Olá tudo bem meu nome é Rodrigo Fonseca Martins Leite sou médico psiquiatra do Instituto de psiquiatria da USP coordenador do programa de psiquiatria social e cultural e atuante nas políticas públicas de saúde mental ao longo de toda a minha carreira nesse vídeo vamos abordar as situações mais delicadas em Saúde Mental apesar de complexas e desafiadoras existem formas de abordar e conduzir essa situações de uma forma técnica e compartilhada com a equipe neste módulo falaremos sobre o cuidado tanto ao indivíduo quanto pensar possibilidade de prevenção coletiva destas situações além da atuação de todos os componentes da
rede de atenção psicossocial como os cápsus hospitais Gerais hospitais psiquiátricos os secos as unidades de acolhida entre outras gostaria de destacar o papel das equipes de atenção básica na abordagem estas situações difíceis os caps naturalmente já lidam com situações difíceis por serem serviços especializados mas temos na UBS que trazeram um componente crucial o vínculo entre as pessoas com transtornos mentais suas famílias e as equipes de saúde da unidade básica o fato de podemos entrar na casa das pessoas numa visita domiciliar ou consulta é uma oportunidade muito valiosa Vamos pensar nisso com mais cuidado frente a
uma pessoa em crise em que já tenhamos construído um vínculo temos chance de lidar com o momento difícil delicado de uma forma criativa humanizada e singular já vivi na minha trajetória profissional o poder que a integração entre as equipes da unidade básica e do CAPS possuem no manejo as situações difíceis em Saúde Mental já meditamos pacientes em casa pessoas com muita resistência de comparecer ao serviço de saúde pessoas que se recusavam a qualquer abordagem que estavam sofrendo agitadas desorganizadas se nós tivermos esse olhar de construir parcerias poderemos evitar muitas situações difíceis em Saúde Mental a
prevenção de crises é possível temos que olhar para além dos indivíduos para estratégias de alcance populacional em que o maior número de pessoas possa ser beneficiado por exemplo sabemos que a maior causa de tentativas de suicídio em adolescentes e jovens é a tomada excessiva de medicamentos estes medicamentos são encontrados em casa muitas vezes ao alcance de todos temos aí um problema de saúde pública em que os agentes podem intervir mudando uma realidade evidente que apenas guardar os medicamentos em local seguro não é suficiente para prevenir tentativas de suicídio num sentido mais Global mas pode ser
uma medida simples útil e importante já que começamos falando sobre suicídio vamos Recordar aqui alguns pontos importantes sobre esse tema existem pessoas que têm um risco maior de suicídio do que outras sabemos que homens acima dos 40 anos solteiros ou divorciados ou viúvos vivendo isoladamente com acesso a meios potencialmente letais como armas de fogo e medicamentos que estejam vivendo um momento financeiro difícil que estejam endividados e principalmente as pessoas que já tentaram suicídio alguma vez na vida diferente do que a gente possa imaginar e escutar no serviços o fato da pessoa ter tentado suicídio em
algum momento automaticamente Coloca esse indivíduo numa situação de risco aumentado de que ele pode tentar novamente e infelizmente morrer isso vai contra a ideia comum e preconceituosa de que quem quer morrer utiliza um meio mortal de cara ou que a pessoa está chamando atenção e não quer de fato morrer podemos aí já perceberam quantas pessoas que tentam suicídio ficam marcadas estigmatizadas inclusive no serviço de saúde vamos nos colocar no lugar dessa pessoa quem tenta suicídio está vivendo um momento muito delicado da vida não nos cabe aqui julgar seu sofrimento é intenso ou não cada um
de nós vive os problemas da vida da forma como consegue sabemos que o perfil do suicídio no Brasil está mudando apesar das mortes por suicídio serem maiores entre os homens adultos as taxas têm aumentado entre adolescentes e idosos ou seja de posse dessas informações nós já temos ferramentas para fazer intervenções que podem prevenir o suicídio não somente no nível individual mas no nível coletivo podemos agrupar pessoas com elementos e características semelhantes com fatores de riscos similares e Sofrimentos similares qualquer pessoa com sofrimento mental tem um maior risco de suicídio mas sabemos que a depressão e
o abuso de álcool e Outras Drogas estão mais associadas ao comportamento suicida dica importante perguntar se a pessoa tem pensado em suicídio ou que não vê mais sentido em continuar viva não vai fazer com que essa pessoa Cometa suicídio ao perguntar isso você está permitindo que essa pessoa se abra e fale sobre o seu sofrimento muitas vezes esta pessoa não está tendo com quem falar um lembrete importantíssimo todas essas ações intervenções devem ser levadas para a equipe dessa forma todos podem contribuir com o plano terapêutico e se corresponsabilizar devemos também incluir a família como um
braço direito deste cuidado de modo que se tornem Aliados da equipe outro tema delicado e bastante comum nos territórios é a violência infelizmente Vivemos num país violento com altas taxas de homicídio feminicídio violência contra criança contra o idoso entre outras tantas formas de violência o impacto da violência na saúde pública e na saúde mental é incalculável sabemos que muitas vítimas de violência desenvolvem algum tipo de sofrimento mental na comunicação com as pessoas vítimas de violência sentimentos como vergonha medo e falta de confiança no sigilo são frequentes e dificultam com este assunto chegue até a equipe
além disso nós Profissionais de Saúde podemos ter dificuldade em ouvir relatos difíceis e muitas vezes Dolorosos os agentes de saúde lidam com essas situações diariamente e podem lidar com elas de uma maneira mais técnica realizando uma escuta sem julgamentos cuidando do fortalecimento do vínculo e da confiança e dessa forma permitir que essas pessoas sejam acolhidas e possam receber o cuidado que precisa sabemos também que pessoas com histórico de violência abuso ou negligência na infância tem maior chance de desenvolverem problemas de saúde mental e físicos ao longo da vida adulta a terceira situação delicada em Saúde
Mental bastante frequente também nos territórios é agitação psicomotora em que a pessoa por diferentes razões e diagnósticos pode se mostrar inquieta resistente à abordagem e irritada hostil e agressiva nesse momento algumas dicas de comunicação não violenta podem ser úteis podemos abaixar o tom de voz descruzar os braços demonstrando uma atitude corporal não defensiva e não agressiva se colocar próximo da pessoa mas não invadindo o espaço íntimo e não julgando ou contra-argumentando em relação ao que a pessoa fala o verbaliza Em algumas situações como nas psicoses querer provar para pessoa de que o que ela vive
não é real pode inviabilizar a comunicação Aceite o que a pessoa trouxer mesmo que você tenha dificuldade em entender o sentido ou que está sendo dito Muitas vezes somos tomados por uma ansiedade muito grande tanto a equipe quanto a família podem tomar decisões equivocadas a primeira palavra que nos vem a mente nessas situações é a internação psiquiátrica mas muitas situações que culminariam internação podem ser melhor contornadas com estas orientações claro que existem situações em que a pessoa se coloca em muito risco tanto para si quanto para quem está em volta cada caso é um caso
e a decisão é sempre da equipe e da rede de serviços de saúde disponível mas novamente eu convido vocês a fazermos um exercício e Se pudéssemos prevenir estas situações pelo menos uma parte delas que deveríamos fazer podemos identificar grupos de pessoas no território com características em comum por exemplo pessoas com histórico de internação anterior pessoas com problema de adesão ao tratamento pessoas com transtornos mentais como esquizofrenia ou transtorno bipolar ou problemas com álcool e drogas são pessoas que de modo geral precisam se vincular mais ao serviço de saúde certamente se ficarmos mais atentos a Estas
pessoas evitaremos algumas situações difíceis que podem fugir do controle sabemos por exemplo que tomar medicação psiquiátrica é difícil os efeitos colaterais podem incomodar e as Pessoas com transtorno mental podem não aceitar a sua condição todos estes fatores podem ser mapeados pelos agentes e pela equipe podemos aumentar nossa atenção e Vigilância frente a Estas pessoas podemos monitorar se essas pessoas estão frequentando Caps se elas estão vivendo um momento estressante dentro de casa muitas pessoas com transtornos mentais severos e persistentes com histórico de internação tem histórias traumáticas para contar e não querem repetir o que viver apesar
de às vezes ser necessário a experiência da internação em geral é difícil para qualquer um de nós para quem está em sofrimento mental pode ser mais desafiador ainda Converse com as pessoas com transtornos mentais na sua área temos muito aprender com elas não podemos perdê-los de vista são populações vulneráveis e que podem se beneficiar muito de uma atenção diferenciada e uma atitude preventiva dos profissionais do serviço Muito obrigado