Olá, pessoal, tudo bem? Esse vídeo é uma iniciativa do Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB-UFMG Juntamente com os monitores das disciplinas. E o tema do vídeo é: o olfato Assim como o paladar, o olfato também é um sentido químico E responde às diferentes moléculas odoríferas presentes no ambiente. Esse sentido está presente na maioria dos seres do reino animal Tanto invertebrados, como as moscas, quanto invertebrados, como peixes, aves, nós (humanos) e em cães, Sendo esses últimos, animais que apresentam uma sensibilidade notável para esse sentido Erroneamente, costumamos referir ao olfato como um sentido que interpreta a
presença de moléculas no ar Mas animais aquáticos também possuem olfato Nesse caso, o olfato desses animais percebe a presença de moléculas dissolvidas na água Apesar do fato desse sentido ser considerado o mais primitivo entre os seres vivos Ainda é um dos sentidos cujo processamento é menos entendido devido à sua grande complexidade O olfato permite a localização de alimentos e a percepção de quais estão impróprios para o consumo A identificação de parceiros reprodutivos em alguns animais Além de auxiliar na detecção de situações perigosas, em respostas emocionais e na lembrança de memórias passadas As principais células responsáveis
pelo olfato são os receptores olfativos localizados na mucosa olfativa, região especializada da nasofaringe E é o número de receptores olfativos que conferem a maior ou menor sensibilidade do olfato Os humanos, por exemplo, possuem cerca de 10 milhões dessas células Enquanto linhagens especializadas de cães farejadores podem chegar a possuir por volta de 4 bilhões de receptores Um número 400 vezes maior e que confere a esses cães uma capacidade olfativa incrível Esses quimiorreceptores olfativos são neurônios e possuem vida curta, sendo substituídos, em média, a cada 60 dias E por isso são considerados os únicos neurônios periféricos que
se regeneram continuamente Vamos agora entender como se dá o processo de percepção do olfato Moléculas odoríferas são apresentadas para a mucosa olfativa pelas correntes de ar que entram pelas narinas ou a partir da cavidade oral quando nos alimentamos A mucosa controla tanto a temperatura quanto a umidade do ar com que entra em contato Uma vez que a manutenção desses fatores em níveis estáveis favorece uma melhor percepção dos odores Além disso, glândulas presentes no trato nasal produzem muco Que recobre o epitélio olfativo e tem a função de proteção das células ali presentes É esse muco também
que capta as moléculas odoríferas que chegam ali É importante notar que os quimiorreceptores olfativos presentes nesse epitélio apresentam pequenos cílios que adentram o muco que os recobre E é nesses cílios que as moléculas odoríferas que foram captadas pelo muco se ligam a proteínas da membrana das célula Que são sensíveis a tipos específicos de odor Agora podemos entender porque perdemos partes da capacidade olfativa quando estamos resfriados Um dos sintomas do resfriado é a maior produção de muco no trato nasal E com uma camada mais espessa de muco recobrindo o epitélio Uma menor quantidade de moléculas do
ar consegue chegar até a membrana do quimiorreceptor Pelo funcionamento da sinalização dos receptores, podemos notar que o sistema olfativo se assemelha muito ao paladar Uma vez que moléculas do meio se ligam às proteínas de membrana dos quimiorreceptores e promovem a despolarização dessas células Mas esses dois sentidos possuem uma grande diferença Enquanto o paladar consegue perceber 5 tipos principais de moléculas O olfato distingue muito mais Vamos tomar como exemplo o olfato humano O genoma humano possui genes para a produção de cerca de 1.000 receptores odoríferos E desses 1.000, 350 são traduzidos em proteínas funcionais Cada subpopulação
de quimiorreceptores do epitélio olfativo apresentados anteriormente possuem uma dessas proteínas em sua membrana Dessa forma, percebemos que possuímos em nosso epitélio olfativo cerca de 350 subpopulações de quimiorreceptores sensíveis a moléculas diferentes Isso significa que o nosso olfato consegue perceber um número de moléculas 70 vezes maior quando comparado ao nosso paladar Que percebe apenas 5 Sendo, portanto, um sentido de muito maior resolução Por essa razão, o olfato acaba por atuar também no fornecimento de qualidades sutis do gosto Aumentando a estreita faixa de percepção gustativa A partir dos receptores, a próxima etapa da via de processamento dos
estímulos é o bulbo olfativo Que é uma parte especializada do córtex contendo neurônios excitatórios, chamados de células mitrais Os dendritos dessas células mitrais do bulbo olfativo são longos E se ramificam para formar o componente pós-sináptico de estruturas chamadas de glomérulos olfativos Os glomérulos são as regiões em que todos os quimiorreceptores sensíveis a uma molécula específica se ligam a algumas células mitrais Dessa forma, os glomérulos centralizam os estímulos dos milhares de axônios aferentes Vindos do epitélio olfativo em um número menor de células, cada uma dessas respondendo a um tipo de odor diferente Esses neurônios, então, têm
a função de conduzir esse estímulo para as regiões de processamento do sistema nervoso central É no bulbo olfativo, também, que ocorre um processo que é bem comum em vários dos sistemas sensoriais O processo de inibição lateral Os interneurônios inibitórios dessa região fazem a conexão entre os dendritos de uma célula mitral com a de outra Dessa forma, quando uma das células mitrais apresenta maior atividade Os interneurônios atuam inibindo as células adjacentes que estão envolvidas na percepção de moléculas diferentes Isso acentua o contraste dos estímulos e melhora nossa percepção Os axônios das células mitrais deixam o bulbo
olfativo e entram nos tratos olfativos A partir daí, suas conexões ficam cada vez mais complexas, e, por isso, não entraremos em muitos detalhes Um fato interessante é o de que a via de processamento olfativo se divide em duas quando se aproxima da base do cérebro Uma dessas vias, a Estria Olfatória Lateral De forma similar às vias de todos os outros sentidos, passam pelo tálamo A região do cérebro que atua na amplificação de um sentido quando estamos prestando atenção nele Enquanto inibe os outros em que não estamos atentos Mas o olfato é o único sentido que
possui uma via independente do tálamo Essa via, chamada de Estria Olfatória Medial, se comunica diretamente com regiões do Sistema Límbico Como o hipocampo e a amígdala E é por esse motivo que respostas emocionais e memórias São mais facilmente trazidas à tona por estímulos olfativos do que outros tipos de estímulos sensoriais E isso pode ser bem perceptível quando sentimos nojo imediatamente após cheirarmos um alimento estragado Ou quando nos lembramos de um momento passado longínquo apenas por sentir algum cheiro familiar Muito obrigado!