e a juventude tem que ter atrás de uma cultura da sua mão aqui a pessoa batedeira superfecta sua cultura suas costas e respeitada por favor tem que ser assegurada por você é isso aí ó a primeira coisa que eu pensei no estatuto e foi uma pergunta sem que eu procurei trazer né para todos foi realmente porque o estatuto para juventude né minha primeira pergunta foi essa porque assim é a e por que não as causas de gênero já não responderiam às mulheres jovens né porque não as questões raciais do estatuto é relacionado à intolerância é
já não responderam a questões relacionadas à a juventude negra né eu fiquei assim nós porque o estatuto da juventude né o estatuto da juventude é um instrumento que opera na linguagem dos direitos e tenta cobrir uma diversidade de pautas que tem a ver com a integralidade da vida as lutas das juventudes os movimentos sociais e não necessariamente operam com essa linguagem do direito porque a gente quer transformar a vida por completo né a gente quer ser livre ser feliz a gente quer ter dignidade a gente quer que isso aconteça na educação na saúde no transporte
na cultura e qualidade de vida então é muito ele acaba sendo uma reafirmação da constituição e vai a lei porque traz uma contribuição que reconhece que olha a constituição nessa tentativa de universalizar quem somos nós perdeu um pouco tato de perceber que nós somos jovens mulheres negros que vivemos no campo por exemplo a e o meu pai que lombo eu também só quilombola a minha luta é todo dia e toda hora meu nome é maria helena sou da comunidade quilombola kalunga maior território quilombola do brasil e o que existe é hoje algumas expressões ainda e
assim a minha infância foi uma infância muito dolorida porque eu sou filho de pais separados estão com dois anos de idade meu pai separou da minha mãe e me levou embora com ele da comunidade quando eu cheguei para morar com minha mãe com 11 anos eu era menina de tomar conta da casa tomar conta dos irmãos de ir para roça capinar soca lavar roupa e todo mundo lavar vasilha para todo mundo buscar água no rio que aqueles balde pesado na cabeça que tinha coisas que não era diferente do que eu fazia quando eu morar com
minha vó só que o diferente foi que eu assumi a responsabilidade da casa há 11 anos eu casei para o contrato é claro né foi um casamento o contrato não foi um casamento que eu vi que a gente namorou que a gente conheceu não foi um casamento que o cara falou você quer casar comigo e eu falei era uma forma de eu sair da comunidade porque aí eu já não precisava ser mais da minha mãe eu já ia ter minha própria caminhada e eu falei vai se você me levar para estudar eu caso e aí
chegou o momento dele me podar mesmo de estudar e aí eu ia contra minha família contra meu marido porque eu achava que eu tinha libertado mas na verdade eu tinha entrado numa enrascada maior aí quando eu me separei não completei 18 anos eu me separei do primeiro marido é por isso que eu falo a gente quer crescer logo a gente quer ter voz ativa e aí a gente acaba pulando algumas partes boas da vida que que eu queria ter vontade de ter tido igual infância adolescência e que eu e eu perdi essa parte porque tava
correndo atrás de querer ser mais velho do que eu era quando eu fiz o curso de agroecologia informação cidadã pela universidade de brasília né juntamente com a secretaria nacional de juventude foi onde eu despertou a que deu aquele de nossa não eu não sou mais eu ainda não sou adulta então eu vou ter que além de correr atrás das coisas para o quilombo das políticas públicas para o km mas eu também vou correr atrás com a minha identidade de juventude pensei a gente pode pegar esse território da cidadania e pegar a juventude do campo ali
da reforma agrária dos assentamentos indígena e os quilombolas também que são tem na minha região também tem outros quilombos sem ser o quilombo kalunga e a gente pega essa juventude certo e vamos saber o que é que nós queremos o que é que nós queremos para nossa região e aí a gente resolveu reunir 500 e 600 jovens em um local com a oficina de três dias que a gente conseguiu levar a secretaria de juventude gente conseguiu levar o pessoal do mda para dar falar sobre soberania alimentar sob os cuidados do campo a gente conseguiu levar
várias universidades gente conseguiu levar para o motor porque a gente fez as oficinas de acordo com o estatuto da juventude um momento legal assim do encontro foi quando todos os jovens começaram a se levantar e começar a gritar e juventude que eu usava lutar construir o poder popular né quando elas são as políticas que estão sendo feitas para o jovem né da área rural na área do campo então não tem nada voltado para a comunicação voltada para essa área de inclusão digital ou já tem alguma coisinha voltada para a inclusão digital no campo só que
essas e elas não chega começa com elas vão até meio caminho e aí até chegar no jovem do campo é mais e tem muita dificuldade e aí e também vai pelo interesse de quem tá lá na ponta de quem tá mexendo e geralmente isso tem que passar pelo poder público municipal pelo e quando chega nessas barreiras as pessoas acham que não é tão importante porque a questão da juventude do meu município ainda é tratada como uma coisa que não tem importância nenhuma e aí eu queria saber de você quais são os artigos do estatuto que
você se sente mais representado que você acha que está mais relacionado com seu trabalho trabalho renda e a parte da cultura também é o adorei no estatuto porque ali define também que o jovem não é só a maria vai com as outras que os jovens também tem a capacidade de produzir com pedir de retribuir o local e de dar continuidade nela ele pode tá continuidade né ao trabalho e renda que isso impacta muito que o jovem é hoje ela quer ter e para ter acesso à comunicação para ter acesso aos meios de comunicação ele também
precisa ter como ter recursos financeiros para te isso as prefeituras de fato não não investem mesmo em políticas para juventude eu acho que só falta entendimento né que é algo bem parecido com que você colocou com a importância dessa juventude né tem uma questão muito forte com relação as meninas seremos muito cedo né então falta se essa informação falta de discussão de gênero e tem e tem uma crise moral forte com relação a isso né avisa lá avisa lá avisa lá avisa lá avisa para o prefeito que o povão vai lutar avisa lá avisa lá
avisa lá avisa lá avisa os governantes que o povão não vai parar eu morava de aluguel junto com a minha família meu pai e minha mãe trabalhava pode dizer para pagar o aluguel e depois tinha que fazer bico para a gente poder se alimentar era muito complicado porque a renda é muito pouca e e minha mãe é deficiente né minha mãe ela tem problema na perna que ela sofreu um acidente e meu pai ficava meu pai ficar o carregado então chegou um ponto que ele falou assim não não dá mais para morar de aluguel aí
foi quando a gente ficou sabendo da ocupação na verdade meu pai chegou na janela da casa onde a gente morava de aluguel e vi o terreno lá e começou a ver aquelas cabaninha de plástico vou lá ver o que que tá acontecendo e vamos ver quando meu pai foi lá viu que tava ocupando o terreno e foi entrou no meio do povo já separou já começou ir morou debaixo de plástico depois foi de madeirite hoje a gente mora na alvenaria eu sou mc me tornei mc mesmo dentro da comunidade na época de despejo eu fiz
um hino que cantava a realidade do que o povo tava passando lá dentro na resistência mesmo porque a gente não podia sair a gente teve que conservar muita comida dentro da comunidade e eu cantei essa realidade na verdade eu fui vendo as cenas escrevi no papel tudo que eu tinha visto em questão a polícia batendo povo em questão a polícia tentar intimidar vi meu primeiro povo essa coisa toda foi escrevendo e do nada se eu montei um como se fosse um documentário mesmo escrito e depois eu cantei o documentário foi aí que surgiu a música
mesmo o hino das ocupações surgiu assim hoje o governo parece um pardieiro que pisar no pobre para agradar os herdeiros de grande fazer praticamente abandonadas que não pagava imposto que o governo cobrar uma história de agora temos o mundão que sem moradia digna um jeito é ocupação vitória esperança e também rosália eu que visando o despejo tem saído para azul as gritando bem alto que governa a culpa é sua que têm fechado as portas sem querer nos escutar então a solução tem sido manifestar avisa lá avisa lá avisa lá avisa lá avisa para o prefeito
que o povão vai lutar avisa lá avisa lá avisa lá avisa lá avisa os governantes que o povão não vai parar você acha de fato assim que que a cultura né através da literatura e da música seria um uma forma de mobilizar os jovens com certeza dentro das comunidades dos aglomerados entre becos favelas no meio da rua você pode andar e começa a observar uma brincadeira de jovem ele tá dançando ele tá cantando ele tá tentando arrumar ele tá tentando se expressar isso eu vou fazer eles perdem isso porque eles pedem isso mesmo por causa
do incentivo por causa que a ninguém tá nem aí para mim muita das vezes é isso ah não dentro da minha casa eu não tenho apoio mas talvez uma pessoa de fora da mais apoio para ele um projeto dá mais apoio para ele um documento a dar mais apoio para ele que as pessoas que estão dentro de casa porque muitas pessoas que as pessoas que estão dentro de casa tem aquela correria olha que tem que comer ele tem que beber tem que fazer isso ele tem que vestir ele tem que estudar então às vezes não
tem muito tempo para ter um diálogo para incentivar é um período assim que merece todo tipo de experimentação e oportunidade porque isso é fundamental para a vida saudável que você vai ter para o resto dos seus dias sabe e você chegar nesse momento né e podar isso seja pelo que for muitas vezes pelo mercado de trabalho muitas vezes pela família né e pela falta de oportunidades o que mais se refletiu para mim é muito cruel que eu sou estão perdendo o direito a ser e jovens né e cada vez mais porque acho que talvez a
sociedade não entenda a importância desse período na vida eu só tô ação da maré e como é que é tem sido trabalhar com produção de comunicação que a gente tenta trabalhar uma perspectiva de criar um evento de criar uma ação que mobilize as pessoas que seja criativa né e possa criar consciência conhecimento um pouquíssimos recursos né então assim é a gente trabalhar com reciclagem a gente trabalhar com consciência ambiental com consciência política trabalhar com muito desejo com coleguinhas morreu com uma série de outras ferramentas que a gente tem dia de moedas sociais a minha história
de engajamento político começa com a cultura hip hop principalmente eu fui cantora de rap de 2002 e 2009 ea partir dali eu comecei a me conectar com outras lutas a luta feminista é dos movimentos negros ea discussão sobre direitos de juventude bem naquele começo dos anos 2000 esse tema dos direitos e de que jovens são sujeitos que tens necessidades começava a ganhar projeção e de lá para cá eu fui tomando outros rumos sempre nessa pegada da resistência mas essa inserção formal também foi muito importante no brasil até o pra gente chegar no desenho do estatuto
da juventude para dar uma cara de força institucional né é que esse direito precisavam ser formalizados para a gente não ficar só dependendo da boa vontade de alguns governos e que a gente pudesse passar essa geração o cocô esse grande debate para a gente chegar num patamar de política de estado eu quero que a gente sempre defendia desde lá no comecinho né aconteça o que acontecer a gente pode criar algumas bases que mesmo com as dificuldades históricas de conjuntura elas talvez sejam menos suscetíveis a ameaça de quem não está muito preocupado com direito da juventude
então o estatuto da juventude ele é esse ligado né de uma geração que ralou muito é transbordando das instituições formais de organismos internacionais de gente que estava envolvida com política pública o projeto social para ter essa essa pegada da juventude mesmo né que tá ali vivendo no seu território por onde passa qual que é a sua real né que é por onde o direito faz sentido o que você pensa ainda é que faltou o que tá faltando é de mobilização dessa juventude né que tá nesse momento de conquista de engajamento para gente chegar com mais
clareza a conseguir de fato políticas com relação ao transporte circulação para a juventude esse modelo de cidade excludente mercadológico ele tem abecom como se constrói a dinâmica do transporte da mobilidade né então isso afeta desigualmente também jovens mulheres pessoas idosas pessoas com deficiência e é quando a juventude traz a sua especificidade de circulação no território o transporte ele tem gênero tem cor tem classe social também né e como que nos direitos mais uma vez a gente volta para o estatuto como que a gente puxa dali algumas garantias básicas para realização desta vivência na boa tarde
é sei lá uma coisa muito difícil mas nós estamos na insistência né eu eu vejo que os movimentos principalmente depois de junho conseguiram se rearticular e radicalizar muito nas suas ações ea juventude é muito protagonista disso né gerações de verniz que vão tomar na frente do processo ea uma aprendizado social eu não sei o que virá nos próximos anos mas eu penso que é algo que tem a ver com fortalecimento dessas lutas e uma articulação crescente entre nós assim hoje é impossível você tá no movimento sobre moradia e não pensar em questões raciais não pensar
na questão do trabalho é adulta estão cada vez mais misturadas porque finalmente a gente está conseguindo tem essa leitura complexa das coisas né e aí e aí e aí e aí é isso da gente conseguir pensar políticas públicas complexas né e tem que ser intersetoriais transversais é um desafio muito grande também para a gente ir realizar concretamente né por isso que quando a gente vai dividir nos direitos uma hora educação uma hora saúde outra hora trabalho isso as vezes é uma exigência para a gente dar conta né do desafio mas isso também pode ser uma
armadilha porque a gente vai se alimentando de tal forma que a gente perde de vista quem somos nós né que eu não sou só uma pessoa que era trabalho agora estuda hora tá dentro do ônibus hora tá escutando música né eu sou tudo isso é é mas é algo também que depende assim da gente ir consolidando a democracia brasileira a gente tá nessa luta a juventude agarrou essa luta e tá dando a cara para bater a gente chega nos espaços a gente quer mostrar os nossos direitos nossos deveres ea gente quer mostrar a nossa capacidade
né que o direito a gente sabe que tem mas chega lá é que é então a gente tem que correr atrás mesmo mesmo que o jovem para isso eu não sei interessado ele já teve um sonho se está numa situação precária uma situação ruim é porque não teve uma incentivação mas se você chegar você consegue resgatar isso do jovem e é conversando incentivando e manuseando na conversa é chegando perto e tocou na ferida é mostrando que ele pode que ele tem capacidade que você consegue chegar e os jovens vai criando uma ideia a mais vai
abrindo a cabeça mas se mostrando mais interessados ah mas isso é porque você no nosso papel de todo mundo aí que é de aí você olha do vem conde tia eu vou lhe falar tanto então porque que não tá vocês então se deixou mais sua cabeça bebê então não aproveita agora não é e aí e aí