Olá, meus amigos, tudo bem? Bom dia! 3 de janeiro.
Vamos para mais uma meditação estoica hoje sobre ser impiedoso com as coisas que não importam. Uma passagem selecionada de um livro que eu amo e recomendo muito para quem quer aprender mais sobre o estoicismo de maneira um pouco mais profunda: "A Brevidade da Vida". Existe um comentário sobre esse livro dentro da Sociedade da Lanterna, lá no espaço chamado Biblió, no qual nós fazemos leituras de diversos livros de Filosofia e não de Filosofia.
Adoro as reflexões do Cênica sobre a brevidade da vida. Passo então direto à leitura do trecho que diz o seguinte: "Quantos causaram danos em tua vida quando não tinhas consciência do que estavas perdendo? Quanto foi desperdiçado em pesar inútil, em alegria tola, em desejo voraz e conversas fúteis?
Quão pouco te foi deixado do que era realmente teu? Vais te dar conta de que estás morrendo antes da hora. " Os estoicos, nessa última fase, têm essa dimensão mais ética do estoicismo.
Eles têm essa característica muito forte de exigir de nós, ou pelo menos propor a cada um de nós, que avaliemos constantemente aquilo que nos aprisiona, aquilo que faz com que percamos tempo, aquilo que não importa de verdade na vida. No comentário dos autores, eles dizem que uma das coisas mais difíceis a se fazer na vida é dizer não. E daí, mais do que dizer não, eu diria que é importante selecionar aquilo para o que vamos dizer não: dizer não para tudo aquilo que é alegria tola, pesar inútil, desejo voraz desenfreado, que mais te escraviza do que te alavanca para uma condição melhor; conversas fúteis, idiotas, que não levam a lugar nenhum.
Quanto tempo você passa da sua vida dando refresh, atualização em sites de notícia para ver a desgraça do dia, perdendo um tempo horroroso, fofocando sobre elementos absolutamente inúteis da existência? Depois dizem: "A vida é muito curta. " O que quer dizer?
Não, ela não é curta quando vivida de modo adequado. A vida não é curta; ela é suficiente, ela é quanto basta. Mas quanto tempo nós perdemos sendo escravos de nós mesmos, de edições para lá e para cá?
Uma das coisas mais difíceis de fazer na vida é dizer não, dizem os autores, para convites, pedidos, obrigações, para as coisas que todos os outros estão fazendo, frequentemente nos escravizando. Com base no que a sociedade pede de nós, do que os outros pedem de nós, o que quer dizer? Por que eu faço o que eu faço?
Por que eu sigo o caminho que estou seguindo? Nunca parei para meditar um minuto a respeito disso. Mais difícil ainda é dizer não para certas emoções que requerem muito tempo, quais sejam: raiva, empolgação, distração, obsessão, lascívia.
Quanto tempo na vida nós perdemos com essas coisas? Nenhum desses impulsos parece ser muito por si só, mas quando descontrolados, tornam-se um compromisso como qualquer outro. Você fica comprometido com a raiva que sente, com o comportamento emocional que adota; você fica comprometido com uma natureza deletéria da sua existência.
O que está propondo aqui, ontem nós falávamos sobre o processo educacional, é que, por meio de um processo educacional, você saiba dizer não para uma série de coisas que tiram você de um caminho saudável de existência. Se você não tomar cuidado, essas são precisamente as imposições que dominarão e consumirão sua vida. Tem gente que passa a vida toda atrás de riqueza material e, aí, quanto mais riqueza material essa pessoa conquista, mais ela se torna escrava da necessidade de conseguir mais riqueza material.
Aquilo que antes soava a ela como suficiente deixa de ser suficiente. Você já viu alguém que ganhou dinheiro suficiente na vida e parou por ali? Não!
Só que aí advém a patologia, advém uma vida de escravo do sujeito que mal usufrui daquilo que conquistou porque, na verdade, ele está muito mais preocupado em não perder o que conquistou do que em adquirir mais e mais. E toda vez que ele conquista, ele já está esvaziado novamente. Esse é o sentido da vida.
Cuidado para não ser dominado e consumido por essas coisas. Você já pensou como pode recuperar parte do seu tempo? Como pode se sentir menos ocupado?
Comece aprendendo sobre o poder do não, como em: "Não, muito obrigado! ", "Não, isso não me interessa! ", "Não, eu sei que isso a maioria das pessoas deseja, mas não é o que eu desejo pra minha vida!
", "Não, eu não quero pra minha existência! ", "Não, eu não vou ficar preso a isso! ", "Não, simplesmente não posso neste momento!
" Isso pode ferir alguns sentimentos, talvez faça com que as pessoas se desinteressem por você. Isso pode exigir um trabalho árduo da sua parte, mas quanto mais você disser não a coisas que não têm importância real (só importância aparente), mais poderá dizer sim para aquelas que têm importância real, para aquilo que realmente pesa sobre a vida. Isso lhe permitirá viver e desfrutar a vida, a vida que você quer porque entendeu minimamente a natureza da existência, entendeu que nós somos seres efêmeros.
Você entendeu a escassez do tempo e entendeu a melhor direção, o melhor sentido a dar a essa existência escassa. Seja impiedoso com as coisas que não importam. Abraços para vocês, pessoal!
Um excelente dia e até amanhã!