O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo é um dos museus mais importantes do estado de São Paulo e também do Brasil. E entre os autores que estão aqui no museu a gente tem Di Cavalcanti, que foi um grande pintor modernista brasileiro. O acervo do MAC de Di Cavalcanti inclui mais de 550 obras, principalmente desenhos, e ele fez muitas obras, muitas mesmo, que tem relação com a música.
Ele viveu numa época em que era muito forte a influência do samba, do choro e da seresta, e ele representa isso na obra dele. Sempre com aquela sensualidade, com aquela característica comum da música popular brasileira desse período do modernismo e período em que ele viveu. O Di Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro, veio para São Paulo para estudar direito na Faculdade do Largo São Francisco.
Só que ele fez algum tempo a faculdade, deixou a faculdade e mudou pra Ribeirão Preto. E lá, junto com alguns parentes, ele começou a ter uma vida bem mais boêmia. Ele foi pro Rio de Janeiro de volta e na Lapa, em Santa Teresa, ele teve contato com os bordéis, com o lado mais lírico da cidade, mais despretensioso.
Ele gostou muito dessa atmosfera e era uma atmosfera muito musical também, porque era onde tinha a música popular. O Di Cavalcanti era chamado por Mário de Andrade como o menestrel dos tons velados. A arte do Di Cavalcanti era ligada a essa música urbana.
Lembrar que o samba é o primeiro ritmo urbano nascido na cidade com uma raiz negra. Ele retrata o nascimento desse novo ritmo. Estudar a produção do Di Cavalcanti a partir dos desenhos é também estudar um pouco da origem de como essa música urbana foi sendo estruturada.
A partir da música vão surgir também as figuras do negro que é musico, da mulata que dança, de toda essa atmosfera urbana que nos anos 40 é tido como malandragem. Ele retrata um mundo que ainda não tinha voz. Ele passa esse ambiente pro papel e traz pra gente agora no futuro uma análise do que era os anos 20, o que foi os anos 30 e os anos 40.
E tudo isso com uma pitada de técnica das vanguardas francesas, principalmente do traço forte e ilustrador de Di Cavalcanti.