[Música] capotei com o meu carro ã e eu não usava cinto de segurança o carro aquaplanou na pista pegou Aquela bolsa d'água rodopiou e o motorista não soube o que fazer freiou e aí o carro deslizou e caiu na ribanceira e capotou meu nome é Renato laurente Tenho 47 anos e sou empresário meu nome é Tata contre eu tenho 29 anos sou atriz e consultora em inclusão eu sou Flávia cra tenho 36 anos sou jornalista mãe de gêmeos eh e vivo numa cadeira de rodas desde que eu tinha 18 anos por conta de um acidente
de carro que eu passei seis meses no hospital e aí sim depois parti para a a fisioterapia to essas coisas eu fiquei um mês reabilitando mesmo fazendo exercício aprendendo coisas banais coisas simples do cotidiano Como amarrar o tênis como a trocar de roupa sozinha até o dia que o médico veio me dar alta Como assim vai me dar alta eu ainda não consigo nem sentar Não sarei ainda não tô boa porque a gente tem aquela ideia de que a gente vai pro hospital a gente vai ao médico para ser curado né eu me machuquei vou
ficar bem acho que todas as pessoas com deficiência e pós acidente têm a a a procura do Milagre quer dizer primeiro é aquele negócio isso não tá acontecendo comigo depois do não está acontecendo comigo eu eu não vou ficar assim pro resto da vida mas como assim Doutora eu não vou voltar a andar ele falou Flávia eu não sei e eu tinha conta para pagar se eu não não sabe não superasse não fosse trabalhar ninguém ia pagar minha conta sabe e eu tinha uma vida para viver eu tinha 20 anos gente o tempo vai passando
e as coisas vão entrando no eixo a partir do momento que eu descobri que eu podia dirigir que eu podia ter um carro sabe ninguém mais me segurou mas ter carro é incrível você vai a hora que você quer você não depende do horário de ninguém só do seu e do trânsito né você tá sempre em evidência porque em qualquer lugar que uma pessoa de cadeira de roda chega assim ainda hoje as pessoas param que estão fazendo para olhar que às vezes é pena às vezes é curiosidade às vezes é admiração às vezes não é
nada é só porque é uma figura diferente e esse olhar me incomodou muito no início porque é difícil essa sensação de você nunca mais conseguir se misturar numa multidão hum um dia eu fazia Faculdade de Educação Física Então minha vida era esporte de repente eu não mexia mais nada é uma coisa complicada de um momento você tá ali andando no outro momento você não tá andando e como é que você vai voltar a a vida de uma hora para outra uma coisa que me fez entrar no eixo eh foi ver que uma menina gostava de
mim sabe porque eu olhar falar meu como é que alguém vai poder gostar de mim no começo eu falava Ah Nunca vou ficar com um menino cadeirante Olha isso eu era cadeirante eu tinha preconceito Então acho que enquanto você não quebra isso você não não não fica bem resolvida acho que a partir do momento que eu tava bem resolvida as coisas começaram a fluir naturalmente eu acho que hoje em dia eu conheço o meu corpo perfeitamente e e eu acho que eu sei proporcionar pra minha parceira também o prazer que ela deseja muita gente perguntam
ai Mas como que faz dois cadeirantes faz eu não vou explicar como porque né nego se vira mas dá para imaginar é tranquilo Flávio tenho duas notícias para te dar a primeira é Parabéns está confirmado sim você está grávida mas parece que temos aqui dois bebês eles estão com 2 anos agora 2 anos e 3 meses falam pelos cotovelos correm pela casa brincam brigam eh fazem milhares de perguntas é claro que eles sabem que existe cadeira de roda mas eles não dão se significado negativo a cadeira de rodas a cadeira de rodas é um recurso
que a mamãe usa e as outras pessoas não cuidar deles assim nada é mais importante do que eles nunca imaginei que eu pudesse viver uma situação de não precisar de mais nada hoje eu tenho hora para voltar para casa quer dar janta dar banho pôr para dormir e eu vou fazendo uma malabarismo aí que a maioria das mulheres modernas fazem que é tentar dar conta de tudo do trabalho dos filhos da casa da vida eu vi que eu podia ser alguém mesmo sem andar sem ter a a movimentação de braços como todo mundo e sim
pô eu uso a cabeça pro trabalho quer dizer qual vai ser a diferença de eu estar numa mesa de escritório sentado numa cadeira de rodas ou sentado numa outra cadeira sem rodas tudo estamos aqui diretamente da praia de quarto escondido mero eu fui fazer teatro lá na Oficina dos Menestréis em 2003 nunca tinha pensado em ser atriz e assim quando a a gente falava teatro negro corria né Foi difícil formar um grupo a gente conseguiu formar um grupo de 19 pessoas e a gente montou noturno do Osvaldo Montenegro e cara foi um sucesso a deficiência
para mim e pra grande parte das pessoas que vive nessa condição é mais um dado é mais uma característica que nem é a característica mais importante da maioria das vezes eu não fico todo dia de manhã quando eu acordo me lamentando Ai que pena não posso andar se eu pudesse andar Ah eu não vou dizer que eu não gostaria isso é lógico que eu gostaria para poder pegar para dar uma surfada jogar uma bola lógico mas não é o principal na minha vida né quer dizer por isso que eu digo que eu não sinto falta
de andar as pessoas às vezes me acham muito forte mas é porque quando a gente se imagina na numa situação a gente não tem ideia do jeito que a gente vai reagir Eu também achei que eu preferia que preferiria morrer isso nunca aconteceu eu não acho que eu sou lição de vida para Ninguém eu apenas tenho que batalhar como todo mundo e posso ter um probleminha a mais mas tem muita gente que tem problema aí também [Música]