[Música] E embora os produtores brasileiros estejam muito atentos às relações de troca paraa safra 2526 com os fertilizantes, o mercado de fertilizantes vai trazendo novas notícias que vão mudando essas relações o tempo todo, vão alterando os patamares de atenção também do produtor, do mercado global. E esse assunto pra gente tratar agora com o Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agroinveste Comots, já nos fazendo companhia nessa manhã de sexta-feira. Meu amigo, seja bem-vindo.
Bom dia. Você já chega com novidades importantes do mercado internacional, né, Jeferson? Bom dia, Carla.
Sempre um prazer conversar contigo, com toda a audiência. Sem dúvida, antes de entrarmos aqui, nós tivemos novidades que, na verdade, não são tão boas e acendem um alerta pro mercado brasileiro. Elas vêm direto da China, né?
Jefferson, ela tá, a China sinalizando, voltando à suas exportações de MAPDAP, que ficaram bem eh contidas nos últimos anos, porém tá suspendendo uma outra classe de fertilizantes nas vendas externas. Qual é o cenário? Quais são os detalhes dessa informação?
Exatamente. Então, a China oficializa a volta das exportações de MAP e DAP, só que num volume menor do que exportou no ano passado, Carla, na janela de maio a setembro, que é a janela mais importante pro pra exportação chinesa. E ela coloca um perigo para nós, eu posso dizer assim, ainda temos que entender um pouco melhor, porque essa é uma notícia muito nova, mas ela restringe as exportações de NP.
Que que acontece, Carla? Esse ano o Brasil cresceu muito em NP. produtor que tá nos acompanhando até pode ser uma prova disso, que ele observa novos produtos entrando no mercado de fertilizantes.
E no caso da China propriamente dita, ela contribuiu muito para nós termos um aumento nessas importações de NP. E agora surge essa notícia que, a princípio pega as pessoas de surpresa que a China irá restringir as exportações desses produtos. Esse para nós é um alerta importantíssimo, Carla.
Como eu falei, esses produtos eles ganharam o corpo no Brasil. Nós crescemos muito nas importações de NP e claro, uma boa parte disso oriundo da China. Então agora se abre uma lacuna no mercado para nós entendermos quais são os impactos que isso trará para oferta sobretudo.
E do lado do preço, nós já vemos que algumas empresas sinalizam uma cautela na no fornecimento de listas de preços no mercado internacional e o preço do MAP segue subindo no Brasil nessa semana. Bom, então, eh, as duas notícias ainda não tiveram um impacto prático, portanto, na formação dos preços, Jefferson, porque o MAP pode inclusive vir a cair um pouquinho mais ou pode vir a cair, já que ele tá ainda sustentado, né, em patamares elevados, ele pode vir a cair com essa notícia da volta das exportações chinesas, apesar de um volume menor. E como fica o o preço dos demais fertilizantes diante dessas informações?
É, na verdade, Carla, ele tá subindo, tá? Ele não, eu, essa notícia, se eu for analisar, ela vem com viagem alta pro preço do P no Brasil. Hum.
Né? O balanço dela é altista, até porque nós temos um preço de MAP que termina a semana $ acima do que tava na semana passada, cara. Olha só, nós estamos mais ou menos de aumento no preço em 3 meses, quase $ por tonelada, cara.
Quase $ em três meses no MAP. Então veja o cenário que não era satisfatório e nós estamos falando disso desde fevereiro, Carla. Ele segue cada vez pior, cada vez pior.
Os preços estão subindo essa semana. O balanço que eu tenho internacional é de um aumento para o preço do MAP. Isso não só no Brasil, mas a gente escuta em outras localidades também.
Bom, Jeferson, isso mudou também as relações de troca pros produtores aqui no Brasil. Essas relações acabaram um pouco mais deterioradas. O poder de compra do produtor diante dessas informações acabou um pouco mais deteriorado nesses últimos dias.
Sem dúvida, Carla? Porque o que que acontece? Você tem uma soja sustentada em dólar, você tem, mas o fertilizante ele tá subindo mais rápido do que a soja está reagindo.
A reação da soja ela é contida. Agora o fertilizante sobe 10, sobe 15 numa semana. relação de troca, ela é sim pior do que era no mês de abril e é pior do que era no mês de fevereiro.
Então veja, nós estamos com um cenário em que a tomada de decisão postergada, ela tá piorando o poder de compra do produtor. E essa notícia que é muito nova, Carla, é uma notícia de hoje. Ela tem que ser acompanhada pelo produtor que ainda não comprou, sobretudo fósforo.
Eu tenho no Brasil, Carla, arredondando mais ou menos 40% do mercado de fósforo em aberto, algumas regiões mais. Portanto, o produtor que não tomou essa posição, ele precisa acompanhar muito bem de perto agora. Ou seja, eh o que o que hoje foi anunciado ainda vai repercutir no mercado, repercutir nos preços, né, Jeferson?
principalmente porque o Brasil traz eh ou vinha trazendo nos últimos anos até que houve a suspensão das das exportações, traz uma parcela importante do MAP do DAP, justamente desse mercado chinês, né? É, na verdade o mercado nosso de olhando para propriamente a a China, nós temos o MAP e nós temos os NPs. Como eu falei, o DAP, o Brasil não é um grande utilizador de DAP, mas o MAP, sem dúvida, o MAP de menor o 1144, por exemplo, e assim por diante.
Mas o que eu vejo é o Brasil hoje, nessa posição que nós estamos de grandes importadores, nós dependemos do mercado global. E essas notícias que impactam diretamente, elas trazem repercussões para nós, o Brasil e para outros grandes consumidores, como os indianos, os americanos e assim por diante. Então, Carl, é muito importante dizer, não é uma exclusividade do produtor brasileiro.
Isso acontece em todos os polos que consomem o produto, porque você tem um choque de oferta e demanda. E Jeferson, nesse momento, como é que estão se comportando essas relações eh de oferta e demanda? O hemisfério norte já comprou tudo que precisava, já tá com as suas safras em andamento?
Ou não, ainda eles estão ativos no mercado para recompor alguma alguma parcela ali do que precisavam comprar e olhando pras novas safras do hemisfério sul, em especial para safras do Brasil. A nossa demanda tá ativa ou o produtor diante disso tá um pouco mais cauteloso? Como é que esse cenário de oferta e demanda tá se desenhando agora?
Excelente pergunta, cara. Pros Estados Unidos, cada vez mais o mercado vai diminuindo, até porque o produtor já plantou mais de 70% do milho, já plantou mais de 60% da soja. Então, quer dizer que a demanda americana nesse momento, ela vai se enfraquecendo.
É natural, é sazonal isso? Agora no Brasil, Carla, eu tenho rodado bastante nas últimas semanas, diversas regiões, pessoalmente, inclusive, e eu percebo que o produtor ele pisou um pouco no freio na hora de comprar, cara. Nós tivemos um mês de abril bem agitado, nós tivemos o mês de março também agitado e agora no mês de maio eu percebo que o produtor pisou no freio.
As compras diminuíram, o apetite em comprar diminuiu, Carla. Isso contemplando milho e soja, no caso a soja, que é o agora que nós estamos no ápice das compras teoricamente. E pro milho, segundo a safra também o mercado deu uma esfriada e uma esfriada boa.
Eu tenho no Brasil, Carla, aproximadamente, nós vamos fechar esse número agora no final de semana, nós temos entre 40 e 35% aberto. Isso uma estimativa eh ainda inicial, porque eu vou fazer esses dados ao longo de hoje e também amanhã, mas nós temos o Brasil nessa faixa para comprar. Vamos colocar 35% do volume aberto.
É um número para o fertilizante da soja. É um número que te preocupa, Jeferson? Olha, me preocupo por alguns fatores, porque esses 35%, Carla, eles estarão tendo acesso a um produto mais caro e isso tá acontecendo semanalmente.
E também me me preocupo por uma questão chamada crédito e disponibilidade de recurso, cara. Sim, porque o produtor que vai comprar esse fertilizante agora, ele provavelmente ele vai buscar acesso a um crédito, alguma coisa do tipo. E nós estamos em um ambiente de restrição de crédito e de taxas elevadas, Carla.
Então, veja, é claro que traz pro setor uma sinalização. E eu vou te dar um número um pouco mais impressionante. Rio Grande do Sul.
Rio Grande do Sul é um estado que possui um consumo alto de fertilizantes. Ano passado foi o segundo maior consumidor do Brasil. Sabe quantos por cento o Rio Grande do Sul possui comprado?
30 de fertilizantes. 30%, cara. Eu tenho 70% do fertilizante no Rio Grande do Sul que ainda não foi comprado para soja 2526.
Isso me preocupa. Se eu se eu fosse falar para você um fator que traz preocupação, eu, Jeferson, me preocupo com o Rio Grande do Sul. E aqui é 70% aberto.
Conselho Monetário Nacional não votou o alongamento da dívida dos produtores, impossível de se acessar recurso e, portanto, de voltar a a trabalhar com normalidade ou alguma normalidade depois de tudo que já aconteceu no estado gaúcho. Isso muda a dinâmica do mercado de fertilizantes, essa situação que tá acontecendo no Rio Grande do Sul e que pode estar se repetindo em outros estados também? Claro, sem dúvida, Carla.
Como eu disse, né, quando você tem 70% da demanda aberta do Rio Grande do Sul pro fertilizante, é um ponto de atenção, porque é o estado mais atrasado que eu tenho no Brasil. E as explicações são óbvias, né, Carla? Você acabou de citar uma.
Produtor não é que ele não quer comprar, não é que ele não aproveitou oportunidade, ele não tem recurso para comprar, ele não tem crédito para comprar. Então eu vejo o Rio Grande do Sul como um estado que ele merece atenção do setor como um todo. Ele merece pelo percentual aberto que nós temos de fertilizante.
Se eu for entrar em outras searas como defensivo, semente é igual, cara. Sim, é igual. É igual.
Então veja, é importantíssimo. Infelizmente o produtor que tá comprando agora, ele tá pegando um preço cima do que aquele que comprou em outubro, no caso do potássio. No fósforo, Iden é um aumento que nós temos de 80 por tonelada, cara.
Não são poucos dólares, é um valor significativo. Então, perceba que de você postergar essa compra não tá sendo benéfico esse ano. E a janela, né, ela vai se encurtando.
Hoje, 22, 23 de maio, daqui a pouco nós estamos já num limite, dependendo da região que o produtor tá. Jeferson, eh, o que mais tá no seu radar quando o assunto é preço para o produtor que tá de fato olhando para esse mercado e ainda não avançou? com a sua aquisição dos fertilizantes.
Quais são os demais grupos que te chamam atenção agora e que podem também trazer uma preocupação a mais, uma preocupação adicional para relações de troca, principalmente olhando pra soja 2526? Vamos lá, Carla, vamos falar um pouquinho do potássio rapidamente. Nós temos um potássio que se estabilizou pelo menos nos últimos 20 dias.
O preço subiu muito, né? Isso é innegável. Nós subimos, como eu disse, de 80 a $ 100 por tonelada.
E agora ele estabilizou. Globalmente falando, nós esperamos alguns acordos comerciais, por exemplo, entre o Canadá e a China. A China, ela está demandando bastante potássio.
Nós vemos isso, os estoques estão apertados na China de potássio e o país daqui a pouco ele vai ter que sair e fazer as suas compras ou os acordos, assim podemos dizer. Todos os anos há os acordos, nós estamos atentos a esses acordos que acontecem entre companhias. Isso é importante pro produtor brasileiro, porque acaba marcando o mercado como um todo.
Eu não tenho muita expectativa de queda, Carla, pro potássio. Não tenho. Eu acredito que o potássio, eh, eu estive com você várias vezes ao longo desse ano, no ano passado também, e nós fomos dando o recado.
Pessoal, aproveitem o potássio. Olhem a relação. A relação estava boa, a relação proporcionava ao produtor excelentes negócios.
Então eu vejo que de uma certa forma a nossa missão que foi levar essa informação, ela foi feita. Daqui paraa frente é muito complicado, né Carla? Porque o preço tá maior, a relação tá maior.
Então o produtor tá numa situação mais complicada, realmente com PK acima. Eu não vejo o preço do potássio explodindo, mas também cair é muito difícil. Jeferson, um outro um outro ponto de atenção que você trouxe ao longo de todas essas entrevistas que você citou, estivemos juntos em diversas oportunidades, você falava: "Carla, a minha preocupação é que o produtor compre os seus fertilizantes ou compre os seus insumos de uma forma geral, mas também faça travas para pra soja e vá fazendo essa comercialização.
" Ainda há um ponto de preocupação ou esses números estão equilibrados? O que já compramos com o que já comercializamos? É, pro ano que vem ainda um pouco desequilibrado, Carla, mas para esse ano o produtor vendeu bem.
Eu acredito que nós temos um Farmer Sellem abaixo da média ainda, mas eh parecido com o ano passado. Eu vejo que o produtor aproveitou as suas oportunidades, Carla. E veja, o cenário da soja hoje, ele é um cenário um pouco mais confortável, né?
Ele é mais confortável do que era. Quando nós falávamos em outubro do ano passado, novembro do ano passado, nós tínhamos um cenário um pouco mais cauteloso paraa soja. Esse ano nós temos uns os americanos que reduzem a área.
Nós temos uma oferta americana que é uma oferta menor do que era lá em 2018, cara. Então significa que no caso da soja, é óbvio que o produtor tem que fazer ele de casa e nós sempre pregamos isso, mas eu percebo que ele aproveitou as oportunidades e daqui para frente nós temos também que olhar para o 25 26. É claro que o produtor ainda tem um percentual no Brasil que teoricamente não cobra o que ele comprou.
Ele tem que acompanhar isso, sem dúvida. Bom, Jeferson, a gente vai continuar acompanhando, vamos continuar acompanhando esses detalhes todos das sinalizações que a China trouxe nessa sexta-feira. Quero te agradecer, inclusive, por disponibilizar o seu tempo para dividir essa notícia importantíssima com a nossa audiência.
A gente tá aqui muito atento à tua, a todas as suas orientações e a as tuas análises para que o produtor também entenda como isso impacta diretamente no seu dia a dia. Meu amigo, muito obrigada mais uma vez. É sempre um prazer ter você conosco aqui no Notícias Agrícolas.
O prazer é meu, Carla. Só mais uma última coisa que eu tava esquecendo. Nós tivemos ontem, rapidamente falando, nós tivemos ontem também uma decisão que ainda nós não sabemos o futuro dela, mas é importante o produtor colocar no radar dele também, que é uma questão envolvendo a União Europeia e a Rússia.
A União Europeia aplicou tarifas, é, novamente, tarifas pesadas sobre os fertilizantes russos e bialorrussos. Carla, ainda é tudo muito novo. Nós precisamos entender como que o fluxo de mercadorias vai funcionar no decorrer do segundo semestre.
Essa medida passa a valer a partir do dia 1eo de julho. Portanto, pode mudar de alguma forma o fluxo. Para o preço, Carla, essa medida não muda em nada agora, só que eu deixo no radar porque quem sabe nós voltamos a discutir sobre isso no segundo semestre.
A gente vai ficar de olho. Obrigada por me lembrar. tava aqui no meu escopo e eu acabei passando por isso.
Jeferson, obrigada. A gente tá com tudo isso no radar e sempre com o teu apoio, com as tuas análises, meu amigo. Obrigada.
Uma boa sexta-feira para você. Um abraço. Até mais.
Muito obrigado. Excelente sexta-feira. Um bom final de semana a todos.
Obrigada. Para você também. Bom, e assim nós vamos concluindo essa entrevista com o Jeferson Souza.
Atenção a essas sinalizações que traz a China, reduzindo ou restringindo as suas as suas exportações GNP, voltando a exportar MAPDAP. porém, de forma também restrita. Atenção que o mercado de fertilizantes, fora essa decisão da União Europeia versus Rússia, muita atenção a isso também.
Mercado de fertilizantes se redesenhando mais uma vez. Assim a gente conclui essa parte da nossa programação, te convidando a assistir na sequência Pecuária e Mercado com Alexander Horta. A nossa programação volta já já.
Continue conosco.