[Música] Oi pessoal como vão Meu nome é Daniel eu sou pesquisador do Centro de Estudos insustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas u FGV ss e essa é a segunda aula do curso biodiversidade e Finanças o vídeo de hoje trata da crise Global da biodiversidade está dividido em dois blocos no primeiro vamos ver o contexto em que se desenvolve a crise da biodiversidade para no segundo tratar dos principais índices de declínio da biodiversidade e das principais causas por trás desse declínio que fazem alguns cientistas considerarem que talvez estejamos vivendo uma nova extinção em massa na história do
planeta vamos lá vamos começar pelo contexto social e econômico que gera a crise da biodiversidade primeiro de tudo é importante lembrar que a humanidade é parte da biodiversidade e que como outras formas de de vida altera e é alterada por outras espécies existe evidência científica de que desde a pré-história grupos humanos causam a extinção de algumas espécies principalmente de mamíferos no momento em que ali chegam por outro lado há também evidências de que sistemas agrícolas tradicionais estão imbricados nas relações ecológicas da floresta trazendo incremento à biodiversidade dali como vimos na primeira aula nós humanos fazemos
parte da biodiversidade e de sua teia de relações complexas porém algumas atividades humanas têm alterado a natureza de forma significativa degradando as condições ambientais globais afetando a teia de relações de que fazemos parte isso acontece de forma mais acentuada a partir da década de 1950 quando a humanidade consolida seu modelo industrial de produção e aumenta exponencialmente o uso de energia o consumo de matéria e o crescimento populacional exigindo assim recursos naturais de escala sem precedentes o historiador inglês John mcnew chamou a esse período de a grande aceleração relacionando o aumento Global da escala das economias
com a alteração exponencial da natureza no mundo todo segundo o autor entre os anos de 1950 e o começo do século XXI ou seja agora 3S qu4 de todo o gás carbônico de fontes antrópicas foi emitido o número de pessoas no planeta triplicou e a maior parte da população passou a se concentrar em centros urbanos por um lado aumentando do consumo de energia elétrica de materiais Plásticos e de fertilizantes e por outro a geração de resíduos domésticos e industriais paisagens naturais foram significamente alteradas nesse período Rios foram barrados para a geração de energia e vastas
áreas de vegetação nativa foram transformadas em cultivos agrícolas especialmente comodes para exportação essas tendências estão representadas nesse conjunto de de gráficos organizados pro mcnew vejam como a partir dos anos 1950 temos aumentos exponenciais para a população mundial pro crescimento do produto interno bruto o PIB principal medida de crescimento econômico adotada até hoje e como eles são acompanhados pelo aumento vertiginoso do uso de energia primária do consumo de água do consumo de fertilizantes e da quantidade de veículos motorizados em paralelo podemos ver a modificação de importantes parâmetros ambientais globais como a perda de florestas tropicais a
acidificação de oceanos a perda de ozônio estratosférico e alterações nos ciclos do nitrogênio e do carbono apesar dos avanços internacionais na agenda ambiental a humanidade continua modificando os ecossistemas e paisagens da Terra em ritmo tão acelerado que Já começamos a influenciar ciclos vitais para o nosso planeta em nossa biodiversidade um grupo de pesquisadores e pesquisadoras liderados pelo cientista ambiental sueco Johan hoxon identificou como as atividades econômicas de sociedades industriais vê alterando processos da Terra em nível Global fazendo-nos ultrapassar limites planetários que infelizmente ameaçam a nossa própria existência enquanto espécie os autores avaliaram nove processos vitais
ao funcionamento da natureza como conhecemos identificaram que já ultrapassamos três limites que asseguram a manutenção da vida humana mudanças climáticas ciclo do nitrogênio e o declínio da biodiversidade uma atualização desse trabalho foi publicada 6 anos depois em 2015 identificando agora alertas pro nível de alteração do ciclo do fósforo além do nitrogênio e oferecendo mais detalhes a respeito da perda da biodiversidade dividindo agora em diversidade genética e diversidade funcional evidências similares foram encontradas pela plataforma intergovernamental sobre biodiversidade e serviços ecossistêmicos o ipbs uma das mais recentes importantes iniciativas de compreensão sistemática sobre o estado das alterações
globais causadas pela humanidade teremos uma videoaula específica sobre esse documento mas vale aqui mencionar que o ipbs também identifica uma intensificação no ritmo de exploração da natureza desde os anos 1950 indicando como a natureza e suas contribuições vitais à humanidade que envolvem a biodiversidade suas funções e serviços ecossistêmicos prestados à socioeconomia humana estão deteriorando rapidamente no mundo todo o poder de transformação da humanidade vem fazendo um grupo crescente de cientistas acreditarem que estamos entrando em uma nova era o antropoceno em que o poder de transformação da ação humana chega a proporções geológicas essa nova época
seria a continuidade do holoceno que é a época em que vivemos até agora e na qual a humanidade surge enquanto espécie essa nova época seria criada a partir da Revolução Industrial e da grande aceleração e teria como força motriz o uso intensivo de tecnologias para exploração e o controle da natureza em escalas nunca antes vistas assim a crise da biodiversidade é parte desse conjunto de transformações sendo impossível dissociá-los social e econômico que se expressa tanto no nível global e que se reflete em transformações de ecossistemas e territórios por exemplo a construção de grandes barragens está
por trás da perda da biodiversidade no Rio Madeira um dos mais importantes rios da bacia amazônica em outra escala a acidificação dos oceanos causada pelas mudanças climáticas está por trás da perda acelerada de Recifes de coral no mundo todo podemos pensar ainda no sentido contrário isso é como a perda da biodiversidade agrava a transformação do de processos da terra Como por exemplo o assoreamento de rios estimulado pela ausência de matas ciliares em seu entorno nesse sentido a crise da biodiversidade acontece junto de uma série de outras transformações ambientais causadas por sociedades modernas e industriais no
próximo bloco vamos detalhar alguns aspectos da crise da biodiversidade comentando os principais índices que nos permitem compreendê-la de partida precisamos lembrar que nosso conhecimento moderno sobre a biodiversidade é muito limitado de acordo com a ONU biodiversidade estima-se que em toda a biosfera existem mais de 11 milhões de espécies das quais menos de 2 milhões foram descritas cientificamente pela humanidade mesmo com essas limitações reconhecendo a complexidade da questão podemos que hoje existe conhecimento consolidado sobre o declínio Global da biodiversidade o lpi ou Living Planet index agrega a abundância de populações de mamíferos aves peixes répteis e
anfíbios terrestres de água doce e marinhos no mundo todo tendo como referência valores da década de 1970 o gráfico que vocês vem em tela representa a variação do lpi até o ano de 2018 a avaliação mais recente publicada pelo wwf em 2022 indica que a biodiversidade Global sofreu um declínio da ordem de 69% desde 1970 o lpi é calculado também por regiões do planeta na nossa região da América Latina e Caribe a perda da biodiversidade foi da ordem de 94% como pode ser visto nesse outro gráfico outra ferramenta relevante para compreender o declínio da biodiversidade
é a lista vermelha de espécies ameaçadas estabelecida em 1964 pela união internacional para A Conservação da natureza a iucn desde a sua criação essa lista se tornou uma das fontes de informação mais abrangente sobre o estatus de risco de extinção global de espécies de animais vegetais e de fungos atualmente a lista inclui uma avaliação do status para mais de 150.000 espécies sendo que quase 1 terço delas por volta de 42.000 encontram-se ameaçadas de extinção analisando a inclusão de espécies na lista vermelha ao longo do tempo o wwf identificou o risco de extinção para alguns grupos
de seres vivos no gráfico que vocês veem aí o eixo Y varia de zero a um sendo zero a extinção de todas as espécies de um grupo enquanto um representa sobrevivência dessas espécies nota-se como um grupo de plantas as cicadáceas que hoje são usadas para fins ornamentais estão em uma situação crítica e como o risco de extinção de corais vem aumentando rapidamente para os outros grupos o risco Geral de extinção permanece relativamente estável e para nenhum deles a perspectiva é de melhora a ONU biodiversidade estima que nos próximos 100 anos perderemos de 20 a 50%
de todas as espécies que vivem hoje no planeta Terra essa taxa é mil vezes maior que a taxa natural de extinção o que tem feito estudiosos e pesquisadores questionarem estamos vivendo uma nova extinção em massa agora causado por fatores humanos há autores que argumentam que a recente perda de espécies causada por atividades econômicas modernas é dramática e séria mas que ainda não se qualifica como uma extinção em massa no sentido paleontológico isso é como as últimas grandes cinco extinções que ocorreram nos últimos 540 milhões de anos por outro lado há pesquisadores que argumentam que nossas
estimativas são subestimadas e que a situação real é mais grave que aquela que podemos medir talvez ainda não seja possível afirmar que estamos vivendo uma sexta extinção em massa mas existem indícios Claros de que a perda de espécies ameaça a existência humana que pode ganhar escala e levar o mundo a um estado de extinção em massa a biodiversidade que temos é resultado de um processo de evolução que aconteceu em grande parte na ausência de nós homo sapiens nós como espécie surgimos Há apenas 350 a 200.000 anos enquanto os ecossistemas que temos hoje começaram a se
formar por volta de 2,6 milhões de anos atrás já a vida em si é quase tão antiga quanto o planeta com 3,5 bilhões de anos hoje porém a biodiversidade do planeta precisa lidar com pressões dos nossos sistemas econômicos cada vez maiores em escala emissões de gás carbônico continuam a aumentar e a fragmentação de hábitats se intensifica em todos os continentes a poluição de solos e das águas por agrotóxicos e por resíduos industriais inviabiliza a sobrevivência de espécies mais sensíveis a sobrepesca a caça excessiva a introdução de espécies exóticas e de patógenos Associados à presença humana
são estressores ecológicos mais intensos do que a maioria das espécies havia experimentado nos últimos milhões de anos se mantivermos nossas práticas econômicas e sustentarmos essas tendências vamos exercer ainda mais pressão sobre a biodiversidade intensificando taxas de extinção de forma complexa imprevisível e até Irreversível Como já falamos muitos fatores estão por trás da perda da biodiversidade entre os principais estão o uso insustentável da terra da água e de energia além das mudanças climáticas atualmente 40% de todas as terras foram convertidas para a produção de alimentos a agricultura de larga escala é responsável por 90% do desmatamento
global e responde por 70% do uso da água doce do planeta alterando significativamente hábitats e acelerando distinções diante dessas evidências fica cada vez mais claro que precisamos encontrar alternativas à nossa forma de produzir como veremos ao longo dessa série de vídeos a perda da biodiversidade gera consequências graves para a existência humana traz riscos ao funcionamento de nossas economias e às atividades de Agentes privados e para o mercado financeiro abordaremos esse tema em próximos vídeos específicos sobre o risco da perda da biodiversidade para agentes privados e do mercado financeiro bom pessoal por hoje ficamos por aqui
o vídeo de hoje foi um Panorama sobre a crise da biodiversidade no próximo vídeo falaremos dos esforços internacionais para o enfrentamento dessa crise abordando os principais acordos firmados e caminhos para S pensados no âmbito de conferências da ONU até [Música] lá