Olá, seja muito bem-vindo a mais um podcast da série Caminhos da Missão, na qual estamos aprofundando as diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil, capítulo 5 deste documento que os bispos oferecem a toda a igreja no Brasil com as indicações pastorais para os próximos 6 anos. Hoje nós vamos falar sobre o quarto caminho da missão que se que trata da liturgia e da piedade popular. E recebemos nesta edição do podcast o bispo de Bonfim na Bahia e presidente da Comissão Episcopal para a Liturgia da CBB, Dom Hernaldo Farias.
Muito obrigado pela sua presença, don. >> É um prazer. >> É isso, Domnaldo.
As diretrizes tratam então um capítulo especial sobre os caminhos da missão, mas reservam esse essa atenção à liturgia e à piedade popular. Quando a gente fala da liturgia ali, né, momento de renovação da aliança de Deus com o povo, ah, tem também a celebração do próprio mistério, né, de do nosso Senhor Jesus Cristo. O senhor pode destacar desse ponto que a CNB coloca, né, como importância paraa liturgia, paraa celebração litúrgica.
É importante ter presente que eh as diretrizes elas eh bebem e reforçam o Concílio Vaticano II e dele tudo que emanou, sobretudo para a reforma litúrgica da igreja. Por isso, as diretrizes reforçam que a vida da igreja, ela existe por causa da celebração dos mistérios de Cristo, paixão, morte e ressurreição, que nos deu a salvação. A igreja vive para a liturgia e da liturgia, sobretudo da eucaristia.
Eh, as diretrizes reforçam isto para que nós possamos compreender que toda a ação da igreja, ela nasce deste mistério celebrado. Toda a ação da igreja, sacou o Santo Concílio número 10, vai eh afirmar isto. Toda ação da igreja nasce da celebração que ela faz do mistério da Páscoa de Cristo que a torna missionária no mundo.
Ao participar deste mistério, a igreja se faz presença de Cristo na vida eh do mundo, em todas as realidades. Então, em primeiro lugar, as diretrizes reforçam esta eh esta compreensão litúrgica, é, do mistério da Páscoa de Cristo que celebramos na Eucaristia para toda a sua ação. Se fala do Concílio Vaticano II, que ele apresenta então um caminho para a vida litúrgica da igreja, eh, principalmente nesses últimos 60 anos.
E as geratrizes retomam o concílio Vaticano I. O que elas trazem então desse momento tão importante pra vida da igreja? Então ela, ela, as genetrizes nos ajudam a compreender que eh ou melhor não não só compreender, né, a experimentar este mistério na vida da igreja de maneira dinâmica.
E por isso mesmo, eh, elas reforçam a centralidade da liturgia e da eucaristia e a partir dela das indicações chamadas as indicações pastorais. É importante ter presente assim que eh quando a igreja nas diretrizes eh para cada um dos caminhos da missão, ela traz indicações pastorais, eh as diret as diretrizes não querem esgotar todas as indicações pastorais. aqui são algumas e a partir delas, e aí é é interessante que cada região, cada realidade, cada igreja particular deve olhar como ela está celebrando este mistério da Páscoa de Cristo, se isto precisa ser revisado e as diretrizes reforçam a importância da formação.
E o que fazer para que o mistério da Páscoa de Cristo celebrada nos sacramentos e sacramentais possam como possa como que eh reforçar a missão da igreja? Por isso vem as indicações pastorais. O senhor já tocou então nesse ponto das indicações pastorais.
O que que o senhor destaca? Nós vimos aqui que tem várias indicações, é uma lista considerável, mas o que o senhor pode destacar desde já para que aqueles que nos acompanham em casa possam então depois aprofundar ali nas comunidades, nas dioceses, mas qual o destaque que o senhor dá? >> Então ela, as diretrizes indicam 11, né, indicações pastorais.
Eh, vamos salientar apenas algumas delas. Uma primeira a importância da celebração da palavra de Deus. E por decorrência desta, eh, aí vem a formação para isto.
Quantas comunidades no Brasil ainda alimentam sua fé por causa da palavra de Deus celebrada e presidida principalmente por leigos e na maioria leigas, né, ministras da palavra. Daí a importância de uma segunda indicação pastoral, que é nós investirmos mais ainda no Brasil, na ministerialidade laical no Brasil. O Papa Francisco nos deu este grande legado.
E aí trazermos para a igreja, reforçarmos, trazermos não, porque no Brasil isso já temos há quanto tempo, né? Mas vivermos mesmo, investirmos em ministros, leigos, leitores com competência da leitura, da proclamação da palavra de Deus, do acolitato, então o leitorato, acolitato e vamos ter tantos outros como também eh o próprio ministério do catequista que o Papa Francisco eh nos chamou a recobrar. Então, dá palavra também esta dimensão dos ministérios leos.
Um outro eh é a indicação pastoral da importância da arte de celebrar. Não podemos celebrar de qualquer maneira. Não podemos deixar que ideologias interfiram no mistério da Páscoa de Cristo.
É muito sagrado para entrarmos nestas, né, eh, vamos dizer assim, nesses jogos ideológicos, mas a arte de celebrar, principalmente dos ministros ordenados. E aí as diretrizes trazem junto com a arte de celebrar a importância da homilia. É importante que as comunidades, que as pessoas que vão às nossas comunidades possam sair como que preenchidos da palavra de Deus, alimentados pela palavra de Deus e pelo mistério daquele sacramento celebrado para assim viverem no cotidiano.
Uma quarta indicação é a formação litúrgica. Como a gente percebe que a formação litúrgica ainda é um desafio para nós, não é? Eh, formação litúrgica para os candidatos ao presbiterato, para os presbíteros, para a vida consagrada, para todos da igreja, inclusive para nós, um episcopado, né?
deixarm-nos formar pela liturgia e sermos formados para ela. É o que pede o Papa Francisco na desidia desiderável. E uma quinta indicação é a importância de os bispos em suas dioceses, eh, suas igrejas particulares, constituírem as comissões de liturgia.
Claro que aqui tem algo que amplia, que é a busca cada vez mais importante de constituir pastoral litúrgica. É, a pastoral litúrgica é um guarda-chuva maior. E para que a pastoral litúrgica ela aconteça, é importante ter a na diocese a comissão de liturgia com pelo menos um especialista na área, a comissão de espaço litúrgico pelo menos com um especialista na área, a comissão de música litúrgica com pelo menos um especialista na área.
a partir disso, orientar as paróquias nas pequenas equipes de celebração. Isto é o buscar uma pastoral litúrgica. Então, das 11 indicações, salientamos estas cinco, mas é importante eh tomar as diretrizes para aprofundar também as demais.
Esse era justamente o convite que eu iria fazer, porque não pode ficar somente nessas cinco que são muito importantes, mas é interessante que todos eh possam estudar, aprofundar nas suas realidades aquilo que já tem presente ali no território e é aquilo que precisa ser realizado, né? e até mesmo no sentido assim: "Ah, mas as diretrizes não trazem eh tal indicação pastoral que para nós é importante, ótimo é o enriquecimento das diretrizes. " É, é importante salientar assim que as diretrizes foram aprovadas para os próximos 6 anos, mas na metade dos 6 anos nós pretendemos fazer uma grande avaliação dela, uma grande revisão e quem sabe seja justamente este a mais de cada diocese num sentido bem sinodal que possamos escutar, colher das dioceses para também acrescentar as diretrizes.
Olha aí que interessante, donaldo, muito obrigado por nos apresentar esse panorama sobre a questão litúrgica. Agora vamos pro outro tema que está também na no caminho da missão eh número quatro, que é a piedade popular. Para gente compreender o pessoal de casa poder entender também o que é piedade popular e como ela favorece a experiência de fé do nosso povo.
Eh, um primeiro elemento é trazer o seguinte: a igreja ela não recusa, ela não nega, ela não quer anular a piedade popular jamais. Se pensarmos nos períodos de maiores crises na igreja, foi a piedade popular que alimentou a fé de muitas pessoas, não é, na vida da igreja, inclusive em nosso país. Ora, então, a importância da piedade popular e as diretrizes começam justamente apontando esta importância.
Logo depois, eh, já no, no início, nos primeiros números, ela começa fazendo uma distinção entre piedade popular e religiosidade popular. Eh, não vamos entrar muito nesta questão porque eh o próprio diretório de liturgia e piedade popular da igreja, ele faz essa distinção, mas no fundo ele fala, é uma distinção apenas pedagógica. O importante é termos presente que eh a piedade popular ou a devoção popular eh são expressões devocionais do nosso povo, sejam individuais ou coletivas, para que manifestem sua fé.
Ora, como então ao mesmo tempo valorizar isso naquilo que ele tem de importante para alimentar a fé, mas ao mesmo tempo, como trazer isto para que eh a própria liturgia possa absorver também estas expressões de piedade popular. Não é uma tarefa tão fácil, mas as diretrizes nos apontam também indicações e elas falem uma as diretrizes apresentam uma relação. Como deve ser essa relação entre liturgia e piedade popular?
O senhor nos fala sobre isso. >> Exatamente. Eh, as diretrizes dizem, olha, em primeiro lugar, a liturgia ela está como que no coração da vida da igreja.
A piedade popular, ela tende para a liturgia. Eu posso dar um exemplo se é possível, né? Eh, que bom cultivarmos a devoção da oração do rosário, que é a meditação dos mistérios de Cristo.
Ora, só que reforçar isto é importante, mas não parar aí. Se para na pura devoção, eu não vou degustar o que tem de mais importante, que é a celebração dos mistérios do Cristo na Eucaristia, por exemplo. ficar apenas no terço é como que ficar na na a frente a porta de entrada da grande igreja ou vamos usar a expressão das diretrizes da grande tenda, não é?
Não vamos entrar na tenda para experimentar com maior sabor o mistério de Cristo pelos sacramentos e às vezes também e às vezes não, e também pelos sacramentais. Então as diretrizes dizem: "Olha, a liturgia é como que este ponto mais alto, a as a piedade popular deve conduzir à liturgia, mas não devemos eliminá-la". era a importância que e então as diretrizes vão dizer assim: "A possibilidade desta relação harmoniosa entre piedade popular e liturgia, mas esse trabalho tem que ser feito com muito cuidado, sem destruir uma e supervalorizar a outra e sem destruir a outra, supervalorizando, né, a própria eh piedade popular.
O como fazer então está nas indicações pastorais? Que que o senhor destaca disso? efeito.
E aí vem nas e indicações pastorais. Aqui as diretrizes apontam sete indicações pastorais. Eh eh foram até tímidas as diretrizes, eh né?
Poderíamos ter tantas tantas outras, mas nós salientamos eh algumas também dessas indicações pastorais. A primeira é a importância dos santuários. O nosso povo procura os santuários e os santuários devem ser espaço de verdadeira experiência do mistério da Páscoa de Cristo.
Páscoa de Cristo que o povo deve experimentar na celebração dos mistérios de Maria e dos santos que eles experimentaram em suas vidas e não parar no santo, ir para além. os santos apontam o mistério de Cristo. Então, vamos experimentá-los eh eh no santuário.
E aí e envolve tanta tantas dimensões do santuário, o lugar próprio para a o sacramento da reconciliação e não de qualquer maneira uma cadeirinha lá fora, não. Um espaço acolhedor do mistério da reconciliação. o o espaço e horários propícios para a bênção de objetos e não simplesmente colocar e fazer uma cruz diante das pessoas, não é proclamação da palavra, homilia, bênção da da água, aspersão.
Isso é importante. Esses sinais pro nosso povo, eles são importantes. E a liturgia traz esses sinais para comito próprio, né?
Exatamente. Com rito próprio. Então, os santuários.
Depois as diretrizes trazem a indica, melhor nós alimentamos da das outras, eh, a importância das novenas é muito comum no Brasil, não só no Brasil, mas no Brasil. Isso é muito forte. Como fazer com que a novena ela a as pessoas possam degustar, celebrar o mistério da Páscoa de Cristo, que aquele santo viveu como discípulo ou discípula do Senhor e que nós queremos hoje também viver com os discípulos missionários.
Então, reforçar as novenas. Eh, aproveito até eh este ano eh o nosso regional Nordeste 3, o encontro eh eh a de liturgia do regional vai ser sobre justamente a as novenas. Como então entendê-las e como incrementá-las para que elas sirvam à liturgia e também absorvam da liturgia aquilo que ela tem de importância na celebração do mistério da Páscoa de Cristo.
Uma terceira que eu posso indicar é salições pastorais é que as diretrizes dizem, orientam que os bispos em suas eh igrejas particulares possam regular, regularizar, dar normas para a experiência da piedade popular, para que a piedade popular ela não leve a desvios. E hoje é bom salientar que muitas vezes a piedade popular tem sido manipulada para desviar do mistério da Páscoa de Cristo. Então o bispo deve dar normas para isso.
E uma quarta que eu quero salientar é que pela primeira vez as diretrizes trazem algo muito importante. Já temos Brasil formas de inculturação litúrgica. Por exemplo, o nosso ritual de batismo é o único ritual inculturado no Brasil.
Nós temos um ritual próprio inculturado do Brasil para o sacramento do batismo de crianças. Mas nós temos experiências também de uma profunda unidade entre piedade popular e liturgia, que é o ofício divino das comunidades, que é celebrado por tantas comunidades e até mesmo por igrejas eh eh protestantes, porque de o o concílio Vaticano II recuperou a importância da oração com os salmos e o ofício divino foi buscar na Piedade popular esta expressão para a liturgia, eh, levando para o mesmo esquema ritual da liturgia das horas, a, eh, o ofício divino das comunidades. Quando a gente pensa na na nas novenas ou eh nos eh hinos, os cantos marianos, né, da piedade popular, eh eh que o ofício divino traz já pro início, agora lábios [canto] meus, vem abrir abrir, Senhor.
Belíssimo. Vamos trazer isto para a liturgia, unindo piedade popular. a liturgia, sem danificar a liturgia, respeitando também a piedade popular.
Olha que bacana. Bem, é uma riqueza enorme. Dominaldo nos brindou com tanta sabedoria, trazendo então aquilo que as diretrizes nos apresentam no capítulo 5, só no ponto da liturgia e da piedade popular, vendo a quanta riqueza que os senhores colocaram nesse documento e agora oferecem a toda a igreja no Brasil.
Bernardo, muito obrigado. E eu acredito que a comissão para liturgia vai ter muito trabalho também para auxiliar, né, com as orientações e todo o trabalho da pastoral litúrgica em todo o Brasil, né? >> Sim.
Recomendamos então a todos que possam eh aprofundar, né, eh as diretrizes e sobretudo eh as diretrizes elas são eh indicações gerais, elas têm que chegar ao chão de cada realidade pastoral da igreja. E aí a igreja vai descobrir nela coisas que ela pode ampliar, mas coisas que ela também, elementos da sua missão, é que ela eh eh as igrejas podem também contribuir para as diretrizes. É isso.
Então esse foi o nosso quarto podcast sobre as diretrizes gerais da ação evangelizadora da igreja no Brasil, especificamente capítulo 5, Caminhos da Missão. Na próxima edição nós vamos tratar sobre o caminho do serviço à vida plena para todos. Obrigado por nos acompanhar.
Até a próxima.