Olá eu sou azin jer professora youtuber e vim aqui conversar com vocês sobre uma obra muito importante da literatura brasileira chamada quarto de despejo O Diário de Uma favelada da escritora Carolina Maria de Jesus essa obra é muito profunda apesar da sua leitura ser de certa maneira rápida e descontraída muito por causa das figuras de linguagem e ironia que a autur lança à mão em sua escrita bom quarto de despejo é uma obra de Carolina escrita num formato de diário Ou seja a escrita de si a perspectiv desta mulher negra favelada e de certa forma
subalterna na sociedade brasileira escrita entre o período de 1955 a 1960 é claro que essa localização de onde parte a voz que enuncia Os Diários ela é por si só algo impactante numa sociedade conservadora patriarcal como a nossa que até os dias de hoje clama e exige a tradicional família brasileira e é importante dizer que a obra quarto de despejo ela é muito importante no cenário da literatura Universal não só por ter sido traduzido já na primeira edição para mais de 10 idiomas mas também porque é uma obra de referência em concursos vestibulares e também
no Exame Nacional do Ensino Médio e pensando nisso eu decidi dividir a nossa conversa em três perguntas Chaves que vão te ajudar a estabelecer uma visão crítica sobre a obra e também te ajudar caso você vai fazer alguns desses exames Então vamos PR as perguntas Afinal quem é Carolina Maria de Jesus bom Carolina nasceu em Sacramento em Minas Gerais em 1914 isso é muito importante porque veja a escravidão no Brasil acabou há pouquíssimo tempo em 1888 e Carolina guarda nas suas memórias os resquícios né e as histórias que ela lembra que a sua mãe a
sua família viveu nesse período pós-escravidão porque é muito importante a gente lembrar que a escravidão ela vai acabar no papel mas essa população nem sempre tem como fugir e construir sua família sua vida num outro Território que não A da cala e é nessa construção nessa configura ação numa Minas Gerais que tem uma tradição Mineira de escravidão que Carolina vai nascer em 1914 e o mais interessante nessa história é que ela vai frequentar a escola somente por 2 anos mas ela vai ser uma grande leitora E aí eu digo para vocês guardarem essa informação então
em 1937 ainda muito jovem depois do falecimento da sua mãe Car resolve não é bem resolver a vida né empurra Carolina do interior pra grande cidade e a gente tem que lembrar o que que tá acontecendo no Brasil nesse momento né um forte êxodo rural as pessoas do interior indo pras cidades sobretudo Rio de Janeiro e São Paulo enquanto polos né e econômicos políticos daquele Brasil contemporâneo e em 1937 Ela vai para São Paulo e vai diretamente para favela do Canindé que é uma favela que não existe mais hoje fica ali na região da margem
do rio Tietê mas que naquele momento era considerada uma das primeiras grandes favelas da cidade de São Paulo então Carolina ela vai morar numa casa precária né não não era de alvenaria era de tábua e vai ali construir a sua visão de mundo que vai ser inclusive muito importante na verdade definitiva para transformar esse esse livro num grande bestseller que ele foi e isso me leva à pergunta número dois quais são as características da obra importante para você que vai fazer o Enem e o vestibular como eu falei o gênero desse livro é diário ou
seja tem algumas características como a escrita de si a voz autoral a cotidianidade mesmo que não tenha sido escrito todos os dias tem uma linearidade temporal cronológica ali né o o primeiro relato é em 55 o último inclusive é primeiro de janeiro de 60 outro dado muito importante né dessa característica que é o fato da escrita de Carolina quebrar estereótipos posso dar aqui o nome de vários autores negros desse período anuncia da experiência genuína de alguém que vive a miséria que vive a pobreza que vive a subalternidade isso causa uma quebra de estereótipo e inaugura
um lugar muito inédito na literatura brasileira desde então então essa metáfora de quarto de despejo significa o quê que é aquele espaço que a sociedade coloca aquilo que não quer mais coloca aquilo que não serve aqu aquilo que não interessa a favela do Canidé é o quarto de despejo se o Canidé se as favelas são quarto de despejo o centro é a sala de jantar e essa metáfora do quarto de despejo nos leva a uma outra característica da obra e é considerada a grande característica da obra Então se você for fazer vestibular você não pode
esquecer dessa característica que é qual Justamente a temática da fome e a gente consegue ver isso muito bem no treo em que ela fala é o treo de 26 de Maio em que ela diz só vou ler um pequeno trechinho amanheceu chovendo eu ten só quatro cruzeiros e um pouco de comida que sobrou de ontem e uns ossos fui buscar água para os os para ferver ainda tem um pouco de macarrão eu faço uma sopa para os meninos vi uma vizinha lavando feijão Fiquei com inveja faz duas semanas que não lavo roupas por não ter
sabão então eh não sei vocês mas eu fico muito impactada porque a gente não vive efetivamente Essa realidade né não tem como você ler esta obra quarto de despejo sem sair ali eh aprendido sem entender uma nova Face de um Brasil tão difícil então acaba que ela fala muito muito essa frase né a fome é professora né e de alguma forma acaba que a gente leitor aprende com a fome de quem tem fome e ainda nesse Campo da linguagem da violência eh a relação de Carolina com os vizinhos é sempre muito ambígua porque ao mesmo
tempo que eles guardam os valores africanos de comunidade Então isso é muito comum nas favelas até hoje né não não é não foi perdido e isso fica ainda mais forte depois que o livro é publicado e os vizinhos não gostam da forma como Carolina os retrata justamente por quê Porque as pessoas não gostaram de serem retratadas na sua versão mais animalesca na sua versão mais violenta na sua versão mais desumana na sua versão mais realista e vocês lembram que eu falei que Carolina era uma grande escritora Pois então a gente consegue perceber isso pela escolha
estética que Ela utiliza na sua escrita Apesar dela ter dificuldades ortográficas né que a gente costuma chamar de prets né O que que é o prets é a língua portuguesa bantu tizada ou seja atravessada por falares africanos e atravessada pela deseducação e isso é muito importante por quê a a mesmo tempo em que você vai ter por exemplo nesse trecho que eu li em que ela escreveu vizinha com s né que os mais puristas diriam que isso é um erro gramatical terrível né ela vai trazer metáforas poéticas absurdamente bonitas que mostra que ela teve sim
uma leitura de poesia ela vai criar imagens estéticas extremamente criativas que a gente consegue perceber que teve uma base de ura outra coisa interessante abrir um parênteses bem rapidinho é a forma como al Dálio conhece Carolina ele estava fazendo uma reportagem porque ele era jornalista e de repente ele ouviu duas mulheres brigando gritando ali na porta da favela e uma das mulheres falou pra outra se você continuar assim eu vou te colocar no meu livro e aí audálio fala livro Como assim livro E é assim que ele conhece Carolina Maria de Jesus que ele diz
que no momento em que ele perguntou para ela quem ela era e ela disse sou uma escritora e ainda bem que essa discussão chamou a atenção do editor porque já na estreia quarto de despejo vendeu 30.000 exemplares e as duas edições seguintes Venderam 100.000 exemplares e isso nos leva a terceira e última pergunta que é qual o impacto de quarto de despejo na literatura brasileira Apesar dessa presença Negra aqui e ali na nossa literatura é bastante inédito essa voz né da subalternidade a voz da Fome uma voz com muita consciência política há trechos da obra
em que ela fala de Jano quadros né ela fala de outros políticos ou seja quebra um pouco com esse olhar estereotipado e classista de que os subalternos são Alien desde a educação que repetidamente volta à tona no livro como um lugar de possibilidade de oportunidade de saída da miséria né são vários os trechos em que ela relata parar tudo para levar as crianças à escola quando o filho vai mal na escola ela pune essas crianças porque ela ela eu acho que todos os brasileiros porque esse é um é um uma informação comum é um senso
comum de que a educação salva o Outro ponto interessante pra gente pensar a recepção da obra não só na literatura brasileira mas na literatura Universal é o olhar europeu e americano pro Brasil e isso por quê Porque quarto de despejo O Diário de Uma favelada ele é um Marco civilizatório no campo dos estudos culturais no Brasil não é apenas uma literatura mas é um modo de ver a vida um modo de enxergar esse país que é até hoje cindido difícil complexo autoritário e por isso que eu considero Carolina Maria de Jesus uma autora singular e
te convido a ler quarto de despejo não só ler para você mas Leia pros outros Leia paraa sua mãe Leia pra sua avó distribua esse livro no Natal no aniversário porque é uma literatura que muda a nossa visão de mundo é muito muito difícil você ler essa obra e você continuar sendo a mesma pessoa e é por isso que esse livro ele é celebrado como uma das 200 obras mais importantes da nossa literatura então leia divirta-se E como sempre eu gosto de lembrar a literatura musculara a nossa inteligência grande abraço e até a próxima tchau