E hoje a gente tem para conversar sobre um assunto que toca a vida de todos nós. Porque não existe uma só criatura que viva na terra que não tenha tido as experiências relacionadas com as perdas. E fundamentalmente quando se fala de perdas, a gente fala de luto.
Nós temos dentro da nossa vida muitas histórias que falam acerca do nosso luto. E esse processo é um processo muito doloroso, porque quando se fala de desencarnação de uma pessoa que a gente ama, quando se fala de alguém que a gente gosta muito e que de repente esta pessoa não está mais na nossa convivência, isso dói demais. Isso dói tanto que os próprios espíritos que sabem da imortalidade da alma, os próprios espíritos que escrevem os livros falando que a vida continua, eles mesmos dizem que não existe na terra uma dor maior do que a partida das pessoas que nós amamos.
Você ter alguém que você ama, um filho, um neto, irmão, mãe, pai, marido. e de repente esta pessoa parte da nossa convivência. A sensação que nós temos é que a vida acabou, que a vida perdeu o sentido, porque o nosso grande amor não está mais ao nosso lado.
Nós, na verdade, quando nós estamos vivendo essas experiências, nós temos a sensação de que não haverá mais solução para os nossos problemas, que a nossa vida nunca mais vai se rearrumar. E eu posso dizer para vocês que isso de certa maneira é verdade. Quando nós perdemos alguém, é como se abrisse em nós uma ferida.
E esta ferida, ela sangra, dói. E o que é mais difícil, essa ferida, ela não vai curando assim, ficando cada vez melhor até que cura. Essa ferida, ela melhora, piora, aí ela melhora, aí ela piora, aí ela melhora e depois piora.
Ela tem sim uma melhoria que não é sempre crescente. Quando chega datas de aniversário, quando chega Natal, dia das mães, aniversário de casamento, certos momentos nossos dóem demais. E esta ferida que parece que está cicatrizada, ela volta a sangrar.
Mas o que eu posso dizer é que por mais dolorosa que ela seja, esta ferida, ela vai fechar, viu? Parece que nunca mais vai ter jeito. Parece que a gente nunca mais vai conseguir voltar a sorrir, voltar a brincar, ter alegria.
E isso é até esperado. Por quê? Porque mesmo aqueles que têm a compreensão da vida após a morte sentem a falta.
E quando nós passamos por uma experiência de luto, nós temos o direito de chorar, o direito até de deprimir em função da mudança de rotina muito forte que a gente experimenta. Mas se a gente tem o direito de chorar, nós também temos o dever de procurar alguma forma para que a gente se reequilibre. senão esta ferida ela não fecha.
A ferida vai ficar aberta a vida inteira porque a gente fica realimentando a dor e não permitindo com que ela melhore. Então, para que a gente consiga trabalhar as dores que nós trazemos em nós em função da partida dos nossos entes queridos, a literatura espírita nos oferece quatro pontos fundamentais para que a gente consiga organizar a nossa história. Quatro pontos que a gente precisa ver.
E são esses quatro pontos que eu queria mostrar para nós nessa nossa noite de hoje. O primeiro ponto que o espiritismo nos comenta é referente à questão da saudade, porque há muitas pessoas que dizem assim: "Ah, cuidado, hein? Não pode ficar sentindo saudade não, porque se você ficar sentindo saudade da pessoa, você vai fazer o seu ente querido sofrer.
Então você não pode chorar, você não pode sentir saudade, você tem que est bem, que é para ele ficar bem do lado de lá. Isso não é tão verdadeiro assim. Como que você quer que uma mãe não chore a partida do seu anjo?
Como que você quer que a mãe volte de um sepultamento e diga: "Não, tá tudo bem, porque tem a imortalidade da alma. Meu filho segue, eu vou encontrar com ele. " Sim, é verdade.
A doutrina espírita nos fala sobre isso, de que a vida continua, de que existe a continuidade. É verdade. Sim.
Mas existe ausência, existe muita solidão. Quando você teve uma história de vida ao lado dessa pessoa e hoje você não tem essa pessoa para dividir a vida com você. Um casamento que você viveu durante décadas com essa pessoa e hoje essa pessoa que foi seu companheiro durante tanto tempo não tá mais.
Um filho que você acompanhou crescendo desde pequeno e de repente ele deixa você. E como que você vai dizer: "Não, eu não sinto nada. Eu tô muito bem".
É completamente compreensível que nós tenhamos saudade. Mesmo sabendo que a vida continua, mesmo compreendendo que existe a continuidade da vida, que os nossos entes queridos estão vivos, nós temos o direito de chorar. Nós temos o direito de sentir aquela dor dentro do nosso peito, principalmente em datas especiais.
E seria crueldade da parte de alguém dizer: "Ingula seu choro, porque o seu choro prejudica o seu ente querido. " E eu vou contar por que prejudica, pra gente entender como é. Por que que se diz que prejudica?
Vou colocar aqui a questão de uma mãe, tá certo? Eu tenho aqui uma mãe. Esta mãe, ela tem um filho que desencarnou.
Então, existe um vínculo mental entre ela e o filho. Claro, existe amor, existe um vínculo. O filho desencarnou, mas o vínculo permanece.
Se por algum motivo esta mãe que com justa razão sente saudade do filho, entra num processo de tristeza profundo em que ela se angustia e fica desesperada e se desharmoniza. O que é que este filho que não perdeu o contato com ela quer fazer? Ele quer ajudar.
Não é que assim, olha, se você sofrer, ele sofre, hein? Não é isso. É porque quando nós amamos, nós queremos que quem a gente ama não sofra.
Leve um filho para um hospital e veja um filho passando dor e você do lado. Doutor, meu filho tá sofrendo, meu filho tá com dor. Doutor, por favor, o que que está acontecendo?
Eu estou aflito porque eu fico preocupado com o outro, não é comigo, não é de assim: "Ah, porque quando você se aborrece, ou melhor, quando você se entristece, aí ele vai ficar mal. " Não é exatamente isso. É o amor que move o nosso ente querido, que diz: "Mãe, eu queria que você parasse de chorar.
Mãe, eu queria que você estivesse bem. A sua dor me aflige porque eu queria enxugar a sua lágrima. Eu não consigo dizer para você que eu tô vivo.
Eu tô colocando uma mãe, mas isso aqui pode ser para marido e mulher a ausência de um companheiro que partiu, de um marido que por algum motivo ou uma esposa que nos deixa e a saudade, a solidão, a falta da rotina, todas aquelas coisas que a gente sabe da vida ada, você está angustiado pela ausência do outro. O outro vai querer ajudar. Mas cadê recurso para ajudar?
Você não me ouve, você não me enxerga. Eu digo, por favor, não chora, não te desespera. Por favor, eu tô aqui, eu tô bem, não faz isso.
Então, é por isso que sofre. Não é assim, olha, fizer aqui, vai sofrer lá. Não é o amor que faz com que a gente ao sofrer provoque sofrimento na pessoa.
Deu para compreender o que eu tô falando? OK, Márcia. Então, ou seja, nós temos todo o direito de sentir saudade, mas a gente tem que ficar atento se nós estamos adoecendo, se por algum motivo, depois de um período em que nós estejamos no luto, a gente não consegue caminhar e isso cada um de nós tem um ritmo.
Não posso dizer assim, com 42 dias, com três dias, cada um tem um ritmo, mas se você percebe que essa dor não está andando, é bom procurar uma ajuda de um profissional. Se você sente que, cara, a, por exemplo, a minha mãe não tá conseguindo superar, então vamos encaminhar lá para um psicólogo para ela conversar. E vou contar um segredo para vocês.
Freud dizia que a gente começa a curar quando começa a falar sobre aquilo que dói na gente. E quando a gente guarda a dor da saudade, não fala para ninguém, aí fica mais doente. Aí a gente sofre mais, não só com luto, qualquer coisa.
Você guarda, guarda, guarda. Você adoece, você precisa falar. precisa ter alguém para falar.
Pode ser um amigo, pode ser uma pessoa da religião que a gente participe, o padre, o pastor na casa espírita, alguém que nos ajude, hã, um psicólogo, um terapeuta, que não seja psicólogo, mas um terapeuta, alguém que nos ouça quando a gente percebe que nós não estamos bem. Então aqui a gente pode de repente precisar de um profissional que pode ser um psicólogo ou pode ser um psiquiatra. Aí a pessoa diz assim: "Eu não vou no psiquiatra porque psiquiatra de doido >> é médico de doido.
" Então eu quero dizer para você o seguinte: psiquiatra não é médico de doido. Psiquiatra é médico para não ficar doido. É para não ficar doido.
>> E às vezes precisa de um ajuste. >> É um ajuste. Repara, quando uma pessoa quebra uma perna, quebrou a perna, aí o que que o ortopedista faz?
engessa a perna e você não pode andar com a perna, que que ele faz? Muleta. Não quer dizer que você vai usar a muleta o resto da vida, Daan.
Você vai usar muleta até o dia que o osso soldar. Soldou o osso, larga a muleta e vamos voltar a caminhar. É a mesma coisa.
O remédio do psiquiatra nessas situações de luto não é um remédio que tem a expectativa de ser usado pela vida toda. É um remédio para ser usado durante o período crítico que a gente esteja. Muitos de nós não iremos precisar de remédio, mas tem alguns que vamos.
Muitos de nós nem iremos do psicólogo, mas tem gente que vai. Porque o remédio do psicólogo vem pelo ouvido, tá? Ele não, o remédio dele é no ouvido, é só com palavras.
Quem dá o remedinho para tomar é o psiquiatra. Então, às vezes a gente vai do psicólogo e só conversa a coisa suficiente, aí o psiquiatra não entra. Quando não tá dando certo, aí é realmente tem que adicionar um psiquiatra.
Aí então a saudade é plenamente satisfatória nisso. E o que que não é satisfatório? O desespero, o desespero, a desorganização das nossas emoções, a desistência da vida, a o processo de entrega numa depressão profunda, a pessoa não se movimentar mais em termos da vida, paralisar tudo e viver em função dessa história.
Eu, infelizmente conheço alguns casos desse tipo, de pessoas que perderam o filho e depois da perda do filho não se reorganizou mais. Não se reorganizou mais. E eu posso dizer, 25 anos depois da morte do filho, a pessoa estava no mesmo estágio, sem nenhum progresso na questão do luto.
Aí nós dizemos que o luto se tornou patológico. A pessoa adoeceu, ela congelou ali. E aí um dia eu sentei com ela e disse: "A senhora precisa reagir, porque se a senhora não reagir, a senhora vai abandonar os outros filhos.
Ela tem outros filhos. Precisa ver seus outros filhos. São eles vão crescer sem mãe.
Então os seus outros filhos vão ter luto do irmão e vão ter o luto da mãe. A senhora precisa reagir. Aí disse para ela: "E o seu marido também.
A senhora continuar nesse estágio, ele vai embora. " Ela me respondeu, ele já foi. Ele já foi.
Porque a pessoa num processo que não reage, que não reage, que não levanta, que não levanta, que não vai, não vai, não vai, ele abandonou, não aguentou. Então, a a benefício de nós próprios, a gente precisa, tudo bem, saudade sim, desespero não, tá? Porque o desespero pode fazer com que a gente fique cristalizado numa etapa e não consiga avançar.
Isso é claro, Marene? Tranquilo. Então vamos para o dois.
Número 12. O número dois é muito comum, principalmente nos pais. Culpa.
Quando ocorre alguma coisa com os nossos filhos, não precisa ser o luto. Quando acontece alguma coisa de ruim com eles, os pais têm a tendência de dizer: "A culpa foi minha, puxa para si. Eu não devia ter dado a chave do carro, mas quem é que ia dar a chave de um carro para um filho e sofreu um acidente?
Eu não devia ter deixado ela namorar com aquele rapaz que eu sentia. Quem é que adivinha? Quem é que tem bola de cristal para saber?
que aquele rapaz iria cometer um assassinato. Que quem quem tem condição de fazer isso? Difícil.
Então, muitas vezes a gente puxa para si a culpa por algo que de repente não está diretamente ligado a nós. Não está. Às vezes assim, puxa, eu não cobri a piscina, eu deveria ter coberto a piscina, a criança caiu, a culpa é minha.
O que a doutrina espírita fala sobre isso? O trino espírita fala que a desencarnação é uma coisa muito importante para ser fruto de uma desatenção. Quer dizer, então que não tem programação.
Se cobrir a piscina não desencarna. Se não cobrir desencarna. Não.
A programação é muito maior do que isso. A grande questão é: você fez isso intencionalmente? Foi sua vontade fazer isso?
Não foi? Então, por que que a gente veste a capa da culpa quando nós não fomos o responsável? Ah, eu deveria ter levado no médico ou então deveria ter levado no outro hospital, porque quando ele ou ela reclamou, eu tinha que na hora ter levado, eu esperei no dia seguinte, aí já deu problema.
Ah, porque eu deveria, gente, a vida não funciona dessa forma. fenômenos eh de pequena importância realmente correm por conta do livre arbítrio humano. A cor da roupa que eu tô usando hoje, a a o que eu comi no almoço, isso é isso é uma coisa que não tem importância.
Como é que a gente mede, Flavinha, se uma coisa é importante ou não, se daqui a um ano aquilo tem impacto na minha vida? Então assim, a roupa que tô vestindo hoje não tem impacto nenhum daqui a um ano. Então isso não é importante, pelo amor de Deus.
A menos que por conta da roupa que eu estava vestindo, estava vestindo uma roupa vermelha, o touro não gostou, né? E o touro avançou sobre mim, me deu uma chifrada e aí eu desencarnei. Beleza, aí tá bom.
Então fiquei eh mancando da perna porque aí tava legal. Aí houve uma consequência. Mas fatos que não trazem nenhum desdobramento para um período de um ano é um indicativo claro de que as nossas histórias não estão correndo por conta do nosso livre arbítrio.
As nossas histórias, Lucimar, elas sim t uma componente nossa, mas a componente espiritual é muito maior. Não dá pra gente ser assim: "Ah, porque eu escolhi o médico errado. " Caramba, quem foi que escolheu?
Ah, eu vou pegar esse médico porque se Deus quiser, ele vai errar. Quem é que escolhe? Quem que escolhe?
Quem que decide não levar? Quem que decide fazer uma viagem numa hora que não devia e que a criança passou mal na na viagem? Ou o pai, a mãe, o filho, o marido, sei lá quem.
Não é dessa forma que a vida se manifesta. Então, nós precisamos entender que existe um planejamento espiritual e que esse planejamento espiritual, ele não necessariamente define qual é a forma com que a pessoa vai desencarnar. A pessoa pode desencarnar de acidente, de Covid, de uma queda, um tropeção que leva.
Quantos, quantas pessoas têm que desencarna de uma maneira absurda? Outro dia eu tava conversando na panificadora com uma moça, ela disse: "Perdo mês passado de forma absurda". Que foi?
Foi fazer um tratamento dentário, o canal do dente infeccionou, deu cepticemia, ele faleceu. Que tal um dente? Então, existem determinados mecanismos da lei que a gente não entende.
A gente não entende. Então, eu posso desencarnar por várias formas e de repente aquilo que aconteceu é apenas uma circunstância de fatos que aconteceram. Tem uma história que o Chico Xavier tá envolvido nela, que estavam dois primos numa dois primos estavam numa numa casa e um estava limpando uma arma.
Aí nisso o se tá limpando a arma, a arma dispara, pegou no primo, matou o primo. O que, entre aspas atirou, foi preso por homicídio. E aí vai a julgamento, aquela coisa toda.
A família vai até o Chico Xavier ver se conseguir alguma coisa. E o Chico recebe uma carta do chamado morto. O espírito traz uma mensagem, uma carta para a família, dizendo que o primo que provocou o tiro foi o instrumento para que ele desencarnasse, que ele iria desencarnar naquele período, ele ia desencarnar, mas a imprudência do primo fez com que a desencarnação fosse pela arma, mas que se não fosse por ali, seria por outra coisa.
Porque aquela janela de tempo não é aquele dia, naquele segundo, mas ele iria desencarnar naquele período. Daí que essa leitura de que a nossa vida ela precisa obrigatoriamente ter uma justificativa ligada aos aspectos da culpa não faz sentido, porque a gente precisa ter isso muito claro em nós. Eu não sou responsável direto por isso, porque não tive intenção de assim proceder.
Número três. Terceira questão que os espíritos colocam para nós, que a gente precisa vencer a saudade, que a gente precisa vencer o sentimento de culpa e precisa vencer a ideia de um museu dentro de casa. Ah, nós temos todo o direito de querer que as coisas dos nossos amados fiquem conosco.
Quando em 1994, perdi um filho, a minha mulher queria ficar com todas as coisas que eram deles. todas as coisas, as roupinhas, sapatinho, é compreensível isso. Só que o museu dentro de casa ele não é bom.
Por quê? Porque a gente cria uma espécie de santuário. Então a pessoa entra no quarto, abre aquele guarda-roupa, vê tudo lá, chora, chora, chora, chora e não consegue.
E é compreensível porque ali está a materialidade da saudade. Às vezes você tem um filho que desencarnou em idade escolar e quando você entra no quarto, o livro tá aberto na página da tarefa que ele tava fazendo. A roupa que ele usou tá com o cheiro dele virada do avesso, do lado da cama.
E aí você pega aquela roupa, você cheira: "Nossa, meu filho, meu neto, meu filho, a letrinha dele, as coisas. " É difícil você é difícil, é difícil que a gente consiga se desembaraçar, mas a gente precisa entender que é a nosso benefício que isso precisa ser feito. Só que é assim, eu não estou dizendo pra gente chegar em casa e dizer muito bem, vamos lá, vamos abrir esse guarda-roupa aí, vamos tirar tudo aí de dentro, vamos jogar tudo.
Não é assim, a gente abre um dia que a gente quiser e não tem data para isso acontecer e diz: "Essa roupa eu vou doar uma pessoa que precisa". Então você às vezes no trabalho assistencial e o Clé você pega uma pessoa que tá enlutada e leva no trabalho assistencial e não diz para ela: "Olha, vai doar para aquele menino lá". Ela vai ver a criança mal vestida e vai dizer: "A roupa do meu filho cabe naquela criança".
Semana que vem vou trazer um uma blusa, uma camisetinha, um tênis. Ai, o tênis do meu filho serve no pé. Deixa ver aqui o tamanho do seu pé, meu filho.
É o pé do meu filho. Aí ela vem na semana ou no mês seguinte dentro uma sacolinha supermercado com duas coisinhas. Vem com uma sapatinha, um sapatinho e uma camisetinha.
Aí, olha, eu trouxe aqui para ele. Gente, isso é um progresso absurdo e ninguém precisa dizer tem que doar, deixa a pessoa fazer. Mas é importante que a gente saiba que a gente precisa fazer esse movimento.
E esse movimento ele tem ondas. A gente vai doando aí, ah, eu vai doa mais um pouquinho. Aí tem, ah, esse aqui também eu posso doar e esse aqui também.
Eu tenho coisas que tem mais de 30 anos, tá? em casa guardadinho, sapatinho, ficou >> as coisas da minha mãe. Muitas coisas de louças eu tenho até hoje.
Ela guardava, ela desencarna, guarda falava para ela só, por favor, doa isso. Ela ficava doente, senão vai sovar tudo eu não tive coragem até hoje tem >> estão lá guardadas só. Pois é.
Não é que é espírito, hein, gente? Que espírito tem que ser desprendido de tudo. A gente conserva de lembrança carinhosa, né?
L >> é por uma questão de carinho, né? É uma coisa carinhosa. >> Uhum.
Então, a gente não deve deixar com que a casa tenha um museu intocável. Ninguém mexe, ninguém toca, porque vira adoecimento. A presença da pessoa não está num objeto que não pode ser mexido de lugar, ela tá dentro de nós.
Então, a gente guarda as coisas que a gente a esta camisa aqui é uma ixe, como ele gostava dessa camisa. Essa eu vou guardar. Guarda aí.
Tem outras que t menos presença da pessoa, passa paraa frente. E você vai escolher o que é, o que não é, o que deve, o que não deve. Você que vai escolher.
É assim que a vida vai. Então, guardar sim. museu não.
Número quatro e último, quarto e último ponto de tudo isso. O quarto e último ponto, Emanuel trata disso no livro Religião dos Espíritos, uma mensagem chamada Ante os que partiram. Ele diz que é importante o que fazer com a vida.
Muitos de nós temos a seguinte crença que o espiritismo não considera a melhor opção. Quer dizer assim: "A minha vida acabou, o que eu os meus sonhos todos foram pro chão, então não quero mais, não quero a casa que tava fazendo reforma, não vou mais fazer reforma. A faculdade que eu tava fazendo, não quero mais fazer.
As mudan não quero mais também. Não quero mais. Perdeu sentido.
É, tudo perdeu o sentido. Eu conheço um, você conhece também um companheiro nosso que perdeu um filho e ele tocava flauta. Quando o filho faleceu, ele guardou a flauta.
Ele nunca mais tocou. Nunca mais tocou. Passou anos, muitos anos, tava na casa dele, aí ele virou pra esposa, disse: "Pega minha flauta que eu vou tocar".
Mas muitos anos, acho o quê? Uns uns 20 e tantos, uns 25 anos, talvez depois, aí ele voltou a tocar flauta, tocou. Então, eh, a gente coagular a vida da gente não é legal.
Aí, ah, mas minha vida não tem mais sentido depois de tudo isso. Então, pense de uma outra forma que é como Emanuel propõe, viva agora em homenagem a ele que foi. Nós temos várias pessoas que fizeram isso.
Existem várias mães que perderam seus filhos. Elas abrem uma instituição, >> fundação, >> uma fundação, um trem qualquer para ajudar a outras mães que vivem a mesma situação. Ah, não tem dinheiro para criar a fundação.
Visita o hospital, faz alguma coisa, cria um grupo para acolher pessoas enlutadas. Meu Deus, tem tanta coisa. Eh, se engaje num trabalho de vida.
fazer alguma coisa, fazer alguma coisa que possa, a curiosidade é uma coisa horrível, né? Então, viver a vida de maneira que você tenha novos sonhos. A gente não pode parar de sonhar.
A por quê? Não, mas agora perdeu o sentido. Você acha que o seu ente querido que partiu vai se sentir feliz de saber que você coagulou sua vida porque ele foi embora?
Ou ele não se sentirá feliz de saber, nossa, que pessoa que essa pessoa se transformou, que que mudança que isso conseguiu operar? >> Ela ressignificou. significou a vida.
Minha esposa passou muito tempo, muito tempo. Eu dormia e acordava, ela estava chorando. Acordava assim umas 2 horas da manhã, ela tava sentada na cama chorando.
Eu dizia: "Dorme". Ela disse: "Eu não consigo dormir". Ela chorou mais de anos.
Acho que ela chorou quase do anos. Todas as noites ela conversava e a lágrima ficava descendo assim no canto do olho, falando comigo. Aí a lágrima descia, ela tá conversando, tá?
Então eu vou no mercado, vou fazer compra e tal, daqui a pouco eu volto, tal. E aí ela andava com lença, aí ela enxugava, tudo bem. Aquele choro que não cessava o tempo todo.
Aí eu digo: "Meu Deus, que que vai ser, meu pai? " O tempo passou, passou, passou. Hoje, hoje a Sia faz um trabalho lindo.
O que que ela faz hoje? Ela criou um trabalho de luto para acolhimento de mães enlutadas. Legal.
Mas isso tem muitos lugares tem. Mas o que ela fez? Ela reuniu todos os grupos de luta do Brasil num único grupo.
E aí ela troca. Que que vocês estão fazendo? Como é que vocês trabalham?
Olha, Belo Horizonte tá fazendo assim. Deixa eu ver aqui. Cadê Cabo Frio?
Olha que Cabo Frio fez. Olha essa apostila. Então, ela mantém a a atividade dos grupos de luto.
Um conhece o outro, todo mundo se conhece. E quando eu vou em alguma cidade que tem alguém, vai, você vai entrar no grupo e vou jogando no grupo e todo mundo vai se conhecendo e ela vai dinamizando o trabalho. Então, a gente pode ressignificar a dor, principalmente com o conhecimento que a doutrina espírita nos oferece.
o conhecimento de que a vida não acaba, que a vida continua, que a gente que os nossos entes queridos que apareciam mortos num caixão, aquilo é só o corpo que ele tá vivo, não é? >> As pessoas estão vivas. Elas estão vivas, elas se comunicam, elas falam, elas se apresentam, elas elas se mostram.
Oi. >> Mas você pode falar também que teve a alegria que vocês tiveram de receber mensagem desse filho? >> Sim.
Nós eh recebemos algumas mensagens do nosso filho depois da desencarnação dele e ele continuou, mas ele era bebê, ele tinha 4 meses, mas ele já tornou-se um adulto e participando das coisas, aparecendo nas reuniões, nós mudamos para Curitiba. Aí quando nós chegamos lá na mediúnica, o médico disse: "Olha, tem um rapaz aqui que ele tá se apresentando, sendo que é filho de vocês, ele tá aqui e era ele. Era ele.
E assim, é uma experiência muito legal você saber que a vida continua. E aí eu queria terminar essa conversa contando um sonho que minha esposa teve com ele. Ela teve um sonho com ele.
Ela sonhou que ela estava num lugar que só tinha piso. Ele não tinha parede, só tinha piso. E aí era um local assim grande, aberto e ele aparecia lá do outro lado do do ambiente onde ele estava.
E ele chamava ela de lá de longe, dizia: "Mãe! " Aí ela olhava, ele adulto, já um homem feito, grande, com uma roupa, eh, que não é uma roupa dessa época. Ele olhava para ela e aí ela gritava o nome dele e saía correndo e ele abria os braços.
Aí ela saía correndo na direção dele e eu abraçava. Aí ela ficava abraçar, ele abraçava, ela disse: "Não, não, não me abraça. Eu quero ver seu rosto.
Eu quero ver como foi que você ficou. Eu quero ver você adulta. Deixa eu ver.
" Aí ela se desembaraçava dele e via nariz. Aí ela me dizendo, eu sou capaz de descrever tudo. Eu sei como é os olhos, o nariz, a cor dos olhos, a sobrancelha, o cabelo, o pote, a mão, eu vi tudo.
Deixa eu ver suas mãos, meu filho, deixa eu ver isso. E ali ela ficou e abraçava e depois olhava e abraçava e olhava. Aí ele disse: "Eu vim só para dizer que eu tô sempre por perto, tá bom?
" Aí ela acordou, ela acordou, disse: "Eu tive um sonho, tive um sonho com o Lucas. " Aí contou o sonho, ela disse: "Eu, eu vou eu vou anotar porque ela tem um caderno que ela anota os sonhos que ela tem. Vou anotar porque e depois vai sumir algumas coisas da nossa memória, acaba sumindo.
" Aí ela pegou o caderno, aí foi, anotou que teve um sonho com ele, que tal, tal. Aí escreveu, escreveu. Quando ela foi botar a data, ela disse: "Meu Deus, é o aniversário dele".
Hoje ele estaria fazendo 30 anos. Exatamente no dia que ele faria 30 anos, ele veio para dizer para ela, olha como é que eu sou. Ó como é que eu sou adulto.
Olha o rosto que eu tenho. Isso é fantástico. E eu posso dizer para vocês, é uma ferida.
É uma ferida, mas essa ferida ela fecha. Só que como toda ferida que fecha, ela deixa uma marca, ela deixa uma cicatriz. Toda a ferida quando fecha deixa a sua cicatriz.
Nós nunca mais seremos os mesmos depois de uma experiência de luto. Maneira da gente ver a vida, maneira da gente ver os outros filhos, a maneira de ver a nossa relação com as pessoas muda, porque a gente descobre que de verdade as pessoas realmente partem da nossa convivência, mas a gente não necessariamente se torna uma pessoa pior. Ao contrário, Lucas, a gente pode se tornar também uma pessoa muito melhor, principalmente quando nós nos apropriamos de todo esse conhecimento que o Espiritismo nos dá e que nos liberta para que, apesar das nossas dores, das nossas tristezas e das nossas lágrimas, a gente nunca perca a certeza de que a vida continua.
Muito obrigado.