Quando ele veio bem pertinho de mim, ele tava com uma embela, blusa, ele levantou, ele falou: "Perdeu, boy". Eu abri a porta e dei pau: "Ó, tem gente para gano, ó. Tô aqui na rua tal, troquei time com dois caras, tô com um cara baleado.
Aqui tem outro armado voltando para me catar. Manda a viatura com uma certa. Desliguei, pum, >> tu matou >> o filho de uma um amigo.
>> É, quando vieram me roubar, cara, era maior da hora no shopping pieram me assaltar e minha mulher trabalhava, era gerente de uma loja e tinha um dono de uma rede de loja maior metidão, boyzão que ficava dando em cima da minha mulher. E o motorista e o segurança dele era da rota noturna. O cara chegou para mim na rotona, falou: "Ô chefe, meu patrão é talarico.
Ele fica dando em cima da mulher do senhor lá no shopping. Ela não dá mole para ele não. Ela ela é ela é correta, mas ele tá de olho na mulher do senhor, viu?
Eu falei assim: "Ô irmão, fala para ele, cara, que eu sou tenente rota, mano, que eu tenho um proceder diferente. Fala para ele não arrumar pra cabeça dele não. Tanta mulher solta aí, ele vai querer pegar a mulher do trota, mano.
" Ele falou: "Não, chefe, pô, eu eu vou dar um toque nele. " Falei: "Beleza, meu, os caras vieram me roubar na porta do shopping. Eu matei ladrão na porta do shopping.
Nunca mais ele deu em cima dela. " [risadas] >> Ai, cara, foi da hora. Tu foi buscar tua bangar no shopping.
>> É, mano, eu tô parado. E ó, e e na moral, eu sou bunda mole, velho. Eu sou [ __ ] bunda mole.
Eu faço de tudo para eu não arrumar treta, porque eu, ó, tô armado. Eu ando armado 24 horas e se eu puxar eu dou mesmo. Eu atiro.
Não, não tenho da onde atirar não. Então eu não quero ir pra cadeia. Eu tenho mulher, filho, eu tenho uma vida boa.
Eu sou um cara, um cara decente, trabalhador, honesto. Eu não tenho vontade de ficar na cadeia. Então, para eu para eu puxar minha arma e atirar, vai ser naquele momento que eu sei que eu vou conseguir me defender juridicamente.
Beleza? Então, se eu puxar, eu vou atirar, porque eu tenho certeza que eu vou conseguir me defender. E aí o que acontece na rua, por exemplo, briga de trânsito, eu não saco arma, qualquer treta assim, eu não puxo a arma.
Eu posso até dar uma discutida assim depois, ah, tá, tá, vai, falou, tchau, sai fora. Entendeu? Porque eu sou bunda mole, cara.
Só os braços. Eu não sou tipo bombadão, >> não vou ficar saindo na mão, vou apanhar. >> Que bom, que bom que é assim.
>> É, vou apanhar. Não sou trouxa, >> entendeu? Então eu eu não arrumo treta de jeito nenhum.
E esse dia, e eu sempre fui assim, desde desde mais novo. E esse dia, meu, eu parei o carro e eu eu tinha feito uma coisa que eu fazia raramente, que era levar a minha farda no carro para lavar, porque chega uma hora que ela fede, né, mano? Você usa três serviços, você tem que levar para lavar.
E eu enfiei a a farda da rota embaixo do banco, tinha uma caminhonete. Eu parei o carro e liguei para ela. Falei: "Ó, cheguei, pode sair".
Tava na na frente do shopping. Aí, cara, veio dois caras bem vestido descendo assim. E eu tinha e uma caminhonete, aquelas F100, F150, eu não lembro, já faz tempo também.
E o cara, eles vieram os dois do meu lado e bateu com tudo assim, ó, com com o cotovelo no retrovisor. Eu olhei, mano, juro, cara, na hora eu pensei que fosse o cara que tava dando em cima dela, porque eu tinha acabado de falar com o polícia da rota, tipo uma semana antes. Aí eu falei: "Mano, será que esse aí é o o talarico que tá vindo aqui querer arrumar treta?
" Aí eu olhei e falei: "Mas cara folgado, velho, só que eles bem vestido. " Por isso que eu não pensei em ladrão no primeiro momento. >> Sim.
Mas eu já catei a quadrada e fiquei olhando aqui no arrumei o retrovisor, fiquei olhando, falei: "Que [ __ ] é essa, mano? " Os caras quando eles passaram a caçamba, eles deram os dois passos, cada um sacou uma, abrir e veio um de cada lado. Quando ele veio bem pertinho de mim, ele tava com uma embelsa e blusa, ele levantou, ele falou: "Perdeu, boy".
Eu abri a porta e dei pau. Eu eu catou aqui assim, ó, mano. Saiu aqui, ó.
Era nove Walter, né? Eu usava uma Walter da rota. Catou aqui, ó.
atravessou ele no meio, saiu aqui embaixo. Ele desmanchou, mano. A hora que ele desmanchou foi a minha sorte, porque eu e ele tava de frente um pro outro.
Se ele tivesse apertado o gatilho, ele tinha me baleado. Ele soltou a arma, caiu no chão assim, ó, desmanchou, eu desci. A hora que eu desci, o outro deu um monte, pau, pau, tudo em mim, assim, ó.
Só que eu passou pela caçamba e eu e eu abaixei, né? Então, não me acertou nenhum. Aí eu pisei na na do lado da cabeça dele assim, ó.
Levantei a minha para dar no cara. A minha munição ficou parada na janela. >> Aham.
>> Aí eu fiquei apertando, não saí assim. Ele começou a correr. Aí, cara, eu tava tava tão adrenado que eu peguei a pistola dele que tava engatilhada, enfiei aqui, já foi um erro porque se ela dispara é uma merda, né?
>> Na adrenalina não dá para conferir [ __ ] nenhuma. Só pegou. >> Eu fui fazendo as coisas no no no jato, né?
Enfiei aqui assim, ó, e deu um golpe na minha. A hora que eu dei o golpe na minha, meu dedo tava no gatilho, eu dei um disparo, pau, eu [ __ ] merda, pegou entre o meu meu pé e a cabeça do ladrão. >> Isso que eu i perguntar.
Te deu outro tirei. >> O ladrão, juro, cara, não acertou nele, mas o ladrão fez assim, ó. Não me mata não falei assim, não, foi acidental, cara.
Fica na [risadas] sua levantei, cara. Eu juro, mano, eu levantei e comecei pau, pau d outro. Ele virou a esquina.
Aí eu fiquei agachado assim, eu falei: "Puta que pariu". Aí ele senhor me deixa sair fora. Eu falei: "Calma, calma que eu vou ver o que eu vou fazer".
Mas eu já vi o melado grosso descer e a gente já viu muito ladrão morrer. Você sabe que >> ele não vai conseguir nem levantar. Ele tá indo, né, mano?
Aí eu fiquei abaixado ali. Aí cara saiu um maluco de terno que tava no bar na frente correndo. Maluco não.
Esse cara foi um anjo para mim, né? Inclusive ele apareceu num podcast falando: "Ô, lembra desse cara que você tá falando aí? Sou eu.
O podcast é [ __ ] mano. Aí ele pegou e fal veio correndo assim: "Mata ele, mano, mata ele. " Eu: "Não, calma".
E começou a dar chute na cara do ladrão. Aí eu para, [ __ ] para, mano. Aí ele, esses cara mataram meu irmão, mataram meu irmão.
Eu falei: "Ele matou seu irmão? " Ele falou: "Não, os caras foram roubar o carro do irmão meu e mataram ele. Teu ódio, mata ele.
" Eu falei: "Não, cara, pelo amor de Deus, esse cara já tá baleado, não chuta mais ele". Falei: "Ô, vai lá no meu carro, pega meu celular". Aí ele foi na cabine e catou o meu celular.
Eu falei: "Ó, liga o número tal". Ele foi ligando, eu falei: "Você tá ligando na rota? Quando atender você me dá.
" Aí ele me deu. Aí eu falei: "Ó, atende paraoto, ó. Tô aqui na rua tal, troquei tiro com dois caras.
Tô com um cara baleado aqui, tem outro armado voltando para me catar. Manda a viatura com uma certa. Desliguei, pum".
Aí, cara, quando eu olho assim, o outro voltou, já tava chegando mais perto o que tinha fíido. Voltou, mano. Voltou.
>> Foi a hora que eu levantei. Aí eu comecei pau, pau, pau, deu um monte. Bom, beleza.
Ele voltou a correr e virou na esquina. Quando ele virou a esquina, eu já escutei o barulho da zangada vindo. Sargento Bonfim, que aposentou no segundo de choque.
Aí os caras deram aquela fritada, quando deu aquela fritada eu já levantei, falei: "Bomfim, bomfim, o outro baleado tá correndo lá". Eu tenho certeza que eu baliei ele. Ele virou esquina lá, os cara tá tudo tá tá pela ordem aí, chefe.
Falei: "Pela ordem, corre, cola lá que o outro acabou de virar esquina". Aí eles saíram milhão. Aí quando eu vejo o tenente Racort vindo a milhão também.
Ah, deu aquela fritada, desceu ele. E aí, irmão? E aí, irmão?
Falei aqui, mano, pode socorrer que já era, mano. Pode socorrer, mas já era. Tá ruim, tá descendo melado aí os cara.
Bota, bota aí, vamos socorrer, vamos socorrer. Só que enquanto os caras estavam girando a viatura para socorrer, a minha digníssima tinha acabado de sair da loja e tava na calçada. Que que ela viu?
>> O meu carro, um corpo e o sangue atravessando a rua. Ela desmaiou, bum, caiu. >> Cadinha, [risadas] cara.
Cadinha, cara. Tua esposa. Não acredito, mano.
É minha mulher me ama, meu. É por >> [ __ ] meu [risadas] irmão. Ama, [ __ ] Eu te amo, irmão.
Eu te amo. É, é outra coisa, meu irmão, que eu não sei dizer. >> Essa bosta mesmo.
>> Que isso? >> Aí, tanto que o meu sogro na época falou assim: "Larga dele, você olha isso, isso é vida, tal". É, mas não largou até casou.
[risadas] E esse cara, você sabe que esse ladrão é outra coisa interessante, né, meu? Eu tenho recorte desse jornal, dessa ocorrência, tal. Foi bom que pararam de dar em cima da minha mulher no shopping, né?
Porque imagina o que foi aquilo na porta do shopping. Mas o que é mais interessante é o seguinte. Esse quando eu era aspirante, eu fui pro centro, lembra que eu te contei que eu fui pro centro?
Lá no centro da cidade tem um restaurante mais assim, ó, famosaço lá, antigo, cara, de comida italiana, massa. E quando eu era do tático do centro recrutinha, a gente parava com a barca lá para pegar marmita de massa para comer. E a gente tinha um [ __ ] bom relacionamento com os donos, com gerente, com garçom.
Esse cara que eu matei era filho do gerente do restaurante que eu conhecia, meu amigo. >> Que isso, compadre? A vida é [ __ ] né?
Esse cara, ele falou para mim o seguinte: "Nós nós somos na casa dele lá na Amador Bueno da Veiga, na zona leste, o pai trabalhava no centro. Quando eu soube que era o pai dele, era o gerente lá, tal, pá, o pai dele falou o seguinte, falou assim, ó: "Dois carros bom na garagem, casa boa, todo mundo trabalhador". e falou: "Esse meu filho começou com maconha, foi pro pó, tava arrancando tudo de casa para trocar por pó, começou a assaltar para pagar as dívidas dele na boca.
A gente sabia que um dia a gente ia receber essa notícia. [ __ ] que merda. >> E o de China, hein, cara?
Logo você >> é? E onde ele foi me roubar? Na Penha.
O pai trabalhava no centro, eles moravam ali na Penha e ele foi me roubar na Penha, na rua do shopping. Ele era filho de um cara que eu conhecia. >> Não, tu matou o filho de uma um amigo.
>> É, >> agora, irmão, eh, no shopping, né, o charaga nem aí para nada, né? >> É na porta lá de fora, né? >> Sim, mas >> não, >> movimentado e tal.
>> Os car o ladrão para catar carro assim, eles não estão nem aí não, né, mano? Você sabe que eu eu fico pensando, eu eu penso desde sempre dessa ocorrência, eu penso que é o seguinte, que quando ele deu a cotuvelada, ele queria que eu debatesse com ele. Aí ele ia mostrar que tá armado, mandar eu ir pro meio, ia sentar um de cada lado e não ia chamar a atenção de ter que sacar a arma, entendeu?
>> Mas eu fiquei quieto, ele deu a cotuvelada, eu fiquei quieto, fiquei olhando. Que [ __ ] é essa, mano? Eu fiquei olhando com até a arma e fiquei olhando.
Então o a a minha a minha bunda molice quebrou o esquema deles, né? Porque se eu tivesse ali, ô mano, tá louco, tá fazendo? Ia começar a conversa, ele já ia falar: "Ó, mano, é assalto todo, vai cai, vai pro meio aí, vai pro meio".
E não ia sacar. >> É >> como eu fiquei quieto, ele não teve reação, ele bateu, ficou me olhando, eu não falei nada, ele continua andando. Aí falou: "Ah, então vai, vamos enquadrar o boy".
Aí e sacaram, >> quebrou o processo, né? >> Quebrou o processo. Eu acho que foi isso que aconteceu.
>> É. Agora também tem a questão que eles têm certeza que ninguém vai est armado, né, irmão? Então, tipo assim, o cara >> tomou, >> se ele tivesse plotado de alguma forma que tu fosse polícia, ele ia num outro carro, pô.
>> É. É. Então de repente ele olhou pra tua cara ali e falou: "Porra o boyzinho aqui é aquele oportunista que sai no rolê na rua e qualquer carro bom que ele catar o desmanche vai pagar um valor.
" Então ele foi, viu um boyzinho parado dentro de um carro, o cara de Zé Ruela, ele falou: "Pi, isso aqui é boy, vamos catar pá se fodeu". Que era rotona, mano. [risadas] >> Meu irmão, aí imagina, mano.
Fechou o shopping, né? É, então >> deu um fusu do [ __ ] no shopping. Não, na verdade assim, eu eu fui buscar minha mulher no último horário, né, que era 11 hor da noite quando fecha as lojas, então já tava praticamente fechando.
Mas o legal fora o dia seguinte, né, porque todo mundo comentava no shopping que um cara trocou tiro e matou os caras na porta e aí falava: "É, é o namorado da mina da loja tal lá". [risadas] Então foi da hora. Ai os talaricam falar ali é melhor não, né?
>> [risadas] >> Deus, Deus te deu a oportunidade para tu resolver o problema da forma light suave, né? >> Agora, irmão, e a esposa desmaiou? Como é que ficou?
>> Desmaiou, cara. Aí os polícia foram nela, ajudaram ela, tal. E esse sargento Bonfim que voltou, levou ela para casa, entendeu?
Aí que a meu sogro tal, pô, viatura trazendo, ela contou tudo que tinha acontecido. >> Ah, tu não tinha casado ainda? Não, você era namorado.
Era namorado. >> [ __ ] cara, isso tem quantos anos? >> Isso foi deve ter sido tipo 97, 98.
É, eu casei em 2000. >> E tu já nas aventuras aí, né, >> mano? Várias, várias.
Eu tenho uma, cara, eu era muito louco, mano. Muito louco. Essa eu preciso contar que é engraçada.
[risadas] >> Essa eu nunca contei, mano. >> Pô, você botou o que? Essa [ __ ] que é o chá da >> É água.
Não, eu acho [risadas] que é só água, né? É água carioca, você vai se soltando, né, irmão? >> Eu vou contar porque já já prescreveu já faz mais de 20 anos.
Logo que eu nesse período que eu tava na rota, né, mano, a gente andava tipo assim, vem do bicho, né, porque você ficava o dia inteiro andar as quisça e catando, apavorando, ladrão, trocando ideia, fuçando, mandando cara pra cadeia, trocando tiro, mandando o cara pro inferno. E aquela aquela vida louca, né, cara? Então você ia para casa, você tava tipo assim ou esgotado, que caía e dormia, ou você tava ainda na adrenalina milhão e preocupado, né?
Preocupado. A gente, cara, a gente andava na rota, os caras falava: "Ó, meu, cuidado com pegadinha, hein, mano". A gente tinha, teve casos em São Paulo de o cara ir, chegar lá para matar, entendeu?
Então você não ficava, qualquer mulher te ligava ou vem aqui, você vai. A gente orientava os polícias, falava assim, ó: "Cuidado, mano, cuidado. Às vezes vem o negócio, uma isca, você vai ver, é o crime que tá te puxando.
Não vai, não vai. Vai em quem você conhece, vai em quem tem procedência, quem tá te indicando, não vai em qualquer coisa". Beleza?
Então é, é uma fase que você fica muito, você vê bicho. Tanto que quando eu fui balhado no pé na troca de tiro que vieram sequestrar a minha vizinha no domingo, tipo assim, eu tava em casa, tinha acabado de comer uma macarronada, eu tava suando com a macarronada, eu fui pegar meu carro para tirar da garagem, eu vi os ladrão vindo, eu bati o olho, falei: "Puta, é ladrão porque você tá que nem agora". Agora eu tô meio meio zerruela, eu tô bobão, entendeu?
Não tô tão bicho quanto eu era. Não, não, não, também não é muito trouxa não. Mas mas não sou que nem eu era naquela época, que só de bater o olho eu já ficava falei: "Meu Deus do céu".
Entendeu? Hoje eu sou mais mais na mãe, eu tô mais velho. Mas eh minha minha minha mulher, cara, fez uma faculdade de um pessoal mais moderninho, assim, o pessoal mais, vamos dizer assim, é paz e amor.
Essa galera >> fez humanas. >> É, essa galera de humanas >> fez faculdade de humanas. Tá bom, entendi.
>> Na verdade, o dela é desenho industrial, mas as amizade, a faculdade lá, faculdade de boyzinho lá em São Paulo, o pessoal f de vó, manja? É o pessoal que toca guitarra, cabeludinho, pá. Bom.
Aham. >> E minha mulher, como ela trabalhava muito em shopping, ela tinha muito amigo eh homossexual, entendeu? E eu era de quartel rotona, mano.
Então eu não tinha muita relação com as amizades dela. Eu era muito fechado e ela sabia como eu era. Ela ela evitava.
Então eu não tinha muito contato com os amigos dela. E aí um dia, cara, teve uma festa na casa de um de um irmão de uma amiga dela no interior e ela vamos. Eu falei [ __ ] tô cansado do serviço, mas vamos, vamos, vamos.
Eu falei: "Tá bom, então vamos. E ah, nós vamos dar uma carona para um casal de amigo meu. Esse casal a gente é amigo até hoje, mas o casal, tipo assim, o cara maior nerd e a menina também, entendeu?
E eles estavam no carro comendo aqueles salgadinho, tipo fandango, sabe? >> Aham. >> E a gente pá na rodovia na Bandeirantes, cara.
E eu tô lá no carro, eles conversando, tudo que é assunto, sonzinho ligado, pai, eu aqui dirigindo, dirigindo. Vem um carro, mano, a milhão, com três caro cara e na minha traseira assim com tudo e começa quase bater. Eu olhei aquilo, eu já tava uns 110, 120 por hora.
Falei: "Que [ __ ] é essa, mano? " Peguei D7 e joguei pra faixa dois. Os cara passaram me encarando assim com um cara feio.
Eu olhei, não quis assar assustar ele. Falei: "Mano, já peguei, botei a arma aqui e continuei". Ah, só que eles foram embora e eu mantive essa velocidade, só que na faixa dois tava meio de madrugada assim, bem tarde mesmo, e vazia a rodovia.
E eu, ah, eu comecei nessa velocidade chegar perto deles, eles foram diminuindo, foram diminuindo, foram diminuindo. Aí eu passei só aqui na faixa dois e fui lá, fui paraa frente. Fui paraa frente.
Quando chegou mais paraa frente, eles foram ficando bem para trás, eu seta pra esquerda, voltei pra faixa um, 120. De repente, os cara vem com tudo. Os caras vem com tudo e começa quase bater.
Falei: "Ah, mano, é, é". Os caras tá com arte. Catei o cano assim, ó.
Abaixei um pouco e joguei deixei passar. Quando foi passar eu botei o cano assim, ó. Ele jogou o carro que ele quase bateu na minha frente.
A hora que ele foi pro outro lado, eu já catei o revólver e comecei pau pau, comecei a tirar. Mano, ele foi pro lado assim, ó. Eu passei o revólver pro outro lado e fui assim na cara da minha esposa, e na época namorada, né?
Falei: "Abaixa o vidro, abaixa o vidro". Ela: "Pelo amor de Deus, não faz isso. " Eu: "Vai".
Caramba. Só que os caras pegaram, entraram com tudo assim e saíram. Aí eu, [ __ ] botei o revólver assim, cara.
Quando eu olhei no retrovisor, no retrovisor, o casal, os fandangos tava tudo [risadas] caído assim, ó. >> Aí eu falei: "Tudo bem? " O pessoal: "Como bem, cara?
Pelo amor de Deus, que que você tá fazendo? " Falei: "Não, calma, meu. Os três caras, não sei se estavam querendo me matar, o que que eles estavam fazendo, estão tentando bater em mim lá atrás, tentando fechar meu carro, que vocês não viram nada.
>> Meu Deus do céu. Nossa, eu acho que eu vou morrer, eu vou intar". Eu falei: "Não, calma aí.
" Fechei o vidro. Falei: "Cara, vamos pra festa aí, continuei, continuei na estrada, foi embora". Aí chegamos lá, né, na festa, [risadas] tava toda voz arada, >> as meninas tocando violãozinho, pá, todo mundo moderninho e eu, o diabo rotariano que não fala com ninguém, tudo duro.
Adivinha qual foi a conversa da noite inteira, meu? Esse psicótico, esse louco, na agora na estrada deu um monte de tiro no carro, não sei o quê. Aí os caras vinham, meu, é verdade que você atirou no carro?
Eu falei: "É meu, sou polícia. O cara tá tentando bater na minha traseira, a estrada toda. Eu dou passagem, o cara tentou me fechar, três caras me olhando feio, eu sentei o pau.
Então, mas era uma época, mano, que a gente reagia, que a gente fazia uns negócios desse. Não é que nem agora, né, meu? Hoje em dia você vai fazer um negócio desse, você pensa 100 vezes, cara.
Você você tem que ter muita noção do que tá acontecendo, porque senão você vai pra cadeia, entendeu? Então, eh, eram tempos completamente diferente de risco, da gente arisco. Caramba, graças a Deus isso aí não me deu problema nenhum.
E hoje eu posso contar que já passou mais de 20 anos, mas você vê como minha mulher já passou uns sustos na vida dela. [risadas] >> [ __ ] comp. Não.
E e o casal voltou com vocês ainda da festa? >> Não, não. Eu voltei sozinho com a minha mulher.
[risadas] Nenhum engraçado, nenhum amigo da minha mulher, ninguém, ninguém quis, né, man? >> Ninguém mais andou comigo até hoje, mano. >> Cara, e o casal, esse casal é amigo até hoje também.
>> O casal é. E nós encontramos com eles >> comedor de fandangos. >> É, os comedor de fandangos são amigo meu, >> cara.
E já, >> mas não pega a carona, né? >> Não pega [risadas] a carona. Exatamente.
E já conheci, já ouviram mais várias outras aventuras, né? Já acostumaram. É, é as coisa da vida, man.
>> Coronel, além da mudança da legislação, que que o senhor, que que o senhor considera mais importante para combater o crime organizado? Realmente essa legislação que ele tá falando deve ser a parte de que de mudança de lei de execuções penais e penas, porque também ficar mudando e levantando muito as penas só de alguns crimes graves, não vão gerar grandes resultados, porque hoje os crimes que mais que mais perturbam a sociedade são os crimes patrimoniais que acabam evoluindo para latrocínio. Mas e eu falo em alguns podcasts o seguinte, as pessoas não têm grandes medos de morrer, porque morrer, cara, quem que morre vítima de homicídio?
É o briguento, é o cara que sai com a mulher de cara briguento ou é o devedor com Tumaz estelionatário que deve, não paga e ainda desfila de coisa boa? Então, normalmente são essas três tipos de pessoa que morre vítima de homicídio. Vítima de homicídio, se você não for nenhum dessas três tipos de pessoa, dificilmente alguém vai vir te matar.
Então, as pessoas não têm medo de morrer em homicídio. As pessoas têm medo de morrer vítima de um assalto que evolui para um homicídio, que é o latrocínio. Se a gente não aumenta as penas do roubo, o roubo continua tordoando a sociedade.
Então, é ficar falando só de aumento de pena, de terrorismo, de morte de agente do estado, de não vai surtir o efeito desejado em termos de segurança pública, porque nos crimes patrimoniais a gente precisa mexer. Crime patrimonial que o roubo a pena é de 7 anos e o cara puxa 1 e meio no fechado, isso aí é um convite pro assalto. Então, precisa mexer nos crimes patrimoniais.
Mas vamos dizer que tenha uma mudança nessa lei e realmente as pessoas comecem a tomar condenação em em maior quantidade de anos e fiquem realmente presa no fechado. Esse seria a principal mudança eh para desinibir a vontade de cometer crime. Aí eu acho que aí precisaria depois disso ou junto com isso uma reforma no sistema policial.
Eu continuo achando que o sistema de duas polícias e separadas com pouca integração de inteligência e uma exclusividade de investigação de uma polícia eh em detrimento da outra. São só três países no mundo que são assim. E não é possível que o resto todo tá certo e nós estamos errado.
Então eu acho que o sistema de segurança tem que ser revisto. >> Não é possível que o resto tá errado e nós estamos certo. >> É isso mesmo.
O resto todo tá tá errado e só nós que estamos certo. >> É, >> é bem por aí mesmo. >> Coronel, você acredita que para acabar com a interferência da política na segurança pública, os cargos de secretário de segurança ou administração penitenciário deveria ser cargo de carreira ao invés de ser cargo de QI, né?
e não quei que ele fala aqui, né? Que indica. >> Eu vou falar uma coisa para você, assim, eh, secretaria é cargo político, realmente, eu não acho que é nessa mudança que garantiria autonomia.
O que garantia autonomia é nas chefias. Então, o delegado geral e o comandante geral, esses tinham que ser cargo eletivo dentro das instituições, como no mais ou menos nos moldes do do Ministério Público, com garantias de não ser removido, a não ser com um devido processo. Então, o secretário que é estratégico é mais ligado a ao chefe político, eu não vejo o problema de ser um cargo político, mas as chefias de polícia para ter autonomia, esse sim não pode ser político, porque aí eu fico mudando a a direção das instituições, aí é complicado.
>> É, o camarada aí é o Jabá, ele é camarada nossa é policial penal lá do estado. Acho que ele é presidente do sindicato dos policiais penais lá em São Paulo. Eu entendo o ponto dele, entendo o seu também.
Eh, mas temos que deixar, a sociedade tem que entender que seja da carreira ou não, quem nomeia o político. >> Então, a única diferença é que o Glauber policial penal >> vai ser os o comandante ou secretário de administração penitenciária ou comandante geral, mas vai ter alguma ligação, vai fazer parte de um grupo político do mesmo jeito. >> Então, só isso não vai mudar.
Eu eu tô com paga no outro. Eu acho que o que muda é dar uma garantia, né? Teria que pensar bem uma forma de desses comandantes de polícia >> é igual a exager >> terem terem garantias.
Aí sim. Agora, o cargo de secretário, ele é um cargo eh naturalmente político. Ele é uma nomeação ali do secretariado.
É a mesma coisa de você falar o seguinte: "Pô, o governador abaixo dele todo mundo tem garantia". Aí, meu amigo, ele não consegue montar time. Então, o secretariado, eu entendo que tem a natureza política.
Agora, os chefes de polícia, esses tinham que ter a mesma garantia que um promotor tem, um juiz tem. Só é retirado com com devido processo, com trânsito emjulgado, senão não retira. >> É, eh, as agências de reguladora, o cara tem mandato ali de 2 anos, né?
Então o cara vai chegar e vai falar: "Meu irmão, em dois anos eu vou promover uma mudança aqui". Difícil, hein, irmão? Difícil.
Porque aí você vai pra estrutura de batalhão. Qualquer coisa, o comandante do batalhão é trocado, né? >> As regionais, eu não sei como é que é dentro da polícia.
Aqui é CPA, >> né? O o comando de policiamento de área, sei lá o nome exato. Tu vai pra delegacia, cara.
Pô, o delegado fica titulado uma delegacia se meses, vai embora. Então, cara, essa estrutura de gestão administrativa da polícia tem que mudar, porque com a legislação que tem, com a com o efetivo que tem, a polícia podia fazer mais se ajustar só a gestão. Porque, meu irmão, tem coisa aí que é contraproducente, não funciona.
>> Funciona. Um delegado de polícia h se meses tá aqui, se daqui a seis meses tá na [ __ ] que pariu em outro lugar. Não, não tem continuidade, né?
>> Não tem continuidade, irmão. >> Não, nem nos casos de investigação comandantes de batalhão também. >> Nem no batalhão também você não consegue.
A própria tropa quando quando um comando fica uma um relativo tempo, a tropa eh entende esse cara quer chegar, fica mudando toda hora, ela fica perdida. E engraçado que tem uns um uns discursos, cara, que são que são interessantes, né? Eh, agora mesmo, né?
Tá uma tá um projeto lá em São Paulo que estão metendo pau aí, que é querendo aumentar o número de coronéis. Você viu isso aí? >> Não, >> cara.
Futa, projeto inoportuno, a tropa, a tropa bastante estressada com questão salarial e os caras apresentando projeto de aumentar número de coronéis. Aí vem falar que é para dar fluidez na carreira. Meu amigo, hoje hoje eu vi uma postagem de uma capitão que ela tava agradecendo que ela foi promovida a capitão com 10 anos de formado.
Eu fiquei 16 de tenente. Se a carreira não tiver rápida agora, tá quando? Então >> é, >> então essa esse esse discurso aí e primeiro que não não tá batendo.
A carreira tava travada quando eu tava nativa, agora ela tá rápida. Se com 10 anos a pessoa já é capitão, então a carreira tá andando. O grande problema não é esse.
O grande problema é a tropa tá pensando que a cúpula da instituição tá focada em melhoria pra instituição, aí vem um projeto desse. >> Culpa é, >> entendeu? Os caras são meio desconectados com realidade em algumas coisas, né?
Aí ló. Tô já criticando aqui, mas sempre tem espaço para mais rei. É muito rei.
Agora, soldado, a tropa, tem pouco, né? >> Ah, >> isso não é só São Paulo, irmão. É a realidade.
>> Ó, você você quer ver uma coisa? >> Não, não tavam tentando aumentar o número de deputados. É, é a mesma ideia, irmão.
É, enquanto a população tá assim, ó, precisamos reduzir gasto, precisamos enxugar a máquina, não bate as contas, >> paga mais imposto, car. >> Não aguento mais pagar imposto, os caras vão lá e aumenta cargo e aumento. >> Depois não quer ser criticado >> e aumento deles.
Exatamente. >> Entendeu?