[Música] [Música] saudações interculturais a todas todos e todos que estiver nesse momento para construção dessa troca de diálogos de interculturalidade eu sou Anita e de Laise na verdade nome civil mas meu nome indígena Anita sou uma mulher indígena do povo do chá do Nordeste Sou psicóloga e antropóloga social e atua como psicóloga de saúde indígena quero Como dito inicialmente está aqui com vocês porque a gente possa conversar um pouco criar um diálogo que possa de alguma maneira nos afetar na sensibilidade para o trato do atendimento e acolhimento a população indígena E aí para a gente
iniciar eu gostaria que a gente já tivesse em perspectiva a ideia de que a história identitária né do povo indígena dos povos indígenas do Brasil ela é atravessada por memórias ancestrais e contemporâneas que seria isso memórias e narrativas construídas antes e depois do processo da zona de contato com o nome indígenas demarcar esse processo é importante para a gente entender o quanto essa zona de contato que foi resultado né do processo colonizador e de todas as manobras de genocídio violências violência de direitos e de Corpos vem afetando o Bem Viver a qualidade de vida e
de existência pessoal social e cultural dos povos indígenas quando a gente tem esse entendimento a gente parte para uma perspectiva de que nessa zona de contato Há muitos contextos diversos e perversos para serem debatidos Vamos pensar aqui a natureza da performance do sujeito indígena e seus diferentes contextos nós temos um indígena hoje que vivem áreas demarcadas grupos indígenas que vivem em seus territórios demarcados temos indígenas que vivem em processo de retomada dos seus territórios temos indígenas grupos indígenas também que vivem contextos urbanos indígenas de recém-cutado indígenas em zonas direta de contato com a cidade mesmo
não estando né nessa perspectiva dentro da cidade mas Numa Margem muito próxima e que todo esse esse cenário vai demarcar questões muito singulares para se pensar o entendimento o acolhimento e o manejo da construção da identidade e pertenciamento indígena dentro e fora dos seus territórios e quando a gente discute território Eu já queria inicialmente também pontuar que o Brasil inteiro até indígena então a gente está falando de traços corpos história narrativas que está atravessada em toda a construção desse país em toda a construção do nosso Brasil que na verdade e esse processo todo que foi
marcado por essa colonização enfim todas essas situações que a gente aprende né nas literaturas constroem na gente alguns imaginários estigmatizantes alguns imaginários que a gente reproduz e esse Imaginário ele precisa nessa contemporaneidade que eu citei né se ressignificado para que o nosso fazer profissional E aí falando nesse lugar do profissional e também o nosso pertencimento local indígena da história da nossa cidade nosso lugar do nosso país nos atravessa enquanto sujeitos de acolhimento e sensibilidade então quando a gente pensa essas questões dos estigmas desse Imaginário eu parto do princípio de uma pergunta para vocês O que
é ser indígena Qual o indígena que vocês conhecem como vocês acham que deve ser o comportamento é pensar isso é importante porque esse Imaginário criou processos que nega ao indígena a pessoa indígena formas diferentes de ser no mundo a gente tem a ideia a gente que eu digo né os nomes indígenas tem uma ideia do que é ser indígena ideal e quando vê o indígena real o indígena que tem adoecimentos que sofrem o indígena que vivem em processo de marginalização indígenas com os abusivo de álcool indígenas enfrentando demanda de naturezas também psíquicas esse indígena real
ele nos impacta e nos incomoda porque ele não corresponde ao que está idealizado e por não corresponder de forma consciente ou inconsciente ambas as formas a gente acaba reproduzindo resistência para esse cuidado e invisibilizando ou violentando ainda mais essa pessoa indígena que não chega então é importante a gente pensar esse Imaginário O que é ser indígena certo entender que diante de todos esses contextos esse sujeito indígena sofreu impactos também no seu modo de ser no mundo mas há algo muito peculiar que é importante ser compreendido esse sujeito indígena transitando em qualquer cenário dos que eu
citei seja na aldeia na cidade enfim ele tem uma identidade ele tem uma história o corpo dele a pessoa dele conta uma história e entender isso é importante para que se possa conduzir uma acolhimento Que história esse sujeito traz que narrativas ele tem para explicar o seu momento de fragilidade as questões que vive as suas demandas sociais que chegam né uma política de assistência que chega para uma política de saúde que chega enfim esse indígena que chega o que que esse corpo dele o que que essa presença quer nos contar o que esse adoecimento diz
como sintoma de toda essa dinâmica histórica desse impacto do processo colonizador e dessa violação dos direitos Porque é importante a gente pontuar que mesmo indígena que tem seu território demarcado ele sofre processos de violações o seu território tá sempre ameaçado sempre violado assim como seu corpo como a sua história e sua identidade Então vamos partir desse entendimento do estigma de pensar a possibilidade de desconstruir essa estigma e olhar para esse sujeito indígena despido de alguma maneira de algo que já ficou pactuado na minha mente que eu preciso de alguma maneira ressignificar preciso pensar que esse
indígena traz demandas biopsicossociais né do campo biológico psicológico social e cultural biopsicossocial espiritual enfim porque o sujeito indígena ele é sistêmico ele é integrado ele enfim ele traz perspectivas de relação com o mundo que perpassa por uma construção de pessoa de natureza coletiva os ritos os mitos as histórias a transmissão de conhecimento pela oralidade os saberes tradicionais que entra aí a medicina as práticas de artesanias né os artesanatos o modo de ser com as pessoas de idade estar no mundo a fala linguagem corporal tudo de marca um diferencial e pertencimento de sua singularidade subjetividade então
quando o indígena chega para ter acesso às políticas públicas que ele é de direito porque a gente está falando também de indígena que é um sujeito de direitos e de desejos é um cidadão que tem e deve ter acessos aos Serviços de Saúde de assistência social enfim das diferentes esferas é importante ser pontuado essa questão do indígena como sujeito de direitos e de desejos para que a gente não coloque a pessoa indígena de um modo generalizante né Desse indígena idealizado que precisa corresponder a expectativa dos nomes e aí é interessante Porque precisamos vislumbrar a capacidade
de agência e autonomia que os indígenas têm por isso eu pontuei a palavra deseja que assim como não indígenas os indígenas também têm o direito de aspirações direitos desejos direitos enquanto políticas públicas cidadania mas direitos de expressar a sua subjetividade e seus desejos não é genérico o indígena é ou pode ser uma mulher um homem uma criança um idoso um LGBT que ia mais um indígena como uma deficiência física enfim ele não é uma coisa só ele atravessado por sentimentos por emoções como qualquer outro ser O que torna seu modo singular é essa história hipertensa
coletiva que demarca um modo imorganização social própria que precisa ser assegurada pensar e acolher o indígena na sua capacidade de autonomia e de agência né sua capacidade de pensar que é chamar refletir sentir viver né é interessante por exemplo para a gente pensar o campo dos adoecimentos das fragilidades desse Impacto social e cultural dos povos indígenas e do seu próprio movimento da sua dinâmica cultural rumo à cidade rumo a ascensão das Ferramentas tecnológicas do acesso à escolarização que se tornou arma de luta de Sobrevivência para os povos indígenas imagina para uma pessoa indígena ter o
tempo todo que viver um estado de vigilância para ter a sua dignidade assegurada é uma atenção é viver em constante sistema opressor acho que ele não queria usar essa palavra mas é né o sistema de opressão de racismo que volta novamente a essa perspectiva de um imaginário de um indígena idealizado de um indígena que não se pensou que estaria dentro de uma universidade ou de um indígena que não se Pensou que seria o seu colega de trabalho um médico uma enfermeira né essa capacidade de agência e de autonomia fez com que os povos indígenas se
articulasse se mobilizassem para fazer valer o seu direito né é importante a gente pontuar isso porque essa perspectiva de cidadania do sujeito indígena ocupando esses brasils ela só é evidente em campanhas políticas né quando a campanhas políticas o indígenas se torna munícipe né promete tudo e é possível tudo E aí quando se vem a governança a gestão a pessoa indígena nos grupos indígenas os povos indígenas se tornam um peso né porque o Estado o município enfim as esferas públicas não sabem lidar com essa essa organização social singular não sabem lidar com essa perspectiva de indígena
que precisa de um território para promover meu viver para existir né no sentido da construção de uma organização social própria dessa desse saberes tradicionais ancestrais de transmissão de resistência né são povos que resistem então viver essa essa vigilância para os povos indígenas eu digo a vigilância pelo direito à existência faz com que o indígena construa dentro do que seria essa Mas elas sociais que chegaram possibilidade de transformá-las em potência né Por que que eu usei a palavra arma né a gente escuta muito dos nossos Anciões que nós trocamos Às vezes a flecha pela caneta porque
hoje em dia né uma assinatura o conhecimento dito científico ele precisa ser pontuado por nós né Nós precisamos ter acesso a essas informações nós que eu digo estou me colocando como indígena para demarcar o nosso lugar ele legitimado os nossos direitos a gente está tendo agora possibilidade de pensar um cenário feito com e para os indígenas né Ministério dos povos indígenas isso é um grande avanço que resultou de muito ativismo muita militância muitas mortes para se chegar ao cenário que se tem hoje que ainda há muito para se avançar e para ser conquistado E aí
eu vou retomar essa perspectiva do indígena sua capacidade de agência de organização social sua visão de mundo suas cosmologias seus costumes que estando em cenário Urbano também precisa ser resguardado né Por exemplo no contexto da pandemia é um ponto interessante no processo pandêmico os indígenas que estavam nas cidades por diferentes motivos né seja porque era um estudante universitário sejam porque são indígenas realmente né de contexto Urbano enfim esses indígenas foram visibilizados né quando ia não tinha a cota da vacina não tinha o seu registro no prontuário como a sua identidade de se auto declararem Então
a gente tem que aprender a permitir ao outro que ele se apresente e que ele diga quem é aí eu volto a perspectiva desse corpo o corpo conta uma história o corpo tem algo a dizer as narrativas são coletivas Então esse sujeito que chega ele precisa ter sua identidade o seu pertencimento assegurado seja na Perspectiva que ele desejar certo então pensando essa questão que eu citei por exemplo do acesso à saúde eu vou retomar para um entendimento de que toda essa mobilização esse cenários dos povos indígenas em busca da legitimidade né de acesso às políticas
públicas fez com que se pensasse algumas estratégias de política e uma delas foi a política de atenção à saúde indígena que é uma política desempenhada pelo Ministério da Saúde mas que se concentram no que a gente chama de secretaria especial de saúde indígena que vai se desdobrar nos distritos sanitários né que atua dentro dos territórios indígenas é uma política de grande avanço e de muita conquistas né assim conquista no sentido desse movimento dos povos indígenas em busca do direito acesso a ter saúde em seu território mas também uma política que deixa lacunas e que não
acompanha essa transformação dessa dinâmica social dos povos indígenas por quê Porque a política de atenção à saúde indígena ofertada pela sesai ela como dita só é ofertada dentro do território ou seja para indígenas que sejam aldeados os indígenas que estão em processo de retomada ou na cidade eles não têm direito a essa assistência Então são desastidos e invisibilizados né porque na cidade também não são notados ou acolhidos como pessoa indígena então é um indígena sem lugar Isso é uma lacuna gritante porque nós estamos falando de grupos indígenas que toda região do Brasil sofre impactos e
violações de seus territórios seja por grandes obras né por questões de garimpos de conflitos de terra Enfim uma série de questões que eu convido vocês a conhecer essas histórias são histórias reais histórias de muita violência né e isso é possível conhecer através das próprias articulações de povos indígenas tenham essa curiosidade certamente no local de vocês tem grupos organizações indígenas diferentes povos as cidades Daí conta uma história e essa história é história dos povos indígenas então é importante é saber em que Terra você pisa e que território Você trabalha com quem você trabalha porque imaginar que
na sua dinâmica da cidade você não vai ter contato com indígena e ilusão E aí é importante ter essa atenção aí entra o ponto de pensar o direito do indígena essa política que dentro do seu da sua pactuação diz que é seguro indígena ao direito de uma política diferenciada então a gente já tem essa lacuna né pensando que ela contempla apenas os aldeados teríamos a lacuna de que onde está essa perspectiva do diferenciado a formação para os profissionais que chegam para trabalhar com os povos indígenas porque a gente entende que a maioria dos profissionais são
não indígenas qualificados graduados no conhecimento dos nome indígenas que a gente vai chamar dos cenários biométricos então é provável que esse profissional se ele não tivesse Sua sensibilidade se ele não tiver o seu amparato né de se preparar para entrar nesse contexto que ele reproduza um processo colonizador que ele reproduz a violações que ele reproduza a violação do corpo que a gente imagina violado só em perspectivas né sexuais e não é medicalizar um corpo indígena de forma inadequada também é violentar esse corpo o indígena que chega com o seu adoecimento ele precisa ser escutado receber
uma escuta ativa para que ele mesmo de alguma maneira dentro né do seu do seu arcabouço do que se tem de como ele explica esse adoecimento E se ele não explica porque ele não consegue explicar o que que aconteceu que rupturas ouve que sintoma ele traz E aí quando a gente pensa Por exemplo essa questão de saúde mental de demanda psicossocial a ideia que a gente tem é de medicalizar né E para poder de alguma maneira ter controle sobre esse corpo eu não tô dizendo que não se deve fazer eu acho questões né Há casos
e casos instrumentos e Instrumentos E aí entra instrumento entendido como uma ferramenta mesmo humana social enfim e aí entra questões de se pensar como esses saberes essa explicação que o indígena tem de seu adoecimento ou sua família tem sobre estabelecimento Talvez o sujeito não tenha mais a família tenha de como esse essa explicação que demarca a cultura e a subjetividade pode dialogar com saber científico a mediação né fazer uma mediação desses saberes desses mundos para se fazer uma acolhimento integrado entender que esse corpo tem uma identidade e tem uma história e que seu processo eu
vou usar a palavra cura né não é mas o seu processo de melhoria de ressignificar o seu adoecimento perpassa também por um encontro com o seu sagrado com sua história e com seu pertencimento e a gente fala do sujeito indígena Mas se eu for pensar que com vocês Isso é para todos nós né a gente fala do sujeito indígena porque tem uma relação muito própria uma relação muito própria consagrado com a natureza com a terra com a pessoa com a perspectiva do que é humano e não humano né Mas é interessante por exemplo eu vou
pensar aqui com vocês quando nós estamos com exaustão física mental né o nome indígena a primeira coisa que ele pensa é férias Ah eu quero férias e onde que ele pensa essas férias na praia na natureza conexão com a água então quando a gente sente essa exaustão porque a gente precisa é retomar a vivência consagrado que seria a natureza tomar um banho de mar um banho de rio renovar as energias né estabelecer um outro tipo de conexão que a dinâmica da cidade às vezes não nos permite isso também deve ser desdobrado para o sujeito o
que ele faz falta né perguntar me diga o que você sente qual é a tua história De onde você vem para onde você quer ir Como que eu posso te ajudar se é que eu posso te ajudar se eu não puder quem pode te ajudar que pessoas eu posso contactar para promover e ajudar o seu cuidado porque promover pensar essa ideia de promover saúde né tô implica entender essa relação da pessoa com o seu pertencimento né das explicações do adoecimento das possibilidades que se tem de cura dos recursos humanos e sociais que se tem para
vivenciar esse processo né do tratamento de toda essa dinâmica e eu tô usando saúde porque é um lugar que eu estou mas aí a gente pode pensar diferentes perspectivas né sociais enfim diferentes questões para se pensar nesse lugar e eu quero convidar vocês né para desenvolver construir ampliar que eu não sei com quem que eu estou falando Mas fico feliz que estou conversando a desenvolver escuta ativa ampliar essa expectativa que você já possam ter para acolher as explicações e interpretações dos indígenas das pessoas indígenas pessoas que são atravessadas por seu pertencimento e por desejos e
aspirações ponto importante também pensar e ampliar essa perspectiva de que toda e qualquer dinâmica não só dos povos indígenas é desculpa de que toda cultura ela é dinâmica ou seja ela sofre transformações ela é impactada e é esse Impacto ele pode ser externo ou seja fora né dessa cultura central ou pode ser interno cada Povo Precisa de alguma maneira fazer ajuste de antes das novas gerações das mudanças que ocorrem então permitir esse lugar de fala para os povos indígenas é entender como eles podem gerir as problemáticas que eles estão enfrentando no momento que são problemáticas
resultado de processos de transformação impostas né que veio de fora desse contato dessa colonização Enfim então permite como juntos pode se traçar estratégias de enfrentamento a toda essas questões sociais que os povos indígenas vem enfrentando e outro ponto que eu quero convidar vocês é permitir não é permitir né que é direito mas garantir ao indígena o seu direito de se auto declarar se afirmar é pensar que não importa o traço não importa se o cabelo é vermelho seu cabelo é ouro seu cabelo é verde ele é sujeito indígena pessoa indígena E aí é para você
pensar como ressignificar esse acolhimento esse cuidado Ah mas como que eu posso fazer isso sempre buscar informações promover a oficinas convidar os próprios indígenas a gente tem muitos professores indígenas universitários indígenas que estão aí próximos de vocês promover uma roda de conversa uma troca promover grupos né rodas de conversas é pensar de fato que seria essa interculturalidade porque a gente acha que interculturalidade é só tá ali né no contato tô aqui no contato indígena Então já acho que eu sei fazer interculturalidade que eu sou uma profissional colhedora sensível você até pode ser mas interculturalidade é
para além e tem culturalidade tá na sua capacidade de se despir das suas verdades e de acolher essa verdade do outro e aí nesse momento despertar ou seja colocar essa Cultura em processo de mediação com outro é mediar saberes é trocar é respeitar é construir processos de trocas igualitários e não desiguais E aí fazendo esse convite para vocês eu queria finalizar me colocando à disposição porque o tempo é muito curto e eu tenho uma dificuldade de pegar tópicos de organizar porque eu sou muito do vivencial né E aí eu quero falar e às vezes eu
falo e pode ser que fique um pouco desarmonioso para o entendimento Então me coloco aqui à disposição de cada um de cada uma que esteja entre esse outro lado e que precise de trocas de diálogos E aí para finalizar eu queria cantar para vocês possível por favor eu estou entendendo vocês estão dizendo sim [Música] [Música] [Música] [Música] Que animal a cara tem onda atender [Música]