Use o cupom Edson Castro para desconto nas suas compras na Insider, link na descrição do vídeo e no primeiro comentário fixado também. A gente viu a repercussão de uma fala sobre o João Ele sobre você aqui que rolou no podcast e pouco tempo depois também rolaram eh algumas falas também do próprio Bolos e de uma outra parte da esquerda, batendo muito forte nessa vertente aí da galera dos web comunistas, dessa galera que tem falado sobre comunismo, chamando de revolucionários de sofá, né? Foi um pouco da crítica dessa galera.
O que que você acha que tem uma crítica de parte da esquerda pra galera que fala sobre comunismo hoje na internet? Tá? Eh, eh, essa é uma pergunta muito boa e bem ampla.
Eh, eu vou tomar a liberdade de começar respondendo, falando um pouco da minha biografia, porque eu acho que é importante, né? Eu não sou de família rica, classe média e aí nada contra quem veio de família rica. É muito bom passar dificuldades, mas não é o meu caso, né?
Minha mãe trabalhou a vida praticamente inteira como empregada doméstica. Meu pai era pedreiro antes de ser assassinado. Então eu cresci numa favela de Recife, a favela da Borborema.
Comecei a trabalhar com 13 anos de idade, vendendo um jornal num sinal lá em Boa Viagem, próximo da Pousada de Reginaldo Rossse, como o povo falava. E trabalhei dos 13 anos até hoje, fiz praticamente tudo, né? Vendi jornal, entreguei água mineral, entreguei almoço, trabalhei na praia, em quiosque, vendi caldinho, trabalhei como auxiliar de pedreiro, trabalhei como auxiliar de serviços gerais, trabalhei como office boy, trabalhei como segurança de festa, trabalhei como animador de festa e tudo que você imaginar.
Eh, comecei minha militância com 18 para 19 anos na minha comunidade a favela da Borborema, quando eu passei na UFP, eu e meu amigo de infância, Júlio César, e outro amigo de infância também, Felipe Bezerra, que a gente meio que estabeleceu essa amizade a partir do grupo jovens da Igreja Católica, da comunidade, né? Nós som fomos os primeiros a entrar em universidades públicas da história da comunidade. Aí eu e Júlio a gente abriu um pré-vestibular, um cursinho popular chamado Novo Caminho, que ajudou mais de 40 jovens da Borborema e região a entrar em universidades públicas.
Em seguida, eu tentei ser líder comunitário na minha favela, não deu certo, fui ameaçado, por aí vai. Então, minha militância começou na minha comunidade, na minha favela. Fiz militância do movimento estudantil, movimento sindical.
Participei da frente contra o aumento das passagens em Pernambuco, da frente contra extermínio da juventude negra. Participei do cupelita, estava lá nos comitês populares contra a remoção da Copa do Mundo. Participei da primeira ocupação do MTST em Pernambuco, né?
Oupação Carolina de Jesus. E quando eu falo participei, não participei de uma passada, eu fui de madrugada junto com os militantes do MTST cortar bambu para fazer eh os barracos e tal. E quando foi ocupar o terreno do lado da estação do barro, eu tava lá também, né, na época militante da UJC, a União da Juventude Comunista, a gente fez várias brigadas junto ao MTSCT, brigadas de saúde, levando a galera de saúde do partido para atuar junto com as pessoas, ajudar e tal.
Eh, participei da criação e do trabalho de construção da frente povo sem medo em Pernambuco e por aí vai indo. Então, é muito curioso por hoje eu sou um comunicador de repercussão nacional, as coisas têm dado muito certo, graças a Deus, Marcos. Amém.
Porém, contudo, todavia, a minha militância política de 15 anos de atuação política não se resume eh a comunicação digital. A comunicação digital é parte também do que eu faço, né, mas não um só. Então, é muito curioso essa caricatura, eh, porque é um pouco triste ver gente que me conhece da militância, das ruas, dos atos, das lutas, dos protestos, de reuniões de construção de ação política.
Há mais 10 anos repetir essa caricatura. E aí, por que ela acontece? Me parece o seguinte, tu tem quantos anos?
Tenho 39. Pronto, tem 39. Então, tu pegou a época, que era um consenso unipresente na esquerda brasileira, falar que a esquerda precisava melhorar sua comunicação digital, porque a direita chegou primeiro e a esquerda não sabia se comunicar nas redes.
Esse discurso começou a partir de 2014, mais ou menos, ganhou força com a eleição do Bolsonaro em 2018. Então, são mais de 10 anos dizendo, a esquerda precisa aprender a se comunicar nas redes. E aí, curiosamente quem deslanchou nessa comunicação digital foram marxistas, né?
não foram petistas, não foram pessoas do PCDB, não foram pessoas do PDT, do PSB, se é que a gente pode considerar o PSB de esquerda, enfim. Eh, foram marxistas, comunistas que conseguiram criar um ecossistema de comunicação digital que ganhou repercussão, né? Forjaram uma série de comunicadores populares que alcançaram a casa do do milhão, né, de seguidores nas redes, o que é muito difícil porque a dinâmica de governança algorítmica, ela não privilegia a nossa produção de conteúdo, debate que a gente faz.
Então, acho que tem um primeiro um sentimento de inveja e de ciúme, né? Inveja e ciúme, porque a galera que tem mais dinheiro, que tem mais estrutura, que tem mais condição, não conseguiu alcançar essa influência comunicacional, esse peso no debate eh teórico, político e cultural do Brasil. E não, Edson, que a gente esteja na crista da onda pautando a sociedade brasileira.
Não é o caso, mas a gente é relevante enquanto campo político e comunicacional. Isso por um lado. Por outro lado, eu acho que tem aqueles que tentam enquadrar a esquerda brasileira no que um grande pensador marx fista chamava de realismo capitalista, que é dizer basicamente o seguinte: é impossível querer mais.
É impossível querer transformações estruturais, querer reformas estruturais na sociedade brasileira. é impossível, inclusive eh pensar a superação do capitalismo e pensar o socialismo. todo pensamento, toda proposta política que se propõe a ir além do que está posto, que se propõe a questionar os limites do modelo político econômico, que diz que, por exemplo, é possível e necessário enfrentar o poder dos bancos, baixar a taxa deos estatizar o sistema bancário, que é possível e necessário mudar radicalmente a matriz produtiva do Brasil e acabar com essa dinâmica econômica pautado numa atividade primária exportadora que só gera prejuízos à natureza, não tem densidade tecnológica.
tem vários casos de trabalho análogo à escravidão, gera poucos empregos, empregos ruins, com salários baixos e por aí vai. Todo mundo que se questiona eh sobre, ó, gente, não tá bom assim, o que a gente tá vivendo não tá bom. Os empregos no Brasil são ruins, a saúde tá quente necessário, a educação segue uma crise, como diria Dança Ribeiro, uma crise que é um projeto, a violência urbana cresce cada vez mais, as cidades são infernais, né?
[risadas] Infern boa. São Paulo é ma paz. É, as cidades são infernais, problemas cada vez maiores por causa da emergência climática, né, de poluição, de chuvas além do esperado, de secas além do esperado, de calor além do esperado, de frio além do esperado, enfim.
Então tem uma tem um setor do que se chama de esquerda no Brasil que ele tem como premissa eh castrar os desejos aqui bem psicanaliticamente falando, tem como premissa castrar os desejos de querer o mundo novo, porque a sua gramática política é uma gramática política de mera gestão do capitalismo. Você tem uma gestão do capitalismo que é fascista no Brasil, que é o campo da extrema direita, nesse momento representado principalmente pelo pré-candidato o Flávio Bolsonaro, né, que deveria estar preso porque é o Flávio Rachadinha. Então você tem uma gestão capitalista, eh, desculpa, uma gestão do capitalismo fascista.
Você tem uma proposta de gestão do capitalismo que é da direita clássica, oligárquica, né, tradicional, que é muito representada por uma figura aqui de São Paulo, que é o Gilberto Cassabe. Você tem uma proposta de gestão do capitalismo, que é uma proposta de gestão do capitalismo progressista, que é assim, a gente vai manter a propriedade privada dos meios de produção, vai manter a superexploração da força do trabalho, vai manter a dinâmica de poder político concentrado nas mãos da burguesia e dos seus gerentes, mas vai ter mais política pública, vai ter mais direitos humanos, vai ter mais um discurso de respeito à diversidade, a diferença e por aí vai. Então, para alguns setores da esquerda, é incômodo que uma proposta comunista revolucionária ganhe peso de massas, porque a sua existência enquanto esquerda depende da castração do desejo, depende do afeto triste.
Eh, a política precisa ser pautado na ideia de que não está bom, mas pode piorar. Eu sou menos pior. Me apoie, porque do outro lado tem a besta fera, tem o monstro, tem algo muito pior.
Então é isso, tudo bem, não tá bom, eu sei, mas é isso, né? O outro lado é muito pior. Então esse tipo de política pautada nesse afeto triste, nesse afeto da resignação do comodismo, eh ele entra em choque com quem se propõe a desnundar nova perspectiva de futuro, né?
abrir novas novas avenidas de futuro e dizer assim: "Não, não tá bom só isso. A gente quer muito mais, a gente pode muito mais enquanto povo trabalhador, enquanto classe, a gente pode almejar um futuro diferente. A gente pode almejar, pode projetar, pode lutar por um Brasil socialista, para um Brasil verdadeiramente soberano, com poder popular, com governo nas mãos da classe trabalhadora.
Então, eh eh é muito importante fazer uma caricatura da proposta comunista, ah, comunista de apartamento, ah, web comunista, ah, não sei o quê, porque não dá para entrar no âmago da questão. Porque se a pessoa disser assim: "Ah, não, mas eu concordo com suas críticas, mas a situação é difícil, a gente não tem correlação de forças". A primeira pergunta que eu faria é: "Mas pera aí, pô, tem um campo político que manda na esquerda brasileira há 40 anos.
40 anos vocês comandando a esquerda brasileira, vocês não conseguiram correlação de forças para avançar mais. Por que não? Acho que já deu, né, a oportunidade.
40 anos, sabe? É a mesma coisa. Imagina, tu tá para que time aqui em São Paulo?
Sou Palmeiras. É Palmeiras. Perfeito.
Aí imagina antes da da nova gestão do Palmeiras que deu uma arrumada na casa, o Palmeiras vivia em crise, né? Vivia correndo risco de rebaixamento, não ganhava título nenhum e tal. Aí imagina, imagina as gestões antigas do Palmeiras seria assim: "Não, a gente tá 10 anos sem ganhar nada, eh, correndo risco de rebaixamento de maneira permanente, mas a gente precisa de 40 anos para continuar tentando, né?
Ou 50, quem sabe, né? Aí você vai poder reclamar porque senão pode vir uma gestão muito pior. " Imagina esse argumento, sabe?
E aí tem um terceiro elemento também que é o elemento do uma perspectiva aristocrática. Por exemplo, a fala que o Jean Willes fez aqui, eh, é uma fala muito lamentável, porque eu esperava um pouco mais de alguém que tem uma formação acadêmica, alguém que tem anos de atividade política, de estudo e tal, que se propõe a escrever livros. Não acho que são bons, mas é isso, escreveu, enfim, eh, que é simula conhecimento, né?
Simula uma erudição de conhecimento. Se você extrai a fala do Jean, não sai nada com nada, né? não tem um argumento.
E aí resume a ideia, ah, tá falando pra bolha. Ah, tá falando pra bolha para alimentar um grupinho. Veja, eh, é muito curioso porque do ponto de vista do alcance público do debate que a gente vem fazendo, ele vem crescendo em ritmo exponencial, né?
Acho que isso nem precisa argumentar que quem negar isso aí, paciência, né? tem que começar a dizer que a Terra é plana porque tá negando a realidade. Isso por um lado.
Por outro lado, as pessoas não compreendem que eh a gente tá no momento histórico de reconstruir a proposta comunista no Brasil. De fato, o comunismo deixou de ser um movimento de massas no Brasil desde os anos 90, né? A gente tá na proposta de reconstruir um campo político.
Avançamos muito, temos muito que fazer ainda, não somos protagonistas da política brasileira, mas todo mundo é consciente disso. Eu sou consciente disso. Meus camaradas do PCBR são conscientes disso.
Gustavo Giofato, que já viu aqui, é consciente disso. Não somos protagonistas ainda da política brasileira, estamos lutando para ser e vem dando resultado. E eu acho, sinceramente, que a proposta que a gente vem apresentando tem mais capacidade de eh ganhar corações e mentes da classe trabalhadora da juventude do que um discurso de esquerda rebaixado, limitado, ressentido, carcomido, como é o do Jeão Íris, né?
A entrevista aqui era basicamente um show de ressentimentos, um show de mágoas, uma coisa meio ah, eu não conheço. E aí o que me chamou atenção, ah, eu não conheço esses web comunistas, eu só conheço o Jonas Manuel. Tá, se você não conhece, você não dá opinião, né?
Porque se tu chegar para mim, tu me perguntar o que é que tu acha, Jones, do time do Palmeiras dos da década de 80? Não sei, eu não lembro, não faço ideia. Eu lembro do Palmeiras da Parmalate, dos anos 90 em diante.
Então assim, eu vou dizer assim, Edson, não tenho como opinar, né? Porque eu não conheço, né? os cara diz que não conhece, em seguida dá uma opinião, opinião tosca e parece uma opinião meio ressentida, meio tipo assim, quem é, sabe quem é esse comunista aí preto que veio da onde, que tá eh tendo audiência, tá sendo ouvido pelas pessoas, tá tendo seus livros circulando?
Então, eu acho lamentável, mas ao mesmo tempo eu fico muito feliz, né? Porque assim, eh, a lógica da política e da comunicação você não bate para baixo, né? Então assim, se cada vez mais figuras da política tradicional vem eh fazendo ataques, porque crítica é outra coisa, né?
Vem fazendo ataques, acho que isso mostra a o crescimento da nossa repercussão no debate público brasileiro, porque ninguém ataca quem é irrelevante. Isso que você acabou de assistir foi um corte do podcast com Jones Manuel. Para você assistir o episódio completo, clica aqui do lado.
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