Narrativas. Compartilhar isso é um prazer, então, de continuar ouvindo a produção. Denise, que agora vai falar da presença dela dentro da universidade enquanto professora, coordenadora e orientadora, e daí pra frente, então, máquina na instituição como docente.
Também teve grandes oportunidades e gratas surpresas. Ministrei, acho que até o momento, mais de 40 componentes, porque como a minha formação não foi em Letras, depois Pedagogia, especialização em Gestão, isso acabou me permitindo um transitar de vários componentes. Então, eu tive a oportunidade de assumir outros componentes além daquele que inicialmente fui contratada, que foi didática.
Por isso, quando você olha o meu currículo, ele foi por Gestão, Administração, leitura, alfabetização e letramento. Não é porque eu pude transitar aqui na instituição. Fui e sou sempre também muito lembrada como para mim, “FIFA” ou como professora homenageada.
Isso, pra gente, é muito gratificante, né? Porque significa o reconhecimento do nosso trabalho e, às vezes, a gente até se surpreende, não é? Porque sou muito exigente quanto às avaliações, quanto às datas, ao cumprimento daquilo que foi estabelecido e não abro muito espaço para que sejam descumpridas aquilo que foi combinado.
Eu sempre falo pra eles que a vida exige certas disciplinas, certos limites. Então, na formação, não pode ser diferente, né? Se não for assim, aqui a vida vai exigir.
Então, às vezes eu digo: "Nossa, esses alunos vão me odiar, esses não vão querer nunca mais me ver. " E, às vezes, eu me surpreendo no final de um ciclo, de um semestre ou do curso deles, com o convite. Então, isso é muito bom!
Ter a gente, né? Reanimada, é ânimo da gente entender que esse é o caminho. Talvez seja esse mesmo o caminho e a gente persistir naquilo que acredita.
Acredito muito na educação, sim, como uma forma de transformação. Já tive belíssimas oportunidades de conhecer trabalhos também, daí como coordenadora, que também tive o prazer de atuar no curso de Letras e substituir o professor Roberto Abril, que era o antigo coordenador. O que também não foi fácil, porque foi um excelente e atuante coordenador.
Então, foi um desafio muito grande. Eu estava trabalhando didática para multimídias no curso de Letras e teve a vaga, pois o professor já tinha cumprido os oito anos, que é institucionalmente o limite pra estar na coordenação de um curso. A vaga ficou em aberto e foi aí que me candidatei, acabei sendo escolhida pelos pares.
Então, muita honra, mas ao mesmo tempo, também nova ansiedade de não saber se daria conta ou não desse novo desafio. Mas foi assim, encantador. Eu também me lembro da forma como fui recebida por você, Roberto, principalmente, em um lindo buquê de flores vermelhas e um cartão de boas-vindas do colegiado, que também me fez acreditar que ali eu poderia semear e colher muitos frutos.
E foi o que aconteceu. Na Dias, que foi 2011 até agora, 2019, agora que tivemos a nova escolha, que veio a professora Daniela Vendramini Zanella, que também está fazendo um trabalho excepcional, brilhante, muito envolvida. Então, a gente é feliz.
Isso é muito bom. Assim, também, eu tive sempre mãos estendidas dos colegas do Roberto Gil, que saiu da coordenação para fazer esse momento de transição. Nós iríamos receber bem próximo uma visita do MEC e contei com a participação de todos, o empenho de todos pra que essa visita fosse bem-sucedida.
Tivemos a felicidade de, na avaliação, termos a nossa máxima nota, no curso, que até hoje ainda consta lá nos registros do MEC como nota 5. O nosso curso! Então, esta possibilidade de poder participar desse momento também foi indescritível, foi muito bom conseguir deixar esta marca no curso que até hoje está lá presente.
Outra coisa que, institucionalmente, atualmente eu faço aqui, né? Estou coordenando, institucionalmente, o PIBID, que é um programa de iniciação à docência, que faz uma parceria com as escolas públicas, que também foi um vínculo que eu acho importante a instituição não perder, inclusive para fortalecer o tripé: extensão, formação e pesquisa, que é o tripé da universidade. Então, essa aproximação do aluno com o que é o público, esse referencial, eu acho fundamental.
É um programa do MEC, CAPES. Então, a gente tem trabalhado com as licenciaturas, é um programa das licenciaturas. No momento, estão envolvidos os cursos de Pedagogia, História e Arte.
Os espaços são pequenos, o número de vagas também é pequeno. Então, conseguimos alocar só esses três. Estamos na expectativa de que, no próximo ano, a gente consiga ampliar isso, se as nossas políticas educacionais se encaminharem para a continuidade desse projeto.
A nossa expectativa, o nosso sonho e o nosso desejo por acreditar que isto é um momento importante, interessante para os nossos alunos, para a instituição e para a escola pública. Uma outra questão que também aconteceu durante a minha trajetória aqui da instituição: eu continuei, como eu disse, eu nunca tive o meu vínculo com aquilo que era público. Acho que a gente tem que trazer esse referencial aqui pra dentro da instituição.
Então, eu continuei fazendo concursos, até porque também queria galgar novos espaços, não só como docente, coordenador. Uma função. Eu fui assistente técnica pedagógica da parte de informática da Diretoria de Ensino e depois eu prestei concurso para diretor e para supervisor na mesma época e fui chamado, na mesma época, na segunda-feira, pra diretor, que eu já tinha feito apenas substituições na Escola Joaquim Izidoro Marins.
E, na terça, como supervisora. Então, escolhi, na segunda-feira, como diretora, porque não sabia como é que ficaria a vaga mesmo para supervisão. Eu não podia sair de Sorocaba pelos meus vínculos empregatícios, né?
Já que isso ia ser um dilema se eu precisasse sair, e na terça eu fiz a escolha. Só que, também de novo, felizmente escolhi Sorocaba entre as dez vagas que existiam aqui. Então, acabei de novo escolhendo na supervisão aqui na Diretoria de Ensino de Sorocaba.
Aí consegui ver isso. Eu permaneci na supervisão de ensino de 2012 a 2018, quando completei 34 anos e meio em março, na função de docente vice-coordenadora do CEFA. Coordenadora pedagógica da escola, assistente técnica pedagógica.
Aí me aposentei em março de 2018 na rede pública estadual como supervisora de ensino. E aí, agora, me mantenho aqui na instituição, mas sempre lembrando desses momentos, que são momentos dessa escola que é a nossa razão. Inclusive, nós formamos alunos para a escola privada, mas eu sempre me reporto a eles, dizendo que os que estão na escola pública precisam de uma referência, precisam de horizontes abertos, e muitas vezes é na escola que eles encontram esse espaço.
Então, abram esse espaço, deixem os alunos voarem; não é pelas asas que vocês podem dar. Então, é isso que eu espero que eles consigam, né, com as minhas mensagens, com as minhas aulas, levar adiante. Porque eu acho que é isso que fica pra gente, né?
Nos nossos alunos do curso de Letras, nós temos alunos protagonistas, alunos que são exemplo hoje e que despertam nesses momentos de estar conosco. Aí eu acho que todas as oportunidades devem ser dadas enquanto eles estão no curso para que eles sintam que são capazes. Eu acho que isso é muito importante, que eles percebam que podem e que, com isso, também multipliquem e dividam este poder com outros que necessitam.
Bom, a gente percebe muito a questão desses momentos em que você se sente muito feliz. E a gente percebia as duas Semanas de Letras e outras atividades que você sempre fez, né? Desenvolveu, mas a sua presença nas semanas sempre muito forte, com muita alegria, e principalmente na área da presença da arte.
Assim, eu acho que queria dizer sobre isso: eu acho que todas as linguagens precisam estar presentes na vida do aluno. O aluno é um ser integral, e todos os indivíduos não somos. Então, precisamos desenvolver, precisamos abrir espaços.
Muitas vezes, aquele aluno já tem um dom; ele tem alguma coisa que ele poderia mostrar para os outros, mas fica tímido e acha que não é tão interessante. E eu acho que esses momentos de partilha fazem o aluno se abrir, desabrochar. Eu sentia isso nos eventos, nos diálogos que eu mantinha e ainda mantenho com eles.
Virtualmente, ou até mesmo alguns ainda me procuram nos corredores para falar de sonhos, para falar de talentos mesmo, mostrar uma poesia, uma canção, uma composição. Então, isso pra mim era muito, muito gratificante. Eu sempre curti muito os eventos, né?
Desde o momento de planejamento que eram feitos, também a partilha com os alunos, mas sempre muito ponderada, também sempre com muito limite, sempre com muita disciplina. Será que eles soubessem que as responsabilidades que eles assumissem precisavam ser seguidas até o final para que a gente tivesse um sucesso e para que se sentissem satisfeitos ao final do processo, como alguma coisa que valeu a pena. E eu acho que valeu muito a pena todo o seu interesse pelo olhar, também perceber que sempre você esteve presente, também à mesa.
Poder chorar, e mesmo que não era a atividade, você estava dando aula, por exemplo, de pedagogia, mas fazia questão de vir assistir às peças, às montagens teatrais que eles faziam. Assim, sempre, nos momentos em que eu não tinha aula, já tinham dias que seriam dias livres que eu não teria aula, nem em um curso, nem no outro. Eu, quando podia, estava presente, sim, para acompanhar aquela alegria, aqueles momentos que eram muito significativos pra mim.
Filhos indicativos! Também essas atividades teatrais com zelo. Essa visão sobre a minha visão, eu acho que eles ainda fazem, inclusive, esses depoimentos, né?
Que as atividades teatrais auxiliam, inclusive, nas aulas que eles vêm a assumir posteriormente, né? Na forma como eles ficam mais desenvoltos, eles sabem se posicionar melhor, eles sabem enfrentar um público, o que não é muito fácil. Inicialmente, eles tinham até uma certa resistência a esse tipo de proposta, esse tipo de atividade, mas depois que passam por esse processo, esses momentos, eles sempre avaliam como sendo positivos.
Porque, além de conhecerem um pouco da cultura, da arte, através dos autores, enfim, do que seja proposto para eles trabalharem, ainda têm esse outro aprendizado, que é conviver no grupo, respeitar as diferenças, respeitar os ritmos e os limites, a diversidade que existe no grupo e que eles precisam transitar para poder ter uma boa apresentação. E ainda essa desenvoltura que eles conseguem depois, até profissionalmente, a partir dessa experiência que têm. Então, todos eles fazem relatos positivos.
Você mencionou que eu já fiz várias orientações de trabalho de conclusão de curso, e em alguns dos temas eles voltam a fazer esse tipo de colocação e até pesquisam o quanto isso é atual. Estou fazendo a orientação de uma discente do curso de Letras que está fazendo uma análise, inclusive a respeito disso, dos ganhos de se ter como estratégia também de trabalho e a parte de atividades teatrais, né? Para metodologicamente, né, o que se tem diz de danos.
Inclusive, ela pretende fazer uma parte da entrevista com os alunos do curso de Letras para que eles façam esse tipo de registro também e ela transforme isso em pesquisa. É, a Raíssa já terminou quase que todos os créditos; ela está fazendo exclusivamente. O trabalho de conclusão de curso: ela veio só para fazer o trabalho de conclusão de curso por causa do tempo dela.
Então, ela vai estar finalizando, já acho que já vai fazer essa etapa agora da entrevista. Estamos assistindo a essas apresentações e, em algum momento, assim, de alguma coisa que falei pra você: olha, são tantos momentos, né, e significativos. Mas eu acho que a acolhida que os nossos alunos fazem nos momentos de recepção, né, dos novos amigos, isso pra mim é muito significativo.
Então, nós tivemos, não, acho que foi em fevereiro deste ano, né, que nós tivemos um circo, uma roda de conversa com esses momentos de relatos dos nossos alunos em relação ao que fizeram, como fizeram e quais foram os momentos deles na instituição. E essa troca com os que estavam chegando, eu acho isso assim fundamental; é a forma como são acolhidos. Nós temos os alunos que se mantêm juntos, né, em junções de anos que não são os mesmos, é porque o nosso curso é modular.
E, às vezes, é imperceptível você identificar ali quem é de qual período, de tão “intrusa” que estão as relações. Eu acho que isso se dá por esses momentos que são feitos de entrosamento, de acolhimento, de propostas de atividades que são feitas com a participação de todos, indistintamente. Então, eu acho isso muito significativo.
Mas teve muitos momentos emocionantes, né, de apresentações, com poesia, com música, com pessoas convidadas que me marcaram bastante, a presença da Dóris mesmo com o balé. Eu acho que também a gente precisa olhar, né, para aqueles que estão num momento que precisa também haver esse olhar para aqueles que precisam da inclusão, mas a inclusão verdadeira, não esta que é a aparente. Então, eu acho que os espaços precisam estar abertos para todos.
Bom, a gente já percebeu a sua paixão por tudo aquilo que você faz, não é? Ser professora. Então, queria que você falasse, para finalizar, o que é ser professora para você.
Bom, pra mim, ser professora, diante da minha trajetória, como vocês viram, acho que eu não tive outro caminho. Foi a minha escolha. É ter a possibilidade de dar asas, como eu disse, àqueles que já sabem voar, mas que não sabem o quanto podem alcançar de espaços novos nesses voos.
Então, educar, pra mim, ser educadora, é dar asas para aqueles que já sabem voar. Denise, eu queria aproveitar esse momento para agradecer. É, tudo que aprendi com você foi uma delícia durante todo esse tempo que estamos trabalhando juntos, né?
E por esse momento, durante a sua coordenação, partilhar com você, porque você sempre esteve pronta para tudo que a gente falava, tudo que a gente propunha. Você estava pronta para levar adiante, e com alegria, com esse mesmo resultado agora. Então, tem muita coisa pra dizer pra você, mas eu queria dizer isso: gratidão.
A minha gratidão pelos alunos que você tem cuidado enquanto os alunos passaram por suas mãos, e muitos que você nem percebeu. Então, a gratidão por essa grande educadora que você é. Que Deus a abençoe.
A licença para com narrativas compartilhadas agradece você ter vindo até aqui e acreditado nessa proposta de contar um pouquinho da sua história, contar a história de cada um, e você contou. Estar de montagem com Jon Hamm, então a minha enorme gratidão. Muito bem, o que é isso aí?
Olha, não poderia ser contado sozinha, porque a gente não faz história só. Muito obrigado! E você, assim, seja e até a próxima!