Olá eu sou a professora Renata esper da faculdade de educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Sou professora do curso de pedagogia da UFRGS e também do programa de pós-graduação em educação e tô aqui hoje para conversar um pouquinho com vocês sobre métodos de alfabetização ã Vocês estão vendo aí na imagem ã algumas capas de cartilhas antigas Porque grande parte da discussão sobre métodos de alfabetização encontra sua materi idade nas cartilhas ã utilizadas né destinadas ao ensino inicial da Leitura especialmente da Leitura Mas também da escrita então vocês podem ver aí a capa
de várias cartilhas dentre elas uma cartilha que provavelmente muitas de vocês conhecem uma cartilha bastante famosa que já tem mais de 100 edições aqui no Brasil que é a Cartilha Caminho Suave da Branca Alves de Lima Então hoje a gente vai conversar aqui um pouquinho sobre ã algumas discussões envolvendo diferentes métodos de alfabetização e as suas abordagens ao longo da história então H neste primeiro momento Então a gente vai conversar sobre métodos de alfabetização nessa perspectiva histórica a questão histórica dos métodos de alfabetização tá muito vinculada à consolidação de um sistema público de ensino a
partir né do final do século XIX e ao longo de todo o século XXX com um acesso muito mais ampliado pra população ã das classes de alfabetização num primeiro momento e depois na escolarização obrigatória de modo mais ampliado né no ensino fundamental e no ensino médio Então a partir do momento em que diversas classes sociais passam a acessar a Escola é que se tem uma discussão e uma ampliação eh da discussão sobre fracasso escolar e é justamente essa discussão de fracasso escolar de fracasso na alfabetização que leva ao que se tem chamado né de guerra
dos métodos ou disputa entre diferentes metodologias para ensino da leitura e da escrita porque justamente todas essas metodologias pretendem responder a uma pergunta que é como proporcionar as Crianças o domínio da leitura e da escrita a partir da resposta a essa pergunta é que os diferentes métodos de alfabetização vão se organizar e eles propõem ao longo dessa história né que é documentada em diversas pesquisas sucessivas para ã responder a essa pergunta né de como proporcionar as Crianças o domínio da leitura e da escrita e essas diferentes soluções né que os métodos vão propondo ã vão
ã se alternando né entre soluções que são ditas mais inovadoras desses novos métodos que vão aparecendo ao longo da história contra né soluções que passam a ser chamadas de tradicionais né que então são as solu ões que em algum período já não dão mais certo digamos assim então essa questão envolvendo os diferentes métodos de alfabetização vai se colocar num primeiro momento a partir de uma divisão mais Ampla ã dos seis métodos mais ã consolidados digamos assim nessa ao longo da história né Eh três desses métodos podem ser chamados de métodos sintéticos né então há essa
ã esse princípio de síntese guiando a forma como o aprendizado das crianças e principalmente o ensino da professora vai ser organizado o ensino da professora Passa então a iniciar pelas menores unidades da língua e esses métodos sintéticos vão variar então em relação a essa unidade a qual vai ser a primeira a ser apresentada pra criança sendo essa unidade a letra a sílaba ou o fonema e a partir daí então a gente ã tem né A nomenclatura dos métodos de soletração dos métodos silábicos e dos métodos fônicos que mais adiante a gente vai explicar aqui de
forma um pouquinho mais aprofundada esses métodos sintéticos né ou métodos da Marcha sintética ã eles tem uma abordagem condutista né então na qual a soma de informações ã há uma soma de informações para se chegar a um entendimento do que é a língua né e de como ler e escrever palavras no primeiro momento mas depois também frases e textos Então a partir se eu parto né de unidades menores da língua eu vou fazendo a adição de novas unidades né então parto lá da letra junto duas letras para formar uma sílaba junto uma quantidade de sílabas
para formar uma palavra e uma quantidade de palavra para formar uma frase né Então essa é a é o mecanismo digamos assim que opera nos métodos da Marcha sintética uma segunda divisão que a gente tem ã diz respeito então às três metodologias né que são chamadas de métodos analíticos né Eh na Qual há justamente um princípio contrário do princípio sintético né a gente tem aí o princípio da análise né a criança então ela precisaria começar das unidades mais amplas né as unidades maiores da língua que seriam ou a palavra ou a a frase ou a
sentença né ou ou o conto para Então se chegar a um recorte mais específico chegando então na sílaba na letra e no fonema né então há dentro dessa teoria né dentro dessa desse conjunto de metodologias né que são chamados de métodos analíticos ãã o princípio que vai guiar também né a organização dessas desses métodos é a teoria da forma ou a gestal então vocês percebam que Em ambos ã os Em ambos ã os conjuntos de métodos seja eles sintéticos seja eles analíticos há uma teoria psicológica que Embasa a organização desses métodos isso é importante de
ter em mente para quando a gente for discutir aí as questões atuais ã que se referem né ao aos métodos de alfabetização ã e a ideia da dos métodos analíticos é que Justamente a partir do todo de uma análise do todo a gente vai chegando a uma análise das partes menores então vocês vejam que entre métodos sintéticos e métodos analíticos Há diferentes pontos de partida sendo os pontos de partida dos métodos sintéticos as menores unidades da língua e os pontos de partida dos métodos analíticos à unidades mais amplas né maiores da língua além desses dois
conjuntos de métodos né ao longo da história também as professoras passaram a a utilizar né de diferentes abordagens de diferentes métodos para organizar o seu ensino nas classes de alfabetização porque elas sentiam obviamente que um método Apenas não dava conta de ensinado a todas as crianças Então a partir dessa discussão né Desse sentimento das professoras muito pautado na sua prática dentro da sala de aula é que H foram organizados Então os métodos analíticos sintéticos que também eram chamados de ecléticos ou mistos essas metodologias Então vai vão fazer um baralhos vão m urar aí as duas
ordens anteriores os sintéticos e os analíticos no sentido de ã mesclar referenciais né mesclar essas abordagens justamente para poder dar conta da diversidade de estudantes ã que estavam dentro das suas salas de aula a partir de agora então a gente vai chegar um pouquinho mais a fundo vai analisar um pouquinho algumas questões de cada um desses diferentes métodos o método da soletração que tá dentro né do conjunto de métodos sintéticos de alfabetização ele vai iniciar pela letra então primeiro é feito uma apresentação né das letras do alfabeto paraas crianças depois disso há uma ênfase no
alfabeto mesmo né então o alfabeto e passando ali PR as crianças as letras maiúsculas minúsculas dizendo né uma explicitação de quais são as vogais Quais são as consoantes Então nesse primeiro momento que as crianças têm acesso são as letras do alfabeto e ao alfabeto as crianças fazem a identificação das Letras independente do seu valor sonoro então vejam que no método da soletração o que importa é o nome da letra e não o som que essa letra assume nas diferentes palavras pelo menos nesse primeiro momento ã de introdução né das primeiras aulas das primeiras lições né
esses essas metodologias são sempre organizadas por lições Então as primeiras lições dos métodos de soletração vão partir do alfabeto então pensando no nome das Letras sem necessariamente trazer o seu valor sonoro depois disso se passa à grafia das letras e obviamente a gente precisa considerar que ã esses métodos eles ocupam as práticas escolares eles estão nas práticas escolares de um tempo histórico que é diverso do nosso né então a gente tá falando aí de ã utilização do método da soletração no século X né quando se tinha um acesso muito reduzido a materiais de escrita então
ã onde os locais em que as crianças faziam as as escritas das Letras né eram outros que não o papel tá então era caixa de areia ardos enfim esses outros suportes da escrita suportes bastante limitados em termos de espaço e de acesso então por aí a gente já vai vendo também algumas das razões pelas quais esses métodos focavam muito nas habilidades de leitura até porque as práticas de leitura eram muito mais difundidas do que as práticas de escrita se tinha muito mais acesso a material escrito para ler do que suportes e materiais de escrita para
escrever então uma ênfase né na H nesses métodos de hã mais históricos digamos assim né h h diferentes séculos atrás H justamente pelas práticas que estavam envolvidas nessa situação de ler e de escrever então aqui a gente já tem também uma discussão importante porque as metodologias elas estão vinculadas ao ensino da leitura e da escrita que por sua vez tá diretamente relacionada às práticas sociais de uso da leitura e da escrita então ao passo que se tem diferentes práticas sociais em diferentes momentos históricos isso também vai ter uma implicação na dimensão metodológica e esse é
um outro ponto que você pode anotar aí pra gente retomar ele depois quando formos falar dos métodos na atualidade o método da soletração também então ele vai solicitar das Crianças a repetição em couro as crianças são incitadas na sala de aula a soletrar as letras a repetir as letras muitas vezes até que haja né Ah até que as crianças consigam decorar o nome de todas as letras do alfabeto depois se passa para uma escrita de palavra sim começando pelos monossílabos ã depois escrita de palavras um pouco mais longas e com pronúncia um pouco mais difícil
e a leitura então ã com articulação adequada é visada pela professora a partir da organização desses métodos eliminando os defeitos da língua oral Então nesse sentido aqui uma leitura adequada é aquela leitura que vai justamente oralizar o texto escrito né Então essa é a leitura que é considerada adequada nesse momento histórico de posse das teorias que embasavam a alfabetização nesse nesses diferentes momentos né diferentes períodos da história então vocês vão ver aí também nas imagens né ã alguns exemplos de cartilhas e eu tenho aqui para mostrar para vocês né algumas cartilhas são cópias obviamente porque
essas são cartilhas bastante antigas né não tenho eh exemplares né originais delas pelo menos não de pós pessoal então eu tenho as cópias de alguns desses dessas cartilhas eu vou trazer uma cartilha de cada método para mostrar para vocês e aqui na imagem então vocês podem ver essa cartilha que se chama ABC da infância o autor dela é Arnaldo Barreto e a primeira edição dessa cartilha é de 1905 e ela tem então ela é organizada a partir do método alfabético né ou método da soletração então a gente vê ali a apresentação das letras do alfabeto
né nas formas minúsculas também na escrita manuscrita né uma fonte cursiva ali em maiúsculas e minúsculas depois tem a apresentação ali a primeira carta de leit a segunda carta de leitura então vejam que até A nomenclatura das das lições o jeito da organização do do do texto né nesse tipo de material é bastante diverso do que nós temos hoje por exemplo nos livros didáticos né então vejam que há bastante diferença aí em relação a esses materiais pro Ensino da leitura e da escrita justamente porque eles estão pautados em diferentes teorias que embasam as escolhas didáticas
e as escolhas metodológicas e também porque eles estão embasados em diferentes Vertentes psicológicas sobre como a criança aprende a lei escrever tá então aqui a gente tem H esses exemplos né da primeira e da segunda carta de leitura na qual a gente pode ver ali sílabas né sílabas com duas letras sílabas com três letras né e as Crianças tinham que fazer a leitura dessas eh desse material aqui esse era o material que era lido pelas crianças nas Primeiras Experiências escolares delas certo passamos então agora para o segundo método da Marcha sintética que a gente vai
ã aprender um pouquinho aqui que é o método fônico o método fônico ele é bastante eh conhecido de muitas professoras porque ele tá aí no debate né bastante presente até hoje ã mas a gente vai ver aqui ele nesse primeiro momento a partir da perspectiva aí dos estudos históricos da área da alfabetização tá o ponto de partida dos métodos fônicos e claro a gente pode falar sempre nesses métodos no plural porque se as cartilhas são as materializações dos métodos a gente tem diversas cartilhas que vão vão se pautar né nessa nessas diferentes metodologias e nesse
caso aqui nos métodos fônicos Tá mas algo que ã é compartilhado entre esses diferentes métodos fônicos é o ponto de partida na relação fonema grafema né então na explicitação ã oral da criança dos diferentes fonemas da língua tá há uma ênfase também né uma mudança de ênfase aqui se a gente viu antes ali que depois das apresentação das Letras né No método ã de soletração já logo se partia para sílabas aqui a gente tem uma mudança né então se a ênfase não tá mais na sílaba a ênfase tá muito no fonema ã representado né por
cada uma das Letras ã a a apresentação então primeiro das vogais para as crianças justamente porque essas são as letras do nosso alfabeto que são mais facilmente pronunciado né são asso Anes digamos assim depois a apresentação das consoantes que tem justamente uma forma de articulação diferente que portanto não são tão facilmente né articuladas isoladamente né vários autores atuais vão dizer que isso seria inclusive impossível tá mas nessa época não era essa discussão ã e depois a gente tem tant também né na aí no decorrer né do método a fonetização da sílaba Então as crianças tinham
que fazer esse caminho né tinham o estudo da sílaba mas não da sílaba em si e sim da sílaba em relação aos diferentes fonemas que a compunham Então a gente tem aqui Um exemplo ã de cartilha eh que justamente se organiza a partir dessa metodologia fônica tá é o nome dessa cartilha é novo método fonético teórico prático para aprender a ler e escrever em 10 lições a língua portuguesa vejam que nome lindo né então 10 lições para aprender a ler e escrever a partir do método fonético o autor dessa cartilha é o Geraldo lubisco e
ela é do ano de 1902 essa imagem que vocês estão vendo aí tá então vocês vejam ali que a primeira lição né é apresentação das vogais depois de encontros né vocálicos ali variados para as crianças depois a apresentação das vogais em letra cursiva e novamente os encontros vocálicos para as crianças fazerem a leitura e depois sim passa-se né a apresentação das sílabas mas lembrem que aqui o foco não é a sílaba como uma unidade o foco aqui aqui é a sílaba que é constituída por diferentes fonemas Então esse é o enfoque que o método fônico
ou fonético tem e que difere do método silábico silábico que é o que a gente vai ver agora o método silábico então ele vai iniciar pela AES presentação das sílabas Como o próprio nome diz não é difícil de imaginar né então se começa aí pela apresentação das sílabas se tem um abandono da soletração as crianças Já não são mais H tão enfaticamente apresentadas as letras do alfabeto tá então se tem esse enfoque muito maior na sílaba e daí aqui sim a sílaba como uma unidade linguística né a partir da qual a criança vai ã complexificando
né o seu conhecimento sobre a língua para poder formar palavras depois ã aqui há uma consideração né das relações entre oralidade escrita então na medida em que a criança vai ali aprendendo as diferentes famílias silábicas né ela vai percebendo que há essa similaridade entre lá que ela fala oralmente e o l e o a escritos lá na cartilha e que constitui a primeira sílaba da palavra lata por exemplo como vocês veem aí na imagem tá então aqui tem a ênfase nas num trabalho muito focado com as famílias silábicas né algo que ã é bastante criticado
né Em algumas situações em algumas metodologias mais atuais né mas que a gente vê ainda bastante presente em algumas práticas isso também a gente pode discutir aí quando falar das questões mais atuais das metodologias de alfabetização e a cartilha que eu trago aqui para mostrar um pouquinho para vocês é a cartilha moderna ou leituras primárias para aprender se a ler e escrever o autor é o heer e elas aqui data de 1927 tá essa cartilha aqui então tem a apresentação ela é organizada né a partir do método silábico ali nas imagens imagens Vocês conseguem ver
né ã como é organização dessa cartilha h a apresentação ali da família silábica né das diferentes eh vogais associadas a letra que tá em Pauta né Vocês estão vendo ali a letra l a letra N tá e depois um ponto bastante interessante de observar aqui nessa cartilha é que os textos que são apresentados são divididos por sílabas também então vejam como há um certo uma certa confusão aí paraa criança pro adulto que é Alfabetizado não há confusão alguma Mas paraa criança que está se alfabetizando provavelmente há uma uma confusão entre a unidade palavra e a
unidade sílaba nesse momento visto que num texto que as crianças têm que ler todas as palavras são separadas em sílabas então elas têm que ler a palavra bola que no texto está segmentado tem o Bó e tem o lá separado tá então isso pode Imagino que na época causava alguma confusão aí para as crianças ã Então o que a gente viu né né em relação a a uma síntese digamos assim né a dos métodos sintéticos né e aqui a gente traz um pouco dessa hierarquia de dificuldades que os métodos sintéticos organizavam né em geral e
de analisando eh conjuntamente essas esses três métodos né o da sua letração ou alfabético o método hã fonético ou fônico e o método silábico né todos eles então tem uma certa apresentação das vogais para as crianças depois se passa para sílabas simples depois para sílabas mais complexas Então as sílabas simples ali são consideradas aquelas em que a consoante é bía né não tem muitas concorrências né em relação ao som e a representação da letra diferente das sílabas mais complexas em que já há uma concorrência maior né nas diferentes palavras né Por exemplo a let o
s pode assumir diferentes sons dependendo da posição que ele tá na palavra então portanto as sílabas compostas com a letra s são consideradas um pouquinho mais complexas depois se passa pros encontros consonantais e por fim para sílabas inversas então um pouco Essa é a hierarquia de dificuldades né na apresentação das unidades menores da língua fonema letra e sílaba nos métodos que são ditos então métodos sintéticos a gente passa agora então então a dar uma olhadinha na nas três metodologias ã que são né chamadas de métodos analíticos então que partem de unidades maiores da língua tá
e a gente vai começar pelo método da palavração que também né com nome muito sugestivo eh tem como seu ponto de partida a palavra tá então a primeira unidade que é apresentada a criança na classe de alfabetização que tem uma cartilha organizada pelo método da palavração é a palavra tá depois a partir da apresentação das palavras é feita uma segmentação uma decomposição então dessas palavras em sílabas e há também né a formação de frases a partir dessas palavras então vocês vejam que mesmo nos métodos analíticos a unidade sílaba comparece como uma unidade a ser analisada
pelas crianças tá um exemplo de cartilha que H é organizada pelo método da palavração é a cartilha do guri a cartilha do guri foi muito utilizada aqui no Rio Grande do Sul por volta da década de 70 década de 60 né então Talvez algumas de vocês lembrem né ou já tenham ouvido algum relato ã sobre a cartilha do Olávio e da Élida né que é a cartilha do guri essa que eu trago aqui a cópia para dar uma mostrad Dinha né para vocês então a cartilha do guri se organizava dessa forma que vocês estão vendo
ali na imagem a apresentação de palavras as crianças né ao longo das diferentes páginas das cartilhas essas palavras vão compondo algo como um banco de palavras digamos assim usando A nomenclatura que a gente usa hoje né Eh e a partir desse banco de palavras né depois as crianças fazem tanto a análise das sílabas que compõe essas palavras quanto a composição de frases a partir das palavras aprendidas tá a cartilha do Guri ela é da década do ano de 1967 tá tem o método então da palavração e tem ali três autores que são os responsáveis pela
organização desta metodologia nesta cartilha passamos então pro método da sentenciação que é o método que vai iniciar pela sentença pelas frases né então por ideias um pouco mais complexas um pouco mais amplas né que uma palavra apenas tá ã há o destaque né na apresentação dessas frases ou sentenças né de algumas palavras significativas e novamente nessas metodologias né comparece o recorte silábico tá então após a análise da sentença da ideia que tá ali naquela frase que tá sendo lida né A então A análise num nível um pouco mais micro digamos assim que é no nível
da sílaba então vocês têm aqui um exemplo de uma cartilha tá a cartilha da autora branca de Iva Pereira de Souza que é a cartilha quero ler tá que é o primeiro livro de leitura cartilha quero ler primeiro livro de leitura ã a data original né A data da primeira publicação não é bem certa tá em relação a essa cartilha mas é algo aproximado a 1935 tá essa cartilha Então como vocês podem ver ali tem a apresentação de diferentes frases né para as crianças com diferentes Fontes né diferentes tipos de letra Então a partir da
apresentação dessas frases depois se fazia ali um ã ã o destaque né de algumas palavras significativas uma análise das palavras para por fim chegar a análise da sílaba passamos então agora ao último método ã que a gente vai eh analisar aqui dentro dos métodos analíticos que é o método global de contos o método global de contos então ele vai iniciar sempre pela apresentação de uma história ou de um pequeno conto né paraa criança eh esse conto é apresentado no seu todo né ã depois disso há então uma segmentação desse texto em frases a lição seguinte
então vai decompor estas frases em palavras e por fim as palavras ã vão ser recortadas né silabicamente então vejam que novamente comparece o recorte silábico aqui ã No método global de contos tá o que nos interessa aqui pensar são várias coisas uma delas é qual é o tipo de texto né que é lido Qual é o tipo de material escrito que tá disponível para as crianças nessas cartilhas obviamente são textos que hoje em dia né nós chamamos de textos encar ilhados ou os textos que eram produzidos especificamente pro Ensino e pra aprendizagem da leitura e
da escrita não eram textos que em geral circulavam né na sociedade em outras práticas eram textos feitos especificamente para este fim para ensinar e para aprender a ler e escrever então uma das cartilhas né que H Foi bastante utilizada aqui no Brasil e no Rio Grande do Sul em que se utiliza o método global de contos é o livro da Lili da Anita Fonseca H que teve suas edições produzidas entre 1944 e 1967 então o livro da Lili ele vai apresentar num primeiro momento o texto né então há ali apresentação do texto para criança essa
aqui é a primeira lição da cartilha e a gente já tem todo o texto ali disponível paraa criança e depois disso então é feita a segmentação desse texto nas suas frases tá a segmentação das palavras na frase também é a lição seguinte então a gente já vê as frases e a divisão das palavras dentro da frase e na lição posterior a gente tem a divisão das palavras em sílabas então vocês vão vendo que é feito esse recorte né se tornando cada vez mais analítico né então a criança vai fazendo esse processo de partir do texto
e chegar na análise da sílaba a partir né dessa desse princípio de análise né de ir cada vez recortando mais a unidade que tá sendo alvo de reflexão pela criança no momento do aprendizado e a gente tem por fim né então aqui um ã uma pequena síntese né de alguns elementos aí do que foram os chamados métodos analíticos sintéticos ou mistos ou ecléticos então justamente porque as professoras percebiam que um método único seja ele sintético seja ele analítico seja ele partindo da sílaba seja ele partindo do conto as professoras sentiam que ele não era suficiente
para a ensinar toda a complexidade que é né os atos de ler e de escrever então as professoras passaram a utilizar de diferentes pontos de partida e de diferentes elementos dessas metodologias né e obviamente né os editores das diferentes cartilhas passaram a compor né Essa mistura digamos assim metodológica nos livros né destinados ao ensino da leitura da escrita e a gente tem então algumas cartilhas que se organ por uma metodologia mista um exemplo de cartilha que se se organiza por essa metodologia mista ou eclética é a minha abelinha uma cartilha também bastante famosa né ã
da Almira Silva da Lúcia Pinheiro e da Risoleta Cardoso de 1965 Vocês estão vendo aí né ã um cartaz né que vinha dentro da cartilha da minha abelinha com as letras né as letras ali coloridas né trazendo alguma imagem junto tá e a e essa entação das letras da primeira lição lá da cartilha né também vim acompanhado de um texto né então a gente tem ali tanto texto quanto alfabeto e a letra né compondo essas lições ã com esses diferentes pontos de partida nessa metodologia nessas metodologias então que eram chamadas de mistas ou ecléticas então
a questão histórica envolvendo os métodos da de alfabetização dentro de todo esse conjunto aí de metodologias que a gente foi evento até aqui ã se Estendeu até o final de 1980 né Então isso que foi chamado de guerra dos métodos né porque eram realmente de combates aí entre os Defensores das diferentes metodologias sendo que as metodologias H que surgiam elas sempre eram chamadas de metodologias inovadoras em relação às tradicionais que eram as que já existiam e a gente tem que lembrar aí que ã as primeiras metod olias elas eram né da Marcha sintética Então os
métodos mais antigos que a gente tem são métodos né sintéticos então os métodos analíticos foram num determinado momento uma reviravolta né foram métodos inovadores h no seu momento histórico e a Magda suares vai nos dizer né que existe em relação aos métodos sintéticos e aos métodos analíticos esse movimento pendular né ora os métodos sintéticos eram os mais adequados ora os métodos analíticos eram os mais adequados pro Ensino da leitura e da escrita o que a gente tem que considerar é que ambos H estes ambas as metodologias né tinham como objetivo a aprendizagem do sistema alfabético
ortográfico de escrita o foco aqui eh o foco dessas diferentes metodologias é a compreensão né e o ensino do sistema alfabético de escrita não se está preocupado com os usos que a leitura e a escrita vão ter né nas diferentes situações sociais porque essa não era uma discussão daquele momento né tanto que é Como comentei com vocês anteriormente né os textos aos Quais as crianças tinham acesso eram textos produzidos exclusivamente pro Ensino da leitura e da escrita porque esse era o objetivo naquela situação tá Então como que a Magda Soares vai nos sintetizar essa discussão
elas ela vai nos dizer né que tanto ã No método sintético quanto nos métodos analíticos né o domínio do sistema de escrita é considerado condição e pré-requisito a criança primeiro precisa fazer isso né Para que depois ela possa desenvolver as habilidades de uso da leitura e da escrita lendo e produzindo textos reais então para essas metodologias é muito claro que primeiro A criança precisa aprender a como utilizar o sistema de escrita alfabético ortográfico da língua portuguesa para depois ler e escrever textos de verdade digamos assim tá então a a Magda Soares diz assim primeiro eu
preciso aprender a ler e escrever verbos nessa etapa considerados intransitivos ou seja sem complemento tá ler e escrever pouco importa o quê né os textos das cartilhas eraa isso que as crianças tinham que lê e escrever tá para só depois de vencida essa etapa tornar esses verbos transitivos atribuindo-lhes complementos ler textos livros escrever histórias Cart as receitas Então esse complemento complemento do que está sendo lido e do que está sendo produzido por escrito é uma preocupação posterior numa discussão sobre métodos de alfabetização do ponto de vista histórico então vej vocês vejam o quanto isso difere
da preocupação que nós temos atualmente em relação aos métodos de alfabetização portanto faz pouco sentido ã querer optar por apenas um método pautado nessas diferentes perspectivas que tem um embasamento muito diferente do embasamento teórico que se tem atualmente em relação às discussões sobre o que é ler o que é escrever quem é o sujeito criança que aprende a ler e escrever e quais são as didáticas de ensino da leitura e da escrita discussões que avançaram muito ã contemporaneamente que portanto nos deixa ã com outros conhecimentos né E que nos ã impedem inclusive ou nos limitam
a não escolher apenas um método para alfabetizar tá uma consequência e aqui nós já estamos finalizando essa nossa aula de desse momento uma influência do uso dos métodos e das cartilhas de alfabetização especialmente H na produção de textos infantis né é que os textos que as crianças acabavam produzindo produzindo eram textos pautados na estrutura né ã ã sint e textual dos que dos textos que elas tinham acesso via cartilha né então a gente vê textos como esse que vocês estão vendo aí na tela né o gato e a menina em que a criança escreveu veja
o gato o gato é o Gugu Gugu gostar de leite a menina dá água ao Gugu Gugu não gosta de água Gugu é sabido A menina é a Fifi a menina gosta do Gugu então vejam textos né bastante artificiais textos que a gente não enxerga né nas dif práticas sociais de uso da leitura e da escrita porque Aliás a gente enxerga esse texto em uma prática social de uso da leitura e da escrita que é a cartilha que é o texto encarado texto específico para o ensino e a aprendizagem da leitura e da escrita Então
vamos finalizando por aqui essa nossa discussão em relação aos métodos na Perspectiva histórica