[Música] si [Música] projeto diálogos é de iniciativa e realização do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo busca contribuir para registrar e fazer circular psicologia no Brasil e faz isto dialogando com profissionais que com o seu fazer e o seu saber pia brasileira é um bom bate-papo desses construtores com amigos parceiros que eles mesmos escolheram o Conselho Regional de Psicologia Tem a certeza que através do projeto diálogos Está contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como ciência e como profissão [Música] fazer um pouco a sua história é contar a história né da Luta pelos Direitos da
Criança e do Adolescente no Brasil então aa pergunta que me ocorre é poder ver como é que você entra nesse tema como é que esse tema se constitui como um tema né Central na tua docia de ver teus primeiros trabalhos nessa área especialmente como é que você entra no trabalho com adolescente autor de at infracional e um pequeno balanço se dá para fazer do que que você vê do acúmulo da Psicologia nesse campo é um perguntão né mas sei lá talvez como você entrou nisso né que pessoas foram importantes foram referências como é que se
constituiu tua né esse é um tema central aí s é é é um É verdade atravessa a minha vida e aí e aí assim para responder penso que dá para começar de vários lugares né Eh acho que de um lugar que fica assim aparentemente até mais óbvio que quando eu fazia a faculdade de psicologia né eu tive o grande a grande oportunidade na minha formação profissional de trabalhar ah como aluna né mas eu trabalhar com a professora Maria Nil de mascelani né que foi uma das pessoas responsáveis pela minha formação né política profissional e é
muito interessante porque ela não é não era né psicóloga ela era pedagoga né mas ela tinha uma visão já naquela época década de 70 né 1974 ela tinha acabado de sair eh da prisão política eh aliás nós ficamos esperando por ela para fazer o estágio com ela né ela já tinha uma visão transdisciplinar né então o nosso grupo de estágio além dos alunos da faculdade de psicologia dos psicólogos já tinha historiadores sociólogos pedagogos Engenheiros né E trabalhávamos numa favela da cidade de São Paulo lá no Rio Bonito né E aí toda a possibilidade com várias
grupos ali Ah e eu meio que por acaso fui trabalhando não sei se tão acaso assim ficando muito mais com as crianças mas me interessando muito pelos adolescentes né E era um interesse um pouco de longe porque era um interesse assim a polícia entrava na favela para buscar os moleques que estavam em dois mocós lá e ao mesmo tempo na convivência do cotidiano o pessoal da favela convivia muito muito bem com Esses moleques que se refugiavam na favela enfim né já era um interesse e que ao mesmo tempo na época tinha tido uma oportunidade de
visitar o antigo recolhimento provisório de menores né Eh ainda não existia FEB em São Paulo em 73 ela foi instituída Acho que em 75 enfim eh então que eram condições já muito adversas de vida os meninos ficaram num galpão todo eles ah com a polícia que tomava conta deles e eles recebiam água algumas vezes por dia e aquilo tudo me chocava muito Daí ela me convidou antes de eu terminar a faculdade que eu trabalhar lá no escritório dela era um escritório de educação em que na verdade eh era um lugar que a gente complementava a
formação da Universidade né em que as pessoas que já não podiam falar na universidade iam falar lá na renov iam né nos ajudar nessa formação eh pessoal eh e era a época que das Comunidades eclesiais de base então que a gente ia né Eh pros bairros ajudar a pensar ou aprender né a pensar com a população que tava aí vivendo condições muito adversas aí é a época também do Instituto sede Sapiens né que passa da faculdade pro Instituto sede E aí no Instituto sedes a grande oportunidade de conhecer né embora ela era uma figura um
pouco mítica né Acho que até hoje é né na psicologia na militância política na resistência a todas formas né de violência de opressão que a madre Cristina né Eh enfim a op uma oportunidade absolutamente né fantástica especial né então acho que a minha formação ela se dá nesse né nesse veio aí eh e com e ao mesmo tempo dentro da PUC né a possibilidade de trabalhar com Silvia leine né então a Silvia Lene que me convidou para ser professora na eu não tinha terminado ainda o curso né Eu ainda era Aluna da Faculdade de Psicologia
e e ela me convidou eu tinha sido monitora de psicologia social em todos os anos anteriores e tal né E ela me convidou e a questão da psicologia social eram os fenômenos relevantes né é que se vivia naquele momento né Enfim acho que aí nessa coisa de ser também profess professora né e e também de trabalhar com a Maria n a questão da da da Criança e do Adolescente aí ela foi aparecendo como uma possibilidade que eu não diria ao acaso porque eu acho que eu fui procurando isso né mas logo na década de 70
eu tive a oportunidade já de trabalhar na e com os adolescentes autores de arta acional né na na em plena vigência do código de menores né quando você encontrava na Febem uma grande parte de moleques que eram presos né Por vadiagem né porque tavam andando nas ruas da cidade então eles chegavam lá com um boletim de ocorrência escrito né que era por vadiagem e e e uma experiência muito interessante porque na época se montou uma unidade que eles queriam fazer um projeto piloto né de inserção na comunidade dos meninos isso na década de 70 que
era a unidade Educacional Desembargador Teodomiro [Música] dias e naquela unidade era muito interessante gente porque quem nos dava a supervisão na área de educação era o jovem Júlio Lancelote que nem era padre e era funcionário da FEBEM né ele que nos supervisionava na área da Educação e a outra pessoa que supervisionava na área do serviço social era a assistente social Marine berrar que também era funcionário né então acho que assim eu tive lá atrás um começo assim acho que muito privilegiado né na iniciação de um modo de pensar o mundo a criança o adolescente né
Acho que desde o princípio como uma pessoa com direitos né isso para mim não foi assim algo que depois eu descobri né não era assim é assim então hoje isso para mim é de uma obviedade né Eh porque desde o princípio desde antes do estatuto já era uma questão da Cidadania dos direitos então se a gente tinha que usar os direitos universais né da pessoa humana os direitos da criança do qual o Brasil é signatário né Há muito tempo enfim usar uma normativa internacional para fazer valer aquilo que a nível Nacional né aqui no nosso
país a gente tava muito lá atrás quando você saiu da você ficou na fe bem nessa foi bem até quando e para onde você foi quando você ol eu eu fiquei na na primeira vez eu falo assim de um jeito que parece que eu f não fiquei muito tempo eu fiquei um ano mais ou menos nessa primeira experiência por quê né Não dá para esquecer que era a época da ditadura militar eu era uma jovenzinha Eu também tinha medo né as nossas práticas lá dentro Eu lembro sempre muito da cação Pereira e eu saindo de
lá 11 horas da noite do a pé morrendo de medo né e medo da escuridão medo porque a gente morava longe mas depois um outro medo que o o diretor da unidade começou a nos chamar de comunista e naquela época era uma coisa muito complicada ser nomeada deste jeito assim né era algo muito ameaçador né ao mesmo tempo eu trabalhava no escritório eh na renov sim né a coisa de trabalhar lá na periferia mas com a cartinha a agora a gente pode falar né vint tantos anos depois com a cartinha do Dom Paulo no sutiã
né porque era uma uma coisa não sei se iria funcionar muito mas a gente se sentia muito seguro desse jeito né então acho que tinha essa e E aí né Renata acho que essa ame do diretor e acho que depois quando você entra dentro você vai descobrindo né os outros liames institucionais então um dos diretores lá tinha ele praticava cías numa unidade do interior né então contra os meninos eh Então tudo isso acho que E era uma época que a gente não tinha tantas retaguardas políticas e isso vai revelando também uma idade de trabalhar né
uma impossibilidade de trabalhar porque quando isso se revela É porque também o cerco tá se fechando muito mais né quando isso se revela tão abertamente né Eh aí eu saio de lá né fui trabalhar no Jaguaré né coordenando um centro de juventude e uma creche né num programa que e ligado aos padres do Santa Cruz né que tinham lá uma ponta lá no Jaguari que atendia aquelas favelas ali do seasa junto com a irmã Michael né então coordenei por algum tempo ali também né E sempre ao mesmo tempo eu ficava na PUC né sempre quer
dizer entrei na PUC em 75 tô lá até hoje aí eu volto para Febem na década de 80 né Eh que é quando eu encontro a Cristina Vicentin a gente trabalha junto né em coisas muito difíceis né na unidade de jovens adultos que eram jovens de 18 há 21 anos que chegavam assim com um dossiê com um carimbo desse tamanho assim escrito ré perigoso e que tinha que usar algema para eles saírem de dentro da ade para no dentista que era no quadrilátero e e foi uma época muito interessante que a Cristina pode contar também
porque assim a gente tinha uma equipe lá no gabinete da presidência fantástica não é porque a presidente da feben era Marines berá o seu chefe de gabinete era uma rei né que tava até outro dia aí num cargo super importante que eu não lembro o nome como que é eh fazia parte do do gabinete o Paulo Afonso Garrido de Paula que depois foi agora há pouco tempo coordenador das curadorias Gerais aí da área da infância né a gente tinha luxuosamente como consultor político Emir sader sader né então a história das algemas eraa fantástic assim tinha
a história de usar algema e essa equipe toda ficava lá né com a história de que imagina a questão Um era da comissão Teotônio Vilela de direitos humanos outro também e a gente era absolutamente provocativo né então a gente mandava as cartinhas lá paraa presidência para ele se posicionarem né porque a gente também não queria assumir sozinho né A questão do uso da algema enfim e acabávamos né juntos enfrentando o desafio né de tentar trabalhar com dignidade né Eh sem esquecer do valor da Liberdade né com meninos que estavam eh eu diria extremamente presos né
presos porque tinha uma sentença e na época do código era uma sentença e estavam presos porque a gente trabalhava numa que não tinha janelas que não tinha a luz do sol nem pros meninos e nem pra gente como é que essa experiência eh ilumina ou redimensiona outras experiências profissionais tuas por exemplo com a clínica com a própria trabalho de formadora de ser Educadora de formar né Ou seja a pergunta é como é que essa experiência tão radical né de de de recusa a violência né de uma intolerância em relação a isso eh colore outros aspectos
da tua vida como terapeuta como professora acho que como professora É muito visível por exemplo na PUC eu tô numa fazendo uma coisa que eu gosto muito que é a questão da supervisão de Estágios né que é aonde você vê o aluno começando a descobrir né a se perguntar a olhar a temer a se emocionar né e e é interessante porque é como se de algum modo eu pudesse reviver de novo usar a experiência vivida para acolher né para acolher o temor então por exemplo Hoje em dia a realidade da violência ela tá muito maior
né Eh esse ano eu vivi uma situação na PUC que eu nunca tinha vivido antes duas alunas eh foram para fazer estágio lá na turma da touca numa creche que fica numa das regiões que é conhecida sabida estatisticamente Secretaria da Segurança e tal mais violentas da cidade que é na região do Jardim Angel né e elas voltaram e disseram que elas não dariam conta né e acho que essa essa experiência né que precisa ser constantemente elaborada a todo momento ela nos dá indignação mas só indignação não é suficiente para para trabalhar depois da indignação da
emoção tem que ter o pensamento mas tem que est guardada a possibilidade de se emocionar porque senão a gente ou endurece ou enlouquece ou enfim a gente não serve mais para trabalhar né então a possibilidade de compreender né Eu acho que de compreender eh e de ao mesmo tempo ter aquela meta né que é um compromisso eu acho que mais do que como psicóloga ou mais do que como psicanalista ou mais do que como professora eu acho que é um compromisso meu inteira de tudo isso né Eh de que é possível de diferentes lugares do
né Eh que os alunos chegam né e os alunos chegam na faculdade de psicologia hoje eh eu brinco com eles e eu digo isso de um jeito até muito carinhoso né Cada vez mais adolescentes né Cada Vez com mais experiências para viver para poder eh encontrar o sofrimento que é a matéria prima do trabalho nosso né dos psis né então eu penso que essa minha experiência de poder ter vivido né e continuar vivendo o sofrimento na sua né de de viver assim de algum modo viver também mas viver como testemunha o sofrimento do outro na
sua radicalidade que é saber da existência da Tortura queer saber da existência né da ausência do direito eh me permite é interessante né me permite ter uma que eu acho que é uma coisa que é por aí que a gente acaba criando na sala de aula ou quando eu vou dar uma supervisão lá em São Bernardo com 27 né pessas desde o porteiro até o diretor do programa né lá de São Bernardo assim eu eu não encontro outra palavra que é uma coisa assim um pouco de uma certa amorosidade de poder criar um espaço de
continência em que essas coisas podem ser ditas de um jeito que não seja assustador [Música] muitos projetos ainda pra frente né projetos para 50 projetos para 60 para 70 né eu vou pondo assim que é a coisa de escrever né então eu acho que a coisa do escrever para mim né É ela também é um jeito de elaborar tudo isso né Eh e quando você pergunta da Clínica é uma coisa interessante eu cheguei na clínica através da instituição o meu trabalho lá lá na unidade de jovens adultos ou mesmo meu trabalho depois né em outros
programas encontrando a molecada ou ouvindo falar da molecada mas eu acho que particularmente meu trabalho lá na unidade de jovens adultos me colocou muitas questões sobre o funcionamento psíquico né a gente trabalhava trabalhou numa época lá na na na FEB em que o objetivo da proposta Educacional era transformar a os meninos em Sujeito da história né história com H maiúsculo Né tava lá nas diretrizes educacionais da FEB né E aí na hora que você ia trabalhar com moleque eu lembro muito e aí eu lembro muito dos teus relatos como psicóloga da equipe né dizendo assim
que os meninos eles não conheciam a história pessoal dele né eu lembro de um trabalho que você né Cristina com os meninos eh com a história do espelho que eles conseguiam recuperar a história pessoal a partir das cicatrizes que eles tinham no corpo dele e aí a questão como que é possível ser sujeito da história se o sujeito né o sujeito no caso o moleque o menino não sabe nem desculpa não sabe nem da sua história pessoal não é é aonde que ele tá na constelação familiar Ele nega as suas matrizes de identidade as histórias
de Sofrimento dele são histórias tão difíceis que a memória dele né tá esburacada não é ele lembra a partir de um certo momento quando ele vai pra rua mas né ele enfim um pouco aquilo que o Benjamin né dizia quando ele falava das histórias dos dos homens que chegavam né depois da primeira guerra Mundial que eles estavam pobres em experiências para contar em função da experiência de violência que eles tinham [Música] vivido Ah porque era a possibilidade de fazer uma coisa da sociologia com a psicologia eu tinha estudado Reich depois né que então ele falava
né da questão então né enfim todo da análise da Juventude da família na Alemanha nazista e que me dava alguns elementos pro trabalho mas muito poucos muito poucos né Aí eu descobri o inicot né E foi por aí que eu acho que eu fui e depois eu descobri o Freud propriamente dito né E aí é o pai de todos e aí é que eu fui estudar um pouco mais e fui descobrindo que na na clínica eu teria a possibilidade de fazer uma coisa né que eu acho que eu sempre fiquei assim no conhecimento a sociologia
antropologia história economia a psicologia né Aí eu pude porque a prática Clínica Exige uma profundidade né no olhar no conhecer e no escutar eu posso ir percebendo porque minha prática Clínica continua né todas as vicissitudes do humano né que estão na Instituição estão na clínica estão dentro de cada um de nós né que o limite do sofrimento é muito né muito esgarçado né ele sempre se amplia eu pude com a clínica su com Unos preconceitos né de que a psicologia devia ser só para os pobres né a psicologia comprometida mas que ela deve ser para
todos um prazer o dia da gente estar aqui hoje com essa conversa Relembrando o trabalho seu de v e tantos anos atrás essa essa profissão sua tem ajudado muitas famílias né então isso também é mais uma experiência para mim para nós que estamos aqui hoje né Eh mas ainda vou continuar na na pergunta da FEBEM que é uma a gente sabe que é uma problemática que tá aí mesmo a violência não parou e nem até bem né então qual é a sua sua sugestão de criar alguns conselhos lá dentro para que isso mude e nós
aproveite o mínimo 60% dos nossos menino tá 60% porque nós temos visto que o menino que sai de lá eh em 100 vamos supor que aproveita 20 então é é muito pouco que que sugestão você dá para conseguir esses conselhos para essa melhoria dentro da sua área profissional como psic seus conhecimentos Ó Maria olha essa essa questão acho que é uma questão que todos nós aqui podemos falar um pouco disso porque acho que fala sabe do que Maria das nossas pequenas utopias [Música] eu penso que é uma coisa para muitos para muitos essa é uma
tarefa para muitos É que na verdade eu penso que passa por construir um projeto de sociedade mais acolhedor para todos inclusive pros adolescentes né particularmente adolescentes autores de ato infracional que são né Eh vistos pela população em geral pelos meios de comunicação de massa por setores do Poder Judiciário do do Poder Legislativo e eu diria mesmo por setores dentro da própria psicologia não é eles não são vistos como adolescentes eles são vistos na verdade como infratores né aí que dá para entender por exemplo a história da rão da idade penal que as pessoas acham né
mu a opinião pública muito psicólogos né inclusive que com o encarceramento dos Adolescentes né se vai reduzir a questão da criminalidade da violência eu penso né e acho que tem outras pessoas que pensam né como eu Ah tomara acredito nisso né que a solução mesmo pro adolescente autor de ato infracional que precisa cumprir a medida socioeducativa de internação que a solução não é a FEB não é a FEB né porque quando a gente fala Febem a gente fala dessa instituição né Eh que tá situada dentro da funabem né que foi uma coisa que foi criada
no dia 12 de Dezembro de 1964 né como um ato lá da Junta Militar certo e que guarda até hoje os aspectos repressivos eu diria mais resquícios dos porões da ditadura militar né então é uma coisa muito complicada e acho que eu já tentei né Não só eu muitas pessoas juntas a Cristina acho que das últimas experiências também tava junto né através de supervisões através de formação de pessoal tentar reformas né mas nós estamos lidando com uma instituição né em que ela tá muito sedimentado é tivo do funcionamento dela né as práticas repressivas e de
violência né não é à toa que hoje né Hoje que eu digo atualmente né a os os próprios funcionários né enfim denominados educadores muitas vezes e através dos seus sindicatos né tem posicionamentos retrógrados né que tem pos que impede um movimento de mudança eu penso que nós temos que pensar outras instituições né para o cumprimento da dessa medida que precisa sim eu acho que o adolescente autor de ato infracional ele precisa ser responsabilizado pelo racional né quando são delitos graves ele precisa sim da medida de internação Severa né Eh nós não podemos ter a ingenuidade
nós sabemos que a violência tá crescente que o adolescente até por conta das práticas de tortura que existem hoje em dia dentro da FEBEM Eles saem cada vez mais violentos o nível de reincidência tá muito grande né então nós precisamos criar ou propor pensar né instituições mais adequadas para pro cumprimento e não é que nós vamos ter que inventar né do nada já teve experiências importantes em outros lugares do Brasil hoje tem experiências importantes não é que não se sabe fazer então assim ninguém sabe fazer Claro que sabe fazer né mas como é não é
Maria desmontar uma instituição com 5.000 funcionários como é né Precisa ter muita vontade política né Precisa ter muito peito para fazer isso Numa articulação com o poder judiciário Então hoje em dia o que que a gente vê o Executivo dizendo que a responsabilidade é do Judiciário que superlota o judiciário dizendo e né ou o sistema de Justiça no caso o Ministério Público indo lá e denunciando quer dizer nós precisamos de uma articulação de todos num projeto e mais precisamos sim né de programa que D conta das outras medidas socioeducativas né de um jeito decente e
não como uma pequena experiência que tem que atende 20 meninos lá no Ipiranga uma experiência fantástica mas quantos 20 50 80 quantos T liberdade assistida hoje em São Paulo milhares né então nós precisamos de um programa a nível Municipal né não dá para ficar fazendo mais experiências né e é interessante porque o pessoal de São Paulo vai dar palestra falar como faz fazer planejamento estratégico num monte de lugar do Brasil né E você tem um monte de cidades do Brasil que isso já tá municipalizado que isso já tá acontecendo não como uma pequena experiência mas
como um trabalho efetivo para todos né você pega Horizonte por exemplo né a medida de liberdade assistida ela é uma medida para todos os adolescentes do município né São Paulo setembro de 2001 né Qual a proposta de municipalização dos programas né na área da Infância e adolescência Onde estão Cadê né quer dizer a Então não é ao mesmo tempo tempo falta de pessoas que pensam né que planejam que TM experiências vividas já né Eh Tem algo aí que se dá né Eh e que às vezes eu fico pensando que é da ordem né posso ser
muito psicanalista na hora de responder isso você me desculpa mas eu fico pensando que às vezes é algo da Ordem da perversão ou do cinismo né Eh que as coisas quer dizer nada toca nada altera de Fato né Eh todos então as comissões de direitos humanos o conanda vem aí amnistia internacional O Alto comissariado da ONU a comissão de direitos humanos da cal nós aqui do crp o Willan nud a brin o semear para que enfim né A Turma da touca se mobiliza em torno das questões mas nada se altera as reciclagem desses educadores da
da feben vocês que trabalham trabalharam por muito tempo tem acontecido eles tê esses treinamentos para saber educar os nossos jovens que estão lá nossos adolescentes nesse momento eu não acredito mais em reciclagem não é p assim é m obgado falar porque lá dentro é uma massa muito grande é um conjunto muito grande de funcionários e eu penso que tenha pessoas muito bem intencionadas penso mesmo com certeza tem pessoas bem intencionadas que sofrem lá dentro e que tem úlcera que tem licença psiquiátrica que enfim né choram que precisam ir fazer psicoterapia Aliás não é à toa
que se pede um de saúde mental pros funcionários da FEBEM né E mesmo que as condições melhorassem muito continuaria precisando de um serviço de saúde mental porque é um trabalho difícil lidar com essa molecada né Eh enfim ah mas eu penso que embora tem essas pessoas lá dentro bem intencionadas sérias algumas muito competentes né mas tem uma mentalidade hoje em dia né e com o menino e aí a gente vê até do lado de fora né Maria a criminalização do Adolescente né de que adolescente não tem jeito que esses adolescentes não t jeito mesmo já
virou bandido eles perdem a característica de adolescência né Eh então eu penso que a reciclagem o treinamento não não não resolve a gente precisaria eu dizendo de um jeito até meio simplista né a gente precisa ter um projeto de sociedade precisa ter uma articulação entre todos os poderes com a sociedade civil precisa ter um projeto para os adolescentes autores de ato infracional né articulado as medidas em meio aberto com as medidas de internação E aí você tem um projeto que você define com clareza né Qual é a proposta dessas unidades de internação E aí você
vai selecionar pessoal E aí você vai treinar pessoal E aí você vai ah dar uma retaguarda permanente né uma formação permanente eu acho aí é possível pensar né em alguma coisa agora dizendo isso tudo de um jeito muito simplista porque acho que aí tem muitas né delicadezas que que projetos que você imagina que o que que que que você imagina que se possa fazer a nível das pequenas utopias eh para prevenir você sabe Renata que eu não sei se as pessoas vão pensando coisas ao mesmo tempo né mas hoje em dia eu vejo que tá
todo mundo pensando muito uma coisa que parece que eu descobri Mas então eu não descobri sozinha né porque a ideia também é produto um pouco daquilo que vai circulando né quer seja explícita ou implicitamente né vai formando aí um caldo de Cultura né eh e acho que eu falo cauda de Cultura justamente porque cada vez mais eu penso que o trabalho com os adolescentes com os jovens ele tem que ser um trabalho né na referência da Cultura né Eu acho que durante muito tempo eu também acreditei a questão da profissionalização a questão da preparação pro
trabalho né hoje mesmo eu lia lá a proposta de municipalização para São Paulo e aí tava escrito lá de 14 a 18 é profissionalização aí eu fiz um ponto de interrogação falei por que profissionalização só porque eles são pobres né porque pros adolescentes que não são pobres a gente não pensa em profissionalização dos 14 aos 17 anos a gente pensa em eles terem acesso à outras benefícios da Cultura né aprender uma língua aprender informática aprender dança música instrumento né viajar fazer acampamento por que que nós não podemos pensar né Isso também a questão da cultura
então é poder pensar a educação né Renata no seu sentido mais amplo no seu sentido Mais amplo que não é só escolarização que não é só informação que não é só profissionalização né É dá para ele o acesso à cultura e ao mesmo tempo canais possibilidades dele se expressar né culturalmente Eu penso que esses movimentos que estão surgindo aí na periferia né E esses movimentos culturais né Eh são muito interessantes se a gente começa a conhecê-los mais porque eles são muito agregadores desta molecada né a gente acabou de fazer o evento lá no Sesc feia
né lá do a da premiação do concurso contra a redução da idade penal e eu penso que a Emocionante ver né Foi emocionante ver a aquela assim primeiro aa né que são as várias possibilidades de expressão você cria esses espaços essas oportunidades eles participam né né agora Quais são os equipamentos culturais de lazer esportivos recreacionais que nós temos no na periferia da cidade de São Paulo né Maria pode falar lá na to também conheço Campo Limpo Jardim sutan Jardim Ângela né podemos falar do Itaí Paulista podemos falar lá da Freguesia dos do Ó Cruz das
Almas né não tem serviço de saúde não tem um equipamento de lazer de Cultura de esporte eu acho que as secretarias tem que fazer um levantamento de quantos de qual é a população de 12 a 18 anos onde que ela está no município e que equipamentos tem lá né que incrementem um outro tipo de participação alternativo à participação no tráfico e a participação na quadrilha porque estes lugares tem sido o lugar de pertinência um lugar que atribui identidade pro adolescente que o adolescente exerce sua potência né ele não exerce sua potência eh no time de
futebol ou de vôlei sendo lá o chefe de equipe né ele não exerce a sua potência grafitando né criando rap tocando atab né dançando break ou enfim qualquer outra coisa e ele vai ele precisa ele tem uma potência produtiva né cabe a sociedade cabe aos adultos cabe a nós criar os mecanismos em que essa potência seja produtiva e não destrutiva né Eu penso que eu entendo um pouco por aí essa questão que é extremamente séria hoje em São Paulo acho Brasil todo mas enfim como é a favela de Heliópolis como é Cruz das Almas na
freguesia do ó Vila Brasilândia como é Jardim Ângela né como é e Paulista né olha que você pega esses bolsões né Eh e que tem um dado inclusive da cri do envolvimento do adolescente com a criminalidade e tal né embora né quando eu falo isso também a gente corre um risco de pensar que a questão da criminalidade do adolescente é só dos pobres e não é né antigamente pros adolescentes né então sei lá sem querer ser saudosista mas sei lá em 68 você tinha as barricadas da França que você tinha os jovens né Eh aliás
eu tinha um líder lá né que eu tinha a fotografia dele assim no quarto Daniel comendi né que foi o Líder lá das barricadas né em 68 na França né tinha uma fotografia dele eh do meu quarto aí que ele também ele era muito bonito eh mas aí ele era um modelo pra adolescência da época né era acabava sendo um modelo certo quando o pessoal começou a ir pro Araguaia eu era um pouco mais jovem né mas aquela ousadia né então eu via falar tudo na surdina né que aquela estudante Universitária que morava no andar
de baixo ela tinha ido com o líder estudantil para não sei para onde quer dizer então de algum modo Era um modelo outras possibilidades de identificação né hoje a possib o modelo da identificação é um modelo que tem a ver com o consumo né E hoje né Renata eu acho que nós estamos numa situação que nós nós temos que juntar todas as nossas sabedorias para compreender a adolescência e para pensar né Eu sempre falo uma frase do Jorge Coelho é um estudioso lá da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que ele diz assim que
nós temos de pensar outros futuros possíveis porque assim a adolescência hoje ela funciona e a juventude em padrões muito diferentes né muito diferentes quer dizer tem a questão das ações que é uma questão é muito complicada né Acho que até algumas gerações atrás a gente falava de conflito de gerações hoje né e o risb caracteriza isso de um jeito Belinho no livro dele nesse último livro breve século XX ele fala que na verdade as novas gerações romperam né e negam os valores das Gerações anteriores ele diz que essa é uma das características mais ocupantes deste
tempo né os filhos que nada têm a aprender com os pais né então isso nos coloca outras questões muito mais complicadas o mercado né transformou o adolescente o jovem né num agente social autônomo né porque ele é uma unidade de consumo já né então não é mais assim aquele adolescente que é filho ali ele já é é assim é dirigido para o adolescente né e tudo isso eu acho que vai produzindo outros modos de ser de existir de pensar de sentir e que não adianta a gente querer no programa para essa molecada pensando na nossa
adolescência ou pensando em como eram os programas há 10 anos atrás né é de outro modo são outro né Nós temos pensar pensar inventar criar aqui Periferia é sobreviver na Guerrilha é para quem vive a vida e nunca se Intimida Não não sou a morte chega chega de armas e de metar e de metar isso causa espanto diga quem passa um pano pisando os manos pois quem aguenta é G eu quero é ma você é pilantra rapaz sou a favor da paz Por isso fico longe de Rael é lá PR baixo por ali S tem
barraco todos Sobreviventes da criança iado se quer cachaça PR beber aqui tem se quer uma erva PR fumar tem também uma parte Tiazinha segurando a onda orgulho amassa e joga fora é resposta mas se quer pedra e vem armamento de primeira também tem e de onde vem e de onde vem eu não sei e de onde vem e de onde