[Aplausos] [Aplausos] eu tinha uns 20 e Poucos anos e eu tava numa crise de identidade terrível eu tranquei a faculdade e fui trabalhar foi meu primeiro emprego eu trabalhei numa loja de óculos de sol e trabalhar nessa loja de óculos de sol foi super legal eu trabalhava com pessoas super bacanas aprendi demais assim mas eu sabia que eu não queria tipo seguir carreira no comércio e eu sinto que eu sabia tudo que eu não queria mas mas eu não não tinha a menor ideia do que eu queria eu não tinha plano E aí um dia
conversando com um amigo meu inclusive Gui se você tiver vendo isso um beijo ele me disse assim por que que você não faz um curso de teatro Por que que você não entra num curso de teatro nunca tinha tido nenhum envolvimento com o teatro Não era nem uma pessoa que frequentava teatro nunca nunca tinha sei lá não sei da onde ele tinha tirado aquilo e aí ele me falou assim eu acho que você precisa fazer alguma coisa diferente você precisa experimentar alguma coisa que você nunca experimentou você precisa sair da sua zona de conforto não
necessariamente para seguir uma carreira de teatro mas assim experimenta coisas e e fui e me inscrevi no num num curso de teatro enfim mas essa não é uma história sobre como eu me encontrei no teatro porque eu não me encontrei no teatro isso é papo para outra hora o ponto é que o contato com esse universo me provocou de diversas formas e a coisa mais importante que eu acho que eu aprendi nesse processo eh de me envolver com teatro foi que até aquele ponto da minha vida Eu tinha entendido tudo errado sobre criatividade e isso
de certa forma tava me limitando como pessoa e essa acabou sendo e uma das das muitas experiências que me fizeram pensar sobre o papel da criatividade o que de fato significa ser uma pessoa criativa com esse papo aqui eu quero desafiar algumas ideias que a gente tem sobre criatividade primeiro porque eu não acho que essa tem que ser uma discussão acadêmica ou restrita um círculo de pessoas que trabalha ali numa indústria da criatividade ou algo assim segundo porque eu tenho plena certeza que pessoas comuns Como eu como você a gente tem muito a ganhar se
a gente começar um exercício para desbloquear Nossa criatividade antes eu queria te fazer uma pergunta e queria que você refletisse sobre ela como você define criatividade assim debate pronto eu não quero que você pesquise no go Google abra um livro pergunte para alguém é o que você pensa agora nesse exato momento guarda isso guarda isso que você pensou e a gente já volta nessa pergunta top três mentiras sobre criatividade criatividade é coisa de artista nos anos 50 tinha um jogador de futebol chamado Didi era um jogador brasileiro e aí o Didi machucou tornozelo no jogo
e aí ele teve que fazer um tratamento ali para se recuperar e tal e nesse processo de recuperação ele começou a ir pro treinar com bola tal só que ele tava sentindo dificuldade de bater na bola do jeito que ele sempre bateu naquela época Geralmente a galera batia de de chapa né que a gente fala com essa parte interna do pé ou com o peito do pé ou tava um biquinho na bola enfim ele começou a fazer uns testes assim experimentar alguns jeitos diferentes de bater na bola até que ele encontrou um jeito assim que
deu super certo ele bateu com os três dedos de fora do pé daquele jeito ele conseguia bater na bola sem sentir o incod da dor num tornozelo e ele viu que a bola pegava um efeito legal ela ela tinha uma ascensão e uma queda que fazia com que ela tivesse um movimento meio imprevisível assim e quando você batia desse jeito pro gol a bola ficava meio que indefensável sabe foi assim que nasceu o chute de três dedos ou o chute folha seca porque enfim o nome folha seca vem dessa ideia de que na queda a
bola faz um movimento imprevisível como uma folha quando cai de uma árvore ela não cai direto ela ela faz um movimento ali que você não sabe exatamente onde ela vai cair hoje esse jeito de bater na bola é ensinado aí em escolinha de futebol enfim todos os grandes craques profissionais da Bola sabem e bater desse jeito na bola enfim virot técnica o Didi tinha um problema e aí ele começou a investigar um jeito de contornar aquilo Ele criou uma solução eu acho que a criatividade ela tem muito a ver com isso muito a ver com
a capacidade humana de criar soluções quando a gente fala em criatividade no fundo a gente tá falando sobre como uso da imaginação da experiência da intuição e da curiosidade pode transformar coisas que já existem coisas totalmente novas eu citei um exemplo do esporte mas a gente vê isso Sei lá na ciência por exemplo descobertas inovações elas vêm justamente desse processo de fazer uma experiência de testar de investigação no teatro eu aprendi que por exemplo interpretar uma personagem tinha muito a ver s sobre trazer algo da minha bagagem da minha experiência mas juntar isso com aquele
universo que era novo para mim que era o universo daquela personagem eu tinha que estudar a personagem eu tinha que investigar essa personagem para entender as motivações dela o contexto dela que podiam ser completamente diferentes daquilo que eu vivia isso me ensinou muito sobre escuta para entender as pessoas me ensinou sobre senso crítico para entender contextos e me ensinou muito também sobre imaginação e para gerar soluções a gente precisa da chave certa para abrir cada porta ou seja dá solução certa para cada tipo de problema mas quando a gente não tem alguma chave específica em
determinado momento a gente pode usar uma chave mestra que abre diversas portas a criatividade Talvez seja justamente essa Chave Mestra criatividade é um dom você tem que nascer com isso pensa no escritora ou num escritor de qualquer gênero literário de qualquer época de qualquer lugar de qualquer tamanho escritor escritor Independente bestseller de fim de semana enfim eu te garanto que essa pessoa não nasceu sabendo ler e escrever ela passou pelo processo mínimo de alfabetização que qualquer pessoa que teve acesso a esse processo passou e sim aqui a gente tem que pontuar né que existem estruturas
de Privilégio que fazem com que algumas pessoas tenham acesso a determinadas coisas e outras pessoas não que é mais fácil para algumas pessoas ter êxito em determinadas áreas e enfim do que para outras pessoas mas eu não tô falando de sucesso eu tô falando de técnica escritoras e escritores em geral toda pessoa escritora já passou pelo processo de fazer muito rascunho de rascunhar e rascunhar nada mais é do que experimentar Mil Formas de dizer a mesma coisa essas pessoas rascun elas leem bastante outras pessoas ou releem os próprios textos também enfim elas fazem uma investigação
dentro da escrita não é simplesmente inspiração que cai do céu e aí que tá meu ponto competência é processo não é que você não é uma pessoa criativa você pode não estar sendo uma pessoa criativa hoje mas a criatividade Ela não é uma coisa fixa ela não é imutável inclusive assim como ela pode ser desenvolvida com os estímulos ceros ela pode involuir seja pela falta de estímulos ou pelos estímulos errados pausa pra passagem do gato eu definiria explorar como se colocar em contato com aquilo sobre o que você tem muitas perguntas é um conjunto de
coisas que você pode aprender sobre já a curiosidade ela é um impulso que direciona o olhar da gente para além daquilo que é visível para além daquilo que está visível para nós em determinado momento sem a a curiosidade a gente fica com o nosso olhar fixado naquilo que a gente já conhece aí a gente fica sem repertório E aí quando eu falo de repertório Eu não falo só sobre conhecimento formal eu falo também sobre e memórias pessoais percepções Sensações coisas que moldam a gente que desenvolvem a nossa personalidade tem um livro cadê cadê cadê cadê
Por que generalistas vencem em um no mundo de especialistas Eu acho esse título horrível porque fica parecendo que é uma daquelas autoajuda baratas ou papo de coach enfim mas o conteúdo é legal o autor vai falar sobre como em um mundo cada vez mais especializado ou seja em que as pessoas procuram cada vez mais rápido serem é referência em um assunto específico em serem super experientes em uma coisa as pessoas com uma variedade de experiências e conhecimentos que ele vai chamar aqui de genera vistas se destacam por frequentemente abordar problemas de uma forma criativa não
é que o livro desvalorize a especialização mas ele sugere ali que a especialização e a generalização tem os seus lugares e o valor de cada uma vai depender do contexto o David Einstein que é o autor ele vai e argumentar que a especialização ela é muito bem-vinda em contextos que são pouco flexíveis e que que são assim são pouco sujeito a imprevistos já a generalização ela é muito vantajosa em contextos imprevisíveis em contextos mais complexos onde a adaptação a capacidade de adaptação ela é fundamental e ele cita medicina como um desses Campos que é complexo
e imprevisível o que parece que não faz sentido mas faz muito sentido porque se você pensar muitas vezes Profissionais de Saúde precisam tomar decisões rápidas com pouquíssima informação ou com informações ambíguas no caso de uma emergência médica por exemplo outra coisa que esse livro vai valorizar bastante é o aprendizado lento ele vai falar sobre como um processo de aprendizagem que acontece de uma forma mais vagarosa cheia de desafios pode acabar no fim gerando um tipo de compreensão um tipo de conhecimento mais profundo e mais flexível E aí um grande exemplo de aprendizado lento é o
músico John contrain ele é um grande de ícone do jazz e ao contrário de prodígios da sua época o Colin teve um aprendizado musical mais lento ele não não era um prodígio então ele levou anos estudando praticando experimentando tendo contato com diferentes Vertentes musicais e acabou que no fim ele desenvolveu um estilo único esse processo lento fez com que o col trin tivesse um conhecimento mais profundo e mais amplo sobre o universo musical e ele acabou causando uma revolução no jazz eu trago esse livro porque antes de ler ele eu eu tinha muito essa crise
de tipo cara eu tô perdendo muito tempo eu não sei o que eu quero eu tô experimentando muitas coisas e e não sou especialista em nada e não tenho uma carreira e não sei quê mas o que eu não percebia é que no meio desse caos e desse processo todo de crise eu tava e criando um arcabouço de conhecimento super diverso eu não sou um gênio tá eu não sou tipo tipo um J cont train na vida mas eu vejo principalmente hoje é como esse essas indefinições que me levaram a ter contato com muitas coisas
diferentes nada a ver umas umas com as outras é algo positivo parece que não vai levar a lugar nenhum mas a gente termina e chega olha para trás e fala Caraca tem algo que eu criei que é duradouro isso é conhecimento restrições limitam a criatividade Essa é polêmica eu atualmente é sou designer instrucional basicamente eu crio e materiais conteúdos instrucionais que servem para apresentar eh informações de de uma forma palatável para facilitar o processo de aprendizagem das pessoas e aí uma vez eu tive uma transição dentro da na empresa em que eu atuava e enfim
eu troquei de time então eu troquei de gestora e a minha nova gestora ela eh falou que no começo ela teve uma preocupação de que eu não fosse me adaptar ao time porque ela tinha conversado com a minha antiga gestora e a minha antiga gestora tinha dito para ela que eu era uma pessoa muito criativa o novo time da minha nova gestora era um time que tinha processos de trabalho super bem estruturados e na cabeça da minha nova gestora é por eu ser uma pessoa criativa eu era essa pessoa que trabalhava mais nesse fluxo caótico
de trabalho que eu era Rebelde pois regras não se aplicam a pessoas criativas vamos pensar em pintura vamos pensar em grandes pintores e grandes pintoras da história a vida de alguma dessas pessoas podia assim ser meio caótica mas se você for pegar a história dessas pessoas desses artistas inevitavelmente todas essas pessoas trabalharam sobre rígidas restrições seja restrição a um formato específico seja restrição a uma paleta de cores H um estilo a um tema uma escola processo criativo dessas pessoas n nunca foi caótico e é justamente dentro desses confinamentos formais que essas pessoas produziram obras únicas
algumas até redefiniram Convenções se eu te der papel e uma infinidade de materiais e disser para você desenha alguma coisa agora qualquer coisa é muito possível que você vai paralisar justamente porque tem muitas possibilidades tá muito aberto mas se eu te disser desenha uma cena que se passa e num fé no centro de São Paulo em ã 1995 já é mais específico E aí é possível que dentro dessa restrição você consiga avançar um pouco ali nesse desenho e aí voltando pro meu trabalho e o design instrucional ele não é um processo aleatório existem teorias existem
metodologias existem formatos específicos por exemplo e geralmente a gente trabalha com algo que a gente chama objetivos de aprendizado os objetivos de aprendizagem são declarações daquilo que a gente quer que as pessoas sejam capazes de executar depois de passar por aquele curso por aquela atividade então ali geralmente a gente define de três a cinco objetivos de aprendizagem bem específicos e a gente tem que criar o conteúdo em torno daquilo a gente não pode ir devagar a gente não pode sair dali e outra coisa a gente não pode ensinar tudo sobre um assunto PR as pessoas
então a gente faz um recorte que determina ali um aprendizado mínimo que ela precisa ter naquele momento E aí Justamente esse esses limites é que dão um Norte pra nossa criatividade dentro desse processo de elaboração de um conteúdo institucional E aí enfim quando minha minha nova gestora Entendeu o meu trabalho entendeu como é que eu funcionava e tudo mais ficou tudo bem E ela viu que trabalhar dessa forma bem sistematizada como o time dela trabalha mais me ajudaria do que me atrapalharia Mas eu não quero também aqui Romantizar a coisa e dizer que todo tipo
de restrição todo tipo de limitação é positivo eu não tô colocando aqui nesse pote restrições limitações que colocam alguns processos dentro da precariedade muito menos de restrições limitações opressivas tô falando de regras formais sistematizações de processos enfim coisas que ajudam a delinear melhor um círculo dentro do qual a gente pode trabalhar ok a gente analisou algumas e concepções que eu Julgo que são equivocadas sobre criatividade E aí eu quero voltar naquela pergunta que eu fiz lá no começo como você define criatividade ou melhor como você define criatividade agora depois dessa conversa eu queria te ler
queria saber o que você pensou antes o que você tá pensando agora manda aí nos comentários aqui embaixo ao invés de você se perguntar eu sou uma pessoa criativa você pode se perguntar como que eu vou usar a minha criatividade hoje e se quiser continuar papeando comigo se inscreve nesse canal é o próximo café esse Aqui esfriou eu falei demais Esqueci de tomar o café e foi enfim