Se você quer entender todo esse caso do Banco Master, de onde veio o colapso, quais os políticos estão envolvidos e as relações com o jogo de poder, então esse vídeo aqui é para você. Pega a pipoca que eu vou te contar o que você ainda não sabe e aproveita e já segue o Léo Siqueira aqui no canal. Mas para isso a gente precisa voltar um pouco no tempo.
Muito antes do escândalo estourar, o banco nem se chamava Master, ele se chamava Máxima, uma instituição praticamente irrelevante no mercado financeiro, que não tinha grande nome, que nunca tinha chamado tanta atenção e que tinha sido fundado em 1970. Mas tudo mudou no máxima em 2018, quando aparece Daniel Vorcaro, decidido a transformar o Máxima em algo muito maior. O Banco Central avaliou a compra que o Daniel Vorcaro tinha vontade de fazer, mas fez uma exigência, a de que houvesse um aporte mínimo de 50 milhões no banco.
O Vorcaro, como sempre exagerado que foi, veio com muito mais, cerca de 400 milhões. e com o cheque a ambição em mãos redesenhou o banco. Assim nasceu o master e junto com o nome veio um novo personagem na Faria Lima que já nascia controverso.
Isso porque, segundo informações, o Vorcaro usou um terreno superfaturado para comprar o banco. Pois é, um banco que já nasceu aí muito torto. Aquilo era só o começo.
O master tinha virado sinônimo de ostentação. Isso não era acidente, tá? Era estratégia.
Só para vocês terem uma ideia, o Vorcar fez uma festa de 15 anos pra filha que custou 15 milhões com a presença de ninguém menos que DJ Alock. Outras extravagâncias ficavam muito clara. O Vorcaro comprou a mansão mais cara já negociada em Orlando por aproximadamente R 197 milhões deais.
Além disso, uma mansão em Trancoso, no valor de 280 milhões e tinha escritórios os pontos mais caros do mundo, Londres, Miami e outras cidades. Daí, enquanto o glamor rolava solto, o banco crescia utilizando uma estratégia muito diferente. Presta atenção aqui que agora eu quero te explicar a diferença entre o banco tradicional e o banco master.
E se você já gostou desse vídeo, deixa seu like aqui, se inscreve, que eu sou Léo Siqueira, economista, deputado estadual e sempre vou fazer isso, trazer um fato cotidiano com muitos dados, evidências e explicar no detalhe o melhor canal de economia do país, do mundo, quem sabe. O sistema financeiro funciona assim: a maioria dos bancos capta emitindo CDBs, né, os certificados de depósitos bancários com as pessoas. Ou seja, ele capta esse dinheiro com as pessoas através dos CDBs e para isso ele remunera a uma taxa que em geral não ultrapassa 98% do CDI, que é o certificado de depósito interbancário, que é aquela referência mais próxima da CELIC.
Daí o banco capta esse dinheiro das pessoas e ele empresta para outras pessoas. E aí ele usa esse dinheiro inconsignado, cartão de crédito, capital de giro, crédito imobiliário. É o feijão com arroz bancário.
Capta de algumas pessoas com CDBs remunerando não mais que 100% do CDI ou ou raríssimos casos e empresta para essas pessoas no longo prazo. Ou seja, ele une os poupadores com os emprestadores. O que o master fazia era outra coisa.
Segundo o agente importante do mercado que não quis se identificar, mas tá na matéria da Piauí, ele disse: "O master não é um banco que empresta dinheiro. Ele capta dinheiro via CDBS pagando uma taxa altíssima de até 140% do CDI. Mas com esse dinheiro ele enche os seus fundos com um monte de ativos esquisitos.
Light, Ambipar, CVC, Oi, Gafiza. Mas tem um detalhe muito importante. A regulação do Banco Central permite que os bancos operem com certo risco.
Para cada R$ 1 que o controlador coloca em sua instituição, o banco pode emprestar até 10 vezes empréstimos de cartão de crédito, crédito imobiliário e por aí vai. É o chamado índice de basileia, ou seja, quanto que um banco pode se alavancar. Isso porque as pessoas não vão sacar todo o dinheiro ao mesmo tempo.
Então, se você tem uma probabilidade que nem todas as pessoas vão sacar ao mesmo tempo, faz sentido você poder emprestar mais do que você até tem. Isso é normal, todos os bancos fazem no mundo inteiro. Mas para não se expor excessivamente, a maioria dos bancos opera até seis vezes no máximo de alavancagem.
Agora eu te pergunto, sabe quanto que o master operava no limite permitido pelo Banco Central? 10 vezes. Ou seja, no máster, de um lado você tem um custo altíssimo de captação e alavancagem e do outro ativos que são investimentos em empresas problemáticas e não empréstimos seguros, como bancos tradicionais.
E aí você pode me perguntar, mas como isso funcionava? Simples. Para que tudo isso funcionasse, o master recorria ao mantra e dizia: "Pode ir que tem FGC".
Para quem não sabe, imagino que todo mundo sabe, o FGC é o Fundo Garantidor de Crédito que foi criado para proteger o pequeno poupador em situações excepcionais, mas que no caso do master acabou virando peça de marketing. Porque funciona assim, os bancos grandes, obviamente eles têm mais solidez, eles são mais seguros, ele tem um histórico maior, então eles podem remunerar os CDBs que eles emitem a uma taxa menor. Só que no mercado de capitais e no capitalismo é importante concorrência.
E aí os bancos menores eles sempre vão ter que pagar mais para você poder captar. E aí você acaba desestimulando que alguns bancos entrem no mercado, porque eles já são pequenos, já estão em desvantagem, ainda tem que pagar mais, tem um custo de captação maior. Então o que acontece?
Criou-se o FGC, que foi muito inteligente. É uma forma de você dizer assim: "Olha, os bancos pequenos, se eles quebrarem, podem emprestar que a gente garante até 250. 000 por CPF, por instituição.
" E assim nasceu o FGC, que incentiva a competição entre os bancos. Por isso que muita gente empresta para bancos menores, sabendo que se der alguma coisa errada, eles vão ter esse dinheiro de volta. Pois é, mas aí o master utilizou essa garantia aí para poder dizer que aquilo ali tava seguro e podem investir sem medo.
E deu certo no caso do master, porque o dinheiro entrou pesado. Só para vocês terem noção, em 2019 o master tinha 2 bilhões e meio em CDBs. Em 2024, ou seja, 5 anos depois já tinha 40 bilhões.
E no meio disso tudo, o banco tava investindo pesado em algo bem específico. a relação com um alto escalão do judiciário e políticos. Olha só o que aconteceu ao longo do tempo.
O banco patrocinou duas edições do Fórum Jurídico de Lisboa, organizado pelo IDP, aquele instituto fundado pelo Gilmar Mendes, conhecido como o Gilmar Palusa. Ele contratou o escritório Bar de Moraes, também conhecido como escritório da esposa do Alexandre de Moraes. E segundo as notícias, a informação do valor de contrato é que foi de 129 milhões, segundo o que saiu na imprensa.
E além disso, ele colocou o Guido Mântega no seu conselho e o Ricardo Lewandowski como consultor. Ou seja, ele entendeu que mais do que um banco, era importante estar em Brasília e ter as pessoas certas no seu ecossistema. E aí ele fez isso e levou isso muito a sério.
Nada disso é crime por si só, mas forma um cenário que é difícil de ignorar. Só que o castelo começou a rachar quando o mercado percebeu que o banco dependia de captação constante para sobreviver. Em 2024, a primeira rachadura visível apareceu.
O máer tinha mais de 50 bilhões em compromissos para pagar e tinha cerca de 18 bilhões em ativos líquidos. Era quase uma pirâmide financeira, ou seja, você precisava de dinheiro novo para pagar as promessas antigas. Na prática, era a mesma coisa dizer que o master tinha quebrado.
Daí o Banco Central vendo tudo isso falou: "Olha, vocês precisam fazer um aporte de 2 bilhões e se não pagasse, o que que ia acontecer? " O FGC teria que bancar toda essa diferença que ia sair mais de 50 bilhões aí do Fundo Garantidor de Crédito. O Fundo Garantidor de Crédito tinha sim muito limite, tem, né?
mais de 130 bilhões, mas você acaba gerando um risco sistêmico. E algumas pessoas podem pensar: "Hum, se o master está mal, será que outros bancos não estão tão mal? " E aí você começa a ter uma corrida bancária.
E lembra que eu te falei que existe um índice de basileia, que todo banco opera alavancado. Ou seja, para você quebrar um banco, basta dizer que ele vai quebrar e se você tiver credibilidade, todo mundo vai sacar esse dinheiro e aí você vai quebrar o banco. Claro que precisa de credibilidade, por isso que especulação bancária é crime para que isso não aconteça.
Mas se tivesse, se o Banco Central interviesse, você podia gerar esse risco sistêmico aí. E daí, vendo toda a situação, o BTG, vendo essa crise toda, quis comprar os ativos do banco. Só que como o banco tinha mais dívidas, né, mais compromissos do que ativos, ele ofereceu o valor simbólico de R$ 1, porque para ele não valia aquilo.
Daí alguns podem dizer: "Ah, valia muito mais". É, se valia muito mais, por que que ninguém ofereceu? Porque as pessoas no mercado estão procurando boas oportunidades, um preço baixo de um ativo bom.
Se ninguém ofereceu, é porque valia aquilo mesmo. E além disso, porque o Vorcaro deixou claro, né, que isso não deveria acontecer e se mexeu para que aquilo não acontecesse. E daí do nada surgiu um banco estatal, o BRB, Banco de Brasília, que anunciou que compraria 58% do máster por 2 bilhões.
Justamente o valor do aporte. Olha que coincidência. E tem algumas reportagens que indicam que a negociação não surgiu do BRB, mas da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, que é chefeada na época por Jorge Becias.
O governador Ibanez Rocha também teria participado da articulação. O Banco Central, vendo que a operação era política e não técnica, rejeitou a compra. E aqui, ó, palmas pro Gabriel Galipolo, presidente do Banco Central.
a gente tem que elogiar realmente um trabalho sério aí no caso do Banco Master, não deixou que a política levasse esse assunto à frente e barrou de forma técnica essa compra. Daí enquanto tentava levantar os recursos, o Vorcaro foi preso ao tentar deixar o país. Pois é, parecia o fim da impunidade, né?
Olha, uma pessoa que cometeu fraude sendo presa, mas nem tanto. Isso porque começaram a vir à tona as questões políticas. Só para vocês terem noção, uma desembargadora do TRF, ela relatou pressões externas em diversos processos, inclusive envolvendo interesses conectados a esse universo do Banco Master.
Pouco tempo depois ela foi afastada e os processos relacionados ao Banco Master começaram a subir, a subir, a subir até chegarem no STF. E as coisas mudaram completamente de rumo. 11 dias depois ser preso, muito antes das pessoas receberem o dinheiro do FGC, porque as pessoas não receberam ainda, o Vorcaro foi solto.
E aí você teve o grande movimento final. O Diasol decretou o sigilo máximo sobre o caso, ou seja, transformou um rombo bilionário com impacto nacional e milhões de investidores expostos em uma operação invisível. Nada mais agora pode ser visto.
Nenhum documento, nenhuma decisão. E uma coincidência nesse caso todo, tá? Apenas uma coincidência.
A esposa do Dias Toffol já foi sócia do advogado do Vorcaro e o advogado do master também, conforme saiu na mídia, viajou junto com Dias Toffol para assistir o Palmeiras na final da Libertadores. Sempre coincidências, né? Claro, isso jamais quem seríamos nós para dizer que eles conversaram sobre o Banco Master nessa viagem deles particular, né?
Ao final de tudo, o máster, ele não expôs a falha somente de um banco ou de alguém que operava fora das regras. Ele expôs o Brasil, onde mais uma vez a gente vê que o crime só é risco quando você não tem as amizades certas. Se você gostou desse vídeo, deixa o seu like, se inscreve no canal.
Eu sou Léo Siqueira e se você discorda de alguma coisa, é só comentar aqui no canal. Obrigado e até a próxima. Estamos junto.