Ele vai dizer: "Bom, por será que nós devemos cercados de coisas, pessoas, seres de todas as espécies e nos sentimos tão sozinhos, nos sentimos tão isolados, nos sentimos tão vazios? Se nós tivéssemos um contato real com algo, uma coisa que fosse um ser, isso já seria suficiente? Essa intimidade já seria suficiente para trazer um tipo de plenitude e de companhia.
Você já não se sentiria mais sozinho. Mas nós vivemos num mundo repleto, 7 bilhões de seres humanos. Vivemos repletos de coisas à nossa volta, repletos de seres de todos os tipos.
E ainda assim nos sentimos sozinhos. Provavelmente porque esse contato não foi real. Provavelmente porque estamos todos dentro de bolhas, não temos um contato profundo.
Porque um contato profundo e verdadeiro com algo já seria suficiente para trazer aos seres um estado de completude, um estado de felicidade. Então, vivemos vazios e insatisfeitos. As coisas que estão à nossa volta não nos bastam.
E é curioso porê. Se as coisas que você tem bastam, você deveria procurar uma outra espécie de relacionamento com o mundo. Não procuramos.
Procuramos mais coisas que continuam não bastando. É curioso isso? Vemos isso um pouco às vezes na relação entre pais e filhos.
Você teve uma vida que não te satisfeit, mas você programa algo idêntico pro seu filho. É preferível ou insatisfatório, mas conhecido do que aventura. Então, repetimos um padrão que não está dando certo, mas que de alguma maneira nos dá segurança.
Tudo que eu tenho não me traz nenhum tipo de felicidade. O que que eu vou fazer? Vou ter mais coisas.
Bom, talvez fosse melhor pensar em outra solução, né? Um dos métodos mais clássicos paraa evolução humana, a gente sabe qual é? É o mesmo método clássico que utilizamos para passar de um andar pro outro em qualquer construção.
Uma escada. Uma escada. Sabe por que a Scar é considerado um método clássico dentro da filosofia?
Porque você está num patamar, chega um determinado momento que a natureza quer te trazer para cá, não é isso? Ela quer te trazer pro teu ideal humano. Então, ela não vai te deixar ficar eternamente nesse patamar.
Ela vai colocar uma parede diante de você. Como somos inerciais, queremos continuar aqui eternamente. Aí batemos, batemos, batemos, batemos contra a parede.
Quando é que a gente resolve esse problema? quando procura a solução em outro plano que não aqui, quando olha para cima, opa, ali tem uma saída e aí viemos para cá, aprendemos, não. Daqui a pouco a gente vai estar batendo contra isso aqui e novamente a vida vai colocar uma parede diante de você e você vai ter que procurar a solução em outro plano, não na horizontal, acima, na vertical, a saída em geral é para cima.
Então ele vai dizer que colocamos mais e mais e mais coisas e continuamos vazios e insatisfeitos. Teria que buscarmos uma, teríamos que buscar uma solução vertical. O ser interior que está em cada ser, em cada coisa e em nós encontra uma barreira de expressão.
E essa barreira de expressão não nos permite tocar profundamente nenhum outro ser. Essa barreira de expressão é uma espécie de uma máscara que colocamos sobre o nosso verdadeiro rosto, que não nos deixa ver o rosto dos demais. Tem uma passagem, inclusive, de Cali Gibran, não sei se vocês conhecem, um texto lindo que ele tem, que se chama o louco, que um dia roubaram as máscaras que ele acumulou ao longo de sete vidas.
E ele olhou pro sol e o sol, pela primeira vez beijou a sua face. E ele disse: "Benditos os ladrões que roubaram as minhas sete máscaras". Seja temos tantas máscaras uma sobre a outra que não temos contato com o sol, não temos contato com a vida, não temos contato com o outro.
Isso faz com que passemos a vida às vezes isolados do outro e de nós mesmos. Isso é um grau de insatisfação muito grande. Lembrem sempre daquele exemplo da luva, que é a nossa mão, é como se fosse a tua essência, o teu ser, que veio ao mundo para realizar um trabalho.
Mas no mundo material, ela precisa de um invólucro, que é como uma luva. E esse invólucre deveria servir, deveria dar a ela mobilidade para que ela agisse no mundo. Se esse invólu bloqueia, gruda um dedo no outro, ao invés de realizar a tua mão, ele imobiliza a tua mão no mundo.
Nós temos uma máscara, um invólucro. A ideia da máscara é clássica, né? Em todos os mitos, desde a Grécia, o mito grego, o teatro grego já falava da máscara.
Se temos uma máscara rígida que não permite a nossa expressão no mundo, nós bloqueamos. ao invés dela nos servir, ela nos encarcera e nós mais ou menos nos encarceramos e ainda colocamos uma máscara sobre a outra, que é aquilo que a psicologia chama de sobrepersonalidade, ou seja, não só a máscara da minha personalidade, mas ainda uma sobremáscara do que está na moda, do que todo mundo faz, do que todo mundo pensa, mais rígida ainda. Isso vai gerando camadas de isolamento entre você e o outro, entre você e o mundo, como dizia Gibran, entre a tua face e a luz do sol.
Então esse nosso ser interior encontra uma barreira de expressão e desenvolvemos uma relação insatisfatória entre nós. Não tocamos uns aos outros, não nos relacionamos em profundidade. Ausência de contato íntimo e completo com seres e coisas.
Ele diz: "Uma relação com um único seria suficiente para te colocar feliz. Eu entendo profundamente a natureza, eu entendo profundamente outro ser humano. Isso é um canal de profundidade através do qual eu já não estaria isolado.
E através desse canal eu poderia ir ampliando e alcançando os demais seres. Alguns de vocês já devem ter assistido, talvez uma palestra que existe no YouTube de Nova Acrópole, onde eu falo sobre o amor segundo Platão. Eu comento que para alquimia medieval o amor era isso.
Você precisa de um canal através do qual você estabelece uma relação verdadeira e a partir disso, esse canal vai se dissolvendo, perdendo seus limites, se estendendo e abarcando toda a humanidade. O verdadeiro amor não aceita limites, ele se estabelece num ponto, mas a partir desse ponto ele tem vocação de expansão. Então, precisaríamos quebrar o bloqueio, expressar o nosso ser, amando verdadeiramente algo ou alguém, estabelecendo uma relação de conhecimento profundo com algo ou alguém, isso já seria suficiente, uma relação para te trazer plenitude.
Ou seja, se estamos tão angustiados e tão vazios, parem para pensar, nós vivemos hoje em dia uma coisa chamada a síndrome da patologia da moda. A cada 10 anos surge uma coisa nova, uma angústia existencial nova, uma síndrome diferente. No fundo, eu acho que é vazio e isolamento, falta de um sentido de vida que nos satisfaça como seres humanos.
Cada 10 anos tem uma nova patologia rodando no mercado com um nome tão chique que chega a dar status você tê-la, né? Síndrome disso, síndrome daquilo. E no fundo pode ser tudo apenas uma grande angústia existencial por não dizermos a que viemos, que viemos fazer no mundo.
Então, a nossa relação nunca é completa e, portanto, não é satisfatória. Se você gosta dos nossos conteúdos, saiba que na Acrópoley Play, a plataforma de streaming da nova Acrópole, você encontra mais de uma centena de palestras e séries inéditas que gravei especialmente para lá. Experimente gratuitamente por s dias e aproveite essa jornada de conhecimento e inspiração.
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