Boa noite, pessoal. Boa noite. Queria dar um, meu nome é Janaína, eu faço parte do Conselho Regional de Psicologia. Então, meu boa noite a todas, todos e todes. Eh, como essa atividade ela vai pro YouTube, então vou fazer minha audiodescrição, tá bom? Então, eu sou uma mulher branca de meia idade, estou com os cabelos presos, tô com uma blusa preta, tá bom? Então, inicialmente eu gostaria de, na pessoa do professor Nelson, agradecer aqui a Faculdade de Psicologia por estar recebendo essa atividade do Conselho Regional de Psicologia. Eh, acho que antes de eu falar, né, do
mote hoje do nosso encontro, eu vou passar pro professor Nelson, que é o dono da casa que está nos recebendo aqui. Boa noite a todos. Sejam todos bem-vindos a FAMERP. Fam tem Um curso de psicologia já há alguns anos e nós também estamos na luta aí dentro dessa área do conhecimento e estamos aqui, né, de portas abertas para receber a todos que estão vindo de outras faculdades, de outros centros, de outras universidades e esperamos que o no dia de hoje nós tenhamos aí, né, umas reflexões significativas e importantes a respeito das temáticas desenvolvidas aqui. Aproveito
para agradecer também ao conselho pela oportunidade, pela Parceria com a noss nosso curso de psicologia, né, e pelo convite me ofertado para estar aqui com vocês no dia de hoje. Muito obrigado. Obrigada, professor. E transmita também os nossos agradecimentos à professora Neid, a professora Cristina, que foi com quem conversamos inicialmente. Pessoal, o Conselho de Psicologia ele é uma autarquia pública e ele tem uma obrigação que é de disciplinar, fiscalizar e Orientar. Eh, os psicólogos, né? Eu sei que tem bastante estudantes aqui, então os futuros psicólogos. Essa é uma ação pessoal de orientação. Por que que
precisamos fazer essa ação de orientação? Tá? Hoje o nosso tema é psicologia e laicidade. O Conselho de Psicologia subsédio aqui de São José do Rio Preto, nós recebemos denúncias sobre o exercício Profissional em função de um número significativo de denúncias eh sobre principalmente nos Instagrams profissionais, tá? de uma mistura de psicologia e religião. Então, nós entendemos por bem, né, como uma ação, eh, de orientação para que as psicólogas e os psicólogos compreendam o que é o adequado tanto do Instagram profissional enquanto propaganda, enquanto a nossa profissão, Que é um saber científico, né, que a gente
compreenda essas as diferenças. É importante dizer que o Conselho de Psicologia entende, respeita. Nós estamos numa sociedade laica, né? E cada um tem sua fé, tem sua religião. Isso tem o maior respeito da psicologia e do conselho de psicologia. Porém, quando isso vai pro Instagram profissional, né, a gente se nós temos a responsabilidade, que é o que temos feito, de chamar as psicólogas e os Psicólogos para orientar e aplicação de um termo, que é um taque de ajustamento de conduta, aonde a gente solicita, né, que o colega adeque as informações colocadas ali no seu Instagram
profissional. Eu achei eh lembrando também ainda que eu quero citar para vocês que o nosso código de ética, né, e foi ótimo, o professor Nelson é o professor de ética aqui também, né? Por isso dou convite a ele para trazer suas reflexões. O nosso código de ética, ele Tem uma orientação bastante elucidativa de como a gente deve lidar com essas temáticas. Então assim, olha, não sei se vocês estão com o código de ética aí, mas vamos depois dar uma olhadinha, né? Então, assim, olha, primeiro eh no artigo 20 do nosso código de ética, né, ele
vai dizer o seguinte, lá no no e no item e não fará a previsão taxativa de resultados, tá no nosso código de ética. Outra coisa que o nosso Código de ética tá colocando lá no artigo 2o, que é vedado ao psicólogo induzir a a a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou qualquer tipo de preconceito quanto do exercício das suas funções. E pra ser mais elucidativa, eu trouxe duas frases que eu pensei do Instagram profissional de algumas colegas que nós fizemos a orientação para vocês entenderem do que Eu estou falando. Então, num
dos Instagrams estava, né, a psicóloga estava dizendo o seguinte, eh, que Deus irá operar através da psicoterapia. para te curar da depressão, tá? Isso estava no Instagram profissional da colega. Então, assim, além de ter todo um contexto religioso mais ampliado que estava ali, né, ela também fazia uma promessa taxativa de cura, tá? Num outro eh de uma outra colega ainda que chamamos paraa orientação, ela colocava o seguinte, eh, que a psicoterapia junto com a fé irá te libertar do uso de drogas. Então, eh, é muito grave, não é? Vocês concordam comigo, né? Então, entendendo eh
que nós temos várias questões que permeiam eh este fato, é que nós trouxemos hoje três colegas, o Professor eh Nelson, né, o professor Sérgio, que também participa de formação no na área do psicodrama, a professora Roberta, que também atua com formação, para nos brindar aí com reflexões. acerca deste tema, tá? Como uma atividade orientativa. O Conselho de Psicologia não tem nenhuma intenção de sair penalizando, né, psicólogos. a gente sabe que tem toda uma fala aí, né, de Que o conselho faz isso, mas a gente tem optado, e essa é uma ação, tá, de orientação para
entender o quanto que esse tipo de de fala, esse tipo de propaganda é problemático, não é adequado paraa psicologia enquanto ciência e profissão. Tá bom? Então eu quero convidar agora a Tainá, que ela é a nossa subcoordenadora aqui do Conselho Regional de Psicologia, a subsede São José do Rio Preto, que ela vai ser a mediadora dessa mesa. Por Favor, Tainá. Obrigada, pessoal. Oi, boa noite. Eh, vou fazer também a minha audiodescrição. Eu sou uma mulher bem alta, desde os 14 anos de idade, 1,75 de altura. Eh, sou uma mulher negra, meu cabelo é curto, tô
com óculos, eh, sou uma mulher sis, também importante dizer, tô de óculos, brincos dourados e uma camiseta, uma camisa, né, branca com bolinhas pretas, né? Bom, acho que agora eu vou convidar, né, para o pessoal Tomar a mesa nesse momento. Então, quero convidar a Roberta, uma salva de palmas, gente, pra Roberta. Roberta Ecleade de Oliveira Gomes Kelly. Ela é psicanalista, psicóloga, mestre em psicologia, doutora em psicologia clínica, pós-doutorado em filosofia da educação, coordenadora geral do núcleo de estudos em psicanálise e educação, supervisora clínica e institucional. Quero convidar também o professor Nelson Igmar [Aplausos] Valério, mestre
e doutor em psicologia pela PUC Campinas, professor adjunto da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, a FAMERp, membro de Sociedades Científicas e de grupos de pesquisa pela ANPEP e CNPq. Quero convidar também o professor [Aplausos] Sérgio, Sérgio Eduardo Serrano Vieira, psicólogo especialista em psicologia Clínica, psicodramatista, didata e supervisor. Bom, então a gente vai dar início à nossa mesa. Eh, Roberta, você gostaria de começar? Professor aí esse tá bom, tá bom. Bom, boa noite todos e todas. Eu sou uma mulher negra de 60 anos, sou baixinha e gordinha, de cabelo curto, uso óculos,
tô com vestido colorido, tenho várias tatuagens, sou uma mulher Sis. Eu agradeço muito a oportunidade de estar aqui, especialmente a Janaína, a Marta, Elane, que viabilizaram essa possibilidade. Via de regra, eu escrevo meus textos para evitar digressão e dispersão em relação ao tema. vocês vão ver logo logo que eu falo muito, então tem que ter algum tipo de âncora, né? Aliás, temos aqui um tema delicado que nos demanda muitos cuidados para não melindrar opiniões e crenças, mas é necessário falar disso porque a confusão Sobre o lugar da psicologia é de consequências graves. Porque eu me
sinto capacitada a falar do tema. Primeiro por ser psicóloga há quase 40 anos. Segundo, por ter ocupado várias posições no caminho da profissão. Fui estudante, como vários de vocês, professora, como alguns colegas aqui, coordenadora de graduação e de pós-graduações na área ou em áreas afins. Finalmente, por ser pesquisadora, Fiz mestrado, doutorado e pós-doutorado, que me deram as condições de pensar o meu fazer, mas ainda de pensar de onde parte o meu fazer. Psicologia é ciência, é profissão e não é vocação. Sair desse aspecto vocacional é importante para que não se pense a psicologia como religião.
Através da psicologia não se faz religião. Através da psicologia se faz ciência. Na época da minha graduação, nos idos 1980, havia uma indagação sempre presente. Psicologia é ou não é ciência? Parte dessa indagação era resultado de um momento restrito para qualquer reflexão. A ditadura nos fazia muito cegos, uns por conveniência e outros por sobrevivência. Enfim, vale lembrar que o debate sobre a psicologia ser ou não ciência diz respeito ao desmerecimento das condições psíquicas. Quem aqui não ouviu do médico? Não é nada, não é emocional. Como se emocional fosse nada. Como se desaforo não doesse, como
se coração partido não matasse. Na modernidade, há muitas dificuldades para dar conta das singularidades, que é a maneira radical de sermos todos e todas diferentes. Na sequência, há dificuldades no manejo das particularidades, que são as formas específicas de agrupamentos em comunidades e territórios. O homem moderno não sabe viver no coletivo. Quem aqui é profissional, estagiário na área Pública, faz sempre a mesma reclamação. Todas as vezes que eu estou sendo supervisora clínica institucional em CAPS I, em CAPS AD, em CAPS adulto, a gente não consegue fazer rede. Por quê? Porque na modernidade a gente só sabe
ser indivíduo. A gente não sabe ficar junto. A gente não foi ensinado a ficar junto. E o problema é que os humanos precisam dos outros. Não é facultativo você ficar com o outro. Você foi feito pelo outro. Quando a gente nasce é 3 kg De carne, não tem ninguém ali. Aí tem uma família maluca que acha que tem gente ali, dá nome, conversa, bate-papo, né? Mãe, então é um bicho muito atrapalhado, né? porque conversa com bebê na barriga, como se fosse telepata. E ela acredita naquilo e ainda bem que ela faz isso, porque nós somos
invenção dos outros. Na modernidade eles colocam medo na gente, cuidado com o outro, né? Tem uma psiquiatra famosa no YouTube, né? Que tem uma página Mentes Perigosas, Cuidado com o outro, né? O outro é narcisista, o outro é perigoso, mas você depende do outro. Tudo que nós temos aqui, alguém fez. Eu não fiz minha roupa, eu não fiz meu sapato, eu não fiz essa água, eu não fiz essa mesa. O outro é fundamental na nossa vida. Excluir o outro é excluir radicalmente o que faz entre nós a única viabilidade que é o laço social. Só
que O laço social, ele diz que cada um no laço pouco importa. No laço, nós somos ninguém na fila do pão. E isso é muito importante, porque o laço se faz naquilo que eu faço pelo outro, pelo cuidado com o outro. Eu vou voltar nisso daqui a pouco. Uma forma e outra, singular e particular, precisam de defesa constante. Parte dessa defesa se faz através do Estado nas políticas públicas, sob a cobrança cotidiana dos cidadãos e cidadãs, não os brasileiros, Né? Vale lembrar notinha de rodapé que brasileiro não lê, não sabe da Constituição, não sabe o
que que acontece na Câmara dos Vereadores, não vai nas reuniões da Câmara dos Vereadores. Quando a gente vai assistir reunião, eles perguntam: "O que a senhora está fazendo aqui?" Tá assistindo a reunião. Por quê? Porque eu sou cidadã. Mas senhora, precisa de alguma coisa que você faça direito. Alguém já foi na Câmara dos Vereadores falou isso? Então vão, pode fazer copia e cola. Eu deixo. Parte desse problema se faz também, né, pelos avanços da ciência, política pública da minha ciência, uma ciência sólida em seus conceitos e organizada em torno dos ajustes e possibilidades da teoria
em volta dos fenômenos da vida. Desconsiderar a cientificidade da psicologia é deixar a articulação singular, particular de fora. E isso é muito interessante ao Necroliberalismo. Que não haja cada um com seu cada qual. Que não haja aqueles que cuidam de cada um com seu cada qual. que não haja pessoas cuidando de comunidade e território. É muito importante que a gente fique perdido, mas consumido. No Brasil em especial, essas questões também se vê impedidas pela nossa baixa erudição. Nossa, no sentido do brasileiro médio. Refiro-me a um conhecimento amplo, aprendido na escolarização e nas experiências sociais Que
envolve arte, vivências culturais, coletivas, leitura, muita leitura, conhecimento de outras culturas. através de outras línguas, acesso a outras línguas. Nós não sabemos espanhol, é um absurdo. Tem um monte de coisas de alemão traduzido no espanhol. Para quem gosta de psicanálise, uma das melhores traduções do Freud, todas tudo que o Freud escreveu na editora Noeva foi corrigido pela Ana Freud, que era fluente em espanhol, mas a gente não lê Em espanhol. E quando eu falava com os alunos, gente, vamos ler um texto em espanhol, eu leio com vocês na sala de aula. Nossa, todo mundo fazia
cara de nojinho. Quando eu faço às vezes comentários em francês, em alemão, todo mundo acha que eu sou pedante. Não, não é isso, gente. A gente precisa saber do que a gente tá falando. Precisa saber. Você tem que ter propriedade. Eu só estou aqui, só estou aqui por causa da educação. Eu sou a Prova viva que educação salva. Se o meu pai lá atrás não tivesse ido estudar, não tivesse desviado a rota dos pretos da família dele, eu não estaria aqui. Eu tive o luxo de fazer uma faculdade sem trabalhar, só fazendo estágio. Eu fiz
3.000 horas de de estágio. Isso é luxo. Por quê? Porque eu tinha quem cuidasse disso para mim todo o meu sustento. A minha vida começa aos 21 anos, quando eu me formo. Então isso é é alguma coisa muito importante. Não é Para todo mundo. Eu não tenho uma história comum, eu sei disso. Isso me provoca uma série de problemas, né? Como, por exemplo, não saber a que que classe que eu pertenço, né? Não sei se eu assumo que eu sou colorista, se eu sou palmiteira, nunca sei direito que banda que eu toco, porque eu não
tenho mulheres de 60 anos na mesma condição que eu. Não tenho. Um dia conversando com alguém, a pessoa falou: "Mas tem Ângela Davis?" Falei: "Porque é sua Vizinha". Oi, Ângela Davis, eu vou conversar com ela onde? Entendeu? Não adianta existir esses ícones. Eu queria minha vizinha, minha colega, minha parceira de trabalho, entendeu? faz crochê comigo, não tem essa pessoa da minha faixa etária. Por quê? Porque as mulheres da minha faixa etária não estão escolarizadas. Percebe como isso é sério? Por isso que eu falei lá no início, se a psicologia não assume seu Papel direito, as
consequências são graves, porque a psicologia está capilarizada. Nós estamos nas políticas públicas, na educação, nas empresas. E se a gente vai numa perspectiva colonial e como o Brasil é pobre, pouco letrado, né? É, nós somos a maior colônia do mundo, nós vamos ser colonizados em toda a discussão da Europa, do Canadá, nos Estados Unidos a respeito de decolonialismo. A Europa inteira tá Fazendo uma discussão potente sobre desmontagem da colonização. A gente nem sabe que a gente foi colônia. né? Eu ouvi essa semana uma moça que foi minha aluna há 300 anos atrás. É, mas eu
acho muito estranho quando você fala nas suas gravações que você é uma mulher negra. Falei: "Por quê? Porque eu sempre gostei tanto de você. Você uma pessoa tão de boa, né? Eu nunca prestei atenção nisso." Falei: "Então, sabe por quê? Porque nós somos Classe média. Aí você não me vê como eu sou, mas eu sou negra." E eu tenho que falar isso para lembrar as pessoas que não estão junto comigo, que elas não estão comigo por falta de escolarização. Vai ser fácil elas se escolarizarem? Não, mas elas precisam ter isso. Isso é ciência. Então assim,
fazer defesa disso da maneira correta é essencial. Então, vejam, se a gente não chega na faculdade Com essa com esse acervo de conhecimento de outras culturas, de outras línguas, de arte, de vivências coletivas, com acesso de trocas, nós chegamos já muito limitados na faculdade, na universidade, onde quem vai fazer o seu percurso é você, mas você já chegou limitado. Então, na universidade nós vamos encontrar estudantes que têm anseios e curiosidades, mas isso não é sustentado por um estudo filosófico. Eles não querem ler filosofia, não querem ler Antropologia. Uma das perdas que eu acho difíceis de
manejar, desculpa Janaína comentar isso, na época eu fiz fiz muita resistência nas discussões sobre passar a psicologia para a ciência da saúde. Nós perdemos muito, nós perdemos filosofia. Então hoje filosofia, não sei como é aqui, né, mas até onde eu dei aula até 2019 já tinha virado EAD. Teve uma turma que teve aula de homem, cultura, sociedade, que sei lá que diário que é isso, para 1000 Alunos. Isso não é para ter aula, né, gente? Isso é para fingir que cumpre um um sei lá, um protocolo, né? Então, assim, sem estudo filosófico, sem iniciação científica,
esse aluno vai buscar essa curiosidade aonde? Ah, mas quem faz a faculdade é o aluno. Tudo tudo bem, até concordo, mas ele precisa de apoio. Ele nunca fez aquilo na vida. Alguém tem que puxar ele para fazer isso. Fazer ciência articulando Conhecimento e cultura não se faz de maneira contínua e fluida. E isso impacta especificamente para a psicologia, pois este é um curso com muitas informações em pouco tempo. O curso de psicologia é um grande almanac que demanda, após a colação de grau, estabelecer novos tempos de formação, de se especializar em algo. E se especializar
em algo não é fazer curso de especialização, que é um mercado que vem para suprir a falta da Graduação. E não é necessário. Ninguém vai aprender num curso de especialização em 6 meses nada. Cursos EAD de um ano em saúde mental vai aprender nada, não dá tempo, gente. Gravado. Eu não sei vocês, eu não assisto nada gravado. Ou eu vou assistir na hora porque se ficar lá vai ficar misturado na pilha de um monte de coisa que eu tenho para fazer. Eu não vou assistir aquele negócio não, né? E aí a Pessoa forma, sou especialista
em saúde mental. Sabe nada, não sabe nem SUS. né? Então assim, quando eu falo dessa especialização, é você se debruçar sobre alguma coisa e começar a acompanhar uma teoria. Você tem que ter uma teoria de base que você não sabe qual é na faculdade. Na faculdade a gente adere ao professor que dá aquela teoria, não é isso? Você vai ter que esperar ver o que que vai cair no seu colo na vida para você poder decidir que teoria que você Vai abraçar. Até hoje eu não vi ninguém que escolheu algo na na época da faculdade
e manteve isso até 5 anos de formado. Não vi ninguém, nem eu. Eu não ia dar aula. Eu ia trabalhar com psicóticos, não trabalhei com psicóticos e fui dar aula. Então, sem essa base diversa e erudita, o estudante de psicologia, humano que é, ele busca alguma segurança em meio à enchurrada de teorias e proposições que São rapidamente vistas. Essa segurança é buscada principalmente porque o tema do curso é o ser humano, a complexidade do ser humano. O que é ser humano? O que é o ser humano? O que é a mente? Qual o alcance da
consciência? Qual a verdadeira relação entre o fenômeno da vida e os transtornos mentais? Existem transtornos mentais de verdade? Tantas perguntas e questões que as teorias bordejam, mas não firmam ou fecham respostas de maneira resolutiva, porque Não dá tempo. Na busca de dar conta dessa complexidade, em meio a um curso que ao longo dos anos afastou-se da compreensão da filosofia, o estudante encontra a solução mais garantida e mais segura na religião. Às vezes traz esse tema da própria vida ou descobre no processo de tentar se firmar diante do desafio de ser psicólogo, de ser psicóloga. Recuemos,
pensemos a religião. Religião é Religare, a conexão de alguém a algo que crê lhe superar, a um poder que acredita existir além das imperfeições e defeitos mundanos. Não há religião sem fé, que em essência a esperança de acreditar. Sem fé não há religião. Religar e é se religar, conectar-se ao que é maior, que se convencionou como Deus. na esteira da sequência histórica do Ocidente, em uma perspectiva monoteísta, que não é melhor que uma perspectiva politeísta ou mesmo sem caracterização de uma deidade. Isso É importante para demarcar ou redemarcar que tudo que vivemos está relacionado a
insígnias históricas às marcas de uma época. A gente tem uma tendência muito grande, porque nós fomos aculturados assim a achar que aquilo que não é cristandade não presta. Não sei se alguém viu, tem um movimento importante que tá acontecendo nos Estados Unidos que chama 501. 50 estados, 50 protestos, um movimento. Todo mês eles fazem alguma Crítica em relação ao governo Trump. Todo mês. Então, se vocês colocarem no Instagram 501, vocês vão ver esse movimento. E aí eles vão colocando todas as pessoas que vão falando outras coisas que não estão sendo faladas no governo Trump. E
uma delas é o Bena Flec, aquele moço esquisito que fala de boca fechada, mas é lindo, né? Isso a gente não pode deixar de dizer, né? Ele vai fazer uma defesa do dos muçulmanos e do islamismo. Então assim, a gente ouve Isso, mas não é terrorista, mas não é perigoso. Então, né? é outra coisa que você não foi aculturado. Não existe só a cristandade. Existem muitas outras possibilidades que são legítimas como a nossa. Se é que a nossa é cristã, também pode não ser. Assim, para os ocidentais, a referência maior é a cristandade, seguindo uma
proposição que tem em Jesus Cristo, o direcionamento das perguntas sobre o humano adicionado a uma pauta de condutas. Ou seja, responde o que é e Diz o que fazer. Ó que perfeito. Eu não sei o que é o ser humano. Jesus, o maior dos psicólogos, diz ainda diz o que que tem que fazer. Faça isso, isso, isso e isso, né? Não sei se vocês estão sob a a se leram o conto da Aia, se assistiram a série O conto da Aia. Tô assistindo. Que desespero. Eu tenho muito medo dessas coisas de que vai dizer o
que eu vou fazer. Tenho muito medo, principalmente por ser mulher, né? No conto da aia, eu preta, Bocuda, não tenho óvulo, não vou parir mais ninguém. Tava lá na colônia sendo fritada, pegando câncer, né? Aí, mas eu tenho a esperança, né? Rezando lá a dança da morte do Stephen King de poder ser a mãe Abigale, para quem leu sabe do que eu tô falando, né? Tá lá no meio do milharal e todo mundo ir para lá e me ajudar a sobreviver com 101 anos também é uma possibilidade, né? Mas vejam, não é para mim que
eu tenho que pensar. O problema da de usar a religião Como artifício é que eu tô pensando na minha insegurança. Eu não dei conta porque eu não tinha base, né, para fazer uma construção da psicologia como ciência. Religião passou ou eu já tinha. E aí ela me dá uma possibilidade de um caminho. Porque o ser humano só tem três problemas. Ser humano não gosta de sofrer, adoro a segurança e detesto o desconhecido. Então, a coisa foi segura, Tá doendo, não, não importa, porque eu sei até onde dói. Fulano sai daí, não, não, deixa, deixa assim
mesmo. É assim mesmo, né? Então, a gente vai adotar aquilo que nos deixe seguros, mesmo que aquilo não tenha nada a ver com a sua prática. Nada, nada, nada, né? Eu tive uma situação ano passado com familiar, um adoecimento grave e aí tivemos que procurar um profissional que ia fazer uma investigação oncológica. Primeira Consulta, né? Então a gente com medo, primeira consulta e aí o cara seco, sabe? Seco igual um biscoito creme cracker, sabe? Um negócio horrível, né? E isso e passa a mão e olha, fuma. Fumo? Não fume. Eh, acredita em Deus? Oi. Aí
eu olhei assim, que que a gente responde na hora dessa? E o que que isso tem a ver com a cirurgia, né? Com nada. E aí a pessoa falou: "Nada e falou: "É, se tivesse um Deus te ajudava Bastante." Bom, com Deus ou sem Deus, correu tudo bem na cirurgia, deu tudo certo, não era câncer, enfim, né? Mas sabe assim que isso não é próprio, não é nada próprio, né? Não faz o mínimo sentido isso. Não se pode gastar o nome de Deus em vão. A gente é cristão até a página um, né? Voltemos. O
problema dessa escolha do estudante ou do profissional de psicologia pelo apoio de Sua construção profissional na religião é que ao atuar diante das pessoas ou grupos em sofrimento, a perspectiva do profissional em sua vida não cabe. Não é de você que se trata. Vá se tratar em algum lugar. Ali você trata alguém, você não interessa. Legal. Põe lá no seu banheiro. Eu não interesso quando eu estou trabalhando. A religião é uma forma de conhecimento da vida, dentre outras. São Quatro as formas de conhecimento dos fenômenos da vida: o senso comum, a filosofia, a religião e
a ciência. O senso comum é fruto do cotidiano, não se interessa pela dúvida nem duvida, é a ação que se conduz de acordo com as certezas do viver. A filosofia indaga, questiona, subverte o cotidiano e o coloca em cheque sem a pretensão da resposta. A religião tem dogmas e são eles que definem o que é o viver, cuja única questão é como cumprir o que os Dogmas já prediseram. A ciência modernamente cartesiana propõe teorias que sobre os holofotos dos conceitos questionam e revém os fenômenos do viver, renomeando-os e os reorganizando de acordo com a efetividade
de ações de transformação. Cada forma é necessária e tem o seu lugar, mas não se pode atuar profissionalmente em psicologia a partir do senso comum, nem a partir da filosofia, que é outra graduação, nem da religião, por mais que na própria vida o Profissional se veja assegurado nessa forma de saber. Não estamos na idade média em que o estado era religioso. No estado moderno, o humano se constrói subjetiva-se em três eixos: a família, sociedade e o estado. Em cada um desses eixos, as formas de conhecimento podem atuar com maior ou menor intensidade, mas é o
Estado que, como marca das leis e da governabilidade, orienta o principal aspecto dessa época. Todos e todas são sujeitos de direitos, desde Nascer até morrer. O Estado rege as leis e as possibilidades de existência de acordo com a Constituição diante dos cidadãos e das cidadãs. Para isso, garante que todos e todas sejam o que quiserem e como quiserem. Nesse quesito, não cabem as considerações religiosas, pois o Estado moderno, para garantir direitos, deve se curvar à singularidades radicais e as particularidades necessárias. O Estado é, pois, laico por exigência de sua Condição de defesa e garantia de
direitos. O estado laico é a garantia de que cada um e cada uma possam praticar suas crenças como bem lhes aprover, sem interferência estatal ou política ou legislativo, estado laico, é a garantia de você ter uma religião. Gente, eu não entendo quando as pessoas falam: "Ah, o estado não pode ser laico". E, né, prega um crucifixo no meio da sala? O estado é laico, não pode colocar nem crucifixo, nem ebó, nada. Não põe nada. Por quê? Porque não. Porque cada um tem a sua crença e aquele não é lugar disso. A máxima do jogador do
futebol devia ser feita em ponto cruz em todas as casas. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A gente não mistura as coisas, né? Independente do que você faça, quando você fecha a porta do seu trabalho, você não mistura. E isso tem que ter uma radicalidade tal e de proteção tal. Quando eu era coordenadora, eu tinha uma proteção da Minha vida com uma tal radicalidade que os alunos tinham certeza que eu era até. Nunca falei nada, nem que sim, nem que não. Por quê? Porque não interessa. Interessa eu ser coordenadora, né? Isso
que interessava fazer bem a coordenação, né? Então, o que que eu penso, o que que eu gosto, o que que eu faço, para onde que eu vou? Ninguém tem que saber da minha vida. né? E isso é muito importante, porque isso preserva um lugar, inclusive para aquele Que vai buscar ajuda de segurança. Quando a gente fala que a gente não faz acepção de pessoas, não faz mesmo. Eu não faço mesmo. Eu atendo qualquer pessoa. Qualquer pessoa, em qualquer condição. O trabalho que eu tenho de mais valor na minha vida e que eu continuo fazendo mesmo
depois da pessoa aposentada, é tanto o trabalho com as pessoas com transtornos mentais graves, quanto as pessoas em situação de rua, né? Então assim, cuidar dessas Pessoas é o meu plano, mas é de verdade. É sentar junto, é comer junto, é discutir junto, é andar com abordagem social e ver onde foi parar aquela pessoa, é descer a pirambeira sem saber se vai dar conta ou não, né? Para saber onde que fulano sumiu. Fulano sumiu, né? Quebrou o pé e sumiu. Vamos achar fulano. Onde tá fulando? Uma pirambeira lá de uma construção. Falei: "Nossa, mas é
para descer, né?" Pensei comigo, bom, se não Fosse para descer, não tinha vindo, né? Então bora descer, né? Ajuda aqui que a gente desce depois se eu subo, eu não sei, né? Mas a gente desce. E achamos lá o moço, conversamos com o moço, o moço não tinha quebrado nada. Porque assim, porque alguém tem que fazer esse trabalho. Quisera eu que fossem muitos psicólogos, né? Mas a psicologia dia 20 vai ter a defesa de um ex-aluno que hoje é professor em Nottingham em Londres sobre a discussão da psicologia como uma Prática colonial. psicólogo faz psicologia
para branco, né? Lembrando que no Brasil a gente tem como máxima o Gerson. Quem tem minha idade lembra do Gerson falando na na propaganda do Prestobarba, né? O negócio é levar vantagem. Brasileiro tem no fundinho da alma um capitão do mato, no estilo ali do jango livre. Vocês já viram jango livre, né? Não tem aquele cara, né? Então, pensei um palavrão, mas não pode Falar, né? Então assim, é aquilo, a gente quer levar o nosso, então, mas cada vez que a gente leva o nosso, a gente impede o do outro, impede o de todo mundo,
né? Então há que se tomar muito cuidado com isso. O estado tem que ser laico. Um estudante de psicologia, um profissional psicólogo ou psicóloga pode ter uma prática religiosa, pode ter crenças, mas quando leva sua crença para o atendimento e ao trabalho Profissional, não está fazendo ciência, que é o lugar desse profissional. Psicologia não é senso comum. Não se organiza em torno de empirismos. Não é filosofia. Há que construir soluções. Não é religião, porque não se pode impor fé ou crença a ninguém. Essa é a ideia das teocracias, onde não há sujeito de direitos. A
psicologia é ciência e, como tal, tem sim condições de trabalhar e dar conta das dificuldades e sofrimentos humanos. Para a psicologia, conceitos Que sólidos permitem o irigimento, a construção de reflexões acerca dos problemas que lhe chegam. Os conceitos podem ser revistos e tocados pelas apresentações fenomênicas e isso acontece regularmente na prática psicológica, obrigando o estudante e o profissional a estudarem muito e sempre. Nisso, e passo a finalizar minhas colocações, em uma sociedade pouco leitora como a nossa, com baixa adesão à produção artística de qualidade e Raramente afeita a ações comunitárias e territoriais, o estudante ou
a estudante de qualquer área estará refém de apresentações de baixa qualidade que vendem soluções boas. bonitas, baratas e rápidas. No Instagram tem rodado uma proposta de compre um livro de metáforas, 10.000 metáforas para você usar na sessão. E eu fico sempre pensando, você vai colocar o quê do lado ali? Aí a pessoa fala, você folheia ou você vai escolher algumas previamente? Como é que você vai saber o que que a pessoa vai falar que vai servir uma metáfora de 10.000? Isso é pilantrice, né? O canto da sereia do mercado necroliberal, sempre encantador, faz de profissionais
de psicologia um de seus cavaleiros do apocalipse. Quando Foucault descreve a biopolítica no final do século XIX, ele vai dizer que quatro, ele vai dizer que os poderes disciplinares fazem acontecer o Higienismo e a eugenia. E isso vai solidificando aos poucos, né, o nazismo. E a criação dos anormais é muito importante do monstro, porque esse monstro vai ser essa pessoa que as quatro aí, aí é a minha visão, os quatro cavaleiros do apocalipse vão tomar conta, a psicologia, a medicina, o direito e a pedagogia. Em tempos de necropolítica, que é o que a gente tá
vivendo agora, os quatro cavaleiros do apocalipse estão de Volta. A psicologia nunca foi tão sucateada e tão esquisita, muito esquisita, com práticas que usam escalas, testes e não observam, não fazem clínica. Não entendo isso. Por não faz clínica? Porque só não senta e ouve. A gente já vem pronto, com aplicativo pronto, dois ouvidos, uma boca. É só sentar e ouvir. E o que que faço com isso depois? Não sei. Primeiro você ouve, descreve, procura supervisão, Discute-se o que se faz com isso. Mas não dá para saber o que vai fazer. O conceito não vem antes
do sujeito. Deixa acontecer primeiro, né? A medicina também não nos ouve. Vocês já foram médicos que você reclamou, estou com dor no ombro. O cara pergunta: "Qual o cotovelo?" A pedagogia também perdeu seu saber pedagógico. Ela manda pro especialista em saúde. O especialista em saúde, ele não constrói Autonomia, né? Eu com esse monte de título, com 40 anos formado, você sentar na minha frente, começar a falar da sua vida e tal, e ao final eu te der um sid, você vai embora para casa com isso na cabeça. Você não vai duvidar de mim. Não é
possível que ela não sabe o que ela tá falando. É possível. É possível que ela esteja ganhando dinheiro com você. Só isso. Nossa, mas isso é muito feio. Horrível. Então, mas o humano é Horrível, né? Em tempos necroliberais, isso é extremamente perigoso, né? Eu me formei muito cedo, muito jovem e por ser jovem era aflita pelas soluções. Diante das perguntas dos professores de minha época, se psicologia era ou não era ciência, eu pensava que devia ser ciência, senão não precisava estar na universidade. E quando na sequência eles nos questionavam qual era o lugar do psicólogo,
eu pensava: "Tem dois caminhos, ou eu vou reproduzir ou eu vou Transformar". Detalhe, na minha época o curso de psicologia era curso de espera marido 1982. E para calhar, né, essa situação, os prédios dos cursos eminentemente femininos, serviço social, pedagogia e psicologia, ficavam na beirada do morrinho e embaixo ficavam as engenharias, né? Então, dizias que realmente nós estávamos ali esperando para casar com os engenheiros. Ninguém Nem namorou os engenheiros. Então assim, eu ficava pensando que eu não tava ali para aquilo. Eu era muito jovem, eu entrei no curso com 16 anos, né? Então era muito
nova, mas eu ficava pensando nisso. Tem que fazer alguma coisa com isso, né? E eu não vou dar conta de reproduzir, embora eu saiba que é fácil. Porque reproduzir você não precisa pensar, basta reproduzir. Transformar, eu pensei, deve ser uma ousadia. Eu escolhi transformar E por isso que eu tô aqui. Obrigada. [Aplausos] [Aplausos] Obrigada, professora Roberta, pela sua fala, esse início, né, de mesa muito importante. Quem gostaria de prosseguir? Ixe, ele jogou aqui no seu colo. Vai ter que ser você, Sérgio. É, depois da fala da fala da Roberta tá difícil, né? Então, eu quero
começar a minha fala assim, muito prazer em conhecê-la. Prazer, viu? A gente não foi Apresentado antes da mesa. Meu nome é Sérgio. Oi, Sérgio. Sou Rob, tá? Nós somos companheiros há muito tempo e vou falar uma frase. Nunca te vi, mas sempre te amei por tudo que você falou. Tá bom. [Aplausos] Obrigado. Eu fiz questão de fazer isso aqui porque me mobilizou demais tudo o que você falou, eh, inclusive pela sua origem, né, enquanto pessoa, o seu lugar de Fala, sua história, essa essa guerreira que você demonstrou ser aqui por ter vencido até aqui tantas
guerras e tantas batalhas num país como o nosso, tão excludente, né, com pensamento ainda extremamente colonizado. eh um país com uma deficiência de eh muito grande de educação, de analfabetismo funcional reinante, de pessoas que tm uma dificuldade muito grande de elaborar, de Entender, de discriminar. Então, me emocionou muito a sua fala, né? E e eu realmente eu te estou assim muito mexido com tudo que você falou e assim agraciado pela forma como você conduziu aqui a o tema, né, mostrando em linhas gerais essa relação entre o saber da psicologia eh da religião enquanto um fenômeno
da nossa espécie humana e essas divergências que através atravessam esse Campo, né? Porque são saberes que atravessam o nosso dia a dia, não apenas a nossa prática profissional. E como eu sou do psicodrama, eu sei que o psicodrama ele não tem assim nas na nos cursos de psicologia uma penetração tão grande enquanto uma disciplina mais estudada, mais abordada e mais vista, como por exemplo a psicanálise, a terapia cognitiva comportamental, a sistêmica e outras linhas. E eu achei interessante quando o Convite chegou até a mim, porque eu sou de eu sou, né, já fazendo um pouquinho
da minha audio descrição, eu sou um homem de 70 anos de idade, né? Eu sou formado há 45 anos. Eu terminei eh o meu curso de psicologia em 1979. Só para vocês verem como a Roberta entrou cedo na faculdade, né? Ela entrou cedo na faculdade, porque eu terminei o meu curso 79, terminei com 25 anos, né? Então ela ela foi uma precursora nesse sentido também. E é uma feliz Coincidência eu ter vindo para essa mesa. Acho que poucas pessoas sabem, né? Eu entrei uma aventura religiosa no segundo ano de psicologia e esse homem de 70
anos aqui, cinco já foi 5 cm mais alto que a Tainá. Já fui 5 cm, né? Já diminuiu um pouco a minha altura. Hoje acho que eu tô mais ou menos do seu tamanho. Barba branca, cabelos brancos, aí todos frutos de uma genealogia familiar, mas também de muitas batalhas que eu precisei eh Quase que de uma maneira similar enfrentar como a Roberta quando eu decidi o que fazer com a psicologia na minha vida. Por quê? Porque a experiência religiosa ela atravessou a minha vida no segundo ano de psicologia. Então vocês imaginem eh que jornada conflituosa
eu entrei sem saber, porque era um jovem de 21 anos, completamente ingênuo, né, maravilhado com o ambiente universitário, mas eu não fazia engenharia, eu fazia Psicologia, né, e eu não tava lá para casar. E realmente a experiência dentro da escola era assim, a a nossa sala ela era como se fosse uma vitrine, né, onde os alunos da engenharia e das ciências exatas, eles na hora do intervalo passavam na frente da porta indo e vindo para poder, né, interagir com as meninas e entrar lá na nas paqueras, nos namoros e nas aventuras amorosas. e eu e
mais quatro Caras ali dentro da sala. Éramos cinco só. Não sei hoje como que tá a composição. Eu não, eu não dou aula em faculdade de psicologia, não sei, mas acho que tá na mesma proporção, né? Ainda a dominância é das mulheres. E os homens nesse aspecto, né, eles passam a ser olhados de uma forma muito discriminada pela classe dos machos, né? Então eu tô assim descrevendo um pouquinho esse cenário para vocês verem o lugar em que eu estava historicamente Naquele momento. E essa experiência religiosa, ela me atingiu no momento que eu estava muito fragilizado.
Eh, não era tão fácil fazer terapia naquela época. Não era tão fácil fazer terapia. Eu fui buscar auxílio psicoterápico com os professores da faculdade. Para minha surpresa, não me foi oferecido, não foi aberto isso, né? Eu tentei entrar inclusive na fila da própria clínica escola, consegui fazer uma sessão de terapia e fui fazer Terapia só no último ano de faculdade na numa das cadeiras de estágio, justamente o psicodrama, né? No último ano de de faculdade, a minha experiência com psicodrama foi terapia de grupo, mas eu já tava mergulhado na religiosidade e essa essa religiosidade atravessou
a minha vida juntamente paralelo com a minha profissão e foi até 1997. Aí vocês façam as contas. Eu fiquei no sistema religioso 20 anos, conheci de tudo, né? E em 21 anos eu me Desliguei desse sistema. Eu já vocês façam suas contas, já faz 28 anos que eu não estou nesse sistema, mas dele eu aprendi muita coisa sobre as relações, né, das experiências que são absolutamente subjetivas nesse terreno da espiritualidade. As experiências são subjetivas. Não importa a fé denominacional institucional, se ela é cristã católica, cristã evangélica, cristã espírita, cristã confessional, Cristã reformada, ou se ela
é uma fé de religiões de matrizes africanas, se ela é uma fé de religião oriental, se ela é uma fé de origem não religiosa, eh, não teísta como o budismo, não importa. A espiritualidade é um fenômeno que é muito diferente daquilo que a gente entende como religião. Religião é uma coisa, espiritualidade é outra. Ela é ela está presente na origem da nossa espécie. Foi isso que eu aprendi na minha experiência prática. Como eu encontrei o psicodrama no 5º ano, iniciei minha formação e especialização em psicodrama em 1988, isso já vai para quase 40 anos. que
eu tô nessa prática, eu aprendi muito com o criador do psicodrama, porque a base filosófica do psicodrama é a intersecção entre o existencialismo, a fenomenologia e o racidismo. O racidismo, para quem não sabe, é uma vertente religiosa do judaísmo que nasceu com um rabino no Século X7, século X, 17, Buschentov, que acreditava que a espiritualidade de Deus poderia se manifestar na relação uns com os outros. Por isso que eu fiz questão também de demonstrar o meu apreço pelo Roberto, pegando na sua mão. Por quê? Porque você disse no começo da sua fala: "Não existe forma
de você escutar uma pessoa sem essa ligação, porque a nossa mente ela tá aqui, o nosso eu tá Aqui. Nós não conseguimos viver sem isso aqui, sem a relação, sem a ligação uns com os outros. muito bem demonstrado em tudo que a Roberta colocou aqui. Então, esse aprendizado ele foi atravessando a a minha prática profissional e e como eu saí do contexto religioso e não pertenço mais a ele, eu comecei a tentar abrir a possibilidade de escutar essa experiência que num país como o Nosso, atravessado por tudo aquilo que a gente escuta hoje em redes
sociais, hoje em redes sociais Você vê ofertas de todos os tipos. São as 1000 metáforas para você eh contar histórias, né? É engraçado, né? Como é que você vai usar 1000 metáforas com 10.000, né? 10.000 metáforas. Impossível você decorar 10.000 metáforas, né? Para usar. Não que eu que eu tenha alguma coisa contra. As metáforas, as metonímeas, elas são Extremamente importantes no diálogo que você tem com o seu paciente. Enquanto você escuta, você pode usar todas as representações possíveis. A base do da nossa prática psicodramática clínica é a representação do imaginário enquanto base do inconsciente e
do coinconsciente, que é um conceito nosso em psicodrama, um pouquinho diferente do inconsciente pessoal do Freud e do consciente coletivo do Jung. Eh, o coinconsciente é algo que atravessa as Nossas relações diariamente. Por isso que a base filosófica do moreno, quando ele junta essas três vertentes, acidismo, eh, existencialismo e fenomenologia, ele cria uma filosofia chamada filosofia do encontro, que originalmente foi publicada em 1914 em Viena. E mais tarde, essa 7 anos mais tarde, né, 9 anos mais tarde, o Martin Bober publicou no livro dele, O Eu e Tu eh muitas coisas que o Moreno já
havia Publicado em 1914, mas sem citar Moreno, né? O Buber não cita o Moreno, ele faz um copia e cola do que o Moreno escreveu e cria a a base da da da filosofia do encontro do Buber, que influenciou todas as escolas humanistas da psicologia. A partir daí, a mais conhecida nos Estados Unidos é do Carl Rogers. Basicamente, independente da opção e da escola que a gente escolhe seguir, quando você recebe qualquer pessoa num contexto Clínico, eu vou partir do ponto que a Roberta colocou, a escuta, a escuta é absolutamente importante, mas como nós temos
cinco sentidos, tão importante quanto a escuta é o olhar. É olhar. É como você olha aquela pessoa que está do seu lado. Eh, olhar para a pessoa que está do seu lado ou na sua frente e escutá-la, eh, vai exigir de você um despir-se, um desnudar-se completamente De todos os seus saberes. Não importa o quanto você saiba, isso foi dito de outra forma pela Roberta agora a pouco. Não importa o quanto você esteja dominando ciências, aprendizados, experiências. Eh, aquela pessoa que está ali, ela vai em busca de forma imediatista e contingencial de soluções, especialmente, repito,
nesse mundo de redes sociais que oferecem que oferecem via Instagram Soluções instantâneas. Como dizia o Bman, a gente vive um um mundo de relações de afetos líquidos e eu diria, acrescentaria, acredito que é pior do que isso, nós vivemos dentro de um sistema chamado mundo de demandas instantâneas. Instantâneas. Quando a a Roberta fala dos quatro cavaleiros do apocalipse e especialmente da psicologia sucateada nesse de de entrar nessa demanda que as redes sociais estão Impondo sobre nós através dos algoritmos. Eh, eu eu fico assustado porque eh mais forte do que os amores líquidos que o Balma
escreveu, eu estou vendo uma uma necessidade de soluções, eu vou cair numa redundância, de soluções solúveis. Nós vivemos uma uma psicologia nescafé. Nesse café, dissolve rápido, toma rápido e satisfaz rápido. Oras, isso isso é o uma experiência de massa muito própria e Histórica do fenômeno institucional religioso. Se você olhar olhar a história das religiões, o que que a religião em si propõe? Exatamente isso. Soluções instantâneas. um Deus instantâneo, um acesso instantâneo a um paraíso perdido que você pode encontrar dentro de um local fechado de quatro paredes, adornado com vários objetos intermediários que vão facilitar a
sua comunicação com a dimensão transcendente E que e que ali dentro daquele lugar intermediado inclusive por um sacerdote você vai ter acesso, refúgio, e acolhimento para todas as dores da sua alma. Veja bem, eu não tô dizendo aqui de forma alguma ou invalidando invalidando esses lugares ditos sagrados como eh eh parte da cultura, da história, enquanto fenômeno eh religioso daquilo que o homem constrói a partir daquilo que ele entende como divindade. Não, eu não tô não tô indo por aí. Eu estou aqui levantando uma crítica ao uso ao uso que se faz desses lugares e
nesses lugares da nossa necessidade humana contingente, aflitiva de resultado. E nesse clima que nós estamos vivendo hoje entre essas duas fronteiras, uma demanda cada vez mais massiva de resultados imediatos pro sofrimento psíquico. E essa mistura, essa interface que tá ficando mais confusa dessa Psicologia que vem se sucateando e se vendendo por uma política neoliberal de soluções rápidas, em que tudo vira produto, em que tudo vira produto. e a psicologia acaba virando um produto, ela acaba virando um produto comerciável, vendável e que dá lucro. Dá lucro. A forma como ela tá sendo veiculada hoje, ela fica
quase que da mesma cor das religiões que se vendem hoje. As religiões se vendem, se vendem, se vendem. Infelizmente, a que mais se Vende hoje, que foi aonde eu me aventurei religiosamente, do lugar de onde eu saí, rompi e desliguei, é o protestantismo, tracinho evangélico, neomoderno, neopentecostal, é o que mais vende, é o que mais comercializa, é o que mais subjulga, é o que mais controla, o que mais manipula. quando a psicologia ou entre aspas alguns psicólogos, como foi citado aqui pela Janaína, eh eh entram nesse nessa nesse campo e fazem uso desses mesmos Mecanismos,
daí daí a psicologia representada por essa minoria de profissionais que fazem isso, que eu acredito que são minoria, acredito que são minoria, não sei estatística do CRP a quantas anda para poder constatar quantos profissionais vem fazendo uso desse esquema, mas eu acredito que são que são minoria, mas não importa se são minoria, estão fazendo. Nós tivemos uma batalha aí 4, c anos atrás da cura gay que foi feito por um grupo dito Cristão que estava justamente eh eh impondo essa essa esse tratamento para as pessoas que em sofrimento psíquico procuravam auxílio psicoterápico por causa da
sua orientação sexual. Então, a psicologia, nesse sentido, ela eh eh vai se colocando no mesmo nível dessa religião comercial que está aí no mercado como produto. E para terminar a minha fala, eu queria dizer assim: o que fazer com isso? O que nós profissionais fazemos Com isso quando recebemos essa demanda na clínica? A primeira parte eu já falei, a Roberta falou, eu apenas complementei a escuta e acrescentei o olhar. Por que o olhar? Porque através do olhar a gente se despe, se despe de todos os conceitos pré-definidos que nós vamos ter se você recebe, por
exemplo, uma pessoa religiosa no seu consultório. Quando você recebe uma pessoa religiosa, não importa a Origem, na nossa cidade de São José do Rio Preto, quase sempre nós vamos receber pessoas de origem católico protestante, que são as duas principais religiões dominantes aqui no nosso município. Não sei vocês, mas na minha prática clínica eu recebo isso constantemente. E pessoas com quadros de ansiedade gravíssimos, depressivos gravíssimos, alterações de humor gravíssimas e ali completamente desorientadas e perdidas porque não Consegue entender porque estão assim, já que tem fé. Se você não se despe do seu conceito ou do seu
preconceito em relação à prática religiosa daquele sujeito e tenta olhar para aquela experiência como um fenômeno exclusivamente humano que atravessa a história daquele sujeito e que ele precisa ser acolhido a partir daquela experiência para que a partir daquela experiência você como um farol como um farol, né, que ilumina um oceano Em trevas, um mar em trevas, como se aquele mar em trevas fosse o inconsciente. E você é aquele farolzinho que, de repente tá ali iluminando uma parte, um trechinho daquele mar de inconsciente que o naviozinho, que é o sujeito, vem navegando sem saber de onde
ele veio e para onde ele vai. Se você não tiver condições de acolher esse sofrimento desse sujeito por causa da fé religiosa dele, a qual você não Concorda, a qual você não pratica, ele vai embora. Ele vai embora. Ele não vai conseguir ter essa escuta. Então, a como que a gente se despe disso? Entendendo que a espiritualidade não tem absolutamente nada a ver com religião. Eu sei que é difícil aqui em pouco tempo eh demonstrar isso para vocês filosófica, teoricamente, mas o que eu posso dizer assim num num Trechinho bem curto é: não esqueçamos que
quando a nossa espécie surge no planeta, a nossa homo sapiens anteriores a nós, quem estava presente no planeta mais tempo que nosso, os neandertais, pela região aonde eles foram descobertos os primeiros os vestígios, por isso o nome neandertis. Paralelos a eles, nós tivemos os florenses e mais três espécies. Eram cinco espécies de neandertais antes do homo saápiens Existir. O que que aconteceu com eles? Eles foram exterminados por nós. Nós exterminamos com eles. Quanto tempo eles sobreviveram no planeta? pelas pelas pesquisas arqueológicas e estudos antropológicos, 250.000 anos eles estiveram aqui no planeta. Nós, quanto tempo estamos?
50.000 anos. cinco vezes menor do que eles. Ã, o que deu sustentabilidade aos aos neandertais, sendo que eles não tinham o domínio da linguagem, não Tinham a capacidade de desenvolver a consciência, a a a estrutura de manejo corporal, como SPS, o que deu consistência para eles para sobreviverem a consciência comunitária e tribal, a consciência de grupo. Essa consciência de grupo, ela não vem com homo sapiens, ela vem dos neandertais, ela se manteve na nossa espécie homo sapiens. Mas um dado curioso e interessante, os neandertais Eles tinham cultos, eles já investigavam e queriam descobrir de onde
eles vinham e para onde eles iam. Os neandertais, de acordo com as pesquisas que especialistas fazem, foram eles que criaram a ideia do divino representado por tótens. E a represação a representação desses tótems eram com figuras de animais. Então, a espiritualidade ela é muito mais antiga enquanto fenômeno que Desafia a nossa compreensão e a nossa inaceitação. A nossa inaceitação até hoje que nós somos finitos. Nós somos finitos. Você vai morrer. Eu vou morrer. Eu tenho mais certeza disso hoje do que você que tá aí. Eu tô com 70 anos, né? Eu tô com 70 anos.
Eu, imagine, eu fiz 60, 10 anos. Minha primeira neta nasceu, ela tá com 12. Eu fico pensando, pô, 10 anos passou tão rápido e e daqui 10 anos eu vou ter 80. Eu falei, será que eu chego lá? Esse era o nosso papo aqui na entrada. E o Nélson e o Paulo. O Paulo tá ali. Eh, o nosso pó era esse, né? Eh, será que chegamos lá? Veja bem agora, por que que o nosso tema aí? Ah, idoso só fala de doença, remédio. Fala mesmo, porque nós precisamos, a gente vai mais. Eu eu eu brinco,
né? O meu o meu shopping center preferido é a droga raia, né? Eu entro e saio constantemente de Lá, né? E por aí vai. Mas por incrível que pareça, eu digo para vocês que aos meus 70 anos hoje, a plenitude de sabor de viver, de de tesão pela vida, de eh ter mais prazer hoje de fazer o meu trabalho como profissional em psicologia do que há 30 anos atrás é melhor hoje do que era ontem, muito melhor, com mais qualidade, com muito mais sensibilidade. E esse essa experiência que a espiritualidade, mesmo eu tendo saído lá
Do do contexto religioso, ela me acompanha como fenômeno, como fenômeno de experiência. Por quê? Experiência tem a ver com a sua subjetividade, como a a Roberta falou quando definiu o conceito de religião, religar, e que a base do religar religião é a fé. Aí eu pergunto para você, como que é possível dogmatizar a fé? Uma pergunta simples. É possível Você dogmatizar a fé? É possível você doutrinar a fé? A fé é subjetiva. Não tem explicação. Como diz a música, não tem explicação que a Cácia Her canta. Não tem explicação, não tem explicação. São experiências humanas,
particulares nesse aspecto, por esse olhar, considerando que a fé é subjetiva e é uma experiência constitucional da nossa origem enquanto espécie humana, ela a partir daí pode ser olhada De outra forma no contexto clínico, por ser uma experiência subjetiva. E por ser uma experiência subjetiva, você pode ajudar o sujeito que tá ali como paciente a partir dessa experiência que, por ser subjetiva, se você se despe, né, de todos os seus saberes e se aproxima e tenta se colocar no lugar dele, é uma tentativa. Às vezes não dá certo, às vezes dá, mas se você se
aproxima e consegue através da escuta e o olhar se colocar, você vai conseguir Acolher ele na experiência subjetiva de fé. Então, é assim que eu vejo uma possível uma possível aproximação não institucional, não denominacional, não dogmatizada da religião e sim da espiritualidade como um campo, um campo a ser pesquisado e explorado pela psicologia. há uns 5, 6 anos atrás, se eu não me não, 10 anos atrás, ah, eu não sei qual foi a editora, vocês vão encontrar esse Livro na internet. Eh, o nome é Psicologia da espiritualidade e ele foi tem vários artigos escritos por
vários autores, eh, descrevendo a experiência deles como profissionais de psicologia a partir de um lugar de fala de cada um deles de experiência particular de fé. Então, nós temos lá um colega escrevendo sobre o candomblé, nós temos lá uma pessoa escrevendo sobre o a experiência cristã, nós temos lá uma pessoa Escrevendo sobre a experiência com o espiritismo. E a partir daí um desses autores foi professor meu na faculdade, que é o Dr. Geraldo Paiva, que acho que já faleceu, ele tá bem velhinho. Se eu já tô velhinho, imagine ele, né? Eu tô com 70, ele
deve estar com mais de 80. Mas era uma sumidade, um professor fantástico, né? e ele escreve um capítulo. Eu sugiro que você leia esse livro. E o outro que eu queria sugerir muito legal que foi passado para mim, Pela minha amiga e colega Anita, que tá aqui, né, que é uma bibliófila assim, eh, bem profíqua, lê bastante. Ela me passou, não sei se você lembra, Anita, o Espiritualidade para céticos, que é muito legal, muito importante, escrito por um filósofo norte-americano, Robert Solomon. é uma leitura que eu sugiro e que vale muito a pena para poder
orientar eh eh a sua postura profissional de escuta e de olhar eh Para as pessoas que buscam você em estado de sofrimento psíquico. Por quê? Porque religião, com seus dogmas é um dos maiores produtores de sofrimento psíquico no mundo. Olha aí o que tá acontecendo quando ela cita bem. Olha o que tá acontecendo na faixa de Gaza entre e eh o estado de Israel, não os judeus, não tô falando do judeus, tô falando de estado de Israel. Não venho aqui falar que eu citei judeu, não. Não tem nada a ver com os judeus. é estado
de de Israel político, uma política narcocapitalista, eh, necropolítica, que tá simplesmente querendo erradicar um povo que está há milênios naquela região na base do genocídio. Isso vem do quê? Isso vem do quê? Fanatismo religioso. Então, como nós profissionais vamos lidar nesse campo, né? nos dispos, afastamos desse fanatismo Religioso, mas nos colocamos nessa disponibilidade de escuta eh e de olhar com essa pessoa que vem com esse sofrimento que a religião tá causando, mas respeitando a espiritualidade como fenômeno da sua transcendência humana. Enquanto espécie, a espécie mais dependente, não se esqueçam, né? Nós somos a espécie mais
dependente do planeta. Você já parou para pensar nisso? Nenhuma espécie demora tanto tempo para Ser independente como a nossa. Por isso que a gente precisa muito uns dos outros. Muito [Aplausos] obrigado. Ah, deu certo. Deu. Muito obrigada. Eh, Sérgio, acho que a gente tá vendo aqui o debate se desenhar. Na minha cabeça ficou um pouco, Roberta, né, trazendo uma fundamentação. Qual que é a fundamentação da religião, a fé? Qual Que é a fundamentação da psicologia, a ciência, essa divisão, né, e outras coisas mais que ela foi enriquecendo durante o debate. Eh, e agora o Sérgio
traz a questão da divisão, o que é religião e espiritualidade, né? Então, a gente tá vendo aí o debate tomar uma forma, resumidamente, assim que eu quebra a cabeça fica na minha cabeça. Assim, só uma coisa, Sérgio, você falou que as meninas passavam na sala de aula, ficava vendo os meninos. Eu acho que Você tá errado. Os meninos vendo as meninas, às vezes os meninos estavam olhando pros meninos e as meninas olhando pras meninas, né? Ou às vezes tinha três pessoas olhando para três pessoas, né? Então, Mato Grosso não tava se ele tivesse lá, com
certeza o babado Ah, mas já existia, hein? O babado é forte. Então, pra gente dar sequência, ó, babada é forte. Então, pra gente dar sequência aqui, quero pedir pro Professor Nelson, por último, mas não menos importante, para fazer suas considerações, tá certo? Bom, primeiramente quero agradecer aí o convite por estar aqui presente nessa mesa, congratular com meus colegas, dizer que as falas foram muito significativas, relevantes, fazem a gente refletir muito, né, a respeito aí do conteúdo e da temática. E aponto que eu iria projetar uma aula aqui, mas eu vou optar por não Projetar. Agradeço.
Pode deixar o primeiro slide. Eh, então estou optando por fazer uma fala um pouco mais livre e não tão eh direcionada pelos slides, né? É importante a gente, o pedido que me foi feito foi para traçar algumas reflexões sobre a laicidade na psicologia, né? O ato laico, né? no processo do fazer psicológico. E eu tive pensando que para Falar da laicidade na psicologia, importante a gente, mesmo que de maneira muito breve, sintetizada, falar um pouco da história pra gente entender um por que a gente tá falando de laicidade no dia de hoje. E é importante
a gente referir que, como Dra. A Roberta já mencionou, paraa existência da humanidade foram necessários e continuam sendo necessários os diferentes tipos de Saberes e de conhecimentos. os diferentes tipos de saberes e conhecimentos é que na verdade constitui a formação humana, constitui a subjetividade humana, eh apresenta conteúdo para os processos e para as funções eh mentais, que é a constituição da existência do ser humano na sua construção de subjetividade, da sua construção de Idiossincrasia, de visão particularizada a partir do particular e do coletivo. Obviamente que a subjetividade ela não se forma somente na particularidade, ela
se forma na relação entre a particularidade e o coletivo. Se a gente for pensar, né, a partir dos conhecimentos que nós temos hoje, a constituição do eu, da identidade, ela se apresenta por Influências de diferentes conteúdos, desde os fundamentos e as constituições e os construtos organicistas, iniciando lá na genética, na transferência dos aspectos genéticos, na anatomia, na fisiologia, na neuroqu química, na bioquímica que vão levar a constituição de um temperamento mais organicista de um ser. faz parte da sua identidade os aspectos orgânicos, mas somente os aspectos Orgânicos não constitui um ser humano, constitui um corpo,
né, que pode ser até um corpo de um animal, o corpo de uma planta, né, que são seres vivos também e que de certa forma, como já preconizavam os filósofos lá atrás, apresentam algum tipo de alma, um sopro de vida, né? Mas o ser humano, ele também é constituído a partir de outras influências relacionadas a essas Primeiras e vice-versas, que são as as influências ambientais. a família com os seus valores, com os seus costumes, com as suas regras que já foram internalizadas, que já foram constituídas, né, ao longo de uma história de convivência na própria
sociedade. Os grupos, os primeiros grupos, os familiares mais distantes, os grupos mais afastados, o grupo da Escola, o grupo da igreja. E aí a gente vai, né, pensar na religião, na religiosidade, na espiritualidade, a cultura. E aí podemos pensar numa cultura ocidental, oriental, podemos pensar nos latinos, nos ângulos saxônicos. E aí já estou falando de diferenças, né, que foram construídas ao longo da história da humanidade. Semelhanças e diferenças. Os Regionalismos são todos fatores que interrelacionados entre si e interrelacionando-se com a bagagem organicista na sua interrelação, constitui a formação da personalidade e as suas diferentes e
idiossincráticas e individuais características de cada ser. Então, jamais um ser foi ou será igual a um outro ser Humano, dada a grandiosidade das possibilidades de combinações de todos esses fatores. Então, jamais haverá a possibilidade de um ser humano ser exatamente igual a um outro. mesmo gêmeos univitelinos, eles não são iguais. Isso faz a gente pensar, né, que se nós temos uma singularidade, um senso em comum de conhecimento e de Funcionalidade como espécie humanos que desenvolvemos ao longo da história, como bem mencionados aqui pelos nossos colegas, na construção de diferentes conhecimentos. um dos primeiros do senso
comum para a subsistência, para a existência, para a manutenção da vida. Posteriormente outros conhecimentos, como o próprio Conhecimento místico, né? E aí a evolução para a criação da religião, da religiosidade, da espiritualidade, o conhecimento artístico da da que permitiu a tradução das aprendizagens intergeracionais entre os descendentes e que nos permite a nossa estada aqui hoje a partir de um remonte histórico ao longo da existência da humanidade também, né, Eh, outros conhecimentos políticos, Jornalísticos, filosóficos, científicos. São todos conhecimentos importantes, necessários e imprescindíveis e utilizados na natureza da funcionalidade humana. Todos eles extremamente importantes. Não saberia dizer
se existe algum deles mais importante do que o outro na construção, na formação dos processos Mentais, das funções mentais, da subjetividade. E aí, né, estamos falando em diferentes funções que se combinam e favorecem a adaptação, ajustamento, equilíbrio do ser humano consigo mesmo, com os demais e com o mundo. Estamos falando da linguagem que foi desenvolvida em algum momento sociohistórico. Estamos falando da consciência e aí é a consciência do outro e de si. Estamos falando da Memória, estamos falando da sensação, estamos falando da percepção, estamos falando do raciocínio, estamos falando do julgamento, estamos falando da do
tôus afetivo, do tôus muscular, estamos falando do pensamento e tantas outras e tantas outras mais que a partir do acúmulo ao longo dos séculos de existência e da relação dos diferentes diferentes tipos de conhecimentos, foi Possível na somatória e na interrelação desses conhecimentos ir apurando determinados conhecimentos que levassem a entendimentos de um conceito de ciência. E a ciência é o quê? A ciência é o entendimento, a investigação, a compreensão. A ciência é a descrição, a ciência é a análise, a ciência é a hipótese, a ciência é a Intervenção, o controle e a reavaliação. Os demais
conhecimentos eles descrevem a realidade, até analisam a realidade. A ciência descreve a realidade, analisa a realidade, prospecta uma possibilidade como uma possibilidade, né, a partir das hipóteses mencionadas e das probabilidades e oferece a oportunidade da intervenção e da checagem. O que não quer dizer que a ciência é melhor do que os outros conhecimentos. São diferentes conhecimentos, todos eles muito importantes, significativos, mas é fundamental o discernimento entre eles. que é fundamental para os profissionais, pesquisadores e profissionais de qualquer área do conhecimento. E aí incluímos, né, o profissional da área da Psicologia, o discernimento desses conhecimentos, o
entendimento de que cada qual ocupa o seu lugar e que todos podem ser a base e a sustentação como matériapra. para o conhecimento científico. Então, o que é o conhecimento científico senão a leitura de variáveis, construtos, situações, condições, fenômenos, aspectos Presentes no conhecimento do senso comum, no conhecimento da arte, no conhecimento da religião, da religiosidade, da espiritualidade, no conhecimento da filosofia. A matéria-pra nesses nichos de conhecimento e a ciência procura organizar uma leitura a respeito disso, mas é importante e é necessário o discernimento para que não haja a Mistura, como bem colocado pela professora Roberta,
no sentido nós não podemos fazer a mistura da religião, né? com a nossa prática do exercício profissional psicológico, no sentido de ser a mesma coisa. A religião, a religiosidade, a espiritualidade estão presentes, fazem parte da nossa intervenção como trabalho no papel de psicólogo e Psicóloga, fazem parte como matériapra, como construto, como dado, como fenômeno, como fenômeno que constrói a subjetividade, colabora na construção da subjetividade, assim como os outros conhecimentos. Mas o discernimento é fundamental. Então, na história, né, do saber psicológico, existe a parcela de todos esses conhecimentos. O saber psicológico não pode se abdicar de
todos esses Outros conhecimentos, senão ele deixa de existir. A ciência não pode se abdicar desses demais outros conhecimentos, senão ela deixa de existir, porque seria negar a própria matériapra do seu foco de estudo. Mas é importante o discernimento, né, de alguém que olha como matériapra, daquele que mistura a matéria-pra com o próprio ato, né, da leitura da matéria-prima. Aí se Confunde, né? Então, na história aí do saber psicológico, nós vamos encontrar o desenvolvimento de uma série, né, de teorias, uma série de perspectivas filosóficas. uma série de conhecimento de todas as áreas que permitem se apurar,
né, como se tivesse fazendo uma peneira, se extrair o conhecimento psicológico a partir de uma peneira científica. A Psicologia, o saber psicológico foi caminhando no sentido de permitir a existência da psicologia. Então, lá no século XV, século X, surge a palavra psicologia no latim, que depois, né, foi para o inglês. E a própria palavra etimologia já nos traz reflexões. Psico, né, psiquê, alma, logia, tratado, estudo. Então, a própria palavra já diz pra gente, né, o estudo da alma, como queriam os filósofos gregos quando Entendiam, né, a psiquê como essa alma que dá vida. alma diferente
do conceito de alma numa perspectiva religiosa. Alma no sentido de sopro de vida, aquilo que dá vida, aquilo que dá o movimento de vida pro indivíduo. E nesse aspecto, os filósofos entendiam que a alma está também nas plantas, na natureza, porque tem vida nos animais e no homem. já naquela época, mostrando para nós o que nós hoje estamos procurando retomar, Que é o conceito, o conceito de bioética. conceito bioética, onde entende a relação das diferentes disciplinas como uma ponte entre as diferentes disciplinas, mas o sentido também de bioética no sentido de que eh a natureza
e a natureza humana, né, elas possuem uma diferença, mas elas pertencem a uma mesma localidade histórica. e geográfica, né, e Existencial. Então, a natureza humana não se diferenciaria das outras naturezas numa perspectiva da bioética nesse sentido, né, de entender aí a bioética como sendo, né, a relação de todos esses fatores. Muito bem. em um determinado momento. Então, a psicologia ela vai caminhando para esses estudos, né, para esses entendimentos da formação da subjetividade do ser humano e também de animais. Então, o objeto de Estudo da psicologia são os processos mentais, as funções mentais, a subjetividade do
ser humano, mas também estuda os animais. Então é o nosso objeto foco de estudo. Nós não podemos perder isso como fonte de referência, mas entendendo que o ser humano é produto de todas essas variáveis e interrelação. Não podemos perder de vista esta concepção. A ideia Cartesiana, né, foi uma estratégia para um aprofundamento de estudos, mas nós não podemos entender que o ser humano possui uma divisão, né, eh, na prática da sua existência. Por um lado, o corpo estudado pelas ciências médicas, por outro lado, a alma entendida pelos filósofos, pelos pedagogos, pelos psicologistas, como se diziam
lá há algumas décadas atrás. Bom, nesse interim, né, da formação dos Conhecimentos, em algum momento, e aí mais precisamente na Alemanha, em Lighten, 1879, a psicologia ela é então cunhada como ciência, porque foi possível estabelecer relações entre os aspectos tidos da alma, da emoção, do sentimento, do sentir no sentido de sentimento, né, com as reações orgânicas, com as reações Neuroquímicas possíveis então de serem medidas, computadas, visibilizadas. Então, se possível ser medidas computadas, visibilizadas, então estamos falando de ciência. Então, a psicologia consegue descrever, consegue analisar, consegue prever, consegue interferir e consegue medir a interferência, os passos
da ciência. E Se ela consegue fazer isso, então a psicologia é científica. Então, assume-se que a psicologia científica, por todas essas fundamentações tida ao longo dessa história como um todo. E claro que de lá para cá, muitas outras tantas teorias, muitos muitos outros tantos experimentos, muitas outras tantas informações foram sendo agregadas à psicologia. E obviamente Que conhecimentos teóricos, filosóficos, né, e de outras naturezas que fazem um leque de a Z, que fazem o rastreamento desde os mais organicistas até os mais existenciais, fenomenológicos, etc., passando pelos humanistas, etc, etc, etc. Então, a psicologia ela ela não
se atrela a uma Teoria, assim como ela não se atrela a uma filosofia. E nesse sentido, se a gente for transportar a palavra laico para esse propósito, nós podemos dizer que a psicologia, do ponto de vista, né, do seu olhar, da sua diversidade, da sua diversificação, até porque o ser humano é diversificado, é complexo, ao contrário de simples, né, e recortado, ele é amplo, complexo, Divertificado. E se ele é objeto de estudo da psicologia, de intervenção, não poderíamos, né, deixar de entender que a psicologia também é complexa, é ampla, é diversificada e não se atrela
especificamente a nenhuma teoria que digam ser melhor ou pior, que digam ser fundamentadas cientificamente, o pseudo, né? Ela não se atrela a uma ou outra. Ela Entende que todas são possíveis e cada qual cabe no seu momento, no seu lugar, no seu espaço, a partir da convicção de quem a assume para fazer uso da sua fundamentação teórica, filosófica, técnica, instrumental e de recursos. Então, a psicologia, ela construiu um corpo de conhecimentos filosóficos, um corpo de conhecimento teórico, um corpo de conhecimento técnico instrumental que a Possibilitou ser e se manter como ciência. E ela se coloca
e se defende assim. E eu digo, se defende por diversas outras áreas, diversos outros segmentos competiram com a psicologia ao longo da história no sentido de ocupar-se do saber psicológico. E aí a gente pode destacar a própria medicina, a, primeiramente a própria filosofia, a própria medicina, a própria Pedagogia e algumas outras áreas. ao longo da história e procura se repetir isso na atualidade. Então, quando a gente tem um ato lá, um ato aqui e etc, em busca de agregar o conhecimento para si, né, usurpando do espaço da psicologia. Mas a psicologia ao longo desse tempo
ela conseguiu com essas fundamentações, ela conseguiu então se manter, se colocar e se sustentar, apesar de todo momento ela receber Impactos, injúrias, distorções, difamações, né, e tentativa de desconstruções. Podemos ilustrar essas tentativas olhando pra história da do saber psicológico no Brasil. Então, o saber psicológico no Brasil começa com os povos originários. Ali existia um saber psicológico, não existia uma psicologia no sentido do termo que nós conhecemos, Estudo da alma, da mente, do comportamento, do sentir, do pensar e do fazer. Mas existia um saber. Esse saber ele era psicológico também. agrega isso a colonização, a a
descoberta e a colonização do Brasil lá nos anos 500, na sequência, o uso do saber psicológico na catequização dos nossos povos primitivos, nos nossos povos originários. O que fez, por exemplo, a própria igreja para ocupar o espaço do Território no sentido de aproximar dos índios usando conhecimentos de sedução, conhecimentos de aproximação, saber psicológico. Mas veja o uso, né, que foi feito em determinadas um uso em aspectos positivos, mas muitos usos também desse saber como elemento negativo. E assim a gente foi vendo na história da da evolução do Brasil, né? Passamos não muito distante pelo ato
Institucional número C, que foi o quê? foi exatamente destruição do estado de direito, da liberdade, né, da da do pensamento, da expressão do pensamento livre, eh, da expressão da identidade individual, do pensamento individual para uma repressão que nós tivemos muito fortemente, né? E a esse próprio momento histórico Utilizou de saberes eh psicológico para fazer conduções eh de comportamento de pessoas. Então, não é à toa que nós ganhamos aí o Oscar, né, o prêmio de eh o de filme estrangeiro, porque é um tema extremamente significativo e importante e que denuncia esse elemento do uso de uma
máquina com uma intenção outra, mas do produto dos conhecimentos psicológicos que os psicologistas que Ainda não eram considerados psicólogos no Brasil até 1962, construíram ao longo da história. Os psicologistas, que eram assim ditos, aqueles que tinham o saber psicológico, ensinava psicologia, mas nos cursos de educação, nos cursos de pedagogia, nos cursos de filosofia, mas nós não tínhamos a nossa profissão, uma luta imensa para tudo isso. E aí, né, até que depois de muita luta, em 27 de agosto de 1962, a Lei 4119 vem, né, e ela regulariza, regulamenta, regulamenta com muita dor, com muito sofrimento
de colegas nossos, né, que fizeram lá eh todo esse movimento nesse sentido. profissão, psicologia como profissão, psicologia como ciência. Mas mesmo assim, veja, nós não tínhamos a liberdade de uma expressão livre, né, espontânea e eh para utilizar de Maneira sem repressões o conhecimento psicológico. Então, o conhecimento psicológico foi utilizado também, né, por tendências políticas e por outras tendências ao longo do tempo. A partir disso começa a nascer as faculdades de psicologia, os cursos de psicologia nas grandes universidades lá os anos 50 e 60 e as faculdades principalmente particulares de psicologia. Mas quem é que estudava
nas faculdades de psicologia da época? Qual camada socioeconômica, né, conseguia acessar, com raras exceções, aos cursos de psicologia. Qual era o propósito de se formar psicólogo e para que formar psicólogo naquela época? Um pouco para a psicologia organizacional e do trabalho, né? uma parte atender a escola e educação e uma parte intencionada nesses anos todos, 70, 80 e até os anos 90, para formar psicólogos Clínicos para colocar as angústias, aflições, né, dentro de uma sala e para que as pessoas, né, não se manifestassem nas ruas quanto quanto as repressões. Então veja que a psicologia foi
muito utilizada e às vezes ela foi até ingenuamente, né, pela própria psicologia, ela foi utilizada por outros poderes para alguns encaminhamentos intencionais. Nós vivemos bastante isso. Hoje nós temos um reflexo ainda. Uma Parte expressiva da formação dos psicólogos é qual? é para atendimento clínico de consultório, né, numa poltrona de couro, tá certo? com ar- condicionado. Então, a visão social, a visão antropológica, a visão ambiental, a visão dos grupos das diferentes camadas da sociedade na formação, ela deixa muito a desejar para O uso da psicologia, para a intervenção posterior a essas camadas. Então, nós temos muito
hoje, por exemplo, psicólogos empregados pelo Sistema Único de Saúde. Aliás, é o maior empregador de psicólogo no Brasil, Sistema Único de Saúde. E aí se pergunta, quem é que conhece o Sistema Único de Saúde? Quem é que realmente conhece o Sistema de Saúde Brasileiro com domínio? São Poucos. Muitos psicólogos clínicos concursam no sistema público, né? E depois fico se perguntando o que eu vou fazer aqui, porque eu não aprendi de maneira ampla psicologia social, não aprendi fenômenos urbanos, não aprendi agrupamentos, né? Não aprendi formação de grupalidades, não aprendi diversidade, diversificação, não aprendi diferenças, não aprendi
individualidades, né? E aí tem uma certa Dificuldade em fazer um exercício profissional. E aí a gente começa a questionar então a formação, como já foi bem colocado aqui, a gente começa a questionar a formação. Que formação é essa que os psicólogos estão tendo ao longo de um tempo? Para que nós estamos formando psicólogo e para quem e como nós estamos formando? Então aí a partir de 62, né, apesar da apesar da psicologia no Brasil ser consolidada com profissão e Ciência, muita coisa ainda estava a desejar. Uma delas é o direcionamento da prática profissional do psicólogo.
e para a orientação, o direcionamento e até para a fiscalização, houve a necessidade da criação do primeiro código de ética do psicólogo brasileiro em 1971, que posteriormente, claro que a mudança da sociedade, mudanças Socioemográficas, mudanças tecnológicas, né, as mudanças de valores, a reorganização das sociedades, houve a necessidade de atualizações do código, mas o código já de 1971 já apontava nos seus princípios fundamentais em vários deles e ao longo dos deveres do psicólogo, dos deveres e das vedações de atitude do psicólogo, Direcionamentos já no sentido de se olhar paraa questão da laicidade ainda que não se
tinha essa [Música] palavra de uma maneira pública conhecida ou valorizada, mas o código já apontava, apesar de ser um código mais normativo, né, e mais rígido na postura da atitude do profissional, mas ele já tinha diretrizes mostrando a importância da Idiossincrasia. a importância da subjetividade, a importância do reconhecimento de tudo isso, da individualidade, a importância da liberdade, a importância do reconhecimento das diferenças, para que o psicólogo se atentasse, reconhecesse e respeitasse. Desde lá já existe esses posicionamentos. Desde aquele momento já existe esses posicionamentos alinhados com a Declaração Universal dos Direitos Humanos lá da ON 1948,
depois com outras declarações pro mundo afora já existia. Vamos lembrar que nós não chegamos ainda em 1988, que é a nossa carta magna mais recente. Mas a psicologia já olhava isso, a psicologia já se atentava para isso, ainda que em muitas situações não conseguia pôr em prática esse exercício. Vamos lembrar que nós tivemos Os manicômios por muito tempo, né, a serviço de algumas coisas e etc. Então nós não tínhamos também o poder para uma interferência tão grande, mas se tinha concepção, entendendo que a psicologia é a área do conhecimento, do saber, né, eh, com maior
probabilidade do conhecimento humano. E não é à toa que se tinha essa leitura, mas claro que houve evolução nesse sentido, o código de 77, depois nós tivemos a Constituição de 1988 já direcionada com esses alinhamentos. E aí tem lá nos princípios fundamentais da Constituição de 1988, algumas cláusulas e agora, né, vamos fazer o neologismo aqui immexíveis. No artigo 5, por exemplo, é o artigo que preconiza a liberdade, a diversidade, eh o respeito às Diferenças, né? a a a ao respeito ao posicionamento, a diversificação e assim por diante. E aí em 2005, né, a psicologia reformula
o seu código de ética, incorporando, reafirmando ainda mais todas essas tendências. Então, se a gente ler lá nos princípios fundamentais do código de alguém recebeu o código aí hoje de 2005, nós vamos ler lá nos princípios fundamentais de cara já frases dessa natureza. E depois nós vamos ver nos deveres do psicólogo cumprimento prático dessa natureza da não discriminação, daceitação da violação dos direitos, né, das condições de trabalho, do reconhecimento das diferenças, das diversidades e etc. Estão claro nas práticas. Então, o código já formula isso. Em 2005, Atualmente já se vem conversando há algum tempo, a
necessidade do código talvez receber uma nova atualização como código. Ele já tem adendros de perguntas e respostas, porque nos últimos anos aconteceram uma c uma série de fatores de evolução tecnológica, científica, etc., como por exemplo a inteligência artificial e outros elementos que não estavam compostos no Código de 2005. Ninguém imaginava em 2005 atender pessoas Online, ninguém imaginava fazer uso da inteligência artificial, etc., e de outras coisas tantas. Então, é claro que já existem respostas de grupos do conselho e aí a importância do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Psicologia na no fortalecimento, né, na
na manutenção desses princípios da prática profissional, mas também muito importante na vigilância da formação dos psicólogos. Porque uma vez formado, dificilmente poderá ser corrigido. É melhor a gente investir na formação e ter formação de colegas psicólogos com visão de mundo ampla, multi pluridimensional do que tentar corrigir desvios de comportamento. É necessário corrigir desvios em conformidade com as profissões, porque as profissões para existir precisa de condutas, condutas éticas. Então, não dá para se pensar Numa profissão sem pensar em prudência e cautela, que é um dos princípios éticos, prudência, cautela. Não dá para pensar em uma prática
profissional sem domínio e conhecimento daquele produto do que vai se oferecer. Então, prudência, cautela, domínio, saber aquilo que tá fazendo, né? E para evitar negligências, as atitudes consideradas Virtuosas. Então veja, são os três grandes pilares da ética utilizada na prática profissional, mas também os princípios da bioética também se se incorporam nesses que são a beneficência, né? ver, entender e fazer o bem, a não maleficência, ver entender aquilo que pode fazer o mal e procurar evitar a Autonomia. A autonomia que é o respeito, que é o princípio que traz o entendimento que o outro existe e
o outro tem identidade e o outro, né, tem autonomia. e precisa ser respeitado nessa autonomia. E o princípio da justiça, né, com a leitura da equidade, princípio da justiça. E aqui foi dito, atendemos e atendo a todo e qualquer, independente De como é, né, ou como pretende ser. Isso é o princípio da justiça. Com a equidade, não devemos tratar todos iguais, porque ao tratar todos iguais, estamos sendo beneficiente para alguns e maleficente para outros. Nessa mesa foi comentado de altura. Se nós tratarmos todos iguais, os menores às vezes não vão atingir a mesa, o topo
da mesa. Os maiores vão passar muito. Então nós temos que ler a Equidade para conseguirmos atingir a justiça. Então, para atingir a justiça é necessário estabelecer o princípio da equidade, tratar os diferentes, de forma diferentes para que a justiça possa ser realizada. Tratar os diferentes de acordo com as necessidades dos diferentes para que a justiça possa ser efetivada. Então, se eu tenho alguém muito grande, basta um banquinho, ele já atinge a altura do muro, né? Se eu tenho alguém Que é pequeno, às vezes precisa de uma escada maior para atingir a altura do muro e
assim os dois poderem enxergar por cima do muro. Aí sim, de maneira equitária, né, de equilíbrio. Então, veja que os princípios e além disso o princípio da solidariedade, quem é que se responsabiliza com o quê? Aqui nessa mesa e nesse evento tá sendo proposto proposto o princípio da solidariedade, que é assim, ó, vocês estão em formação, tem determinadas Responsabilidades e não pode fugir delas ainda que não se formaram como psicólogos. Então, é melhor ler o código de ética e veja se direcionando e se formar bem. Os que já são psicólogos têm as suas responsabilidades, não
só da prática como psicólogo, mas também de ensinar, de conduzir, direcionar, orientar, né, conduzir, são corresponsáveis. O conselho é Corresponsável. Então, todos nós somos corresponsáveis e a própria sociedade é corresponsável. Esse é o princípio da solidariedade, onde todos, sem se furtar são corresponsáveis por atos e atitudes na formação e na prática e na execução da prática de qualquer que seja o profissional. Isso não é diferente na psicologia. Cada qual tem a sua dimensão de responsabilidade, formando um todo. Cada um é um vértice formando o todo. O todo Só é formado pela composição dos vértices. Cada
um dos vértices são importantes, mas cada um tem a sua própria característica. Então assim, com essa responsabilidade, o conselho, né, e a psicologia vem mais recentemente e por sentir alguma necessidade nos últimos anos de construir algumas resoluções. Ninguém constrói um muro se não sentir Invadido. Ninguém constrói um muro sem necessidade. Então, eu imagino que o Conselho Federal de Psicologia, depois de algumas décadas reunindo muitos profissionais das diferentes áreas de conhecimento, muitas entidades, associações de classe, etc, etc, os conselhos eh regionais e o conselho federal e muitas discussões em muitos grupos, né, depois de anos a
fio e eu tive eh a oportunidade de Participar de alguns encontros dessa natureza por aí afora, São Paulo, Brasília, Minas, etc, etc. Desenvolveu a resolução número 7 de 6 de abril de 2023. 2023 foi agora, né, recente, estamos na pandemia ainda, acho que por alguma necessidade, talvez, Dra. Janaína, por conta dessas colocações que você mencionou, né? desses exemplos que você acabou Colocando ilustrativamente de como o psicólogo não deve fazer, não é? Então essa resolução que tá pública e fica aqui o convite para que cada um de nós voltamos a ler essa resolução, assim como o
código, ela estabelece três artigos fundamentados no código de ética, fundamentados eh na nossa carta magna, fundamentados na declaração universal, fundamentados nessa visão pluridimensional da formação humana. Das diversidades, das diferenças, etc, etc, etc. A resolução, ela vem trazer alguns eixos de direcionamento paraas nossas atitudes. E eu vou ler alguns deles aqui para não ficar muito massante, mas o primeiro artigo diz assim, ó. A psicóloga e o psicólogo devem atuar segundo os princípios éticos da profissão. Éticos da profissão. Ou seja, tá aqui o Código pautando seus serviços no respeito à singularidade. Ó, a singularidade. Cada um é
um e deve ser visto de acordo com a sua singularidade. e também na diversidade, o entendimento que a sociedade ela é diversificada. Ninguém melhor do que professor Darci Ribeiro para mostrar como é, por exemplo, o povo brasileiro. Leiam esse livro Povo Brasileiro, do antropólogo Darc Ribeiro, que depois se tornou deputado. Então, na singularidade e diversidade de pensamentos, as pessoas podem pensar o que elas querem, do jeito que elas querem, da maneira que elas querem. Nós temos que respeitar. Não precisamos achar que é correto ou certo. Temos que entender que existe e que é, né? De
acordo com as suas crenças, as mais diversas crenças possíveis. Aí não estamos falando só de Crença religiosa, estamos falando de toda e qualquer crença e convicções de cada indivíduo, mas também convicções de grupos. Existem grupos que têm convicções onde os indivíduos têm senso em comum sobre alguma coisa. de forma a considerar o caráter laico. Ó, aí aparece isso. Tá também na Constituição, a palavra laica, a o caráter laico do Estado. Então, o Estado é laico e da ciência psicológica. Então, como eu falei no início da minha Fala, a ciência psicológica ela é laica no sentido
da congregação da diversidade, da diversificação dos diferentes campos e olhares e janelas, né, para ver o fenômeno que são os processos e a subjetividade humana. Então, nós temos aí uma perspectiva só psicodramática, tem uma perspectiva aqui psicodinâmica, psicanalítica, podemos ter uma perspectiva outra, outra, outra, outra, outra e tudo bem, desde que tenha Fundamentação, desde que se paute na teoria, desde que se pauta no método, desde que se pauta nos instrumentos, desde que tudo bem. O segundo artigo, a psicóloga e o psicólogo no exercício profissional deve utilizar princípios. Nós não falamos de princípios aqui, falamos princípios
de éticas, mas princípios de conhecimentos e técnicas. Princípio de conhecimentos e técnicas. Então, princípios de Conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica. Os outros conhecimentos são matériapra. Aqui são princípios de técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, que é esse acúmulo de saber ao longo da história. Na ética, não é só no conhecimento técnico e tecnológico, porque só de técnica não se faz uma profissão, né? É. Necessário a técnica, mas é necessário também o senso de valor, né? É necessário também a postura eh virtuosa, que é o senso de valor, né? E na legislação, então
nós temos que respeitar a legislação profissional. A nossa legislação profissional, ela tá eh sintetizada no código. Se a gente desrespeita a nossa própria formulação De anos, anos, anos, nós estamos desrespeitando a nossa própria profissão. Então, quando se usa recursos, instrumentos, né, eh, em nome da psicologia, mas que não tem essa fundamentação, nós estamos desrespeitando o propósito. É como um médico, tá certo? Utilizar, por exemplo, um passe de benzeção em alguém. Como pessoa, ele pode fazer isso. Como Médico, a psicologia como profissão vai entender que isso não faz parte da formação dos fundamentos devidamente evoluídos pela
medicina. Então nós temos que ter essa clareza, né, da do discernimento. E aí então a resolução vai dizer, só para sintetizar aqui, que nós devemos, enquanto profissionais respeitar a laicidade como pressuposto do estado Democrático de direito, já previsto na Constituição, inclusive, muito claramente, fundado no pluralismo. pluralismo e na garantia dos direitos fundamentais, que são a liberdade, liberdade de pressão, nós já falamos aqui, os direitos, etc., tal. Devemos considerar os aspectos históricos. Quem não considera a história não sabe o que tá atuando no presente e não sabe para onde vai no Futuro. A história nos dirige
para o presente e para o futuro. Então, considerar os aspectos históricos da formação do ser humano, da sociedade, do Estado, da própria psicologia e também as culturas, né, que foram experimentadas ao longo da história no sentido de várias experiências, inclusive as culturas espirituais e religiosas. Precisamos respeitar, só não podemos misturar. Sabe a diferença? A necessidade de respeitar, só não podemos misturar. Se a gente fosse fazer, né? Então aí uma uma figura ilustrativa, eh se a gente quiser fazer um bolo de cenoura, a gente tem alguns ingredientes a serem respeitados para que saia um bolo de
Cenoura. Se a gente misturar outras coisas, vai acabar saindo um bolo, mas nós não sabemos do quê. Então, a confeiteira tem que seguir aqueles princípios, se ela quer um bolo de cenoura que está ali na receita. Ela pode até criar alguma coisa nova, ampliar outras coisas, mas ela não pode fazer uma mistura e dizer que é um bolo de cenoura, né? Então veja, devemos considerar a dimensão da religiosidade e da espiritualidade como Elementos formativos da subjetividade e das coletividades. Então, a as religiões, a religiosidade e a espiritualidade são elementos que formam não só exclusivamente, mas
contribuem para a formação da subjetividade. E se a subjetividade é nosso foco de estudo e intervenção, nós não podemos negá-las. Elas são importantes, mas elas devem ser tratadas a partir da peneira dos óculos da ciência, porque a psicologia Assumiu-se como ciência por tudo isso, ela desembocou na estação da ciência. Então, esses elementos vão ser olhados pelo olhar, pelo pela ótica, pela peneira da ciência. A partir do momento que o profissional olha esses elementos a parte a com os olhos da própria religião, da religiosidade, aí ele deixa de ter uma prática psicológica. Ele pode até fazer
isso como pessoa, mas ele não pode associar isso à Prática psicológica, porque senão ele volta para o senso, que não é o senso científico, não é isso, doutora? E se ele sai do senso científico, ele deixa de se proclamar dentro daquela lógica. Ele pode até fazer como pessoa, mas não como profissional que ele se colocou a fazer, não é isso? Então essa esse que é o importante do entendimento e essa resolução ela tenta trazer isso. Então também olha deve-se considerar os Aspectos históricos, culturais dos saberes dos povos originários. Nós não temos melhor saber do que
eles para dizer o que eles precisam das comunidades diversas e temos muitas comunidades de diferentes camadas socioeconômicas, etc, etc, etc, né? Desde as tradicionais até as mais constituídas na contemporaneidade. Devemos respeitar, né, as racionalidades não hegemônicas. Que são os grupos minoritários, aqueles que têm pouco poder de enfrentamento numa sociedade geralmente capitalista, selvagem, né, que acaba muitas vezes destruindo a própria eh possibilidade do indivíduo existir. Então devemos olhar para tudo isso, né, que estão presentes nossos contextos de vida e claro que é produto do nosso trabalho profissional, porque isso aparece na nossa prática profissional, seja na
clínica de Consultório que tem o seu lugar, sua importância e deve ser, né, uma parte do trabalho do psicólogo, mas também lá na rua, do consultório de rua, também lá na comunidade, já tô fechando, na comunidade, né, também lá nos nichos da sua existência, onde é que se encontram. Então isso deve ser respeitado, deve se considerar as vivências a religiosas, agnósticas e ateísta dos indivíduos e dos grupos. Quer dizer, se alguém não Quiser ser nada, ainda também estamos respeitando. Não quero ser nada, não sei que eu sou, não quero ser nada. Às vezes temos que
respeitar. Ao psicólogo é vedado, né, eh, praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizam negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade, opressão à crença, qualquer que seja, e a religiosa, mas também é vedado a indução A isso, como bem colocado aqui, né? né? O crucifixo lá, né? Nada contra o crucifixo, nada contra, né? Mas nós não podemos atrelar a psicologia a A, B, ou C, o D ou F. Então, nós não podemos induzir a crença religiosa ou qualquer tipo de preconceito no exercício profissional ou qualquer direcionamento para qualquer coisa, né? Não devemos associar os conceitos, os
métodos e as técnicas da ciência psicológica e embolá-las com as crenças, qualquer que seja, e dentro delas as crenças religiosas. Então, os conceitos, os métodos e as técnicas da ciência e da e da psicologia como ciência, eles não devem ser embolados, misturados com outras práticas que não Fazem. As pessoas têm o direito de utilizar aquilo como recurso perfeitamente. Nós nós não temos direito de dizer que isso faz parte dos recursos da psicologia no sentido, né, do mé técnico e recurso da psicologia. Mas é sabido que, por exemplo, a psicologia estuda tudo isso, uma série de
pesquisas demonstrando a importância da fé, da religiosidade e da espiritualidade como recurso de Enfrentamento ao problema de saúde. A fé, a crença religiosa, religiosidade, espiritualidade como sendo constructo, como sendo variável do estudo da psicologia. como ferramenta do ser humano para lidar com a vida. Nós tratamos isso como recursos psicológicos, como resiliência, como enfrentamentos no recurso, né? Ou seja, a luz. Então, é vedado ao psicólogo exercer Qualquer atuação que promova fundamentalismos, que resulte em racismos, que resultem fobias de escolha de gênero, sexo, n xenofobias ou qualquer outra forma, né, que viola os direitos de que a
escolha de cada um. Então, a resolução ela vai demarcar alguns pontos pra gente ficar atentos, porque em de alguma forma, de alguma maneira, isso tá sendo Identificado, inclusive numericamente como eh atitudes que ferem a ética do exercício profissional, tá chegando nos conselhos e os conselhos, né, estão Olhando para isso, estão entendendo que é preciso redirecionar, né, re eh eh ler nos propósitos princípios da psicologia como ciência e como profissão. Então isso a gente vai Entender como ato, né, ou a psicologia e laiticidade. Não se atrela só a religião em si, né, essa diversificação, mas é
importante olhar para isso. E eu paro por aqui para me entender muito. Obrigado. Muito bom. Obrigada, professor Nelson. Eh, então, acho que a gente chega no final da mesa, né? Minha cabeça eh pensa, né? E e vai visualizando tudo Isso de uma certa forma, né? Quero compartilhar com vocês para depois a gente abrir para perguntas, né? Então, a gente tem uma psicologia que não é baseada na fé, mas na ciência, porém que serve a sociedade. E essa sociedade que está repleta de complexidade, identidade, singularidade, que muitas vezes eh vai usar o recurso da espiritualidade, né?
Eh, porém, né, como a gente bem viu pelas falas, é Necessário que a gente enquanto psicólogo, faça essa distinção, né, a peneira, essa coisa do eh do discernimento que o professor Nelson trouxe no início da fala, né, para que as coisas não se misturem. eh, ao mesmo tempo a gente faça a valorização. Por exemplo, os saberes tradicionais, né, indígenas e do povo negro, de matrizes africanas, são saberes muito aviltados, né, eh, já que foi muito falado sobre a colonização e Aspecto colonial que forma a nossa sociedade, que atinge também uma construção de ciência, que é
psicologia. Eh, e eu queria ressaltar a resolução 07 de 2023. Anotem essa resolução, tomem ela como leitura posterior, né? Dentro do site do Conselho Regional de Psicologia, nós temos muito materiais, desde atuações em políticas públicas com os povos indígenas, pessoa em situação de desastre, mulheres em situação de Violência, tudo produção que o conselho tá fazendo, o CFP, né, eh âmbito nacional, mas também tem essas resoluções. Então, reforço a resolução 07 de 2023 que resgata o código de ética e a legislação brasileira, né? Também dito isso, então agradeço novamente todas as falas e abro para comentários,
reflexões e perguntas que vocês queiram fazer. Saiam também desse lugar de colonização, como se vocês não pudessem tecer Considerações, falar e perguntar. Esse é o momento. Fiquem à vontade. Vou levar o Mick. Ergue a mão aí você. Quem mais aqui? Outra inscrição. Mais alguém? Tá, por enquanto vamos fazer uma rodada de duas perguntas e aí vocês respondem ou acho que não? Você decide, vocês decidam. Não existe tanto faz. Hã? [Risadas] Boa noite todo mundo. Eu sou estudante De psicologia do primeiro semestre da Unilago. Meu nome é Luma e eu tava curiosa em relação a essa
menta que a gente tava lendo no documentinho que foi eh eh espalhado, eh enfim, que a gente teve acesso ali no começo, que fala que foi publicada em 1999. E assim, como que funciona isso de fiscalização de esses profissionais de psicologia estarem atuando de forma a ã, sei lá, coagir uma pessoa, talvez pela sua orientação sexual, como que isso Chega a alguém, como que isso é recriminado por alguém? Porque muitas vezes, eh, eu conheci várias pessoas, inclusive, que já passaram por situações assim, né? né? E a gente tá falando assim eh de muito tempo depois
de 1999, não muito tempo, na verdade, né? Mas como isso é assim fiscalizado, porque acredito que é muito fácil passar desapercebido e mesmo que as pessoas elas recebam assim um devido treinamento, talvez ou uma Orientação, fica mercedas o que elas fazem dentro do próprio escritório ali na no comulta. Vou passar para uma segunda pergunta e aí a gente responde se tiver mais alguma inscrição. Obrigada, Luma, né? Boa noite, meu nome é Vinícius, eu sou estudante do quarto período de psicologia e eu gostaria de saber a opinião de vocês sobre o funcionamento das comunidades terapêuticas enquanto
esse modelo de saúde mental higienice Excludente e quase sempre associado a alguma instituição religiosa. Mais alguém aqui? Nossa, tava tão perto. Boa noite a todos. Eh, tem uma questão até a professora Roberta falou bastante disso, todos eles falaram, né? Eh, o fazer, a gente viu aqui eh preceitos do bom fazer psicológico, né? Eh, a gente poôde ver eh, sobre o viés da ética e tudo mais, só que eu vejo eh e isso envolve o tema, né, da laicidade, eu Vejo uma, como que eu posso dizer, premência da digitalização como uma nova colonização. E eu falo
disso como uma premência para todas as relações das novas. Ã, todo mundo que tá aqui é muito jovem, né? Eh, e serão os profissionais que vão reagir a uma lógica de comunicação que ela é fundamentada por cinco grandes fundos que eh tem eh uma um faturamento anual maior que o PIB dos Estados Unidos, né? E aí a gente tendo uma economia da atenção em que o a Principal paga é eh a audiência, onde em um momento nós somos audiência, em outro nós queremos ela. Eh, existe então um campo da disputa dessas subjetividades. E é interessante
que todas as áreas sofrem com essa disputa pela subjetividade em um campo que tenta criar uma dicotomia, né, uma luta polarizada. E aí a gente tendo essa disputa, a psicologia sofre e perde eh as suas eh bases para uma pasteurização, assim Como diversas outras áreas eh da epistêmia humana, seja ela de qual área for. Eh, e aí eu vejo que isso se rende à mesmo criação do produto, como o nosso outro professor falou. Eh, isso é a tá tá havendo um estudo na ECA, na USP, eh, da equipe de pós-doutorado sobre a economia da desinformação
e suas ferramentas discursivas. E é justamente isso que a gente vê, a criação do design por meio da intermediação nas redes sociais para Que nós tenhamos padrões comportamentais muito eh análogos e e específicos para que nós possamos ser vendidos. a nossa audiência como principal produto para as empresas de de comunicação. Todo mundo, você se você tem um pequeno empresário, ele vai no Instagram eh pagar R$ 10, R$ 20, R$ 50 para poder ser mais visto. Eh, e isso tem tomado de assalto todas as áreas e suposto, né, então, como uma constatação, pelo menos uma constatação
Eh prática, eh eu vejo que é um desafio também entender essas novas tecnologias, porque a pasteorização da subjetividade humana, ela é colocada como um propósito, né? Foi bem falado de Darc Ribeiro, né, que o sucateamento da educação ele é um projeto, né, e não só uma condição, mas um projeto, é um projeto eh nós eh pasteorizarmos as percepções humanas a fim de vendê-la para um público eh que quer vender, por sua vez, produtos, serviços e todas Coisas dessa ordem. Então esse sofrimento, eu vejo, é muito interessante ver essa preocupação toda com a ética. sem ética,
a gente não consegue criar padrões, né, epistêmicos e e ter uma evolução civilizacional, mas ao mesmo tempo faz parte da premência da tecnologia eh e de um mercado que não é exceção, que ele é a regra. Eh, há pessoas aqui nessa sala que foram fundadas totalmente na comunicação digital. E aí eu tenho esse medo. Eu com No alto dos meus 38 anos fiz uma passagem entre o o analógico, né, nas na 87 e o digital. E aí eu vejo hoje eh que a juventude ela nasce fundamentada nisso e aí é muito injusto eh cobrar outras
coisas quando você sequer tem chance, né? E para finalizar eh porque você abriu que a gente podia fazer reflexão, né? E aí você fala isso para alguém que é altamente prolixo, aí é um problema. Mas eh tem um autor eh ele é um linguista, ele chama Daniel Evert. Ele Fez o doutorado e o pós-doutorado dele aqui na Unicamp e ele foi estudar a tribo Pirahan, que fica no Pará, né? E a ele veio eh até mesmo eh patrocinado por uma igreja evangélica norte-americana para eh poder depreender o idioma pira, traduzir, então fazer a versão da
Bíblia Cristã pro Pirahã e eh então catequisá-los. Eh, no meio do caminho ele se tornou ateu, né, conhecendo a estrutura linguística. E pela estrutura linguística a gente significa o mundo, Né? Então, no pira, eh, existem 11 sons pro masculino, 10 pro feminino. E a noção deles de pertença como ser, ela é coletiva em vários momentos eh da vida. Ela não é coletiva como um altruísmo, ela é coletiva como um pertencimento mesmo fisiológico. Eh, só que não vamos para uma uma tribo indígena, vamos pro francês, uma vanguarda nossa. Tem um tempo no francês que chama passado
anterior, o passe rrierra. Ele não existe no português, por exemplo. Nesse exato momento temos pessoas altamente civilizadas do mundo do branco europeu que pensam em um tempo verbal em determinados momentos totalmente de que que nós não temos condições eh e da nossa própria visão de mundo eh para chegar e entender isso suposto são exceções que enriquecem todo toda a nossa diversidade. Mas aí vem a tecnologia e se impõe como uma pasteurização geral. E eu acho que isso É um desafio pra psicologia e para todas as outras áreas do conhecimento humano. Eu só queria fazer esse
recorte porque a gente tem essas discussões para outras áreas e eu acho acho que é interessante se tem eu gostaria de saber, estudar mais em relação a essas preocupações na área da psicologia. Obrigado. Vamos agora com a rodada de respostas e aí dependendo do tempo, a gente abre para mais um pouquinho. Pode ser? Quem quer começar? Quer começar? É, mas eu acho que assim, eh, vamos talvez pelo tema e aí depois eu respondo essa. Pode ser? Tudo bem, Luma? Você consegue dar uma segurada, esperadinha aí, que aí eu te explico e explico paraa geral. Tem
um microfone aí. Eh, não, não tem como responder tudo, né? Óbvio, né? Isso é impossível. Mas assim, eu acho que tem uma questão básica na na no tema da ética que a despeito de vocês terem ou não ter base, então terem base, a Despeito de onde vocês vieram, deixaram de vir, número um, leiam. Não tem desculpa. Ah, eu não tive base. Problema seu fizesse outra coisa. Vocês imaginam que tipo de coordenadora que eu era, né? Então, o aluno sentava na minha frente pra gente montar o horário, o aluno pegando DP e eu falando assim: "Tome
cuidado, essa disciplina pode mudar, essa disciplina pode desaparecer, porque as grades curriculares não são Determinadas por nós coordenadores pedagógicos, elas vinham do além, né? você pode perder o seu tempo aqui, né? Vamos ver se você consegue caminhar mais. E muitas vezes eu ouvia, né? A senhora não é parâmetro, não, não sou mesmo. Eu não sou um ótimo parâmetro. Então o que eu não sei, eu vou saber, né? Então assim, quando o moço comenta sobre a questão das comunidades terapêuticas, isso é uma escrescência. Isso é uma escrescência da nota técnica 11/2019 que determinou que crianças e
adolescentes pudessem ser internados em pício. Crianças e adolescentes foram internados na região que eu moro, no sul de Minas por um ano. Crianças de 6 anos. Isso serve a quê? Eu sou consultora da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais e faço parte da supervisão de cada região a cada 6 meses. E além disso, eu faço um curso sobre a questão da infância e adolescência, porque eu dou supervisão em CAPS. Todas as vezes que eu tocava nesse assunto, eu encontrei profissionais dentro do CAPS que não sabiam disso. Eu falava: "Como vocês não sabem disso se
eu não estou na rede? Você tem obrigação de ler decreto?" Uai, mas aí me dizam os alunos: "Ué, professora, mas eu não vou ter vida. Problema seu. Não faça psicologia, porque é isso, é ser psicólogo, não é estar psicólogo, não é Um passeio, não é divertido, não é elegante, é chato. E essa delicadeza, né, que o professor Nelson trouxe, né, de você tá ali escutando o outro que se coloca desnudo diante de você, você tem uma responsabilidade imensa. Você tem que se conhecer. para não misturar suas coisas quando o outro, né? Você tem que se
conhecer para saber que se você tiver numa comunidade terapêutica, você como técnico, talvez você tenha que respar o seu Lugar, porque isso é muito sério. A política de álcool e drogas, ela faz parte da saúde mental. Como assim a gente alija isso? Faz um lobby e aumenta o número de leitos, vamos chamar assim, né? Um número de vagas de 2000 para 10.000. E onde que a religião entra nisso? com um viés perigoso, porque é o viés da acabar com a redução de danos e abstinência. Por causa do viés da abstinência, tem pessoas são internadas 40,
50, 60, 70 vezes. Não dá para ser abstinente além de ser algo bastante segregador. A maioria das pessoas que está em comunidades terapêuticas é preta ou parda. Então, vejam, psicólogo tem que saber disso, né? Psicólogo tem que saber de grupo. Psicólogo tem que entender o que que tá acontecendo na esquina, na sua cidade, na Câmara de Vereadores. Se a lei 10.216 da luta antimanicomial está Sendo preservada no seu município. Uai, mas aí que hora que eu vou ter vida? Eu não faço psicologia, né? E aí vocês, se quiserem, procurem, vocês vão ver lá eu lá
no Instagram fazendo isso, aquilo, aquilo, outro, aquilo também e depois aquilo também. Por quê? que eu tenho um compromisso. É compromisso, não é comprometimento, não é sintoma, é compromisso. É um trabalho de cuidado com o outro que enquanto eu estiver Fazendo isso, é assim que eu vou fazer. Então vejam, essa questão da comunidade terapêutica, a nota técnica 11 de 2019, ela ressurge, por isso que ela traz a psicologia como cavaleiro do apocalipse, ela ressurge necropoliticamente para uma lógica higienista que está produzindo essas lógicas de pensamento de que, por exemplo, nos Estados Unidos, crianças negras não
podem receber a mesma vacina de crianças brancas, porque, né, segundo Lá o herdeiro dos Kennedy, as crianças negras não tem a mesma biologia. E só para finalizar, né, quando você comenta essa questão eh digital, eh, esbarra naquilo que eu falei antes, né? Eu não sei se tá no YouTube, eu fiz uma fala sexta-feira em Varginha a respeito disso, sobre a questão da saúde mental e o uso das telas, né? Nós pulamos, segundo a Lúcia Santaela, que é Uma semioticista da PUC São Paulo, nós saímos de uma tradição oral para um ambiente digital. O problema é
que ter smartphone não é ser letrado em ambiente digital. Então assim, precisamos nos desafiar a entender o que que é um ambiente digital que você não tem concentração. Não é igual o livro. No livro você lê e é uma tensão em concentração que você viaja no livro. Quando a gente fala da tela, uma atenção em dispersão em que você entra na tela e Sai por dentro dela. Então, nós precisamos conhecer jogos, nós precisamos conhecer a tela, nós precisamos, se não for numa situação clínica, mas numa situação de transmissão, de conhecimento, como usar essa ferramenta? Essa
é uma ferramenta necessária e sermos bem eh adestrados nisso é fundamental para não sermos colonizados. Eu não lembro o nome do livro, depois eu te passo o meu contato. Tem um livro muito bom discutindo a Colonização digital. Davidon, Davidon, né? Chama, eu tenho que na hora, colonialismo digital por uma crítica hacker e familiana. Exatamente. É um livro perfeito que faz exatamente essa discussão e que reforça. Nós brasileiros estamos muito atrasados e nesse sentido eu responsabilizo a psicologia porque é o trabalho do um a um. Então, cada vez que em psicologia a gente usa, número um,
conceito de autoestima, que não é conceito, que é invenção de autor de Livro de autoajuda, não é conceito, gente. Conceito é um negócio sólido que você trabalha com ele e você manuseia a partir do fenômeno que aparece, independente das pessoas que venham. Quem é que se conhece o tempo todo e gosta de você o tempo todo, né? Vou dar um exemplo que só as mulheres vão entender. Você vestida de Victoria Secret perfeita, montada, vai dar uma passada no banheiro rapidinho, só para Poder conferir o batom. Na hora que você tá indo toda linda e maravilhosa,
você dá uma topada no dedinho na beirada da cama, acabou sua autoestima. Como que a gente vai confiar um trabalho psicológico nisso? Encaminho o fulano de tal para trabalho de autoestima. Pensei comigo, eu faço o quê? Oi, querido. Como você é lindo, maravilhoso. Vocês percebem como isso é sério? Quando a gente faz a discussão de Psicologia baseado, né, o aluno forma e começa a se citar no Instagram. Que que é isso? Entendeu? Parará parará. Carol Oliveira, quem é tu, menina? Oi, coisa esquisita, não é? A gente tem respeito com o outro, a gente tem cuidado
com o outro, né? Então é muito delicado, a gente tem muita responsabilidade. E quando dá errado, quem foi que fez errado? Fomos nós. Eu tenho uma estatística péssima Para terminar a minha fala, né? Eu falei que eu falo muito. Eh, de 100 alunos que se formam, 98 nunca mais vão ter acesso a nada escrito, nada. Eles não tiveram livros na faculdade, só usaram o PDF quando usaram. Dos dois que sobraram, eles vão estudar um ano. O um, desses ele tem feeling, ele tem um bom senso, ele é sensato, ele é tranquilo, né? Então ele consegue
fazer o trabalho dele com uma certa calma. Ele Estuda o mínimo, ele não vai se dedicar a uma formação em nada porque é caro e ele vai parar de estudar, vai continuar estudando. Um, eu desafio vocês a estarem comigo porque, né, não tenho ainda 70, né? Mas assim, a o meu clock sticking até 65, ó, depois de 65 não farei mais isso. Não sei o que farei ainda. Espero ter para quem passar o [Aplausos] Bastão. Nada acrescentar. Perfeito. Eh, gostaria de fazer uma consideração. Como educador, eu acredito muito na educação. Educador é diferente de ser
professor. Tem uma diferença fundamental, né? É mais ou menos como o eucalipto e o Jequitibá, sem diferenças, né? Claro que o professor pode ser educador também, mas educador o educador leva o outro a Crescer, desenvolver, formar, né? Não só transmite informação pontual, etc., ou algum recurso estático. E aí eu acredito muito na educação em relação à questão da postura da formação. Nós precisamos formar bem os nossos profissionais. E é mais ou menos como a professora aí mencionou, professora Roberta, né? a responsabilidade. Então é aquele negócio, ajoelhou, tem que rezar, senão não não ajoelhe. Escolheu Ajoelhar,
reze. Os meus alunos, eu sempre pergunto para eles, até no 5º ano, você ainda tá tempo em tempo de desistir da formação. Aproveita a oportunidade. E aí, reflita? você ainda tá em tempo de de desistir da da profissão. Porque se você assumir a profissão, você tem que assumir, tem que assumir que tem que ter pelo menos um eixo estrutural de conhecimento técnico, tecnológico, Fundamentado, recursos da área, um mínimo necessário, um e esse mínimo necessário tem que ser um mínimo que sirva, obviamente, para uma atuação digna, respeitosa e competente. né? Mínimo no sentido de mínimo, é
mínimo no sentido de uma consistência. Isso vale paraa psicologia e qualquer outra profissão. Vale pro motorista, por exemplo, de ônibus. Tô dando um exemplo Aqui. Quando a gente toma um ônibus, a gente espera que ele tenha habilidades, competência de saber dirigir. Primeiro, ele tem que ter uma postura ética de entender que ele é um profissional e ter uma atitude, né, profissional, ética, independente de ser motorista. Segundo, ele tem que ter habilidade e competência de conhecer o que é ser motorista, não é isso que a gente espera. E terceiro, que ele faça Associação de tudo isso
para ser realmente o motorista. Para nós psicólogos, é a mesma coisa. Nós temos que ter habilidades e competências. Isso vale pro médico, profissional, qualquer um. E temos que ter, né, as atitudes virtuosas, que é respeitar tudo isso. E uma das um dos respeitos é a formação. Primeiro respeito é me formar bem. Uma vez que tem habilidade de competência, existe um dever, o dever de aplicar isso, dever ético. Então, é dever ético se formar bem e é dever ético, uma vez formado, não negligenciar a aprendizagem. Ela deve ser distribuída, ela deve ser ofertada. E aí a
oferta, quando a gente fala da psicologia, veja o tamanho da responsabilidade. A oferta que a psicologia faz não é só pro indivíduo isoladamente, é uma reflexão sobre a Formação das comunidades e da sociedade, porque as pessoas elas se formam na interrelação dentro da sociedade. Então, se a psicologia não olha a sociedade, não interfere na sociedade, não tem o seu exercício político e não é politiqueiro, politicagem, é político paraa formação da sociedade, achando que nós vamos atender o indivíduo somente, nós estamos negligenciando toda uma história de conhecimento, formação que a psicologia Já angareou ao longo desse
tempo. E nós como profissional devemos distribuir isso. Então é estar, é estar nos lugares, né? É levar o conhecimento para os lugares, é formar as pessoas com mais eh habilidade e competência paraa vida, habilidade de vida. Porque as pessoas quando elas têm crítica, que elas têm consciências, né, tem reflexões e consegue adquirir formações, Obviamente que isso já é promoção de saúde, prevenção de problemas, né, e equacionamento no momento do tratamento, redução de tratamento. Então, a falando da questão da fiscalização, é claro que nosso colega vai responder melhor, mas veja, se nós tivermos uma sociedade mais
consciente do que faz o psicólogo, e é dever do psicólogo instruir a sociedade sobre o que ele faz para que a sociedade possa fiscalizar o próprio exercício Profissional, as a sociedade vai ser mais crítica e não vai ficar comprando esses produtos enlatados, desconcertantes que existem por aí. Por a sociedade mais crítica, ela vai conseguir crivar ou ela mesmo vai denunciar a própria atitude. É difícil saber o que acontece dentro de quatro paredes. Isso é bem verdade, né? Mas Existe alguns pressupostos que ajuda a prevenir o que acontece dentro de quatro paredes. Se a sociedade souber
o que faz um psicólogo, ela vai conseguir saber se aquele psicólogo tá fazendo o exercício da prática profissional devida ou está caminhando por um caminho indevido do seu funcionamento. Se a sociedade não sabe, ela compra como verdade, não é? Então, nós devemos e a dever, tá aqui Inclusive no código, instruir as pessoas da sociedade sobre o que o psicólogo faz. É uma forma de, mas é claro que os conselhos também têm que atuar, né? Eles não têm perna para tudo, mas eles devem atuar. E eu acredito muito na atuação da Associação Brasileira de Ensino e
Psicologia da ABEP na interferência da formação dos psicólogos. Apesar da diversificação das regionalidades que nós temos e da multipluralidade na perspectiva teórica Que nós temos, ainda assim precisa ter uma espinha dorsal onde todos, independente foi formado no norte, no sul, no centro-Oeste, independente foi formado na psicanálise, no psicodrama, no behaviorismo, etc. Como o psicólogo teria que ter, que é um eixo formador essencial. Agora veja, a gente tá caminhando, só para finalizar a minha consideração, nós estamos caminhando assim para programas às vezes formação de curso de Psicologia, onde estão reduzindo, por exemplo, a quantidade carga horária
sobre ética, quando na verdade a ética não deveria ser dada por uma disciplina, deveria ser transversal em todas as disciplinas. Todas as disciplinas deveriam discutir ética. Eu tô fazendo, por exemplo, teste psicológico. Qual a ética da aplicação no teste psicológico? Tô fazendo diagnóstico. Qual a ética do Diagnóstico? Tô fazendo TTP, técnico, psicoterapia? Qual a ética envolvida nisso? Eu tô estudando teorias de personalidade. Qual a ética envolvida nisso? deveria cada disciplina discutir o conteúdo e discutir os valores éticos daquele conteúdo transversal em toda a formação e não lá no quarto ano, 30 horas de ética. Só
fazer, só fazer um adendo aqui, né? Quando o Nelson fala ter o mínimo, eh, e Quando eu cobro vocês assim, não fiquem esperando receber isso. Os livros existem, a informação existe, o código de ética existe, né? Quer dizer, leiam além daquilo que é oferecido, né? Vão atrás das coisas, conheçam as pessoas, eh, se ofereçam para observar, para entender, sabe? Façam isso acontecer, não fica esperando. Eu tinha uma birra quando eu fui, era professora e mesa coordenadora de aluno nota seis. Eu achava um desserviço aquilo, né? Porque Não é possível que a pessoa só consegue tirar
seis. Não é possível, né? Porque assim, ele tá aqui para estudar, né? A gente faz a oferta, o acompanhamento, o ensino, ele tira seis, ele tá afim mesmo. Ele tá fazendo isso para quê, né? E por isso que eu era muito criticada. Ah, a senhora não é parâmetro. Não, não sou. Não sou. Por quê? Não garanto que não tirei o molde 10. Eu não era essa aluna nota 10, mas eu fazia o máximo que eu podia e muitas vezes eu fazia além do que era aquilo para fazer. Por quê? Porque eu sabia que eu ia
ter que exercer uma profissão que não mata, mas aleja, né? Ser atendido por um psicólogo quando você tá angustiada porque você casou, né? E aí você tem toda uma história de família, de homens que traíram as mulheres da família. E aí Você chega no atendimento psicológico e fala assim: "Nossa, eu tenho muito medo que meu marido me traia". Eu ouvi isso em Guarapuava. Guarapuava fica 4 horas de distância de Curitiba. Fui lá dar um curso para um povo lá. E aí a psicóloga responde para ela: "Querida, homens traem, é hormonal, né? Contos da Aia, não
é? Contos da Aia. Nossa, assim, nessas horas que eu cultivo o meu taco de beisebol teórico, sabe? Porque assim, Com metal na ponta. Porque assim, o que que você faz com um profissional que faz isso? Além de ser burro, leviano e sério e sério. Assim, você não tem saída, ele vai te trair. Baseado em quê, né? E tem uma vertente que é mais perigosa, né, dentro da psicologia, que a formação daquelas pessoas que viram amigas. Ai, adoro na minha psicóloga, minha psicóloga é minha amiga. E que a psicóloga se compraz nesse lugar, a psicóloga que
se compraz com a lista de Espera, um psicólogo que fala, né? Então, na minha lista de espera, eu vou chamando as pessoas aos poucos. Uma vez um rapaz perguntou para mim, tinha sido meu aluno, e aí, professora, tudo bem, né? Eh, sua lista de espera, como que a senhora faz? Falei: "Não tenho lista de espera, Deus me livre". Eu fico, não ia conseguir nem dormir, né? Falei: "Não, não tem lista de espera, tem um monte de gente boa na cidade, não precisa ficar comigo não. Tem muita gente que vai dar conta, né? Indica um monte
de gente e tal". Eu tenho 40 pessoas na minha lista de espera. Falei: "Que bom que você é tão querido", né? Fico muito contente. Pessoas que atendem diagnósticos, né? Ai, professora, fiquei sabendo que a senhora tá atendendo autista. Falei: "Sim, atendo várias crianças, né?" Ai, parará, parará autistas. Falei: "Então as crianças." Aí a terceira vez não deu paciência. Eu Falei assim, ó: "Então tá bom, depois a gente se fala". Ah, eu não eu não resisti. Eu eu vou eu vou acrescentar duas coisinhas aqui, né? eh eh falar para vocês, alunos e alunas, né? Eh, a
psicologia não é que nem aquele filme de terror de 1981, Pague para entrar e reze para sair, não é bem assim, tá? Mas é difícil, pode passar, tá? É o contrário, se ferra ou se fu para Sair. Por quê? Porque nós não temos reconhecimento enquanto categoria do ponto de vista de eh valor atribuído enquanto financeiro. A gente não tem. Nós estudamos tanto quanto qualquer aluno dessa escola de medicina que a gente estuda para eu chegar na minha titulação onde eu cheguei enquanto psicodramatista. Entre a graduação e a minha formação em psicodrama são 12 anos. cinco
de graduação e para as titulações, 7 anos para poder chegar e escrevendo, né? Escrevendo, estudando, pesquisando e estudo até hoje. Faço terapia até hoje. Com 70 anos eu faço terapia. Faço terapia há mais. Então, eu faço uma quase 40 anos já que eu faço terapia. Não sei se eu ganhei do Allen, né, que diz que vai morrer fazendo análise. Então assim, é uma complexidade muito grande essa carreira. Por quê? Porque a gente não tanto quanto o Médico. Você não vai ganhar tanto quanto o médico. Esqueça. Esqueça. Vai, vai, você vai trabalhar em qualquer clínica, por
exemplo, aí que associada, que te contrata para fazer atendimento por hora na clínica, eles vão te pagar quanto? 1500, 2000 no máximo para você trabalhar 40 horas. Um médico ganha isso por plantão, recém formado, sem residência. Então, a disparidade é muito grande. É muito grande. Mas se você realmente Gosta da área, tem afinidade com a área, tem tesão de ler, de estudar, de pesquisar, a psicologia é para você. Você tem, você quer se comprometer com as pessoas, se envolver com as pessoas, escutá-las, acolhê-las. A psicologia é para você. Agora, se você quer uma coisa levezinha
assim, visagismo, hã, visagismo, visagismo, se você quer uma coisa dessa que estão vendendo aí no Instagram, que alguns psicólogos e Psicólogas estão vendendo no Instagram de solução, que eu falei do instantâneo, a psicologia instantânea, então sai fora disso. Não pague para entrar, tá? Não pague para entrar. duas coisas, né? Eh, ó, só uma coisa, Roberta, é rapidinho. Não, você tem todo o direito de completar, mas a gente tem uma questão com o horário pela contratação das trabal dos trabalhadores. Então, a gente já deu o horário. Então, eu vou Abrir para você fazer essa consideração. Eu
vou fazer a explicação em 2 minutos paraa Luma e aí a gente vai precisar encerrar. E eu peço desculpa se as inscrições que não tivemos a condição de contemplar. Só só para reforçar o fato de que exatamente por isso, porque não nos unimos, que a gente não consegue lutar por um salário melhor na psicologia, nem pelas 30 horas, porque aí essas pessoas que são amigas, que não estudam, que não se dedicam, elas não Fazem parte, né, de todo o processo do conhecimento ético, não se aproximam do CRP, né, e não fortalecem essa possibilidade. Então, a
gente precisa conhecer bastante o CRP e ser aliado, né, e não ser contrário. Aí, muito bom. E respondendo, Luma, o Conselho Regional e Federal de Psicologia, ele tem duas comissões permanentes, além de outras, mas acho que mais respondendo o que você perguntou, que é a comissão de Fiscalização e a comissão de ética. Então, pra gente fazer essas fiscalizações, eh, precisa vir uma denúncia pra gente poder fiscalizar, né, ou às vezes ter um uma instauração de processo, né? Então, por exemplo, houve um acontecimento de uma violência, né, no atendimento contra uma pessoa LGBTQ e a PN+.
essa pessoa, ela pode entrar no canal de denúncia do CRP, fazer uma denúncia ali e isso vai ser direcionado e aí vai ter a Fiscalização. a gente fiscalizando, entendendo que teve é algo que vai exceder somente uma orientação, a gente mesmo também pode instaurar o processo dentro do conselho e aí vai pro processo de ética para esse profissional responder eticamente à profissão ou até mesmo essa pessoa pode fazer a denúncia e instaurar um processo ético, tá? Então, basicamente isso que o professor fala sobre eh a população tá munida, né, do que é ou não cabe
um profissional. E A questão da denúncia, ela funciona muito nesse aspecto, né, de ser um um ponto importante, tanto também a questão da comunidade terapêutica, né? Então, pode eh pode ser que venha denúncia lá de, por exemplo, de ferimento de direitos humanos ou em hospitais psiquiátricos que não existem, muitos, mas ainda existem. Então, isso pode ser denunciado, o conselho pode fazer uma fiscalização. Então, acho que algo importante para vocês entenderem que Quando um psicólogo tá dentro de uma instituição, ele não responde à instituição, ele responde ao Conselho de Psicologia. Então, se a instituição tem práticas
diferimentos ao direito humano ou outras práticas que estão aviltando a profissão, é responsabilidade desse psicólogo que se formou identificar ou se retirar da instituição. E aí a gente já teve casos de profissionais se retirar mesmo da instituição, né? Eh, de não permanecer. Então, acho que não só Essa solução, mas tô dando um exemplo. Não sei se alguém quer complementar da questão da comissão. Você quer a lei? Porque você participou bastante tempo. Vem aqui falar que eu acho que a lei ela participou também de comissões de fiscalização. Acho que ela pode falar um pouco também. Aí
a gente serve. Só para complementar. Boa noite, gente. Antes de se retirar da instituição, jamais deixe de denunciar, porque muitas vezes, e a Gente sabe disso, às vezes a pessoa tá ali, tá precisando do emprego, ninguém trabalha num lugar porque acha legal, tá? Trabalhar não é legal. Ninguém gosta de trabalhar, nem Roberta, embora trabalhe por todos nós. Eh, a gente precisa ter essa esse senso de que hoje, principalmente essa nova com essa gestão, né, do conselho, as pessoas precisam trabalhar. elas são contratadas às vezes eh de forma super precária e a gente observa também essa
forma de de Contratação. Já é um indício de que aquilo ali não vai dar bom, né? Mas vai lá o recémformado, a recém formada ou eh mesmo depois de algum tempo de formado, acha que vai dar conta quando a gente entra numa instituição dessas. Eh, eu eu sempre sugiro, gente, usem o conselho, entrem no conselho, consumam aquela literatura também. Tem muita coisa legal, muita coisa importante que já vai te dando uma força para entender e um feeling, melhorar inclusive o teu Feeling em relação ao que você vai fazer naquele lugar. Porque muita gente a gente
sabe que vai porque acha que tá ajudando, né? Que vai ser ótimo, que é uma bênção, é menos, né? Então, se acontecer, né, de vocês terem notícias de qualquer situação, denunciem. E quem for o psicólogo da instituição, peça ajuda, vai no conselho, marca a hora, faz uma entrevista online, conta, né? Vamos conversando, porque uma coisa que eu percebo também na sua estatística é que as pessoas não se tratam, não fazem supervisão e não fazem a própria análise e vão trabalhar num lugar desse e depois fala que a gente é ruim, que o conselho fiscaliza e
o conselho joga fora, o conselho fica bravo, gente. Então é isso. Eu agradeço, Roberta por ter se deslocado, viu, gente? A Roberta saiu lá de Minas, pegou estrada aí 9 horas para vir para Cá. Cinco. Teu esposo falou mentira ali. Foi quatro. Ela tava trendo. Eita, eu entendi errado. Então, quem tava lesado era eu. Mas obrigado também, né, o pessoal local também, os professores, né, psicodramatista. E agora eu quero pedir também agradecer a vocês pela interesse, por estar aqui. Vocês vão receber o certificado no site do CRP, então daqui dá um tempinho, uns dias, tá?
na Imediato, porque a Elane, né, o pessoal vai ter que aí contabilizar a chamada, eh, a lista de presença e aí vai tá disponível lá no site. Eu ia pedir pra gente se juntar para tirar uma foto. Então, eu vou dar uma sugestão que vocês levantem, né, ocupem o meio, mais ou menos essa região aqui central e aí os palestrantes vão na frente, a gente faz uma foto daqui para lá. Pode ser? É melhor do que pedir para todo mundo vir para cá. Então, é mais fácil vocês Ocupar o centro, os palestrantes ficam aqui e
a gente bate a foto. E agradecer também as tradutoras de Libras, o amigo da que estava filmando, as meninas do CRP trabalhadoras, a Elane, que deu o nome em mais um evento. As meninas estão com a gente em vários eventos, né? Então vamos fazer a fotinha.