Narrativas compra a 10 tem o prazer de continuar ouvindo o professor Aldo Monuc fazendo a sua narrativa. E hoje, continuando a partir do bloco 17, estão com vocês o profissional do Vanoc, que hoje vai começar a falar um pouco a respeito do momento em que ele entrou na faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, em 1980. Bom dia, em 1980 eu já era professor há muitos anos, e houve eleição para a diretoria na faculdade.
Fui eleito, nomeado e comecei a trabalhar. Lembrando que eu já tinha sido diretor tempos atrás, então não era novidade para mim, embora a faculdade tivesse crescido bastante, graças à administração anterior de Lauro Sanches e Edson Cega. O meu trabalho teve, inicialmente, um problema estrutural do prédio.
Aquela parte baixa, a mais antiga do câmpus Trujillo, tinha vários setores deteriorados. Havia um banheiro feminino semi-fechado, havia uma sala com o assoalho mais ou menos afundado e, em resumo, precisava entrar pedreiro, carpinteiro para renovar o prédio, que prejudicava uma joia. As salas, em si, todas ao redor daquele jardim sempre muito interessante, autorizado pelo bispo Dom Best, foram feitas as obras.
Eu até hoje fico pensando, não sei com que dinheiro, mas a obra aconteceu. E realmente tudo que estava mais ou menos proibido no seu acesso voltou a ser plenamente usado. Outro aspecto interessante era o maior contato meu com o corpo docente, e esse contato foi progressivo.
Evidentemente, havia professores que eu já conhecia, professores de larga experiência, pessoas renomadas. Alguns eram de São Paulo, outros recém-contratados, que, por sua vez, eu fui contratando pouco a pouco. Hoje eu relembro, por exemplo, uma contratação que eu não vi contestada por ninguém abertamente na minha frente, mas eu tenho certeza que deve ter causado um estupor até em outro professor.
Eu me refiro ao professor Maurício Tratenberg, marxista declarado, inteligentíssimo, mas muito respeitoso. Ele trabalhou não foi por muito tempo, achei que dois anos, mas foi um excelente professor do concurso e trabalhou no Cruzeiro. Ele lecionava no curso de Filosofia e História.
Outro grande professor, sempre memorável, que foi contratado por mim também, apesar de não poder apresentar nenhuma documentação pertinente porque ele era praticamente um refugiado no Brasil, foi o professor que veio da Ucrânia e era perseguido de Stalin. A Universidade já fez homenagens a ele, homenagens póstumas. O professor Vive Tenco, se não me engano, se formou na Ucrânia, na Alemanha e na Inglaterra.
Ele fez seu doutorado e se apresentou em Sorocaba, na procura de emprego. Foi recomendado à faculdade, e eu recebi, conversei e, de pronto, percebi que ele era uma pessoa com um lastro cultural impressionante. Ele falava sete, oito, até dez línguas, inclusive o sânscrito, e lecionava sobre Filosofia Antiga e História Antiga, tanto no curso de Filosofia quanto no curso de História.
Também ficou apenas dois anos, mas foram anos marcantes, pois ele, ao mesmo tempo, tinha um trabalho particular fora da faculdade que era a prática da meditação, uma prática com base na filosofia hinduísta, mas sem nenhum caráter religioso ou sectário. Só para lembrar, o professor Budel, professor Bohdan, é interessante notar que tudo aquilo que ensinava sobre meditação hoje é praticado por alguns discípulos seus em Sorocaba, em uma outra escola municipal infantil, onde crianças aprendem a meditação. É impressionante ver em fotos a atenção e o recolhimento de crianças de seis, sete, oito anos de idade.
Reunindo, falamos muito dele na época, o mandato na faculdade de Filosofia também teve seus percalços. Aquele era um problema comum em qualquer instituição particular, no sentido de cobrança de mensalidade. O centro acadêmico sempre se movimentava contra o pagamento das mensalidades, julgando-as abusivas.
Então, deu-se um hábito legal, mas extremamente pernicioso para a faculdade, que era, ao invés de eles pagarem, a faculdade pagava em juízo, ou seja, não entrava o dinheiro necessário para poder pagar funcionários e professores. Chegava-se a centenas e centenas de alunos. Houve época em que havia mais de mil alunos pagando em juízo.
Isso redundou em grandes problemas internos, e eles, por sua vez, chegaram, duas vezes, a promover passeatas até o centro da cidade. Mas a faculdade conseguiu superar essa tormenta. É algo que a gente lembra como um sacrifício necessário para a convivência entre alunos e direção de um país que até hoje ainda não resolveu dignamente esse problema do acesso da população ao ensino superior.
Ainda existem certas reservas, ainda existe um certo preconceito, eu diria, achando que o pobre deve ficar, no máximo, no ensino técnico, o que é um erro terrível, porque, se de um lado o Brasil precisa, em muito, de técnicos e de escolas técnicas como o Senai e as Etecs paulistas, por outro lado, qualquer jovem, venha ele da família mais degradada, é possível. Ninguém pode proibir que ele sonhe em chegar ao ensino superior. Sim, do meu mandato foram 8 anos, ou seja, fui reeleito em 84 até 1988.
Eu diria que foram oito anos muito importantes para o meu aprendizado. Com certeza, eu tenho o hábito, talvez uma marca. Eu acho que eu frequento até hoje a biblioteca da instituição mais do que a maioria dos professores.
Como diretor, mesmo lá no Trujillo, durante oito anos, eu me lembro que escrevi um, dois ou três livros e tive um aprendizado contínuo como professor. Eu continuava a ser professor na área da Filosofia Metafísica, Filosofia e Ciências Humanas, Cultura Brasileira, matérias que eu assumiria com grande entusiasmo, precisamente por isso, porque me provocavam a estudar, aprender, perguntar, ler, frequentar a biblioteca, retirar livros para levar para casa e preparar as minhas apostilas e aulas. Esses oito anos, então, tiveram esse aspecto.
Outro aspecto muito forte é, evidentemente, a minha formação em Filosofia e Pedagogia. E a teologia não tinha praticamente nada na área da administração, e um sujeito colocado como diretor de uma faculdade, assim, sem custos de administração, sem prática administrativa, no meu caso, que ainda estava no clero, o trazia do clero toda aquela herança cultural e prática, que tinha muitas coisas boas, muitas experiências válidas, mas era praticamente zero na parte administrativa. Eu tive que aprender muito.
Então, nessa parte, no diálogo com o tesoureiro da faculdade, com o contador da faculdade, com a mantenedora da faculdade, a Fundação Dom Aguirre, sim, e falando na fundação, aí entra outro aspecto interessante: se eu nunca vi mãe gerando filho, gerando mãe, que aconteceu! A faculdade de filosofia gerou a fundação. Como foi possível esse milagre?
É o povo genético de globalização. Foi possível porque, em determinado ano, acho que 80 ou 82, saiu um decreto federal exigindo que toda instituição de ensino superior fosse assumida por uma personalidade jurídica; podia ser uma sociedade anônima, podia ser uma propriedade particular de algum empresário, de algum capitalista, de algum grande educador. Pude acertar nenhuma fundação, examinando as hipóteses abertas, oferecidas para o nosso caso.
Eu joguei a fundação como a melhor entidade jurídica e assim a Fundação Dom Aguirre foi fundada por um trabalho meu e dos secretários da faculdade da época. Sempre lembrado e muito merecidamente lembrado, o professor José Carlos de Araújo Neps, que tinha também um grande conhecimento da parte burocrática da faculdade, como secretário que ele era há muitos anos. Então, preparamos a documentação exigida e apresentamos a proposta ou a necessidade da medida Adam Lambert.
E foi feita a criação dessa fundação, que teve o nome de Dom Aquino, como homenagem a ele, primeiro bispo e alguém que está na origem da própria faculdade. Acho que essa criação da fundação foi importantíssima para a nossa história. Sendo a partir daí, a própria direção da faculdade, naquele tempo, e até hoje, a direção da reitoria tem sempre esse amparo jurídico e sempre essa possibilidade de dar passos jurídico-certos, responsáveis e imunes de qualquer contestação.
E a fundação surgiu porque também estava na condição de que corria o risco de fechar a faculdade. Não é porque não tinha condição financeira, praticamente esse momento que estava ligado à prefeitura. Então, a prefeitura, há muito tempo, já não abriu.
Bom, no 3D, Kenji Dom Aguirre aceitou o encargo de administrar a história da faculdade. A prefeitura se distancia e distanciou, ficando apenas o prefeito como membro nato da fundação, lançada junto com o presidente da câmara também, certo? Então, o conselho superior da Fundação Dom Aguirre ficou assim: mistura razão histórica não com razão religiosa, e o prefeito, o presidente da câmara e outras personalidades eleitas para o caso, certo?
Isso cria uma ideia bem clara, bem concreta de que não somos uma faculdade, e hoje uma universidade particular, ética, nem pública, mas com um caráter de respeito a todas as formalidades e exigências públicas. Até a gente se usa hoje o termo de "pública não oficial", que venha a ser um caráter comunitário, humanitário, pública não oficial. Bem, então, acho que dá tempo ainda nós começarmos mais um pouquinho, né, desse momento seguinte, logo depois da constituição da fundação, né?
Nesses oito anos, então, eu acho que já fiz um relato de alguns pontos. Há muita coisa pra relembrar, mas eu acredito que há aquele duplo mandato, além de ter me favorecido muito como aprendizado administrativo e como aprendizado também na própria existência pessoal. Não tem diretor de faculdade e hoje, mais aí, do reitor, são pessoas que têm uma responsabilidade enorme em todos os aspectos.
E, por outro lado, são pessoas ligadas, têm seu esposo, seu marido, têm seus filhos, têm sua casa. Tem-se toda a questão familiar junto, e isso não pode ser separado da vida dentro da instituição. Por outro lado, eu sempre dizia e repetiria sempre, né?
Ninguém se casa com a fundação. Ninguém se casa com o foco. Ninguém se casa com a universidade.
A gente procura dar tudo de si para a instituição da gente trabalha, mas a ligação íntima, familiar, marital, e paterna-materna, é filial. Tudo isso é uma exigência intransponível, inescapável, necessária. E é preciso, então, que a pessoa que esteja num cargo, como o professor da faculdade, como coordenador, como o diretor, tenha sempre essa capacidade de se orientar de uma forma séria e de doação integral, mas sempre lembrando dos seus compromissos.
A gente é pessoa, e a pessoa humana não é aleatoriamente constituída: corpo, espírito, inteligência, sexualidade, aspecto físico, aspecto moral. Não existe essa mistura solta; existe a pessoa, a agência. É única e irrepetível, é singular e que precisa saber dançar no meio, digamos assim, de um baile.
Uma hora tranquilo, outrora frenético, e sem perder a própria personalidade. Isso que eu acho maravilhoso. Eu sempre insistia muito nisso nas conversas, nas práticas, até com os alunos.
Uma coisa é a pessoa; isso basta. Você nasce, você já é um projeto de pessoa. 18 anos, não seja uma pessoa responsável.
Agora, outra coisa é personalidade. A personalidade é a pessoa realmente; não há só uma dura fisicamente. Ela, atualmente, é mais uma pessoa que é capaz de manter essa unidade interior.
Com certeza, isso é maravilhoso. Anos em um vídeo ao G1, procuro viver pessoalmente sempre em casa com os filhos, mas também na minha convivência universitária. O Brasil precisa de mais personalidades.
Tem mais de 200 milhões de pessoas, as personalidades não sei se chegam a um milhão. A ADIN é um ótimo exemplo. Então, daqui a pouco continuamos ouvindo o professor Aldo.