Nair Jane de Castro Lima Uma Mulher trabalhadora é hoje com os seus 90 anos aqui nesse cantinho Mas ainda gosto de ajudar os outros de conversar de transmitir um pouco do que eu fiz do que eu aprendi e que eu não fiz sozinha eu sempre Precisei de alguém junto de mim eu não sou Augusto dos Anjos alguns dos Anjos aquele aquele poeta que só falava eu eu eu eu não sou ele eu sou Nair sou de uma família pobre nasci no Maranhão não sei como é que eu cheguei aqui não sei sim eu fui como
eu cheguei em Minas Gerais essa história eu não sei é um período da minha da minha infância que eu não sei contar mas dá de Minas Gerais para cá eu sei bem eu vim de lá fui trabalhar trabalhar numa casa que era como se brincasse né porque eu era uma eu tinha nove anos a menina tinha seis e o menino tinha cinco e a gente eu levava ele para escola para o colégio deles e ia para o meu né porque a justificativa de ouvir para o Rio para aquela casa era que eu estudasse e eles
cumpriram isso na reta eu não tinha eu não sabia esse negócio de salário mas eu não tinha salário a casa tinha muitos empregados e eu só meu serviço era só brincar com as crianças eu não amava nem a minha roupa Tudo tava caía certinho na minha nas minhas mãos e isso durante anos 11 anos eu disse ah para patroa não tem razão de eu estar aqui na sua casa esses meninos já viraram os moços eu vou procurar uma outra casa para trabalhar ela e o médico da família resolver arranjar um emprego para mim arranjaram um
emprego para mim para mim tomar conta de um menino e essa família com essa família eu viajei bastante essa família enquanto o menino não cresceu até os 10 anos eu acompanhava todos os lugares que diziam aí eu ganhei bastante dinheiro com isso viu porque quando nós estávamos fora do Brasil eu recebi o dinheiro no valor da do local então era muito bom e foram 37 anos eu entrei como babá sai como governanta quando você fala da Nair Jane ela é me agregou ela é a mulher que transcende a ancestralidade das lutas das mulheres especialmente trabalhadoras
domésticas ela cria junto com outras mulheres no sindicato o sindicato das trabalhadoras domésticas que tem uma história linkada muito forte com as mulheres e mulheres negras majoritariamente da Baixada Fluminense que até hoje saem da Baixada dos seus 13 municípios e vem para o Rio de Janeiro eu nunca quis ser empregada doméstica sempre eu trabalhava e faxineira então eu via de cozinheiras e laço de mano as outras empregadas que não tinha carteira assinada aí eu falei assim um dia eu ainda vou lutar por essas domésticas Elas têm a carteira dela assinada a maioria das trabalhadoras domésticas
ela não gosta de ser trabalhadora doméstica ela tem vergonha porque a sociedade fala que trabalha doméstica é trabalho não é trabalho né então a gente bota isso na cabeça e acha que é vergonhoso graças a Deus hoje em dia consciente eu sei que trabalho doméstico é um trabalho como outro qualquer não sabia que existia esse negócio de empregada doméstica uma vez passeando com um menino na Copacabana eu vi um papel assim escrito minha patroa é a mais bonita e negócio que minha patroa é mais bonita é essa aí descobri que tinha um programa tava um
concurso do Flávio Cavalcante fazendo uma para uma um concurso lá mas não era empregada era minha patroa era mais bonita Então as empregadas votavam na patroa 1972 cheguei lá tava aquele aquele essa claridade toda maior que aqui né e o Flávio Cavalcante fazendo a propaganda dele foi bonito elegeram lá uma madame eu não conhecia ninguém né passei a conhecer as meninas e elas me convidaram para mim conhecer a associação profissional de empregadas domésticas falei ah existe isto então é bem era em Botafogo na Rua Álvaro Ramos E aí me convidaram que todo domingo tinha reuniões
na parte da tarde e que se eu quisesse participar seria muito bem-vinda comecei a participar em 1973 foi Eleita presidência nós fazíamos encontros até algumas fotos aqui mostra o sindicato de Nova Iguaçu porque antes do sindicatos Nova Iguaçu era uma espécie um núcleo desse do Rio de Janeiro nós íamos duas vezes semana eu aldete Conceição que está ali que já foi a Maria dos Prazeres nós íamos fazer reunião com pessoal com pessoal lá em Nova Iguaçu mostrando a importância que já tinha uma uma direção grande mas na luz e ainda não estava nessa direção aí
depois a luz entrou aquele pessoal saiu a luz entrou E aí voltou para frente que as coisas acontecesse quando veio a constituição quando 1988 o primeiro sindicato a ser oficializado foi de Nova Iguaçu no mesmo ano a gente oficializou aqui cuidava de Sindicato e cuidava de emprego assim com todas as outras até hoje é assim também e tem que dar conta do seu trabalho da sua casa e do sindicato Quantas vezes a gente cansa né de estar numa Claro com esse o cansaço toma conta da gente e aí a gente vê uma pessoa com a
idade da Nair Jane né desenvolvendo um trabalho maravilhoso junto ao cedinho junto ao Conselho Municipal do direito da mulher todas as atividades realizadas dentro da Superintendência a Nair onde estava junto com a gente ela sempre foi parceira da gente em Tudo tava falando com ela esses dias pelo amor de Deus eu não quero que você tenha um arranhão porque nós precisamos muito de você nessa nova direção que tá entrando agora estamos iniciando agora uma direção no sindicato e precisamos de mais de mais gente porque ela é uma referência no nosso meio Quanto tempo né [Música]
eu subia nessa nessa foto participava de um grupo de doméstica numa igreja lá do bairro onde eu trabalhava e um dia tinha umas moças lá de fora entregando os papéis né Aí eu peguei um deles e guardei na bolsa por um tempo lá ir um dia resolvi olhar aquele papel e vi a associação profissional dos trabalhadores das empregadas domésticas do Estado do Rio de Janeiro etc aí venha nos visitar a nossa sede fica no meio Comprido número meu assim eu fiquei pensando médica tem uma sede Associação vou lá um dia e vim para de curiosidade
para conhecer e tudo mas cheguei aqui chegando aqui eu gostei de ver as séries das pessoas receberam pessoas foram educadas e uma coisa que me chamou atenção foi que eu vi na parede umas coisas assim um quadro antes do mês não é a da sócias eu aí fiquei pensando bom isso é importante isso é bom porque a doméstica ela faz aniversário mas Ninguém liga ninguém pergunta ninguém lembra de nada voltei a estudar para terminar o concluir o ensino médio e voltei a estudar aí na minha escola onde eu estudava uma amiga que trabalhava também casa
de família E fica já conhecia esse sindicato me convidou para ir numa missa e nessa missa eu fui e ficamos o dia lá que era a missa da trabalhadora doméstica e nessa missa eu conhecia uma parte das meninas que continuam aqui outras já morreram e conhecia né Jane ah diocese tava trabalhando ali com o pessoal da favela e com as trabalhadoras domésticas E aí comecei a frequentar essa reunião fora da favela guerra na paróquia e ali e foi lá que assim que eu conheci anah Jane eu não a conhecia pessoalmente mas conhecia pelas matérias pela
imprensa pela luta pela luta das empregadas domésticas pela criação do sindicato E era uma mulher que com quem eu tinha uma admiração enorme e a maior vontade de conhecer pessoalmente eu chamo ela de tia porque ninguém me chama ninguém me chama de vó aqui todo mundo chama de tia mas eu é meu bisneto ele a mãe dele que é minha neta e aquelas aquelas sobrinhas dele são minhas tataratas ela é uma pessoa carismática gosta muito de criança das balas dela todo dia da bala para essas crianças e a vida dela é essa ir para o
trabalho voltar e quanto presidente da Comissão especial de violência contra mulher do Cetim ela não faltava uma não faltou uma reunião ela vem de ônibus nada para ela é obstáculo para Que ela possa cumprir o seu papel na sociedade ela tem mais de 70 anos de vida pública e ela também viajou muito pelo mundo levando né o trabalho do Sindicato das empregadas domésticas em 88 com ajuda de várias organizações internacionais foi criada a Confederação latino-americana detravadora de lugar de América Latina e entre os representantes do Sindicato dos sindicato sindicalistas várias países foi anais Jane Quais
foram as viagens que você fez como Sindicalista primeira viagem foi a nível aqui no Brasil mesmo que a gente já conhecia 1968 ele o Congresso Nacional de empregadas domésticas em Belo Horizonte Essas bonecas aí de alguns países que eu Visitei eu ganhei bonecas viagem fora do Brasil a primeira foi na Argentina eu fui representar o Brasil no conesul como Sindicalista quando foi essa 1983 aqui foi lá na Guatemala nós estávamos no último congresso que eu participei da Confederação latino-americana e do Caribe como representante do Brasil eu tenho aquela Caneca ali 1991 gente você já imaginaram
nós estamos em 2022 era a única de Los Angeles viu eu fui lá fazer uma palestra era um seminário que tinham várias pessoas e que diziam que lá não tinha empregada doméstica eu encontrei muitas domésticas lá ai eu tenho meu corpo ali porque eu sou Fluminense [Música] 1995 eu fui para a uniforme bancou para mim ir para China para representar não o Rio de Janeiro não Brasil para representar América Latina na quarta conferência mundial da mulher lá na China eu tô aqui trouxe a foto acho que é bacana resgatar essa história quando o Lula e
a Benedita da Silva que era trabalhadora doméstica depois enfim também conheceu e sabe dessa história da Nair Jane os dois fazem a minha filiação ao partido dos trabalhadores em 1984 mas também já nesse período em 84 junto com Nair Jane junto com o sindicato das trabalhadoras domésticas e com Fórum de mulheres e com as lutas das mulheres no estado do Rio de Janeiro a gente já desenvolvia a resistência era o a cereja do bolo do MDB e eu ficava assim eu vou trazer ela não pode beber tá cuidando nada trabalhadora doméstica não tá nem aí
não não eu vou trazer ela para perder Aí eu fazia é muito isso digo Mas conseguimos Ela acabou acabou vindo vindo para o PT eu e o Chico Alencar aqui 1993 ele era candidato a prefeito do Rio de Janeiro e eu candidato a vereadora a Benedita queria muito que eu fosse vereadora mas eu não estava querendo muito também não que a gente tem né já historicamente registrado é a persistência de um trabalho doméstico que tem sido muitas vezes formas de subserviência das mulheres mas ao mesmo tempo são formas de sobrevivência dessas mesmas mulheres que não
encontram no mercado de trabalho espaço para outras atividades então o trabalho doméstico talvez até hoje ainda seja a área que mais emprega mulheres poucas são as mulheres que tem né o contrato formal de trabalho a carteira assinada com acesso a todos os direitos as pesquisas ainda a ocupação o melhor com menor remuneração Então é porque a sociedade não considera esse trabalho como um trabalho recente o impacto no PIB do trabalho doméstico é de 11 a 12% do ponto de vista econômico isso é uma coisa muito alta e mesmo a profissão regulamentada a gente percebe a
não valor ação desse trabalho tão fundamental a empregada doméstica é vista da grande maioria das casas como ser secundário entende ele é aquela mulher prepara comida coloca na mesa limpa a casa vai faz isso tudo e a patroa diminui que é uma coisa séria se esta mulher é negra esta questão é muito mais séria mulheres oriundas de favelas mulheres oriundas de comunidade de periféricas o número de mulheres de mulheres negras que saem da Baixada Fluminense e que vão trabalhar o que vem trabalhar na Cidade do Rio de Janeiro é enorme a nossa categoria vem assim
a elite diz que é um trabalho veio lá da Senzala né da casa grande então até hoje a sociedade diz que a gente tem que fazer o trabalho porque nós temos para isso e não é bem assim né o trabalho doméstico é um trabalho como outro qualquer então a gente ajuda as trabalhadoras domésticas a valorizar o seu trabalho tem pessoas que não dizem assim a empregada que trabalha na minha casa ela trabalhadora fala a fulana que me ajuda sabe então é uma ajuda que uma mulher geralmente Negra faz na casa de uma família não é
considerado um trabalho que se valoriza um trabalho importante o serviço doméstico organizado as trabalhadora Domésticas em geral tem um problema muito sério que é ambiguidade entre o patrão e o amigo existem casos que vieram à tona né atualmente sobre mulheres que trabalham desde meninas nas famílias e aí são consideradas membros da família e sobre esse pretexto de ser membro da família essas mulheres não recebem salário elas vivem a vida inteira né como se fossem agregadas ainda muito dentro daquela ideia da escravidão mesmo né de servir a família e ao mesmo tempo a família considerar essa
mulher o membro da família né que é uma forma de negar direitos né Tem um assédio é muito forte na nossa categoria que assédio moral ah você é quase da família aí uma trabalhadora carente e semi analfabeto ela ela bota isso no coração aí quando o patrão chega perto que a trabalhadora fica idosa e doente ele manda embora e ela não entende isso como é que um quase da família vai mandar um antes da família embora e elas guardam isso no coração e elas ficam doentes elas adoecem não desde o tempo que a Nair era
criança e trabalhava como babá de outras crianças né quer dizer uma menina negra que tinha então a função de cuidar de outras crianças é ela que deveria estar brincando que deveria estar estudando tava trabalhando como babá embora ela ela conte que ela estudava também né que essa família que que a trouxe para ser empregada também cuidava dos estudos dela antes antes eu tinha casa comida mas era bom porque eu pude estudar então eu vou dizer para todo mundo tudo que eu aprendi foi naquela primeira casa onde não tinha salário essa relação que fica muito dúbia
né em relação a relação das empregadas domésticas nas casas das famílias fica uma relação muito dura certa da família ou se é uma trabalhadora então ainda hoje na nossa cultura tem essa confusão porque isso de confundir família trabalhador da fábrica sai às 8 horas pronto sai ele vai ao sindicato ele não sente nenhum remorso de tá pedindo um salário justo a trabalhadora doméstica aceite um dia ela brigou comigo falou para mim todo mundo aí essas moças aí dão entrevista das casas que trabalha e diz que é da família você diz que não é da família
você não fala mas eu não falo por umas razões eu tenho salário eu preciso autorização para trazer alguém aqui na sua casa eu preciso todo mês você me paga Eu tenho uns dias aí que são férias então não sou da sua família e tá tem um outro detalhe eu sou negra você é branca é alemã tenho certeza que se acontecer alguma coisa eu não faço parte dessa a herança é só do seu filho aí não entrou no movimento de trabalhadora domésticas organizadas como muitas outras por coisas sofridas nas relações individualizadas patroa e empregada ao contrário
ela foi por mais de 20 anos empregada de uma mulher que ela gostava muito essa mulher viajou com naijane pela Europa por vários lugares Deu presentes caríssimos para najane a casa que a nayjane hoje foi essa patroa que deu só que a patroa quando morreu e Anahí veja as Ironias do destino ela que estudava tanto e participava de cursos de Formação aqui no sindicato de Nova Iguaçu de formação sobre direitos com as outras empregadas ela esqueceu um pouco dos direitos dela então ela não tinha os papéis dela porque ela amava muito a patroa patroa era
muito boa a patroa deixava ela participar de tudo só que a patroa morre e o menino filho da patroa que ela criou com carinho e tudo a nora disse eu não quero você mais aqui em casa porque agora quem manda aqui sou eu despediu a najane depois de quase 30 anos eu me lembro que eu quase casei E aí aquele aquele noivo que era não era noivo mesmo noivo mesmo essa aliancinha aqui tem 50 anos no meu no meu dedo era minha nelsinha de noivado e eu joguei a de ouro lá no naquele Córrego do
Leblon ali da guardei essa pequenininha Então essa pequenininha fica aqui nunca mais fez o dedo mas não casei porque ele me parece com um bebezinho e disse para mim assim ó é para você criar eu quem vai criar é a mãe não eu ah não mas eu vou casar com você Falei que você vai casar com ela não mandei Ah eu não podia fazer essas coisas com você fiz com ela então é com ela que você vai casar e aí acabei o meu noivado ali tinha uma viagem marcada para França que eu disse que não
ia cheguei em casa e disse para tu eu vou para França fiquei dois anos fora do Brasil quando eu voltei tinha lá uma pilha de cartas de telegramas não abri nada fiz uma fogueira não sei o que tava escrito acredito que nós o bairro Vamos colocar assim começamos a a entender e até mesmo se interessar por essa luta através dela até porque muitos não sabiam não sabiam que eu tinha dito muitos trabalhava e não sabia ele tinha direito e já me passaram já pararam na rua e pergunta para você é sobrinha da Regiane sim poxa
eu tô com problema com a minha patroa eu acredito que ela consegue me orientar de alguma forma ele com certeza pode ir no sindicato que tinha um sindicato aqui ou melhor tem o sindicato aqui e a gente sempre orientava a pessoa ir lá para conversar com ela é complicado você chegar perto de uma trabalhadora semi analfabeta e falar para ela assim levanta a cabeça fala de igual para igual você não é menor do que ninguém se você tem condições de fazer o trabalho que você faz você tem condições também de negociar o trabalho que você
faz então é difícil mas não é impossível na batalha conseguimos a lei do FGTS ideias de terceiro e férias e tudo e graças a Deus sempre junto com a Jane se eu trabalho a semana inteira o mês todo e não ganha o suficiente Porque que no dia da minha folga eu vou ganhar mais para perder minha folga então eu quero ganhar mais durante a semana e os fim de semana eu quero liberdade para estar com minha família com meus amigos com meu sindicato minha Pastoral com minhas coisas quando a lei a primeira lei chegou 5859
de 1972 foi razão de uma uma carta e uma das meninas que está aqui escreveu promete Mas escreveu para a esposa dele ele era o presidente da república em plena ditadura militar pedindo alguma coisa para empregada doméstica porque eles tinham que empregada empregada doméstica não era nada centena ditadura militar nós conseguimos a nossa primeira legislação como trabalhador como empregada doméstica ainda era empregadas domésticas e foi graças ao trabalho da Nair e de muitas outras mulheres trabalhadoras domésticas que finalmente em 2015 no governo da presidenta Dilma Rousseff não por acaso uma mulher também que finalmente os
direitos das empregadas domésticas foram regulamentados na lei né é aprovada naquela naquela data sobre os direitos das empregadas domésticas nós tivemos uma assinatura de uma lei uma lei colocando todos esses direitos para as empregadas domésticas ou seja fruto do trabalho delas pessoas das classes médias essa classe média burguesa não aceita a questão da empregada doméstica ter tido sua profissão regulamentada PT não entende que classe média não vai poder arcar com esses direitos então é preciso que a gente ou digo Olha isso não é problema da trabalhadora doméstica que a gente vai trabalhar na casa do
quem pode quem não pode vai para cozinha eu vou ah inclusive quem diga que uma das questões graves que a Dilma enfrentou com a classe média em 2014 passa por ela sancionado a lei da empregada doméstica em abril de 2013 eu acredito que essa questão que ela abraçou da trabalhadora doméstica criou um probleminha para ela porque eles pediram para ela não sancionar e ela funcionou e ela disse não eu quero que as trabalhadoras domésticas tenham os direitos iguais aos demais trabalhadores a cozinheira da doméstica com a cozinheira do restaurante é isso que eu quero e
ela assinou foi uma festa tem muitas trabalhadoras domésticas que elas estão sendo prejudicada porque nem todas elas sabem os direitos delas Nem todas elas sabem fazer os cálculo e nem todas vem buscar os direitos no sindicato quando a primeira legislação veio essa essa rua aqui de uma filha até lá embaixo todo mundo querendo ficar assim como a gente atendia de segunda a sexta sentada aqui nessa cadeira gente das 8 horas da manhã às 5 horas da tarde Tinha dia que não tinha tempo de tomar um copo d'água lá a gente conseguiu esclarecer e Influenciar muito
a luta para conquista dos direitos que ainda não tinham vindo completos tem colegas que se diz não eu não sou doméstica eu sou diarista mas eu não sou doméstica não é possível eu sou diarista faz tudo que há que há efetiva faz e não é doméstica eu tinha vergonha de ter ser empregado doméstico então eu não queria ter a carteira assim só trabalhava diariamente eu não tenho direito nenhum porque as diaristas nesse país foi uma forma que o Brasil fez de burlar a convenção sobre os direitos das trabalhadoras domésticas foi criado a figura da diarista
não tem carteira assinada trabalhar um dia na casa não dá direito a carteira assinada trabalhar três dá mas nem sempre nem sempre as companheiras querem suas carteira assinada ainda diz assim não vou sujar minha carteira depois quando chega no sindicato Ah mas eu vim aqui ver os meus direitos hoje em dia então elas não querem se sindicalizar porque ela já só eu ouvi uma resposta de uma quando vocês conseguiram alguma coisa coisa para vocês é para todas nós então elas esperam só que o sindicato lute só muito só que a gente diz para elas o
sindicato sozinho não pode as questões do trabalho doméstico assim da importância da Nair foi ela ter justamente começado essa organização dos trabalhadores domésticas tirado um pouco dessa naturalização de um trabalho praticamente escravo porque é um trabalho em troca de casa e comida e os direitos trabalhistas tudo isso foi Anair que começou a organizar primeiro em Associação de trabalhadores domésticos depois sindicato e daí a importância dela e principalmente isso dela ter sido a primeira mulher mulher negra a tomar alguma Providência nesse sentido para tirar dessa naturalização e dessa desvalorização todas as conquistas tem as digitais da
palavra de uma mulher da Periferia de uma mulher que nunca deixou o berço onde nasceu é falar de uma Mulher trabalhadora de uma mulher que tem a luta dentro do seu próprio sangue a resistência Anahí é uma pessoa é que combina né a força e a doçura e isso às vezes São qualidades difíceis né de se encontrar numa mesma pessoa falar de maizena é muito fácil né não precisa nem texto mas Jane é o texto em pessoa na minha opinião mas é nenhuma uma referência é uma primeira dama né Toda vida foi uma militante atuante
no sindicato das domésticas no movimento de mulheres não movimento das associações de moradores porque também ela leva as associações este debate que não fica só aqui dentro dessas paredes Então ela multiplica todo o conhecimento que ela tem a luta dela é real é luta de alguém que sofre das mazelas desse mundo contemporâneo que vivemos ela foi do trabalhadora doméstica desde os nove anos de idade ela começou assim sendo Babá e isso mostra bem Como que a nossa cultura entende o trabalho doméstico como alguma coisa natural das mulheres e quase que uma obrigação das mulheres que
as mulheres teriam naturalmente esse talento para os trabalhos domésticos para o cuidado cuidado com a casa cuidado com a família cuidado com as crianças com os idosos então por isso mesmo tão desvalorizado né ser uma obrigação ser um talento natural de uma mulher ele não precisa ser um trabalho valorizado financeiramente e a Nair viveu isso essa foto aqui é histórica viu aqui era minha mãe minha mãe de criação porque eu não conhecia mãe biológica isso aqui sou eu e um menino que Deus já levou pequenininho aqui em Campo Grande da minha comadre que dizem que
eu sou da família deles minha amizade possibilitou uma outra questão que foi o feminismo certo nós temos que trabalhar esta mulher que quer esse direito mas ela também é mulher e ela como mulher ela quer ter esse direito isso foi uma coisa inovadora ela é uma doméstica feminista e que luta por causas que as mulheres estão brincando ao longo do Brasil sempre foi uma mulher muito muito consciente né do papel que ela tinha que desempenhar que não era apenas o papel de estar na casa do outro fazendo a limpeza a faxina mas era sobretudo está
na casa de todas as trabalhadoras domésticas fazendo a faxina do preconceito fazendo a faxina da falta de direito conscientizando chamando para luta porque hoje são muitas mas naquela época ter botado a cara na rua como botou najane não era um tampas não a sorte que tiveram foi que muitas trabalhadoras sindicais centrais sindicais Assim como nós feministas o movimento de mulheres no Brasil também agarrou essa luta para si também achou que essa não era uma luta somente das trabalhadoras domésticas ela era uma luta de todas as mulheres brasileiras que lutavam por direitos que lutavam por igualdade
que lutava por trabalho Digno quando eu estou na reunião da comissão de segurança no meio daquelas mulheres que são doutoras e você ali representando a classe das empregadas domésticas as trabalhadoras domésticas e a sua sabedoria em ouvir aquelas mulheres em algum momento você dá uma opinião ou às vezes até dizer assim gente eu tô ouvindo tudo isso mas eu lamento e peço desculpas por eu não poder opinar mas eu estou aprendendo nesse momento eu acho que você de uma grandeza se essa mulher tivesse tido os privilégios que eu tive de [Música] filha de classe média
com doutorado pós-doutorado e viagem ela teria escrito muito mais do que eu de qualquer outra pessoa que a memória e a participação política ela é boa como pessoa e é uma ativista política nada em 2019 a nossa querida Nair Jane foi premiada na alergia eu comprei leu linda Dalton não é entregue as mulheres de destaques na luta por outras mulheres na nossa sociedade foi uma coisa incrível o discurso que a Nair Jane fez de agradecimento da simplicidade da generosidade dela por aquele acolhimento só que foi em 2015 eu era conselheira aqui do cedinho nessa época
e nós estamos passando por uma situação muito difícil os projetos do cedim estavam em atraso então nós fizemos um grande encontro lá na assembleia na alerj com o presidente da alerj na época para reivindicar um auxílio para pagar os funcionários dos projetos e dessa casa aqui cedinho e a naigjane como sempre tava lá presente nos ajudando nessa batalha conseguimos eu me esperei nela mesmo porque guerreira trabalhadora sempre me incentivou a nunca desistir das coisas que eu quero meus sonhos entendeu sempre acordei cedo sempre fui batalhador graças a Deus graças ela também é um incentivo dela
ela é muito batalhadora sabe e teve e teve uma vida difícil porque quem foi trabalhadora doméstica sabe que a vida da gente foi difícil e ainda nós temos gente que está né em cárcere privado este ano já houveram 20 denúncias de trabalho escravo envolvendo trabalhadores domésticas que estavam há 10 20 anos sem poder sair de casa muitas brasileiras não sabem que a escravidão já terminou Principalmente no trabalho doméstico escravizadas nunca mais foi um seminário que foi feito no sindicato de Nova Iguaçu das empregadas domésticas e foi muito bom porque agora na pandemia vocês viram quantos
domésticas estão sendo resgatados aí do análogo à escravidão a pandemia foram as que mais sofreram na pandemia foram as trabalhadora domésticas com desemprego Não é azar é muita emblemático que a primeira vítima da pandemia que morreu da pandemia tenha sido uma empregada doméstica que os patrões chegaram de viagem e não avisaram a ela que eles tinham testado positivo ela morreu e eles não inteiro não perguntou onde eu ia falar para mim a sua entrada é lá e eu entrei e aí quando cheguei lá ela perguntou porque você veio por aqui no elevador de serviço né
Eu disse porque o seu porteiro mandou aí Ela desceu brigou com ele ele falou ah ela não falou onde eu falei assim não perguntou o senhor disse para mim que a minha entrada era lá basta de discriminação porque muito sério muito sério porque ela foi vítima de racismo eu fui vítima de racismo no Brasil e nos Estados Unidos eu dizer 1900 1973 eu fui para os Estados Unidos era a garota e quando eu fiquei um ano e dois meses Estados Unidos com a minha patroa mas quando eu voltei eu disse que eu não voltaria mas
os Estados Unidos por causa do racismo mas quando eu cheguei aqui não eles me deram um título eles não me deles disseram ela desbotada Ave Maria eu não entendi desbotada eu digo Uai mas eu suposta você passa e eu me considero Negra mas pode me chamar de padre mas desbotada eu então era desbotado eu não podia entrar no ônibus que eles me deixavam na roleta eu não passava para frente foi isso 1900 1972 tem família que só quer empregada Branca tem família que coloca lá certinho lá não quer Negra porque tem uns anúncios Então faz
aqueles alunos faz aqueles pedidos e colocam lá empregada branca mas tem algumas pessoas que não quer a branca tem algumas pessoas que não quer branco tem algumas pessoas que a negra mesmo aí eu até me até na casa que eu trabalhei as cozinheiras tinham que ser negras aquelas negonas mesmo que dizer que a comida era mais gostosa acredito que essa ideia de cidadãs de segunda categoria presentes na nossa sociedade até a constituinte ela foi derrubada pela força política das mulheres e a Nair contribuiu imensamente nesse processo todas as lutas que nós travamos pelas Diretas Já
a luta para eleição para presidente né a constituinte livre Soberana pela volta todas essas lutas estivemos juntos e nas Jane sempre como hoje ainda né se encontra na luta junto com eles e a gente passou aí ter direito de ganhar um salário a gente também passou por lei a ter direito aviso prévio descanso semanal férias não porque férias Nós já tínhamos quando a gente ouve assim dizer que a sociedade brasileira ainda não ainda não se adaptou ou ainda não acostumou ainda não esqueceu os requisitos da escravidão Então acha que a trabalhadora doméstica não merece esses
direitos não merece essas conquistas eu senti que eu não queria ver outras companheiras como eu trabalhasse sem salário durante 11 anos eu achava uma injustiça aquilo que queria que a justiça fosse feita mas sozinha também eu não podia E aí na constituinte a gente teve aquela luta de ir para Brasília de brigar com patrão e foi exatamente nesse processo de estar com as trabalhadoras domésticas de estar com algumas deputadas como por exemplo a deputada Benedita da Silva que agarrou essa questão como uma uma luta prioritária para ela dentro do congresso nacional né fazer com que
a Constituição Brasileira reconhecesse né o trabalho doméstico em todos os amplitudes dos seus direitos etc na constituinte então aí elas deitaram enrolaram né porque aí Elas disseram Olha nós queremos nosso direito de se dar seu jeito aí Jane foi de uma importância de organizar as mulheres às vezes não tinha é como ir ou então aonde ficar né Aí eu abri lá em casa digo entra ficam aí outras dormiam praticamente que terminava de madrugada né as sessões na noite que eles votaram a constituição 1988 nós ficamos naquele plenário até 3:45 da madrugada e eles não votavam
eles investiam sempre a pauta quando estava chegando ali para voltar quando a doméstica eles olhavam lá para cima a gente tinha uma roupa escrito serviço doméstico é cidadão um dia nós enchemos a Esplanada dos Ministérios e a intenção não passou de linha aí fica todo mundo foi embora ficamos quatro ficamos uma semana lá em Brasília aí nessa uma semana um dia alguém disse que tinha sem domésticas e nós eramos só quatro Mas nós nunca estávamos as quatro juntas nós ficavamos espalhadas uma lá uma cá então eles viu muitas domésticas mas era uma das mesmas a
fotos há momentos lindos onde as domésticas estão dentro do congresso nacional entregando né ao presidente da constituinte o Deputado Ulisses Guimarães uma carta com as suas reivindicações né a uma foto muito bonita da nairjane liderança dessa empregadas domésticas Face a Face com o presidente do congresso nacional entregando a eles as demandas e recebendo do Deputado Ulisses Guimarães o compromisso de incluir o direito das mulheres trabalhadoras domésticas na Constituição Brasileira e essa promessa foi cumprida a Constituição de 1988 previa a regulamentação da função de empregada doméstica desta profissão no entanto não saiu não saiu o problema
foi que as empregadas domésticas foi uma derrota que nós tivemos da constituinte eu diria que nós tivemos duas derrotas pesadas a derrota com relação à questão do aborto e a derrota com relação a não incorporar domésticas na como uma trabalhadora precisava tirar uma uma parágrafo do artigo 3 que permite que reconhece que podia reconhecer a trabalhadora doméstica quer dizer isso não foi feito em nenhum momento por preconceito foi depois depois de muitas lutas de continuidade dessa luta que veio a regulamentação da no governo Lula durante a gestão da ministra nilceia Freire Nossa Saudosa ministra falecida
que nós tivemos a garantia da lei da profissão das domésticas poucos meses atrás nesse grande movimento de leitura da carta em defesa do Estado democrático de direito eu convidei na ir para ler a carta em praça pública né ali na naquele que chamam o buraco do lume embaixo da estátua da Marielle Franco e a Nair leu a carta né E era um dia até chuvoso com o vento e lá foi a Nair ela vai aos compromissos Ela leu a carta pela democracia carta que nesse momento estava sendo lida em São Paulo para todo o Brasil
né de defesa da Democracia é uma referência no movimento feminista e esse ano ela fez a leitura da carta pela democracia escolhida por diversas organizações feministas no Rio de Janeiro Então dona Nair também é uma referência e existe esse reconhecimento no movimento feminista bem companheiras essa essa poesia que eu chamo de poesia porque eu boto rimas essa essa poesia foi uma história de uma neta que me contou de uma conversa do avô dela com a empregada e eu fiz essa poesia Ô Maria Minha Nega venha cá ô Maria você é tão boazinha você não tem
nada a reclamar e para querer me peça alguma coisa ou então diga o quê Maria você tem um sonho se tem venha me dizer patrão um sonho eu tenho e o senhor Nem queira saber é que eu sou analfabeta Eu queria aprender a ler para fazer sua comida para minha patroa querida não ter que vir me dizer tantos copos de farinha tantas colheres de dendê Ô Maria minha nega era isso que eu ia saber você já cuida do neném Lava passa e faz tudo também e ainda quer aprender a ler eu pensei que era outra
coisa que você ia me dizer Era só o que me faltava ela quer na loja escrever eu pensei que era outra coisa que ela ia me dizer Ô Maria minha nega traga o meu pão com manteiga e vai procurar o que fazer na irlane tem 90 anos e continua ainda participando dos movimentos de mulheres não só daqueles especificamente relacionados às trabalhadoras domésticas mas apalta Ampla né do movimento feminista hoje as trabalhadoras doméstica constitui uma fossa política hoje elas não estão ali claro que estão parar para acolher as inúmeras denúncias Conta que Acontece ainda no âmbito
do trabalho doméstico contra as trabalhadoras Mas elas estão ali também se juntando a outras mulheres na luta por moradia na luta por creche na luta por trabalho Digno Que Deus seja as trabalhadoras domésticas não fazem mais uma luta somente para A Conquista dos seus direitos né enquanto vida a gente tiver a gente tá lutando pelos direitos da doméstica é você essa é a faculdade doméstica na jane Eu costumo falar que ela é um patrimônio tombado da categoria eu tenho profunda gratidão respeito e afeto por essa senhora por essa guerreira por essa mulher que transcendeu a
história que mantém até hoje o seu corpo vivo na Luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas na luta pelas mulheres negras na luta pelo nosso povo e pela nossa gente eu te amo e você é responsável pela vida que tem hoje tô ficando já tô ficando velha viu meu filho já estou com uma denta anos né não tem muito que viver ainda muito para ajudar as pessoas [Música] [Música] [Música]