Pensamento. Uma das funções psíquicas mais práticas e mais úteis quando você tá diante de um paciente. E por que que o pensamento ele é prático e ele é útil? Porque ele deixa as coisas pra gente mais fáceis. Exatamente. Quando você detecta, por exemplo, que um paciente ele está delirando, você vai geralmente detectar isso através de um pensamento sendo comunicado pela linguagem. Então, a linguagem é uma porta pro pensamento e O pensamento é um local muito privilegiado da consciência. Quando o paciente ele pensa e ele consegue te comunicar isso, você tá jogando o jogo de uma
forma mais fácil. Às vezes o pensamento vai est mais nítido, às vezes o pensamento não vai estar tão nítido assim, mas o fato é que você precisa saber explorar essa categoria ou essa função psíquica. E é isso que faremos na aula de hoje. Dividiremos ela novamente explicando um pouco o que que é o Pensamento, como que ele funciona na sua normalidade, quais são as categorias, do que que ele é composto. E também depois a gente vai passar para suas alterações, ou seja, alterações quantitativas e qualitativas. Faremos um resumo e em um segundo momento, em um
segundo vídeo, a gente vai falar um pouco sobre delírio, que é uma alteração muito privilegiada do pensamento. Óbvio que aqui a gente sempre te mostra na prática. Para você identificar uma alteração do pensamento, É importante que alguém já tenha lhe mostrado isso, que você já tenha visto previamente, porque senão você não vai saber identificar. E a gente aqui tem essa incrível responsabilidade de te mostrar como que você detecta na prática. Então, vamos para isso. Vamos para o pensamento, pessoal. Vamos lá. A gente já falou aqui várias vezes que a nossa consciência faz síntese. Um exemplo
de sínteses que a gente viu Na aula passada é justamente a consciência do eu. Um outra forma de síntese é o nosso pensamento. E por que que eu digo isso? Porque o pensamento é como se fosse uma síntese dos conteúdos mentais. E essa síntese também, ela acontece em um certo tipo de formato. Por isso, a gente tem que ter um certo tipo de respeito muito grande pelo pensamento, porque ele vai dar um ponto de nitidez muito grande sobre o que que tá acontecendo naquela consciência. Por Isso que várias pessoas valorizam muito o pensamento e porque
ele é sempre importante. Beleza? Eu preciso sempre avaliar o pensamento na hora que eu tô diante de um paciente? Sim, é ideal que você faça isso, só que nem sempre é possível. Por exemplo, pacientes que eles não estão falando, então eles estão com uma alteração muito grande do comportamento. Nessa forma você vai analisar o comportamento deles. Ou seja, um paciente que ele tá muito agitado, Desagregado, catatônico, você não vai ter ali uma porta ou então um acesso privilegiado ao que que tá acontecendo na consciência. E óbvio que você perde nitidez diagnóstica com isso. Por isso
que o pensamento ele é tão privilegiado. Beleza? Paraa gente entender as alterações do pensamento, a gente tem que saber os atributos fundamentais, ou seja, o que que o padecimento é feito, o que que ele pode basicamente fazer. E isso, pessoal, obviamente são divisões Didáticas. O pensamento ele acontece de um acordo com a amalgma, ou seja, uma massa. É meio que misturado. A gente separa aqui para facilitar. Mas o que é que o pensamento ele permite? Ele permite que a gente tenha uma certa construção ou apreensão da realidade, que a gente permita trabalhar um modelo de
realidade, uma simulação da realidade, que a gente tem uma certa previsibilidade sobre as coisas. E isso é o grande poder do pensamento. E um dos Atributos dele é justamente a compreensão intelectual, ou seja, seria esse atributo de fazer uma apercepção daquilo que é real ou uma apercepção de um modelo, de uma simulação. Isso seria o nosso intelecto. Toda vez que você tá falando aqui de intelecto, você tá falando um pouco de modelos ou então um pouco de categorias ou então um pouco ali de como se fosse, sabe aquelas coordenadas que você tem no mapa ou
então num plano cartesiano, seria Justamente dessas coordenadas, beleza? E o que é que às vezes vão se expressar nessas coordenadas? Às vezes vão se expressar as ideias e tem um formato mais categórico e mais amorfo ou então a imaginação, a que a gente também vai chamar aqui de representação. Qual é a diferença entre as duas? A ideia é uma coisa mais geral. Então, por exemplo, quando eu falo para você a ideia de um pensamento ou então a ideia de maior, ou então a ideia de menor, ou então a ideia De uma coisa ser igual, ou
então a ideia de uma coisa ser doce, tá certo? Tudo isso aqui é uma ideia. A imaginação, pelo contrário, ela tem uma certa imagem relacionado a ela. Então, quando eu peço para você imagina aí um triângulo, você vai provavelmente imaginar na sua cabeça ou dentro da sua cabeça, tá certo? como se fosse um triângulo. Às vezes esse triângulo é meio esfumaçado, às vezes ele fica mudando de forma, ou seja, ele não é tão nítido assim, mas você Consegue enxergar uma imagem interna e isso é a representação. E também um atributo fundamental do pensamento que é
a associação. O pensamento ele encadeia. E de onde que vem a associação? o pensamento ele nunca pode ficar vazio. Então, sempre tem conteúdos que eles vão surgir, que eles vão se expandir ou que eles vão se retrair. E esses conteúdos eles estabelecem relações entre si. Então, a associação a essa relação. Quando eu digo, por exemplo, que um Triângulo é azul, ou então eu relaciono duas ideias que eu opono, que eu contraponho, ou então que eu associo duas imagens, pode ser tanto associação de imagem, quanto de ideias, quanto de conceitos, eu tô fazendo associação. Ou seja,
a associação é essa característica ou esse atributo do pensamento de fazer um contraste, um plano de clivagem, a diferenciação entre uma figura e entre um fundo, ou seja, e às vezes entre um conteúdo e entre o Fundo da consciência que tá ali. Isso é o pensamento. E pessoal, uma outra coisa também que é fundamental são as atividades fundamentais do pensamento, ou seja, são as unidades básicas dele. Imagina que você tem ali uma parede de tijolos. O que que seria isso? Tá certo? A parede seria o raciocínio. A relação entre o tijolo seria o juízo. E
a unidade básica seriam os conceitos. Então vamos lá do mais básico pro mais complicado. O que que é um conceito? Um Conceito é uma coisa mais geral, uma coisa mais essencial e uma coisa mais abstrata. Ou seja, ela representa um conceito, uma categoria. Ele é o representante como se fosse o protótipo de uma categoria. Vou lhe dar um exemplo, tá certo? Quando você fala sobre uma coisa que é o uma coisa abstrata, na hora que você pega esse termo abstrato, você tá aqui falando de um conceito. Ele vai ser geral, ele vai ser, de uma
certa forma também uma Abstração. E ele representa uma ideia. Então ele representa as ideias. Todas as ideias abstratas, elas vão ser contidas no conceito de abstração. Então, quando você vê uma coisa que é abstrata, tipo, às vezes essa aula, espero que você não esteja achando tão abstrata assim, você vai dizer: "Bom, isso aqui é abstrato, tá certo?" Então, é uma categoria, é o modelo ali que você tem. Perfeito. E existe isso, tá? Basicamente todas as coisas, tá certo? Conceitos geralmente São substantivos, tá? Pode ser verbos também, mas enfim, são substantivos. Quando eu falo, por exemplo,
conceito de mortalidade, o conceito de homem, o conceito de animal, conceito de feio, o conceito de bonito, tá certo? Enfim, tudo isso aqui eu tô falando de conceitos, beleza? Quando eu pego dois conceitos e estabeleço uma relação entre eles, eu vou ter um juízo. Por exemplo, os pensamentos são abstratos, ou os pensamentos são concretos, ou então os Animais são bonitos, ou então a natureza é feia. Isso eu estou estabelecendo um juízo. E quando eu relaciono dois juízos para formar um novo juízo, eu tô estabelecendo um tipo de raciocínio, por exemplo. Tá certo? Vamos lá. Existem
pensamentos que são abstratos, existem pensamentos que são concretos. Ou seja, os pensamentos eles englobam pensamentos que são abstratos e concretos. Com isso, eu dei um certo tipo de somatória, eu tenho um novo tipo de informação e isso Eu estabeleço um raciocínio. O raciocínio ele tem algumas características, tá certo? Eles podem ser dedutivos, indutivos ou analógicos. O que que é um raciocínio dedutivo? É quando eu pego uma coisa geral e eu vou conseguir particularizar uma coisa daquela coisa que é geral. Então, por exemplo, se eu falo assim, todo homem é mortal, tá? E se eu digo:
"Ah, José é um homem, então eu tô deduzindo que particularmente José é mortal". Então Isso eu peguei uma coisa geral e eu deduzi aquele caso particular. E também pode ser o contrário, tá certo? Eu posso pegar uma coisa que é particular e induzir aquilo pro geral. Então isso, esse caminho contrário, seria o raciocínio indutivo, tá? Então isso pode também assim ser uma possibilidade. E quando eu tô fazendo uma relação entre coisas particulares, eu tô pegando um tipo de relação que a gente chama de analógico. Então pessoal, Basicamente isso aqui é o tipo de raciocínio que
a gente usa. Então são as três características. Precisa saber disso aqui? Não. Isso aqui é mais cultura, tá certo? Isso aqui na prática não tem assim uma importância muito grande, mas é legal você conhecer. Agora a gente vai de fato entrar em conceitos aqui que a gente vai analisar na hora que a gente tá diante de um paciente, na hora que a gente tá diante dali de uma alteração psicopatológica desse Paciente. E o que que seria isso? São os aspectos do pensamento. Antes que vocês me crucifiquem aqui, lembrar que a gente faz essas aulas aqui
baseadas no manual de psicopatologia do Xio. E por que que eu digo isso? Porque vários autores às vezes eles vão de uma certa forma categorizar isso aqui diferente. O que é que é curso, o que que é forma, o que que é conteúdo. Esses conceitos às vezes eles não são tão nítidos, eles não têm assim uma fronteira tão bem definida. Então na prática prática mesmo eles se misturam, tá? não queira achar uma fronteira que seja muito bem delimitada, porque não é assim, não é assim que ocorre no paciente. Então essa divisão ela é muito mais,
ela serve muito mais para uma categoria que a gente cria para categorizar do que propriamente, enfim, se expressa isso na forma real ou então da realidade. Então vamos lá. Primeira coisa, pessoal, o que que é o curso do pensamento? O curso do pensamento é Muito relacionado com a ideia de ritmo ou de velocidade. E não é que a pessoa vai falar rápido, mas uma pessoa que ela tá pensando, tá tendo muitas ideias, isso tá numa velocidade acelerada, ela tende a falar rápido, mas uma coisa não corresponde necessariamente igual à outra. Então, por exemplo, vê que
essa representação, a gente tá aqui, ó, com encadeamento de ideias, várias ideias. Esse aqui tem um ritmo que provavelmente é mais rápido ou então é mais produtivo Do que esse segundo modelo aqui que tem uma ideia mais longo, então pensamento mais longo, tá certo? Um conteúdo de pensar mais longo. Beleza? Então o curso é relacionado com o ritmo ou a velocidade daquele pensamento. Beleza? A segunda coisa que a gente olha é como se as ideias, então como se os conteúdos que aquele paciente traz, ele se relacionam. E isso a gente chama de forma ou estrutura.
Aqui novamente eu tô trazendo uma ideia mais didática. Essa Aula aqui vê que eu tô seguindo uma linha de raciocínio e eu espero que essa linha esteja linear, ou seja, eu esteja sendo de uma certa forma claro, objetivo, que você esteja construindo junto comigo o que que eu tô pensando. E quando você entende muito bem uma pessoa, espero que eu esteja sendo entendido aqui por você, você tem basicamente uma justa posição de ideias, tá? Isso aqui constrói um certo tipo de linear, de clareza, de nitidez, tá Certo? Mas essas ideias nem sempre podem estar agregadas
dessa forma. Se eu tivesse aqui apresentando conceitos meio jogados ou então tivesse falando meio que nada com nada, essas ideias elas estariam encadeadas de uma forma diferente. A forma é muito importante pro psicopatologista. É através disso aqui que a gente vai dar um diagnóstico psicopatológico muitas vezes. E lembra que o paciente ele não sente muito bem a forma, a gente que vai estabelecer a Forma para ele. Então, se eu digo, por exemplo, para você que essa forma aqui é a forma de um triângulo, esse triângulo ele pode se expressar de vários jeitos. Ele pode ser
um triângulo azul, pode ser um triângulo de madeira, pode ser um triângulo grande, pode ser um triângulo pequeno, tá certo? Todas essas variações, elas vão respeitar uma forma de ser triângulo. Aquilo poderia ser um círculo, poderia ser um losângulo. A gente também faz isso com a forma do Pensamento, a forma do pensar. Por fim, a gente tem o conteúdo, que é basicamente o que preenche essa fórmula. Ou seja, imagina que aquele triângulo azul é um tipo de triângulo, o outro é um triângulo vermelho de metal pequeno, é outro tipo de conteúdo. Quando a gente tá
falando, por exemplo, de comida, é um tema ou é um conteúdo do pensamento. Quando a gente tá falando de aula de psicopatologia, é um outro tema ou é outro conteúdo do pensamento. Então, Pensa um pouco o conteúdo como se fosse o preenchimento. E uma ideia mais grosseira ou mais reducionista, é como se fosse o tema sobre aquilo que o paciente tá falando. Em aspectos mais avançados, a gente vai ver que não é necessariamente o tema em si, mas é o preenchimento daquilo. E uma ideia que é importante, tá certo? Os conteúdos eles sempre vão estar
acontecendo no pensamento. Não existe pensamento sem conteúdo, tá certo? Às vezes uma ideia Ou um conteúdo ele tá nascendo naquela consciência daquela pessoa. Às vezes o conteúdo ele tá minguando naquela naquele pensamento da pessoa. Isso aqui é uma coisa que a gente escuta muito pouco falar e não tá no xenô, tá? Mas essa esse tipo de pensamento, ele é importante para que a gente veja às vezes como é que os pacientes eles se relacionam com temas deles. Por exemplo, imagina que o um paciente ele tá sentindo um transtorno mental pela Primeira vez ou então uma
sensação pela primeira vez. Isso pode parecer meio óbvio assim, mas imagina que a pessoa ela tá sentindo pela primeira vez um uma emoção de raiva até ela sentir aquela emoção, ela elaborar aquilo no sentimento e depois ela vim com conceitos que expliquem o que que é raiva, tem um caminho muito longo. Então, provavelmente, os conteúdos ou as sensações elas nascem de uma certa forma amorfa, Vaga. E o paciente ele vai ter muita dificuldade de explicar isso, de nomear isso, ele vai usar ali outros termos ou então às vezes ele não vai delimitar muito bem. ou
isso é literalmente como se um conteúdo tivesse nascendo. Tem conteúdos às vezes que estão também minguando, são conteúdos às vezes que eles já estão elaborados ou então eles têm um certo tipo ali de limite de incorporação de novas ideias ou então de transformação, de maturação e aquilo vai Minguar. Isso aqui é uma coisa mais avançada que em um primeiro momento eu não quero que vocês pensem dessa forma, mas é só para introduzir esse tipo de ideia que a gente vai discutir posteriormente numa psicopatologia mais avançada. Beleza? Para que que eu te apresentei essas três aspectos
do pensamento? Porque é isso aqui que você vai ter que analisar quando você tá diante de do seu paciente, o curso, a forma e o conteúdo. Beleza? Quais são as Alterações do pensamento? novamente, não me crucifiquem, tá? Vários autores, eles categorizam isso aqui de formas diferentes. Ou seja, por exemplo, vou dar aqui a mais clássica de todas. Tem gente que classifica delírio como sendo alteração da forma. Tem gente que classifica delírio como sendo alteração do conteúdo. Bom, mas qual é a certa? Olha, sinceramente, eu não sei qual é a certa. O que eu sugiro para
você é estude várias, tire suas próprias Conclusões e, obviamente, pensa aí também de uma forma que não seja tão rigorosa, tá bom? Porque isso aqui é uma divisão. Então, de uma certa forma, quando a gente cria categoria, é muito mais pra gente do que que de fato acontece na realidade. Mas a gente tem que lhe dar um modelo, você vai ter que seguir, você vai ter que se habituar. E o modelo que a gente vai trazer aqui de classificação é esse. Então assim, se você é uma pessoa muito angustiada e Muito ansiosa, estuda aí vários.
É o que eu o que eu recomendo inclusive, tá certo? Se você também que é uma pessoa que é um pouco mais prática e quer só de uma certa forma operacionalizar isso aqui, levar pra sua prática e pronto, pega esse modelo aqui que a gente tá falando. Esse modelo aqui é o modelo do XNO. Se você chegar no Dgala Honda, ele vai classificar de um jeito diferente. Se você for no IASPS, ele vai classificar de um jeito diferente. Então, relaxa, isso aqui é muito importante para você. Beleza? Quais são as alterações do pensamento? Primeiro, a
gente tem as quantitativas. E sempre que a gente tiver falando de alterações quantitativas, a gente vai tá falando de alterações do curso do pensamento. E a gente vai ter a aceleração, o alentecimento ou lentificação e a interrupção do pensamento. Quando a gente tiver falando de alterações qualitativas, a gente vai tá falando de Alterações ou na forma, ou no conteúdo, ou nos dois. As alterações de forma, elas basicamente são cinco: fuga de ideias, desagregação, prolixidade, minuciosidade e perseveração. E as alterações de conteúdo, elas são o concretismo ou as ideias, que elas podem ser três: delirantes, deliroides
e sobrevaloradas ou hipervaloradas. Eu gosto dessa classificação aqui do xenot. Eu acho ela simples e de uma certa forma assim elegante. E na prática, na prática Mesmo você pode alterar, você pode operar muito bem aqui por essas categorias e ter assim um relativamente uma relativa precisão. Então vamos lá, vamos para as primeiras alterações do pensamento. Primeira que eu quero trazer para você aqui é a alteração quantitativa que a gente viu aqui vão ser alterações no curso, ou seja, na velocidade, no ritmo do pensar. Primeira delas que eu gostaria de trazer é a aceleração. O nome
é autoexlicativo, Pensamento acelerado é justamente uma produção de ideias, tá certo? E isso geralmente vai andar de mãozinhas dadas com o paciente falar mais rápido. Imagina assim, é o paciente no vezes do vezes do WhatsApp, ele pode falar que ele pode realmente falar mais acelerado e ele pode também falar que os pensamentos dele estão no ritmo muito acelerado. Cuidado, porque a alteração do pensamento quantitativa acelerada, ela pode aparecer em várias coisas. Se Você tá ansioso, você tende a ter uns pensamentos mais acelerados. Assim como você tá em mania, você também tende a ter os pensamentos
mais acelerados. Então, lembra que isso aqui não é patognomônico de nada, tá? Lembra disso. Isso é muito importante. Vamos ver aqui como é que essas alterações acontecem na prática. Essa editora e só que eu não tava curtindo muito porque o trabalho de tradução não leva lugar nenhum, né? Então eu fiquei pensando, eu queria fazer uma coisa mais autoral, fazer uma coisa minha. Aí, olá Marcos, prazer lhe conhecer. Chamo José Mateus, fica à vontade. É, sua mãe entrou em contato comigo que ela marcou uma consulta para você. >> É, ela marcou, né? Ela tá preocupada, achando
que tá acontecendo alguma coisa, mas acho que tá tudo bem, tá tudo bem assim? É, tô num momento bom, tô escrevendo um livro, já escrevi um Livro, né? É, em cinco dias, mas agora tô escrevendo um vai ser um sucesso também. >> Isso daqui é modelo industrial essa sala, né? >> É industrial. Isso mesmo. >> É, né? Eu conheço, eu trabalho com design de interiores e aí eu tô fazendo uma coisa parecida assim, mas industrial sabe, né? Não é do daquele filme lá do chap tempos modernos. Não não tem nada a ver com isso. É,
aliás, o cara gênio, Né? Tipo, >> bom, veja aqui, veja a quantidade de ideias que esse paciente trouxe no curto intervalo de tempo. Óbvio que aqui a gente deu uma aceleradinha pro um uma vez e meia, tá? Mas assim, na prática, isso também acontece assim. Às vezes o paciente ele vai est falando de uma forma mais acelerada. O que que você vai notar em você quando você tiver diante de um paciente assim? você tem dificuldade de acompanhar o raciocínio Dele. Tem um raciocínio, mas você tem dificuldade de acompanhar. Isso é muito importante. Aqui o passe
pensamento ele tá acelerado, então ele tá bem parecido, tá? Com isso aqui. Vamos dar uma olhada aqui, ó. O ritmo é como se tivesse várias idezinhas uma atrás da outra, tá bom? Então, primeiro guarda isso aqui. Agora a gente vai ver um pouco o contrário disso aqui. É o paciente que ele tá mais alentecido ou então tá com pensamento Mais lentificado. Tem uma quantidade de ideias ou então de conteúdos do pensar que é mais pobre ou então mais empobrecida ou então mais difícil, mais lenta. Isso aqui é muito comum quando a gente tá diante de
quadros depressivos e também quando a gente tá às vezes diante de quadros de esquizofrenias mais empobrecidas, que às vezes a gente chama de esquizofrenia simples, tá certo? Então podem ter conteúdos do pensamento mais lentificados. Vamos ver aqui. Ela >> Adriano, como eu não te conheço, eh, eu queria iniciar perguntando algumas coisas um pouco mais pessoais. Tudo bem? >> Tudo bem. >> Bom, queria que você se apresentasse assim, é o que você faz da vida, qual é a sua idade? Bom, me chamo Adriano, tenho 42 anos, eu trabalho no mundo corporativo, sou gerente global de uma
empresa do ramo de telefonia. Eu vim de Curitiba, tô em São Paulo há 20 anos. Você é casado? Você tem filhos? Eu moro com a minha mulher, sou casado com ela, tenho dois filhos, uma pequena de sete e um menino de 12. Grava bem isso aqui, meu caro. Isso aqui é um ritmo de pensamento alentecido ou lentificado. Que que eu quero que você grave isso aqui? O paciente, óbvio que o pensamento ele anda ali lado a lado com a linguagem. Muitas vezes a gente vai ver Isso de um certo tipo de latência de resposta aumentada.
Às vezes o paciente vai demorar mais para falar com você, ele vai aparentar que ele está pensando mais. E o que que isso passa pra gente? Às vezes passa essa sensação um pouco de lentidão. Às vezes tem gente que pode sentir tédio com isso aqui. Às vezes a pessoa pode sentir uma vontade de falar pro paciente, bom, acelera, fala um pouco mais assim, não tô, vai, desembuxa. Então isso é, são sensações Que a gente sente quando a gente tá diante de um paciente mais lentificado. Lembrando que isso não é patognomônico de depressão, mas pode acontecer
bastante. E uma outra coisa, alteração quantitativa que a gente tem, é a interrupção do pensamento. Próprio nome é autoexlicativo. Então você vai ter ali um certo fluxo do pensamento que ele vai ser interrompido e quando ele é interrompido, o paciente vai parar. Imagina isso, tá tendo um Fluxo, pode ser um fluxo aumentado ou então mais rápido, pode ser um fluxo lentificado, que ele tá mais lento e pode ter uma interrupção de fluxo. A gente vai ver muito claro isso aqui. Geralmente o paciente, ele simplesmente para de falar e quando ele para de falar ele vai
literalmente só interromper. E esse tipo de alteração quantitativa, ele é muito presente em quadros de esquizofrenia. Às vezes o paciente ele pode dar uma Interpretação para isso, mas aí já entra um pouco em alteração de consciência do eu, que a gente tem outro vídeo para cá. E aí é o quê? O roubo do pensamento. Ele pode dizer: "Bom, roubaram o meu paciente, o meu pensamento". A gente vai ver isso muito claro aqui do meu corpo. Então, teve uma época que eu tinha que comer e evacuar imediatamente, porque senão o algoritmo ele ia controlar o alimento
dentro de mim, entendeu? Então, comecei a fazer isso. >> O alimento dentro de você. >> Sim. E você notou mais alguma coisa que o algoritmo conseguia fazer com seu corpo? >> Moro com a minha mulher e com o meu cachorro. >> Pera, eu não entendi muito bem. A gente tá falando aqui sobre a vê aqui nesse caso que aparenta ou então apresenta inicialmente uma quebra, uma interrupção do pensamento. É isso mesmo. Às vezes o paciente ele pode demorar Minutos, às vezes até horas, ele pode retomar do mesmo ponto, então mudar para um assunto diferente. Pode
acontecer várias coisas, mas isso aqui é um certo tipo de perda, tá, do fluxo. E isso, obviamente é muito indicativo de processos ali que a gente chama de esquizofrenia. Óbvio que não é patogneomônico, não existe nada na psiquiatria que seja patognomônico, mas você tem que prestar bastante atenção nisso aqui. Beleza, pessoal? Vamos Continuar aqui falando um pouco dessas alterações, né? Enfim, e a gente vai agora finalizando as alterações quantitativas para as alterações qualitativas. a gente acabou de ver a aceleração do pensamento e agora aqui a gente vai ver também um tipo de alteração que é
justamente a fuga de ideias. >> Essa alteração, pessoal, ela é muito importante. Por que que eu digo isso? Porque o seguinte, lembra que a gente Estava falando de curso de ritmo? A fuga é justamente a forma que essas ideias ou que esse pensamento toma. Sempre que você tiver imaginando a forma do pensamento, você vai ter que, de uma certa forma imaginar ou abstrair e também tentar ver ali uma certa relação entre as ideias. Como que você vê isso? Você vê a relação entre o tema, você vê a relação de como uma ideia se estrutura com
a outra, você vê também, principalmente como que isso se desloca Num fluxo temporal, se tem um certo tipo de sentido. E uma grande um um uma grande marca, então uma grande dica prática é como que você entende. Isso aqui é um grande indicativo para você detectar ou diagnosticar a forma do pensar. Então, por exemplo, uma fuga de ideias, você vai ter um certo tipo de dificuldade de entender, mas você ainda vai entender. Ou seja, você ainda vai conseguir estabelecer uma relação entre as ideias. Só que as Ideias é literalmente como se elas tivessem relacionadas, mas
como tivesse um certo tipo assim de salto uma paraa outra. Por que que eu tô chamando ou então por que que eu tô utilizando justamente essa ideia aqui de salto? Porque esse salto é como se desse um pulinho na lógica, mas é um pulinho, não é um pulão. Esse salto você ainda compreende, ou seja, as ideias elas ainda estão de uma certa forma relacionadas entre si. Por isso que eu Botei justamente essas setas aqui. Ou seja, tem uma ideia principal e aí o paciente ele pode pular de uma ideia para outra e voltar pra ideia
principal. Ou então ele pode pular da ideia principal, ir para uma outra ideia, depois ir para uma outra ideia, depois ele pode ir para uma ideia final. Mas vê aqui que elas têm uma relação, ou seja, sempre vai estabelecer uma relação entre a entre elas. pro entrevistador. Isso aqui vai chegar como eu tenho uma Certa dificuldade de entender, mas eu ainda consigo entender. O paciente, ele tá indo para coisas que são relacionadas, mas você tem que fazer um esforcinho e lembrar que fuga de ideias não é a mesma coisa que falar rápido. Aqui a gente
tá usando o mesmo exemplo. Então, a gente tá usando o exemplo de um paciente que ele tá com o curso aumentado e ele também tá com uma forma de fuga de ideias, porque a gente vai mostrar isso aqui na prática, tá? Com Esse exemplo, vai ficar mais claro, mas lembra que não necessariamente precisa ter uma um curso mais rápido para ter uma fuga de ideias. E apesar de o pessoal falar: "Ah, mas tem uma maior produção de ideias", não necessariamente precisa isso também, tá certo? Você pode se relacionar através de uma fuga com a quantidade
normal de ideias, tá? Óbvio que quando tem uma quantidade maior e o pensamento tá mais acelerado, é mais fácil de diagnosticar. Mas eu já vi Pessoas que estavam conversando de uma forma normal, com um produção normal de ideias, só que elas tinham uma relação de fuga, tá? Óbvio que é mais difícil você perceber isso. Você precisa ver muitos pacientes e primeiro você precisa ver fugas de ideia mais clássicas. Fuga de ideia ela aparece principalmente na mania. E por que isso? Porque na mania você vai ter um certo tipo de milhões de possibilidades que o paciente
ele tá sempre acessível. É como se ele Derramasse pelo mundo. É como se a existência dele ali tivesse vários tipos de pés e mãos e ele abraçasse todos os conteúdos ao mesmo tempo. Então ele vai ter conteúdos superficiais que ele vai pulando de um pro outro e todos estão acessíveis para ele. E isso também se manifesta no pensamento. A gente vai ver a alteração aqui de fuga de ideia e presta atenção como que o paciente vai encadeando uma coisa na outra. Isso aqui é o que vai justamente dar a Característica de forma disso aqui. Então
vamos lá. Pelo que eu tô percebendo, né, ela tá preocupada achando que tá acontecendo alguma coisa, mas eu acho que tá tudo bem. Tá tudo bem assim. >> Tá tudo bem. >> É, tô num momento bom. Tô escrevendo um livro, já escrevi um livro, né? Eh, em cinco dias, mas agora tô escrevendo um que vai ser um sucesso também. >> Isso daqui é modelo industrial essa Sala, né? >> É industrial. Isso mesmo. >> É, né? Eu conheço, eu trabalho com design interiores e aí eu tô fazendo uma coisa parecida assim, mas industrial sabe, né? Do
não é do daquele filme lá do do Chaplin Tempos Modernos. Não é não tem nada a ver com isso. É, >> aliás, o cara gênio, né? Tipo, acho o cara gênio assim. Essa aqui foi a fuga de ideias. Veja bem, vamos analisar isso aqui com calma. Vê que o paciente ele tá falando um pouco sobre o livro, depois ele olha pra sala, ele se distrai, ou seja, ele é meio que invadido por uma ideia e isso é uma grande característica, tá certo? Geralmente ele vai ser distraído por às vezes algum assunto externo, então às vezes
até mesmo coisas do cenário ou então às vezes própria coisa ou pensamentos de dentro dele. E aí ele já incorpora isso no discurso. Ah, ele olha os ladrilhos e fala: "Ah, isso aqui é Industrial". industrial, ele lembra de um certo tipo de produção ali em série. E aí ele lembra do filme Tempos Modernos do Chaplin. Vê como ele tá dando saltos, tá certo? É como se o pensamento dele tivesse literalmente com um pouquinho de dificuldade que para você compreender, você não entende às vezes muito esse esse salto, mas na hora que você para para pensar,
você vê que tá relacionado. Beleza? Isso aqui é sutil, pode passar desapercebido e é uma das grandes marcas De mania ou então de intoxicação. Quando isso aqui vai para um extremo muito grande, às vezes o paciente ele pode associar essas ideias por pel aquele que a gente chama de aliteração ou assonância. Então, é como se o paciente ele basicamente relacionasse uma ideia com a outra pelos sons. Então ele vai falando: "Ah, hoje eu comi pão. Ah, pão do melão, no melão do mamão, do mamão do ão, o ão do teusão." Então, esse tipo de associação
pelos sons é também uma marca Ali de fuga de ideia, claro que muito mais desagregada, muito mais prejudicada, muito mais grave, mas que também é uma fuga de ideia. Então, pensa nas na fuga de ideia. Sim, a ideia ela vai se relacionando e volta e ela vai para um tema, ela vai pulando uma pra outra. Esse aqui ainda é uma fuga mais ou menos linear, tá certo? Beleza? Vamos agora para uma outra alteração do do pensamento que é fundamental, que é a desagregação. E pessoal, a desagregação É justamente quando acontece uma ruptura da lógica do
discurso. Enquanto na fuga de ideia você ainda entende na desagregação a marca é você fica assim: "Pera aí, não entendi". Tá? Às vezes até você fala brincando, ah, entendi pro paciente, mas na realidade você não entendeu, tá? Então o discurso ou a lógica do pensamento, ela está desagregado. E tem pessoas, então, autores, que eles vão classificar essa desagregação ainda em desacarrilhamento, Afrouxamento e incoerência. Beleza? são outros tipos de classificação, mas você pode chamar tudo de desagregação do pensamento ou então de pensamento incoerente, porque na realidade essas fronteiras entre o que que é descarrilhado e o
que que é afrouxado, ela é muito, digamos assim, sutil. Mas de uma certa forma, se eu fosse falar para você, o afrouxamento é como se fosse um grau leve, o Descarrilhamento é como se fosse um grau intermediário, a incoerência é como se fosse um grau grave ou então um grau mais alto dessa desagregação. Então no afrouxamento você não entende ainda muito bem. No descarreiramento você entende entende ainda mais e na incoerência não entende nada, tá certo? Então onde é que você vai ver isso aqui? Em processos de esquizofrenia, tá? É bem importante. Você vai ver
às vezes isso aqui no Quadro de deliri, de intoxicação por substância, ou seja, qualquer coisa ali que tem um dano na consciência muito forte. Isso aqui obviamente indica gravidade. Vamos ver aqui exemplos, tá? Num espaço bem longe tem o lúcido que daquele que eu escrevi lá que é o lúcido. É isso. Aqui tem o ciente. O ciente é o saber do qual Jesus não sabe ler nem escrever, Mas ele aprendeu toda coisa de tanto ele vê o lúcidar. A tua lucidez não te deixa ver a inucidez e a lucidez. A lucidez e a inucidez. Tá
bom. E o sentimento, né? Consciente, lúcido e ciente. E tem o sentimento. Tá bom. O que fica pegando, acolhendo, gravando. >> Bom, vê que as ideias aqui elas têm um certo tipo de correlação e vai ser rompida. Uma ideia, ela não se relaciona muito com a outra. Então você vê que inicialmente ela, paciente tá falando sobre lucidez, mas você não entende muito bem o que que é essa lucidez. Não é a lucidez como a gente usa, ou seja, como é compartilhado pela maioria das pessoas. Então fica esse uso que é quase individual ou idiossincrático. É
literalmente como se a paciente tivesse falando um idioma, uma língua que só ela sabe. Não tem esse tipo de Compartilhamento. Tá surgindo uma ideia aqui, aí ela se relaciona um pouquinho com outra ideia e aí surge depois um outro foco de ideia na consciência dela que não tem relação com a com a primeira. Vê que a gente botou aqui, ó, justamente isso aqui é como se fosse o fluxo do pensamento, tá, em vermelho, e vê que não tem relação dessa ideia aqui com essa. Então, dá uma certa sensação meio que caleidoscópica ou então estoboscópica na
consciência. Tem um Foco, depois tem outro foco. Não tem relação entre os dois focos. E o que é que isso chega pro entrevistador ou pro apresentador? Chega como incoerência. Você fica meio sem entender o que que a pessoa falou. Tudo bem que ela tá falando aqui sobre lucidez. Mas será essa a mesma lucidez que a gente fala, será que realmente tem uma troca com essa paciente? Você pode estabelecer ali um certo tipo de troca de conceitos, de você realmente entender o que ela fala, De você contraargumentar e ela absorver aquilo? A da ideia que não
tá, da ideia que tá mais fechado mesmo, da ideia que assim tá impermeável. E isso é um tipo aí de afrouxamento e às vezes ver até um descarrilhamento, tá bom? Então, óbvio, uma desagregação do pensamento. Isso aqui é uma paciente que é do filme Tamira e ela tem esquizofrenia, então o discurso dela tá afrouxado. E quando tem essa desagregação, é muito comum que surjam aqui também usos meio Idiossincráticos da língua, que é os neologismos. Então, ela fala lucidar, tá? É a lucidez. Então, do lucidar, esse lucidar é um pouco um uso neológico, tá certo? ou
então é uma jarganofasia que a gente falou lá na alteração de linguagem. Vamos ver aqui outro exemplo. A mãe da minha filha das barcas é um serviço. >> Alexandre, qual sua opinião sobre o serviço das barcas? Tá ruim? Tá bom? E o que que tem que melhorar? Bom, o serviço das barcas é um serviço excelente, que é um transporte de um de um custo não muito elevado, leva até o Rio de Janeiro e vai ficar melhor logo assim que eu assumi como King Siz, o senhor das terras do Rio de Janeiro. A máfia chinesa teve
a capacidade de escil do Rio de Janeiro e não fizesse a descoberta de ser o King Siz. O King Siz, os Kings são os reis maiores que existe no planeta. Em Portugal em 1485 pela corte portuguesa, A corte portuguesa deu aos kings o brasão king size chegando ao Rio de Janeiro, em muitas terras no Brasil, colonizou, imigrou e tudo bem que esse paciente aqui tá falando sobre realeza, sobre king size, mas assim é um uso muito idiossincrático, é um uso que só ele entende. Então ele em alguns momentos ele afrocha um pouco o pensamento, fica
meio desagregado, fica incoerente. Óbvio que é um grau menor do que o da primeira Paciente, tá certo? Mas isso aqui é um certo tipo de problema, tá certo? Se você ficar ali conversando mais tempo com ele, você vai ver que às vezes não tem um certo tipo de lógico, então de sentido, de nexo, de encadeamento. E é justamente esse afrouxamento. Lembrando que isso aqui não é exclusivo de esquizofrenia. Muitas vezes, quando você tem uma mania que o pensamento ele tá às vezes muito acelerado ou então ele tá deformado, ele pode ficar incoerente, Desagregado, tá certo?
Ah, mas qual o limite de qual é qual? Muito difícil de saber na prática. Você vai ter que ver muito paciente e de uma certa forma você também vai estabelecendo a sua própria classificação. Então você vai montando ali seu próprio acervo de pacientes, você vai falando: "Ó, isso aqui é mais afrouchado, isso aqui é mais descarrilhado." Você tem que ver muito paciente para justamente fazer essa gradação. Mas a meu ver, tá bom? Esse Primeiro paciente, a primeira paciente, no caso, né, Estamira, ela tá mais desagregada que o segundo, tá certo? E o primeiro paciente é
mais um fuga de ideias mesmo, que é que a gente já viu naquele outro exemplo. Beleza? Vamos continuar aqui. Vamos para a prolixidade. Prolixidade, lembra que a gente falou que pensamento é síntese? E em muitos casos essa síntese ela tá um pouco mais comprometida. E é justamente essa Incapacidade de ter síntese que vai tornar o discurso do paciente prolixo. E pessoal, a prolixidade é o paciente ele encher o discurso de detalhes irrelevantes, tem um certo tipo de perda de hierarquia. É aquele paciente às vezes que você vai perguntar, por exemplo, o que é que ele
comeu hoje? E aí ele vai falar um pouco sobre comida, ele vai falar sobre tipos de comida, ele vai falar um pouco sobre o que é que se caracteriza como comer, mas ele não vai Responder muito bem o que que ele comeu hoje. Então o que que você espera quando você pergunta pra pessoa, bom, o que que você comeu hoje? Você responde: "Bom, eu comi hoje uma perira". Isso é justamente a capacidade sintética. Só que quando você perde o nível de essa informação é mais importante, essa informação é menos importante, você vai ter justamente a
prolixidade. Onde que você encontra isso, tá pessoal? Principalmente em pacientes que eles são Glicoides, que é uma alteração de epilepsia do lobo temporal, que a gente chama de uma personalidade gastou gate 20. Sim, muito nome aqui, muito nome diferente, tá? Mas esses pacientes eles são caracterizados por discursos que são tão prolixos, tá certo? São cheios de detalhes e detalhes tão irrelevantes que vai dar um certo tipo de cansaço em você. E esses são pacientes às vezes que é difícil inclusive você interromper eles ou então no no próprio discurso ou Então às vezes são pacientes assim
que você se perde nos seus próprios pensamentos e as consultas costumam durar assim várias e várias e várias horas porque são recheados de detalhes. Às vezes que também acontece em di. Então di é déficit intelectual. Vamos ver aqui, tá certo? Como é que basicamente é o fluxo do pensamento de uma prolixidade. Vê aqui a você pergunta uma coisa e você espera uma resposta, vamos chamar isso aqui de ideia alvo, tá Certo? E a pessoa ela fica majando ou maginando, né? Enfim, ou então indo pela margem, dessa ideia alvo em ideias que você tá vendo aqui,
ó, elas não são a ideia alvo, elas estão distantes, ou seja, elas não tão num hierarquia, na mesma hierarquia da ideia alvo. E isso dá uma ideia de ser superficial, tá? Isso dá a ideia de ser superficial. Se a pessoa atinge a ideia alvo, a gente pode dividir a prolidade em circunstancialidade. Ou seja, ela Enrolou, enrolou, enrolou, enrolou, enrolou e atingiu. Só que ela não atinge isso, você chama de tangencialidade. Ou seja, ela não foi pra ideia alvo, ela não foi pra sua pergunta. Beleza? uma ideia que óbvio que esse vídeo ele não é uma
uma prolixidade no sentido ali estricto senso, né, da palavra, mas ele capta um pouco o que que seria um certo tipo de discurso tangencial. Então, às vezes, quando a pessoa ela pega uma, você pergunta uma coisa para ela, ela Vai meio que ali saindo pelas beiradas ou fugindo pelas beiradas. É muito comum assim isso às vezes em política, tá certo? quando você pergunta uma coisa pra pessoa. E a gente escolheu justamente isso para você saber que muitas vezes assim as alterações psicopatológicas elas às vezes elas não são indicativas de uma doença, elas podem acontecer também
em pessoas normais, tá bom? Então pega só a ideia ou conceito que esse vídeo aqui vai Trazer, tá? Olha, parabéns, viu? Você você vestiu a camisa um mês de empresa já tá matando um leão por dia, meu. >> É legal que você gostou do que eu fiz aí. Eu gostei de ver, meu. >> É meio confuso. >> Por quê? Que que houve? >> Não, tô um pouco confuso aí com >> Por que que tá confuso, meu? O que que tá acontecendo? >> É porque eu ainda não entendi exatamente O que que a gente faz aqui.
>> Ah, a gente bota a mão na massa, >> sim, mas objetivamente >> a gente pensa fora da caixa, né? >> Não, beleza. Mas a gente vende o quê? >> Consultoria. CDMP, consultoria, uma empresa de consultoria. >> É, mas a gente vende consultoria para quê? >> Para quem quer encontrar soluções. >> Soluções para quê? >> Para vestir a camisa. >> Vestir a camisa de quê? >> Da empresa >> que vende o quê? >> Soluções. >> Para quê? pro futuro. Meu solu >> bom vocês pegaram a ideia, nunca chega naquela certo tipo de ideia alvo ou
nunca chega, ele fica sempre assim tangenciando ou então superficializando. Óbvio que num paciente que tem umação de prolixidade é muito mais que isso, tá certo? Então assim, é muito mais Preenchido, às vezes assim muito mais cansativo, tá certo? E você vê aqui que a personagem, no caso, né, enfim, a pessoa que tá respondendo e fugindo um pouco das perguntas, ela em último grau, ela sabe o que que a pessoa tá perguntando para ela. Muitas vezes o paciente que é prolixo, às vezes ele não vai entender muito bem isso e isso não é deliberado, tá? Às
vezes ele nem se dá conta que ele tá sendo prolixo. E em contraposição à prolixidade, a gente tem A minuciosidade. O que que seria isso? seria justamente o número excessivo de detalhes. Veja que a diferença é que os detalhes eles estão dentro da ideia alvo, ou seja, o paciente ele sabe hierarquizar, ele sabe que aquelas ideias ali eles são importantes, eles são alvo, só que eles vai dar literalmente detalhes. E esses detalhes não é que eles sejam irrelevantes, é que eles são múltiplos. Então a diferença seria de uma certa Forma aqui que é mais superficial.
Aqui não, aqui se aprofunda, tá certo? entra dentro do conteúdo do pensamento. É muito, muito comum você ver isso aqui em transção obsessivo compusível ou então em quadros ansiosos. Um exemplo muito simples assim de minuciosidade é quando às vezes você vai entrevistar um paciente, o paciente tem um quadro mais ansioso, você vai fazer alguma pergunta ou então você vai passar uma medicação, um antidepressivo e ele começa a lhe Fazer vários detalhes, perguntar sobre vários detalhes. Ah, mas esse antidepressivo aqui e dá queda de libido, dá dá algum desconforto gástico, você vai explicando e cada explicação
gera mais um tipo de pergunta. Ou seja, ele sabe a prioridade daquilo, só que ele vai de uma forma tão minuciosa que aquilo vai se estendendo de uma forma. Um outro exemplo que você tá vendo aqui na prática, tá certo? Minuciosidade, é essa Aula que a gente tá te dando aqui. A gente tá tentando esgotar em exemplos, a gente tá literalmente assim desse tá apresentando assim várias ideias que estão dentro das ideias alvas. A gente tenta ser minucioso aqui no psiquiatria prática, tá? E obviamente a gente tá aqui dando um certo tipo de minúcia, mas
que é só a ponta da coisa. Isso aqui, pessoal, é psicopatologia descritiva, que é um tipo de psicopatologia que a gente considera ainda muito básica, é Básica mesmo, tá certo? Então aqui a gente tá falando sobre exames, exame psíquico que função psíquica, mas isso aqui não é nem de longe todo o poder da psicopatologia. Você vê que só com isso aqui você consegue fazer muito diagnóstico, você consegue identificar muita coisa. Mas se você quiser ir mais a fundo, se você quiser avançar mais e sempre uma pegada muito prática, muito acompanhada também, eu e o João,
a gente tá lá em grupo de WhatsApp, você vai Tirar dúvida, vai tirar dúvida na comunidade, tem comunidade com aluno, a gente vai ter encontros online, tá certo? Então assim, se você quer se aprofundar e avançar mais ainda numa coisa que já é minuciosa e você vai de fato a fundo com a profundidade, eu te convido a conhecer nosso curso de psicopatologia. Lá além da psicopatologia descritiva, a gente vai falar sobre psicopatologia clínica, ou seja, as psicopatologias dos transtornos Em si, TDAH, obsessão, depressão, melancolia, mania, esquizofrenia, tudo tem lá, tá certo? diagnóstico e depois a
gente vai para bases e fundamentos de psicopatologia fenomenológica, que é justamente a psicopatologia que estuda as vivências ou a estrutura, então os materiais que formam tanto a consciência e também os materiais que estão alterados na patologia. Então pessoal, se você quer se aprofundar mais e você quer diagnosticar com mais precisão, Conheça o nosso curso, vai aqui, visita o saiba mais, que a gente sempre deixa aqui no YouTube, tá certo? ou então eh naqua nessa barrinha aqui que fica um pouco acima dos comentários, acessa aí e conheça, beleza? Vamos voltar aqui para a nossa aula finalizada
o momento propaganda. Beleza, pessoal? Você vai ver também muito minúcia em quadros de transtorno obsessivo compulsível, mas essa minúcia aqui do toque, ela é uma minúcia às Vezes até um pouco meio vazia, é uma minúcia que ela não chega em lugar nenhum, tá certo? E isso às vezes também dá um pouco de cansaço, então às vezes um pouco de exaustão também no entrevistador. Beleza? Depois disso, a gente vai paraa perseveração. É uma alteração muito interessante. E o que que acontece? Vê que o fluxo do pensamento aqui, ele está de uma certa forma sendo atraído por
um polo gravitacional, que é justamente a Ideia alvo. Ou seja, é o paciente que ele persevera naquele tema. aquele tema tanta valência, é como se fosse tão atrativo que todo fluxo de consciência ou então do pensamento ele revolve sobre aquilo. Na prática, né? Na prática, falando de prática, como que a gente vê isso? Basicamente é o paciente que ele não sai daquele tema, ele de uma certa forma ele fica ruminando ou então ele sempre volta para aquilo e ele tem um certo tipo de inflexibilidade. É como se Ele ficasse assim sem sair daquele lugar. ele
não tem um certo tipo ali de incremento ou então de aquele conteúdo é como se ele ficasse sempre meio preso. Ele não tem meio aquela aquela aquilo que a gente explicou, né, do conteúdo nascer, se expandir e depois se retrair, tá certo? como se ficasse meio preso mesmo, meio viscoso. E isso é muito presente, uma das coisas mais clássicas nas obsessões. Então aquele paciente que ele fica sempre assim, bom, mas Será que eu não quero esfarquear minha esposa? Será que eu não quero agredir minha esposa? Será que eu não quero fazer isso? Será que eu
não quero agredir isso? Então ele fica sempre se remoendo como se fosse literalmente um disco ralado naquele tema ou naquele assunto. E as obsessões, pessoal, só para falar aqui de uma forma bem rápida, é um tipo de perseveração, você pode ler elas dentro de uma alteração qualitativa do pensamento do tipo perseveração, Mas ela tem assim características que são mais especiais. Primeira coisa que eu quero falar para vocês, obsessão não é exclusiva de toque, não é, tá? Não é, bota isso na sua cabeça. Paciente que tem obsessão não é igual a toque. Você vê a obsessão
em depressões e também em esquizofrenia, ou seja, tudo que mexe em fluxo temporal da consciência, seja toque, deixando o fluxo mais viscoso, seja depressão, deixando o fluxo mais coagulado e um refluxo, ou seja, a Esquizofrenia destruindo esse fluxo ou desagregando ele. Olha que bonito isso. Isso aqui é fenomenologia, tá? Eh, e seja essas alterações vai gerar pensamentos obsessivos, tá certo? Então, é como se a natureza fosse um pouco diferente, mas no extrato ali mais de cima vai ser a obsessão, tá certo? E na psicopatologia descritiva, qual é a característica de as obsessões? Tá? Primeiro, elas
são próprias, ou seja, o paciente, ele sente Elas como egocintônicas. Que que é isso? Ele sente aquele pensamento como sendo dele mesmo, apesar de ser estranho. Estranho no sentido de irracional. Eles falam assim: "Bom, eu gosto tanto da minha esposa, mas eu tô vendo aqui a ideia de querer esfaquear ela e tá vindo na minha cabeça e tá me causando um certo desconforto muito grande. É irracional, é conflitivo, mas ele sente que é pensado por ele. Isso de um certo conflito com os valores do paciente Costuma gerar um desconforto muito grande, tá bom? As obsessões
geralmente elas são repetitivas, tá? Então elas costumam acontecer várias vezes e elas são intrusivas, ou seja, elas são indesejadas. O paciente geralmente não gosta. Elas vêm quando o paciente não quer. Obsessão também acontece em pessoas normais, tá certo? Então, muitas vezes a gente tem pensamentos obsessivos às vezes na infância, às vezes também, enfim, ao longo da vida, isso aqui pode Acontecer. E por fim, pessoal, eu vou acrescentar aqui o concretismo, que são uma alteração qualitativa, que é justamente um discurso pobre em conceitos abstratos, pobre em metáforas, pobre em analogias. São discursos mais concretos. Onde que
a gente vê isso aqui? a gente vê em personalidades mais esquiso esquisoides, a gente vê em quadros de autismo, a gente vê em quadros de déficit intelectual, às vezes a gente vê também em alterações normais, Tá certo? Então, ao longo do nosso desenvolvimento, do desenvolvimento do nosso pensamento, a gente passa de um pensamento que a gente chama de pré-operacional para um pensamento mais operacional, ou seja, a gente passa de pensamento mais concreto para um pensamento mais abstrato, tá bom? E aqui eu vou dar inclusive um eh eu vou dar um exemplo normal, tá certo? Então,
dá uma olhada aqui nessa criança, tá certo? Ela vai a a entrevistadora, ela vai fazer Umas perguntas e vai que ela responde de uma forma muito concreta. Vamos observar aqui como que isso se dá. Does this row have more quarters? Does this row have more quarters or are they the same? The same. The same. Okay. Now watch. Now, does this row have more quarters? Does this row have more quarters or are they the same? That one has more quarter. That one has more quarters. Why does that one have more quarters? Stretch down because stretch down.
How many are? >> Que bonitinho. Que que aconteceu aqui? Basicamente ela pergunta qual dessas colunas aqui tem mais moedas. Primeiro, ela deixa as moedas mais ou menos em colunas de mesmo tamanho e a criança responde: "Ah, é igual". Aí quando ela só afasta as moedas, a criança vai lá e fala: "Ah, essa aqui tem mais moedas". E é só porque tá maior, não porque necessariamente tem mais moedas. Isso Aqui é um pensamento concreto, tá certo? Não significa, pessoal, pelo amor de Deus, tá certo? Que a pessoa é menos inteligente por isso, não. Tá, afaste isso
do seu pensamento. Significa só que é um pensamento mais concreto. Se você quiser, inclusive aqui uma indicação de filme que tem um exemplo de pensamento concreto, assiste um filme chamado Demolição, tá bom? Lá tem um paciente que tem uma alteração psicopatológica que está dentro do concretismo, que é Muito específico, a gente chama de geometrismo mórbido. Isso aqui são conceitos mais avançados, tá certo? que a gente vê numa psicopatologia mais avançada, que a gente não vai entrar aqui, mas esse geometrismo mórbido, ele é lido como um concretismo na psicopatologia descritiva. E fica aí a dica de
filme, tenta observar lá e depois fala com a gente se você conseguiu observar onde é que você viu isso. É bem legal. Por fim, pessoal, as Ideias deliantes. E aqui a gente vai ficar para a próxima. Sim, porque a gente vai ter a parte dois desse vídeo. E se você tá gostando, deixa aqui nos comentários, comenta o que que você tá achando desse tipo, se você tá a conseguindo correlacionar os conceitos com os exemplos que a gente tá trazendo. E, óbvio, se você tá gostando, então valoriza, curte aqui, comenta, tá certo? Isso ajuda muito a
gente.