Narrativas compartilhadas e, assim, o prazer de continuar ouvindo o professor Rogério. Os profetas que agora vão contar um pouco da entrada dele na Uniso, na faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, ainda ou, quem sabe, na administração. É a transformação, Neves, o processo universitário.
Quando ele estava chegando e fazendo mestrado como professor da Unir, a vontade é boa pra mim. Eu, eu, eu tenho uma grande oportunidade; foi quando o professor Lando Ortolan, que já trabalhava na universidade, era meu colega de turma e me ligou em casa numa quarta-feira, às 19 horas. "Nós precisamos de um professor para Administração de Produção".
Mas por quê? Porque ele tinha falado que ia sair, que ia tirar uma licença. Então, foi até bom; você pode dar aula amanhã.
Isso aqui é mais uma coisa inusitada da minha vida: eu não procurei a vida acadêmica; a vida acadêmica me procurou. Então, eu não acertei na mosca, foi a música que me acertou e eu entrei na vida acadêmica assim. Eu tinha, do que tinha feito, dois cursos lato sensu; eu estava tecnicamente muito preparado para ser professor, ainda que não tivesse pedagogicamente preparado para ser professor.
Eu dava as aulas como eu achava que elas deveriam ser dadas, porque eram a grande base das aulas que eu havia tido até o momento. Eu só vim a perceber isso depois, quando fiz o doutorado. Então, entrei na Uniso em 1988, já aí com um pouco mais de três anos de formação na área de Administração e com lato sensu.
Já tinha feito lato sensu na Uniso, na USP e na GV; fiz dois lato sensu de uma especialização, todos na área de Administração de Produção de Materiais, Administração Industrial. Comecei a trabalhar na universidade, ainda trabalhava simultaneamente na empresa, na indústria. Naquela época, 88, era peças e, a partir de 91, já passei a trabalhar na YKK até 1996, quando houve essa mudança a que me referi anteriormente, que foi a criação das coordenações de curso.
E aí, sob o convite do professor Aldo, eu tive mais um dilema na vida: deixar a empresa e entrar integralmente na universidade. Como eu estava gostando do que eu estava vendo, do que eu estava fazendo na universidade, eu tive sempre a grande oportunidade de ser considerado um professor sério, um professor cuidadoso, respeitador dos alunos, a despeito de algum sofrimento que eles tinham, que exigia muitos cálculos e tal. Eles ainda me criam bem e eu gostava de fazer aquilo.
Eu entrei na coordenação; foi um grande desafio, porque comecei como um dos primeiros coordenadores da universidade a coordenar um curso no qual eu tinha me formado, com muitos professores que haviam sido meus professores. Aquilo que eu imaginei que poderia ser um problema foi a grande alavancagem, porque eu não tinha dúvida; eu pedia ajuda, eu pedia conselhos. Sempre que eu tinha alguma dificuldade, eu pedia ajuda pra eles.
Eu pedia ajuda ao professor Aldo e pedia orientações pra aprender mais rapidamente. E daí tivemos uma série de coisas que aconteceram na universidade. Veio o advento da criação da universidade, foi quando, em 1991, na perspectiva de haver uma universidade, a perspectiva que fosse necessária professores com mestrado.
Então, eu me orientei profissionalmente: "O que é o mestrado? Como é que funciona isso? ".
Então, fui fazer meu mestrado na PUC. Fiz o mestrado, que concluí em 1995, e a universidade já estava com um projeto em andamento, mas eu continuei a minha preocupação: "Na hora depois do mestrado, o que é necessário para promover uma universidade? ".
Porque a minha preocupação era fazer jus à função que eu desempenhava. Então, o que é necessário? "É necessário fazer doutorado".
Vamos pro doutorado! Eu comecei outro lado, em 1998, como aluno especial, 99 como aluno regular, e terminei no final de 2003. O primeiro momento da decisão entre sair da indústria e ir para a universidade foi um momento difícil, que foi resolvido dentro de casa, com a participação dos meus pais, os pais da minha esposa, a participação dela.
O apoio da minha esposa, Tamara, pra mim foi irrestrito para essas grandes decisões da minha vida. E aí, dentro da universidade, eu terminei o doutorado em 2002/2003 e eu já estava na coordenação. Quando foi em 2007, pra minha surpresa, o professor Mamã na reitoria me chamou.
Eu sempre estava preocupada: "O que será que eu deixei de fazer, né, pra ser chamado pelo reitor? ". Porque eu não era visto dentro do ambiente da reitoria, por mera convicção de que, se eu precisasse ser visto, era porque eu tinha um problema.
Eu não tinha, eu não tinha o que fazer na reitoria senão se eu precisasse de alguma ajuda ou que alguém precisasse resolver alguma questão comigo. Então, era bem desconhecido; até pouco, conhecia fisicamente os professores que compunham a reitoria, mas não tinha trânsito assim muito normal, muito usual na reitoria. Ele disse: "Nós vamos precisar fazer um ajuste nas funções aqui.
Eu preciso de um projeto administrativo". E eu pensei comigo: "Puxa, agora sim que eu fico fora da sala de aula, porque eu tô me distanciando da sala de aula". Porque, ao entrar na coordenação, eu tive que reduzir a quantidade de aulas pra que eu pudesse me dedicar mais à coordenação.
E dito e feito, o professor me deixou ficar à vontade com aulas durante um tempo, mas depois ele falou: "Olha, você precisa reduzir as aulas". E foi feito, de forma que fui reduzido gradativamente, mas sem ficar fora da sala de aula. Mas quando fui, em 2008, aconteceu uma nova surpresa: houve, mais uma vez, um convite do professor Aldo, agora com o Eduardo, pra que eu assumisse a fundação, a secretaria executiva da fundação da.
. . Aí foi a pá de cal nas minhas pretensões de estar em sala de aula, porque aí ficou completamente incompatível.
Não tinha mesmo tempo para preparar aulas e tal, mas só houve um momento bastante interessante, porque eu pude, de fato, contribuir com a instituição da forma mais técnica possível. Logicamente, foi um momento de bastante dificuldade institucional naquele momento, mas eu tive um apoio irrestrito do professor Aldo, que era o meu reitor naquele momento em que eu era pró-reitor administrativo e acumulava a função de secretário executivo. Com o apoio irrestrito do conselho superior e da mantenedora, presidido pelo Eduardo, foi um momento de bastantes dificuldades de todas as ordens que foi superado.
Eu me sinto feliz hoje de olhar para esse retrovisor e perceber que nós conseguimos desviar de todos os obstáculos e manter a essência da universidade. É uma universidade hoje que é muito sustentável do ponto de vista financeiro e que tem muita perspectiva do ponto de vista qualitativo, mas é uma universidade que está apontada literalmente para o futuro. Nesse período todo, eu tive um dos grandes privilégios, que foi trabalhar diretamente com um profissional.
Quem o conhece superficialmente já gosta dele; quem trabalha diretamente com ele sabe o que é trabalhar com uma pessoa serena, uma pessoa muito inteligente, uma pessoa muito vocacionada no que ela quer fazer, muito ética e respeitadora, uma pessoa que não eleva a voz para nada. Tudo isso que estou me referindo ao professor Aldo e a várias outras pessoas que me permearam na vida, foram e continuam sendo meus grandes balizadores. Em alguns momentos, eu penso: “Olha como meu pai reagiria?
O que meu pai faria? Qual seria a postura dele? O que aquele meu primeiro gerente lá na Y Kaká faria?
” Cada qual na sua área e estilo de gestão, mas todos eles foram grandes professores no meu dia a dia. Isso me possibilitou um crescimento em duas frentes: na frente técnica, que é importante ter uma base conceitual boa, mas também no lado emocional, no lado humano, no lado de relacionamento interpessoal. Então, se existem algumas pessoas as quais eu imito, eu tento; elas são as minhas referências para os meus comportamentos.
E eu fico feliz que essas pessoas continuam sendo referência. Eu nunca tive decepções com essas pessoas; sempre foram referências serenas que têm me ajudado continuamente no desenvolvimento da minha carreira. Em 2008, nós começamos um grande trabalho de reestruturação da universidade, que passou por algumas fases.
Uma das fases foi a primeira situação em que a universidade teve uma eleição para a reitoria. Ela tinha eleição para todos os outros cargos de coordenação de curso. Foi um processo muito interessante, porque a gente passou por turbulências naquele período de eleição, que muitas vezes dá a impressão de que estamos falando de coisas públicas.
A Universidade de Sorocaba, ainda que privada, ainda que comunitária, não é pública ao estilo de uma estatal federal, estadual ou municipal, e não é particular ao estilo daquelas que visam o lucro. Então, ela é uma instituição um pouco diferente, aliás, muito diferente. Isso fez com que tivéssemos, nesse primeiro período de eleições, algumas turbulências que também provocaram aprendizados.
Eu tenho uma forma de olhar para a vida: sempre que acontece alguma coisa inusitada, aquilo deve servir para que a gente aprenda algo. Foi um grande período de aprendizado, essa transição da reitoria do professor Aldo, inclusive você participou dessa reitoria, para a reitoria do professor Fernando. Foram feitos ajustes organizacionais que possibilitaram que a gente conseguisse estruturalmente equilibrar as questões financeiras.
Esses ajustes fizeram com que a reitoria passasse de cinco membros para três pessoas apenas, não que as áreas deixassem de ser cuidadas; nós vamos passar a ser cuidadas duplamente, por um ao outro. Essa fase foi bastante legal, foi bastante interessante, porque, talvez por experimentarmos as dificuldades do passado e por ter muito receio e respeito por aqueles momentos, nós formamos um time que procurou trabalhar de forma coesa, tentando repetir aquilo que o profissional fazia. O Conte Mineira tinha um time de cinco pessoas, ele e mais quatro, e, apesar de ser um time maior, ele conseguia conduzir o time de forma magistral.
Eu pensei: “Precisamos seguir o exemplo do mestre. Vamos manter a coesão do time”. Quer dizer, se tivermos dificuldades a serem resolvidas, vamos resolvê-las internamente, mas, na hora que a gente chegar para a comunidade acadêmica, chegaremos com uma linha muito clara, uma linha consistente.
Agora, gostaria que você falasse da sua experiência como reitor, mesmo neste momento após a posse, até o evento e as propostas do futuro. Maravilha! Então, até já, daqui a pouquinho continuamos ouvindo o professor Rogério.