita serotonina na veia, >> porque tem dia que a pessoa te passa raiva, você fala: "Gente, eu desejo que faleça, [risadas] que desencarne nesta noite.
" [risadas] >> E é normal, né? >> Ah, isso é humano e a gente precisa voltar a falar sobre isso. >> É verdade.
Ah, eu não posso. Não é? Eu entendi que você quer que a pessoa morra, >> desencarne.
[risadas] Naquele dia. Você fala: "Poderia falecer hoje". No outro dia você acorda, fala: "Cara, mas aquele dia, aquela situação, suporta a minha mãe no hospital, eu tava com febre, com o jeito que cuida dos meus filhos.
E aí você repensa e você fala: "Cara, não tá tendo gente assim, eu vou repensar. Aquilo ali foi uma pedalada errada e aí você >> é isso que a pessoa tem que entender. Tá difícil, né?
E às vezes a pessoa troca um troca um problema pro outro igual ela vai vai ter o mesmo problema repetido das vezes em toda a relação, né? Quando um problema é ela se resolver antes, >> até porque ser humano, né, Vilela, nós estamos falando de ser humano. O Niet tem uma frase que é maravilhosa.
Sendo eu humano, nada do que é humano me estranho. Nós somos acessíveis a todas as questões. A gente também passa raiva nos outros.
A gente também faz ciúme, a gente também pisa na bola. Então, se a gente for começar a descartar as pessoas por essas perspectivas, nós estamos perdido. Eu brinco nas relações hoje a gente faz, a gente a gente faz igual o Neymar, a gente até cava a falta.
Você põe o pé pra pessoa cair, >> é, >> você fica esperando, né? >> Você põe o pé para ela cair assim, ó. Você cria uma situação, >> eu marca um horário e fala: "Quer ver que a pessoa vai atrasar?
" Ela vai atrasar, certeza. [risadas] >> Fala um negocinho só para provocar, só para ela te dar uma uma resposta grossa e você falar: "Tá que você grossa? Por isso que eu vou separar mesmo, porque não dá para andar com gente igual a você".
Não sei que lá. Sei que >> eu adoro em relação quando a pessoa fala: "Você sempre faz isso, né? Você nunca faz isso.
Vira sempre e nunca, né? >> E aí as relações vão para um lugar de radicalismo que não há possibilidade de existência. Eh, >> mas qual que é a solução?
Então, >> a solução é a gente voltar um pouco para essas perspectivas, >> é desacelerar >> e começar a pensar muito sobre dopamina, sobre esse esse esse neurotransmissor que vicia tanto a gente, o que que acontece com dopamina? e em várias possibilidades, desde o açúcar que eu tenho um pico de prazer alto e depois eu caio, a filme pornográfico, a relações líquidas gasosas, isso tudo é pico de dopamina, excesso de celular. >> O que que o meu cérebro faz com dopamina?
A dopamina ela tem uma um uma biologia, um funcionamento muito parecido com o da cocaína. Você tem um pico de prazer e depois você tem um pico de depressão. O seu cérebro ele não está acostumado com picos de nada.
Aliás, nem o nosso corpo tá acostumado com pico. Tanto que quando eu tenho, eu me alimento com alguma coisa, tem um índice gliccêêmico alto, meu pâncreas entra no jogo, manda insulina para diminuir o índice glicêmico. O nosso corpo não está acostumado com excessos.
Então eu tô ali assistindo alguma coisa, eu tenho um pico de dopamina, o meu cérebro baixa a minha sensibilidade a dopamina, porque ele fala: "Se eu ficar desse jeito aqui recebendo essa quantidade de dopamina, eu vou adoecer". Então ele dsibiliza da dopamina e cada vez eu preciso de um pico de dopamina mais alto, mais alto, mais alto para que eu atingja o mesmo nível de prazer. Então é começar a trabalhar essas questões também, olhar um pouco pro quanto a gente se hiperestimula e diminuir a quantidade de estímulo em todos os aspectos aí da nossa vida.
>> Quando o pessoal te procura naquela fase já problemática, tipo vou separar ou quando você escuta essas pessoas já não aguento mais. Eh, você tem você tem algum alguma coisa que você vê e fala realmente esse casal não tem saída ou sempre tem saída? >> Eu sempre claro que estamos estamos tirando a parte de agressão, a parte de É isso daí tudo bem, mas eu tô falando de de brigas mesmo pesadas ou recorrentes, porque eu vejo meus pais brigam, eles estão há sei lá, 56 anos da sua mãe ali, mas na porta errada.
Exatamente. Eles brigam até hoje, mas estão junto, né? Duvido que se eles começassem o relacionamento agora, se eles iam estar juntto.
Na primeira briga já tinham separado, né? >> E deve ser fofa as brigas deles, né? >> Hã?
>> Deve ser fofo os dois brigando. >> Não, nada é fofo. Dá, tá louco.
É criatura. Você não sei o que. >> Mas é bonitinho porque velho se implica.
Velho se implica o tempo todo. >> Implica o dia inteiro. >> É, eu, como era a minha abordagem em consultório, sempre que vinha um casal com questões extremas, a minha pergunta sempre era, e para mim essa é a pergunta, vocês se amam?
Porque eles vinham falando sobre os problemas. Ah, ele me traiu. Ah, ela é chata.
Ah, ele não cuida. Ah, ele não trabalha. Ah, ela só fica na mãe dela.
Vinha com a lista de problemas. Eu falava: "Não vamos falar sobre os problemas. Os problemas a gente trata nas próximas sessões.
" A pergunta >> indispensável é: vocês se amam? Porque se houver amor, todas as possibilidades são reversíveis. Se não houver amor, nada reversível.
E o o e o amor, eu eu a gente teve um episódio no final do ano passado com a Lucielena e a gente estava falando sobre amor e ela falou que amor era uma era uma decisão, né? Tem pouco a ver com sentimento e mais com decisão. Você decide amar uma pessoa e a partir desse cuidado que você tem todo dia, a partir dessa atenção, esse amor é impossível dele não florescer, desde que você tome essa decisão, né?
>> Ele é decisão e ele é ato, né? Amor não é um sentimento. Ai, acordei amando.
>> É, é, é, é um exercício, né? Amor é atitude. Amor é você acordar de manhã e ir lá na cozinha tomar um copo d'água e trazer um copo d'água e dizer: "Meu bem, trouxe um copo de água para você porque eu tava com sede.
Imaginei que você pudesse estar também". >> Pois é. >> Amor é atitude.
Amor não é sentimento. Amor é pedir desculpa. Amor não é a abrir a porta do carro.
Não, não é sobre isso. Amor é preocupação, mandar uma mensagem durante já almoçou? Quer que eu leve alguma coisa para você?
É esse tipo de situação. Eu falo e é bem não vai ser muito difícil de eu me emocionar porque eu me emociono muito fácil. Eu perdi minha irmã agora em julho, tem três meses.
E eu falo assim que eu vi várias manifestações de amor. Teve uma pessoa que me mandou uma mensagem, por alguma razão ela descobriu que eu estava velando a minha irmã naquele momento e me mandou uma mensagem, estava dentro do velório, e me mandou a seguinte mensagem: "Doutora, estou aqui no velório, não a conheço. O meu sonho é te conhecer e te dar um abraço, mas hoje o dia não é para isso.
Permanecerei no velório até a hora que a senhora enterrar a irmã da senhora. Estou aqui para l estou. Se precisar de água, se alguém precisar de comida, se alguém precisar ser levado no hospital, estou aqui para servir a família da senhora.
Em outro momento eu vou dar esse abraço e esse sonho de conhecê-la, mas eu estou aqui em atitude para cuidar da senhora e da família da senhora, porque eu imagino que não está sendo fácil. Isso para mim é amor. >> É, >> é quando você vai além, é quando você pensa sobre a necessidade do outro.
Eh, e aí é uma coisa que a gente perdeu muito e que as pessoas antigas tinham muito, é você bater na porta do outro e falar: "Ó, eu fiz um bolo de fubá, queria trazer um pedaço para você aqui. " >> Pois é. Pois é.
>> Era era comum. É, >> ontem foi o lançamento do livro e as pessoas só entravam na livraria se fossem comprar o livro, porque era noite de autógrafo, não dava para receber todo mundo, milhares de pessoas. Uma pessoa ficou lá no vidro batendo, me dando tchau.
Eu fiz assim: "Entra" e pedi para liberar. Aí ela veio com guardanapo e me entregou. Falou: "Doutora, eu não pude comprar o livro da senhora, mas eu gostaria do autógrafo da senhora.
A senhora autografa aqui no no guardanapo que eu quero levar essa lembrança. " Falei: "Por que que você não pôde comprar o livro? " E ela começou a chorar.
Ela disse: "Porque eu não tenho dinheiro, mas em algum momento eu vou ter e eu quero levar esse livro". Falei: "O livro é seu, catei o livro e autografei e entreguei. " Eu acho que atitude ela fala muito e é tão pouco e é tão simples.
O que que você pode fazer pelas pessoas que estão ao seu redor? O que que você pode fazer pela pessoa que trabalha dentro da sua casa? >> É, >> é justo você passar um Natal com a sua mesa arregaçando de trem sobrando, outro dia vai jogar fora e a sua funcionária tá fazendo o maior esforção para conseguir comprar um peru.
Então assim, essa conta para mim ela não fecha. Então são coisas tão minúsculas, minúsculas que a gente pode fazer como atitude de amor pelo outro e a gente não faz. E todo mundo pode fazer alguma coisa.
Todo mundo, ninguém é tão pobre que não possa fazer. O cara que recolhe o lixo na porta de sua casa é você perguntar no 3 horas da tarde, se fosse você, você talvez você estaria com sede, com calor. É você perguntar pro cara, velho, tá com sede?
Correr lá dentro que é uma garrafa e entregar. >> Ninguém, não é possível que você não tem um copo d'água para dar para uma pessoa. Então, amor para mim são essas atitudes diárias.
Tanto que Jesus, Jesus é muito sábio, né? Teologicamente ou psicologicamente, do jeito que você quiser pensar ele ou filosoficamente. Jesus diz que amar não é uma escolha.
Amar a todos. Jesus manda a gente amar a todos. Amar a Deus, >> os inimigos.
>> Aí você fala: "Não, mas que difícil! Uma coisa é amar, outra coisa é gostar. Jesus não mandou a gente gostar de todo mundo.
Gostar é conviver. Gostar é querer na sua mesa. Gostar é chamar para tomar um vinho.
Gostar é querer ver o futebol junto. Amar é para todo mundo. Amar é um copo d'água, é um respeito, é um desejar bem.
Isso é amar. E isso dá para fazer até pelo cara que tá lá na colônia penal. >> Pois é.
Tem uma amiga minha que é fã demais e de você. Eu fiquei, ela falou, ficou sabendo que você ia vir aqui, falou: "Se der, faz essa pergunta". Letícia aqui, Claudino, de Curitiba, por tendemos a descontar nos nossos relacionamentos atitudes que vêm da relação com nossos pais e como e como podemos evitar repetir esses padrões?
>> Letícia, beijo, Letícia. Obrigada pelo carinho. >> Falou que acompanha tudo que você faz.
>> Ah, que delícia. Obrigada. A nossa infância é um terreno que a gente pisa diariamente todos os dias.
A nossa vida é uma reedição do que a gente viveu lá atrás. Então, infelizmente, aquilo que a gente não elabora, a gente repete. Isso é fórmula, tá?
Aí no livro, inclusive, tudo que você não elabora, você repete. >> Elaborar é entender, >> entender e ressignificar. A, o, o Freud vai chamar isso de retorno.
A gente vive esse retorno. Então, lá a relação com seus pais. Aí seu pai tratava sua mãe de um jeito e você odiava o jeito que ele tratava sua mãe.
Você pensava: "Esse cara é um poçal". >> E aí, repete. Qual é a explicação?
arruma um homem idêntico, querendo resolver o que não resolveu com o pai. Porque qual que teria sido o o final interessante dessa história? Essa criança não teria conseguido chegar no pai e dizer: "Cara, você é um boçal".
Mas ela ter elaborado isso, ela ter pensado, tá, mas nas condições daquela situação, meu pai e minha mãe era assim, o relacionamento dos dois era assim, talvez ele agia assim por isso. Não era sobre mim, era sobre a relação dele. Como como o marido ele era péssimo, mas como o pai ele que foi um cara maravilhoso, você elaborou, tá vendo?
Pronto, não vai voltar. Não elaborou, você vai arrumar um homem parecido com seu pai até o dia que você resolver essa pendência. E assim é com tudo.
>> É um ciclo, né? >> Ciclo. Tudo que a gente não elabora e ressignifica, retorna até vocêar.
É como se eu trouxesse o meu inconsciente dissesse: "Essa história com o seu pai tá pendurado, eu preciso trazer esse seu pai aqui em outros atores". E aí ele vai trazendo até você resolver. >> Isso tem a ver também com vícios.
A pessoa reclamava que o pai fumava e depois de um tempo ela vai fumar ou vai beber. >> Pode ter a ver também. >> Ou é genético, >> tem a tem a condição genética, mas tem muito a ver dessas questões relacionadas a traumas e vivências.
Se você não elaborou essa questão, por exemplo, na minha história, eu posso dizer sobre isso. Eu achava meu pai uma droga. Até o dia que eu entendi que meu pai era maravilhoso.
Uma droga era o marido da minha mãe. É, >> o marido da minha mãe era uma droga. como pai.
>> Ele era fantástico e eu tava toda misturada essa história, tava tudo confusa na minha cabeça. Eu achava que meu pai era péssimo, até pelo discurso da minha mãe que sustentava isso muito. Aí um dia eu parei para escrever pai, aí eu falei: "Aí escrevi pai".
O cara pagava as contas, sempre foi trabalhador, trabalhava em duas empresas, era carinhoso com a gente, era cuidadoso. Não, ele era um pai fantástico, como o marido da minha mãe, ele era uma lástima. Mas esse problema não é meu.
Esse problema é dela. >> É, >> é dela, com a relação dela, com que os dois construíram. No momento em que eu elaboro isso, essa pendência, esse cabide saiu do meu guarda-roupa.
>> Agora eu tô pronta para relações saudáveis.