[Música] então genericamente a gente pode dizer que a falácia ela é um erro argumentativo só que existe uma série de formas diferentes de se errar né uma argumentação Você pode ter por exemplo um erro no argumento você pode ou seja interno ao argumento Você pode ter um erro no seu ato de argumentar Ou seja você pode por exemplo durante uma discussão eh pegar uma arma e ameaçar a pessoa de morte veja que aí o problema eh não é o argumento em si mas é o contexto no qual se dá argumentação Será que isso é uma
falácia também n Você tem o o que os modernos cham de AD baculum seria um argumento baseado na ameaça será que isso é uma falácia também será que isso é um argumento também então a gente precisa delinear melhor o que que é um um uma falácia Que tipo de erro específico que se se classificaria como uma espécie de falácia porque não pode ser qualquer espécie de erro que acontece num contexto de uma argumentação por exemplo um erro gramatical a exposição acontece no contexto de uma argumentação e assim por diante e então eh a noção de
falácia ela foi sendo desenvolvida né o Aristóteles no livro eh refutações sofísticas ele dá ali pr pra gente boas pistas do que seria uma falácia só que durante a idade média esse conceito ele foi sendo mais refinado e distinguido de outros fenômenos que são parecidos mas que não são exatamente uma falácia então aqui eu quero trabalhar com com uma definição mais próxima do que o pseudo Santo Tomás porque a gente não sabe se foi realmente Santo Tomás dá ali no seu livro de faltis a falácia ela é né um tipo de argumento que possui um
defeito formal com aparência de validade então o que que nós temos nessa definição aqui um argumento certo ok Tem que existir um argumento se não tem um argumento não é uma falácia um defeito formal vamos já entender exatamente o que é isso mas ok Um defeito um erro um problema e acompanhado de uma aparência de validade Então veja se for só um defeito for se for só só um erro no argumento não é uma falácia ainda tem que ser uma coisa que parece eh ser válido ser verdadeiro ser bom ser correto mas não é inclusive
falácia vem do latim falax que significa engano né a noção de enganar tem tem isso o engano necessariamente ele ele Envolve você parecer uma coisa e ser outra aqui nós temos então dois pilares fundamentais da falácia o primeiro Pilar é o que a gente chama do princípio motivo o princípio movente né O que que é princípio aquilo que dá início aquilo que causa motivo de mover mesmo então aquilo que move move o quê move a pessoa o oponente a conceder acreditar num argumento o Padre Álvaro caldeirão vai dizer né que toda falácia tem que parecer
verdadeira porque o erro ele Não convence por si próprio da mesma forma como em filosofia moral a gente pode dizer que o mal Não convence por si próprio né ninguém peca porque pecar é ruim não tem tem algo de bom no pecado tem algo de prazeroso no pecado algo de agradável por isso que as pessoas pecam Então são com essas artimanhas que o diabo vai mover a pessoa a cometer erros a pecar a ofender Deus do mesmo modo o erro por si mesmo Não convence ninguém ele precisa est disfarçado de verdade de acerto por isso
que isso que nós chamamos de aparência de validade é o nosso princípio motivo é aquilo que vai mover o oponente acreditar na gente na gente no caso né o o argumentador falacioso o sofista etc e o segundo elemento é o princípio defectivo né o princípio de defeito que é efetivamente o defeito formal ali presente maravilha agora eu quero aprofundar um pouco mais nessa nessa definição vamos decompor cada um dos elementos aqui dessa definição cada uma das partes dessa definição Tá então vamos lá vamos vamos decompor essa definição e vamos entender melhor ela tá argumento Vamos
trabalhar com essa primeira partícula da definição argumento existem o argumento ele é um fenômeno competo é concreto perdão ele tem uma série de de essências e acidentes vou dar um exemplo eu vi um podcast recentemente do professor Marcelo comburg melão Júnior e lá o professor Marcelo ele tava expondo a primeira vida de São Tomás Aquino Né tava tentando convencer o URG de que Deus existe então o argumento era um argumento de São Tomás não era um argumento de de do do professor Marcelo certo só que a forma como o professor Marcelo enuncia esse argumento é
uma específica ele enuncia isso num certo tom de voz ele utiliza certos apoios linguísticos específicos certas eh certas palavras específicas né ele usa recursos retóricos utiliza exemplos Explica decompõe as premissas etc essas coisas são o argumento de Sant Tomás não são né são particularidades que o professor Marcelo coloca no argumento do São Tomás então eh todas as coisas todos os aspectos exteriores ao argumento em si não são falácia por exemplo existem estratégias retóricas para convencer pessoas para persuadir pessoas se você fala uma coisa absurda num tom de completa convicção talvez você convença algumas pessoas Isso
é uma falácia não porque isso não é um aspecto do argumento isso é um aspecto retórico exterior ao argumento quando a gente fala de falácia a gente tá sempre falando de argumentos por isso que a ciência que estuda as falácias estuda silogismos sofístico não é a poética e não é a retórica É a lógica tá tá bem claro isso aqui eu espero que que falasse é só de argumentos defeito formal tá pra gente entender o que é o defeito formal a gente tem que entender um pouco a estrutura de um argumento Então vamos colocar aqui
um pensar num num exemplo colocar uma de de Platão da Alma basicamente a alma não é composta somente o que é composto perece logo a alma não perece is aqui é o argumento que o Platão resumidamente utiliza para provar que a alma é imperecível que a alma é imortal todo argumento vai ter duas coisas que a gente chama de matar e forma essa noção de matar e forma ela ela é tirada na verdade da filosofia da natureza de Aristóteles né porque os argumentos eles são entes mentais né são coisas que existem na nossa mente as
palavras com que a gente Expressa o argumento é outra coisa né as palavras elas são elas são entes materiais são entes reais mas os argumentos eles existem na nossa mente Então as coisas que estão na nossa mente elas não têm matéria né Elas são imateriais só que por analogia a gente aplica o conceito de matéria e forma que Platão usava esse binômio matéria e forma né resumidamente a matéria se a gente pega essa mesa por exemplo a matéria é o princípio passivo de uma coisa todos os entes reais têm matéria e forma a matéria é
o princípio passivo da coisa e a forma é o princípio ativo princípio determinante então se eu pego essa mesa um marçano pegou um pedaço de madeira e foi esculpindo foi cortando enfim até montar essa mesa Então veja que a que a a madeira estava ali e o mar sandiro imprimiu uma forma essa madeira por semelhança com com com esse binômio que a gente vai dizer que o argumento possui matéria forma porque de forma muito semelhante o o argumento ele tem um aspecto dele que é mais passivo e um aspecto dele que é mais ativo a
gente diz que a matéria de um argumento são os termos e proposições todo mundo ok pro que é termo que é proposição proposição é quando eu arranjo os termos de um modo em que eu posso dizer por exemplo eh a alma não é composta só que ela tem uma especificidade que ela tem um valor verdade né proposições sempre tem um valor verdade elas sempre são verdadeiras ou falsas Diferentemente de uma pergunta que não necessar que não não é verdadeira ou falsa né Per eh perguntas não TM essa característica então proposições a mesma coisa que afirmações
ou asseverações ou discurso enunciativo na gramática tá aí nós pegamos o amontoado de termos e proposições porque veja essa proposição sozinha ela não é um argumento essa proposição sozinha ela não é um argumento essa proposição sozinha não é um argumento na verdade essas três proposições juntas também não são argumento se eu pegar e listar uma lista de um monte de proposições eu não vou formar um argumento Eu preciso arranjar essas proposições de um modo né em que essas anteriores implicam numa posterior e nós teremos um argumento então um argumento podemos colocar como um um arranjo
um conjunto de proposições em que umas implicam logicamente noutra a minha letra é bem feia tá pessoal então se alguém não entendeu alguma coisa pode perguntar e aí então quando eu imprimo essa forma nesses termos e proposições nessa nessa matéria portanto aí eu tenho justamente um argumento a forma resumidamente é a estrutura do argumento né Eh lá no nos prolegômenos a gente investiga mais com mais precisão o que que seria essa estrutura do argumento essa forma do argumento que eu explico o que é o modo e a figura do argumento juntos né Essa ess que
que é a forma do argumento só que aí a gente precisaria desviar um pouquinho pra gente compreender exatamente o que é forma e figura e bom como a maioria de vocês já é aluno aqui do dos prolegômenos Então se vocês não viram ainda essa aula vocês vêm depois e e vocês vão compreender melhor tá mas resumidamente a estrutura de um argumento tá então uma falácia ela envolve sempre um defeito formal o que isso significa o fato de eu ter um termo inadequado não vai tornar um argumento falacioso o fato de eu ter uma proposição falsa
não vai tornar um argumento falacioso mas é um defeito na forma do argumento na estrutura do argumento que torna ele falacioso termo proposição e argumento são as eh os produtos das três operações da inteligência a gente também investiga isso nos prolegômenos cada uma dessas três coisas os termos formados pela primeira operação no intelecto na inteligência eles têm uma qualidade própria que é adequação termos são adequados ou inadequados proposições são verdadeiras ou falsas tem como um termo ser verdadeiro ou falso não só por analogia só por semelhança mas um sentido aqui específico da proposição não tá
tem como a proposição ser adequada e inadequada não no mesmo sentido do termo não tá e do no caso do argumento ento a gente tem um adjetivo próprio para ele uma qualidade própria que é a validade um argumento é válido basicamente quando a sua estrutura não tem um defeito formal é inválido quando possui tá Então na verdade a gente poderia até resumir essa definição e colocar aqui que é uma fá é um argumento inválido com aparência de validade mas o que que é essa invalidade Vamos explorar mais um pouquinho isso aí se eu pego esse
argumento aqui de Platão a alma não é composta somente porque é composto per logo alma não perece uma forma muito prática de descobrir se um um argumento é válido ou inválido é fazer o seguinte experimento mental tenta imaginar um mundo possível ou seja um outro universo em que cada uma dessas premissas é verdadeira então a alma não é composta e somente o que é composto perece E aí nesse universo essas premissas são verdadeiras e a conclusão é falsa tenta imaginar isso se você consegue imaginar isso se é uma coisa concebível o argumento é inválido se
é uma coisa absolutamente inconcebível o argumento é válido nosso caso de Platão alma não é composta somente o que é composto perece logo a alma não perece tem como imaginar um mundo em que a alma não é composta somente o que é composto perece e a alma não perece não isso é contraditório com as informações anteriores não tem como você conciliar essas duas coisas é como querer conciliar ser quadrado e e e ser redondo né são coisas inconciliáveis são é uma combinação inconcebível então um argumento válido é um argumento em que as premissas verdadeiras e
a conclusão falsa é simplesmente inconcebível dito de outro modo é a qualidade de um argumento cujas premissas implicam na conclusão perdão vou acrescentar aqui implicam logicamente na conclusão Tá aí uma forma de fazer um teste prático disso é fazer se experimento mental em validade obviamente é é qualidade um argumento que não não não cumpre com essas condições E aí a gente consegue compreender de forma muito clara que proposições por exemplo não podem ser válidas ou inválidas né E nem argumentos podem ser verdadeiros ou falsos argumentos só são válidos ou Inválidos ess é a qualidade que
desrespeita aos argumentos é um exemplinho clássico todo gato é azul garrafa de um gato logo garrafa de azul esse argumento é válido sim Alguém tem dúvida de que ele é válido ou não Tá então é um argumento válido né Por quê premissa dele é falsa né obviamente não é verdade todo gato é azul mas Em que momento a gente disse que por um argumento ser váo todas as suas proposições TM que ser verdadeiras isso não foi dito né isso também é uma coisa que eu acho importante que que seja desenvolvida nas pessoas né Tem uma
frase do do Gugu o luí Gonzaga de Carvalho que é o filho do Olávio de Carvalho para quem não conhece que é muito boa que ele diz assim o problema do brasileiro é que ele só sabe ler entre linhas as linhas ele não não sabe ler ou seja é Muitas pessoas têm esse problema que é elas não leem o que tá escrito numa definição por exemplo numa afirmação elas querem ficar adivinhando o resto então uma habilidade importante que vocês devem buscar possuir é essa prestem atenção ao no que está sendo dito né não extrapolem com
a sua imaginação o que a pessoa quis dizer o que enfim Ou pelo menos façam isso com controle né tendo consciência de que você que tá extrapolando você tá tentando adivinhar alguma coisa mas isso não tá ali escrito né iso é uma coisa importante enfim é uma coisa perfeitamente conciliável um argumento válido com proposições falsas Esse é um caso de um argumento tem uma proposição falsa uma verdadeira uma conclusão falsa tá um argumento inválido quer dizer um argumento válido cerar outra cor aqui pro válido válido mas com premissas falsas do mesmo modo é possível eu
construir um argumento por exemplo Sócrates ateniense todo grego europeu logo Sócrates é filósofo três proposições verdadeiras Sócrates ateniense todo grego Europeu sóc é filósofo o argumento é váo obviamente não n porque a forma como essas proposições essas informações estão arranjadas não se combin si de um modo a implicar na última proposição que é a conclusão você não consegue arranjar de nenhum modo essas duas premissas de uma maneira que implique logicamente na conclusão Então as a qualidade de verdade e falsidade e a qualidade de validade invalidade não tem uma relação intrínseca necessária mas existe uma certa
relação que a gente pode dizer que é uma propriedade dos argumentos válidos o que que é uma propriedade alguém que fez o os pregos se quiser responder o que é uma propriedade que lembre a propriedade é um predicável eh é algo que não é propriamente A Essência mas é algo que deriva diretamente dela por exemplo então h o homem ser passível da ilaridade é algo que deriva da essência de homem mas que não necessariamente é a essência então são coisas que estão eh relacionadas mas mas que não são propriamente a mesma maravilha né então o
que que é uma propriedade dos argumentos válidos é uma coisa que não é Essência não é isso que significa ser válido Mas é uma coisa que decorre da essência de ser válido né então qual que é uma propriedade que os argumentos válidos vão ter inclusive quando se fala em propriedade em geometria é disso que a gente tá falando né é uma coisa que decorre da Essência decorre de uma definição que você deu de alguma coisa por exemplo mas não é exatamente a definição né todo argumento válido de premissas verdadeiras tem uma conclusão verdadeira isso é
fácil de perceber pela definição que a gente deu de validade né O que significa dizer que premissas implicam logicamente numa conclusão significa só dizer que a veracidade das premissas implica na na veracidade da conclusão a mesma coisa E aí dessa propriedade claramente decorre uma outra que é um argumento válido não pode ter premissas verdadeir e uma conclusão falsa Se você encontrar um argumento que tem isso aí de duas uma ou você tá enganado e as premissas não são verdadeiras ou a conclusão não é falsa ou o argumento não é válido né alguma das coisas tá
errada no se diagnóstico Ok matamos essa segunda partícula e agora aparência de validade de algum modo esse argumento ele vai ter que ter nele um algo que tá tentando disfarçar a invalidade dele né El ele tenta disfarçar isso aí e acho que a maneira mais fácil da gente entender isso aí é com eh argumentos falácias linguísticas né falácias em que o disfarço está na língua E aí o clássico a clássica falácia da homonímia né o cão ladra cão é uma constelação Celeste logo a constelação Celeste ladra Isso aqui é uma falaa da homonímia que a
gente vai estudar as próximas aulas tá próximas aulas basicamente a gente vai aprofundar nos tipos de falácias existentes Tá mas qual que é o problema aqui claramente as duas palavras aqui hão e cão né no caso uma palavra só elas têm significados diferentes né uma se refere ao animal e outra se refere precisamente à constelação e é o que a gente falou ah seismo tem que ter três termos o que acontece Aqui nós temos quatro termos né Quatro termos categor máticos Então vamos fazer a contagem termo menor constelação Celeste e ladra nosso termo maior e
cão que seria o termo médio só que aqui nós temos dois termos médios né então nós temos quatro termos estamos ferindo uma regra do silogismo momento inválido só que se eu falasse assim o animal cão ladra a constelação cão é uma constelação Celeste logo a conção constelação Celeste ladra eu enganaria alguém eu não enganaria né então o que eu preciso fazer preciso criar um disfarce pro meu argumento para ele parecer uma coisa válida e nesse caso eu usei a língua né a ambiguidade linguística para fazer isso por isso que a gente classifica dentro das falacias
linguísticas tá pode pode perguntar a impressão que eu tenho que quanto menos você define mais fácil é cometer uma falácia então é mais ou menos por aí sim principalmente as linguísticas né Eh quanto mais Eh obscuridade você usa os seus termos mais fácil é você enganar os outros né Eh aquela coisa por isso que eu que eu sempre digo que uma pessoa que tem convicção do que ela acredita ela vai tentar argumentar de uma maneira clara porque a clareza ela ela é exposição né você tá mostrando as do seu do seu raciocínio agora se você
argumenta de uma forma obscura você esconde os defeitos do seu raciocínio aí você pode estar certo mas você pode estar errado também não dá para saber com clareza então isso aqui é um exemplo de um de um uma aparência de varidade onde o princípio motivo desse dessa falácia desse engano é precisamente a ambiguidade da palavra cão Ok para finalizar pessoal acho que a agora a gente já tem uma definição Clara de falácia eu queria só fazer uma distinção eh de três termos aqui que causam uma costuma causar uma certa confusão que é falácia sofismo e
paralogismo tá essas são palavras que elas são eh se eu não me engano contemporâneas né Eu acho que o próprio Aristóteles Chegou a utilizar as três palavras posso ter enganado mas acho que sim até porque eu não li em grego então eu não tenho certeza eh [Música] então elas são frequentemente usadas né como sinônimos só que com o tempo para criar uma organização terminológica e tudo mais começou-se a separar as coisas né e dividir as coisas para serem diferentes tá então eh tradicionalmente a gente fala que tanto o sofismo Quanto paralogismo são falácias tá falácia
Então a gente tem aqui a falácia como o gênero delas e a diferença específica aquilo que distingue os dois é a presença ou não de intenção de de enganar tá quando você não tem a intenção de enganar uma o seu engano o seu erro é não intencional você se confundiu sem querer você cometer esse erro é um paralogismo quando é intencional é um sofismo E aí o sofisma né remete ao sofistas Justamente que eram aqueles que que lucravam basicamente com argumentação com raciocínio filosófico por isso que usa justamente o termo né s fism