Quando você olha v nosso país, né, tendo eh a cada hora quatro mulheres mortas, né, por feminicídio e a gente não se não se indigna, isto é algo errado. Senadora, o que é o antes que aconteça? Se a gente não trabalhar educação, a gente vai sempre chugar o gelo de ter que cuidar da questão de prender, de fazer com que as mulheres sejam protegidas do ciclo ali naquela outra vertente.
[Música] Seja bem-vinda, senadora Daniela Ribeiro. Muito obrigada pela presença. A senhora foi eleita primeira secretária da mesa do Senado.
é um cargo importante em 200 anos de história. Essa é a primeira vez que uma mulher assume essa função. O que que isso significa?
Então, primeiro agradecer por esse momento, né, e dizer que é muita honra. Eu sempre penso eh o quanto significa estar aqui no Senado Federal, antes até de falar sobre a questão da primeira secretaria. Eh, uma mulher, vamos pensar no Brasil, né, nos milhões e milhões de brasileiros que tem e brasileiras, somos maioria.
E chegar ao Senado Federal é muita honra, é muita, para mim tem dois significados. Um lado de honra, seja ele homem ou mulher, por você entender que são 81. E quando você vai pro lado entender que são 15 no momento, né, você imagina que 15 mulheres no Brasil eh estão aqui representando o seu país.
Então, para mim significa uma já está no Senado Federal. E aí chegou a mulher do Nordeste, que precisa dizer que é nordestina, paraibana, com muito orgulho, muita alegria. Eh, tenho tenho muita alegria de ser nascida em Campina Grande, né, ser da Paraíba, né, meu estado.
E aí uma nordestina chega, né, paraibana, nesse espaço que há 200 anos, lamentavelmente, não era ocupado por mulheres. tem um significado muito grande para mim, pessoalmente, óbvio, mas para mim tem um significado maior eh em termos de de do que a gente tá nesse momento abrindo para as mulheres e mostrando que a gente deu um passo. E tem algumas pessoas que eu gosto de olhar para trás com quanto, ah, mas ainda é pouco, olhar para o que ainda é pouco, sim, isso é pouco.
Mas finalmente chegamos no dia que elegemos a primeira secretária no Senado Federal, que aí para quem tá nos assistindo significa dizer que é a prefeita do Senado. Vamos, vamos dizer assim para tornar mais claro pras pessoas. Primeiro prefeito do Senado, porque tá à frente de eh cuidar de mais de quase 6.
000 servidores, um orçamento eh de bilhões de reais, onde muitas prefeituras do Brasil não têm esse orçamento, né? Então a gente tá à frente de administrar a questão do dia a dia da casa, contratos, licitações. Então tá nesse lugar agora é interessante, não tinha coisas pequenas nos remete a coisas grandes.
Por exemplo, a a placa do carro só existia primeiro secretário, nunca houve uma primeira secretária. Então foi a primeira vez. Olha como é significativo a placa do carro do dos da primeira secretaria do Senado era uma placa masculina, primeiro secretário do Senado.
Sim, do Senado. E pela primeira vez alguém, né, teve que correr e mudar. Nós assim que eu cheguei ainda era a placa do primeiro secretário, né?
E aí quando cheguei ao tomar posse e aí fizemos a placa de primeira secretária. Se você vai lá e a gente tá olhando aqui atrás de você, tem os presidentes do Senado Federal, só homens. Então ainda ainda vai chegar o dia que nós teremos uma mulher presidente do Senado Federal.
Eu acredito firmemente nisso. Lá na primeira secretaria tem também da mesma forma as fotos todas de homens. E aí chegou a minha foto e aí eu disse: "Eu quero colorida, todas pretas e brancas quero colorida e grande coloca do lado de cá, não por Daniela, mas pelas mulheres que chegam ali junto comigo de representatividade, todas as mulheres brasileiras".
Então, quando eu dizia na minha campanha lá no meu estado, dizia mulheres, eh, pedi o voto, pedi para acreditar que iria cuidar, né, delas, das mulheres, a gente se sente aí chegando no segunda parte do meu mandato. É, é como se fosse isso, é essa honra de poder representá-las e ocupar esses espaços onde você imagina que não é bem você chegou e aí, ah, você chegou e alguém vai lhe colocar ali. não tem todo um processo onde você luta internamente, onde tem dentro do partido a qual fazia parte você, né, você eh se credenciar junto aos colegas e na maioria, né, homens.
Então tem tudo todo esse contexto pra gente poder ocupar. Então, significa para mim é motivo de honra e de história para o Brasil, onde essa história está se abrindo, não só para Daniela, mas para todas as mulheres. E como a senhora pretende eh a partir desse cargo aumentar ou estimular a participação política e representatividade feminina na política?
Então, eu sempre trabalhei muito. Eu entrei na política em 2009 como vereadora, depois fui deputada estadual por dois mandatos. E aí, eh, fui, e aí fui eleita senadora e sempre houve, na minha no meu entendimento, a necessidade de ajudar as mulheres primeiro para que elas pudessem entender.
Nessa durante esse período nós tivemos a conquista, né, das vagas, a questão dos 30%, depois dos 30% com relação ao a financiamento, né, dos partidos, 30% de vagas das candidaturas de todas os partidos femininas e 30% eh e os 30% também, né, dos recursos de financiamento de campanha. Isso foi uma conquista mais tardia, mas eh antes disso eu já trabalhava e através porque eu acho que educação e formação política é fundamental para que as mulheres possam se interessar, porque na verdade na essência nós já somos nós somos um ser político, extremamente político. Nós em casa eh fazemos política o tempo inteiro, né?
Nós mulheres, se é a creche do filho, a gente vai ver quem quem vai lá administrar no sentido de ver se tá tudo indo bem, se tá sendo bem cuidado, se, né, se o o ambiente é propício para nossa nossos filhos, ou seja, quem vai reclamar somos nós, quem vai falar somos nós. Então, tô falando da creche, vamos pra educação, as escolas, vamos para o posto de saúde, né? As mulheres que que estão ali, que vão no seu dia a dia, na sua maioria, ou levam seus filhos e levam seus maridos ou seus pais, é assim que funciona, porque nós cuidamos, isso é a realidade de todos, né, na nossa casa.
E aí, eh, nós fazemos essa política no dia a dia, se tá faltando água, se tem o esgoto tá passando na rua, se não tá. Então, na no na gestão pública, no dia a dia, a mulher já faz parte. Aí eu vejo que também, obviamente, nas leis, a necessidade do legislativo dela também fazer parte.
Então, você precisa de formação. E muitas gostam disso. A gente vê que existe uma distância muito grande ainda de quem deseja participar da política, mas não sabe como chegar e de quem efetivamente consegue chegar.
É óbvio que você ter e como no meu caso eu tive e tenho também com muito orgulho, porque isso não é desonra para ninguém, sendo uma família política, muito pelo contrário, porque é assim que acontece nas famílias de médicos, de advogados, engenheiros, né, jornalistas, eh, quem quem convive no dia a dia com aquela profissão, médicos, naquela profissão, você ou você desperta uma vocação que já existe no seu filho, sua filha, ou vai para outra coisa, como é, por exemplo, na minha casa, os quatro somos quatro irmãos. né? E na política meu irmão é deputado federal, deputado Agnaldo Ribeiro, que foi o relator inclusive da reforma tributária.
Eh, e eu decidi entrar na política, sou a segunda filha, depois tem mais outro casal, meus dois irmãos, os outros não estão na vida pública, eles preferem atuar em outras áreas. Então essa, isso é que tem que ter esse entendimento, ter essa facilidade aí, como eu tava falando, voltando, ter essa, vamos dizer essa porta aberta por meu pai, se presidente do partido no estado da Paraíba, por eu ter convivido aqui em Brasília. Eu fui fazer um curso de relações internacionais, meus filhos eram pequenos em 2003 na UnB.
E aí, eh, eu fiquei aqui um ano e fiquei morando na casa do meu pai. E aí, eh, naquela oportunidade eu diz: "Pai, eu quero e painho, né, como a gente chama. Tô aqui, painho.
Eu quero, eu, eu preciso de um espaço lá na Câmara dos Deputados, porque eu quero aprender, quero ficar lá na comissão de relações exteriores e quero falar com a época deputada Zula Cobra. Eu me lembro que a meu pai disse assim: "Não, eu não peço nada a ninguém, peço emprego para filho nenhum e vocês sabem na vida que graças a Deus ele sempre fez isso. Cada um vá atrás da sua, né, da sua vida, né, de se ser independente, porque eu não peço emprego para filho nenhum".
E aí eu eu tive que logo dizer para ele a primeira coisa, pai, eu vou não nem se preocupa que não é pedir emprego. Eu quero que ela permita que eu fique lá no gabinete dela e lá com o pessoal que trabalha com ela só para eu aprender. Eu quero conhecer mais, eu quero aprender e fico na comissão de relações exteriores.
E assim foi, eu vim para cá, meu pai e ele foi comigo lá, eh, mal sabia ele que as minhas intenções, né, políticas, obviamente, mas eu tava ali porque ele não não foi no fundo onde ele não queria, por aquela proteção que a gente confessava antes em off, né, que existe de um pai nordestino, né, de eh eu não levo a parte dele para o machismo porque meu pai sempre foi tem eh são duas irmãs, foi criado, inclusive meu avô era muito era muito, vamos dizer assim, eh, moderno, vamos dizer assim, porque meu avô às vezes eu ia ter a época de patins, andar de patins e aí existia aqueles vestidinhos para andar de patins. Aí meu pai dizia: "Esse vestido tá curto". E meu avô dizia: "Que é isso?
De jeito nenhum, que não deixa a menina em paz que não tá curto, não". Então assim, meus, né? Eu tô falando aqui de uma de uma geração que naturalmente seria normal, né?
ser muito machista, mas que não. A questão dele era muito proteção por força da da política ser um ambiente extremamente masculino, como existe vários e outros ambientes, e que eh ele tinha a sensação e até hoje ele diz que eu sou me proteger, porque era o que eu dizia, não se preocupe com isso, que era a questão do assédio. Então ele se preocupava com assédio na realidade.
E aí, eh, eu entrei na política e entrando na política eu mostrei para ele, não precisa se preocupar que a gente, eu cuido de mim, eu sei me cuidar e fique tranquilo que eu farei a minha parte. Então, acho assim que na política a mulher ela tem que ter, ela necessita eh para que ela possa entrar e aí eu faço e o que o que depender de mim, eu sempre faço isso. Ela precisa se sentir mais protegida, porque naturalmente protegida não no sentido de ser privilegiada, mas no sentido de que nós somos naturalmente muito mais eh vítimas e aí sem dúvida alguma pelos números mostram de assédio.
Nós somos muito mais vítimas de todas as outras eh manifestações de discursos, né, de de ódio e de de misógenos. Nós somos as vítimas de tudo isso no dia a dia. Os homens não são.
Os homens inclusive não precisam nem levantar muito a voz, que a voz naturalmente já é mais grossa do que a nossa. Então, por isso tudo é que eu acho que a participação da mulher na política e estar na política abrir porta significa dizer dentro do partido que estou poder fazer isso. Isso eu faço agora.
Eu tô sem par, tô numa mudança partidária, né? Saí do PSD e agora estou em transição. Mas eh em todo partido que estive, que foram os dois, minha vida inteira foi Progressistas e estive no PSD.
Mas durante toda a minha vida fiz curso, preparei e levei curso de formação política para o meu estado, paraa Paraíba. Especificamente também bom bom falar sobre as mulheres sertanejas ali na região do sertão paraibano e que às vezes chegavam para mim perguntas para nós como no final da do de todo o evento quando a gente falava de política de tudo se porque se você deseja filiar o partido e tal, a gente fazia um chamamento para filiação do partido e pasme perguntas como eh, mas se eu me filiar ao partido, eu vou ter problema com relação a pagamento? Eu vou ter que pagar isso?
Vai ter algum no futuro vou ter problema com questões de documentação? Enfim, várias perguntas que você observava o quanto realmente a gente precisa ir lá, não é esperar que elas venham. Nós precisamos buscar essas mulheres que estão só precisando disso, de uma mão que diga: "Venha".
Senadora, a Câmara dos Deputados eles têm um programa de combate à violência política de gênero, que é uma parceria com a primeira secretaria de lá. O Senado tem o Observatório da Mulher dedicado a combater a violência política de gênero também na função de primeira secretária que já tem essa essa experiência de formação de mulheres e e de atração, né, de mulheres para política, a senhora tem alguma ação que a senhora tá planejando? Então, eh, eu inclusive assim, a gente valorizar o que a gente, que nós temos, né, nessa casa, nós temos o Observatório da Mulher e temos o Instituto Data Senado, que para que a gente possa fazer qualquer ação, a primeira coisa é fazermos eh a avaliação, ou seja, pesquisa de dados, ter dados e números.
É como nossa casa, para eu saber o que é que eu vou comprar no supermercado, eu antes vou olhar na minha na minha dispensa, o que é que tá faltando, né, e o que é que precisa ser comprado. Então, valorizar o data do Senado, que é um instituto que inclusive é muito melhor do que vários institutos que se apresentam com números e dados inclusive sobre várias diversos temas e também muito relacionado à mulher e desenvolveu uma metodologia própria de trabalho, né, que já é reconhecida metodologia própria e que entreviste nessa metodologia, ela tem um um eh uma vertente que ela pega muito mais eh vamos dizer assim, o recorte do país do que por si só um recorte que algumas alguns institutos que são até, vamos dizer, mais falados ou mais famosos por estarem na mídia o tempo todo, mas que não tem o expertise e não tem o trabalho que o data senado e que o o observatório da mulher tem. Então, o que que a gente precisa fazer?
Eu acho que antes de tudo eh ter um trabalho e e é o que eu quero fazer agora nesses dois anos, a gente tem um trabalho voltado para uma maior divulgação do do que é o instituto data Senado, do que é o Observatório da Mulher e do que quanto eh o Brasil pode se utilizar. né, desse dessa dessa ferramenta e também a gente ter nessa discussão, porque a partir desses dados e números, é podemos desenvolver não só programas, que aí eu já vou quero falar do programa que nós desenvolvemos a partir da minha passagem pela Comissão Mista do Orçamento, que é o antes que aconteça, que é um programa de no que tange a violência eh doméstica contra a mulher, mas é também para que a gente possa traçar até eh inclusive chegarmos até é a questão da a própria inteligência artificial, o próprio trabalho que a gente pode fazer com a mulher nesse sentido de tecnologia, porque nós estamos em um mundo onde o tempo inteiro e se avança na tecnologia, né? Estamos aí com agora com tratando aqui da da no Câmara Federal, né, agora do projeto de tecnologia de informação e inteligência artificial.
E nós sabemos que hoje, vamos lá, nós temos dentro dessas pesquisas que se tem no no próprio Observatório da Mulher, a questão do da tornozeleira eletrônica, se o funcionamento, quanto, se isso é eficaz ou não, e a gente já viu que não. Então nós já estamos desenvolvendo e aí a gente quer apresentar e aí na Universidade Federal, na Universidade Estadual, no na Paraíba, dentro do parque tecnológico, uma ferramenta que é o smartwatch para poder colocar que aí sim você eh confere o batimento cardíaco. Não tem como se você tirar e colocar em outra pessoa.
É como é como a digital, cada um tem a sua, tem o seu, não dá para ser igual. Então aí sim você tem como cuidar do agressor e da mulher, porque os maiores problemas que nós temos, mulher recebeu um alerta de aproximação, isso alerta de aproximação, porque 70% dos casos de feminicído, as mulheres têm medida protetiva, mas lamentavelmente eh não funciona o sistema para protegê-las, né, junto a a essa questão da medida protetiva. Então, o que eu quero aproveitar nesse momento de estar como secretário no observatório, junto ao observatório da mulher é aproveitar o que a gente tem, é o que nós temos, que são, que é essa equipe maravilhosa, super competente, que faz um trabalho dedicado, eu preciso dizer que é dedicado, porque você vê eh nos olhos, o brilho nos olhos, assim como vejo em você de gostar o que faz, a gente vê a alegria é o brilho nos olhos e o coração, né, e o comprometimento e a competência.
Tem coisa melhor você juntar tudo isso e mulheres se unindo para que a gente possa trabalhar. Então, eu acho que a gente tem muito para dar. E temos que aproveitar ter uma primeira mulher na secretaria para esses avanços, estarmos unidos todos, inclusive dentro desse desse escopo que faz a primeira que tem a primeira secretaria, nesse guarda-chuva de tantas ações, a gente aproveitar para as mulheres terem vez.
Eu quero que elas, como diz, me usem dentro do desse contexto, elas possam me usar, porque foi assim, eu tô na na comissão de orçamento, abrimos essa essa rubrica pela primeira vez no país para recursos paraa violência contra a mulher, coisa que não tinha acontecido antes. Então, ou seja, é a oportunidade que nós mulheres temos, né, de entendermos as nossas necessidades, as nossas nuances, as nossas, nós sabemos, nós entendemos o que é ter TPM, o que é para ter menopausa, o que é você vivenciar eh os nossos hormônios. Então eu sei muito bem, o homem não entende, não sabe, disso, por mais que ele tenha um compromisso com outras pessoas, eu não digo que ele não possa nos representar e que mulher só pode votar se for mulher, não.
Sei que tem homens que são sensíveis, mas eu sei que a gente senta, por exemplo, se eu falar com o prefeito, com os prefeitos da que vem, que chegam no meu estado, é, notadamente eles vão pedir sim pela recurso para saúde, para equipamentos, mas sou eu como mulher que vou persistir no mamógrafo, porque eu sei da necessidade que tem uma mulher e principalmente uma mulher carente, mulher que mora distante para ter eh e que o câncer que mais mata é aquele que mais prevém, tem condições de se prevenir, que é o câncer de mama. Mas o homem vai ter essa sensibilidade, não porque não, mas não porque ele não queira ou porque ele é mal, não é isso. Ele vai muito falar sobre ele.
E aí também eu levo para um outro lado. A mulher, da mesma forma que a mulher tem toda a condição de est orçamento, de est, né, discutindo outras questões que sejam de estado, né, de governo, que seja outras questões que não seja só eh colocada em espaço que possa defender temas de mulheres femininos. E como é essa experiência de mulher na comissão de orçamento que é uma comissão majoritariamente masculina sempre?
Ah, primeiro é interessante porque primeiro, a primeira reunião que eu olhei paraa mesa, eu digo: "Jesus, aqui precisou". Porque não tem microfone, nós temos a voz fina, né? Eles têm a vantagem da voz mais grossa.
Aí eu disse: "Gente, vamos começar. " Tinha, acho que tinha uns 30 homens assim ao redor, né? a mesa uns 20, é uns 25 homens assim e eu na ponta da mesa.
É, e aí eu falava: "Gente, vamos conversar, gente, vamos conversar daqui a pouco". E tem um, aí disser, "Tem um apitozinho aí, tem um tem uma sirenezinha aí, toca aí uma campainha". Eu toquei, nada, nada, gente.
Eu me levantei, deu um tapa na mesma. Gente, eu preciso do silêncio em vocês pra gente começar. Então assim, você tem que aí da partir daí todo mundo entende porque às vezes você primeiro você precisa chegar, né, com os pés fisicamente para que as pessoas possam compreender um pouco de quem você é, da sua do sua eh da sua personalidade, da sua forma e vão começar a entender que as mulheres podem discutir esse tema, porque eu não fui a primeira mulher a assumir a comissão de orçamento, mas eu eu tenho certeza que também foi difícil para elas, porque também é difícil para os homens serem eu Eu entendo também por conta que nós estamos em fase de transição de uma cultura, né?
É isso que a gente tá vivenciando. Então, na hora que eu cheguei, então só esse dia eu precisei fazer isso. É feito feito de criança, vamos dizer como criança que a gente educa e diz a primeira vez, ó, você não vai não pega no dedo da tomada, senão você vai se você vai se machucar.
Aí a criança vai, aí quando vai novamente você tem que avisar que ela vai levar uma sua. Então ela tem que levar uma uma palmadinha. Eu sou a favor, então uma palmadinha sem espancamento, sem violência, mas eu quero dizer que com educação também, porque o que eu fiz foi bater na mesa assim, porque aí todo mundo sentiu que eu tava falando realmente sério, mas com o sorriso, gente, eu preciso do silêncio de vocês para começar a reunião.
E então esse foi um primeiro, vamos dizer, um primeiro momento e aí nós vamos falar sobre orçamento. Você tem uma consultoria, consultoria maravilhosa dentro do Senado Federal, todas as esferas e tive a oportunidade de contar com essa consultoria, com a minha equipe também do gabinete. E aí a gente discutindo é o orçamento e a experiência no dia a dia é de você olhar o orçamento, entender que sempre no orçamento vai ter saúde, educação e e segurança com os temas, né, de maiores, vê que o endividamento do Brasil é muito grande, a dívida, o que tem que se pagar, você olha logo aquele bolo, né, vamos dizer, para para as pessoas entenderem aquele aquele eh aquele desenho, né, como um bolo e fatiado.
Na fatia você vê logo um pedaço desse tamanho, metade lá, é, sendo gasta para eh pagamento de dívida pública. E aí você vai pro outro lado que é educação, saúde. Aí você vai para aqueles aqueles e recursos que são recursos constitucionais, né, e que tem que ser pago.
E aí você vai voltando e vai compreendendo o que é que a gente tem que fazer como prioridade a líder com um recurso. Assim, para as mulheres era 0,101%, 0,01%. Mas então a senhora tava falando do mamógrafo antes, né?
Assim, existem outras lacunas que a sensibilidade feminina vai fazer diferença na hora de fazer um orçamento público. Ah, não tenho dúvida. eh a própria questão da violência contra a mulher, quando eh ontem inclusive nós fizemos eh uma um um movimento com antes que aconteça muito importante que antes que aconteça foi um programa criado dentro do orçamento.
Eu criei uma rubrica própria, nós criamos, tive a alegria de ter uma grande parceira, deputada Soraia Santos, eh ter a aí buscar parcerias e buscar mulheres, né? Eh, como a conselheira na do CNJ, Dr. Renata Gil, a nossa ex ministra do TSE, jurista Luciana Lócio, a professora Nadia Oliveira de Campina Grande da Paraíba, nos ajudando também com a parte técnica de conhecimento e todos esses esses parceiros e dentre eles a gente entender porque o primeiro que eu fiz foi o levantamento para saber quanto se gasta com mulher e aí a nossa conta de 8% que tava lá tava dentro outros assuntos e outros temas que não diz respeito à mulher unicamente, mas à casa.
por exemplo, com filhos, por exemplo, questões de BPC, outras questões de de creche, tudo somava na nossa conta. Eu dis, não, vamos separar essa conta. Eu quero saber com as mulheres quanto é gasto.
0,01%. Então, como a gente pode ajudar ser uma mulher estando naquele lugar? Ah, quando a gente cuida de uma mulher e com relação quando a gente fala de violência doméstica, nós estamos falando de uma, não é uma mulher só, nós estamos falando de uma célula familiar.
Nós estamos falando de uma criança que vai crescer num ambiente de violência, que vai paraa escola com eh situação de eh deficiência na aprendizagem, de total eh de de desvirtuamento da compreensão do que é do que significa respeito, do que significa proteção. Então nós estamos fazendo com que produzindo da sociedade, né, reproduzindo esse esse lá que é violento. Quando a gente tá no orçamento e a gente entende que só com dinheiro, porque não existe política pública sem recurso, só com dinheiro para que você coloque prioridade a defesa da mulher, aí a gente vai poder trabalhar na educação, na saúde, né, na segurança, mas vamos trabalhar e principalmente na conscientização, no entendimento da mulher do que é o ciclo de violência na no na promoção do sistema, que ele seja eficaz, porque como eu falei para você no início, a maioria das mulheres que eh que sofre feminicídio, 70% delas tem medida protetiva, então é uma ação conjunta.
O que que eu fiz? Fui ao Ministério da Justiça, o recurso, coloquei lá 130 milhões deais pra gente iniciar o programa. Eh, e aí 15 milhões de minha emenda e aí os aí são senadores e deputados que queiram, que desejam e participar do programa e levar o programa paraos seus estados, porque é um programa nacional.
Mas o que que é o programa? O que é o antes que aconteça? que aconteça.
Eu gosto muito do nome dele, inclusive foi idealizado momento de uma conversa nossa sobre o programa. Ele antes que aconteça é uma prevenção, mas ele é um programa onde ele tem uma amplitude pra proteção da mulher, é mais uma prevenção da violência doméstica. Nós assistimos eh contra a mulher, nós assistimos agora, todo mundo assistiu e tá assistindo, que não assistiu ainda, tá?
Todo mundo só fala nisso que é o adolescência, né? que é a série, a série do a série e chocou todo mundo. No entanto, nós no nosso país e no mundo inteiro, o grande problema que nós vivenciamos hoje, um dos maiores problemas chama-se violência doméstica, feminicídio.
E é um e é algo evitável, assim como eu falei do câncer de mama, ele é algo evitável. E o que Mas o que é que acontece? As pessoas se acostumaram a ouvir as notícias sobre mulheres mortas, sobre violência contra a mulher, sobre situações, né, onde a mulher sofre a violência.
E nós estamos acostumados. Por que não nos espanta? Quando eu falei do adolescência, é porque todo mundo fala nisso, todo mundo se impactou.
Eu mesmo refletindo, não tenho filhos adolescentes, mas pensei o que é que eu posso fazer, né? como mesmo não tendo para para contribuir com essa situação. Mas quando você olha vê no nosso país, né, tendo eh a cada hora quatro mulheres mortas, né, por feminicídio e a gente não se não se indigna, isso é algo errado.
Então, nesse sentido, o programa ele é ele vai desde a prevenção, como eu falei, pra educação, nós vamos e nós temos inclusive a Paraíba é pioneira, então nós já estivemos com o secretário de educação do estado para treinamento dos professores, capacitação dos professores, professoras, para falar sobre o tema e ainda não só falar sobre o tema, como também identificar as crianças que estejam vivenciando dentro das suas casas situações de violência. Então essa é uma é uma vertente, educação. Se a gente não trabalhar educação, a gente vai sempre chugar o gelo de ter que cuidar da questão, né, da da de prender, de fazer com que as mulheres sejam protegidas do ciclo ali naquela outra vertente que é a própria violência, o ciclo da violência do programa.
Ele vai pra empreendedorismo feminina, ele vai com a parte de tecnologia, como eu falei, ele vai pro cuidado das salas leilás para acolhimento da chegada desse momento da mulher, ele vai pra educação, ele vai paraas grupos de reflexões. Nós fizemos uma parceria com a Defensoria Pública, a gente só vai dar o passo maior se todo mundo se unir, porque é um tema, não só um tema, mas uma questão eh para toda a sociedade, para todos nós. Então, ela tá ela tá longe de estar em discussão político-partidária.
Não dá para não dá para ser político-partidária, porque essa discussão é de todos. Senadora, muito obrigada pela entrevista. Eu que agradeço.